Pelo menos 89 palestinos, incluindo 31 que buscavam ajuda, foram mortos e 513 ficaram feridos em ataques israelenses em Gaza nas últimas 24 horas, de acordo com o Ministério da Saúde do enclave.
Enquanto Israel continua bombardeando Gaza, mais cinco palestinos, incluindo duas crianças, morreram de fome no enclave, de acordo com o Ministério da Saúde, elevando o número total de mortes relacionadas à fome para 227, incluindo 103 crianças.
Palestinos realizaram funerais para quatro jornalistas da Al Jazeera assassinados por Israel em Gaza, enquanto manifestantes se reuniam ao redor do mundo contra os assassinatos, inclusive em Londres, Berlim, Túnis e Ramallah.
A União Europeia, a China e a Alemanha, aliada próxima de Israel, condenaram o ataque direcionado, enquanto as Nações Unidas o descreveram como uma “grave violação do direito internacional humanitário”.
O genocídio de Israel em Gaza matou pelo menos 61.599 pessoas e feriu 154.088.
“Essa manifestação caracteriza novo ataque frontal à soberania brasileira e a uma democracia que recentemente derrotou uma tentativa de golpe de Estado e não se curvará a pressões, venham de onde vierem”, afirmou o governo brasileiro
A Embaixada dos Estados Unidos publicou neste sábado (9), em suas redes sociais, um novo ataque à soberania brasileira. O texto faz novas críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, afirmando que ele teria “usurpado o poder” da Corte. O ataque foi publicado pelo vice-secretário do Departamento de Estado da gestão Donald Trump, Christopher Landau, e repostada pela Embaixada dos EUA no Brasil.
O governo rebateu imediatamente a agressão. Em nota, o Itamaraty afirmou que vê como “um ataque frontal à soberania” duas declarações de representantes dos EUA publicadas nas redes sociais. “O Governo brasileiro manifestou ontem à embaixada dos Estados Unidos seu absoluto rechaço às reiteradas ingerências do governo norte-americano em assuntos internos do Brasil, e voltará a fazê-lo sempre que for atacado com falsidades como as da postagem de hoje, disseminadas pelo subsecretário de Estado, Christopher Landau”, diz a nota do Itamaraty.
ATAQUE À SOBERANIA
“Essa manifestação caracteriza novo ataque frontal à soberania brasileira e a uma democracia que recentemente derrotou uma tentativa de golpe de Estado e não se curvará a pressões, venham de onde vierem”, prosseguiu a chancelaria brasileira. A nova provocação americana foi divulgada um dia depois da convocação do encarregado de Negócios da embaixada, Gabriel Escobar, ao Itamaraty. Escobar foi chamado para dar explicações sobre uma publicação anterior da embaixada com ameaças a aliados de Moraes.
O irônico desta segunda intromissão dos EUA nos assuntos do Brasil em menos e uma semana é que ela está sendo feita por um governo que desrespeita leis, persegue juízes e ameaça promotores. O auxiliar de Trump deitou falação atacando a democracia e a Justiça brasileira porque o Brasil está julgando criminosos que tentaram dar um golpe de Estado no Brasil e que são acobertados, defendidos e estimulados exatamente por Donald Trump.
“O que está acontecendo agora no Brasil é que um único ministro do STF usurpou poder ditatorial ao ameaçar líderes dos outros poderes, ou suas famílias, com detenção, prisão ou outras penalidades. Essa pessoa destruiu a relação histórica de proximidade entre Brasil e os Estados Unidos, ao tentar, entre outras coisas, aplicar extraterritorialmente a lei brasileira para silenciar indivíduos e empresas em solo americano”, diz um trecho do texto do governo norte-americano.
O texto segue se imiscuindo nos assuntos do Brasil. “A situação é sem precedentes e anômala”, já que é possível negociar com poderes Executivos ou Legislativos de um país, mas não com “um juiz”. “O usurpador se reveste do Estado de Direito, enquanto os demais poderes afirmam estar impotentes para reagir. Se alguém conhecer um precedente na história humana em que um único juiz, não eleito, tenha assumido o controle do destino de sua nação, por favor, avise. Queremos restaurar nossa amizade histórica com a grande nação do Brasil!”, prossegue a mensagem.
GLEISI REBATE AGRESSÃO DOS EUA
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, usou sua conta no X (antigo Twitter) para responder à postagem classificando-a como uma “gravíssima ofensa ao Brasil, ao STF e à verdade”.
