Secretário de JHC atenta contra ato médico e direito trabalhista. MP deve investigar o caso.

O secretário municipal de Saúde de Maceió, Claydson Moura, usou suas redes sociais para cometer todo tipo de barbaridade contra a classe trabalhadora e o ato médico. Nas redes sociais, Moura insinua que os trabalhadores são malandros e que procuram a UPA para conseguirem atestado médico para faltarem no trabalho.

Segundo o secretário de “Saúde” de JHC: “Tem muita gente que não está doente, lota as UPAs, e acaba atrasando e dificultando o atendimento de quem realmente precisa”, declarou Claydson Moura. Segundo ele, a prática tem sido usada por algumas pessoas apenas para “matar o trabalho”.

O secretário afirmou ainda que a Secretaria de Saúde não vai “compactuar com essa prática nociva, inescrupulosa” e reforçou que “UPA é para quem precisa de tratamento”.

Ainda segundo o secretário, as três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) administradas pelo município — Benedito Bentes, Santa Lúcia e Trapiche — não irão mais emitir declarações de comparecimento.

Diante de uma fala com tanto preconceito e arrogância, e que ameaça o ato médico, pois o médico em seu atendimento é quem deve livremente decidir pelo atestado ou não, o Conselho Regional de Medicina deveria entrar com uma representação contra o secretário.

Segundo alguns sindicatos consultados, sua fala também é um atentado contra o direito trabalhista, já que o trabalhador tem direito a atestado médico em caso de doença e sua fala, com certeza pode ser alvo de ação criminal coletiva por preconceito, calúnia e difamação da classe trabalhadora.

O secretário virou com certeza, caso para investigação pelo Ministério Público.

Banho de sangue: Israel bombardeia prédio residencial no Irã e mata 60 civis, incluindo 20 crianças

Bombardeio israelense atinge bairro popular na capital iraniana e deixa cenário de horror com brinquedos ensanguentados, gritos por socorro e corpos desaparecidos

Pelo menos 60 pessoas, entre elas 20 crianças, foram assassinadas por Israel em um ataque na manhã deste sábado (14) contra um prédio residencial onde viviam dezenas de famílias, no bairro Shahid Chamran, em Teerã, capital do Irã, segundo a emissora estatal IRIB. As imagens divulgadas pela imprensa iraniana mostram roupas infantis cobertas de sangue, brinquedos destruídos e moradores escavando os escombros com as próprias mãos em busca de sobreviventes.

Nos vídeos divulgados, é possível ouvir o choro de mães e crianças, enquanto voluntários, em choque, carregam corpos sem vida. Segundo fontes locais, ainda há desaparecidos sob os escombros, entre eles recém-nascidos e idosos. A destruição é quase total.

“A maior operação militar da história”, diz Netanyahu

O ataque ao prédio em Teerã faz parte da ofensiva militar israelense iniciada na madrugada de sexta-feira (13), batizada de “Leão Crescente”. Segundo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, trata-se de “uma das maiores operações militares da história”, com duração prevista para “muitos dias”.

Israel utilizou cerca de 200 caças para atacar mais de 100 alvos em solo iraniano, incluindo instalações nucleares e bases militares. O Exército israelense confirmou a morte de altos oficiais da Guarda Revolucionária, como Hossein Salami e Mohammad Bagheri, além de nove cientistas ligados ao programa nuclear. A usina de Natanz, uma das mais importantes do país, foi um dos alvos destruídos. 

Irã reage

Em resposta, o Irã disparou dezenas de mísseis contra bases militares e regiões estratégicas de Israel. As autoridades israelenses relataram duas mortes e dezenas de feridos. Tel Aviv foi uma das cidades mais afetadas, com moradores relatando explosões e correria em busca de abrigos.

O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, declarou que o país fará Israel “se arrepender” e prometeu abrir “as portas do inferno”. O novo comandante da Guarda Revolucionária, Mohamed Pakpur, também afirmou que a vingança será “devastadora e prolongada”.

Comunidade internacional teme conflito em larga escala

A escalada do confronto entre Israel e Irã, dois dos principais antagonistas do Oriente Médio, já provocou mais de 100 mortes em dois dias, sendo a maioria civis iranianos. O embaixador do Irã na ONU classificou o bombardeio como um “crime de guerra”, enquanto o Papa Leão XIV e o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediram cessar-fogo imediato.

“Chega de escalada, é hora de parar. A paz e a diplomacia devem prevalecer”, escreveu Guterres em sua conta na rede X.

