Brasil é o país que mais paga juros de dívida no mundo, aponta estudo

Com dívida bruta de 84,67% do Produto Interno Bruto (PIB) e juros básicos em 11,25%, o Brasil é o país que mais paga encargos no mundo, com uma taxa de 5,97% do PIB.

O cálculo apresentado no relatório anual do Conselho de Estabilidade Financeira (FSB) foi feito com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), do JPMorgan e do Banco de Compensações Internacionais (BIS).

O país é seguido por México e Índia, que possuem, respectivamente, dívidas brutas de 53,09% e 82,75% do PIB; e pagamento de juros equivalentes a 5,83% e 5,27% do PIB.

As maiores dívidas, por outro lado, são do Japão (252,36% do PIB), Argentina (154,54%), Itália (137,28%), Estados Unidos (122,15%) e França (110,64%).

O levantamento do FSB foi entregue junto de uma carta do presidente do Conselho, Klaas Knot, aos líderes do G20.

“Desenvolver políticas não é suficiente. Um desafio claro neste momento é que as reformas financeiras acordadas ainda não foram totalmente implementadas. Num contexto de elevados níveis de dívida pública e privada e de um crescimento modesto do PIB, o mundo não pode permitir a instabilidade financeira”, escreveu Knot.

O Conselho aponta que a dívida pública saltou a níveis “sem precedente” após a pandemia, por conta de uma combinação entre expansão fiscal e desaceleração das economias.

Segundo o relatório, a preocupação do FSB gira em torno do fato de que os elevados encargos com juros estão relacionados à continuidade dessas políticas expansionistas e à expectativa de crescimento da dívida em diferentes países, especialmente nos emergentes e países de baixa renda.

E esse é um problema que não se reflete apenas sobre as contas dos governos, mas no bolso de todos os envolvidos com aquela economia.

“Os encargos com juros sobre as famílias, as empresas e os governos, o crescimento global modesto e os níveis de dívida historicamente elevados significam que muitos mutuários permanecem vulneráveis ​​a choques adversos”, pontua o presidente do Conselho.

“Várias áreas de preocupação merecem a nossa atenção contínua. Por um lado, os níveis de dívida dos mutuários do setor público e privado são historicamente elevados. As pressões sobre o serviço da dívida poderão aumentar ainda mais num ambiente de taxas de juro elevadas a longo prazo ou se o crescimento econômico falhar”, afirma Klaas Knot.

O FSB ressalta, ainda, que a continuidade desse cenário tende a elevar o prêmio de risco dessas nações, agravando ainda mais o problema de juros e dívida dos países.

Fonte: CNN Brasil

Uma a cada dez mortes no Brasil pode ser atribuída ao consumo de ultraprocessados, diz Fiocruz

Custos com doenças, hospitalizações e perda de pessoas em idade produtiva são de ao menos R$ 10,4 bilhões por ano

A cada 10 mortes no Brasil, 1 pode ser atribuída ao consumo de produtos ultraprocessados, gerando um impacto econômico da ordem de R$ 10,4 bilhões por ano ao país, de acordo com estudo nacional inédito divulgado nesta quinta-feira (21) pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

O levantamento indica que a alimentação com itens como refrigerante, macarrão instantâneo e bolacha recheada provoca 57 mil mortes por ano, o que equivale a 10,5% de todos os óbitos registrados em 2019 ou seis mortes por hora.

Para o pesquisador Eduardo Nilson, da Fiocruz Brasília e do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da USP (Universidade de São Paulo), autor do trabalho, os números são impactantes, mas podem ser considerados conservadores.

“São [valores] subestimados, focados apenas nas doenças com estudos mais robustos em evidências científicas com relação aos ultraprocessados. Com mais dados [de outras comorbidades], porém, o custo com certeza seria bem maior”, afirma Nilson.

O material foi elaborado a pedido da ACT Promoção da Saúde, organização não governamental que atua em prol de políticas públicas na área.

A proposta é mostrar como o consumo desses itens ricos em sal, açúcar e gorduras saturadas são danosos à saúde e consequentemente afetam a economia, gerando despesas que correspondem, por exemplo, ao dobro do investimento anual do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) ou 300 vezes o orçamento do programa Cozinhas Solidárias.