“A postagem arrogante do subsecretário de Estado dos EUA é uma gravíssima ofensa ao Brasil, ao STF e à verdade. Quem tentou usurpar o poder em nosso país foi Jair Bolsonaro. Quem está tentando destruir a relação histórica entre os dois países é a família Bolsonaro estimulando Donald Trump, com o tarifaço e sua chantagem contra o Judiciário brasileiro”, afirmou.
“Situação anômala é a de foragidos da Justiça brasileira e plataformas que atuam em nosso território se associarem para descumprir a lei e as decisões judiciais de nosso país. Nenhum poder constitucional brasileiro encontra-se impotente. Ao contrário: Executivo, Legislativo e Judiciário rechaçaram o golpe de 8 de janeiro, a chantagem de Trump, o motim bolsonarista pela anistia e as sanções violentas contra o ministro Alexandre de Moraes e outros ministros do STF. Se querem mesmo ‘restaurar uma amizade histórica’, comecem por respeitar a soberania do Brasil, de nossas leis e Justiça, e parem de apoiar o golpista que tentou destruir nossa democracia”, prosseguiu Gleisi.
“No Brasil, nenhum poder constitucional encontra-se impotente. Ao contrário: Executivo, Legislativo e Judiciário rechaçaram o golpe de 8 de janeiro, a chantagem de Trump, o motim bolsonarista pela anistia e as sanções violentas contra o ministro Alexandre de Moraes e outros ministros do STF”, afirmou a ministra, que concluiu cobrando respeito à soberania brasileira para restaurar as relações com os EUA.
Brasil diz que medida agravaria “catastrófica situação humanitária”
O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota neste sábado (09) na qual o governo brasileiro “deplora a decisão do governo israelense de expandir as operações militares na Faixa de Gaza, incluindo nova incursão à Cidade de Gaza”.
De acordo com a nota, a nova incursão é uma medida que agravará a “catastrófica situação humanitária da população civil palestina, assolada por cenário de mortes, deslocamento forçado, destruição e fome”.
O Itamaraty lembrou que a Faixa de Gaza, assim como a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, é “parte inseparável do Estado da Palestina”, motivo pelo qual o Brasil renovou seu apelo pela “retirada completa e imediata” das tropas israelenses do território.
“Nesse contexto, reitera a urgência da implementação de cessar-fogo permanente, da libertação de todos os reféns e da entrada desimpedida de ajuda humanitária”, complementou.
Críticas
Na quinta-feira (7), o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que Israel pretende assumir o controle militar de toda a Faixa de Gaza. A declaração foi repudiada tanto no âmbito interno como externo de Israel.
Na sexta-feira (8), o plano do governo israelense foi criticado pelo alto comissário das Nações Unidas para Direitos Humanos, Volker Turk. O governo alemão anunciou na mesma data que não aprovará nenhuma exportação de equipamentos militares que poderiam ser usados na Faixa de Gaza até segunda ordem.
Neste sábado (9), o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, disse, após conversações no Egito, que as nações muçulmanas devem agir em uníssono e reunir a oposição internacional contra o plano de Israel de assumir o controle da Cidade de Gaza.
As forças israelitas mataram o correspondente da Al Jazeera, Anas al-Sharif, e sete outras pessoas num ataque aéreo direcionado para o exterior do complexo hospitalar Shifa, na cidade de Gaza, segundo as autoridades hospitalares.
O ataque matou al-Sharif, outro jornalista da Al Jazeera, Mohamed Qureiqa, e três operadores de câmara que estavam abrigados perto do edifício de emergência do hospital, que ficou danificado no ataque. Mais três pessoas foram mortas no ataque.
As forças armadas israelitas confirmaram que tinham alvejado al-Sharif, afirmando que se tratava de um líder de uma célula do Hamas que “se fazia passar por jornalista”, uma alegação que al-Sharif e a sua rede tinham anteriormente negado.
As IDF publicaram informações e documentos que afirmaram ter encontrado em Gaza e que o ligavam diretamente ao Hamas.
Os militares afirmaram ainda que al-Sharif tinha “avançado ataques com foguetes contra civis israelitas e tropas das FDI”.
O ataque ocorreu menos de um ano depois de os oficiais do exército israelita terem acusado al-Sharif e outros jornalistas da Al Jazeera de serem membros dos grupos militantes Hamas e Jihad Islâmica.
Num vídeo de 24 de julho, o porta-voz do exército israelita, Avichay Adraee, criticou a cadeia de televisão sediada no Qatar e acusou al-Sharif de fazer parte da ala militar do Hamas.