EUA apoiam Israel e negociações com Irã podem ser suspensas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou apoio irrestrito a Israel e disse que “os próximos ataques serão ainda mais brutais”. Já o porta-voz da chancelaria iraniana afirmou que, diante do massacre, não há sentido em manter as negociações nucleares com os EUA previstas para este domingo (15), em Omã.

Famílias destruídas e corpos sem identidade

Entre os escombros do prédio destruído em Teerã, moradores mostraram aos jornalistas internacionais restos de roupas infantis, sandálias e mochilas escolares. Em um dos vídeos, um homem carrega o corpo de uma criança coberta por poeira e sangue. “Era minha filha”, diz ele, sem conseguir conter as lágrimas.

“Não havia combatentes aqui. Só famílias dormindo. Foi um massacre”, afirmou uma moradora que sobreviveu ao ataque por estar fora de casa no momento do bombardeio.

Fonte: Revista Fórum

Cresce a resistência contra a política migratória de Trump

Mobilização espontânea iniciada em Los Angeles se espalha para outras cidades

A capa do “La Jornada”, importante jornal mexicano, deste 11 de junho anuncia o “Toque de recolher em LA” – sigla de Los Angeles – com o subtítulo: “Mobilizações contra redadas e repressão ocorrem em várias cidades”.

A repercussão das manifestações e protestos iniciados há seis dias em Los Angeles é enorme no México, o país com o maior número de imigrantes e seus descendentes nos EUA. Já ocorreram duas manifestações diante da embaixada “gringa” na Cidade do México com o slogan “Migrar no es delito”.

Em 9 de junho o mesmo “La Jornada” dizia em seu editorial: “Cedo ou tarde a ofensiva da presidência de Donald Trump contra os trabalhadores imigrantes tinha que desembocar numa onda de protestos”.  Para concluir que: “Trump se empenha em apagar com a gasolina da repressão militar o que pode ser o início de um grande incêndio social na superpotência.”

Além de Los Angeles, que é a segunda maior cidade dos EUA, protestos se espalharam para outras cidades com forte presença de imigrantes, dentre elas Nova York, Boston, San Francisco, Austin, Las Vegas, Atlanta e Portland.

Assim se desenha uma resistência de massas que, a partir dos imigrantes e cidadãos de origem latino-americana que a começaram de forma espontânea, ganha outros setores, inclusive sindicatos. Ninguém pode prever o quanto vai durar esse estalido social, mas desde já ele marca esse início de governo Trump.

Trump provoca também crise institucional

O envio de quatro mil membros da Guarda Nacional e de 700 “Marines” (fuzileiros navais) pelo governo federal, sem qualquer pedido, acordo ou solicitação do governador da Califórnia ou da prefeita de Los Angeles, ambos do partido Democrata, já provocou também uma crise institucional de conflito de poderes, deixando claro que Trump abusa de suas prerrogativas, o que certamente dará origem a recursos a tribunais e à Corte Suprema por parte de seus opositores.

Isso tudo num momento em que vem a público a troca de insultos e provocações entre os outrora amigos íntimos Trump e Elon Musk, o que certamente não contribui na coesão do MAGA – sigla do movimento “fazer a América grande de novo” –  demonstrando interesses distintos entre setores do grande capital que estavam unidos em torno ao atual ocupante da Casa Branca.    

Um papel especial é ocupado pela Polícia de Imigração, órgão federal cuja sigla em inglês é ICE. Ela é a responsável direta por redadas, invasões de domicílios e locais de trabalho na captura de “indocumentados”. Foi a pretexto de apoiar o seu trabalho – que teve fixada a meta de deportar 3 mil imigrantes “ilegais” por dia – que Trump enviou a Guarda Nacional e os “Marines” à Califórnia.

Prisão do sindicalista David Huerta

Dentre os manifestantes que protestavam contra os atropelos da ICE e que foram presos no dia  6 de junho, estava o presidente da seção californiana do sindicato SEIU (União Internacional dos empregados dos serviços), David Huerta. Ele foi liberado no dia 9 por uma juíza federal, graças à pressão de várias organizações políticas e sindicais. April Verrett, a presidente do SEIU, fez uma declaração após a sua saída da prisão da qual extraímos os trechos abaixo.

