Daniel Vorcaro, responsável por desvios bilionários, é preso novamente pela PF

A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira (4) o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, durante a terceira fase da operação Compliance Zero. A nova etapa da investigação mira um esquema de fraudes financeiras e tem como alvo, além de Vorcaro, há mandados de prisão contra outras três pessoas ligadas ao caso. Também estão sendo cumpridos 15 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Tanto as prisões como as buscas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal

As investigações contaram com o apoio do Banco Central do Brasil.

Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.

A operação é um desdobramento das investigações que apuram irregularidades na estrutura financeira do Banco Master e na negociação de ativos suspeitos utilizados para captação de recursos no mercado.

Segundo investigadores, as apurações apontam para a existência de um conjunto de operações que teriam sido utilizadas para inflar artificialmente resultados financeiros e sustentar captações de recursos junto a investidores.

A terceira fase da operação ocorre após etapas anteriores que já haviam levado à apreensão de celulares, documentos e outros materiais considerados relevantes para o avanço das investigações.

A Polícia Federal também cumpre medidas judiciais relacionadas ao caso contra outros investigados. Além de Vorcaro, outras três pessoas — cujas identidades ainda não foram divulgadas — são alvo da operação e são apontadas pelos investigadores como integrantes do núcleo operacional das supostas irregularidades.

.As investigações continuam em andamento e novas diligências não estão descartadas.

Fonte: ICL

Trabalhadores do campo ocupam MDA e ruas de Maceió por reforma agrária

Prédios do Ministério da Agricultura e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) foram ocupados em Maceió.

Representação dos movimentos de luta pela terra em Alagoas ocuparam, no dia 01/03, o prédio onde funcionam o Ministério da Agricultura e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), na Avenida Fernandes Lima, em Maceió.

A ação cobra do Governo Federal maior celeridade na resolução das demandas para o avanço da reforma agrária no estado, em especial no que diz respeito às áreas da massa falida do Grupo João Lyra, que vivem sob ameaça de despejo.

As organizações demandam a desapropriação e compra imediata das usinas Laginha e Guaxuma e a suspensão de todos os despejos no estado.

Manifestações de ruas estão programadas enquanto durar a ocupação.

Fotos: Ricardo Marques

Fonte: Redação com Assessoria MST/AL

Encontro Lula e Trump é dúvida, diante guerra no Oriente Médio

O encontro entre Lula e Trump pode ser adiado devido à escalada do conflito no Oriente Médio. Saiba mais sobre as implicações e a posição do Brasil.

O encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump tende a ser adiado em face da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. Assessores graduados do governo brasileiro avaliam como certo que a reunião será adiada. Informações passada por três conselheiros próximos de Lula à mídia conservadora, na manhã desta segunda-feira, indicam que diplomatas de ambos os lados preferem aguardar “dias ou semanas” antes de marcar uma nova data.

Segundo as fontes, ainda que não tenha sido marcada uma data final para a visita de Estado, o Palácio do Planalto ainda trabalha com o hipótese de a cúpula ocorrer ainda neste mês. Publicamente, o próprio Itamaraty já confirmou que o cenário agora é outro, diante do agravamento das tensões no Oriente Médio. A avaliação interna é de que a agenda poderá ser transferida para o fim de março ou até abril, dependendo da evolução da guerra em curso.

O governo norte-americano também não apresentou, ainda, sugestões formais de datas para o encontro, embora Trump tenha citado, em conversa recente com Lula, a intenção de realizar uma visita de Estado, na Casa Branca. O diálogo entre Brasília e Washington, contudo, permanece ativo segundo os interlocutores, segundo os quais os canal direto de comunicação entre os dois presidentes não foi afetado pelos últimos acontecimentos.

