Mais de 60 mil pessoas foram espionados ilegalmente por Bolsonaro e Ramagem

“Todas as 60.734 consultas realizadas no FirstMile durante a vigência do contrato com a Abin foram, assim, ilegais em qualquer contexto”, afirma o relatório da PF

A Polícia Federal identificou mais de 60 mil pessoas espionadas no governo Bolsonaro, entre 2019 e 2021, com o FirstMile, programa espião adquirido por R$ 5,7 milhões do governo de Israel, com dispensa de licitação e sem autorização judicial. Foram quase 1,8 mil telefones monitorados.

O inquérito afirma que “todas as 60.734 consultas realizadas no FirstMile durante a vigência do contrato com a Abin foram, assim, ilegais em qualquer contexto, e disso não se tem dúvida.”

O documento afirma ainda que “o desvirtuamento do emprego da ferramenta tecnológica foi revelado pelo monitoramento de cidadãos do espectro político, jornalistas, advogados e servidores públicos, atendendo a interesses exclusivos do doravante denominado núcleo político, desviando-se de sua suposta finalidade de auxiliar em operações de segurança em áreas de alta criminalidade.”

Tudo isso era feito com a plena ciência do então diretor-geral da Abin e atual deputado federal, Alexandre Ramagem (PL-RJ).

ARTICULADORES

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o filho dele, o vereador fluminense Carlos Bolsonaro (Republicanos), eram os principais articuladores, segundo a PF (Polícia Federal), da chamada “Abin Paralela”.

Essa é a conclusão do relatório da PF, que investiga o uso ilegal da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) durante o governo Bolsonaro. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes retirou o sigilo da investigação.

O documento da PF tem 1,2 mil páginas e indicia mais de 30 pessoas. Um dos destaques é que o ex-presidente Jair Bolsonaro e o filho dele, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), são indiciados como os principais responsáveis por direcionar a espionagem.

Toda essa investigação paralela teria como objetivo manter Bolsonaro no poder e promover ataques aos adversários políticos e agentes do Estado, que não estavam alinhados com as posições políticas do ex-chefe do Executivo.

BOLSONARO ERA O PRINCIPAL DESTINATÁRIO

O documento também mostra que o principal destinatário das ações ilegais era o ex-presidente Jair Bolsonaro, e que a “Abin Paralela” usava toda a estrutura da agência — inclusive servidores e recursos públicos —, para promover ataques a autoridades, instituições e até ao sistema eleitoral brasileiro.

Entre os espionados, ilegalmente, não havia apenas opositores do governo de Jair Bolsonaro. Tinha também jornalistas, influenciadores e até religiosos.

O inquérito da PF revela dezenas de alvos da espionagem clandestina dentro da Agência Brasileira de Inteligência, como os ministros do STF, Alexandre de Moraes, na época ele era presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e Luís Roberto Barroso, atual presidente da Corte.

OUTROS BISBILHOTADOS

Os deputados federais Kim Kataguiri (União-SP) e Arthur Lira (PP-AL), os senadores Omar Aziz (PSD-AM), Renan Calheiros (MDB-AL) e Randolfe Rodrigues (PT-AP), e o delegado do caso Marielle, Daniel Freitas da Rosa.

Também Evair Vieira de Melo (PP) e João Campos (PSB), hoje prefeito do Recife (PE), além do senador Alessandro Vieira (MDB) e do advogado Walfrido Warde.

A Abin também foi utilizada para interferir nas investigações da Polícia Federal contra Jair Renan Bolsonaro, filho do ex-presidente, e atual vereador de Balneário Camboriú (SC), eleito em 2024.

Agentes da inteligência receberam a missão de caçar podres de Alan Gustavo Lucena do Norte, ex-sócio e personal trainer de Jair Renan.