«David Huerta foi preso por defender os direitos dos imigrantes (…). Nesse momento as comunidades de imigrantes são aterrorizadas por forças militarizadas. O fato que o regime Trump tenha chamado a Guarda Nacional para atacar aqueles que não estão de acordo com ele é uma perigosa escalada. É uma ameaça à democracia. (…)

O SEIU combaterá sempre para proteger os direitos e a dignidade das pessoas que trabalham duro e pela segurança dos trabalhadores nos seus locais de trabalho. (…) É vergonhoso e injusto que essa administração tente dilacerar nossas famílias e comunidades, perturbar a vida das pessoas pacíficas que trabalham duro. Trata-se de uma nova tentativa de usar a raça e o país de origem das pessoas para nos dividir como americanos. Isso não passará. A América é uma nação de imigrantes. Os trabalhadores imigrantes são essenciais à nossa sociedade (…). Exigimos que todos os procedimentos de imigração respeitem os princípios regulares e que todos os detidos tenham acesso a uma representação jurídica e aos direitos garantidos pela Constituição.”

Esta reação de um importante sindicato como o SEIU demonstra a possibilidade de se operar a junção entre os milhares de manifestantes, que cansados de sofrer humilhações e violência se levantaram de forma espontânea contra a política migratória de Trump, e as organizações da classe trabalhadora, os sindicatos em primeiro lugar, mas também agrupamentos políticos e organizações populares de todo o país. A luta apenas se inicia.

Esse desenvolvimento recente da situação nos EUA reforça a necessidade de unir forças em defesa dos direitos dos imigrantes. Ganha importância assim a convocatória lançada por dirigentes sindicais e políticos mexicanos, que já conta com apoio em vários países, de uma Conferência Continental em defesa dos direitos dos migrantes e da soberania nacional, prevista para 27 de setembro na Cidade do México.

Fonte: O Trabalho

Lula lidera em todos os cenários para 2026, diz Datafolha

Levantamento revela que presidente venceria todos os possíveis adversários elegíveis, tanto no primeiro quanto no segundo turno

Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (14) revela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera em todos os cenários a corrida eleitoral à presidência em 2026

Segundo o levantamento, o mandatário venceria qualquer um de seus possíveis adversários no primeiro turno, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro que, apesar de inelegível e prestes a ser preso, foi incluído no estudo. 

Em um cenário com Lula e Bolsonaro disputando o primeiro turno, o atual presidente marca 36% das intenções de voto, enquanto o ex-mandatário soma 35%. O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), vem na sequência com 7%, logo à frente do governador mineiro Romeu Zema (Novo), que tem 5% – mesmo índice do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União). 

Veja os números:

  • Lula: 36%
  • Jair Bolsonaro: 35%
  • Ratinho Júnior: 7%
  • Romeu Zema: 5%
  • Ronaldo Caiado: 5%
  • Em branco/nulo: 10%
  • Não sabe/não respondeu: 2%

Lula também venceria disputas contra o governador de São Paulo Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Veja abaixo os números: 

Cenário 1

  • Lula: 37%
  • Tarcísio: 21%
  • Ratinho Júnior: 11%
  • Romeu Zema: 6%
  • Ronaldo Caiado: 6%
  • Em branco/nulo: 15% 
  • Não sabe/não respondeu: 4% 

Cenário 2

  • Lula: 37%
  • Michelle Bolsonaro: 26%
  • Ratinho Júnior: 9%
  • Ronaldo Caiado: 7%
  • Romeu Zema: 6%
  • Em branco/nulo: 11%
  • Não sabe/não respondeu: 3% 

Cenário 3 

  • Lula: 37%
  • Eduardo Bolsonaro: 20%
  • Ratinho Júnior: 11%
  • Romeu Zema: 8%
  • Ronaldo Caiado: 7%
  • Em branco/nulo: 14%
  • Não sabe/não respondeu: 3% 

Cenário 4 

  • Lula: 38%
  • Flávio Bolsonaro: 20%
  • Ratinho Júnior: 12%
  • Ronaldo Caiado: 11%
  • Em branco/nulo: 16%
  • Não sabe/não respondeu: 3%

Pesquisa espontânea 

O Datafolha também fez pesquisa espontânea – quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos eleitores – e Lula também aparece na frente. 