Contexto

O cenário internacional, porém, é outro desde as ações militares que atingiram o Irã. Em retaliação, o país lançou mísseis e drones contra Israel e contra bases norte-americanas em diferentes pontos do Oriente Médio. Os ataques também atingiram o topo da liderança iraniana, resultando na morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, fato confirmado pelo próprio governo iraniano horas depois.

Com o agravamento do conflito, o governo Lula acompanha com cautela a escalada das tensões no Oriente Médio. Na avaliação do Palácio do Planalto, as tensões geopolíticas elevaram os riscos de estabilidade, no Oriente Médio. Interlocutores do presidente consideram que o uso da força contribui para um ambiente “altamente inflamável” e defendem que a saída para o impasse deve ocorrer por meio do diálogo e da negociação diplomática.

Assessores do governo têm dito que as intervenções militares conduzidas pelos Estados Unidos em conflitos anteriores — como no Iraque, Afeganistão e Líbia — são vistas como exemplos de ações que produziram consequências negativas e prolongadas. A posição predominante na administração federal é de que a guerra não constitui solução eficaz para disputas internacionais e de que a diplomacia oferece melhores resultados, inclusive em termos de custo-benefício político e humanitário.

Contenção

Em nota oficial divulgada no sábado, logo após o bombardeio a Teerã, o Ministério das Relações Exteriores condenou os ataques promovidos por EUA e Israel em território iraniano. O governo brasileiro apelou para que os países envolvidos respeitem o Direito Internacional e “exerçam máxima contenção”.

No comunicado, a pasta afirmou que “os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”. A declaração faz referência às tratativas relacionadas ao programa nuclear iraniano, tema que há décadas gera impasse entre Teerã e Washington. A Casa Branca, assim como Israel e outros países ocidentais, sustenta que o Irã busca desenvolver armas nucleares, acusação que é negada pelo governo de Teerã.

Fonte: Correio do Brasil

ONU exige investigação sobre ataque de Israel e EUA que assassinou 165 meninas no Irã

Organização das Nações Unidas (ONU) pede que os ataques contra uma escola de meninas no Irã sejam investigados e alerta que o bombardeio poderia constituir um crime de guerra.

Num comunicado emitido em Genebra nesta terça-feira, a entidade não apontou culpados para os ataques que deixaram 165 mortos. Mas insiste na necessidade de que os autores sejam identificados e punidos.

O apelo vem no dia em que milhares de pessoas participaram dos funerais das crianças, no Irã.

“No incidente mais mortal e devastador, dezenas de meninas teriam sido mortas e feridas quando sua escola primária em Minab, no sul do país, foi atingida durante o horário escolar”, disse a ONU. “O Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU, Volker Turk, exige uma investigação rápida, imparcial e completa sobre as circunstâncias do ataque. Cabe às forças que realizaram o ataque investigá-lo. Exigimos que divulguem as conclusões e garantam a responsabilização e a reparação das vítimas”, pediu.

Para a entidade, o medo, o pânico e a ansiedade vivenciados por milhões de pessoas no Oriente Médio e em outras regiões são palpáveis ​​– e eram totalmente evitáveis. “A situação está se agravando e se expandindo a cada hora, confirmando nossos piores temores”, disse a porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos.

Türk afirma estar profundamente chocado com os impactos das hostilidades generalizadas sobre civis e infraestrutura civil desde que o conflito eclodiu no sábado com os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, a resposta iraniana contra outros Estados da região, bem como a subsequente entrada do Hezbollah no conflito.

“As leis da guerra são cristalinas. Civis e bens civis são protegidos. Todos os Estados e grupos armados devem respeitar essas leis”, disse.

O Alto Comissário apela a todas as partes para que exerçam a máxima contenção, impeçam uma escalada ainda maior e tomem todas as medidas viáveis ​​para proteger civis, incluindo estrangeiros, bem como infraestruturas críticas. Retornar à mesa de negociações é a única maneira de pôr fim à matança, à destruição e ao desespero.

