O velho e o mundo

Por Yasmim Lima Teixeira – Graduada em Pedagogia pela Ufal


Um dia, um cachorro disse ao seu dono que queria viajar de carroça. O homem, já velho e
frágil, não tinha forças para carregar o animal, mas o amava profundamente. Pensativo, ele
refletiu: “De que me serve um cachorro infeliz?” Levantou-se com dificuldade e foi até a
cabeceira da cama, onde guardava uma caixa com dinheiro antigo. Decidido a atender ao desejo
do cachorro, dirigiu-se ao comércio mais próximo para comprar um cavalo.
Ao mostrar seu dinheiro ao vendedor, este, um homem alto, loiro e de olhos assustadores,
respondeu com rispidez:
— Não usamos esse tipo de dinheiro aqui.
— Que tipo de dinheiro aceitam, então? — perguntou o velho, confuso.
— Dinheiro do nosso país. Essas moedas que me mostras são do reino inimigo.
O velho arregalou os olhos. Não sabia que suas moedas tinham perdido o valor.
— Eu não sabia… Como poderia saber? Não saio da minha cabana há muito tempo.
Abalado pela descoberta, o velho caminhou pela cidade, tentando entender o que havia
mudado. Notou que as pessoas falavam uma língua estranha, vestiam roupas diferentes, e até os
cheiros e sabores tinham se transformado. Era uma nova paisagem, uma nova realidade. Sentiu o
coração bater mais rápido, uma dor profunda no peito, um vazio que parecia rasgar sua alma. Seu
corpo tremia, a boca molhada, a garganta seca. Quis vomitar. O mundo ao seu redor girava e
desmoronava em caos; tudo parecia desintegrar-se.
Ele se perguntava: “Por que tudo mudou? Quanto tempo faz que não vejo pessoas?”
Sentiu-se enlouquecer. De repente, a imagem do cachorro desapareceu de sua mente. “Carroça?
Por que uma carroça?”, pensou. O sol ardia em sua cabeça, sufocando-o. O velho começou a
adentrar-se em si mesmo, até sentir o sangue pulsando em suas veias, como se pudesse ver seus
órgãos — coração, pulmão, estômago — de fora para dentro.
Cego para o mundo exterior, não ouvia quem o chamava, não via nada além de seus
próprios pensamentos. Afundou em um desespero silencioso. Então, sentiu algo quente escorrer
por suas pernas. Havia se mijado. Percebeu que negligenciara suas necessidades básicas,
controlado apenas pelo medo. Seu corpo falhara; apenas sua mente restava. Parado ali, mijado e
vulnerável, o velho sentiu o calor da urina acalmá-lo. Era um alívio estranho, mas trouxe um
momento de paz.

A transformação ao seu redor despertou nele uma dúvida profunda sobre sua própria
existência. Sentia-se como um fantasma, velho, sem valor. Perguntou-se: “Como posso existir em
um mundo que não entendo?” Sem respostas, ele voltou-se para seu cachorro. O animal, que
antes falava, agora estava em silêncio. O velho havia deixado de acreditar, mas não percebeu que
essa descrença era justamente o motivo do silêncio do cachorro. Ele abandonara suas crenças
diante de uma única experiência. As mudanças e o velho não podiam coexistir; as crenças que
alimentam um matam o outro.
Foi então que o velho lembrou-se do motivo original de sua jornada: o cavalo. Ele retomou
sua busca, decidido a encontrar um lugar onde seu dinheiro tivesse valor, para comprar um
cavalo, um burro, qualquer animal que lhe servisse. Olhou para seu cachorro e, com tristeza,
pensou: “De que me serve um cachorro infeliz?”
E, sem perceber, matou o cachorro em sua mente.

Grito dos Excluídos 2025: saiba onde e quando atos da manifestação vão ocorrer

Movimento mobiliza trabalhadores com o lema ‘Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia’

Neste 7 de setembro, o Grito dos Excluídos e Excluídas volta às ruas do Brasil para a sua 31ª edição. A tradicional manifestação marca um contraponto popular ao desfile cívico-militar do Dia da Independência.

Neste ano, dezenas de cidades em todas as regiões do país receberão atos, debates e mobilizações que buscam dar voz às pautas e lutas dos trabalhadores e ressignificar a data.

A edição de 2025 tem como lema: “Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia”. De acordo com a organização, o tema central, que se conecta com o contexto global de crises climáticas e sociais, reforça a defesa intransigente da democracia e a importância do cuidado com o meio ambiente.

