Brasil enfrenta ‘epidemia de adoecimento mental’ no trabalho, aponta especialista

Em 2024, país registrou 470 mil afastamentos relacionados a transtornos como depressão e ansiedade, segundo dados da Fundacentro

O Brasil enfrenta uma “epidemia de adoecimento mental” no ambiente de trabalho, agravada por anos de retrocessos nas políticas públicas de proteção ao trabalhador. O alerta é de Pedro Tourinho, presidente da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), em entrevista ao Conexão BdF, do Brasil de Fato, na última segunda-feira (28), Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho.

Tourinho revelou que apenas em 2024, o Brasil registrou 470 mil afastamentos relacionados a transtornos como depressão e ansiedade. “A pressão que massacra o trabalhador hoje está relacionada a cobrança de metas irrealizáveis, baixa clareza nas tarefas do processo de trabalho, relações de assédio frequentes nos ambientes de trabalho e questão dos horários e jornadas de trabalho”, explicou. Para ele, o fim da jornada 6 x 1 é uma das discussões “mais importantes do país neste momento”.

A crise, no entanto, não é acidental. Segundo Tourinho, ela é fruto de escolhas políticas. Durante os governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL), houve “um ataque sistemático” às normas de saúde e segurança no trabalho. “Foi um período em que toda a agenda de proteção à saúde do trabalhador foi duramente atacada. Isso favoreceu, evidentemente, o avanço de práticas que não eram comprometidas com a saúde e a segurança dos trabalhadores e das trabalhadoras”, denunciou.

O presidente da Fundacentro lembrou que o Brasil, historicamente, já figurava entre os países com mais acidentes de trabalho no mundo. Em 2024, foram registrados cerca de 740 mil acidentes, com 2,4 mil mortes registradas. Ele ressalta que os números reais podem ser ainda maiores devido à situação crescente de informalidade no Brasil e à subnotificação.

Mudanças climáticas agravam riscos

Além do desmonte das proteções legais, as mudanças climáticas colocam novos desafios à segurança dos trabalhadores. Tourinho destacou que o trabalho ao ar livre, especialmente no agronegócio e na construção civil, já se tornou inseguro em determinadas épocas do ano devido às altas temperaturas.

“O Brasil já tem uma história muito consolidada de identificação do adoecimento dos trabalhadores do setor sucroalcooleiro, nos canaviais, com dezenas de óbitos por exaustão relatadas no trabalho na lavoura de cana. Isso, infelizmente, com a mudança climática, tende a se estender para outros contextos de trabalho rural e a céu aberto de modo geral, inclusive no contexto urbano”, afirmou.

Reconstrução é urgente

Diante desse cenário, Tourinho comemorou a autorização de 65 novas vagas em concurso público para a Fundacentro, após mais de uma década de sucateamento, anunciadas pela ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. “Não tenho dúvidas de que isso vai significar não só a recuperação das perdas que nós tivemos nos últimos anos, como a sustentabilidade de uma unidade tão importante para as próximas décadas por via um gesto muito claro do presidente Lula, do ministro [do Trabalho] Luiz Marinho, de reconstruir de fato um ambiente de trabalho mais seguro e mais saudável”, avaliou.

Para o presidente da Fundacentro, a construção de melhores ambientes de trabalho é parte essencial da luta por dignidade e justiça social. “O trabalho é onde realizamos nossos planos e sonhos, onde conquistamos o dinheiro para construir nossas vidas. No entanto, também é um espaço de sofrimento, silêncio, submissão e violência. Por isso, é fundamental sempre pensar na saúde e segurança do ambiente de trabalho”, concluiu.

Fonte: ICL

Brasil pede à Corte Internacional que declare ilegal bloqueio de Israel à ajuda humanitária em Gaza

O Brasil solicitou à Corte Internacional de Justiça (CJI), principal tribunal da Organização das Nações Unidas (ONU), em Haia, nesta terça-feira (29), que declare ilegal o bloqueio imposto por Israel contra a entrada de ajuda

humanitária na Faixa de Gaza, que já dura mais de 50 dias.

“O Brasil sustenta e espera que o tribunal reconheça que todas as medidas sistematicamente adotadas por Israel para impedir ou dificultar a presença e as atividades das Nações Unidas, de outras organizações internacionais e de terceiros Estados no território palestino ocupado violam flagrantemente não apenas o direito palestino à autodeterminação, mas também outras obrigações fundamentais previstas no direito internacional”, afirmou o embaixador do Brasil na CIJ, Marcelo Viegas.