Até o momento, além do Irã e de Israel, as hostilidades afetaram outros 12 Estados, destruindo ou danificando residências, escritórios e empresas, aeroportos, infraestrutura energética, entre outras infraestruturas civis.

A ONU criticou todos os envolvidos no conflito.

“As forças armadas iranianas responderam aos ataques dos EUA e de Israel, lançando centenas de mísseis e drones, entre outros sistemas de armas, contra Estados em toda a região, matando civis e causando danos à infraestrutura civil”, disse. Na cidade israelense de Beit Shemesh, no centro do país, nove pessoas foram mortas quando um míssil atingiu uma área residencial.

“Estamos também profundamente preocupados com a escalada das hostilidades no Líbano, após o Hezbollah ter disparado uma série de projéteis contra Israel, e com os intensos contra-ataques israelenses, inclusive em Beirute. Exortamos ambas as partes a porem fim imediatamente a esta grave escalada de violência e a retomarem o cessar-fogo acordado”, afirmou.

A ONU ainda apontou que relatórios indicam que houve vítimas civis, danos à infraestrutura civil e um significativo deslocamento populacional em consequência dos ataques israelenses no sul do país e nos subúrbios do sul de Beirute. Informações recebidas apontam que quase 30.000 moradores fugiram das áreas afetadas durante a noite, somando-se aos 64.000 já deslocados.

“O direito internacional humanitário estabelece que qualquer ataque deve respeitar os princípios fundamentais da distinção e da proporcionalidade, e que devem ser tomadas precauções para proteger os civis. Ataques dirigidos contra civis ou bens civis, bem como ataques indiscriminados, constituem graves violações do direito internacional humanitário e podem configurar crimes de guerra”, afirmou.

Em todo o Irã, a ONU afirmou sua “profunda preocupação com o bem-estar da população, dado o histórico do governo de repressão com força letal em larga escala contra aqueles que se opõem ao seu regime e as novas ameaças de altos funcionários contra qualquer expressão de dissidência neste momento”.

“As autoridades são lembradas de sua obrigação, segundo o direito internacional dos direitos humanos, de salvaguardar as liberdades fundamentais dos iranianos”, disse.

“Também estamos preocupados com o fato de muitos iranianos estarem novamente sem acesso à internet e, portanto, com acesso limitado a informações essenciais, incluindo aquelas necessárias para buscar segurança em meio às hostilidades em curso. Exigimos o restabelecimento imediato dos serviços de telecomunicações”, insiste a ONU.

A entidade destacou ainda sua preocupação com o bem-estar de centenas de presos políticos que continuam detidos arbitrariamente no Irã. “Todos os esforços devem ser feitos para garantir sua proteção e instamos sua libertação imediata”, pediu.

Por fim, o Alto Comissário implora a todas as partes que recuperem o bom senso e ponham fim a esta violência. Ele apelou aos Estados para que defendam e respeitem a Carta das Nações Unidas, o direito internacional dos direitos humanos e o direito humanitário.

Fonte: ICL

Não às bombas assassinas dos EUA e Israel no Irã. Cessar imediatamente os bombardeios!

Comunicado do POI – Partido Operário Independente (França)

Em caráter extraordinário publicamos esta nota sobre os atos de guerra contra o Irã.

Cessar imediatamente os bombardeios!
Não à guerra contra o Irã!

Paris, 28 de fevereiro de 2026

Após terem transferido, há várias semanas, grande parte da frota estadunidense para o Golfo Pérsico, e apesar dos riscos de explosão que uma intervenção militar no Irã pode levar à região, Netanyahu e Trump decidiram bombardear Teerã e várias cidades iranianas em plena luz do dia.

O pretexto? A assinatura do acordo nuclear, para o qual Trump exige uma “capitulação” do Irã, segundo as palavras relatadas por seu enviado especial, Steve Witcoff.

Trump acaba de se dirigir hoje ao povo iraniano com estas palavras: “A hora da sua liberdade está próxima”. Toda a história recente demonstra o contrário, com as consequências dramáticas para os povos que podemos constatar.

