Tiros para intimidar: acampados no Agreste de Alagoas denunciam novas ameaças

Acampamento Papa Francisco, em Arapiraca, sofre nova ameaça nesta semana com tiros disparados contra os barracos

Seguem as ameaças contra as famílias acampadas que, desde abril, ocupam a Fazenda Laranjal, hoje acampamento Papa Francisco, em Arapiraca, no Agreste de Alagoas. Os/as acampados/as denunciaram disparos de arma de fogo na noite da última segunda-feira (28), contra os barracos de lona.

O episódio ocorreu logo após a audiência de conciliação e visita técnica de órgãos responsáveis para o acompanhamento do caso na área, realizada pela Comissão de Solução de Conflitos Fundiários do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), acompanhada pelo Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (ITERAL), Promotoria da Vara Agrária e Ouvidoria do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) em Alagoas. Acampados relatam que os tiros ocorreram na rodovia e mais próximo ao acampamento.

Foi registrado Boletim de Ocorrência (B.O.) sobre o caso no 55º Distrito Policial de Arapiraca, relatando o momento de pânico que os trabalhadores vivenciaram naquele momento. “Tinham várias crianças brincando na porta do Acampamento que, para não serem atingidas, tiveram que se jogar no chão”, destaca trecho do B.O.

Precisamos que a segurança das famílias que vivem no Acampamento seja garantida, não podemos aceitar mais esse tipo de ameaça que coloca em risco a vida de várias pessoas, incluindo crianças e idosos”, sinalizou a coordenação do MST.

Essa não é a primeira ameaça que vive o Acampamento organizado pelo Movimento Sem Terra no Agreste de Alagoas. Desde sua ocupação, como parte da Jornada de Lutas em Defesa da Reforma Agrária em abril, os camponeses e camponesas vivem o amedrontamento e perseguição de pistoleiros e políticos da região na disputa pela área.

“É fato que a presença do MST aqui segue incomodando os poderosos da região, que mesmo com o envolvimento de órgãos estaduais e federais para mediar o conflito, continuam se achando superiores a tudo e querendo resolver na bala seus problemas com os trabalhadores”, denuncia a coordenação do Movimento.

Após a realização do Boletim de Ocorrência, o MST também deve reportar a denúncia ao Ministério Público Estadual, Tribunal de Justiça de Alagoas, além do ITERAL, para assegurar a integridade das famílias que vivem no acampamento Papa Francisco.

Fonte: MST

Lula: Brasil é soberano e interferência dos EUA é inaceitável

Nota do presidente é publicada após taxação e sanção a Moraes

presidente Luiz Inácio Lula da Silva emitiu uma nota oficial, na noite desta quarta-feira (30), em que defende a democracia e a soberania do país frente as iniciativas dos Estados Unidos (EUA) contra a economia e a Justiça brasileiras.

“O Brasil é um país soberano e democrático, que respeita os direitos humanos e a independência entre os Poderes. Um país que defende o multilateralismo e a convivência harmoniosa entre as Nações, o que tem garantido a força da nossa economia e a autonomia da nossa política externa. É inaceitável a interferência do governo norte-americano na Justiça brasileira”, afirmou Lula.  

Esta foi a primeira reação pública de Lula após o governo dos EUA anunciar uma sanção punitiva contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e, horas mais tarde, oficializar, por meio de uma ordem executiva do presidente Donald Trump, a taxação de 50% sobre produtos vendidos pelo Brasil, que contém, entretanto, uma lista de quase 700 exceções.  

Na nota, o presidente brasileiro manifesta solidariedade do governo federal a Moraes e diz que o magistrado é “alvo de sanções motivadas pela ação de políticos brasileiros que traem nossa pátria e nosso povo em defesa dos próprios interesses”.

“Um dos fundamentos da democracia e do respeito aos direitos humanos no Brasil é a independência do Poder Judiciário e qualquer tentativa de enfraquecê-lo constitui ameaça ao próprio regime democrático. Justiça não se negocia”, prossegue Lula.

O presidente lembra que a a lei no Brasil abrange cidadãos e todas as empresas e que atividades que afetem a vida da população e da democracia estão sujeitas a normas, incluindo plataformas digitais.

“A sociedade brasileira rejeita conteúdos de ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, discursos contra os direitos humanos e a democracia”.