A CIJ realiza audiências sobre ação movida pela Assembleia Geral da ONU que pede à Corte que se manifeste sobre as obrigações de Israel para “garantir e facilitar a entrada sem obstáculos de suprimentos urgentes essenciais para a sobrevivência da população civil palestina”.

O representante brasileiro alegou que não há razão para o tribunal não se manifestar sobre o tema e sustentou que Israel não poderia se negar a cumprir as obrigações previstas na legislação internacional.

“Como potência ocupante [dos territórios palestinos] e como membro das Nações Unidas, Israel é obrigado a facilitar e viabilizar as operações da ONU nos territórios palestinos ocupados. Não pode interferir ou obstruir o exercício deste mandato, que foi estabelecido pela Assembleia Geral”, justificou Viegas.

O representante do Brasil na CIJ criticou ainda as leis aprovadas em Israel que proibiram as atividades da Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA), lembrando que a instituição é “a espinha dorsal das operações humanitárias da ONU em favor dos refugiados palestinos”, fornecendo educação, atendimento médico, serviços sociais e assistência emergencial para mais de 6 milhões de pessoas.

“Sua presença e trabalho são ainda mais urgentes no atual contexto de destruição quase total em Gaza, onde atende a mais de 2 milhões de pessoas. Ressaltamos que isso constitui uma flagrante violação do direito internacional”, completou.

Israel informou que não enviará representante para o tribunal, acusando-o de perseguição. O parecer consultivo da CIJ não gera qualquer obrigação prática a Israel, que segue sem cumprir diversas decisões das entidades ligadas à ONU, incluindo o Conselho de Segurança, único com previsão de poder usar a força contra outros países.

Além disso, o governo de Benjamin Netanyahu acusa a UNRWA de colaborar com o Hamas e participar do dia 7 de outubro de 2023, quando o grupo invadiu cidades israelenses no sul do país. Porém, quando solicitadas provas por investigação independente, o governo de Tel Aviv não as apresentou.

Outros países

Representantes latino-americanos do Chile, da Colômbia e da Bolívia também se pronunciaram nesta terça-feira na CIJ contra o bloqueio de ajuda humanitária na Faixa de Gaza. Representantes da Bélgica, da Arábia Saudita, da Argélia e da África do Sul também se manifestaram sobre o caso, reforçando que Israel tem obrigações em relação à entrada de ajuda humanitária em Gaza.

Quarenta e quatro países manifestaram interesse em participar das audiências, além de quatro organizações internacionais. As audiências seguem até o dia 2 de maio. Devem se manifestar ainda representantes dos Estados Unidos, da China, da Rússia, do Reino Unidos, entre outras nações.

Israel

O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirma que não permitirá a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza enquanto o Hamas não se render totalmente e enquanto não devolver todos os reféns ainda em poder do grupo.

Sobre o processo em Haia, o ministro israelense das Relações Exterioresà, Gideon Sa’ar, acusou a ONU de perseguir Israel e voltou a sustentar que a agência das Nações Unidas para refugiados palestinos é “infestada de terroristas”.

“Este caso faz parte de uma perseguição sistemática e de deslegitimação de Israel. Estão abusando do sistema jurídico internacional e o politizando. O objetivo é privar Israel de seu direito mais básico de se defender. Não é Israel que deve ser julgado. É a ONU e a UNRWA”, destacou em coletiva a jornalistas, em Jerusalém.

Na semana passada, ao comentar sobre os pedidos para permitir a entrada de ajuda humanitária em Gaza, Netanyahu afirmou que “a ajuda que vai para o Hamas não é humanitária”.

Já o Hamas afirma que havia a previsão de entregar todos os reféns feitos no dia 7 de outubro caso Israel tivesse cumprido o acordo de cessar-fogo de janeiro e desocupado a Faixa de Gaza.

Fonte: Agência Brasil

Câmara oficializa afastamento de Siderlane Mendonça suspeito de corrupção

A Câmara Municipal de Maceió oficializou o afastamento do vereador Siderlane Mendonça e de 11 servidores comissionados, em cumprimento a uma decisão da Justiça Eleitoral. A medida foi tomada após a deflagração da Operação Falácia pela Polícia Federal, que investiga um esquema de corrupção envolvendo crimes como desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro e rachadinha.