Após dez anos de guerra e centenas de milhares de mortos no Afeganistão, os Estados Unidos se retiraram, deixando o país sangrando nas mãos dos talibãs. A intervenção militar no Iraque em 2003 fragmentou o país e a Síria está sofrendo o mesmo destino.

Quem pode acreditar que esses dois assassinos, Trump e Netanyahu, genocidas do povo palestino, estão bombardeando para salvar os iranianos da terrível situação em que se encontram há anos, também em consequência do bloqueio?

O que determina as intervenções imperialistas não tem nada a ver com os direitos dos povos e a democracia, mas têm tudo a ver com a defesa de seus próprios interesses, contraditórios aos dos povos.

Por sua vez, o POI está resolutamente com o povo iraniano, pelo seu direito de decidir livremente seu próprio caminho, e não sob as bombas dos assassinos.

Cessar imediatamente os bombardeios!

Não à guerra contra o Irã!

Fonte: petista.org.br

Desembargador investigado por vender sentenças é afastado pelo CNJ

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afastou o desembargador de Mato Grosso, Dirceu dos Santos, após investigações sobre a suspeita de que ele estaria vendendo sentenças favoráveis a terceiros, incluindo empresários e advogados. A operação, realizada pela Polícia Federal (PF) nesta segunda (2), resultou em diligências no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MG) para apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos.

As suspeitas contra Dirceu surgiram após a quebra de seus sigilos bancário e fiscal, que revelou um aumento patrimonial incompatível com os rendimentos declarados ao longo de sua carreira na magistratura. Em cinco anos, ele movimentou R$ 14,6 milhões, com uma variação patrimonial a descoberto, principalmente entre 2021 e 2023, período em que os ilícitos supostamente ocorreram.

De acordo com o CNJ, a diferença entre o incremento patrimonial e os rendimentos declarados foi de R$ 1.913.478,48 somente no último ano. O afastamento foi determinado pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, em resposta à gravidade das acusações.

A PF agora realiza a perícia dos documentos e equipamentos apreendidos durante a operação, que serão entregues ao CNJ para continuidade das investigações. O caso segue sob apuração, com a possibilidade de novas medidas contra o desembargador.

Fonte: DCM

Militarização das escolas aumentou mais de 20 vezes na última década

Em 2014, havia 48 escolas nesse modelo no país; em 2026, o total chegou a 1.389 unidades

O número de escolas militarizadas nas esferas estadual e municipal cresceu de forma contínua entre 2014 e janeiro de 2026, com crescimento acentuado a partir de 2021, segundo um levantamento feito pelo professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Fernando Cássio. Em 2014, havia 48 escolas nesse modelo no país. Em 2026, o total chegou a 1.389 unidades, o que representa um aumento de 28,9 vezes, ou 2.793,75%, no período.

No âmbito estadual, o total de unidades passou de 46 em 2014 para 937 em 2026. O crescimento ocorreu de forma gradual até 2020, quando o número chegou a 212 unidades. A partir de 2021, houve uma aceleração significativa, com o total subindo para 458 e mantendo um ritmo anual de expansão entre 100 e 150 novas unidades.

A nível municipal, o avanço foi proporcionalmente maior, apesar de partir de uma base menor. Até 2014, havia apenas duas unidades militarizadas em municípios. O crescimento começou a se intensificar em 2017, quando o número chegou a 14, e seguiu em expansão no ano seguinte, com 29 unidades. Em 2026, chegou-se ao número de 452 unidades.

O professor Fernando Cássio afirma que a militarização se baseia na lógica da escolha escolar, o que a literatura internacional chama de “school choice” em inglês, que se intensificou nos últimos anos. “É a ideia de que existe um mercado de tipos de escola, e a população pode escolher onde quer estudar: se em uma escola militarizada, gerida por organização social ou uma escola charter. É um argumento de mercadorização”, afirma. 

