ONU acusa Israel de violação por uso de métodos de guerra na Cisjordânia

O porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU, Thameen Al-Kheetan, expressou nesta sexta-feira (24) preocupação com a possibilidade de que a operação militar lançada por Israel na Cisjordânia ocupada esteja violando o direito internacional.

Segundo ele, as ações têm incluído bombardeios e ataques a tiros “aparentemente aleatórios, contra residentes desarmados que tentam fugir ou buscar segurança”.

Elas “levantam sérias preocupações sobre o uso desnecessário ou desproporcional da força, incluindo métodos de guerra que violam a lei internacional de direitos humanos”, prosseguiu o porta-voz ao falar a jornalistas em Genebra.

Kheetan ainda disse temer que a operação ameace a trégua entre Tel Aviv e o Hamas. “É imperativo que o cessar-fogo em Gaza seja mantido”, disse.

A ação, concentrada no campo de refugiados de Jenin, teve início nesta terça (21), dias depois de a trégua entre o Estado judeu e o grupo terrorista entrar em vigor e interromper os enfrentamentos na Faixa de Gaza.

Desde então, 12 habitantes da região foram mortos e outros 40, feridos, pelas forças israelenses, segundo Kheetan. Além disso, centenas de residentes fugiram à medida que suas casas começaram a ser demolidas pelo Exército de Tel Aviv.

Os líderes locais afirmam que o verdadeiro objetivo dela é expulsar os palestinos da região e abrir caminho para estabelecer lá mais assentamentos, considerados ilegais pela maior parte da comunidade internacional.

Kheetan afirmou que desde o anúncio do cessar-fogo, colonos ainda vêm atacando vilarejos palestinos na área, incendiando casas e veículos e ferindo vários habitantes.

“Estamos preocupados com os reiterados comentários de algumas autoridades israelenses sobre planos de expandir ainda mais os assentamentos. Reafirmamos que a transferência, por Israel, de sua própria população civil para territórios que ocupa também constitui um crime de guerra”, completou.

Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967, quando venceu a Guerra dos Seis Dias. Em 1993, ao assinar os Acordos de Oslo, o país concordou em devolver o território no futuro, quando um acordo de paz definitivo fosse selado.

Isso não só jamais aconteceu, como nos últimos anos os assentamentos têm se expandido cada vez mais sob o incentivo da ultradireita, que integra a coalizão do premiê Binyamin Netanyahu no poder.

Desde que o primeiro-ministro voltou a comandar o país, aliás, a quantidade de aprovações de unidades habitacionais na Cisjordânia atingiu um recorde. Segundo a ONG Peace Now, que monitora a expansão dos assentamentos, o governo aprovou a construção de cerca de 12,4 mil delas em 2024, foram quase 9.900.

Mais de 500 mil colonos de Israel vivem nos assentamentos, enquanto os habitantes palestinos da Cisjordânia somam cerca de 2,7 milhões.

O incentivo aos assentamentos se dá por meio da estatização de áreas da região. Segundo a legislação israelenses, terrenos sob sua propriedade ali não podem pertencer ou ser ocupados por palestinos, mas podem ser arrendados por israelenses uma vez que estes obtenham alvarás do governo.

Alguns desses lugares se assemelham a pequenas cidades ou a subúrbios de grandes municípios de países desenvolvidos. Embora muitos sejam ocupados por sionistas religiosos que acreditam que seu direito de viver na região venha dos textos bíblicos, outros tantos judeus seculares se mudaram para os assentamentos devido aos preços mais baixos em comparação com terrenos em Israel.

Redação com Folha de SP

Novo apagão deixa mais de 120 mil imóveis sem energia em SP

Enel alega as fortes chuvas e tenta se omitir das responsabilidades. População paga um preço alto pelas privatizações da energia elétrica e da agua e saneamento em São Paulo.

A cidade de São Paulo entrou em estado de atenção na tarde desta sexta-feira (24) por conta das chuvas. De acordo com a Enel, havia 127.380 imóveis sem energia na capital paulista até as 17h30. São 166.2 mil imóveis sem luz em toda a área de concessão da empresa no estado. A capital tem 1.012 quilômetros de congestionamento até às 17h46. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que a região mais afetada é a zona leste com 271 quilômetros de lentidão.