De acordo com as investigações, Siderlane Mendonça, que está em seu terceiro mandato, é apontado como líder do esquema. A prática de rachadinha consistia no repasse de parte dos salários dos servidores ao parlamentar, seja por transferência direta ou pagamento de despesas. A Justiça determinou o bloqueio de bens no valor de mais de R$ 200 mil e proibiu o acesso dos investigados às dependências da Câmara.

O presidente da Câmara, Chico Filho, publicou uma portaria no Diário Oficial do Município, reforçando a necessidade de cumprimento imediato da decisão judicial. Ele também orientou os servidores da Casa a evitarem qualquer contato com os investigados. O afastamento é por tempo indeterminado, enquanto as investigações prosseguem.

Siderlane Mendonça, por sua vez, utilizou as redes sociais para declarar que desconhece o teor das acusações e afirmou estar sendo vítima de perseguição política. A Operação Falácia segue em andamento, com a execução de mandados de busca e apreensão em Maceió e Rio Largo.

Fonte: Repórter Nordeste

Anistia Internacional: Israel comete genocídio “transmitido ao vivo” em Gaza

“Os Estados assistiram como se estivessem impotentes”, criticou a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard

A ONG de direitos humanos Anistia Internacional concluiu em relatório, divulgado pela AFP nesta terça-feira (29), que Israel comete um “genocídio transmitido ao vivo”, ao massacrar e deslocar à força a população da Faixa de Gaza, provocando deliberadamente uma catástrofe humanitária.

Em seu relatório anual, a Anistia declarou que Israel age com “intenção específica de destruir os palestinos em Gaza, cometendo assim genocídio”.

A Anistia Internacional afirmou ter “documentado múltiplos crimes de guerra por parte de Israel”, incluindo ataques contra civis, e apontou que o governo israelense provoca “deliberadamente uma catástrofe humanitária sem precedentes”.

A organização, com sede em Londres, Reino Unido, informou que cerca de 1,9 milhão de pessoas — aproximadamente 90% da população de Gaza — foram deslocadas à força.

A Anistia Internacional também condenou os ataques de 7 de outubro de 2023 do movimento palestino Hamas contra Israel. “Desde 7 de outubro de 2023, quando o Hamas cometeu crimes horrendos contra cidadãos israelenses e capturou mais de 250 reféns, o mundo tem assistido a um genocídio transmitido ao vivo”, disse a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, conforme a AFP. 

“Os Estados assistiram como se estivessem impotentes, enquanto Israel matava milhares e milhares de palestinos, eliminando famílias inteiras, destruindo casas, meios de subsistência, hospitais e escolas”. 

Em 18 de março, Israel retomou os bombardeios contra a Faixa de Gaza, alegando que o Hamas se recusou a aceitar o plano dos Estados Unidos para prorrogar o cessar-fogo, que expirou em 1º de março. 

Israel cortou o fornecimento de eletricidade para uma usina de dessalinização na Faixa de Gaza e bloqueou a entrada de caminhões com ajuda humanitária.

Mais de 52 mil pessoas foram mortas em ataques de Israel na Faixa de Gaza desde a escalada do conflito armado em outubro de 2023, informou a autoridade de saúde do enclave no último domingo (27). 

Israel rejeitou o relatório da Anistia Internacional e acusou a ONG de espalhar propaganda do Hamas, segundo a AFP. 

Fonte: Brasil 247

Comandantes da UPP são flagrados pela PF em negociação com chefe do tráfico no Complexo do Alemão

Criminoso está foragido há mais de seis anos e é apontado como o terceiro homem mais relevante da hierarquia do Comando Vermelho

Uma investigação da Polícia Federal revela que um dos traficantes mais procurados do Rio, que chefia a venda de drogas em parte do Complexo do Alemão, mantinha contato frequente com oficiais da PM que comandavam Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no conjunto de favelas. Mensagens extraídas na nuvem vinculada à conta de e-mail de Fhillip da Silva Gregório, o Professor — obtidas com exclusividade pelo GLOBO — mostram os comandantes combinando com o criminoso quais partes da favela podem ser patrulhadas e elogiando sua “gestão” à frente do tráfico na região. O traficante está foragido há mais de seis anos e é apontado como o terceiro homem mais relevante da hierarquia do Comando Vermelho fora do sistema penitenciário.

  • A conversa via WhatsApp obtida pela PF teve início na noite de 22 de novembro de 2022. “Vai trocar aí. Vou lá pro Manguinhos. Vai assumir um major aí, mas gente boa, sujeito homem. Eu não queria ir, mas não tem jeito. Já vou chegar em Manguinhos com guerra lá. Só dor de cabeça”, escreveu ao Professor um homem, identificado pelos agentes federais como um oficial da PM lotado na UPP Fazendinha.