“É muito importante que a gente traga esses elementos para as ruas, para as praças, nas nossas faixas, nossos cartazes, essa defesa sobre a democracia e de que nós aqui não aceitamos golpes ou ingerências que venham do imperialismo”, afirma Rosilene Wansetto, integrante da rede Jubileu Sul e Articulação Nacional do Grito.

O movimento busca ampliar o debate sobre soberania nacional e participação popular, em um cenário de ameaças à democracia e aos direitos sociais tanto no Brasil quanto em outras nações.

Além disso, este ano o Grito dos Excluídos vai às ruas em defesa do Plebiscito Popular e terá mutirões para coleta de votos. A iniciativa promove uma consulta nacional sobre a redução da jornada de trabalho, o fim da escala 6×1 e o imposto para os super-ricos.

Mapa de atividades

Ao longo de toda a semana da Independência, o Grito dos Excluídos promoverá atividades em diversas cidades. O período também é considerado emblemático por coincidir com o julgamento dos atos golpistas de 8 de janeiro.

Além de caminhadas e atos públicos, a programação inclui processos de formação, seminários, debates, rodas de conversa, vigílias inter-religiosas e expressões culturais, como poemas e canções.

Confira a programação em todas as regiões. Os atos que não têm data específica ocorrem em 7 de setembro.

Nordeste

Bahia: em Salvador, a manifestação terá concentração às 9h na Praça Campo Grande. Haverá também o “9º Gritinho” para crianças e adolescentes, no dia 5 de setembro, das 8h30 às 12h, no Centro Educacional Paulo VI.
Ceará: em Fortaleza, a reunião para a manifestação no dia da Independência será na Praia do Futuro, às 8h, com caminhada até a comunidade Raízes da Praia.
Pernambuco: no Recife, a concentração será às 9h no Parque Treze de Maio. No dia 5 de setembro ocorrerá uma vigília inter-religiosa, na sede do Movimento dos Trabalhadores Cristãos (Rua Gervásio Pires, 404).
Rio Grande do Norte: o ato começa às 9h da manhã, na Praça das Flores, Petrópolis.
Sergipe: em Aracaju, o movimento será na Praça da Catedral Metropolitana, a partir das 9h da manhã.

Norte

Amapá: o ato em Macapá será na Avenida Cabral, pela manhã.
Amazonas: em Manaus, a manifestação será no dia 5, com concentração às 15h, seguida de mística às 16h e caminhada às 16h30.
Pará: em Belém, a concentração será às 9h na escadinha do cais do porto, seguida de caminhada até a Praça da Prefeitura.
Roraima: Boa Vista terá eventos começando às 15h30, no palco Aderval da Rocha, em frente à Praça Germano Sampaio, no bairro Pintolândia. O ato será marcado por manifestações culturais, música, arte e resistência popular.

Centro-Oeste

Distrito Federal: a agenda será na região central de Brasília, na Praça Zumbi dos Palmares, em frente ao Conic, a partir das 10h.
Goiás: Goiânia terá concentração a partir das 8h30 na Estação Ferroviária – Praça do Trabalhador.
Mato Grosso: em Cuiabá, o ato começa na Praça Cultural do Jardim Vitória, às 7h30.
Mato Grosso do Sul: em Campo Grande, o Grito dos Excluídos terá início no cruzamento da Rua 13 de maio com Dom Aquino, às 8h.

Sudeste

Espírito Santo: Vitória abre a concentração às 8h, na Praça Portal do Príncipe, próximo à rodoviária.
Minas Gerais: em Belo Horizonte, a marcha começa às 9h, na Praça Raul Soares.
Rio de Janeiro: na cidade do Rio, o ato “Quem manda no Brasil é o povo brasileiro” está marcado para 9h, com concentração na Rua Uruguaiana com a Presidente Vargas, e café da manhã solidário.
São Paulo: na capital paulista haverá manifestação na Praça da Sé, a partir das 7h, com café da manhã para pessoas em situação de rua, ato às 9h e caminhada às 10h30. Também no estado, a cidade de Aparecida receberá a Romaria das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, com concentração na basílica velha às 7h.