De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE), órgão da prefeitura, a chegada da brisa marítima, combinada com a umidade da atmosfera, produziu nuvens carregadas.

A Defesa Civil informou que há pontos de chuva forte na capital e na região metropolitana. O CGE informou que, neste mês, foram acumulados 85,4 milímetros (mm) de chuva, o que representa 33,2% dos 257,3 mm esperados para janeiro.

“Chuva forte se espalhando pela capital paulista, com rajadas de vento e risco de alagamento. Mantenha-se em local seguro”, dizia a mensagem.

Redação com Brasil 247

Moradores do bairro da Santa Lúcia realizam protesto contra a BRK

Empresa privatizada tem histórico de péssimo serviço prestado no fornecimento de água em Maceió

Um grupo de moradores do bairro da Santa Lúcia, na parte alta de Maceió, realizou mais um protesto contra a falta de água na região, nesta quinta-feira (23).

No fim da tarde, os manifestantes bloquearam um trecho da Avenida Durval de Góes Monteiro, sentido Centro-Tabuleiro. Eles alegam que estão sem abastecimento de água há pelo menos 15 dias, mas que as faturas continuam chegando em suas casas.

Os manifestantes usaram pneus, galhos de árvores e outros objetos para interditar via. Em seguida, atearam fogo, impedindo totalmente a passagem de veículos e pedestres.

Os manifestantes contam que estão sem abastecimento de água há pelo menos 15 dias, mas continuam recebendo as contas de água.

O Corpo de Bombeiros, a Policia Militar e o Departamento Municipal de Transportes e Trânsito (DMTT) enviaram equipes ao local.

Após negociações, os bombeiros debelaram as chamas e a via foi liberada.

Redação com Cada Minuto e Alagoas 24 horas

China suspende compra de soja contaminada de empresas brasileiras

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou, nesta quarta-feira (22), que foi notificado pela Administração-Geral de Aduanas da China (GACC) sobre a detecção de pestes e revestimento de pesticidas na soja exportada por cinco empresas brasileiras ao país asiático. As autoridades chinesas decidiram suspender o embarque do grão brasileiro ao país até que a situação seja esclarecida.

Carregamentos das empresas Cargill Agrícola SA, ADM do Brasil, Terra Roxa Comércio de Cereais, Olam Brasil e C.Vale teriam sido afetados pela medida, de acordo com a Reuters. A agência de notícias noticiou a decisão das autoridades chinesas em 8 de janeiro. O Brasil de Fato entrou em contato as cinco companhias, mas não obteve retorno.  

Para Diana Chaib, economista e pesquisadora das relações sino-brasileiras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a decisão da China de suspender as importações de parte da soja do Brasil pode ser interpretada como “um alerta ao agronegócio brasileiro, principalmente no que diz respeito à necessidade de aprimorar os controles de qualidade e rever práticas relacionadas ao uso de agrotóxicos”. 

“A manutenção e expansão do mercado e comércio chinês dependem do cumprimento rigoroso de padrões sanitários e ambientais exigidos, e isso pode acarretar a necessidade de mudanças significativas nas práticas agrícolas brasileiras”, avalia Chaib. 

Alan Tygel, da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, lembra que os movimentos de agroecologia alertam há anos sobre a qualidade dos produtos agrícolas brasileiros, baseados na utilização de insumos químicos altamente tóxicos e prejudiciais ao meio ambiente. O ativista critica o modelo do agronegócio brasileiro, baseado em uma economia dependente de países mais desenvolvidos, e de costas para a concretização de uma política nacional de produção de alimentos.  

“Casos como esse não são incomuns, e já afetaram outros produtos, como a laranja, ou a própria carne. A aposta brasileira das últimas décadas em colocar todas as fichas no agronegócio gerou este tipo de dependência, tornando nosso país vulnerável a crises catastróficas caso os grandes importadores resolvam retaliar o Brasil por algum motivo”, afirma Tygel. 

“O que estamos vendo neste caso pode ser de fato um caso de contaminação por agrotóxicos, ou alguma doença, mas também pode ser uma barreira política ou econômica às exportações brasileiras”, avalia o ativista. “Num cenário geopolítico cada vez mais desafiador, a escolha mais estratégica para o país seria adotar um modelo de agricultura soberano, com foco na produção de alimentos saudáveis para o Brasil, e no fortalecimento dos laços com a América Latina e África, diversificando o mercado externo e deixando o país menos vulnerável às crises externas”, conclui Tygel. 