O traficante tranquilizou o interlocutor e prometeu que falaria “com o dono de Manguinhos” para ajudá-lo na adaptação. Em seguida, perguntou: “Deixa esse na mesma sintonia com nós?”. Segundo o relatório, sintonia “equivale ao pagamento de propina a policiais para que não interfiram nas atividades criminosas”.

“Quando passar o comando, vou passar tudo pra ele, já até falei com ele”, respondeu o policial, que ainda reclama com o chefe do tráfico sobre criminosos armados circulando por uma área da favela e pede providências: “Eu seguro meus policiais, mato tudo no peito. Porque sei que tu é sujeito homem, cumpre tuas palavras”.

  • ‘Tua gestão é boa’, diz PM

Professor prometeu que falaria com seus subordinados e, como resposta, recebeu novos elogios do oficial: “Tua gestão é boa. O que te deixa mal são os roubos da (Rua) Canitar, que vão cair tudo na tua conta. Mas eu tô ligado que não é você, só que pra te defender é f….”, explicou o PM. Ao final da conversa, o oficial ainda disse que já havia conversado sobre os contatos do traficante com seu sucessor — que, por sua vez, teria pedido para seguir com a mesma linha telefônica, usada exclusivamente para conversar com Professor: “O major pediu para deixar esse mesmo número com ele, o contato será esse mesmo, só que será com ele”.

Uma semana depois, em 30 de novembro, o criminoso retoma os contatos com o novo comandante para reclamar do policiamento. “Mano, mudou o comando, né? Queria falar sobre uns policiais que tão entrando ali pela Praça do Sagaz e indo no fundo da firma. Nunca tivemos problemas, fica cada um no seu espaço pra gente evitar algum estresse. Nunca teve isso ali, policiamento parando os viciados e cercando por perto da firma”, escreveu Professor.

  • O novo comandante prometeu que tomaria alguma providência: “Tranquilo, vou ver isso aí”. Ao longo do mês seguinte, os contatos continuaram: uma vez por semana, o traficante e o PM combinavam pontos de encontro. “Quer pedir para pegar hoje? Pois amanhã tem jogo”, escreveu Professor na tarde de 8 de dezembro, véspera da partida entre Brasil e Croácia pela Copa do Mundo. “Sim, ia falar isso com você”, respondeu o policial.

Prisão decretada

Os diálogos fazem parte do inquérito que culminou, em dezembro de 2023, na Operação Dakovo, em que 28 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal sob a acusação de atuarem no tráfico de 43 mil armas do Paraguai para facções criminosas do Brasil. A investigação descobriu que Professor, que mantém contatos frequentes com criminosos no Paraguai, Peru, Bolívia e Colômbia, é o principal responsável pela compra das armas usadas pelo CV no Rio. Ele teve a prisão decretada pela Justiça Federal da Bahia, mas nunca foi encontrado.

As conversas entre Professor e os policiais, obtidas através da quebra do sigilo do traficante, expõem “o poder exercido por Professor, bem como sua promíscua relação com supostos oficiais da PM do Rio de Janeiro”, segundo relatório do Grupo de Investigações Sensíveis (Gise) da PF da Bahia.

  • Como não eram alvos da investigação sobre tráfico de armas, os policiais não foram sequer identificados no documento. O conteúdo da conversa, no entanto, é corroborado pelo boletim interno da PM. No mesmo mês em que acontecem as trocas de mensagens,é publicada a mudança de comando da UPP Fazendinha: o oficial que deixou a unidade foi para a UPP Manguinhos, citada no diálogo. Um major assumiu o seu posto.

Corregedoria vai apurar

Questionada se sabia da existência dos diálogos e se havia algum procedimento aberto para investigá-los, a PM informou, através de nota que, “embora a operação da Polícia Federal tenha sido desencadeada há mais de dois anos, a Corregedoria Geral da Corporação ainda não foi notificada sobre a investigação”. A corporação acrescentou que, “diante da gravidade do fato, solicitará uma cópia dos autos à Polícia Federal para, de imediato, instaurar um procedimento apuratório com objetivo de investigar as responsabilidades dos agentes envolvidos na denúncia”.