A nota assinada pelo presidente ainda considera injustificável o uso de argumentos políticos para validar as medidas comerciais anunciadas pelo governo norte-americano contra as exportações brasileiras.

“O Brasil tem acumulado nas últimas décadas um significativo déficit comercial em bens e serviços com os Estados Unidos. A motivação política das medidas contra o Brasil atenta contra a soberania nacional e a própria relação histórica entre os dois países”, observa.

Por fim, o governo aponta disposição a negociar apenas aspectos comerciais da relação com os Estados Unidos, sem abrir mão dos instrumentos de defesa do país previstos em sua legislação, como é o caso da Lei de Reciprocidade Comercial, além de um plano de contingência para minorar os impactos econômicos das tarifas.

“Nossa economia está cada vez mais integrada aos principais mercados e parceiros internacionais. Já iniciamos a avaliação dos impactos das medidas e a elaboração das ações para apoiar e proteger os trabalhadores, as empresas e as famílias brasileiras”, conclui a nota oficial de Lula.

>> Confira a íntegra da nota oficial do presidente Lula:

O Brasil é um país soberano e democrático

O Brasil é um país soberano e democrático, que respeita os direitos humanos e a independência entre os Poderes. Um país que defende o multilateralismo e a convivência harmoniosa entre as Nações, o que tem garantido a força da nossa economia e a autonomia da nossa política externa.

É inaceitável a interferência do governo norte-americano na Justiça brasileira.  

O governo brasileiro se solidariza com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, alvo de sanções motivadas pela ação de políticos brasileiros que traem nossa pátria e nosso povo em defesa dos próprios interesses.

Um dos fundamentos da democracia e do respeito aos direitos humanos no Brasil é a independência do Poder Judiciário e qualquer tentativa de enfraquecê-lo constitui ameaça ao próprio regime democrático. Justiça não se negocia.

No Brasil, a lei é para todos os cidadãos e todas as empresas. Qualquer atividade que afete a vida da população e da democracia brasileira está sujeita a normas. Não é diferente para as plataformas digitais.

A sociedade brasileira rejeita conteúdos de ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, discursos contra os direitos humanos e a democracia.

O governo brasileiro considera injustificável o uso de argumentos políticos para validar as medidas comerciais anunciadas pelo governo norte-americano contra as exportações brasileiras. O Brasil tem acumulado nas últimas décadas um significativo déficit comercial em bens e serviços com os Estados Unidos. A motivação política das medidas contra o Brasil atenta contra a soberania nacional e a própria relação histórica entre os dois países.

O Brasil segue disposto a negociar aspectos comerciais da relação com os Estados Unidos, mas não abrirá mão dos instrumentos de defesa do país previstos em sua legislação. Nossa economia está cada vez mais integrada aos principais mercados e parceiros internacionais.

Já iniciamos a avaliação dos impactos das medidas e a elaboração das ações para apoiar e proteger os trabalhadores, as empresas e as famílias brasileiras.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Presidente da República

Fonte: Agência Brasil

Trump recua, adia tarifaço e exclui laranja e outros produtos da taxação

A Casa Branca divulgou nesta quarta-feira (30) a ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que trata da taxação de produtos brasileiros.

No documento, a Casa Branca adiou o início da cobrança das tarifas para 6 de agosto, ou seja, uma semana após a previsão inicial.

Além disso, a ordem executiva exclui do tarifaço itens como laranja, castanha-do-pará, aço e materiais para a construção de aeronaves, entre outros. Porém, carnes, café e pescados permanecem na lista de produtos brasileiros que serão taxados a partir do dia 6 de agosto. 

A decisão representa um recuo do governo Trump, já que a manutenção das tarifas na forma anunciada inicialmente poderia afetar de forma significativa empresários e a classe média americana.

Confira abaixo alguns dos produtos que ficaram de fora da taxação:

  • Castanha-do-pará com casca, fresca ou seca
  • Polpa de laranja
  • Suco de laranja congelado
  • Suco de laranja não congelado, valor Brix <20, não concentrado
  • Minério de ferro aglomerado
  • Minério de ferro não aglomerado
  • Carvão
  • Alcatrão
  • Tipos de aeronaves
  • Petróleo e derivados
  • Madeira tropical serrada ou cortada longitudinalmente, mesmo aplainada, lixada ou emendada, com espessura superior a 6 mm
  • Prata em barras e dore
  • Ouro não monetário em barras e dore

A íntegra da lista com os produtos que não serão taxados pode ser conferida aqui.