Chaib afirma que o impacto dessa medida poderá ser medido de acordo com o tempo de permanência do embargo, ou mesmo de novas restrições a outros produtos brasileiros. “Isso pode afetar os preços internos da soja no Brasil e aumentar os custos de ração para gado, o que pode tornar a carne bovina do Brasil menos competitiva no mercado internacional”, analisa a economista. “Mas esse impacto no comércio de carne bovina vai depender da extensão e da duração da suspensão de soja que a China praticar”, finaliza.

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, superando China e Estados Unidos juntos. Ao invés de desincentivar o uso desses agentes químicos na produção agrícola, o Estado brasileiro oferece bilhões de reais em isenções fiscais a empresas do mercado de agrotóxicos no país, fomentando sua utilização. Desde 2012, o país conta com um Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) que, segundo as organizações da sociedade civil, foi desmontado pelos governos anteriores. O Pronara ainda não foi retomado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por resistência do Ministério da Agricultura.

E por que só agora? 

Em entrevista ao Brasil de Fato, a biomédica e pesquisadora da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), Karen Friedrich, chama a atenção para os efeitos nocivos do uso extensivo de agrotóxicos na produção agropecuária, além de todas as evidências de danos à saúde coletiva e ao meio ambiente. E isso pode ter a ver com esses “incidentes” comerciais.  

“Essas substâncias usadas há décadas, elas já vão desenvolvendo as próprias pragas, vão desenvolvendo resistência. É a mesma lógica do antibiótico hospitalar. De tanto usar indiscriminadamente, desenvolveram bactérias super-resistentes. E na agricultura a gente tem essas pragas que estão desenvolvendo resistência”, afirmou a pesquisadora.   

“Então isso não é bom para o agricultor e para o agronegócio. Isso é bom para a fábrica, para a Bayer, Basf, Monsanto, Syngenta etc, que estão querendo manter esse produto no mercado até o último segundo”, disse Friedrich, referindo-se a algumas das empresas produtoras de agentes químicos usados amplamente na agricultura brasileira, e que já são proibidos em diversos outros países por comprovada relação com a incidência de cânceres e distúrbios neurológicos em humanos, além de perigosos para o meio ambiente. A pesquisadora cita o caso da atrazina, um herbicida que há mais de 20 anos tem seu uso proibido em diversos países da União Europeia, e é um dos mais utilizados nas lavouras brasileiras.  

Em nota, o Mapa afirmou que “outras unidades das empresas notificadas seguem exportando normalmente para a China, sendo as suspensões válidas apenas para as 5 unidades oficialmente notificadas”. Portanto, segue o ministério, “os volumes negociados pelo Brasil não serão afetados em função desta suspensão temporária destas 5 unidades notificadas”. 

O ministério afirmou ainda que o monitoramento dos produtos importados é “parte da rotina de fiscalização”, adotados tanto no Brasil como na China. O ministério disse ainda que aguarda os planos de ações que devem ser adotados pelas empresas para evitar novas ocorrências, e declarou ter expectativa de que o embargo seja suspenso brevemente pelas autoridades chinesas.

Brasil de Fato questionou o ministério sobre o motivo do embargo, ou seja, ‘a contaminação química provenientes de agrotóxicos utilizados nos cultivos de soja pelo agronegócio brasileiro’, mas não obteve resposta. O Mapa se limitou a encaminhar a nota mencionada.  

A reportagem também questionou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que possui uma secretaria dirigida à gestão do comércio exterior, e à Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja); ambos sem retorno. 

A China é o maior consumidor de soja do mundo, concentrando mais de 60% do comércio mundial do grão. Segundo a Administração Geral das Alfândegas chinesa, as importações totais de soja da China em 2024 ultrapassaram os 100 milhões de toneladas, o que representou um aumento de 6,5% em relação a 2023. E a soja brasileira foi responsável por 54% das importações chinesas, seguido dos Estados Unidos, com outros 38%. Do lado brasileiro, dois terços de toda a soja produzida no país é embarcada para o gigante asiático. 