Os cálculos tiveram como base dados hospitalares, ambulatoriais e de farmácia de pacientes adultos homens (entre 20 e 65 anos) e mulheres (entre 20 e 60 anos) atendidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). As prevalências de obesidade, diabetes e hipertensão foram obtidas a partir da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, assumindo-se que o consumo de 2017 e 2018 tenham sido iguais aos daquele ano.

Já as informações sobre mortes foram extraídas do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM/SUS) do Ministério da Saúde e da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2017.

Do custo total estimado pelo estudo, R$ 933,5 milhões são gastos diretos do SUS com hospitais, ambulatórios e medicamentos em casos de obesidade, diabetes tipo 2 e hipertensão, por ano.

Embora muitas outras doenças possam ser provocadas e agravadas pelo consumo de ultraprocessados, essas três foram escolhidas para análise por serem as enfermidades crônicas mais prevalentes no país e, ainda, por já terem uma ampla base de estudos prévios que comprovam sua relação com o consumo desses produtos.

Outros gastos de R$ 263,2 milhões ao ano destacados no levantamento são relativos a custos previdenciários (aposentadoria precoce e licenças médicas) e por absenteísmo (internações e licenças médicas).

Intitulado Estimação dos custos da mortalidade prematura por todas as causas atribuíveis ao consumo de produtos alimentícios ultraprocessados no Brasil, o documento calcula, por fim, os gastos indiretos causados pela saída do mercado de trabalho de pessoas em idade produtiva. A análise indica uma perda de R$ 9,2 bilhões em razão de mortes precoces.

Em sete unidades da federação, a proporção de mortes por consumo de ultraprocessados foi maior que a média nacional: Rio Grande do Sul (13%), Santa Catarina (12,5%), São Paulo (12,3%), Distrito Federal (11,7%), Amapá (11,1%), Rio de Janeiro (10,9%) e Paraná (10,7%).

Segundo o autor, os resultados podem ser justificados, primeiro, pela distribuição populacional — há mais pessoas vivendo nesses locais, como São Paulo. Depois, por fatores como maior renda regional ou pela presença, na microescala das cidades e periferias, de desertos alimentares (áreas com acesso limitado a alimentos in natura ou pouco processados nutritivos e baratos).

No que se refere a gênero, os indicadores sobre hospitalização e uso de remédios entre mulheres são três vezes maiores que os masculinos, demonstrando, de acordo com Nilson, que elas buscam mais por tratamento e diagnóstico do que eles.

O quadro se reflete na mortalidade, uma vez que os custos com a perda da vida dos homens alcançam R$ 6,6 bilhões, ante os gastos de R$ 2,6 bilhões gerados pela morte prematura das mulheres.

Tributar refrigerantes ultraprocessados não é suficiente

Para Marília Albiero, coordenadora de Inovação e Estratégia da ACT Promoção da Saúde, a reforma tributária em curso é uma oportunidade para estimular políticas públicas em prol de uma alimentação mais saudável no país. Tributações maiores para ultraprocessados (o chamado Imposto Seletivo), bem como zerar as alíquotas de alimentos in natura, são algumas das possibilidades.

“Tributar reduz o consumo dos ultraprocessados, impactando nos gastos do SUS. Também é fonte de financiamento para outras coisas, como combate à fome, melhora das mudanças climáticas, da biodiversidade ou Agenda 2030”, afirma.

O atual texto da reforma, porém, incluiu apenas refrigerantes ao lado de tabaco e álcool para o Imposto Seletivo, o que Albiero atribui à pressão de setores agrícolas e varejistas diante do possível aumento do preço desses itens industrializados.

“O Brasil não precisa e não pode combater a fome com ultraprocessados. Não pode porque vai gerar outros problemas de saúde para a população e econômicos. Não precisa porque tem opções. Por que refrigerante e não um suco regional? Margarina em vez de manteiga? Salsicha em vez de uma carne?”, questiona a coordenadora.

Outro estudos

No Brasil, dados da última Pesquisa de Orçamentos Familiares, conduzida pelo IBGE em 2017-18, sugerem que 19,7% de todas as calorias ingeridas pelo brasileiro são advindas do consumo de alimentos ultraprocessados. Trabalhos mais recentes indicam, por sua vez, que desde então houve aumento na prevalência de consumo de hiperpalatáveis.

Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), por exemplo, apontou que 25% da energia da dieta de crianças menores de 5 anos tem origem em ultraprocessados.

