Mais um calo que dói em JHC: O Iprev

O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC) – ainda no PL – sempre demonstrou muita segurança em público, especialmente ao lidar com a mídia. A exceção foi o período que o acordo que fez com a Braskem ganhou o noticiário nacional devido à iminência de colapso da mina 18. Naqueles dias, as entrevistas eram concedidas de cara amarrada e com certa gagueira ao responder perguntas indigestas. Tivemos exposto ali um calo do prefeito da capital alagoana.

Algum tempo depois, veio o questionamento sobre os R$ 8 milhões pagos à escola de samba Beija-Flor no Rio de Janeiro. Tivemos aí outro calo em JHC com o qual ele não soube lidar, ao ponto de até processar jornalistas que comentaram e questionaram o uso desse recurso. Inclusive, este escriba.

O tempo passou e a segurança voltou com tudo. Mas agora, o tema que envolve aplicações com recursos do Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (Iprev). De acordo com denúncia feita pelo vereador Rui Palmeira (PSD), que é o antecessor de JHC na Prefeitura de Maceió, foram aplicador R$ 117 milhões em letras financeiras do Banco Master com orientação da consultoria Crédito e Mercado, investigada pela Polícia Federal na Operação Rebote por causar prejuízo de R$ 400 milhões ao PreviCampos, de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.

Segundo Rui Palmeira, documentos apontam que um representante da consultoria, Renan Calamia, participou da reunião que aprovou o investimento. A empresa é suspeita de envolvimento em prejuízos bilionários em diversos fundos previdenciários no país.

Discussões para cá, discussões para lá, vereadores justificando a autorização para os contratos acolá, o que cabe também destaque é que o caso mexe com o humor do prefeito, ainda mais por ser de Rui Palmeira a primeira voz que trouxe essa situação a público. Não diria ódio, mas a falta de amor – vamos dizer assim – entre eles não é novidade.

E isso é tão verdade que somente após Rui Palmeira denunciar este caso que o Iprev o notificou, extrajudicialmente, para que ele comprove repasses que deveriam ter sido feitos ao IPREV durante o período que se estende de 2016 a 2020.

Só agora, já no segundo mandato. Por quê?

Ora, evidente que é por que Rui Palmeira encontrou mais um calo em JHC que, aparentemente, não sabe muito bem lidar com esbarrões na calosidade, provavelmente por estar acostumado somente a receber tapinhas nas costas.

Bom, se eu fosse da linha de frente da oposição a JHC, bateria todos os dias nesses calos: acordo com a Braskem e todos os seus desdobramentos; o dinheiro da Beija-Flor, que mostra o preterimento à cultura local; e o caso do Iprev. Calo em quem a gente “não gosta” tem que ser pisado o tempo todo.

P.S.: E aqui sem qualquer insinuação de mau uso de recursos. Trato somente da luta política.

Lula nomeia Boulos ministro da Secretaria-Geral da Presidência

Deputado do Psol assume vaga de Márcio Macêdo em ministério responsável pelo diálogo com movimentos sociais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu promover mudanças em sua equipe ministerial e escolheu o deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP) para ocupar a Secretaria-Geral da Presidência, substituindo o ministro Márcio Macêdo.

A decisão foi oficializada na segunda-feira (20), por meio de uma nota divulgada pelo Palácio do Planalto. A formalização se deu após uma reunião entre Lula, Boulos, Macêdo e os ministros Rui Costa, da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, e Sidônio Pereira, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social.

A nomeação de Boulos foi publicada na edição desta terça-feira (21) do Diário Oficial da União.

Deputado Guilherme Boulos assumirá o cargo antes ocupado por Márcio Macêdo.Ricardo Stuckert/PR

Em publicação nas redes sociais, o presidente declarou: “Convidei o deputado Guilherme Boulos para assumir o cargo de ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. Ele vai substituir o companheiro Márcio Macêdo na função, a quem agradeço por todo o trabalho realizado para a ampliação e o fortalecimento da participação social em nosso governo”.

Publicação do presidente Lula no X.

Publicação do presidente Lula no X.Reprodução/X/Lula

A entrada do deputado no primeiro escalão é interpretada como uma movimentação do governo para reforçar o diálogo com movimentos sociais e ampliar a articulação política com setores da esquerda. A Secretaria-Geral é responsável pela interlocução do Planalto com entidades da sociedade civil, como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), vinculado à trajetória política de Boulos.

Conhecendo Guilherme Boulos

Paulistano de 43 anos, Guilherme Boulos é formado em Filosofia e tem mestrado em Psiquiatria pela Universidade de São Paulo (USP).