Fonte: Hora do Povo

Governo Lula estuda ação no STF para barrar alta na conta de luz feita por deputados bolsonaristas

O governo revisou estimativas e pode barrar aumento de R$ 35,06 bilhões nas contas de luz, com impactos significativos até 2040. Entenda os ‘jabutis’ que pressionam os custos.

O governo revisou os cálculos sobre os impactos financeiros da inclusão de dispositivos alheios ao tema central — os chamados ‘jabutis’ — no Projeto de Lei  (PL) que trata da regulamentação da energia eólica offshore. A nova projeção aponta que, caso o texto seja mantido com as alterações aprovadas pelo Congresso Nacional, o custo total para os consumidores poderá ultrapassar R$ 525 bilhões até o ano de 2040.

A estimativa, feita por técnicos da Esplanada dos Ministérios, eleva o impacto anual previsto para R$ 35,06 bilhões — valor superior aos R$ 32 bilhões inicialmente calculados pelo Executivo. A análise do governo indica um peso significativamente maior do que o previsto pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE), que estimava um custo acumulado de R$ 197 bilhões até 2050.

Termelétricas

Entre os ‘jabutis’ que mais pressionam as contas, o mais oneroso seria a obrigatoriedade da contratação de usinas termelétricas movidas a gás natural, com volumes de energia e regiões já previamente estipuladas na legislação. Essa medida isoladamente deve provocar um aumento de R$ 20,6 bilhões por ano nas despesas, o que corresponde a R$ 309 bilhões em um período de 15 anos.

Outro item de impacto significativo é a contratação compulsória de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), que poderá custar R$ 12,4 bilhões anualmente, atingindo um total de R$ 186 bilhões até 2040.

As estimativas governamentais incluem ainda os custos com a contratação de usinas de hidrogênio e energia eólica, que somarão R$ 1,46 bilhão por ano — sendo R$ 1,2 bilhão referente ao hidrogênio e R$ 260 milhões à energia eólica terrestre. Em 15 anos, o montante chegaria a R$ 21,9 bilhões.

Por fim, a prorrogação do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) também entra na conta. O programa, que visa diversificar a matriz energética, teria impacto anual de R$ 600 milhões, acumulando R$ 9 bilhões no mesmo horizonte temporal.

Plano robusto

Ainda em medidas no setor energético, a subsecretária de do Ministério da Fazenda, Cristina Reis, anunciou na véspera que o governo vai publicar em julho o plano de implementação do mercado regulado de carbono, previsto em Lei. A informação passada durante um seminário sobre COP30 Amazônia.

— Temos a satisfação de dizer que um plano de implementação muito robusto está prestes a ser publicado — afirmou Cristina Reis.

Além do plano de aplicação, segundo Reis, o governo anunciará uma instância gestora provisória de governança do mercado de carbono. Um resumo do documento já havia sido divulgado na época da sanção da lei, mas agora será apresentado o relatório completo, com o passo a passo da implementação.

Fonte: Correio do Brasil

Geólogo denuncia venda de petróleo do Brasil para Israel

O geólogo Guilherme Estrella, pai do pré-sal, questionou, em entrevista à TV 247, a venda de petróleo brasileiro para o estado de Israel, que, na sua visão, perpetra um genocídio em Gaza. “É incompreensível que o Brasil mantenha relações diplomáticas com Israel”, afirmou Estrella. “Eu, como cidadão brasileiro, me sinto envergonhado.”

O geólogo criticou duramente a postura do governo em relação ao conflito entre Israel e o povo palestino. “Israel ultrapassou todos os limites e continua quebrando. É hora de dar um basta”, declarou. Para Estrella, a violência em Gaza está ligada não apenas a fatores geopolíticos ou religiosos, mas a interesses energéticos ocultos: “A ocupação da Faixa de Gaza também tem como uma das motivações a descoberta de grandes reservas de gás.”

“A aliança entre Israel e Estados Unidos visa garantir uma estabilidade energética para este polo que está decadente.”