Fonte: Brasil de Fato

Marajás: ministros do TST receberem até R$ 419 em dezembro

Penduricalhos garantiram a ministros do TST (Tribunal Superior do Trabalho) rendimentos líquidos de até R$ 419 mil em dezembro, segundo dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Embora os pagamentos de verbas extras a magistrados tenham alcançado valores vultuosos em diferentes instâncias do Judiciário pelo país, os valores recebidos na corte trabalhista se destacam entre os tribunais superiores -e com benefícios que se estendem a quase todos os seus integrantes.

Dos 27 ministros do TST, 26 receberam em dezembro uma remuneração acima de R$ 250 mil líquidos. A média por magistrado, já com os descontos, chegou a R$ 357 mil -em valores brutos, R$ 514 mil.

O cálculo inclui salário fixo (remuneração fixa e mensal de magistrados, que não chega a R$ 42 mil), pagamentos retroativos e benefícios como abonos e auxílios, após os descontos de previdência, Imposto de Renda e retenção pelo teto constitucional (correspondente a R$ 44 mil).

Os dados relativos à folha de pagamento constam em painel mantido pelo CNJ com base em informações disponibilizadas pelos próprios tribunais.

Quem liderou o ranking pelo rendimento líquido no período foi o ministro Sergio Pinto Martins, que obteve R$ 419 mil livres (ou R$ 533 mil brutos). Já com base no rendimento bruto foi o vice-presidente da corte, Mauricio Godinho Delgado (R$ 394 mil líquidos e pouco mais de R$ 706 mil brutos).

A exceção no TST que não obteve ganhos livres na faixa das centenas de milhares de reais foi Antônio Fabrício de Matos Gonçalves. Empossado em julho de 2024, ele embolsou R$ 102 mil brutos e R$ 83 mil líquidos em dezembro.

No STJ (Superior Tribunal de Justiça), a remuneração de maior valor de um ministro no período foi de R$ 119 mil líquidos. De acordo com dados do painel, a média de dezembro entre os magistrados da corte ficou em R$ 88 mil. Já no STM (Superior Tribunal Militar), a maior quantia chegou a R$ 318 mil -e a média, R$ 286 mil.

O STM diz que a remuneração dos ministros ficou acima do vencimento mensal normal em razão de pagamentos de indenizações de exercícios anteriores.

Foram pagos valores relativos a, por exemplo, adiantamento de gratificação natalina, remuneração antecipada de férias e terço constitucional de férias, além de direitos eventuais, incluindo licença compensatória, gratificação por exercício cumulativo de jurisdição e verbas de exercícios anteriores. Procurado, o STJ disse que não se manifestará sobre o tema.

As verbas dos ministros do TST foram incrementadas por rubricas sob o guarda-chuva de “direitos eventuais”, entre elas abono constitucional de um terço de férias, antecipação de férias e gratificação natalina.

Mas, em geral, nenhuma foi maior que a dos pagamentos retroativos. A soma que compõe a remuneração bruta do ministro Delgado, antes dos descontos, bateu R$ 536 mil. No caso de Pinto Martins, atingiu R$ 366 mil.

De acordo com o TST, o pagamento dos valores retroativos foram previamente autorizados pelo CNJ em procedimentos relativos ao quinquênio, ou ATS (Adicional por Tempo de Serviço), e à licença compensatória.

O quinquênio prevê um adicional de 5% a cada cinco anos de serviço até o limite de 35%. A licença compensatória autoriza a conversão de dias de folga em dinheiro. Os dois são penduricalhos do Poder Judiciário.

A remuneração básica de um ministro do TST corresponde a 95% do que recebe um ministro do STF, o teto do funcionalismo público, mas os valores podem ultrapassá-lo.

Verbas de natureza indenizatória, como a licença compensatória, não entram no cálculo do teto. O quinquênio, por ter natureza remuneratória, está sujeito a ele, mas contribui para inflar os rendimentos, considerado o limite.

A corte disse que os valores “são considerados na conta do teto constitucional quando possuírem natureza remuneratória, sendo que o cotejo com o teto constitucional é observado tendo por referência a competência a que se referir a parcela objeto do pagamento”.

O CNJ não respondeu se queria se posicionar quanto a decisões que permitem ganhos acima do teto.
A diretora-executiva da ONG Transparência Brasil, Juliana Sakai, diz que aprovar pagamentos como o da licença compensatória é um “completo descalabro” que poderia até contrariar a Lei de Responsabilidade Fiscal.