Os dois agentes que comandaram a UPP Fazendinha na época dos diálogos seguem trabalhando normalmente. Já a unidade foi extinta: no ano passado, após uma reestruturação feita pela PM, a UPP Complexo do Alemão passou a englobar as áreas das antigas unidades da Fazendinha, de Nova Brasília e do Alemão.

Fonte: O Globo

Brasil abre evento do BRICS pedindo ‘retirada total’ das forças israelenses de Gaza

No encontro de chanceleres, Mauro Vieira criticou Israel por obstruir ajuda humanitária no enclave e violar cessar-fogo; ministro brasileiro também defendeu multilateralismo

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, cobrou a atuação diplomática de países do BRICS – grupo que reúne 11 nações emergentes e em desenvolvimento – para a busca de solução de guerras e conflitos regionais.

A declaração do chanceler brasileiro foi feita nesta segunda-feira (28/04), durante abertura do encontro de ministros de Relações Exteriores do BRICS, que vai até amanhã no Rio de Janeiro.

Entre os presentes na sala onde Vieira fez o pronunciamento estava Sergey Lavrov, o chanceler da Rússia, país em guerra com a Ucrânia. A guerra teve início após a Rússia invadir o país vizinho em fevereiro de 2022, sob a alegação de que a aproximação da Ucrânia com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) – aliança de países ocidentais – colocava em risco a segurança russa. 

Nesta segunda-feira, a Rússia declarou cessar-fogo unilateral de três dias, de 8 a 10 de maio, para lembrança da vitória contra os nazistas na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

No discurso aos demais chanceleres, Vieira não citou nominalmente a Rússia.  

“O conflito na Ucrânia continua a causar pesado impacto humanitário, ressaltando a necessidade urgente de uma solução diplomática que defenda os princípios e os propósitos da Carta das Nações Unidas”, disse o ministro.

Vieira lembrou que, em um esforço para o fim da guerra, o Brasil e a China – outro integrante do BRICS – organizaram uma reunião de alto nível em setembro do ano passado, em Nova York, nos Estados Unidos, que levou a criação do Grupo de Amigos da Paz, reunindo países do Sul Global – nações em desenvolvimento, localizados principalmente no hemisfério sul.

“Permanecemos comprometidos em continuar trabalhando pela paz e por uma solução política para o conflito”, disse o diplomata brasileiro.

Multilateralismo

O encontro dos chanceleres acontece no Palácio Itamaraty, espaço que foi sede do Ministério das Relações Exteriores durante grande parte do século 20, e serve para os ministros alinharem posições a serem defendidas no encontro de cúpula, que reunirá chefes de Estado e de governo nos dias 6 e 7 de julho, também no Rio de Janeiro.

“Esta reunião acontece em um momento em que nosso papel como grupo é mais vital do que nunca. Enfrentamos crises globais e regionais convergentes, com emergências humanitárias, conflitos armados, instabilidade política e a erosão do multilateralismo”, declarou Vieira.

“Com onze estados-membros representando quase metade da humanidade e uma ampla diversidade geográfica e cultural, o BRICS está em uma posição única para promover a paz e a estabilidade baseadas no diálogo, no desenvolvimento e na cooperação multilateral”, completou.

O pronunciamento do ministro não faz citação direta aos Estados Unidos, país que tem defendido políticas de protecionismo e é contra o multilateralismo.

Mauro Vieira afirmou ainda que o BRICS está unido em torno da ideia de que a paz não pode ser imposta, e, sim, construída. Além disso, afirmou que o grupo “reconhece os interesses estratégicos e os legítimos interesses econômicos e de segurança de cada membro”.

No exercício da Presidência temporária do BRICS, o Brasil leva para o foro internacional o objetivo de mudança na governança global, que passa pela reforma e ampliação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), no qual apenas cinco países têm poder de veto: Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia. “Para melhor refletir as realidades geopolíticas contemporâneas”, justificou Vieira.

Faixa de Gaza

O ministro lembrou conflitos que não possuem envolvimento direto de integrantes do BRICS. Ele deu destaque à “situação devastadora nos territórios palestinos ocupados”, invadidos por Israel em outubro de 2023, após o Estado judeu sofrer ataques e sequestros do grupo extremista palestino Hamas.

“A retomada dos bombardeios israelenses em Gaza e a obstrução contínua da ajuda humanitária são inaceitáveis. O colapso do cessar-fogo anunciado em 15 de janeiro é deplorável”, disse Vieira. 

O ministro pediu às duas partes envolvidas esforços para cumprirem integralmente os termos do acordo e a se engajarem em prol de uma cessação permanente das hostilidades.