Atualmente deputado federal, foi eleito em 2022 com mais de 1 milhão de votos, o maior número registrado em São Paulo naquele pleito.

Militante histórico do Psol, Boulos concorreu à Presidência da República em 2018 e disputou a Prefeitura de São Paulo em 2020 e 2024, chegando ao segundo turno nas duas eleições.

Leia a íntegra da nota do Palácio do Planalto:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o deputado federal Guilherme Boulos nesta segunda-feira, 20 de outubro, e o convidou para ocupar o cargo de ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. Boulos irá substituir o ministro Márcio Macêdo na função. Márcio, a ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) e os ministro Rui Costa (Casa Civil) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social) participaram do encontro com o presidente.

A nomeação de Boulos sairá publicada no Diário Oficial desta terça-feira, 21 de outubro.

Fonte: Congresso em Foco

Fux pede devolução do voto e impede ida de Bolsonaro para a cadeia

Oficialmente, ministro diz que é “para correções gramaticais”, mas solicitação não permite publicação do acórdão da sentença, o que por sua vez não possibilita início do cumprimento da pena

Numa decisão sem sentido e que levanta suspeitas óbvias até dentro do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luiz Fux solicitou, na última semana, a devolução de seu voto no julgamento do “núcleo crucial” da trama golpista engendrada entre o final de 2022 e o começo de 2023, atrasando a publicação do acórdão que formaliza a sentença. A justificativa oficial apresentada por Fux é a “necessidade de realizar ajustes gramaticais” no documento, mas a manobra tem gerado questionamentos, já que ela impede o avanço da finalização do processo que levará à prisão o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os outros sete cúmplices condenados em 11 de setembro.

O acórdão, documento essencial que consolida o resultado do julgamento e dá início ao prazo para recursos das defesas, depende da entrega de todos os votos dos ministros da Primeira Turma do STF. Enquanto os demais magistrados já enviaram seus votos à Secretaria Judiciária ao longo de outubro, Fux, que foi o primeiro a apresentar seu voto no início do mês, pediu sua devolução para supostas correções. Com isso, a finalização do acórdão segue sem previsão, travando o andamento do processo.https://763473aaf5866a85ba342a6088058755.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-45/html/container.html?n=0

De acordo com o regimento interno do STF, a publicação do acórdão deve ocorrer em até 60 dias após o julgamento. Caso o prazo seja descumprido, a Secretaria Judiciária pode utilizar a transcrição dos votos lidos durante a sessão. No entanto, a demora na entrega do voto revisado por Fux adia indefinidamente esse marco processual, essencial para que as defesas apresentem embargos em até cinco dias após a divulgação do documento.

O atraso gerado pela decisão de Fux impacta diretamente a possibilidade de prisão de Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes contra a democracia. A jurisprudência do STF determina que a prisão definitiva só ocorre após a rejeição de um segundo embargo das defesas, etapa que depende da publicação do acórdão. Assim, a demora na liberação do documento pode postergar a execução da pena, inicialmente aguardada para o final deste ano.https://d-26337228393212230988.ampproject.net/2510081644000/frame.html

Fórum ouviu de forma reservada dois juristas consagrados sobre esse procedimento adotado pelo ministro Luiz Fux. Eles dizem que, em tese, embora seja algo discutível, Fux teria um prazo de no máximo 60 dias para a devolução do voto à secretaria do STF. Os dois, no entanto, não acreditam que o magistrado se prestaria a tal papel, e preferem crer que ele entregará de volta o documento em alguns dias.

Fux, único ministro a votar contra a condenação de Bolsonaro, apresentou um voto extenso, com 429 páginas, dedicando mais da metade do texto a fundamentos teóricos sobre os cinco crimes imputados aos réus. Ele defendeu que as ações do ex-presidente após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições não configuraram tentativa de golpe contra o Estado Democrático de Direito, mas apenas uma inconformidade com o resultado eleitoral. O ministro, no entanto, votou pela condenação de outros réus, como o tenente-coronel Mauro Cid e o ex-ministro Walter Braga Netto, por crimes relacionados à abolição do Estado Democrático, algo totalmente sem sentido lógico.

A atitude de Fux, que passou 13 horas lendo seu voto durante o julgamento, um dos mais longos da história do STF, reforça a percepção de que sua solicitação de revisão pode ter motivações além das correções gramaticais declaradas. Nos bastidores do Supremo, a demora na entrega do voto finalizado é vista como uma estratégia para retardar o desfecho do caso, mantendo Bolsonaro fora da prisão por tempo indeterminado.