“Ficamos em um beco sem saída”, diz ela. “O Judiciário, que deveria prezar pela legalidade, se usa de uma série de mecanismos para desafiar o que está dito na Constituição, para desafiar o teto constitucional.”

“E são eles mesmos que interpretam a lei”, continua Sakai. “O que vamos fazer se os responsáveis pela defesa da lei estão fazendo esse serviço a seu próprio favor corporativista?.”

Um relatório de dezembro da Transparência Brasil indicou que a licença compensatória custou R$ 819 milhões à Justiça entre julho de 2023, quando o benefício começou a ser pago em maior escala, e outubro de 2024.

O economista André Perfeito diz que penduricalhos dão a impressão de que “o Brasil é país do puxadinho” e de que não há clareza sobre a máquina pública. Além disso, para ele, essas remunerações criam distorções na economia.

“O Judiciário tem que entrar na discussão sobre gastos do Estado”, afirma ele. “Se o objetivo do Judiciário é trazer mais justiça, talvez ele tenha que cortar. A eficácia de reais por justiça social tem que ser melhor balanceada.”

Felippe Angeli, advogado e coordenador de advocacy da Plataforma Justa, evita qualificar se os penduricalhos e a remuneração dos magistrados são razoáveis ou mesmo justificáveis diante das funções desempenhadas por eles.

Afirma que o debate deve se concentrar no descumprimento do teto e critica o conflito de interesse na aprovação de penduricalhos pelo próprio Judiciário. Diz que, se os adicionais servem para burlar o teto, deveria haver um limite específico para eles.

No direito, existe uma expressão chamada fumus boni iuris (fumaça do bom direito), lembra Angeli. Do jeito que está, diz ele, “não vejo fumaça do bom direito, não vejo valor constitucional, não vejo justiça”.

Fonte: Jornal de Brasília

PF indicia ex-diretores da PRF por tentarem impedir deslocamento de eleitores em 2022

Inquérito reúne indícios de crimes como desobediência e restrição ao exercício do voto; cabe à PGR decidir sobre denúncia. PF apura se blitzes no 2º turno, em 2022, tiveram motivação política.

Polícia Federal indiciou quatro ex-diretores e coordenadores da Polícia Rodoviária Federal (PRF) acusados de tentar, em 2022, dificultar ou impedir o deslocamento de eleitores potenciais do então candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva.

Foram indiciados:

  • Luis Carlos Reischak Junior, ex-diretor de Inteligência e ex-Superintendente da PRF no Rio Grande do Sul;
  • Rodrigo Cardozo Hoppe, ex-diretor de Inteligência Substituto;
  • Djairlon Henrique Moura, ex-diretor de Operações;
  • Adiel Pereira Alcantara, ex-coordenador de Análise de Inteligência da PRF.

Também foi indiciado Bruno Nonato dos Santos Pereira, ex-coordenador-geral de Inteligência e Contrainteligência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Em nota, a defesa de Djairlon Henrique Moura, Carlos Reischak Junior e Rodrigo Cardozo Hoppe afirmou que “desconhece qualquer ato formal de indiciamento nos autos em trâmite no Supremo Tribunal Federal” (leia na íntegra abaixo). A defesa de Adiel Pereira Alcantara informou que não vai se manifestar.

indiciamento é o momento em que a PF envia as conclusões da investigação para as próximas etapas. O documento foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR). Cabe à PGR decidir se denuncia os citados, pede mais investigações ou arquiva o caso.

Ainda em 2023, o blog do Valdo Cruz mostrou mensagens obtidas pela PF em que Adiel Alcântara acusava Silvinei Vasques – diretor-geral da PF no governo Jair Bolsonaro – de ter “falado muita merda” e ter citado “policionamento direcionado” em reuniões anteriores ao segundo turno.

No inquérito, a Polícia Federal reuniu indicações de que os cinco indiciados praticaram os crimes de:

  • desobediência
  • prevaricação (quando um agente público desrespeita a lei ao agir ou se omitir)
  • restrição ao exercício do direito do voto
  • participação (por omissão) no crime de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

O indiciamento foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro, mas não tinha sido divulgado. As conclusões foram reveladas nesta quarta-feira (22) pelo UOL e confirmadas pela TV Globo.