Trump chama governo Lula de “repugnante”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou emergência nacional contra o Brasil nesta quarta-feira (30) e anunciou a imposição de uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros. A medida foi formalizada em uma ordem executiva que acusa o governo brasileiro de ameaçar a segurança nacional, a política externa e a economia dos EUA. As tarifas entram em vigor 7 dias após a publicação do documento, ou seja, não começarão mais a valer na próxima sexta-feira (1).

No texto, Trump cita diretamente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusando-o de abusar de sua autoridade para perseguir opositores políticos, censurar críticos e coagir empresas americanas a entregar dados de usuários e alterar políticas de moderação de conteúdo. Segundo a ordem, essas ações configurariam violações de direitos humanos e de liberdade de expressão protegida pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA.

A ordem executiva também menciona a perseguição judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro, classificando as acusações contra ele como injustificadas e afirmando que elas comprometem a realização de eleições livres e justas no Brasil em 2026. Para Trump, esse cenário representa um “rompimento deliberado do Estado de Direito” e reforça a necessidade de intervenção.

Além das tarifas, o documento prevê medidas adicionais caso o Brasil retalie, incluindo o aumento das alíquotas ou novas sanções. Também autoriza órgãos como o Departamento de Estado e o Tesouro dos EUA a monitorar o governo brasileiro e recomendar novas ações, inclusive restrições econômicas e diplomáticas.

O texto conclui afirmando que as políticas do Brasil “são repugnantes aos valores democráticos” e em conflito com a política externa dos EUA. Ao declarar emergência nacional, Trump justificou que as ações do governo brasileiro representam uma ameaça “incomum e extraordinária” com origem fora dos Estados Unidos, exigindo uma resposta imediata.

Confira abaixo a íntegra da Ordem Executiva da Trump que impõe a tarifa de 50% aos produtos brasileiros: 


“Pela autoridade a mim conferida como Presidente pela Constituição e pelas leis dos Estados Unidos da América, incluindo a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (50 U.S.C. 1701 e seguintes) (IEEPA), a Lei de Emergências Nacionais (50 U.S.C. 1601 e seguintes) (NEA), a seção 604 da Lei de Comércio de 1974, conforme emendada (19 U.S.C. 2483), e a seção 301 do título 3 do Código dos Estados Unidos, por meio desta, eu ordeno:

Seção 1. Emergência Nacional.
Como Presidente dos Estados Unidos, meu dever mais elevado é proteger a segurança nacional, a política externa e a economia deste país. Políticas, práticas e ações recentes do Governo do Brasil ameaçam a segurança nacional, a política externa e a economia dos Estados Unidos. Membros do Governo do Brasil adotaram ações que interferem na economia dos Estados Unidos, violam os direitos de liberdade de expressão de cidadãos dos Estados Unidos, infringem os direitos humanos e minam o interesse dos Estados Unidos em proteger seus cidadãos e empresas. Membros do Governo do Brasil também estão perseguindo politicamente um ex-presidente do Brasil, o que contribui para a deterioração deliberada do Estado de Direito no Brasil, para intimidações políticas e para abusos de direitos humanos.

Recentemente, membros do Governo do Brasil tomaram medidas sem precedentes que prejudicam e ameaçam a economia dos Estados Unidos, entram em conflito e ameaçam a política dos Estados Unidos de promover a liberdade de expressão e eleições livres e justas no país e no exterior, e violam direitos humanos fundamentais. De fato, certos funcionários brasileiros emitiram ordens para obrigar plataformas online dos Estados Unidos a censurar contas ou conteúdos de cidadãos americanos, cujo conteúdo é protegido pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA; bloquear a capacidade de cidadãos americanos de arrecadar recursos nessas plataformas; alterar suas políticas de moderação de conteúdo, práticas de aplicação ou algoritmos de maneira que resultem na censura de contas e conteúdos de cidadãos americanos; e fornecer dados de usuários de contas pertencentes a cidadãos dos EUA, facilitando a perseguição de críticos políticos nos Estados Unidos.