“É necessário assegurar a retirada total das forças israelenses de Gaza, assegurar a libertação de todos os reféns e detidos e garantir a entrada de assistência humanitária”.

O Brasil defende, afirmou o ministro, a solução de dois Estados, com um Estado da Palestina independente e viável, dentro das fronteiras de 1967, e com Jerusalém Oriental como sua capital, vivendo lado a lado com Israel.

A situação crítica no Haiti, em que a ordem pública foi desmantelada por gangues armadas, e tensões no Sudão, na região dos Grandes Lagos e no Chifre da África, também foram citadas.

O ministro defendeu que em zonas de conflito o acesso à ajuda deve ser incondicional e imparcial. “O sofrimento humano jamais deve ser instrumentalizado”, declarou.

Mauro Vieira manifestou que o caminho para a paz “não é fácil nem linear”, mas que o BRICS pode e deve ser uma força para o bem, “não como um bloco de confronto, mas como uma coalizão de cooperação”.

“Devemos liderar pelo exemplo, reafirmando nossa crença em um mundo multipolar onde a segurança não é privilégio de poucos, mas um direito de todos”, finalizou.

Entenda o BRICS

O BRICS é um grupo formado por 11 países e atua como um foro de articulação político-diplomática e de cooperação do Sul Global – países em desenvolvimento, localizados principalmente no hemisfério sul. No entanto, não chega a ser uma organização internacional ou um bloco formal. Por exemplo, não tem um orçamento próprio ou secretariado permanente.

Fundado em 2006, o grupo era BRIC, iniciais de Brasil, Índia, Rússia e China. Em 2011, o acrônimo ganhou o “s”, de South Africa (África do Sul, em inglês).

Em 2023, o grupo passou a incluir Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita (ainda no processo de formalização) e Emirados Árabes Unidos. A Argentina chegou a ser convidada, mas, sob a Presidência de Javier Milei, recusou o ingresso. Em 2024, a Indonésia passou a fazer parte do grupo.

Os países membros se alternam ano a ano na Presidência do bloco. O Brasil será sucedido pela Índia em 2026.

Os 11 países representam 39% da economia mundial e 48,5% da população do planeta. Em 2024, os BRICS receberam 36% de tudo que foi exportado pelo Brasil, enquanto nós compramos desses países 34% do total do que importamos.

Em termos de capacidade energética, o grupo representa 43,6% da produção mundial de petróleo e 36% de gás natural. O BRICS detém 72% das reservas mundiais de minerais classificados como terras raras, elementos químicos fundamentais para diversas aplicações tecnológicas, desde eletrônicos até energia renovável.

Presidência brasileira

O Brasil escolheu duas prioridades para marcar a Presidência temporária do país:

  • Cooperação do Sul Global
  • Parcerias para o desenvolvimento social, econômico e ambiental.

O ponto alto da Presidência brasileira será a reunião de cúpula de chefes de Estado e de governo nos dias 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro.

Ainda nesta segunda-feira, os ministros reunidos discutem desafios globais como pobreza e mudanças climáticas. Mauro Vieira aproveita a reunião também para encontros bilaterais, com contrapartes de países como Indonésia, Rússia, China, Etiópia, Tailândia, Nigéria e Cuba, os três últimos participam com status de países-parceiros.

Fonte: Ópera Mundi

Israel mata mais de 40 palestinos no campo de extermínio de Gaza

Bombardeios de Israel matam mais de 40 palestinos, incluindo 5 crianças, nesta segunda; fome gera saques em Gaza. Israel já matou mais de 2 mil palestinos desde retomada do genocídio em março.

Pelo menos 40 pessoas morreram, nesta segunda-feira (28), devido a bombardeios israelenses na Faixa de Gaza, informou a agência de Defesa Civil do território palestino. Destes mortos, ao menos cinco eram crianças, abatidas por drones de Israel.

“Contaram-se 40 mártires do amanhecer até agora”, declarou Mohammed al Moughayer, funcionário da Defesa Civil de Gaza, à AFP.

Israel retomou o genocídio na Faixa de Gaza em 18 de março depois de uma trégua de dois meses. O Ministério da Saúde de Gaza, governado pelo Hamas, declarou nesta segunda-feira que pelo menos 2.222 pessoas morreram desde que Israel retomou seus ataques, o que eleva a 52.314 o número total de mortos.