Estrella denunciou ainda a contradição ética e política da exportação de petróleo brasileiro para Israel em meio a um genocídio. “O fato de o Brasil exportar petróleo para Israel está dentro de um contexto que precisa ser enfrentado. É um problema humanitário, ético e civilizacional.”

O ex-diretor da Petrobras defende que o Brasil adote uma política energética soberana, desvinculada dos ditames geopolíticos impostos pelo capital internacional. “O Brasil tem o privilégio de ter energia de todas as formas – e de maneira abundante. A energia no Brasil tem que ser barata. Não podemos ter o preço do petróleo ligado ao mercado internacional”, disse ainda Estrella.

Fonte: Brasil 247

Israel planeja matar 16 mil crianças de destrunição no campo de extermínio de Gaza

ONU alerta para aumento de mortes evitáveis e responsabiliza bloqueio imposto por Israel

O número de crianças afetadas pela desnutrição na Faixa de Gaza atingiu recordes históricos nos primeiros cinco meses de 2025. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 16.736 crianças com idades entre 6 meses e 5 anos foram internadas para tratamento de desnutrição aguda entre janeiro e maio deste ano, uma média de 112 novos casos por dia.

Ainda segundo o Unicef, há menos de dois anos, antes do início da invasão de Israel, a desnutrição infantil não existia em Gaza. Agora, diante da destruição provocada pelos ataques israelenses e do bloqueio à entrada de ajuda humanitária, crianças estão adoecendo por falta de comida, água potável e atendimento médico.

De acordo com o Unicef, somente em maio, 5.119 crianças foram admitidas para tratamento, número que representa um aumento de 50% em relação a abril e de 150% em relação a fevereiro, quando o cessar-fogo permitiu a entrada de ajuda humanitária. Entre elas, 636 crianças foram diagnosticadas com desnutrição aguda severa, a forma mais perigosa da condição.

“Cada um desses casos é evitável. O alimento, a água e os tratamentos que essas crianças precisam estão sendo impedidos de chegar a elas”, afirmou Edouard Beigbeder, diretor regional do Unicef para o Oriente Médio e Norte da África. “São decisões humanas que estão custando vidas.”

Desde o início dos ataques de Israel, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, 55.637 pessoas foram mortas e 129.880 feridas.

Seca provocada por Israel agrava quadro de fome

A destruição de sistemas de abastecimento de água e de saneamento, somada à escassez de combustível e aos bombardeios, compromete o funcionamento dos centros de tratamento. Dos 236 existentes, apenas 127 permanecem operando, ainda segundo o Unicef. A maioria foi danificada ou forçada a fechar devido a ordens de deslocamento.

Com a interrupção de serviços essenciais, cresce também o número de doenças relacionadas à água contaminada. A diarreia aguda já representa 25% dos casos registrados entre crianças em Gaza. Há também suspeitas de surtos de hepatite A, infecção que pode ser letal e tende a se espalhar ainda mais com a chegada do verão.

O Unicef alerta que desnutrição e doenças infecciosas formam um ciclo mortal: crianças com baixa nutrição têm maior risco de infecção e, ao mesmo tempo, doenças como a diarreia agravam ainda mais o quadro nutricional.

O fornecimento de alimento terapêutico – essencial para tratar os casos mais graves – está criticamente baixo e a entrada de novos suprimentos segue limitada.

“É um alerta urgente. É preciso ação imediata para conter a fome, a desnutrição e as mortes infantis que são totalmente evitáveis”, declarou Beigbeder. Ele reforçou que a ajuda humanitária e bens comerciais devem ter acesso garantido por todas as passagens fronteiriças, de forma rápida e segura.

O Unicef voltou a exigir o fim da violência, a proteção de civis e o respeito ao direito internacional. A agência também pediu a libertação de todos os reféns e a permissão imediata para a entrada de assistência humanitária.