Confira: 

  • Lula: 18%
  • Jair Bolsonaro: 16%
  • Ronaldo Caiado: 1%
  • Tarcísio: 1%
  • No atual presidente: 1%
  • Não vota: 1%
  • Não sabe/não respondeu: 56%
  • Outras respostas: 3%
  • Em branco/nulo: 5%

Segundo turno 

O levantamento Datafolha aponta ainda que Lula aparece numericamente à frente em todos os cenários de segundo turno com candidatos elegíveis. Somente em um embate com Jair Bolsonaro, que não poderá se candidatar pois está inelegível e, até 2026, possivelmente preso, há um empate técnico com Lula 1 ponto atrás. Veja os números: 

Lula x Tarcísio 

  • Lula: 43%
  • Tarcísio: 42% 

Lula x Michelle Bolsonaro 

  • Lula: 46% 
  • Michelle: 42% 

Lula x Flávio Bolsonaro 

  • Lula: 47%
  • Flávio: 38% 

Lula x Eduardo Bolsonaro 

  • Lula: 46% 
  • Eduardo: 38% 

Lula x Jair Bolsonaro (inelegível) 

  • Lula: 44%
  • Bolsonaro: 45%

A pesquisa Datafolha contou com 2.004 entrevistas feitas entre os dias 10 e 11 de junho em 136 cidades brasileiras. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Fonte: Revista Fórum

Trump é um fascista

A grande crise do sistema capitalista mundial atingiu proporções comparáveis às que precederam a Segunda Guerra Mundial, levando o mundo a uma reação fascista que culminou na morte de milhões. Hoje, mais uma vez, as elites capitalistas recorrem ao fascismo como estratégia para preservar o próprio sistema. Em diversos países, a burguesia tem apoiado partidos de extrema direita, que ganham força sobretudo em razão da crescente rejeição — ainda que passiva — às políticas de centro e da pseudo esquerda, muitas das quais se renderam à conciliação com os interesses da classe dominante.

A ascensão do partido ultradireitista AfD (Alternativa para a Alemanha), a eleição de Giorgia Meloni — que já teceu elogios públicos a Benito Mussolini —, além das vitórias recentes de Javier Milei na Argentina e Jair Bolsonaro no Brasil, são provas concretas do avanço da ameaça fascista em escala global.

Nos Estados Unidos — epicentro do imperialismo mundial —, a eleição de Donald Trump em 2024 marca o ressurgimento do autoritarismo no coração do capitalismo global. Sua vitória sobre a candidata democrata Kamala Harris foi, em grande medida, uma expressão da insatisfação popular diante dos ataques do governo Biden, incluindo o apoio incondicional ao genocídio promovido por Israel em Gaza, o financiamento da guerra na Ucrânia contra a Rússia e o aprofundamento de políticas que atacam os direitos da classe trabalhadora dentro dos próprios EUA.

Embora setores da classe trabalhadora tenham depositado em Trump a expectativa de mudança, é evidente que ele não fará nada de substancialmente diferente do que Biden já vinha fazendo. Pelo contrário: Trump representa uma ameaça concreta de aprofundamento do projeto fascista nos Estados Unidos.

Desde sua posse, Trump compôs seu gabinete com figuras autoritárias e reacionárias. Entre elas, Robert F. Kennedy Jr., notório negacionista e antivacina, foi nomeado chefe do Departamento de Saúde, enquanto Marco Rubio, uma das vozes mais conservadoras da política americana, assumiu o Departamento de Estado. Uma figura emblemática — ainda que hoje afastada de Trump — é Elon Musk, bilionário responsável pela criação do DOGE (Departamento de Eficiência Governamental), encarregado de cortar milhares de empregos em nome da “redução de custos”. Musk, cuja fortuna foi construída com amplo apoio de subsídios públicos, justificava o DOGE como uma forma de eliminar “cargos ineficientes e custosos”. Na prática, a medida aprofundou os ataques aos direitos sociais, desmontando programas como o Medicaid, o Medicare e a seguridade social.

O avanço autoritário de Trump atinge diretamente as instituições e a Constituição dos EUA. Desde o início de seu novo governo, ele intensificou a perseguição a imigrantes, em uma escalada que remete aos métodos nazistas da década de 1930. Imigrantes — documentados ou não — vêm sendo parados, detidos e deportados para verdadeiros campos de concentração, como as prisões de regime ditatorial em El Salvador. Foi nesse contexto que Kilmar Abrego Garcia foi sequestrado por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega), sem qualquer direito ao devido processo legal.

Trump também tem atacado sistematicamente a liberdade de expressão, voltando-se nos últimos meses especialmente contra estudantes e professores universitários. Sob o pretexto de combater o antissemitismo, o ex-presidente tem ameaçado deportar estudantes que protestam contra o genocídio do povo palestino, acusando-os de “apoiar o Hamas” ou de “irem contra os valores ocidentais”.