Ainda segundo a agência de Defesa Civil de Gaza, oito pessoas morreram nesta segunda-feira em um ataque israelense contra a casa de uma família em Jabalyia, no norte do território.

“Estavam dormindo em suas casas, sentido-se seguros, quando os mísseis caíram (…) essa cena faz o corpo tremer”, disse Abdul Majeed Abu Mahadi, de 67 anos, cujo irmão morreu no ataque.

A agência também relatou um ataque israelense contra outra casa em uma área de Khan Yunis, no sul, no qual oito pessoas morreram. A eles se somam dois mortos em um ataque israelense que atingiu uma barraca que abrigava deslocados no campo de Al Shafii, a oeste de Khan Yunis, e um em uma rotatória a oeste de Cidade de Gaza. O Exército israelense não fez comentários de imediato.

Além da morte, a fome

Os saques aumentaram na Faixa de Gaza, que vive uma situação humanitária “desesperadora” devido ao bloqueio da ajuda humanitária por Israel desde o início de março, declarou nesta segunda-feira (28) um porta-voz da ONU.

“Temos recebido mais relatos de saques, no contexto de uma situação humanitária desesperadora e de escassez de bens”, disse Stéphane Dujarric, referindo-se, em particular, a um caminhão em Deir al Balah e um depósito na Cidade de Gaza que foram saqueados no fim de semana.

Dujarric afirmou que não tem informações sobre os autores desses atos.

“Quando enfrentamos saqueadores, não fazemos perguntas”, observou. Mas “o que posso dizer é que, durante o período transitório de cessar-fogo, quando a ajuda chegava, não recebemos nenhuma informação sobre saques”, insistiu.

“Se são pessoas roubando por desespero ou gangues criminosas roubando para vender, não sei, mas o que sabemos é que há cada vez menos bens em Gaza”, acrescentou.

Desde o início do ano, foram detectados cerca de 10 mil casos de desnutrição grave em crianças, destacou. Israel controla todos os fluxos de ajuda internacional, vitais para os 2,4 milhões de palestinos da Faixa de Gaza que sofrem uma crise humanitária sem precedentes. Em 2 de março, cortou esses fluxos, poucos dias antes do rompimento de um frágil cessar-fogo após 15 meses de genocídio.

*Com Al Jazeera e AFP

Fonte: Brasil de Fato

Folha abrigava agentes da ditadura que ‘torturavam de manhã e trabalhavam no jornal à tarde’

Documentário ‘Folha Corrida’, dirigido pelo premiado Chaim Litewski, revela apoio do jornal Folha de S. Paulo ao regime militar no Brasil; Episódios estão disponíveis no ICL

O documentário “Folha Corrida”, dirigido pelo premiado Chaim Litewski, de “Cidadão Boilensen”, com produção da Terra Firme, revela que o jornal Folha de S. Paulo abrigava, em sua sede, agentes da ditadura que “torturavam de manhã e trabalhavam no jornal à tarde”. O primeiro episódio foi exibido gratuitamente no canal do ICL Notícias.

Na live de exibição do documentário, as professoras Flora Daemon, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), e Ana Paula Goulart Ribeiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) falaram sobre o trabalho de pesquisa que resultou no documentário. O diretor Chaim Litewski também esteve presente.

“Folha Corrida” foi produzida com base na pesquisa “A responsabilidade de empresas por violações de direitos durante a Ditadura: o caso Folha de S. Paulo”. Além de Flora e Ana Paula, contribuíram André Bonsanto Dias (UEM), Joëlle Rouchou (FCRB) e Lucas Pedretti (UERJ).

Em entrevista com o fundador do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), Eduardo Moreira, e o jornalista Leandro Demori, as pesquisadoras revelaram detalhes sobre a relação entre o Grupo Folha e a ditadura militar. Segundo Flora Daemon, o grupo empregava agentes do regime em setores da empresa e perseguia jornalistas ligados à esquerda.

“Tinha agentes da repressão em muitos cargos diferentes (na Folha), tinha jornalistas que eram também policiais ligados à repressão, tinha gestores, pessoas que trabalhavam na segurança. Tinha uma equipe lá dentro. Nós temos documentos que mostram, por exemplo, como essas pessoas faziam vigilância dos jornalistas”, revelou Ana Paula Goulart. “A atuação deles era muito diversa, estava em todas as empresas do grupo e em cargos e funções muito variados. O Grupo Folha funcionava como um braço do aparato repressivo da ditadura”.