Fonte: Brasil de Fato

Maioria dos brasileiros tem visão negativa sobre Israel, mostra pesquisa

Um levantamento feito pelo instituto de pesquisa de opinião Pew Research Center (EUA) apontou que a maioria da população brasileira tem uma visão negativa sobre Israel. De acordo com o estudo, esse índice é de 58%, tendo 44% uma visão “um pouco desfavorável” e 14% uma visão “muito desfavorável” sobre o regime sionista comandado pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Os brasileiros com uma visão “um pouco favorável” representam 28% dos consultados e os que manifestaram uma visão “muito favorável” são apenas 4% – 3,5 vezes menos do que os com visão “muito desfavorável”.

Segundo os números, 32% dos brasileiros disseram ter uma visão positiva sobre Israel, quase metade daqueles que têm uma visão negativa. Para cada brasileiro “muito favorável”, há 3,5 brasileiros “muito desfavoráveis” a Israel.

Pesquisadores colheram pessoalmente as entrevistas no Brasil, entre 8 de janeiro e 26 de abril deste ano.

Dados globais

A percepção negativa sobre Israel no Brasil, majoritária como demonstrado na pesquisa, está próxima à média global, que é de 62%. Foram entrevistados 28.333 adultos em 24 países. A visão negativa sobre o país asiático prevalece em 21 dos 24 países pesquisados.

Nos Estados Unidos, 53% dos cidadãos disseram-se desfavoráveis a Israel ao serem perguntados pelos pesquisadores do Pew Research Center. Pelas estatísticas, 19% dos entrevistados têm uma visão “muito desfavorável” de Israel, maior do que os apenas 13% com uma visão “muito favorável”.

No Canadá, 33% dos entrevistados afirmaram ter uma visão “muito desfavorável” do “estado” terrorista, mesmo percentual do total de visões favoráveis. Ao todo, 60% dos canadenses se disseram desfavoráveis a Israel.

A visão negativa é maior no México (61%), onde há muito mais visões “muito desfavoráveis” (32%) do que o total de visões favoráveis (24%) – são oito pessoas “muito desfavoráveis” para cada “muito favorável” a Israel.

A Argentina teve um índice de 46% de visão negativa sobre Israel, contra 26% de visão positiva.

Europa

A Europa é o continente com o maior percentual de visões desfavoráveis a Israel: 70%, contra 22% de visão favorável. Também é o continente com o maior percentual de visão “muito desfavorável”: 38%, contra 4% de visão “muito favorável”.

Para cada europeu com uma visão muito positiva sobre Israel, há 9,5 europeus com uma visão muito negativa.

A visão “muito desfavorável” alcança 78% dos holandeses. Os com um sentimento muito negativo são 45%, mais que o dobro do total de pessoas que veem Israel de forma positiva (19%).

A Espanha é a nação europeia com o maior percentual de visão extremamente negativa (46%) e com um total de 75% de visão desfavorável ao regime sionista israelense.

Com exceção da Hungria, todos os países europeus consultados têm o dobro de cidadãos contrários a Israel em relação aos favoráveis. Apenas Hungria e Alemanha têm o percentual de cidadãos “muito desfavoráveis” não é maior do que o de pessoas apenas parcialmente “favoráveis”.

Mesmo na Hungria, a maioria é contrária a Israel: 53% a 36%, existindo quatro vezes mais húngaros “muitos desfavoráveis” do que “muito favoráveis” a Israel.

O regime de extrema-direita de Viktor Orbán, onde organizações neonazistas atuam livremente e influenciam a política e a opinião pública com o beneplácito do governo, é um aliado de Tel Aviv, sempre votando a favor de Israel nas resoluções da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Maiores repúdios

A Turquia foi o país consultado com o maior percentual de cidadãos contrários a Israel: 93% dos turcos têm uma visão “desfavorável”, com uma prevalência absoluta da visão “muito desfavorável” (84%).

Só 4% dos turcos se disseram favoráveis ao regime de morte israelense (talvez os empresários que alimentam a indústria assassina sionista por debaixo do pano). Esse é o menor índice do mundo de pessoas favoráveis a Israel.