Sul

Paraná: em Curitiba, o protesto será no Território indígena Kogûnh Jamã, às margens da BR 277 Rondinha, Campo Largo, às 4h30.
Santa Catarina: haverá manifestação em Joinville no dia 6, com acolhida de peregrinos, caminhada e momento orante, com missa campal às 15h.
Rio Grande do Sul: Porto Alegre terá concentração às 10h30, no espelho d’água do Parque da Redenção, e com ato final na Ponte de Pedra, Largo dos Açorianos.

Fonte: Brasil de Fato

Lula lidera em todos os cenários eleitorais, aponta Real Time Big Data

Levantamento mostra presidente à frente em disputas contra Bolsonaro, Tarcísio, Michele Bolsonaro, Ratinho Jr. e Eduardo Leite, consolidando favoritismo

A pesquisa nacional do instituto Real Time Big Data, realizada entre 28 e 30 de setembro de 2025, confirma a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em todos os cenários eleitorais testados para a sucessão presidencial de 2026. O levantamento ouviu 2.500 pessoas em todo o Brasil e tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança.

Na pesquisa espontânea — quando não são apresentados nomes de candidatos — Lula aparece com 29% das intenções de voto, seguido por Jair Bolsonaro, com 21%. Tarcísio de Freitas marca 3%, Ciro Gomes e Michele Bolsonaro 1% cada. Brancos e nulos somam 11% e 31% não souberam ou não responderam.

Cenários estimulados

Nos cenários estimulados, em que nomes são apresentados ao eleitor, Lula mantém vantagem em todas as simulações:

  •  Contra Tarcísio de Freitas: Lula 42%, Tarcísio 40%. Romeu Zema aparece com 4% e Renan Santos com 2%.
  •  Contra Michele Bolsonaro: Lula 43%, Michele 37%. Zema tem 5% e Renan 2%.
  •  Contra Jair Bolsonaro: empate técnico, Lula 43% e Bolsonaro 43%. Zema surge com 4% e Renan 1%.
  •  Contra Bolsonaro e Michel Temer: Lula 42%, Bolsonaro 39% e Temer 11%.
  •  Contra Ratinho Jr.: Lula 45%, Ratinho Jr. 21%. Zema tem 10% e Caiado 4%.
  •  Contra Eduardo Leite: Lula 45%, Leite 17%. Zema aparece com 11% e Caiado com 5%.

Rejeição e votabilidade

O levantamento também mediu a rejeição. Lula registra 25% de eleitores que dizem votar nele “com certeza” e outros 23% que “poderiam votar”. Já 39% afirmam que não votariam no presidente em nenhuma hipótese. Bolsonaro, por sua vez, tem 22% de votos certos e 26% de potenciais votos, mas também lidera em rejeição: 40% dizem que não votariam nele de jeito nenhum.

Lula apresenta maior força no Nordeste, chegando a 56% em cenários estimulados, contra 20% de Ratinho Jr. e 13% de Eduardo Leite, por exemplo. Já Bolsonaro mantém desempenho mais competitivo no Sul, onde chega a 57% contra 33% de Lula.

A pesquisa Real Time Big Data reforça a resiliência eleitoral de Lula, que lidera em todos os cenários testados, mesmo diante de diferentes adversários. O resultado mostra que, apesar da polarização com o bolsonarismo, o presidente mantém-se como favorito para disputar e vencer um novo mandato em 2026.

Fonte: Brasil 247

Magistrado afastado por vender sentença ganhou R$ 2 mi de salário em 1 ano

O desembargador Ivo de Almeida, do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), recebeu R$ 2 milhões de salário em um ano após ser afastado do cargo, em junho de 2024, por suposta venda de decisões judiciais.

O que aconteceu

Almeida recebeu, em salário bruto, R$ 2 milhões de julho de 2024 a julho deste ano, segundo o portal de transparência do tribunal. Com os descontos, os ganhos do desembargador foram a R$ 1.593.733,08.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou o desembargador por venda de decisões judiciais entre 2015 e 2023. Ele é acusado de advocacia administrativa, associação criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. Outras quatro pessoas, incluindo o filho do desembargador, também foram denunciadas.

Em dezembro, Ivo de Almeida recebeu R$ 198 mil líquidos. A segunda maior remuneração foi em março deste ano, quando o magistrado teve ganhos de R$ 164,3 mil.