Nilson destaca que o levantamento divulgado nesta quinta-feira, somado a outros estudos, confirma a urgência da adoção de políticas públicas voltadas à redução do consumo de ultraprocessados. As medidas devem incluir, além de tributação adequada, rotulagem nutricional e regulação da venda e do marketing desses produtos a fim de reduzir a “carga epidemiológica e econômica das doenças associadas” à ingestão desses itens no Brasil.

Fonte: ICL

PF indicia Bolsonaro e mais 36 por tentativa de golpe de Estado

Além do ex-mandatário, o general Augusto Heleno, Alexandre Ramagem e Valdemar da Costa Neto também foram indiciados

A Polícia Federal (PF) indiciou, nesta quinta-feira (21), Jair Bolsonaro (PL) e ex-integrantes de seu governo por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022. Bolsonaro e outros envolvidos são acusados de abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de Estado e organização criminosa.

O relatório final da investigação, que soma mais de 800 páginas, foi concluído e será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão sobre apresentar ou não denúncia contra os indiciados caberá à Procuradoria Geral da República (PGR), e o julgamento será feito pela Corte Suprema.

Ao todo foram indiciacas 37 pessoas , incluindo o general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); Braga Netto, general e ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, além de candidato a vice na chapa derrotada em 2022; Alexandre Ramagem, delegado e ex-presidente da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e Valdemar Costa Neto, presidente do PL.

A investigação aponta que os envolvidos planejaram e, em alguns casos, executaram ações que tinham como objetivo subverter a ordem democrática e impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os crimes pelos quais os indiciados podem responder incluem: abolição violenta do estado democrático de direito: Pena de 4 a 8 anos de reclusão, além de mult; golpe de Estado: Pena de 4 a 12 anos de reclusão; organização criminosa: Pena de 3 a 8 anos de reclusão, acrescida de multa.

Com o envio do relatório ao STF, a PGR analisará as provas apresentadas e decidirá se oferece denúncia contra os indiciados. 

A lista de indiciados no relatório final:

1. AILTON GONÇALVES MORAES BARROS                 
2. ALEXANDRE CASTILHO BITENCOURT DA SILVA       
3. ALEXANDRE RODRIGUES RAMAGEM                     
4. ALMIR GARNIER SANTOS                                       
5. AMAURI FERES SAAD                                               
6. ANDERSON GUSTAVO TORRES                               
7. ANDERSON LIMA DE MOURA                               
8. ANGELO MARTINS DENICOLI                               
9. AUGUSTO HELENO RIBEIRO PEREIRA                 
10. BERNARDO ROMAO CORREA NETTO                 
11. CARLOS CESAR MORETZSOHN ROCHA             
12. CARLOS GIOVANI DELEVATI PASINI                     
13. CLEVERSON NEY MAGALHÃES                           
14. ESTEVAM CALS THEOPHILO GASPAR DE OLIVEIRA
15. FABRÍCIO MOREIRA DE BASTOS                         
16. FILIPE GARCIA MARTINS                                     
17. FERNANDO CERIMEDO                                       
18. GIANCARLO GOMES RODRIGUES                       
19. GUILHERME MARQUES DE ALMEIDA                 
20. HÉLIO FERREIRA LIMA                                         
21. JAIR MESSIAS BOLSONARO                               
22. JOSÉ EDUARDO DE OLIVEIRA E SILVA                 
23. LAERCIO VERGILIO                                             
24. MARCELO BORMEVET                                         
25. MARCELO COSTA CÂMARA                                 
26. MARIO FERNANDES                                             
27. MAURO CESAR BARBOSA CID                                             
28. NILTON DINIZ RODRIGUES                                 
29. PAULO RENATO DE OLIVEIRA FIGUEIREDO FILHO
30. PAULO SÉRGIO NOGUEIRA DE OLIVEIRA           
31. RAFAEL MARTINS DE OLIVEIRA                           
32. RONALD FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR             
33. SERGIO RICARDO CAVALIERE DE MEDEIROS         
34. TÉRCIO ARNAUD TOMAZ                                   
35. VALDEMAR COSTA NETO                                   
36. WALTER SOUZA BRAGA NETTO                           
37. WLADIMIR MATOS SOARES

Fonte: Brasil 247

PMs estavam com câmara corporal desligadas antes de assassinar estudante de medicina

Conforme matéria do G1, os policiais militares que assassinaram o estudante de medicina, estavam com as câmaras corporais desligadas.

Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, foi morto com um tiro no peito durante uma abordagem policial em um hotel na Vila Mariana, São Paulo. A ação foi registrada por câmeras de segurança.

O estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, foi morto com um tiro no peito na madrugada desta quarta-feira (20), durante uma abordagem policial em um hotel na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo. A ação foi registrada por câmeras de segurança do hotel onde ele estaria hospedado com uma mulher.

Veja, a seguir, o que se sabe sobre o caso.

Quem era o estudante de medicina?

Marco Aurélio Cardenas Acosta tinha 22 anos e era filho caçula de um casal de médicos peruanos naturalizados brasileiros que se mudou para São Paulo há mais de vinte anos.

Como começou abordagem policial?

Segundo o boletim de ocorrência, o estudante teria batido no retrovisor da viatura e fugido, o que motivou a perseguição. Marco correu para o hotel onde estava hospedado e, de acordo com os policiais, demonstrava comportamento alterado. Apesar de socorrido, Marco não resistiu aos ferimentos.

O Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) registrou o caso como morte decorrente de intervenção policial e resistência.

De acordo com depoimento da mulher que estava com Marco no hotel, os dois haviam discutido intensamente, e ela acredita que a gerência do estabelecimento tenha chamado a polícia. No entanto, os policiais relataram que apenas estavam em patrulhamento quando notaram o estudante e o abordaram.

O que mostram as imagens da câmera de segurança?

As gravações exibem Marco entrando no hotel sem camisa, seguido pelos dois policiais. Um dos agentes tenta segurá-lo pelo braço, enquanto o outro o chuta. Durante a confusão, o policial Guilherme Augusto Macedo dispara contra o peito do estudante. Especialistas criticaram o uso excessivo da força, especialmente considerando que Marco estava desarmado e em clara desvantagem numérica.

Quem são os policiais envolvidos?

Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado estavam em patrulhamento pelo bairro quando o estudante, de 22 anos, teria dado um tapa no retrovisor da viatura e fugido. Os dois policiais foram afastados das funções operacionais enquanto o caso é investigado pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

Policiais tinham câmeras corporais?

Durante a abordagem, os policiais estavam com as câmeras corporais acopladas ao uniforme, conforme as imagens do circuito de segurança.

Entretanto, no boletim de ocorrência, é informado que os agentes não usaram o equipamento.

Fonte: G1

Tribunal Penal Internacional expede mandado de prisão do genocida Netanyahu

Juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiram nesta quinta-feira (21/11) mandados de prisão contra o primeiro-ministro de Israel, Bejamin Netanyahu, e o ex-ministro da defesa de Israel, Yoav Gallant.

Uma declaração do TPI afirma que um painel pré-julgamento rejeitou as objeções de Israel à jurisdição do tribunal e emitiu mandados contra Benjamin Netanyahu e Yoav Gallant.

Os juízes encontraram “motivos razoáveis” para que Netanyahu tenha “responsabilidade criminal” por supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade durante os ataques ao povo palestino na Faixa de Gaza.

Caberá aos 124 Estados-membros do TPI — o que não inclui Israel e Estados Unidos — decidir se os mandados devem ou não ser executados.

Contra Netanyahu e Gallant, que foi substituído como ministro da defesa no início deste mês, o painel “encontrou motivos razoáveis ​​para acreditar” que “cada um tem responsabilidade criminal pelos seguintes crimes como coautores por cometer os atos em conjunto com outros: o crime de guerra de fome como método de guerra; e os crimes contra a humanidade de assassinato, perseguição e outros atos desumanos”.

O TPI também encontrou motivos razoáveis ​​para acreditar que “cada um tem responsabilidade criminal como superiores civis pelo crime de guerra de dirigir intencionalmente um ataque contra uma população civil”.

Mustafa Barghouti, um político palestino veterano baseado na Cisjordânia ocupada, elogiou os mandados contra Netanyahu e Gallant.

“Também pedimos ao Tribunal Internacional de Justiça que acelere sua decisão sobre Israel cometer o crime de genocídio”, acrescentou, em referência a um caso separado atualmente sendo considerado pelo tribunal superior da ONU.