No modelo estadual, o Paraná aparece com ampla vantagem, com 345 unidades. Mato Grosso ocupa o segundo lugar, com 134 unidades, e São Paulo aparece em seguida, com 100. Os três estados concentram a maior parte das iniciativas no modelo coordenado pelos governos estaduais.

Já no âmbito municipal, a Bahia ocupa o primeiro lugar, com 116 unidades militarizadas. O Maranhão aparece logo atrás, com 101 unidades, e Goiás, com 50. No segmento privado, o Paraná volta a liderar, com nove unidades. O Ceará aparece na sequência, com cinco, e o Rio de Janeiro soma quatro unidades militarizadas sob gestão privada.

“Esse projeto está dentro da lógica geral da privatização e da crença de que se pode ter um mercado com ofertas diferenciadas dentro do sistema público. O projeto liberal casa com isso”, afirma Cássio. Para o pesquisador, a militarização também é apresentada como uma solução para problemas estruturais da educação pública e passa a integrar um conjunto de políticas que inclui privatização e expansão do ensino integral.

O professor, no entanto, aponta para contradições. “Qual é a evidência de que a escola militarizada é melhor que as outras? Mesmo que fosse, qual o sentido de retroceder em conquistas históricas da educação, como o reconhecimento das diferenças e das diversas maneiras de ser criança e adolescente? Uma criança trans em uma escola militarizada provavelmente vai evadir. Os relatos de abusos e racismo são abundantes”, diz.

São Paulo

No início de fevereiro, a Justiça de São Paulo suspendeu as regras que determinam o comportamento dos alunos das escolas cívico-militares implementadas pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no estado.

Na decisão, a juíza Paula Narimatu, da 13ª Vara da Fazenda Pública da capital, afirmou que as normas têm potencial discriminatório e podem atingir estudantes de grupos minoritários. Segundo ela, a exigência de cores naturais e tonalidades discretas para cabelos e a proibição de determinados adereços podem restringir expressões culturais afro-brasileiras. 

A magistrada registrou que as restrições “são particularmente graves e têm o potencial discriminatório dessas normas contra alunos que integram grupos minoritários, proibindo indiretamente expressões culturais afro-brasileiras, como penteados tradicionais, tranças específicas ou cortes característicos da cultura”.

Além de suspender as regras, a Justiça proibiu militares de ministrarem aulas nas escolas do programa. A decisão determina que sua atuação fique restrita ao apoio em programas específicos, orientação sobre segurança escolar, promoção do respeito, organização do ambiente e desenvolvimento de projetos extracurriculares. 

Segundo a juíza, essas funções devem se limitar às “atividades dos monitores cívico-militares, restringindo-as ao apoio em programas específicos, orientação em segurança escolar, promoção do respeito e cultura de paz, orientação para ambiente organizado e disciplinado, implementação de projetos extracurriculares cívico-militares e acionamento da Polícia Militar quando necessário”.

Recentemente, uma reportagem da TV Globo mostrou policiais atuando dentro da Escola Estadual Professora Luciana Damas Bezerra, em Caçapava (SP), que iniciou o ano letivo no modelo cívico-militar. Durante a gravação, eles foram flagrados escrevendo palavras de forma incorreta no quadro enquanto orientavam os alunos. Entre os erros registrados estavam as palavras “descançar” e “continêcia”. No primeiro caso, a grafia correta é descansar, com a letra s na última sílaba. No segundo, o correto é continência, com a presença da letra n antes da letra c.

As imagens mostram os agentes conduzindo atividades em sala, apesar de decisões judiciais que restringem a atuação de militares a funções de apoio e vedam a participação direta no ensino pedagógico.