No mês passado, o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) manifestou a sua preocupação com a sua segurança, afirmando que o jornalista era alvo de “uma campanha de difamação militar israelita”. A Al Jazeera condenou o ataque no domingo, classificando-o como um “assassinato seletivo”.
Al-Sharif, um conhecido correspondente árabe da Al Jazeera, de 28 anos, tem relatado extensivamente a guerra em Gaza a partir do interior da Faixa de Gaza, no meio de um apagão mediático imposto por Israel.
Uma última mensagem que parece ter sido colocada por um amigo apareceu na conta X de Anas al-Sharif pouco depois da sua morte.
Na mensagem, o correspondente da Al Jazeera afirmava, no seu “testamento e mensagem final”, que “deu todos os esforços e todas as minhas forças para ser um apoio e uma voz para o meu povo”.
“Nunca hesitei um único dia em transmitir a verdade tal como ela é, sem distorção ou falsificação”, escreveu o jornalista de 28 anos.
Al-Sharif e os outros jornalistas mortos no domingo são os últimos a morrer no que os observadores chamam o conflito mais mortífero para os jornalistas nos tempos modernos.
De acordo com o Comité para a Proteção dos Jornalistas, cerca de 186 jornalistas foram mortos desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, em outubro de 2023.
Faleceu essa semana Arlindo Cruz, um cantor e compositor de mão cheia. Arlindo emplacou centenas de sucessos, entre eles ta a música ” O show tem que continuar” e ” Camarão que dorme a onda leva”. O cantor morre aos 66 anos numa semana em que alguns Deputados e Senadores usaram a Mesa do Paralamento e deram um “show” com um enredo que ficará registrado nos anais da Casa como um dos mais vergonhosos capítulos da história do Congresso Nacional.
Deputados e Senadores do PL, do NOVO e outros partidos, os mesmos que queriam “trabalhar” no recesso parlamentar, tiveram a grande e genial ideia de obstruir, leia- se ocupar, os trabalhos da Casa após o fim do recesso, ou seja, quando não é pra “trabalhar”, querem “trabalhar”, mas quando é pra “trabalhar”, não querem e não deixam os outros trabalharem. Creio que acabei de criar uma samba com uma nota só! Todos subiram no “palco” do Congresso carregando um esparadrapo na boca, como se tivessem algo de importante para ser dito. Toda essa palhaçada tinha como objetivo pressionar o Hugo Mota e Alcolumbre à colocarem na pauta do dia a anistia dos golpistas, nesse meio o Inelegível se encontra; e o impeachment do Xandão. O motim durou apenas 2 dias, mas teve de tudo, desde brigas na 5° série, dancinhas para o Tik Tok e um bebê da Deputada Julia Zanatta que foi usado como um escudo, so faltou vestir a crianca de Capitão América para homenager o Tio San.Só não teve uma greve de fome ao estilo Hélio Negão, com kits do Mac Feliz escondidos nos paletós com a foto do Donald Trump estampada na embalagem, substituindo outro palhaço, o Ronald McDonald, que é muito mais divertido! Mas camarão que dorme a onda leva e quase levou Hugo Mota, Presidente da Câmara, por muito pouco ele não foi engolido pela maré golpista e agora nada contra a correnteza para mitigar os estragos.
O show tem que continuar e continuou. Com a retomada dos trabalhos o projeto de isenção de Imposto de Renda para quem ganha até 2 salários mínimos foi votado e vai para a sanção do Presidente Lula. Por falar nele, Luiz Inácio tem se mostrado firme em sua posição em relação ao tarifaço do Ronald McDonald, digo, do Donald Trump, acabei confundindo os artistas. Lula já deixou claro que não será um país subalterno, colonizado outra vez e que não conversará com o Presidente dos EUA, pois ele não quer conversar. A maior prova que Lula tava certo em não desembarcar na gringa, foi ver a Presidenta da Suíça viajar até a Casa Branca, bater na porta e sequer o mordomo atendê-la. Lula não quer ser o Zalensk tupiniquim, não quer dar a chance de se expor no terreno do inimigo sem que haja segurança política para tal. Lula não é sambista como o Arlindo, mas no palco da política ele nunca dorme, pula a onda e nunca anda de lado!