A Indonésia é o segundo país com o maior percentual de cidadãos desfavoráveis (80%), seguida pelo Japão (79%). Este último também é o segundo país com menos apoio a Israel (13%), depois da Turquia (com Fepal).

Fonte: Brasil 247

Moraes manda investigar juiz por soltar bolsonarista

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de investigação contra o juiz Lourenço Migliorini Fonseca Ribeiro, da Vara de Execuções Penais de Uberlândia (MG). A decisão foi tomada após o magistrado autorizar a soltura de Antônio Cláudio Alves Ferreira, condenado a 17 anos de prisão por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Segundo Moraes, o juiz não tinha competência legal para conceder a progressão de regime.

Na decisão, Moraes apontou que, além da ausência de competência, Antônio Cláudio não havia cumprido o tempo mínimo de pena para obter o benefício. O mecânico foi solto nesta semana, após dois anos e quatro meses de detenção, e saiu do Presídio Jacy de Assis, em Uberlândia, sem qualquer monitoramento eletrônico. “A conduta do juiz deve ser apurada pela autoridade policial no âmbito deste Supremo Tribunal Federal”, escreveu o ministro.

A justificativa apresentada pelo juiz para autorizar a progressão ao regime semiaberto mencionava a indisponibilidade de tornozeleiras eletrônicas em Minas Gerais. No entanto, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) negou a informação, afirmando que o sistema de monitoramento eletrônico possui mais de 12 mil vagas contratadas, das quais cerca de 4 mil seguem disponíveis.

Quem é Lourenço Migliorini Fonseca Ribeiro

Natural de Minas Gerais, Lourenço Migliorini é juiz desde 2006 e atua na Vara de Execuções Penais de Uberlândia desde 2013. É especialista em Direito Civil e atualmente cursa mestrado em Direito das Relações Econômicas. Também já atuou como professor e assessor judicial, além de ter coordenado o Grupo de Monitoramento do Sistema Carcerário do TJMG.

O juiz também atua como formador na Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (ENFAM) e na Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (EJEF/MG), além de já ter participado de cursos em escolas da magistratura em diferentes estados. Ele foi membro titular da 2ª Turma Recursal de Uberlândia.

Coautor de duas publicações na área jurídica, Ribeiro adota postura reservada nas redes sociais. Seu perfil no Instagram é fechado e traz na descrição apenas: “Casado. Pai. Apaixonado por vinhos, viagens e boa comida”.

A decisão do STF de investigar o juiz reacendeu o debate sobre possíveis falhas no sistema de execução penal, principalmente em casos de grande repercussão como o dos atos de 8 de janeiro. A soltura de um condenado sem tornozeleira, contrariando a jurisprudência do Supremo, gerou críticas à condução do processo na instância local.

A reportagem do jornal O Tempo tentou contato com a Vara de Execuções Penais de Uberlândia, mas não obteve retorno. Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a comarca encontra-se em recesso.

Fonte: DCM

Mapa revela avanço da privatização, militarização e desmonte das escolas públicas de SP

Ferramenta interativa lançada pelo “Salvem a Escola Pública” expõe ataques à educação estadual e municipal, com mais de 140 escolas sob risco de privatização e até 100 em processo de militarização

Foi lançado nesta terça-feira (17), na subsede da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), na Vila Mariana, zona Sul de São Paulo, o Mapeamento dos Ataques à Educação Pública de São Paulo. A ferramenta interativa revela, com dados atualizados e abrangentes, o avanço da privatização e da militarização nas escolas públicas do Estado. A iniciativa também busca fortalecer a resistência e impulsionar a mobilização de educadores, estudantes e movimentos sociais em defesa da escola pública.

O levantamento, fruto da articulação entre movimentos sociais, sindicatos da educação e pesquisadores, revela que mais de 140 escolas da rede estadual já operam sob formas de gestão privatizada. Paralelamente, entre 50 e 100 escolas estão sendo transformadas em unidades cívico-militares ou estão em processo de adesão a esse modelo.