De janeiro de 2025 até julho, o desembargador recebeu mais de R$ 100 mil líquidos em todos os meses. Veja:

Janeiro de 2025: R$ 144.102,09
Fevereiro de 2025: R$ 131.174,31
Março de 2025: R$ 164.357,40
Abril de 2025: R$ 141.187,04
Maio de 2025: R$ 151.187,04
Junho de 2025: R$ 121.187,04
Julho de 2025: R$ 121.187,04

Fora indenizações, benefícios de Almeida chegaram a R$ 1.354.658,94. Os maiores ganhos foram em vantagens eventuais, que passaram de R$ 1 milhão, enquanto as vantagens pessoais ficaram em R$ 304,6 mil.

Desembargador ganhou mais enquanto esteve afastado do que quando trabalhava. Entre junho de 2023 e junho de 2024, os rendimentos brutos do desembargador foram de R$ 1,3 milhão, chegando a R$ 993,7 mil líquidos.

Afastado desde o ano passado
Almeida está afastado do cargo desde que a PF deflagrou a Operação Churrascada, em junho de 2024, e fez buscas na casa e no gabinete no TJ-SP. O inquérito foi concluído em novembro com o indiciamento do magistrado pela PF. Com a denúncia, cabe ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidir se há provas suficientes para iniciar um processo criminal.

A denúncia menciona quatro processos em que as decisões teriam sido compradas. No primeiro, o desembargador revogou as prisões preventivas de Diogo Concórdia da Silva e Almir Gustavo Miranda, presos em flagrante ao tentar roubar um caminhão à mão armada, em fevereiro de 2015.

Procuradoria atribui a Almeida a lavagem das propinas por meio de um posto de combustíveis próximo ao tribunal e de uma empresa de incorporação imobiliária. Segundo a denúncia, a companhia recebeu R$ 8.489.221,38 sem identificação de origem.

Fonte: Uol

Terremoto de magnitude 6,0 mata mais de 800 no Afeganistão

Tremor, de magnitude 6,0 ais de 2,8 mil ficaram feridos, e equipes de resgate buscam vítimas sob os escombros, mas o local é remoto e difícil de realizar buscas. Os tremores atingiram a província de Kunar, que tem histórico de terremotos e enchentes.

Um terremoto de magnitude 6,0 atingiu o leste do Afeganistão na madrugada desta segunda-feira (1º) e deixou 812 mortos e mais de 2.800 feridos, além de um rastro de destruição que já tornou o tremor um dos piores no país nos últimos anos.

O governo afegão disse esperar que o número de vítimas suba ainda mais, já que o tremor ocorreu em uma área extremamente montanhosa e de construções precárias, com muitas casas feitas de argila.

Vilarejos inteiros foram destruídos, segundo autoridades.

O terremoto, que já é um considerado um dos mais destruidores da longa lista de tremores recentes no Afeganistão, ocorreu entre as províncias Kunar e Nangarhar, região de fronteira com o Paquistão e a cerca de 200 quilômetros da capital Cabul.

A área também já vinha sendo fortemente afetada por chuvas e enchentes nas últimas semanas.

O epicentro ocorreu a apenas 8 quilômetros da superfície, uma profundidade considerada baixa para terremotos e que torna os tremores mais fortes. A intensidade fez com que o terremoto fosse sentido também em Cabul e até em Islamabad, capital paquistanesa.

Até a última atualização desta reportagem, equipes de resgate ainda buscavam por desaparecidos — como a área é muito remota, montanhosa e de difícil acesso, as buscas estão sendo feitas quase exclusivamente com helicópteros.

“O número de mortos e feridos é alto, mas como a área é de difícil acesso, nossas equipes ainda estão no local”, afirmou em comunicado o porta-voz do Ministério da Saúde, Sharafat Zaman.

Zaman disse que “os números devem mudar” e também fez apelos por ajuda internacional. Os talibãs — que governam o Afeganistão desde tomaram o poder à força em 2021 — disseram que “todos os recursos disponíveis serão utilizados para salvar vidas.”

No entanto, a volta do regime talibã ao governo do país fez secar as verbas para um fundo de ajuda internacional voltado a ajuda em casos de terremoto, muito comuns no país.

Centenas de feridos foram levados a hospitais locais, e, em um deles, um médico disse à agência de notícias Reuters que estava recebendo uma pessoa atingida pelos tremores a cada cinco minutos.

A ONU também afirmou que diversas agências da organização já começaram a prestar auxílio no resgate às vítimas em quatro províncias do país.