Fonte: Revista Fórum

Véio da Havan perde mais uma no TJ do Rio Grande do Sul

O empresário catarinense Luciano Hang, o autoproclamado véio da Havan, foi derrotado em mais uma tentativa de se livrar de condenação na área criminal, por ataques ao arquiteto Humberto Hickel, de Canela.

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul reafirmou, por quatro votos a um, a sentença de julho de 2024, que condenou o empresário à prisão, negando acolhimento a recursos apresentados pelos seus advogados de defesa.

A condenação em segunda instância permite, claro, recursos nos tribunais em Brasília. Mas a reafirmação da sentença é mais uma vitória contra ex-poderosos propagadores de ódio da militância de extrema direita.

O véio da Havan só tem obtido vitórias na Justiça em Santa Catarina, especialmente em Brusque, mas também lá não tem sido fácil pra ele quando os recursos vão para o Tribunal de Justiça.

Fora de Santa Catarina, ele perde quase todas..

Fonte: DCM

Pai espanca professor após filha ser repreendida por usar celular em aula

Um professor de 53 anos foi brutalmente agredido dentro do Centro Educacional 4 (CED 4), no Guará, Distrito Federal, após chamar a atenção de uma aluna que usava o celular durante a aula. O episódio ocorreu na manhã de segunda-feira (20) e terminou com o pai da estudante, identificado como Thiago Lênin Sousa, desferindo nove socos na cabeça do docente, que ficou com o olho roxo e hematomas nas costas, veja o vídeo.

De acordo com o relato do professor, a confusão começou quando ele pediu que a aluna parasse de usar o telefone e copiasse o conteúdo do quadro. A estudante teria se irritado e acionado o pai, que foi até a escola tirar satisfação. Minutos depois, Thiago entrou na unidade e atacou o educador dentro da sala da coordenação, diante de outros funcionários e alunos.

As câmeras de segurança do colégio registraram toda a agressão. Nas imagens, é possível ver o homem desferindo uma sequência de golpes enquanto o professor tenta se proteger. Em um momento de desespero, a própria filha do agressor tenta impedir as agressões, aplicando um “mata-leão” no pai para contê-lo. Outras três estudantes também presenciaram a cena.

Após o ataque, Thiago Lênin Sousa foi encaminhado à 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), onde assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) — documento usado em casos de crimes de menor potencial ofensivo. Ele vai responder em liberdade pelos crimes de lesão corporal, injúria e desacato.

ABSURDO | No DF, um professor de 53 anos foi agredido com socos pelo pai de uma aluna após pedir que a estudante parasse de mexer no celular durante a aula. Câmeras de segurança registraram quando o homem invade a sala da coordenação e ataca o educador, que ficou com um olho roxo… pic.twitter.com/zkhuusWZFp

— Rádio 93.3FM – RJ (@93FmGospel) October 21, 2025

Agressor disse que professor xingou filha

Durante o depoimento, o agressor alegou que a filha o havia informado que o professor teria xingado a estudante, e admitiu que “partiu para cima” do docente, mas negou ter feito ameaças. Procurado pela imprensa, ele disse que não vai se manifestar sobre o caso.

O professor, que recebeu atendimento médico após o episódio, afirmou que ainda está abalado com a violência sofrida e classificou a situação como “inacreditável”.

Nota da Secretaria

Em nota, a Secretaria de Educação do Distrito Federal informou que a Coordenação Regional de Ensino do Guará está acompanhando o caso e que a Corregedoria da pasta vai apurar os fatos. O órgão também determinou o reforço da segurança na entrada e saída dos alunos, com apoio do Batalhão Escolar.

“A Secretaria repudia qualquer forma de violência no ambiente escolar e reafirma o compromisso de garantir um espaço seguro, acolhedor e respeitoso para toda a comunidade”, diz o comunicado oficial.

Fonte: ICL

Parlamentares assinaram pelo menos 2.000 proposições redigidas por lobistas

A nove quilômetros do Congresso, em uma mansão no Lago Sul de Brasília, Gabriel Lemos de Andrade Pereira, 40 anos, despacha. Ele não é parlamentar nem servidor, mas é o autor oculto de ao menos 104 projetos, emendas e requerimentos apresentados por deputados e senadores nos últimos seis anos.

Pereira é funcionário do Instituto Pensar Agro, que defende interesses do agronegócio, e integra um grupo de lobistas com acesso privilegiado ao poder.

Nos últimos dois meses, o UOL analisou 345 mil documentos do Congresso, com a ajuda de um software estatístico, e identificou cerca de 2.000 proposições (projetos de lei, requerimentos e outras medidas) redigidas por lobistas desde 2019 —os textos receberam o aval de parlamentares de diferentes partidos.