O monitor também mostra que a Prefeitura de São Paulo ensaia a adoção de práticas semelhantes, incluindo a presença da Guarda Civil Metropolitana dentro de unidades escolares municipais sob o pretexto de “reforço da segurança”. Além disso, projetos-piloto de gestão terceirizada foram anunciados em ao menos 50 escolas municipais.

“O mapa é estratégico, não é uma ferramenta qualquer, ele vai ajudar a ver melhor, vai ajudar a julgar melhor quais são as estratégias, quais são os apoios em cada um dos territórios e certamente vai nos ajudar a agir mais e agir melhor, agir juntos, fortalecendo as entidades, criando novas articulações”, destacou um dos presentes. “Essa ferramenta interativa vai facilitar muito para a gente construir esse debate”, disse outra articuladora. 

Durante o ato, que reuniu estudantes, pais, professores, diretores de escolas e parlamentares, os participantes condenaram, enfaticamente, os retrocessos impostos à educação pública estadual e municipal, conduzidos pela extrema direita, representada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). Entre as ofensivas, destacam-se o projeto das escolas cívico-militares, as iniciativas de privatização, a intervenção na gestão escolar — como o afastamento de diretores concursados —, além da política de plataformização, do fechamento de salas de aula e dos cortes no orçamento.

“É mentira que esses diretores foram afastados por conta do Ideb. Eles foram afastados porque fazem um trabalho diferenciado nas escolas. Eles foram afastados porque nessas escolas eles fazem uma gestão democrática. “(…) Se conseguir afastar esses, que são a resistência, que fazem a diferença, será fácil afastar o restante”, alertou Márcia Jacomini, doutora em educação e professora da Unifesp.  

Segundo ela, “a escola pública está sendo capturada, na sua forma e no seu conteúdo, pela lógica do capital, pela lógica do mercado, pela lógica de uma classe dominante que quer, cada vez mais, impor a miséria à classe trabalhadora e submeter o povo, cada vez mais, à condição de subalternidade”, completa a professora, que também integra o coletivo “Escola e Democracia”.

“Aquilo que eles dizem que a esquerda, os democratas querem fazer, eles estão tentando fazer. Querem doutrinar as crianças de uma maneira que elas só enxerguem aquilo que eles querem que seja enxergado”, disse, em alusão a projetos como o “Escola sem partido”, o presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Roberto Franklin de Leão. 

Travestido de neutralidade, o projeto Escola Sem Partido — defendido pelo MBL (Movimento Brasil Livre) sob o pretexto de combater a doutrinação ideológica por parte de professores — foi considerado inconstitucional pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

“Nós defendemos uma escola que liberta, a escola do caminho de Paulo Freire”, destacou Leão. Ele denunciou a plataformização do ensino, que substitui o professor em sala, enquanto impõe cobranças desumanas aos docentes. 

“Essa escola (reivindicada pelo movimento) vai contra os princípios daquilo que está sendo defendido pelo secretário da Educação de São Paulo (Renato Feder), que foi secretário da Educação do Paraná, que criou muitos problemas, que deixou lá o herdeiro, que tá fazendo com que professores adoeçam. Outro dia morreu uma professora lá, que sofreu um infarto motivado pela pressão – que nós não temos dúvida em falar que foi isso”, denunciou. 

O mapa lançado nesta terça representa mais que um levantamento técnico. Ele revela com precisão como a retirada de recursos do orçamento da educação pública, estimada em até R\$ 10 bilhões em alguns cálculos, coincide com a entrega de serviços essenciais a empresas privadas. 

Ao mesmo tempo em que escolas enfrentam falta de merenda, estrutura precária, ausência de professores e insegurança, o governo estadual canaliza verbas para contratos de concessão e para militarização, sem garantir qualquer transparência ou controle social. Por isso, “é preciso que mais reuniões como essa ocorram em todos os bairros de São Paulo, é preciso que a população acorde”, defendeu um dos participantes. 