“Na nossa série, a gente caracteriza que a própria Folha perseguia e monitorava internamente seus funcionários, muito possivelmente através da presença de policiais que estavam espalhados em setores estratégicos dentro da estrutura da empresa”, disse Flora Daemon.

O documentário revela, ainda, que o Grupo Folha, em seus jornais à época, publicava fotos e dados pessoais de militantes políticos que se opunham ao regime militar instalado no Brasil. “Quantos não foram torturados e mortos por consequência disso?”, questionou a professora Ana Paula Goulart Ribeiro.

“A Folha conclamava a população para perseguir os militantes, colocando fotos, nomes. Em certo momento, ela reproduz um inquérito sobre militantes do Partido Comunista, ela usa quatro páginas colocando dados pessoais, nome completo das pessoas e nome dos pais. Tornavam essas pessoas absolutamente vulneráveis e conclamava a população a denunciar. Era um disque denúncia”, disse Ana Paula.

“A Folha fez isso, inclusive, com jornalistas da empresa, eles foram presos pelo Dops, pelo Doi, estavam sendo torturados e a Folha estampa em suas páginas os nomes, sobrenomes, endereços e carateriza aqueles jornalistas como terroristas”, completou Flora Daemon.

A série em quatro episódios reúne depoimentos, documentos e arquivos que tratam da colaboração editorial e operacional do grupo — com destaque para o jornal Folha da Tarde — com a repressão militar. O jornal foi questionado sobre esses fatos, mas nenhum de seus representes se pronunciou.

“Folha Corrida”

Ao longo dos quatro episódios de “Folha Corrida”, são apresentados elementos que indicam que a atuação do Grupo Folha durante a ditadura militar foi além do posicionamento editorial. A série detalha como estruturas da empresa foram utilizadas de maneira prática por órgãos de repressão, além de abordar como o conteúdo publicado e a política interna do jornalismo também acompanharam a lógica do regime.

“Folha Corrida” é uma série investigativa de 4 episódios que foca no apoio do Grupo ao regime ditatorial e os aparatos de repressão durante os 21 anos de chumbo no Brasil (1964–1985). O Grupo, de acordo com o documentário, deu sustentação editorial, financeira e operacional ao regime ditatorial.

Todos os episódios do documentário estão disponíveis na plataforma do Instituto Conhecimento Liberta (ICL). Clique aqui para se tornar membro do ICL.

Reações e tentativas de negação

Otávio Frias Filho, filho do fundador do Grupo Folha, em sua biografia, afirma que os caminhões da empresa foram usados por agentes do DOI-CODI, mas sustenta que isso teria acontecido sem o conhecimento da direção: “Tenho convicção de que isso foi feito à revelia do meu pai.”

Para os pesquisadores envolvidos na série, os dados coletados indicam o contrário.

“Não era um caso isolado. Era um modo de operação”, afirma Ana Paula Goulart, coordenadora da pesquisa.

Fonte: ICL

Aprovação de Lula sobe e rejeição cai em nova pesquisa Atlas

Pesquisa LatamPulse mostra recuperação do presidente na comparação com mês anterior

A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu 1,2 ponto percentual em abril, enquanto sua rejeição caiu 3,5 pontos, segundo a pesquisa Latam Pulse divulgada nesta segunda-feira (28) pela AtlasIntel e Bloomberg.

Os dados indicam uma reversão da tendência negativa registrada desde abril de 2024.

Com a melhora, Lula registra seu melhor saldo entre avaliações positivas e negativas desde dezembro do ano passado, reduzindo a diferença para -4 pontos percentuais.

A avaliação do governo federal também apresentou melhora, com aumento de 2,8 pontos nas avaliações positivas e queda de 1,9 ponto nas avaliações negativas.

Lula reverteu um saldo negativo de 8 pontos percentuais e passou a ter uma vantagem positiva de 6 pontos, enquanto Jair Bolsonaro saiu de uma situação de empate técnico em março — com 49% de desaprovação e 48% de aprovação — para um saldo negativo de 11 pontos em abril, com 55% de desaprovação e 44% de aprovação.

Em um eventual primeiro turno com os mesmos candidatos de 2022, Lula e Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados. Bolsonaro manteve 45,1% das intenções de voto, enquanto Lula subiu de 40% para 44,2%.

A pesquisa Latam Pulse ouviu 5.419 pessoas no Brasil entre 20 e 24 de abril. A margem de erro é de um ponto percentual.

Fonte: Revista Fórum

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