Redação com BBC News

Serial Killer de Maceió frequentava igreja evangélica, idolatrava Bolsonaro e usou arma do pai PM nos crimes

Vítimas do maior serial killer da história de Maceió tinham idades entre 13 e 25 anos. Para cometer os crimes, ele usava a pistola de propriedade do pai, um PM. Nas redes, o homem idolatrava Jair Bolsonaro e Israel e postava mensagens de cunho religioso e de ódio ao PT. No momento da prisão, o homem tentou persuadir os agentes com a seguinte frase: “Calma, eu sou evangélico”. Uma das sobreviventes frequentava a mesma igreja: “Eu sempre dizia que uma hora iam descobrir algo muito grave dele, porque era nítido. Ele sempre foi muito esquisito”

A Polícia Civil de Alagoas investiga uma série de homicídios cometidos por Albino Santos de Lima, de 42 anos, considerado o maior serial killer da história do estado.

Ex-segurança do Sistema Penal do Estado de Alagoas, Albino já confessou a autoria de oito assassinatos, e a polícia já confirma que 10 vítimas foram mortas pelo homem – sete mulheres e três homens. No entanto, as autoridades encontraram novos indícios que sugerem que o número de vítimas pode ser ainda maior, podendo chegar até 18, conforme as investigações avançam.

A polícia revelou que Albino escolhia suas vítimas com base em características físicas específicas, como mulheres jovens, morenas, geralmente de cabelo cacheado, além de ter matado também uma mulher trans.

Para cometer os crimes, Albino utilizava uma pistola .380 do seu pai, um policial militar aposentado. Todas as vítimas moravam na mesma região periférica de Maceió, nos bairros Vergel do Lago, Ponta Grossa e Levada. Elas foram mortas a tiros entre outubro de 2023 e agosto de 2024. Em depoimento, Albino Santos admitiu que monitorava as vítimas por meio das redes sociais.

Um vídeo divulgado pela Polícia Civil mostra o momento da prisão do Serial Killer. Quando os agentes tentam arrombar a porta de Albino para efetuar a prisão, ele aparece na varanda e pede calma aos policiais, utilizando o seguinte argumento: “Eu sou evangélico”.

SOBREVIVENTES

Uma jovem de 24 anos, vizinha do serial killer, é uma das sobreviventes. Em 2021, ela foi incluída sem o seu consentimento em um grupo de pornografia no WhatsApp. Ao tentar saber quem a teria colocado no grupo, descobriu que o responsável foi Albino — que morava em uma casa na frente da sua.

O medo tomou conta de Ana, frequentava a mesma igreja evangélica que ele. Por essa relação religiosa, eles participavam de um mesmo grupo, onde Ana diz que ele pegou o seu contato.

Logo após reconhecer Albino, ela conta que teve falta de ar e ficou extremamente nervosa. Ana procurou então a polícia e denunciou o caso, o que levou Albino a ser intimado. No depoimento, ele alegou que o celular dele teria sido clonado — o que não foi confirmado.

Na polícia, ele foi alertado para manter distância da jovem e da igreja. Apesar dele não ter entrado em contato depois da denúncia, Ana passou a viver com receio.

Ana afirma que, após saber que Albino foi quem a colocou no grupo, ela começou a ligar os fatos. Naquele mesmo dia que foi inserida no primeiro grupo, ele mandou uma mensagem privada no seu WhatsApp, sobre um evento que ocorreria na igreja, e ela ignorou.

“Mostrei até aos meus pais, estava claro que era para puxar assunto porque a informação que ele queria tinha no cartaz do evento. Eu ignorei”, relata. Além disso, ela conta que ele chegou a fazer menções a ela no grupo de WhatsApp da igreja, mas, que não eram respondidas.

Ana conta que Albino mantinha três perfis no Instagram. Nesses perfis, Albino postava mensagens de ódio contra o PT e de apoio a Israel e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em meio a isso, rotineiramente também postava figuras com frases religiosas.

Ana diz acreditar que o que a salvou foi o fato de ter denunciado à polícia e de ter tornado o caso público entre pessoas próximas. “Minha mãe, com medo que acontecesse algo, contou para todos os vizinhos possíveis porque se algo acontecesse, saberiam que foi ele. E o fato de eu ter o bloqueado, também impediu dele me monitorar.”

“Eu sempre dizia que uma hora iam descobrir algo muito grave dele, porque era nítido. Ele sempre foi muito esquisito, impossível não ver que tinha algo de errado”.

Uma outra sobrevivente relatou ter sido alvejada por quatro tiros no dia 12 de junho de 2024. A vítima foi atingida por quatro disparos de arma de fogo, sendo dois na cabeça e dois nas costas. Em razão dos ferimentos, ela ficou internada em coma, por um mês, no Hospital Geral do Estado (HGE).