A Câmara Municipal de Belo Horizonte discute um projeto de lei que pode tornar o transporte coletivo totalmente gratuito na capital mineira até 2028. A iniciativa se baseia em um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que indica alternativas para custear o sistema, sem onerar a maioria das empresas locais. A proposta já passou por três comissões e está em análise na Comissão de Orçamento e Finanças; se aprovada, seguirá para votação no plenário.
Segundo a apuração do g1, o texto estabelece que a tarifa zero entraria em vigor no próximo contrato de concessão do transporte público. O modelo teria como principal fonte de receita a cobrança de R$ 185 mensais por funcionário de empresas com mais de nove empregados, enquanto microempresas ficariam isentas. Estima-se que cerca de 80% dos negócios da cidade não pagariam a contribuição.
De acordo com o professor e urbanista da UFMG Roberto Andrés, o impacto financeiro para as empresas seria reduzido. “O custo para as empresas, segundo estudo da UFMG, é de menos de 1% da folha salarial. E muito setor público que hoje não contribui vai passar a contribuir com o transporte”, afirmou. Ele acrescenta que a cobrança fixa substituiria o vale-transporte, o que poderia reduzir despesas para alguns empregadores.
O economista André Veloso reforça que a medida redistribuiria a responsabilidade de financiamento. “A gente traria o setor público, que hoje não contribui muito com o vale-transporte, para contribuir – setores que empregam com altos salários, como é o caso do TJ, da Assembleia Legislativa, da Câmara Municipal. Essa conta seria mais bem dividida entre as empresas da cidade e o setor público”, disse.
O estudo da UFMG e dados da Fundação Getulio Vargas, que analisou experiências em 52 cidades, apontam efeitos positivos da tarifa zero, como aumento no comércio, mais empregos formais, abertura de empresas e redução da emissão de gases de efeito estufa.
Para atender à demanda extra, o projeto prevê melhorias na frota, mais horários e viagens, integração com outros modais e reforço na fiscalização.
Na Região Metropolitana de BH, oito municípios já adotam o transporte gratuito, incluindo Ibirité, onde o modelo foi implantado em 2023. Lá, o custo anual de R$ 13 milhões é bancado pela prefeitura e, segundo a administração municipal, já resultou em aquecimento do comércio e geração de empregos.
Investigações apontam que o homem se valia de sua posição de autoridade espiritual para abusar da confiança das vítimas, utilizando o ambiente religioso como meio de manipulação
Um líder religioso suspeito de cometer diversos crimes sexuais contra, pelo menos, seis seguidoras foi preso. Investigações da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher I (Deam I) apontam que o homem aproveitava de sua posição de autoridade espiritual para abusar da confiança das vítimas, utilizando o ambiente religioso como meio de manipulação. A prisão preventiva ocorreu na manhã dessa sexta-feira (8/8).
Durante a apuração, seis mulheres prestaram depoimento à polícia, relatando episódios que se enquadram nos crimes de estupro, estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude. Relatos dão conta de que os abusos ocorriam em contextos ritualísticos e eram justificados pelo suspeito com base em supostos preceitos religiosos, dificultando a percepção imediata das vítimas sobre o caráter criminoso das condutas.
A constante mudança de endereço do terreiro onde o líder realizava suas atividades também chamou atenção da polícia. A estratégia visava dificultar a atuação das autoridades e a localização de possíveis vítimas, conforme destaca a investigação, fato que motivou o pedido de prisão preventiva, acatado prontamente pelo Judiciário.
Não está descartado o surgimento de novas vítimas. A operação, nomeada “Sórdida Oblatio”, refere-se a uma expressão em latim que remete a uma “oferta impura” — alusão direta à deturpação da fé e da espiritualidade como instrumentos de exploração e violência.
Número de homicídios dolosos registrados no 1º semestre em São Paulo representa a maior proporção desde 2013, início da série histórica divulgada pela SSP-SP
Victoria Manoelly dos Santos, de 16 anos, levou um tiro durante uma abordagem policial em Guaianases, na zona leste de São Paulo. Imagens da câmera corporal do sargento Thiago Guerra registraram o momento em que ele deu uma coronhada no irmão da adolescente e a arma disparou. Victoria chegou a ser levada ao Hospital Geral de Guaianases, mas não resistiu. O caso, ocorrido em janeiro, não é isolado.
No primeiro semestre de 2025, 26% dos homicídios dolosos registrados em São Paulo foram causados por policiais — o maior percentual desde 2013, início da série histórica divulgada pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP).