Por exemplo, o ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil, Alexandre de Moraes, abusou de sua autoridade judicial para mirar opositores políticos, proteger aliados corruptos e suprimir dissidências, frequentemente em coordenação com outros funcionários brasileiros. Moraes autorizou operações policiais com motivação política, prisões e bloqueios de contas bancárias. Também autorizou a apreensão de passaportes, prendeu indivíduos sem julgamento por publicações em redes sociais, abriu investigações criminais inéditas — incluindo contra cidadãos americanos por discursos protegidos constitucionalmente nos Estados Unidos — e emitiu ordens secretas para empresas de redes sociais americanas censurarem milhares de publicações e suspenderem dezenas de críticos políticos, incluindo cidadãos americanos, por discursos lícitos em solo americano. Quando cidadãos e empresas dos EUA se recusaram a cumprir suas demandas ilegais de censura, Moraes impôs multas substanciais, ordenou a suspensão de empresas americanas no Brasil e ameaçou executivos dessas companhias com processos criminais. De fato, Moraes está atualmente supervisionando a ação penal do Governo do Brasil contra um residente dos EUA por declarações feitas em solo americano.

Essas ações judiciais, realizadas sob o pretexto de combater “desinformação”, “notícias falsas” ou conteúdo “antidemocrático” ou “odioso”, colocam em risco a economia dos Estados Unidos ao coagir, de forma tirânica e arbitrária, empresas americanas a censurarem discursos políticos, entregarem dados confidenciais de usuários americanos ou alterarem suas políticas de moderação de conteúdo sob pena de multas extraordinárias, processos criminais, congelamento de ativos ou exclusão completa do mercado brasileiro. Essas ações também inibem e limitam a liberdade de expressão nos Estados Unidos, violam direitos humanos e minam o interesse dos EUA em proteger seus cidadãos e empresas dentro e fora do país.

Funcionários brasileiros também estão perseguindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O Governo do Brasil acusou Bolsonaro injustamente de vários crimes relacionados às eleições de 2022, e o Supremo Tribunal Federal determinou de forma equivocada que Bolsonaro deve ser julgado por essas acusações infundadas. A perseguição política, por meio de processos fabricados, ameaça o desenvolvimento ordenado das instituições políticas, administrativas e econômicas do Brasil, incluindo a realização de eleições presidenciais livres e justas em 2026. O tratamento dispensado a Bolsonaro também contribui para a deterioração deliberada do Estado de Direito no Brasil, para intimidações políticas e para abusos de direitos humanos.

Constato que as ações sem precedentes tomadas pelo Governo do Brasil violaram os direitos de liberdade de expressão de cidadãos americanos, interferiram na economia dos EUA ao coagir empresas americanas a censurarem seus cidadãos por discursos protegidos pela Primeira Emenda, minaram os interesses dos EUA em proteger seus cidadãos e empresas, enfraqueceram o Estado de Direito no Brasil e colocaram em risco o desenvolvimento ordenado das instituições brasileiras. As políticas, práticas e ações do Governo do Brasil são repugnantes aos valores morais e políticos das sociedades democráticas e livres e entram em conflito com a política dos EUA de promover governos democráticos em todo o mundo, a liberdade de expressão, eleições livres e justas, o Estado de Direito e o respeito aos direitos humanos.

PORTANTO, EU, DONALD J. TRUMP, Presidente dos Estados Unidos da América, considero que a extensão e a gravidade das políticas, práticas e ações recentes do Governo do Brasil constituem uma ameaça incomum e extraordinária, cuja origem está, em todo ou em grande parte, fora dos Estados Unidos, à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos e, por meio desta, declaro uma emergência nacional em relação a essa ameaça.

Para lidar com a emergência nacional declarada nesta ordem, determino que é necessário e apropriado impor uma tarifa adicional ad valorem de 40% sobre determinados produtos do Brasil, conforme detalhado abaixo.