Ricardo Guido, diretor da Apeoesp, relembrou a greve dos professores da rede estadual em 2015, que culminou no movimento “Não fechem minha escola”, em reação à proposta de reorganização escolar do governo estadual. A mobilização ganhou força com a ocupação das escolas pelos estudantes, forçando o governo a recuar. Segundo Guido, a ação articulou diversos movimentos, algo que ele considera fundamental também no momento atual.

A deputada Sirlene Maciel, da Bancada Feminista do PSOL na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), denunciou o autoritarismo do bolsonarista Tarcísio de Freitas e criticou o plano de “reestruturação” do Centro Paula Souza e a expansão das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs). “Farsa”. O que a gente tá vivenciando aqui no estado de São Paulo é um projeto fascista da reestruturação da educação.

“Estamos vivenciando um projeto do Tarcísio, que é levar, para 5 mil escolas do Estado a escola técnica, que nós sabemos que é uma grande farsa. Por quê? Porque ele tá levando um curso técnico sem laboratório, sem professor qualificado. A parlamentar, que pediu a inclusão do Paula Souza e das Etecs no mapa, denunciou a demissão, anunciada para o próximo dia 30, demissão de mais de 300 funcionários comissionados das Fatecs e das Etecs. 

Fonte: Hora do Povo

Nikolas e bolsonarista votam para encarecer a conta de luz

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O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), conhecido por discursos agressivos nas redes sociais, votou para derrubar o veto que impedia o aumento das tarifas de energia elétrica. A decisão, que favorece distribuidoras do setor, foi tomada enquanto o parlamentar estava no Japão, conforme revelou o jornalista Reinaldo Azevedo.

Nas redes, o silêncio e o sumiço causaram estranhamento até entre seus apoiadores.

Logo após a votação, o Instagram de Nikolas foi invadido por críticas. “Parabéns, deputado, agora nossa conta de luz vai subir, graças a você!”, escreveu uma seguidora. Outro usuário, que se identificou como eleitor de direita, questionou: “Votou para aumentar a luz dos pobres?”. Mensagens também lembraram outras decisões do deputado: “Votou a favor do fundão e agora ajuda a enfiar mais aumento na conta de luz. Contra o povo, como sempre”.

Diante da reação negativa, o gabinete de Nikolas emitiu uma nota afirmando que houve “erro material no preenchimento da cédula” e que o voto teria sido computado “de forma equivocada”. A justificativa padrão, amplamente usada por parlamentares quando são pressionados, só veio depois da onda de críticas.

O veto barrado previa evitar um repasse bilionário para as distribuidoras de energia, medida que agora poderá ser diretamente cobrada dos consumidores. Com a derrubada, abre-se espaço para que custos e encargos sejam adicionados à conta de luz paga pela população — especialmente os mais pobres, que sentirão os efeitos com mais intensidade.

Reinaldo Azevedo destacou ainda outra votação de Nikolas Ferreira feita durante sua estadia no Japão. Dessa vez, o deputado apoiou um veto do presidente Lula que barrava a concessão de indenização vitalícia a vítimas do vírus zika, sob a justificativa de ausência de indicação da fonte de custeio. No entanto, após o voto alinhado ao governo, Nikolas alegou novamente que havia se enganado.

Segundo o jornalista, o veto também tratava de indenizações para vítimas de chikungunya, e o argumento usado pelo Executivo era apenas técnico: não apontava de onde sairia o dinheiro. “Ele votou pela manutenção do veto e depois disse: ‘me enganei, votei sem querer’. É que ele não estava muito atento. Esse negócio de votar à distância confunde”, ironizou Azevedo.

O colunista também apontou a falta de transparência em relação à viagem de Nikolas ao Japão. Tentativas de obter informações com a assessoria do parlamentar não tiveram retorno, o que levantou ainda mais dúvidas. “Não sei se ele está em missão oficial. A turma dele não informou. Agora, ainda que esteja, poderia ter avisado. Nas redes, não tem nada”, observou.