“Quando eu estava chegando perto da casa da minha avó, senti aquela pessoa correndo. Quando olhei, ele deu o primeiro tiro”, relatou a vítima. “O Albino tentou matá-la, inclusive conseguiu alvejar a vítima com quatro disparos, mas ela sobreviveu. Estamos aprofundando as investigações para coletar o máximo de indícios possíveis”, informou o delegado que preside o inquérito do caso, Gilson Rego Souza.

Selfie em lápides

A Polícia Civil encontrou selfies de Albino em frente à lápide de algumas de suas vítimas. Em seu aparelho celular, Albino tinha três pastas específicas: ‘Odiadas Instagram’, ‘mortes especiais’ e ‘prints reportagens’. Em alguns casos, ele chegou a ir até o cemitério e tirou selfies nas lápides das vítimas que fazia. Albino também marcava no calendário a data de cada um dos crimes.

“Os peritos encontraram no celular dele fotografias de indivíduos que ainda estão vivos, mas que seriam vítimas em especial. […] É um predador, assassino em série, frio, calculista”, afirma o delegado Souza. “Ele não demonstra nenhum arrependimento”, acrescenta.

Fonte: Pragmatismo Político

“Máfia das creches”: Justiça autoriza PF a investigar Ricardo Nunes

A Polícia Federal (PF) obteve autorização da Justiça na segunda-feira (18) para investigar o envolvimento do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), no caso da “máfia das creches”, iniciado em 2019. A informação foi divulgada pela TV Globo.

A decisão da 8ª Vara Criminal Federal de São Paulo acatou o pedido da PF para desmembrar a investigação sobre o emedebista do restante do inquérito, que abrange outros investigados, incluindo representantes de organizações da sociedade civil, empresas contratadas pela Prefeitura de São Paulo para gerenciar escolas municipais e contadores.

Na época dos supostos desvios, Nunes era vereador da capital paulista.

Além disso, a decisão também autorizou a investigação de um contador suspeito de envolvimento em lavagem de dinheiro, que prestava serviços para as creches de São Paulo.

Segundo a defesa de Nunes, a continuidade das investigações tem teor político. A defesa disse ainda que os delegados federais não apresentaram justificativas para pedir o desmembramento do inquérito.

Fonte: DCM

Israel matou mais de 200 crianças no Líbano em dois meses

Ações do exército sionista de Israel amplia rastro de crianças assassinadas. “O intolerável está silenciosamente se transformando em aceitável”

Mais de 200 crianças foram assassinadas e outras 1.100 ficaram feridas no Líbano nos últimos dois meses, segundo dados divulgados nesta hoje (19) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). As vítimas da violência do Estado de Israel somam-se às mais de 40 mil mortes de civis, maioria crianças e mulheres, resultados da ação sionista na Faixa de Gaza. A declaração vem em meio a uma escalada violência no país do Levante desde setembro.

“Apesar de mais de 200 crianças mortas no Líbano em menos de dois meses, um padrão desconcertante surgiu: suas mortes são recebidas com inércia por aqueles capazes de parar essa violência”, afirmou James Elder, porta-voz do Unicef, durante uma coletiva de imprensa em Genebra. “Para as crianças do Líbano, tornou-se uma normalização silenciosa do horror.”

Elder destacou que o impacto sobre as crianças é evidente para qualquer um que acompanhe a mídia. Ele também traçou paralelos entre a situação no Líbano e em Gaza, onde ataques que duram 13 meses de Israel já deixaram mais de 43 mil mortos.

No Líbano, os combates se intensificaram no último ano, mas atingiram níveis críticos após o aumento das tensões entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã. Essa escalada transformou o país em mais um palco de tragédias humanitárias.

Crianças na mira de Israel

Frente ao cenário devastador, o Unicef intensificou seus esforços. A organização tem oferecido apoio psicossocial, suprimentos médicos, refeições e kits de dormir para centenas de milhares de crianças deslocadas pela violência. “No Líbano, muito parecido com o que acontece em Gaza, o intolerável está silenciosamente se transformando em aceitável”, afirmou Elder.

As palavras do porta-voz ressaltam uma crescente apatia internacional diante do sofrimento das crianças nas zonas de conflito. Enquanto a comunidade global hesita em agir, a infância de milhares de jovens está sendo apagada em meio à destruição e à violência.