Em agosto de 2024, a PF já tinha indiciado o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o ex-diretor da PRF Silvinei Vasques e quatro policiais federais cedidos ao Ministério da Justiça – todos, por tentar impedir o deslocamento de eleitores na região Nordeste até os locais de votação. Relembre abaixo:

Blitzes no dia da eleição

Em 30 de outubro de 2022, dia do segundo turno, a PRF realizou blitzes que interferiram na movimentação de eleitores – sobretudo no Nordeste, onde Lula (PT) tinha vantagem sobre Jair Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto.

Na véspera, o diretor-geral da PRF havia declarado voto em Bolsonaro.

No domingo do segundo turno, Alexandre de Moraes determinou a suspensão imediata das blitze, sob pena de prisão de Vasques. A ordem, no entanto, foi desrespeitada pela PRF.

Relatório obtido pelo blog da Andréia Sadi na época mostra que a PRF fiscalizou 2.185 ônibus no Nordeste, onde Lula (PT) era favorito, contra 571 no Sudeste, entre 28 e 30 de outubro, vésperas e dia do 2º turno das eleições de 2022.

Até a última atualização desta reportagem a defesa dos envolvidos não tinha se pronunciado.

Fonte: G1

Israel destruiu 436.000 casas em Gaza. Reconstrução custará US$ 40 bilhões

Cerca de 92% das casas na Faixa de Gaza, ou cerca de 436.000 casas, foram destruídas ou danificadas como resultado da agressão israelense ao enclave, enquanto 90% dos cidadãos foram deslocados, disse ontem o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

O representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) na Palestina, Dr. Rik Peeperkorn, disse: “O cessar-fogo em Gaza traz esperança, mas imensos desafios estão por vir.”

“Atender às necessidades massivas e restaurar o sistema de saúde será uma tarefa extremamente complexa e desafiadora, dada a escala de destruição, complexidade operacional e restrições envolvidas.”

Desde a agressão israelense a Gaza em 7 de outubro de 2023, o bombardeio israelense da Faixa sitiada causou uma “quantidade de destruição sem precedentes na história moderna”, de acordo com um relatório da ONU.

De acordo com estimativas da ONU, o custo total da reconstrução do que foi destruído pela guerra chega a US$ 40 bilhões, com aproximadamente 37 milhões de toneladas de entulho na Faixa e mais de 70% do total de moradias em Gaza danificadas ou destruídas.

A ONU confirmou que a destruição na Faixa Palestina é enorme e assustadora, e que os setores de educação e saúde foram quase completamente destruídos.

De acordo com a última avaliação de danos conduzida pelo Centro de Satélites da ONU (UNOSAT), em 1º de dezembro de 2024, aproximadamente 69% dos edifícios na Faixa foram danificados ou destruídos, um total de 170.812 edifícios.

Com base em análise de satélite, os pesquisadores americanos Corey Scher e Jamon Van Den Hoek contaram 172.015 prédios danificados ou destruídos em Gaza em 11 de janeiro, o que equivale a 59,8% dos prédios na Faixa.

A combinação de dados do UNOSAT e do banco de dados geográfico OpenStreetMap indica que mais de 83% das mesquitas de Gaza foram danificadas ou destruídas.

As escolas de Gaza, que têm sido usadas desde o início da guerra como abrigos para os deslocados, incluindo escolas da ONU, também pagaram um alto preço na guerra.

Fonte: Monitor do Oriente

Por reforma agrária, movimentos sem-terra ocupam a sede do Incra em Maceió

Pelo menos três movimentos de trabalhadores rurais participam da ocupação da sede do instituto

Cerca de 1.000 trabalhadores rurais sem-terra, do campo e da cidade, vindos de vários municípios de Alagoas, ocuparam, na manhã de ontem, a sede da Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no Centro de Maceió.

Segundo o coordenador da Frente Nacional de Luta (FNL), Marcos Antônio da Silva, a ocupação é pacífica e por tempo indeterminado, dependendo do comando nacional de luta e do atendimento às reivindicações do movimento.

Com faixas e bandeiras, famílias de sem-terra acompanharam no calçadão da Rua do Livramento, em tendas improvisadas, na frente da sede do Incra. Os integrantes do movimento pretendem pernoitar e permanecer na capital alagoana até o final de desta semana, participando de várias manifestações na cidade.