Um dos casos mais emblemáticos é o de Momodou Taal, estudante da Universidade Cornell, que decidiu deixar os EUA após ser ameaçado de deportação por protestar contra os crimes cometidos por Israel. Centenas de outros estudantes estão tendo seus vistos cancelados por expressarem críticas à guerra imperialista. Nas últimas semanas, os ataques de Trump às universidades se intensificaram, com foco especial em Harvard, que se recusou a se curvar ao autoritarismo, ao contrário de outras instituições.

Esses ataques não se limitam a estudantes, imigrantes ou trabalhadores. Juízes e políticos que resistem ao autoritarismo e às ilegalidades do ex-presidente também têm sido alvo de intimidação, processos e até prisões. A juíza Hannah Dugan, do Tribunal de Circuito de Milwaukee, foi acusada de interferência em uma operação do ICE. Já o prefeito de Newark, Ras Baraka, foi preso em 9 de maio de 2025, no centro de detenção Delaney Hall, em Nova Jersey, após tentar visitar o local junto com membros do Congresso.

Nos últimos dias, Trump tem elevado o tom de seu confronto com a ordem constitucional. Na noite de sábado, 7 de junho, ordenou a federalização da Guarda Nacional da Califórnia, medida contestada pelo governador democrata Gavin Newsom. No domingo, cerca de 2.000 soldados da 79ª Brigada de Infantaria de Combate, a maior da Guarda Nacional da Califórnia, foram enviados a Los Angeles. Já na segunda-feira, 9 de junho, Trump sugeriu a prisão de Newsom, que havia desafiado a presença militar ordenada pela Casa Branca em resposta aos protestos de imigrantes.

A grave crise política nos EUA não é um fenômeno isolado. Assim como na Europa, Ásia e América Latina, ela é fruto direto da crise econômica do sistema capitalista. E assim como na década de 1930, a burguesia recorre novamente ao fascismo para preservar seus privilégios.

Trump, portanto, não é um acidente ou um desvio. Sua ascensão é resultado direto da falência do sistema político bipartidário americano que representa os interesses de Wall Street e do complexo militar. Tanto os democratas quanto os republicanos são cúmplices desse avanço autoritário. Na verdade, Trump apenas dá continuidade — de forma mais brutal — às políticas que os democratas iniciaram. Não é à toa que, mesmo após ter orquestrado uma insurreição em 2021 que culminou na invasão do Capitólio e na morte de civis e policiais, Trump voltou ao poder com a passividade — senão cumplicidade — do Partido Democrata. Até o momento, os Democratas ainda não chamaram Trump do que ele realmente é: um fascista.

E agora, quatro anos depois, Trump retorna para concluir o projeto autoritário que fracassou em 2021: transformar-se em um ditador. Diante da total ausência de oposição real dentro da elite política, cabe à classe trabalhadora se organizar e resistir. A luta contra o fascismo nos Estados Unidos precisa estar ligada à luta contra o sistema que o gera: o capitalismo. E isso inclui enfrentar também o Partido Democrata e a burocracia sindical, que atuam como barreiras contra a construção de um movimento de massas combativo, anti-imperialista, anticapitalista e verdadeiramente democrático.

Os protestos em Los Angeles são apenas o começo. Estamos diante de uma oportunidade histórica de reconstruir um movimento de luta que una estudantes, trabalhadores e imigrantes numa frente consciente contra o fascismo — e, sobretudo, contra sua verdadeira origem: o sistema capitalista.

Pablo Gomes é jornalista

Ex-ministro de Bolsonaro, Gilson Machado é preso pela PF no Recife

Ex-ministro do Turismo de Bolsonaro, Gilson Machado é investigado pela PF por supostamente atuar para facilitar possível fuga de Mauro Cid

Ex-ministro do Turismo do governo Jair BolsonaroGilson Machado foi preso pela Polícia Federal nesta sexta-feira (13/6), em Recife, capital de Pernambuco. A prisão foi confirmada à coluna por fontes da PF.

Na véspera da prisão, Gilson acompanhou Bolsonaro durante agendas em Natal, no Rio Grande do Norte, ao longo da quinta-feira (12/6). À noite, porém, o ex-ministro voltou de carro para o Recife, onde foi preso.