Fonte: TVTNews

Feriado do Dia Nacional da Consciência Negra tem festas em todo o país

Data é celebrada pela primeira vez como feriado nacional

Nesta quarta-feira (20), o Dia Nacional de Zumbi dos Palmares e da Consciência Negra será celebrado pela primeira vez como feriado nacional. Até 2023 a data era celebrado em apenas seis estados e pouco mais de 1.200 cidades, e passou a ser comemorado em todo o país após a sanção da Lei n° 14.759, em dezembro de 2023, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para o Ministério da Igualdade Racial, a conquista do feriado marca a relevância da cultura e história afro-brasileira para o país. “A celebração em nível nacional é um chamado para que toda a população possa refletir sobre a identidade do Brasil, sobre a importância de valorizar as diferenças e agir coletivamente para que tenhamos uma nação cada vez mais desenvolvida e diversa”, comemora a pasta.

A data de 20 de novembro é um reconhecimento à história de resistência do Quilombo dos Palmares, formado na Serra da Barriga, na então Capitania de Pernambuco, hoje estado de Alagoas, por volta de 1580.

Palmares foi o maior refúgio de negros da América Latina, chegando a reunir 20 mil pessoas, a maioria delas escravizados que fugiram dos engenhos da Bahia e de Pernambuco.

Em 1694, o quilombo foi destruído e, em 20 de novembro do ano seguinte, seu líder, Zumbi dos Palmares, foi assassinado, daí a relevância simbólica da data para a população afrodescendente.

Uma programação especial ocorrerá na Serra da Barriga, em União dos Palmares (AL), região onde está o Parque Memorial Quilombo dos Palmares. 

Realizada pelos ministérios da Cultura e da Igualdade Racial, Fundação Palmares, Secretaria Estadual de Cultura de Alagoas, em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a programação inclui uma série de atividades culturais, com apresentações de maracatus, grupos de caco, samba de roda, afoxés, reggae e hip hop, bem como homenagens que exaltam a história e o legado do povo negro e de grandes figuras como Zumbi e Dandara dos Palmares.

A Fundação Palmares lançou um aplicativo que permite ao usuário fazer uma visita virtual pelos espaço onde se encontram peças arqueológicas que contam a história dos diferentes povos que habitaram a Serra da Barriga, como cachimbos, panelas de barro, ferramentas de pedra lascada e polida e outros artefatos.

Para o público presencial, o aplicativo possibilita o registro de uma selfie com uma das personalidades que fizeram a história do Quilombo Palmares: Aqualtune, Zumbi, Ganga Zumba, Acotirene ou Dandara (suas representações).

Vídeos, áudios e fotos também registram aspectos e depoimentos sobre Serra da Barriga, área de réstia de Mata Atlântica, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1985 e pelo Mercosul, em 2017.

Para a secretária da Cultura e Economia Criativa de Alagoas, Melina Freithas, a programação reflete a responsabilidade e o orgulho de celebrar a data, tão significativa para a cultura e a identidade do povo brasileiro.

“As atividades organizadas em parceria com o governo federal refletem o compromisso em preservar e honrar a memória do Quilombo dos Palmares e de tudo o que ele representa para a luta e a resistência negra no Brasil”.

Programação

Em todo o país também acontecem atividades relacionadas ao Dia Nacional de Zumbi dos Palmares e da Consciência Negra. O Ministério da Igualdade Racial, em parceria com os ministérios dos Direitos Humanos e Cidadania e da Cultura, lançou o hotsite e o mapa da igualdade racial, onde é possível verificar a programação de diversas ações e eventos agendados por todo o Brasil.

Na Região Nordeste, onde se concentra boa parte da população negra do país, debates, rodas de conversa, festivais e apresentações culturais também celebram a data.

Em São Luís, movimentos sociais do campo e da cidade homenageiam Zumbi dos Palmares com o Festival Zumbi Vive, voltado para o reconhecimento das contribuições históricas e artísticas do povo negro e o legado de resistência e liberdade deixado por Zumbi. O festival também reforça a importância de combater o racismo e a desigualdade social. 

Na programação, o destaque fica por conta da apresentação de roda de capoeira, artistas como Joãozinho Ribeiro, Rosa Reis, Mestre Roxa, o Tambor de Crioula Filhas de São Benedito e bloco Afro Akomabu, o mais antigo do estado.