Entre eles, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Há quatro anos o deputado incluiu, em uma medida provisória que tratava de isenções fiscais na pandemia, uma emenda que mudou a tributação das bets no país. O texto acabou reduzindo os impostos dessas empresas.

Quem redigiu originalmente o texto, no entanto, foi uma advogada de escritório que trabalhava para empresas de jogos.

Veja reportagem completa no Uol:

https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2025/10/20/parlamentares-assinaram-pelo-menos-2000-proposicoes-redigidas-por-lobistas.htm

Israel rompe cessar-fogo e assassina 97 palestinos em Gaza

Trégua foi violada mais de 80 vezes

O exército israelense violou o cessar-fogo na Faixa de Gaza em ao menos 80 ocasiões desde que o acordo entrou em vigor, resultando na morte de 97 palestinos e deixando outros 230 feridos, segundo informações divulgadas pelo Gaza Media Office e citadas pela rede Al Jazeera.De acordo com a reportagem publicada pela emissora iraniana HispanTV, as ofensivas militares de Israel voltaram a escalar no último domingo (19), quando uma série de bombardeios deixou pelo menos 45 palestinos mortos em poucas horas. Após os ataques, o próprio exército anunciou que havia “restaurado o cessar-fogo”, alegando que suas ações foram uma resposta a suposta violação do acordo pelo Movimento de Resistência Islâmica Palestina (Hamas).

Israel alega retaliação; Hamas nega envolvimento

As forças israelenses afirmaram que o Hamas teria atacado tropas em Rafah, no sul de Gaza, provocando a morte de dois soldados. No entanto, o movimento palestino rejeitou a acusação e reafirmou seu compromisso com a trégua.

Em declaração oficial, Izzat al-Rishq, integrante do gabinete político do Hamas, acusou Israel de distorcer os fatos. Segundo ele, o país “continua a violar o acordo e fabrica pretextos frágeis para justificar seus crimes”.

Pressão internacional

A suspensão temporária dos ataques israelenses teria ocorrido após pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que pediu a Israel moderação para evitar o colapso do acordo. Em discurso no domingo, Trump afirmou acreditar que o cessar-fogo em Gaza “permanece em vigor” e destacou que Washington trabalha para garantir que a situação siga “muito pacífica”.

Já o vice-presidente J.D. Vance admitiu que o cenário é “complicado”, sobretudo diante da escalada militar no sul do enclave palestino.

Acordo sob risco

O cessar-fogo em Gaza, proposto por Trump, prevê a libertação de prisioneiros israelenses, a retirada gradual das tropas de Israel do território e a entrada de ajuda humanitária. O plano foi anunciado em 8 de outubro e representou a primeira fase de um esforço para encerrar dois anos de ofensiva militar.

Desde o início da agressão israelense, em outubro de 2023, o Ministério da Saúde de Gaza contabiliza 68.159 palestinos mortos e mais de 170 mil feridos. Apesar da promessa de trégua, a crise humanitária se agrava com a suspensão da entrada de suprimentos essenciais e o avanço das tensões entre Estados Unidos, Israel e grupos palestinos.

Fonte: Brasol 247

Israel retoma ataques aéreos e dificulta ajuda humanitária em Gaza

Exército israelense realizou ataques aéreos neste domingo (19) na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, após acusar o grupo palestino Hamas de romper o acordo de cessar-fogo firmado no início de outubro. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou ter ordenado “medidas enérgicas” contra alvos considerados terroristas por ele. O Hamas negou as acusações e afirmou continuar comprometido com o armistício.

Em comunicado, o gabinete de Netanyahu informou que a decisão foi tomada após consultas com o ministro da Defesa e altos funcionários de segurança. Segundo as Forças Armadas de Israel, militantes do Hamas dispararam mísseis antitanque contra bases militares israelenses próximas à rota de ajuda humanitária em Rafah. Em resposta, o exército bombardeou túneis e áreas de onde os ataques teriam partido.

O braço armado do Hamas, a Brigada Ezzedine Al-Qassam, contestou a versão israelense. Em nota, o grupo afirmou não ter participado de confrontos e garantiu cumprir o cessar-fogo “em todas as áreas da Faixa de Gaza”. O movimento também informou ter recuperado o corpo de mais um refém israelense, mas disse que só o entregará “se as condições em campo permitirem”.