Fernando Cássio afirma que “o curioso” caso de Caçapava “é que as pessoas se chocam com os erros ortográficos e o debate descamba para algo moralista. Poucas pessoas se perguntaram o que aquele policial estava fazendo dentro da sala de aula escrevendo no quadro. O regimento das escolas cívico-militares de São Paulo diz que a função desses policiais é fiscalizar corredores e pátios. Ele não deveria estar lá, escrevendo certo ou errado”, relembra. 

Segundo o pesquisador, São Paulo ainda não atingiu a mesma dimensão observada em outros estados, mas o tema no estado ganha repercussão nacional devido à visibilidade da imprensa e às ações judiciais contra as “regras discriminatórias”, embora normas semelhantes estejam em vigor em todo o país.

Além da visibilidade nacional, a intensificação da militarização em São Paulo é recente e contribuiu para colocar o tema no centro do debate público. Foi no ano passado que o governo estadual aprovou o Programa Escola Cívico-Militar e no início deste ano que as 100 escolas passaram a funcionar nesse modelo. 

Paraná

No Paraná, o modelo começou a ser aplicado em 2021, dois anos após o ex-presidente Jair Bolsonaro lançar o programa de escolas cívico-militares, em 2019, em todo o país. A nível nacional, a política foi descontinuada, mas seguiu vigente na maior do país por iniciativa dos próprios estados. 

João Campos, professor de Pedagogia no Instituto Federal do Paraná (IFPR) e integrante da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, afirma que o modelo cívico-militar no estado também é um desdobramento de agendas neoliberais e conservadoras. “No Paraná, tem avançado muito essa pauta das escolas cívico-militares como parte de uma pauta conservadora, a partir do governo Beto Richa e depois no de Ratinho Júnior, que segue o pensamento liberal de privatizar inclusive as escolas”, diz. 

Segundo o professor, a adoção do modelo cívico-militar também implica em mudanças na estrutura pedagógica e no acesso de determinados grupos à escola. Ele afirma que “outra perda para as escolas que aderem a esse modelo é o fim dos cursos técnicos e do ensino noturno”, o que reduz as possibilidades de atendimento a estudantes trabalhadores. Sem o período noturno, esses alunos têm dificuldades para concluir a educação básica, já que muitos trabalham durante o dia.

De acordo com os programas das escolas cívico-militares, não há obrigatoriedade legal de encerrar cursos técnicos ou o ensino noturno. No entanto, na prática, esses formatos frequentemente são reduzidos ou descontinuados, porque o modelo prioriza atividades diurnas com rotinas mais rígidas, como formaturas, acompanhamento disciplinar e maior presença de monitores, o que dificulta sua adaptação ao período noturno.

Os cursos técnicos também podem ser afetados, já que exigem estruturas específicas, carga horária ampliada e organização curricular própria. Nesses casos, as secretarias de educação podem optar por reorganizar a rede, transferindo essas modalidades para outras unidades e convertendo a escola cívico-militar em uma unidade voltada ao ensino regular diurno.

“É uma situação bem preocupante. Uma das questões é que o modelo desvia a própria finalidade dos recursos da educação para pagar salários de militares aposentados. Esse é um dos dados que tem sido apontado como um problema”, afirma. 

Diferença entre escolas militares e militarizadas

De acordo com Fernando Cássio, as escolas militares possuem respaldo legal e são mantidas diretamente pelas Forças Armadas ou por forças auxiliares, como as polícias militares estaduais. Neste grupo, estão os colégios do Exército, da Marinha, da Força Aérea e algumas unidades vinculadas às polícias militares, onde a gestão é feita por militares, os professores pertencem às corporações e todas as decisões são tomadas nesse âmbito.

No Brasil, existem 94 escolas militares, sendo 69 estaduais e 25 federais. Somente em Minas Gerais, 30 são militares. Um exemplo é o Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais, uma rede com 27 escolas que integra o Sistema de Ensino da Educação Básica da PMMG.