Machado é investigado por supostamente atuar para agilizar a emissão de passaporte português para o tenente-coronel Mauro Cid, um dos réus no chamado “inquérito do golpe”, que tramita no STF.

De acordo com a Polícia Federal, Machado teria atuado junto ao Consulado de Portugal no Recife (PE), ainda em maio de 2025. A investigação foi aberta a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

“A Polícia Federal encaminhou a Informação de Polícia Judiciária, apresentando informações sobre a possível atuação do Sr. Gilson Machado Guimarães Neto junto ao Consulado de Portugal, em Recife/PE, em 12.5.2025, com o propósito de obter a expedição de um passaporte português em favor de Mauro Cesar Barbosa Cid, para viabilizar sua saída do território nacional”, diz a manifestação da PGR.

Cid, como noticiou a coluna, deu entrada no pedido de nacionalidade portuguesa em janeiro de 2023. Ou seja, após o término do governo Bolsonaro. Ele tem direito à cidadania porque seu avô nasceu em Portugal.

Tanto Cid quanto Gilson, no entanto, vinham negando qualquer articulação para agilizar o passaporte do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, visto pela PF como uma facilitação de possível fuga do tenente-coronel.

Mauro Cid no alvo

Além de Machado, houve novo pedido de busca e apreensão contra o próprio Cid. A polícia investiga se ele tentou pegar o passaporte para deixar o Brasil. Cid, que teve os celulares apreendidos, deve prestar depoimento nesta manhã, às 11h.

Fonte: Metrópoles

Irã classifica ataque de Israel como ‘declaração de guerra’

Após ofensiva israelense que matou líderes militares e cientistas nucleares, Irã promete retaliação e cobra ONU

Em carta enviada ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira (13), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, classificou os ataques israelenses ao país como uma “declaração de guerra” e solicitou ação imediata do órgão internacional.

Após os bombardeios de Israel, iniciados na madrugada desta sexta contra alvos militares e nucleares, o Exército iraniano declarou, em comunicado, que Teerã “não terá limites” na sua resposta ao ataque, afirmando que “o regime terrorista que ocupa Al Quds (Jerusalém) cruzou todas as linhas vermelhas”.

Durante a ofensiva, Israel atingiu mais de 100 alvos com cerca de 200 caças — em operação chamada “Rising Lion” — e matou figuras-chave do Irã.

Entre os mortos estão o general Hossein Salami, comandante-em-chefe da Guarda Revolucionária desde 2019, e o general Mohammad Bagheri, chefe do Estado‑Maior das Forças Armadas.

A ofensiva também vitimou seis cientistas nucleares e outros altos comandantes, incluindo Ali Shamkhani, assessor próximo do líder supremo, e Gholam Ali Rashid, comandante do Quartel-General Central do Khatam al-Anbia do Irã, e atingiu instalações nucleares, como a usina de Natanz.

Em resposta, o Irã lançou mais de cem drones contra o território israelense — a maioria interceptada — e anunciou que continuará revidando com uma retaliação “amarga e dolorosa”.

O Irã acusa Israel de violar a Carta da ONU e exige que o Conselho de Segurança oponha-se ao que chama de “agressão”. O diretor-geral do organismo de vigilância nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU), Rafael Grossi, afirmou nesta sexta-feira (13) que as instalações nucleares “nunca devem ser atacadas”. Ele pediu às partes “moderação máxima para evitar um agravamento maior”.

De acordo com o governo israelense, o ataque foi direcionado contra alvos relacionados à indústria nuclear iraniana, sob o argumento de que o país estaria próximo de conseguir uma arma nuclear. O país nega as acusações de Israel e afirma que o urânio enriquecido é utilizado para abastecer usinas nucleares que fornecem energia elétrica à população.

A ação das forças israelenses ocorre após o fracasso das negociações sobre o tema entre Irã e Estados Unidos.

EUA pressionam

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se pronunciou sobre o conflito nesta sexta-feira. O estadunidense, em tom de pressão, disse que o Irã deve “fechar um acordo” e alertou que, em caso contrário, haverá mais “morte e destruição”, citando “ataques já planejados”.

“Já houve muita morte e destruição, mas ainda há tempo para fazer com que este massacre, com os próximos ataques já planejados sendo ainda mais brutais, talvez”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

“É preciso que o Irã feche um acordo, antes que não reste nada… APENAS FAÇAM, ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS”, acrescentou.