Seção 2. Modificações Tarifárias.
(a) Produtos do Brasil importados para o território aduaneiro dos Estados Unidos estarão sujeitos, de acordo com a lei, a uma tarifa adicional ad valorem de 40%. Essa tarifa entrará em vigor para bens destinados ao consumo, ou retirados de armazém para consumo, a partir das 12h01 (horário do leste dos EUA) 7 dias após a data desta ordem, exceto aqueles abrangidos por 50 U.S.C. 1702(b) ou listados no Anexo I desta ordem, e exceto para bens que:
(1) tenham sido carregados em navio no porto de embarque e estejam em trânsito antes da entrada nos EUA até 12h01 (horário do leste) 7 dias após esta ordem; e
(2) sejam destinados ao consumo ou retirados de armazém para consumo até 12h01 (horário do leste) de 5 de outubro de 2025.
A Tabela Tarifária Harmonizada dos EUA será modificada conforme disposto no Anexo II desta ordem.

(b) A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA poderá adotar quaisquer medidas necessárias para administrar a tarifa imposta por esta ordem.

Seção 3. Escopo das Tarifas e Acúmulo.
(a) A tarifa ad valorem imposta nesta ordem é adicional a quaisquer outros direitos, taxas, impostos ou encargos aplicáveis às importações, exceto quando sujeitos a ações existentes ou futuras conforme a seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, caso em que esta tarifa não se aplicará.

(b) A tarifa não se aplicará aos artigos isentos conforme 50 U.S.C. 1702(b) ou listados no Anexo I, incluindo certos metais de silício, ferro-gusa, aeronaves civis e peças, alumina metalúrgica, minério de estanho, polpa de madeira, metais preciosos, energia e produtos energéticos, e fertilizantes.

(c) A tarifa imposta na Ordem Executiva 14257 de 2 de abril de 2025 também se aplicará, quando pertinente, cumulativamente à tarifa desta ordem.

(d) Produtos sujeitos às tarifas desta ordem e admitidos em zonas de comércio exterior deverão ser registrados como “status estrangeiro privilegiado” conforme 19 CFR 146.41.

Seção 4. Autoridade de Modificação.
(a) Para garantir a eficácia desta ordem, poderei modificá-la conforme novas informações, recomendações de autoridades ou mudanças de circunstâncias.

(b) Caso o Governo do Brasil retalie contra os EUA, aumentarei as tarifas proporcionalmente.

(c) Caso o Governo do Brasil adote medidas significativas para resolver a emergência declarada e alinhar-se suficientemente com os EUA, poderei alterar ou suspender esta ordem.

Seção 5. Monitoramento e Recomendações.
(a) O Secretário de Estado monitorará a situação envolvendo o Governo do Brasil e consultará regularmente autoridades relevantes.

(b) O Secretário de Estado, junto com o Tesouro, Comércio, Segurança Interna, Representante de Comércio e assessores presidenciais, recomendará ações adicionais, se necessário, incluindo em caso de retaliação do Brasil.

Seção 6. Delegação.
O Secretário de Estado está autorizado a exercer todos os poderes concedidos ao Presidente pela IEEPA para executar esta ordem, podendo delegar essa autoridade dentro do Departamento de Estado.

Seção 7. Relatórios.
O Secretário de Estado deverá enviar relatórios periódicos e finais ao Congresso sobre a emergência nacional declarada e as medidas adotadas, conforme a NEA e a IEEPA.

Seção 8. Separabilidade.
Se qualquer disposição desta ordem for considerada inválida, as demais permanecerão em vigor.

Seção 9. Disposições Gerais.
(a) Nada nesta ordem deve ser interpretado como limitação das autoridades legais de departamentos ou agências.
(b) Esta ordem será implementada conforme a lei aplicável e sujeita a disponibilidade orçamentária.
(c) Esta ordem não cria direitos ou benefícios exigíveis judicialmente.
(d) Os custos de publicação serão arcados pelo Departamento de Estado.

DONALD J. TRUMP
A CASA BRANCA,
30 de julho de 2025.”

 

Fonte: Revista Fórum

Canadá reconhecerá Estado da Palestina e amplia pressão internacional sobre Israel

Decisão de Mark Carney é motivada pela crise humanitária em Gaza e segue passos de França e Reino Unido

Em meio à escalada da crise humanitária em Gaza, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, anunciou que seu governo pretende reconhecer oficialmente o Estado da Palestina durante a Assembleia Geral da ONU, marcada para setembro, informa a Reuters. A decisão canadense segue os passos recentes de França e Reino Unido, aumentando a pressão internacional sobre Israel.