Na Bahia, a celebração do legado de Palmares já teve início com a exposição O povo negro é o meu povo. Lita Cerqueira, 50 anos de fotografia, em cartaz até 20 de dezembro. Aberta em outubro, a exposição apresenta o trabalho da primeira fotógrafa negra profissional do Brasil, que se destacou com a série Tipos Humanos e registros das festas e da capital baiana.

De 21 a 23 de novembro, ocorrerão debates com a realização do Fórum Pró-Igualdade Racial e Inclusão Social do Recôncavo 2024, realizado na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

Na Paraíba, o governo do estado assinou nesta terça-feira (19), a cessão de uso do Casarão dos Azulejos, importante imóvel histórico da capital para ser transformado no Museu da Diáspora Negra, das Etnias e das Comunidades Tradicionais da Paraíba. 

Esse novo museu será dedicado à valorização e preservação das culturas afro-brasileira e indígena, funcionando como um ponto de memória, educação e identidade para a comunidade.

E desde o dia 14, a Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana (SEMDH-PB), realiza a 4ª edição do Festival Pretitudes, evento que vai até o dia 27 de novembro com o objetivo de visibilizar a produção cultural feita por artistas negras e negros do estado.

Em Teresina, a programação tem no dia 22 de novembro a realização da Festa da Beleza Negra, que será realizada no Memorial Esperança Garcia, mulher escravizada considerada uma heroína piauiense na luta pela igualdade e justiça racial.

Em Recife, o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra tem como destaques a 14ª Marcha da Capoeira Zumbi de Palmares, cuja concentração será às 14h, no Marco Zero.

Mais cedo, às 9h, também haverá mais um roteiro especial, batizado de Recife Afro. Os participantes vão conhecer algumas das principais personalidades negras de Recife, como Naná Vasconcelos, e também haverá visita aos pátios com maior influência afro na cidade, como o Pátio do Terço e o Pátio de São Pedro.

O Pátio de São Pedro também será o palco do Festival de Cultura Negra de Pernambuco, que chega a sua 2ª edição, com shows a partir das 15h.

Já a Pracinha de Boa Viagem vai abrigar as apresentações do espetáculo Referências do Fuzuê – Mestras, Mestres e Terreiros, do Grupo Fuzuê de Dança, que começarão às 18h30 e seguirão até as 22h30.

Em Sergipe, as atividades começam pela manhã, às 9h, com uma roda de conversa intitulada Novembro Negro, no Centro de Criatividade, localizado ao entorno da Maloca, o primeiro quilombo urbano de Sergipe e o segundo do Brasil, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Aracaju.

No final da tarde, a Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap) fará a reinauguração do Museu Afro-Brasileiro de Sergipe, em Laranjeiras. Criado em 1976, o acervo do museu inclui objetos de transporte, utensílios como pilões, vestimentas religiosas e de época, além de peças históricas utilizadas para castigos e torturas das pessoas escravizadas.

A programação também terá apresentações culturais dos grupos Populart e Maculelê de Laranjeiras, show musical do artista Vitor Santana e a premiação do Concurso Poesia Negra Estudantil.

Em Fortaleza, a programação é marcada pela segunda edição do Festival Afrocearensidades, no Complexo Cultural Estação das Artes, das 14h às 21h. Com o tema Na Ginga dos Saberes Ancestrais, o festival reúne mais de 200 ações em diversos equipamentos culturais do estado.

A exibição do documentário Bença, abre a programação. O filme retrata a tradição e ancestralidade das benzedeiras no Ceará, destacando a história de mulheres que, por meio da fé e da espiritualidade, promovem a cura através do benzimento. Após a exibição, duas das protagonistas do documentário, Mãe Zimá e Verônica Quilombola, participarão de uma roda de conversa para dialogar com o público sobre a cura pela reza.

A musicalidade também está presente no festival com apresentações de roda de samba, rap e hip hop, com a Batalha de Rima, conduzida pelo movimento Cururu Skate Rap.

Em Natal, o destaque fica para a 7ª edição do Festival Mungunzá, no Largo Ruy Pereira. O evento, com acesso gratuito, reúne artistas periféricos da cidade para celebrar a criatividade, arte e resistência cultural. A programação mistura a cultura popular com movimentos contemporâneos; indo de canções tradicionais a música eletrônica, hip-hop, reggae, entre outros ritmos.

Fonte: Agência Brasil

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