Irã rechaça acordo com EUA

No último dia 4, o Brasil de Fato acompanhou in loco o pronunciamento do líder supremo do Irã, aiatolá Seyyed Ali Khamenei, que rechaçou de forma dura os termos apresentados pelos EUA para o acordo. O governo Trump exige que o Irã abandone o enriquecimento de urânio, considerado peça chave na indústria nuclear.

A resposta de Khamenei foi direta: “Eles não podem fazer droga nenhuma a respeito”, declarou, inflamando a multidão que lotava o Mausoléu de Ruhollah Khomeini, líder da revolução islâmica.

“A proposta (sobre o programa nuclear iraniano) apresentada pelos americanos é 100% contrária ao lema ‘nós podemos’”, declarou o aiatolá Khamenei, em referência aos pilares da Revolução Islâmica de 1979 sobre a independência do país.

Fonte: Brasil de Fato

Thiago Ávila chega ao Brasil e pede que governo Lula rompa com Israel

Chegou hoje (13) ao Brasil o ativista Thiago Ávila, um dos 12 tripulantes da Coalizão Flotilha Liberdade, interceptada por Israel quando ia na direção da Faixa de Gaza. A embarcação partiu em missão humanitária, visando oferecer ajuda aos palestinos.

Thiago desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e foi recebido por um grupo de militantes pró-Palestina, portando cartazes com mensagens de apoio ao país e bandeiras.

Cercado por apoiadores da causa, que fizeram reverberar pelo saguão do terminal palavras encorajadoras, o líder explicou que vestia ainda o uniforme que lhe deram ao ser encaminhado a uma cela solitária, onde ficou por dois dias e afirmou que  a representação diplomática o auxiliou no momento da detenção.

Como protesto, ele fez greve de fome. Aos jornalistas, ressaltou que sua cela ficava em uma masmorra que  aparentava ser muito antiga, mas que ele sabia que tinha apenas cerca de 80 anos e que a investida contra os tripulantes não foi mais intensa por causa da presença da eurodeputada Rima Hassan.

Agressões

Em entrevista depois do desembarque, Ávila foi questionado sobre eventuais agressões que as forças israelenses podem ter infligido contra ele. Com um ar de tranquilidade, respondeu que as violações de direito que sofreu, sobretudo, por ter projeção, são “uma fração” muito pequena se comparadas às violências a que os palestinos são submetidos.

Ávila observou que Israel tentou fazer uma “manobra publicitária” para vender a impressão de que os ativistas estavam sendo bem recepcionados, ao mesmo tempo em que, na realidade, foram forçados a assinar documentos dizendo que tinham entrado na região de modo ilegal.

Ele esclareceu que não assinou nenhum documento e que as autoridades determinaram o banimento dele no país por um século.

Ávila acredita que o governo brasileiro deveria romper relações com Israel e entende que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia, inclusive, interpretar o cenário posto como uma oportunidade de sair ainda maior com esse gesto. Para Ávila, é urgente que o Brasil se desligue dessa “ideologia odiosa”.

“Tudo que eles têm são suas armas, seu ódio, seu exército”, declarou ele, que se reuniu com sua esposa e sua filha de sete meses.

Em relação à cobertura midiática do conflito, Ávila disse que estar ciente de que, muitas vezes, os repórteres pretendem contar a verdade, mas esbarram em posições contrárias de seus superiores nas redações. “Nem sempre as estruturas permitem [isso] aos trabalhadores”, observou.

Ávila argumentou que é preciso separar antissemitismo de antissionismo e lembrar que há judeus em todo o mundo apoiando os palestinos e se opondo ao massacre promovido por Israel. Os povos já conviveram em harmonia, observou. “O imperialismo britânico e o sionismo destruíram esse sonho de viver em paz”, observou.

Fonte: Monitor do Oriente

Mais de 6 mil crianças são resgatadas do trabalho infantil em 2 anos

86% dos casos envolviam as piores formas de trabalho com risco à saúde

Entre 2023 e abril de 2025, 6.372 crianças e adolescentes foram retirados pelo governo federal de situações de trabalho infantil em todo o Brasil.

[7Do total de resgatados, o levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) aponta que 86% dos casos envolviam as piores formas de exploração do trabalho infantil, ou seja, atividades com graves riscos ocupacionais e sérios prejuízos à saúde e ao desenvolvimento integral de crianças e adolescentes.

A divulgação dos dados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) é parte das ações da Semana de Combate ao Trabalho Infantil, quando ocorre o Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, nesta quinta-feira (12).