Já as escolas militarizadas pertencem formalmente às redes públicas de ensino e são financiadas pelas secretarias estaduais ou municipais de educação. Nesses casos, afirma o pesquisador, não se trata de escolas militares no sentido legal, mas de unidades civis que adotam um modelo com participação de agentes das forças de segurança. A distinção é conceitual e tem implicações administrativas, especialmente porque envolve o pagamento de salários a militares com recursos das secretarias de educação.

Como ocorre a militarização de escolas municipais e privadas?

A militarização de escolas municipais e privadas no Brasil ocorre por meio de convênios com governos estaduais e pela contratação de policiais, mesmo que a Polícia Militar seja uma instituição subordinada aos estados. Esses mecanismos permitem que agentes atuem em unidades de ensino fora da rede estadual, principalmente em funções disciplinares e administrativas.

No caso das escolas municipais, a presença de policiais militares depende de acordos formais entre prefeituras e governos estaduais. Por meio desses convênios, o estado autoriza a cessão de agentes para atuar nas escolas, enquanto o município pode assumir custos operacionais, como gratificações e estrutura. Os policiais permanecem vinculados à corporação estadual, mas passam a exercer atividades dentro da rede municipal.

Alguns estados também criaram programas próprios de escolas cívico-militares e abriram a adesão para municípios. Nesses modelos, a gestão pedagógica continua sob responsabilidade de professores e diretores civis, enquanto os policiais militares assumem funções ligadas à disciplina, organização e controle do ambiente escolar. Estados como São Paulo, Goiás, Paraná e Minas Gerais implementaram iniciativas desse tipo.

Já nas escolas privadas, a militarização geralmente ocorre por meio da contratação direta de policiais da reserva ou aposentados, que passam a atuar como funcionários civis. Também há casos em que policiais da ativa participam de programas autorizados pelos governos estaduais para exercer atividades remuneradas fora do horário de serviço. Nessas situações, os agentes não atuam formalmente como força policial, mas aplicam práticas de organização e disciplina inspiradas na estrutura militar. De acordo com o levantamento, existem 29 escolas militarizadas privadas no país.

Secretaria de Educação de SP defende modelo

A Secretaria Estadual da Educação de São Paulo (Seduc-SP) foi questionada pela reportagem do Brasil de Fato e, em nota, afirmou que o Projeto de Lei Complementar 9/2024, que deu origem ao Programa Escola Cívico-Militar, foi aprovado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) em maio de 2025.

Além disso, a pasta alegou que a proposta tem como objetivo melhorar a qualidade de ensino “com aferição pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb)”. O modelo está implantado em 100 escolas da rede estadual com capacidade para atender 53 mil alunos e não há previsão da inauguração de unidades em 2026.

“Os monitores militares participaram de um curso de capacitação, com carga horária mínima de 40 horas, ministrado pela Seduc-SP em parceria com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), focado em temas relacionados ao regimento interno, à psicologia escolar, ao ambiente escolar e desafios contemporâneos, à cultura de paz e segurança escolar. Todos os militares do Programa Escola Cívico-Militar serão avaliados periodicamente, por diretores e alunos, e submetidos ao processo semestral de avaliação de desempenho para verificar adaptação e permanência no modelo”, diz outro trecho da nota.

Fonte: Brasil de Fato

Gilmar proíbe MP e tribunais de acelerar farra de pagamentos de penduricalhos

Só podem ser pagos valores retroativos que já estão programados, decide ministro

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira (27) proibir que o Ministério Público e tribunais realizem reprogramações financeiras para acelerar para o pagamento de penduricalhos.

Mendes reiterou decisão proferida, na última terça-feira (24), para proibir o pagamento dos benefícios, concedidos aos servidores dos dois órgãos e que, somados ao salário, não cumprem o teto remuneratório constitucional de R$ 46,3 mil.

“Está vedada a reprogramação financeira com objetivo de concentrar, acelerar ou ampliar desembolsos, tampouco a inclusão de novas parcelas ou de beneficiários não contemplados no planejamento original”, decidiu.