A declaração de Carney veio em um momento crítico, quando o agravamento da fome no enclave palestino tem gerado indignação global. “A perspectiva de um Estado palestino está literalmente desaparecendo diante de nossos olhos”, disse o primeiro-ministro. E acrescentou: “O Canadá condena o fato de o governo israelense ter permitido que uma catástrofe acontecesse em Gaza.

A decisão foi duramente criticada por Israel e pelos Estados Unidos, principais aliados no genocídio contra o povo palestino. O Ministério das Relações Exteriores de Israel declarou que a mudança de posição canadense “é uma recompensa para o Hamas e prejudica os esforços para alcançar um cessar-fogo em Gaza e uma estrutura para a libertação dos reféns”.

O presidente dos EUA, Donald Trump, também condenou a medida. De acordo com uma fonte da Casa Branca, que falou sob anonimato, Trump considera o reconhecimento da Palestina uma “recompensa injusta ao Hamas”.

Apesar das críticas, o Canadá se junta a um número crescente de países que apontam para a necessidade de retomar o caminho da solução de dois Estados. O presidente francês Emmanuel Macron, que conversou com Carney antes do anúncio, declarou que o reconhecimento da Palestina “reacenderá a perspectiva de paz na região”.

Fonte: Brasil 247

Israel mata 30 Palestinos em ataques a centro de Refugiados em Gaza

Pelo menos 30 palestinos foram mortos na madrugada desta terça-feira, 29 de julho de 2025, em uma série de ataques israelenses a um campo de refugiados no norte de Nuseirat, no centro da Faixa de Gaza. As informações foram divulgadas pela agência EFE, com base em fontes do hospital Al Awda, para onde a maioria dos corpos foi levada.

Avanço dos Tanques e Crise Humanitária

Os tanques israelenses avançaram sobre o campo de refugiados, forçando muitas famílias a fugir, enquanto outras permaneceram no local. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo grupo islamita palestino Hamas, mais de 60 mil pessoas morreram e outras 145 mil ficaram feridas em Gaza desde o início da ofensiva de Israel, que teve início após os ataques do Hamas e de outras milícias palestinas contra Israel em 7 de outubro de 2023.

Além disso, as autoridades de saúde locais reportaram um aumento nas mortes relacionadas à fome nos últimos dias. Elas culpam as restrições impostas por Israel à entrada de ajuda humanitária pelo agravamento da situação.

O exército israelense, por sua vez, informou que distribuiu 200 caminhões de ajuda e realizou lançamentos aéreos de alimentos em cooperação com os Emirados Árabes Unidos e a Jordânia. No entanto, agências internacionais e a ONU alertam que a necessidade de ajuda é muito maior do que a quantidade que tem chegado à população, que vive sob cerco total há 22 meses.

Fonte: MSN

Dantas é vaiado por professores durante inauguração de ginásio escolar em Maceió

O governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), foi recebido sob vaias e protestos na manhã desta terça-feira (29), durante a inauguração do novo ginásio poliesportivo da Escola Estadual Professor Edmilson de Vasconcelos Pontes, no bairro do Farol, em Maceió.

Mesmo com tentativas de impedir a entrada de manifestantes no local, integrantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal) conseguiram acessar o espaço e realizaram atos com cartazes, bandeiras e palavras de ordem. A principal reivindicação era o reajuste salarial de 10% para a categoria, além da valorização dos profissionais da educação e melhorias na rede pública estadual.

Após o encerramento da solenidade oficial, Dantas deixou,  ao lado da secretária de Educação, Roseane Vasconcelos, e do deputado federal Rafael Brito (MDB). A comitiva foi vaiada por alunos e professores, que chamaram o governador de “fujão”.

Apesar de outras atividades estarem previstas, apenas a apresentação de dança dos alunos foi mantida — realizada de costas para o palco como forma simbólica de protesto.

Vídeos enviados ao CadaMinuto mostram o momento em que o governador é vaiado dentro do ginásio, além dos atos dos trabalhadores da educação durante a cerimônia.

Fonte: Cada Minuto

Brasil anuncia sanções contra Israel por genocídio em Gaza

O chanceler Mauro Vieira detalha na ONU medidas que incluem embargo militar e apoio à denúncia na Corte Internacional de Justiça

Em pronunciamento contundente durante conferência das Nações Unidas, realizada nesta terça-feira (29), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, anunciou que o governo brasileiro aplicará sanções contra Israel, responsabilizando o país pelo genocídio em curso na Faixa de Gaza, destaca reportagem da Telesur.

