Agricultores aimarás de províncias de La Paz decidiram manter os protestos contra o governo da Bolívia e reforçaram a exigência de renúncia do presidente Rodrigo Paz Pereira. As mobilizações incluem bloqueios de estradas, adesão de sindicatos do transporte urbano à greve por tempo indeterminado e atos convocados por organizações sociais, as informações são da teleSUR.https://landing.mailerlite.com/webforms/landing/r9f0h9

Segundo a Telesur, a decisão foi reafirmada nesta terça-feira (19), durante uma assembleia realizada em El Alto, cidade vizinha à capital La Paz. Os manifestantes defenderam a consolidação dos bloqueios que, há cerca de duas semanas, afetam rotas para o interior do país e também a estrada que liga a região ao Peru.Play Video

O correspondente da teleSUR na Bolívia, Freddy Morales, informou que sindicatos de transporte urbano de El Alto anunciaram nas últimas horas sua adesão à greve por tempo indeterminado e aos bloqueios na cidade. A medida foi tomada em resposta ao que os setores mobilizados apontam como descumprimento de acordos anteriores pelo governo.

As reivindicações também acompanham a pauta da Central Operária Boliviana (COB) e de conselhos de bairro, que aderiram de forma ampla às mobilizações registradas na segunda-feira (18). Apesar da tensão política, o centro de La Paz manteve parte de suas atividades, ainda que com circulação reduzida de veículos em razão da escassez de combustível.

A crise ganhou força depois que uma marcha chegou a La Paz na segunda-feira, somando-se a atos convocados pela COB, por camponeses aimarás e por organizações sociais de El Alto. Os grupos tinham como principal palavra de ordem a saída de Rodrigo Paz da Presidência.

Durante os protestos na capital boliviana, forças de segurança prenderam 124 pessoas. Os manifestantes tentaram avançar em direção à Praça Murillo, área central do poder político boliviano, mas foram contidos com gás lacrimogêneo. O Ministério Público informou posteriormente que 95 dos detidos foram libertados.

Em meio à escalada das manifestações, o ministro do Governo, Marco Antonio Oviedo, afirmou que adotará uma “linha dura” contra bloqueios e contra qualquer ação que, segundo ele, busque desestabilizar a democracia ou o governo. A declaração ocorreu no contexto da política de endurecimento da resposta estatal aos protestos.

A Procuradoria-Geral da Bolívia também emitiu um mandado de prisão contra Mario Argollo, secretário-executivo da COB. Ele é acusado de supostos crimes como incitação à violência pública e terrorismo, entre outros. De acordo com as informações divulgadas, o dirigente sindical está foragido para evitar a captura.

As mobilizações são lideradas pela Central Operária Boliviana, pela Federação Sindical de Trabalhadores Mineiros da Bolívia (FSTMB), por organizações camponesas e por setores ligados ao ex-presidente Evo Morales. A articulação desses grupos transformou La Paz e El Alto nos principais focos da pressão social contra o governo.

Nos últimos dias, os bloqueios e protestos provocaram impactos no abastecimento de alimentos, medicamentos e combustível, afetando diretamente milhares de pessoas. A situação expôs o agravamento das tensões políticas e sociais no país, em meio a disputas dentro do movimento popular, críticas à condução econômica e cobranças relacionadas ao custo de vida.

A continuidade das manifestações indica que a crise boliviana segue sem solução imediata. Com a adesão do transporte urbano, a manutenção dos bloqueios e o avanço de medidas judiciais contra lideranças sindicais, o conflito entre o governo de Rodrigo Paz e os setores mobilizados tende a permanecer no centro da vida política do país.

Fonte: Brasil 247

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