Escalada e vítimas

A Força Aérea israelense também lançou ataques em outras partes de Gaza, inclusive na cidade de Jabalya, ao norte, onde, segundo a mídia árabe, três pessoas foram mortas. O Exército israelense alega que o Hamas violou o acordo diversas vezes ao atacar posições além da chamada “linha amarela”, limite estabelecido pelo tratado de paz.

A trégua, mediada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e por países da região, previa a libertação de reféns pelo Hamas — 20 vivos e 28 mortos. O grupo entregou todos os sobreviventes e dez corpos, alegando não ter conseguido localizar os demais devido à destruição causada pelos bombardeios.

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, pediu a retomada total dos combates. “A ilusão de que o Hamas cumpriria o acordo é perigosa. O grupo deve ser completamente aniquilado”, declarou.

O enviado de paz norte-americano, Steve Witkoff, deve chegar ao Oriente Médio na próxima semana para tentar preservar o cessar-fogo.

Passagem de Rafah segue fechada

Israel confirmou neste domingo a identificação de dois reféns cujos corpos foram devolvidos pelo Hamas: o fotojornalista e motorista voluntário Ronen Engel, de 54 anos, e o trabalhador agrícola tailandês Sonthaya Oakkharasri, ambos mortos durante os ataques de 7 de outubro de 2023.

O governo israelense também devolveu os corpos de 15 palestinos a Gaza, totalizando 150 desde o início do acordo. A devolução dos reféns mortos tornou-se um dos pontos mais sensíveis da trégua, e Israel mantém a passagem de Rafah — principal porta de entrada do território — fechada até que todos os corpos sejam recuperados.

“O primeiro-ministro determinou que a passagem de Rafah permaneça fechada até novo aviso”, informou o gabinete de Netanyahu. “Sua reabertura será considerada com base no cumprimento do Hamas de sua parte no acordo.”

O Hamas, por sua vez, alertou que o bloqueio da fronteira “atrasará significativamente” a recuperação dos restos mortais. Agências humanitárias internacionais pediram a reabertura imediata do ponto de passagem, essencial para o envio de alimentos, combustível e medicamentos à população de Gaza.

Conflito prolongado

Desde o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, o conflito já deixou mais de 68 mil mortos em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local, número considerado confiável pelas Nações Unidas. Mais da metade das vítimas são mulheres e crianças. Do lado israelense, 1.221 pessoas morreram nos ataques iniciais, a maioria civis.

O cessar-fogo, que vinha reduzindo os confrontos, agora enfrenta seu momento mais crítico desde a assinatura. Enquanto Israel acusa o Hamas de descumprir o acordo, o grupo palestino sustenta que as ações israelenses ameaçam encerrar de vez a frágil trégua.

Fonte: Revista Fórum

Líder do MST diz que brigadas de militantes devem ir à Venezuela

João Pedro Stédile afirma que movimentos populares da América Latina estão se organizado para apoiar Nicolás Maduro; ainda não há definição de como será a ação dos militantes

O dirigente nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), João Pedro Stédile, afirmou na 5ª feira (16.out.2025) que brigadas de militantes da América Latina estão se organizando para irem à Venezuela diante da tensão com os Estados Unidos.

Stédile disse, em entrevista à Rádio Brasil de Fato, que a decisão foi tomada durante o Congresso Mundial em Defesa da Mãe Terra, na capital venezuelana, Caracas. O evento, realizado de 8 a 10 de outubro, reuniu delegações de 65 países.

“Eu cheguei a colocar em votação na Assembleia do Congresso, que nós, movimentos da América Latina, vamos fazer reuniões e já estamos fazendo consultas para, no menor prazo possível, para organizar brigadas internacionalistas de militantes de cada um dos nossos países para ir à Venezuela e nos colocarmos à disposição do governo e do povo venezuelano”, disse o líder do MST.

Segundo Stédile, os militantes não têm formação militar, mas podem “fazer mil e uma coisas, desde plantar feijão e fazer comida para os soldados a estar ao lado do povo se houver uma invasão militar dos Estados Unidos”.

Procurada pelo Poder360, a assessoria de imprensa do MST disse neste sábado (18.out) que a organização das brigadas internacionalistas ainda está sendo debatida pelo conjunto da direção nacional do movimento. “Não há uma definição ainda encaminhada de como essa colaboração vá proceder”, declarou.

“O MST já tem brigadas na Venezuela, mas com fins de avanço em processos de produção agroecológica, como é o Projeto Gran Pátria del Sur, implementado desde o ano passado para aumentar a produção de alimentos saudáveis em intercâmbio fomentando a experiência que as famílias agricultoras sem terra detém desse tipo de produção”, afirmou.

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