As medidas incluem a suspensão imediata de exportações brasileiras de equipamentos militares para Israel, o endurecimento da fiscalização de importações oriundas de assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia ocupada e o apoio formal do Brasil à denúncia de genocídio apresentada pela África do Sul à Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia.Play Video

“A intervenção do Brasil no caso da Corte Internacional de Justiça movido pela África do Sul sob a Convenção do Genocídio, a investigação e o controle mais rigoroso das importações de assentamentos ilegais e outras terras ocupadas ilegalmente, a contínua negação de exportações de defesa para Israel de acordo com o Tratado de Comércio de Armas, o apoio a uma missão de verificação internacional liderada pela ONU para monitorar o cumprimento do direito internacional e um mecanismo modelado no Comitê Especial contra o Apartheid, e o apoio técnico à Autoridade Palestina em áreas-chave da construção do Estado, conforme necessário”, afirmou Mauro Vieira em seu discurso oficial.

A posição brasileira surge em meio ao agravamento da catástrofe humanitária em Gaza, onde mais de 60 mil palestinos foram mortos desde o início da ofensiva militar israelense em outubro de 2023. O governo brasileiro reforçou seu compromisso com a legalidade internacional, os direitos humanos e a autodeterminação do povo palestino, em conformidade com resoluções do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral da ONU.

Mauro Vieira também destacou o compromisso do Brasil com a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), cuja atuação tem sido alvo de pressões políticas e cortes de financiamento. Segundo ele, “apoio contínuo às atividades da UNRWA, incluindo a presidência de sua Comissão Consultiva, garantindo uma distinção fundamental entre críticas legítimas às políticas e práticas estatais que afetam os palestinos e o antissemitismo, seguindo as recomendações dos Relatores Especiais da ONU”, é parte essencial da política brasileira para a região.

O anúncio das sanções marca um endurecimento da diplomacia brasileira em relação a Israel, sobretudo diante da crescente mobilização internacional contra as ações do governo de Benjamin Netanyahu. A decisão do Brasil alinha-se ao crescente coro global que exige responsabilização por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante a ofensiva militar em Gaza.

A medida também reforça o papel do Brasil como ator relevante no sistema multilateral e interlocutor legítimo no debate sobre o futuro do Oriente Médio. Desde o início do genocídio, o país tem defendido o cessar-fogo imediato, a proteção da população civil e a retomada de negociações com base na solução de dois Estados. 

Em sua fala, Mauro Vieira ressaltou que o Brasil continuará atuando de forma ativa para garantir que o direito internacional prevaleça: “Não há paz sem justiça, e não há justiça sem responsabilização. O sofrimento do povo palestino não pode mais ser ignorado”.

O posicionamento do Brasil repercute em um momento de crescentes tensões diplomáticas globais, em que diversos países têm revisto suas relações com Israel à luz das denúncias de crimes graves em Gaza. A fala de Mauro Vieira na ONU insere o Brasil no centro da pressão internacional por justiça e responsabilização diante de uma das mais graves tragédias humanitárias do século 21.

Fonte: Brasil 247

PF investiga ligação de doadora de Tarcísio com lavagem de dinheiro do PCC

Pecuarista que doou R$ 500 mil à campanha do governador de SP é suspeita de movimentar R$ 1,4 bilhão em nome de esquema do tráfico internacional de drogas

A Polícia Federal investiga a pecuarista Maribel Schmittz Golin, de 59 anos, uma das principais financiadoras da campanha eleitoral de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo de São Paulo em 2022, por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A informação foi revelada em reportagem publicada nesta quarta-feira (30) pela Folha de S.Paulo.