Especialistas consideram esse índice alarmante: segundo o sociólogo Ignacio Cano, a proporção ideal de mortes causadas por agentes do Estado não deve ultrapassar 10%. Para o pesquisador Paul Chevigny, percentuais acima de 7% já são considerados abusivos.
Entre janeiro e junho deste ano, 365 pessoas foram mortas por policiais no estado de São Paulo. A média é de duas mortes por dia. Embora o número represente uma queda de 1,8% em relação ao mesmo período de 2024, o cenário é mais grave quando comparado a 2022, ano anterior à posse do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite. Em relação àquele período, a letalidade em 2025 foi 78% maior.
Do total de vítimas da letalidade policial no semestre, 84% foram mortas por policiais em serviço, que são as que o Estado têm maior controle. A Polícia Militar respondeu por 96% das mortes; e a Polícia Civil, por 4% — o equivalente a 16 casos.
Ao longo da gestão Tarcísio-Derrite, São Paulo viu retrocesso em políticas que ajudavam a reduzir a letalidade policial. Um dos exemplos é o enfraquecimento do uso de câmeras corporais pela Polícia Militar. A tecnologia, antes com gravação ininterrupta, passou a funcionar por acionamento manual. A mudança foi criticada por especialistas em segurança pública.
A dupla também esteve à frente de operações letais na Baixada Santista — como a Escudo e a Verão — que deixaram 84 mortos. Diante das denúncias de execuções, agressões e invasões de domicílio durante essas ações, Tarcísio reagiu afirmando: “Pode ir na ONU que não tô nem aí”.
Ouvidor aponta incentivo à violência na PM de SP
São Paulo segue entre os estados com maior letalidade policial do país, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O número de pessoas mortas por policiais no estado subiu de 504 para 813, um aumento de 61%.
Para o ouvidor das polícias do estado de São Paulo, Mauro Caseri, essa alta foi puxada pelas operações Escudo e Verão na Baixada, mas também reflete fatores de comando e estrutura. Ele cita declarações de autoridades que naturalizam ou incentivam a violência policial, como a de Tarcísio em desdém às críticas e as do atual vice-prefeito da capital, Ricardo Mello Araújo (PL), defensor de abordagens diferentes nas periferias. Soma-se a isso, ressalta Mauro, a precarização das condições de trabalho e da saúde mental dos policiais, submetidos a baixos salários e jornadas extenuantes.
“Sem alterar esse quadro, incluindo o pleno funcionamento das Câmeras Corporais e o uso da força progressiva nas abordagens, com armas menos letais, corremos o risco de ver esses números continuarem sua escalada de morte e destruição, à margem da justiça, das boas práticas policiais e do respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana”, diz Mauro.
Jovens e negros seguem como principais alvos
Jovens e negros seguem como os principais alvos da letalidade policial em São Paulo. No primeiro semestre de 2025, das 365 pessoas mortas por policiais, 191 eram negras (52%). A imensa maioria das vítimas, 98%, era formada por homens. Apenas três mulheres foram assassinadas no período e, em dois casos, o sexo da vítima não foi identificado. A faixa etária predominante também reforça o perfil das vítimas: 58,4% tinham entre 19 e 35 anos, enquanto cerca de 9% eram adolescentes com até 18 anos.
Entre os jovens mortos está Nicolas Alexandre Pereira dos Santos de Oliveira, de 19 anos. Negro e morador de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, ele foi morto em maio por policiais militares que patrulhavam a comunidade. Três agentes admitiram ter atirado, dois deles com fuzis. Nicolas foi atingido na mão esquerda, braço direito, cintura e perna esquerda. Segundo um familiar ouvido pela Ponte, o jovem não estava armado.
“A exploração capitalista se estrutura em cima da exploração racial, antes o projeto era explorar os corpos negros até a morte, agora com o avanço das tecnologias que dispensam uma grande quantidade de mão de obra, é necessário descartar esta mão de obra. O genocídio do povo negro agora ganha outro desenho: a eliminação destes corpos através da execução policial. Uma outra forma é o encarceramento em massa que além de aprisionar os corpos indesejáveis, negros pobres e periféricos, ainda alimenta a reprodução do lucro”, diz Regina Lucia Santos, coordenadora estadual do Movimento Negro Unificado (MNU) em São Paulo.
Em uma nota técnica sobre a letalidade no primeiro semestre, o Instituto Sou da Paz destacou que é a capital paulista quem concentra a maior parte das mortes pela policia no estado: foram 148 casos no primeiro semestre, o que representa 40% do total.