Fonte: DCM

PF diz que Bolsonaro e Carlos integravam organização criminosa na Abin

Conclusão consta no relatório final do caso “Abin Paralela”

A Polícia Federal (PF) concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro e o seu filho, Carlos Bolsonaro, fizeram parte uma organização criminosa para comandar a realização de ações de espionagem clandestina de opositores na Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

A conclusão consta no relatório final das investigações do caso “Abin Paralela“, que foi finalizado ontem, quando a PF indiciou cerca de 30 investigados, entre eles, Carlos Bolsonaro. O sigilo do documento foi retirado hoje pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes.

O ex-presidente não foi indiciado porque responde às acusações sobre o uso clandestino da Abin na ação penal da trama golpista, que tramita no STF.

Conforme conclusão dos investigadores, ficou comprovado nas investigações o uso ilegal da Abin contra quem se opusesse ao denominado núcleo político, formado pelo ex-presidente e seu filho.

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“As evidências colecionadas ao longo da presente investigação não deixam dúvidas sobre a existência de um núcleo de propagação de desinformação, responsável pela produção e desinformação direcionada contra aqueles que se opusessem de forma contrária ao intento do núcleo político”, afirmou a PF.

De acordo com as investigações, foram monitorados ilegalmente o ministro Alexandre de Moraes, os ex-deputados Jean Willys, Rodrigo Maia, Joyce Hasselmann, o ex-governador de São Paulo João Dória e os jornalistas Leandro Demori e Mônica Bergamo.

Para os investigadores, Bolsonaro era o principal beneficiado pelas ações clandestinas.

“Jair Messias Bolsonaro figura como o principal destinatários do produto das ações clandestinas e da instrumentalização da Abin”, diz o relatório.

A investigação também apontou o uso ilegal do órgão para a propagação de desinformação para desacreditar o sistema eleitoral.

“Esta estrutura utilizou-se dos recursos da agência para atender interesses particulares de ordem política, incluindo ações destinadas a influenciar o resultado das eleições presidenciais de 2022”.

Conforme a apuração, as ações clandestinas foram implementadas durante a gestão do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, que é réu na ação penal da trama golpista e também foi indiciado, por meio do uso de policiais federais e outros servidores de confiança cedidos ao órgão e com a utilização ilegal do programa de monitoramento Firstmile.

Atual cúpula

A PF também indiciou a atual cúpula da Abin, formada pelo diretor-geral, Luiz Fernando Correa, sob a acusação de tentar obstruir a investigação sobre a “Abin Paralela”. José Fernando Moraes Chuy, atual corregedor, também foi indiciado.

“Este núcleo atuou para dificultar as investigações sobre a ORCRIM da gestão anterior, por meio de estratégias conjuntas com investigados, recalcitrância na entrega de provas (logs), ações para assediar e desacreditar a ex-corregedora, omissão sobre operações ilegais e potencial manipulação de informações e procedimentos internos”, concluiu a investigação.

Próximos passos 

Após receber o relatório final da PF, o ministro Alexandre de Moraes deve enviar o documento para apreciação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Caberá à procuradoria decidir se uma nova denúncia será protocolada contra os acusados ou se o caso será apensado nas ações penais sobre a trama golpista ocorrida durante o governo de Bolsonaro. 

Defesa

Após as conclusões da PF, Carlos Bolsonaro foi às redes sociais e insinuou que o indiciamento tem motivação política.

“Alguém tinha alguma dúvida que a PF do Lula faria isso comigo? Justificativa? Creio que os senhores já sabem: eleições em 2026? Acho que não! É só coincidência!”, declarou.

Agência Brasil entrou em contato com a Abin e aguarda retorno. O espaço está aberto para manifestação. 

Fonte: Agência Brasil

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