“Estamos acompanhando, aqui em Alagoas, uma manifestação nacional em defesa da reforma agrária, contra a violência no campo e por mais mais recursos para a agricultura familiar”, afirmou Marcos Antônio, mais conhecido como Marrom.

Ele disse que pelo menos três movimentos de sem-terra participam da ocupação à sede do Incra e estão acampados em tendas, no Centro da cidade: FNL, MSL [Movimento Social de Luta] e MPL [Movimento Popular de Luta].

“O intuito dessa mobilização é cobrar do governo federal o compromisso com a reforma agrária no estado e em todo País, pois mesmo com dois anos de governo Lula, Alagoas continua com a mesma gestão do governo Bolsonaro na frente do Incra, onde não se avança nada voltado para reforma agrária nem agricultura familiar”, explicou Marrom.

Segundo ele, essa grande mobilização acontece em todo Brasil, é uma ação coordenada pela FNL nacional. “Cobramos também a desapropriação das terras da usina Guaxuma e Laginha, em Coruripe, União dos Palmares, Branquinha e outras regiões”, acrescentou.

CASO LAGINHA

Entre as reivindicações estão também as negociações em torno da regularização das terras da antiga Usina Laginha, que pertenciam ao Grupo João Lyra e hoje fazem parte da massa falida, em tramitação no Tribunal de Justiça de Alagoas.

“Por isso, realizamos também um ato público na Praça Deodoro, na frente da sede do TJ/AL, para cobrar agilidade da Justiça alagoana, nas negociações de regularização fundiária das terras da Laginha, que se arrastam há cerca de 10 anos”, relatou Marrom.

Na opinião dele, a distribuição de terras está paralisada em Alagoas, bem como nos demais Estados da Federação, desde o governo anterior, do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Precisamos que o governo do presidente Lula reassuma o compromisso com a reforma agrária”, destacou.

Fonte: Tribuna Hoje

Edir Macedo quer censurar o documentário O Diabo no Tribunal da Netflix

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou uma liminar apresentada por Edir Macedo

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou uma liminar apresentada por Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, e por Renato Cardoso, seu genro e braço direito na instituição, que solicitava a retirada do documentário O Diabo no Tribunal (2023) do catálogo da Netflix. A decisão foi revelada em matéria publicada pelo Notícias da TV.

Os religiosos argumentaram que o documentário associou suas imagens a um caso judicial norte-americano envolvendo um réu que alegou estar “possuído por um demônio” ao cometer um assassinato. A obra se baseia na história real que também inspirou o filme Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio (2021).

Argumentos rejeitados pela Justiça

Na ação, Macedo e Cardoso afirmaram que os trechos onde aparecem foram utilizados sem autorização e que a repercussão prejudicou suas imagens públicas. Porém, a juíza Paula da Rocha e Silva indeferiu o pedido, classificando a retirada do documentário como um ato de censura.

O documento judicial destacou que os trechos questionados são breves, ocorrendo nos minutos 23:40, 32:24 e 33:12 da produção, e que não há imagens claras dos rostos dos envolvidos, tornando a identificação difícil. “Ademais, considerando o curto tempo de aparição, o contexto em que aparecem, e a difícil identificação dos autores pela ausência de imagens dos rostos, entendo prescindível, a princípio, a necessidade de autorização para veiculação das imagens”, escreveu a juíza.

Ela também observou que as imagens exibidas no documentário refletem práticas amplamente divulgadas pela própria Igreja Universal: “Em rápida pesquisa na internet, é possível verificar vídeos disponibilizados na plataforma do YouTube, em conta do próprio autor Edir Macedo Bezerra, no qual ele estaria realizando a libertação de uma ‘possessão demoníaca’ em um de seus fiéis”.

Documentário segue disponível

Com a decisão, O Diabo no Tribunal continuará disponível na Netflix enquanto a ação judicial, que ainda está em andamento, não for concluída.

Apesar de procurados pela reportagem, Edir Macedo e Renato Cardoso não se manifestaram até o fechamento do texto. A decisão reacende debates sobre os limites entre liberdade de expressão e o direito à imagem, especialmente em produções audiovisuais que abordam temas religiosos e culturais sensíveis.

Fonte: Brasil 247

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