Os distritos policiais com mais registros na cidade de São Paulo foram o 37º DP (Campo Limpo) e o 49º DP (São Mateus), ambos com seis vítimas, seguidos pelo 90º DP (Parque Novo Mundo), com cinco, e pelo 11º DP (Santo Amaro) e 12º DP (Pari), com quatro cada um. Em todas essas regiões, os homicídios cometidos por agentes do Estado representaram ao menos um terço das mortes violentas intencionais no período. Nos DPs de Santo Amaro e São Mateus, a proporção foi ainda maior: 80% e 60%, respectivamente.
Para Rafael Rocha, coordenador de projetos do Sou da Paz “ainda que com uma leve redução das mortes cometidas por policiais em serviço na capital, a manutenção destas ocorrências em um patamar altíssimo, com o dobro de mortes cometidas por policiais em serviço no 1º semestre deste ano do que na comparação com 2022 e 2023, e a concentração destas mortes em bairros periféricos é mais uma prova que a atual gestão optou não apenas por uma política de segurança pública pautada no confronto, mas pelo enfraquecimento de mecanismos e políticas de profissionalização do uso da força criadas pela própria PMESP”, analisa.
MP-SP registra número diferente
O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp), também registra e divulga dados sobre letalidade policial. No primeiro semestre de 2025, o órgão contabilizou 366 mortes causadas por agentes do Estado — uma a mais do que o número divulgado pela SSP-SP.
Em geral, os dados do MP-SP são disponibilizados antes dos da SSP, que costuma consolidar os números apenas ao final do mês seguinte ao período analisado.
Segundo o MP, das mortes registradas, 350 foram causadas por policiais militares e 16 por policiais civis. O levantamento também aponta que a Guarda Civil Metropolitana (GCM) foi responsável por 17 mortes no semestre.
O que dizem as autoridades
A reportagem questionou a SSP-SP sobre os dados de letalidade policial, o perfil das vítimas e as denúncias envolvendo a atuação de agentes em serviço. Em nota, a pasta disse que desde o início da gestão mais de mil policiais civis e militares foram presos, demitidos ou expulsos, “reforçando o compromisso de São Paulo com a legalidade”.
Leia na íntegra a nota da SSP-SP
A Secretaria de Segurança Pública investe continuamente na recomposição e capacitação do efetivo, além da atualização de protocolos operacionais e na aquisição de equipamentos de menor potencial ofensivo visando à redução da letalidade. Além disso, há comissões direcionadas para análise das ocorrências, visando ajustar procedimentos, revisar treinamentos e aprimorar as estruturas investigativas. Desde o início da atual gestão, mais de mil policiais civis e militares foram presos, demitidos ou expulsos, reforçando o compromisso de São Paulo com a legalidade.
A Polícia Metropolitana de Londres prendeu mais de 365 manifestantes neste sábado (9), no centro da capital britânica, no maior ato relacionado ao grupo “Palestine Action” desde que a organização foi classificada como terrorista, em julho deste ano. As informações são do jornal “The Guardian” e da agência de notícias Reuters.
O protesto, convocado pelo movimento “Defend Our Juries”, reuniu centenas de pessoas na Praça do Parlamento, onde manifestantes exibiram cartazes pró-Palestina e expressaram oposição à postura do governo do Reino Unido nos conflitos em Gaza.
O que á “Palestine Action”?
É um grupo ativista pró-Palestina que organiza ações diretas contra empresas britânicas envolvidas com Israel, especialmente desde o início do conflito em Gaza.
O grupo ficou conhecido por invadir e vandalizar instalações militares do Reino Unido, como bases da Força Aérea britânica, com o objetivo de chamar atenção para o envolvimento britânico no apoio militar a Israel.
O “Palestine Action” justifica suas ações afirmando que o Reino Unido é cúmplice e participante ativo nos crimes de guerra em Gaza, ao fornecer apoio logístico e militar a Israel.
Por ordem do governo britânico, filiar-se ao grupo ou apoiá-lo é crime, com pena de até 14 anos de prisão. Segundo o Ministério do Interior afirmou à época da proibição, a medida “não é sobre a Palestina” e não restringe manifestações em defesa dos direitos palestinos.
Neste sábado, um porta-voz do “Defend Our Juries” destacou que a presença “sem precedentes” de pessoas no ato, correndo o risco de encarceiramento, demonstra “o quão enojadas e envergonhadas elas estão com a contínua cumplicidade do nosso governo [o britânico] em um genocídio transmitido ao vivo”.