Maribel doou R$ 500 mil à campanha de Tarcísio, em duas transferências — R$ 100 mil em 26 de agosto de 2022 e R$ 400 mil em 6 de outubro do mesmo ano, segundo dados declarados à Justiça Eleitoral. Trata-se da sexta maior doação recebida pelo então candidato, que teve mais de 600 doadores. Em nota, a assessoria do governador afirmou que ele “não possui qualquer vínculo com a doadora citada” e que a campanha foi conduzida “com total respeito às leis eleitorais”.Play Video

O nome de Maribel surgiu nas investigações da Operação Mafiusi, deflagrada pela PF no fim de 2024 para desarticular um esquema de envio de cocaína pelo porto de Paranaguá (PR) para a Europa, em parceria entre o PCC e a máfia italiana ’Ndrangheta. A PF cita a pecuarista em ao menos quatro transações com Willian Barile Agati, apontado como integrante da facção criminosa. Barile foi preso em janeiro e denunciado à Justiça Federal no Paraná por tráfico de drogas, associação para o tráfico, obstrução da Justiça e organização criminosa.

Entre as transações suspeitas estão a venda de um apartamento por R$ 3 milhões em Santo André (SP), embora o imóvel tenha valor venal de apenas R$ 881 mil, e outro caso semelhante envolvendo um imóvel de R$ 106 mil registrado como vendido por R$ 250 mil. Há ainda três transferências entre quatro empresas de Maribel e Barile que, somadas, chegam a R$ 3,5 milhões.

O relatório da Polícia Federal afirma que “as transações comunicadas no RIF sugerem fortemente a ocorrência de lavagem de dinheiro clássica, relacionada a imóveis”. Segundo a investigação, Maribel possui quatro empresas, todas sem funcionários registrados, mas que movimentaram mais de R$ 1,4 bilhão entre 2020 e 2022 — fator que chamou a atenção dos investigadores.

Apesar da citação de Maribel como investigada, o nome de Tarcísio de Freitas e as doações eleitorais não aparecem no relatório da PF. O controle financeiro da campanha do governador foi realizado por seu cunhado, Maurício Pozzobon Martins, que chegou a ser indicado para cargo no Palácio dos Bandeirantes, mas teve o nome retirado após críticas por nepotismo. Atualmente, ele trabalha no gabinete do deputado estadual Danilo Campetti (Republicanos).

Folha tentou contato com Maribel, que inicialmente afirmou que sua assessoria se manifestaria, mas não houve retorno. Por mensagens de WhatsApp, ela negou qualquer envolvimento com os crimes: “Não tenho nenhum tipo de envolvimento com isso”.

Outro trecho do relatório policial menciona a atuação de Joselito Golin, marido de Maribel, em parceria com Barile. Um colaborador da PF afirmou que Joselito “esquentava dinheiro dentro da igreja do pastor Valdemiro”, em referência à Igreja Mundial do Poder de Deus, liderada por Valdemiro Santiago. A reportagem procurou o pastor por meio de sua igreja, mas não obteve resposta.

Maribel e Joselito fazem parte do Grupo Golin, conglomerado do setor pecuário com atuação no Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. O grupo ganhou notoriedade no passado ao adquirir as Fazendas Reunidas Boi Gordo, pouco antes da falência da empresa, que revelou um esquema de pirâmide financeira e causou prejuízos a milhares de investidores.

As investigações seguem em curso na PF do Paraná, na fase de inquérito, enquanto a Justiça analisa a denúncia contra Barile e outros suspeitos. A movimentação bilionária de recursos por parte de Maribel ainda está sob análise, mas os investigadores apontam forte indício de relação com o tráfico internacional de entorpecentes.

Fonte: Brasil 247

Deputada Carla Zambelli é presa na Itália, diz Ministério da Justiça

O deputado italiano Angelo Bonelli contou em sua conta no X que ele deu o endereço de Zambelli para a política italiana.

A deputada Carla Zambelli (PL-SP) foi presa na Itália nesta terça-feira (29), afirmou o Ministério da Justiça.

Ela tinha fugido para a Itália depois de ter sido condenada pelo Supremo Tribunal Federal a 10 anos de prisão no caso da invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O deputado italiano Angelo Bonelli contou em sua conta no X que ele deu o endereço de Zambelli para a política italiana.

Em publicação nas redes sociais nesta segunda-feira (28), Bonelli afirmou que comunicou às autoridades o endereço onde Zambelli estaria e que agentes fizeram a identificação da brasileira.

“Carla Zambelli está em um apartamento em Roma. Forneci o endereço à polícia. Neste momento, a polícia está identificando Zambelli”, escreveu o parlamentar.

O Ministério da Justiça brasileiro já havia solicitado oficialmente a extradição da deputada. Foragida, o nome dela estava na lista da Interpol.

Fonte: G1

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