Julgamento de penduricalhos foi adiado

A decisão foi tomada após o Supremo adiar para 25 de março a votação das decisões que suspenderam o pagamento de penduricalhos.

Segundo Mendes, somente podem ser pagos os valores retroativos que já estão programados e que foram reconhecidos legalmente.

O ministro também determinou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) prestem, em 48 horas, esclarecimentos sobre o cumprimento da decisão que suspendeu os penduricalhos.

Fonte: ICL

Infanticídio: Trump e Netanyahu assassinaram 148 na escola de meninas no Irã

Ataque a colégio feminino em Minab eleva número de mortos para 148 e aprofunda crise após ofensiva militar conjunta entre Estados Unidos e Israel

Subiu para 148 o número de mortos no ataque que atingiu a escola primária de meninas Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, província de Hormozgan, no sul do Irã, segundo informações divulgadas por veículos estatais iranianos e publicadas pela Al Jazeera. O bombardeio ocorreu no contexto de uma ofensiva militar conjunta entre Estados Unidos e Israel iniciada na manhã de sábado.

De acordo com a Mizan News Agency, agência oficial do Poder Judiciário do Irã, a escola foi diretamente atingida durante a operação militar. A nova atualização eleva para 148 o total de mortos, além de dezenas de feridos, após a consolidação dos números pelas autoridades iranianas.

A agência estatal IRNA informou que equipes de resgate continuam trabalhando na remoção dos escombros e no atendimento às vítimas. Anteriormente, havia sido reportado que ao menos 63 pessoas ficaram feridas. O ataque integra uma série de ações militares atribuídas por Teerã à aliança entre Washington e Tel Aviv, que vêm provocando uma escalada de violência regional.

Governo iraniano denuncia morte de “crianças inocentes”

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, compartilhou uma imagem do local atingido e afirmou que o ataque destruiu a escola e matou “crianças inocentes”.

“Esses crimes contra o povo iraniano não ficarão sem resposta”, escreveu Araghchi em publicação na rede X.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, classificou o bombardeio como um “crime flagrante” e pediu uma ação imediata do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Além do ataque em Minab, a agência Mehr informou que pelo menos dois estudantes morreram em outro bombardeio israelense que atingiu uma escola a leste da capital, Teerã.

Questionamentos sobre alvos militares

Reportando de Teerã, o jornalista Mohammed Vall, da Al Jazeera, afirmou que os ataques colocam em xeque as declarações de Estados Unidos e Israel de que estariam atingindo apenas alvos militares.

“Eles dizem que estão mirando apenas alvos militares e tentando punir o regime, não o povo do Irã.”

Segundo Vall, o presidente Donald Trump — atual presidente dos Estados Unidos — havia prometido ao povo iraniano que ajuda estaria a caminho, mas os acontecimentos recentes indicam a existência de vítimas civis.

“O presidente Trump prometeu ao povo iraniano que ajuda ou apoio estavam a caminho, mas agora estamos vendo vítimas civis; isso é algo que o governo iraniano irá destacar como um caso de violação do direito internacional e uma agressão contra o povo iraniano”, afirmou.

Até o momento, não houve reação oficial imediata por parte dos Estados Unidos ou de Israel às acusações envolvendo os ataques às escolas.

Histórico recente de confrontos

A atual escalada ocorre após confrontos anteriores entre Estados Unidos e Irã, incluindo os ataques de junho de 2025, que desencadearam uma guerra de 12 dias. Naquele episódio, segundo o Ministério da Saúde e Educação Médica do Irã, milhares de civis foram mortos ou feridos, além de danos significativos à infraestrutura pública.

O ataque à escola em Minab amplia a tensão no Oriente Médio e reforça as denúncias iranianas de que civis, incluindo crianças, estão entre as principais vítimas da ofensiva militar em curso.

Fonte: Brasil 247

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