Registros

Os registros da Inspeção do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apontam a tendência de aumento do trabalho infantil. Enquanto em 2023 foram 2.564 crianças e adolescentes identificados e afastados do trabalho infantil, em 2024 o número subiu para 2.741.

Considerando os quatro primeiros meses deste ano, são 1.067 crianças e adolescentes afastados do trabalho precoce, o que equivale a 38.93% de todo o ano passado.

Os meninos representaram 74% dos casos, enquanto as meninas corresponderam a 26%.

Na faixa etária de até 13 anos, foram identificados 791 crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil.

Entre os adolescentes de 14 e 15 anos, foram registrados 1.451 casos. O maior número de afastamentos ocorreu na faixa etária de 16 e 17 anos, com 4.130 adolescentes, a maioria envolvida em atividades classificadas como das piores formas de trabalho infantil ou consideradas prejudiciais ao desenvolvimento físico, psicológico, moral e social.

As principais atividades econômicas em que o trabalho infantil foi constatado nesse período incluem o comércio varejista, o setor de alimentação, oficinas de manutenção e reparação de veículos automotores, além da agricultura e pecuária.

Mobilização de combate ao trabalho infantil

O Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil foi instituído em 2002 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), quando se conheceu o primeiro relatório global sobre o trabalho infantil, durante a Conferência Internacional do Trabalho naquele ano.

O Brasil assinou o compromisso internacional de eliminar até 2025 o trabalho infantil em todas as suas formas, como reflexo da meta global número 8.7 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU).

A campanha de combate ao trabalho infantil 2025 deste ano tem como slogan “Toda criança que trabalha perde a infância e o futuro” e busca estimular a sociedade e o poder público a adotar ações concretas de enfrentamento a essa prática ilegal.

Na noite da última segunda-feira (9), o monumento ao Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, exibiu a projeção com a hashtag #ChegaDeTrabalhoInfantil, em uma ação simbólica de conscientização sobre a data, organizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em parceria com a Arquidiocese do Rio.

Proteção integral

Após a identificação de crianças e adolescentes em situação irregular de trabalho, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) esclarece que fiscalização no combate ao trabalho infantil:

  • Promove o afastamento imediato da atividade e a garantia de seus direitos trabalhistas;
  • A Auditoria Fiscal do Trabalho do MTE emite Termos de Pedido de Providência, que são encaminhados a órgãos como conselhos tutelares, secretarias de assistência social e de educação, ao Ministério Público do Trabalho e ao Ministério Público Estadual para prevenir o retorno ao trabalho precoce;
  • Jovens devem ser inseridos em políticas públicas que garantam sua proteção integral;
  • Adolescentes – a partir de 14 anos – são encaminhados a programas de aprendizagem profissional, que oferecem qualificação em ambientes de trabalho protegidos, com direitos trabalhistas e previdenciários assegurados;

Como denunciar

Para denunciar casos de trabalho infantil, o Ministério do Trabalho e Emprego disponibiliza um canal exclusivo: o Sistema Ipê Trabalho Infantil onde se deve preencher o formulário para registrar as denúncias de casos de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil e de trabalho proibido para adolescente.

Todas as informações fornecidas neste formulário são sigilosas e serão encaminhadas para a Subsecretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Previdência. Porém, não é possível cadastrar uma denúncia anônima.

As violações de direitos humanos também podem ser denunciadas no Disque Direitos Humanos – Disque 100. As ligações podem ser feitas de todo o Brasil, gratuitamente, de qualquer telefone fixo ou celular. Basta discar 100.

Qualquer pessoa pode reportar alguma notícia de fato relacionada a violações de direitos humanos, da qual seja vítima ou tenha conhecimento de que acontece com outra pessoa.

O serviço está disponível diariamente – 24 horas por dia – incluindo sábados, domingos e feriados. As denúncias são registradas e encaminhadas aos órgãos competentes.

O que diz a legislação

Até os 13 anos de idade, qualquer forma de trabalho é proibida no Brasil. A idade mínima para o trabalho no país é de 16 anos. No entanto, a partir dos 14 anos, o adolescente pode trabalhar na condição de aprendiz.

O trabalho de pessoas com idade abaixo de 18 anos é proibido em atividades insalubres, perigosas, noturnas, prejudiciais ao desenvolvimento físico, psíquico, moral e social ou realizadas em horários e locais que não permitam a frequência à escola.

Fonte: Brasil de Fato

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