Leia mais: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2025/09/01/terremoto-atinge-afeganistao-mortos.ghtml

Fonte: G1

Ataques israelenses mata mais de 100 palestinos em Gaza

Neste final de semana, o exército israelense estabeleceu um cinturão de fogo a leste da Faixa de Gaza e Jabalia e escalou os ataques contra a população civil, em áreas densamente povoadas, na Cidade de Gaza.

Apenas no domingo (31/08), 78 palestinos foram assassinados no território e, desde o amanhecer desta segunda-feira (01/09), mais de 30 pessoas foram vitimadas, segundo fontes médicas ouvidas pela agência WAFA.

A Cidade de Gaza amanheceu sob bombardeio de caças israelenses próximo ao cruzamento de Abu Iskandar, no bairro de Sheikh Radwan, três civis foram mortos. Em Zeitoun, a sudeste da cidade, outros dois morreram em consequência de disparos de mísseis que devastaram quarteirões inteiros em meio à campanha de deslocamento forçado dos palestinos em direção ao sul.

Em outras regiões da Faixa, palestinos que aguardavam ajuda humanitária perto do ponto de distribuição de Netzarim, no centro do enclave, também foram atacados. Dos 30 palestinos mortos nesta manhã,16 buscavam por comida.

Equipes de resgate também recuperaram três corpos em Bani Suhaila, a leste de Khan Yunis, enquanto em Al-Mawasi, imenso campo de refugiados atacado na última semana, soldados israelenses dispararam contra uma mulher.

Hani Mahmoud, correspondente da Al Jazeera, relatou que escavadeiras e tanques israelenses avançam rua por rua em Zeitoun e Jabalia, demolindo sistematicamente casas e prédios.

“Quase não há combates diretos. O que vemos é destruição sistemática de aglomerados residenciais”, disse. Segundo Mahmoud, para muitos, a escolha é entre deslocamento forçado ou permanecer nas ruínas de suas casas. “Não há segurança em lugar nenhum”, sintetiza.

O governo local denunciou o uso de “robôs explosivos” por parte do exército israelense. Segundo Ismail al-Thawabta, diretor do Escritório de Imprensa de Gaza, mais de 80 desses dispositivos foram detonados em áreas residenciais nas últimas três semanas. “É uma política de terra arrasada que coloca em risco milhares de vidas”, declarou.

Domingo

Entre as vítimas fatais dos ataques, está a jornalista Islam Abed, do canal Al-Quds Al-Youm. O Escritório de Imprensa do Governo informou que 247 jornalistas já foram mortos desde o início da guerra; estimativas independentes apontam mais de 270 mortos. Na segunda-feira, cinco jornalistas — incluindo um da Al Jazeera — estavam entre as 21 pessoas assassinadas em um ataque ao Hospital Nasser, em Khan Younis, no sul de Gaza. A escalada reacende denúncias de ataques sistemáticos contra a imprensa, que tenta documentar a destruição no território.

Neste domingo, o chefe do exército israelense, Eyal Zamir, realizou uma reunião de avaliação com seus principais comandantes e afirmou, em comunicado, que os militares devem “iniciar mais ataques para surpreender e atingir seus alvos em qualquer lugar”. Segundo ele, muitos outros soldados da reserva devem se reunir nesta semana “em preparação para a intensificação contínua dos combates”.

Fonte: Ópera Mundi

Volkswagen é condenada a pagar R$ 165 milhões por trabalho escravo no Pará

Pagamento foi pedido pelo Ministério Público por danos morais coletivos após denúncias de situação análoga à escravidão ocorrida durante a ditadura militar em fazenda. Empresa vai recorrer.

A Vara do Trabalho de Redenção, no sul do Pará, condenou a Volkswagen do Brasil a pagar R$ 165 milhões por danos morais coletivo por condições de trabalho análogas à escravidão na Fazenda Vale do Rio Cristalino durante a ditadura militar, nas décadas de 1970 e 1980, quando a fazenda em Santana do Araguaia, sudeste do estado, pertencia à empresa.

“Além do pagamento milionário, o maior da história em casos de trabalho análogo ao de escravo, a decisão determina que a empresa deve reconhecer publicamente a sua responsabilidade e pedir desculpas aos trabalhadores atingidos e à toda sociedade brasileira”, informou o Ministério Público do Trabalho (MPT), que moveu a ação contra a empresa automobilística.

Em nota ao g1, a empresa disse que “defende os princípios da dignidade humana, cumpre todas as leis” e que vai recorrer da decisão (veja nota completa abaixo).

A decisão da Justiça foi publicada na sexta-feira (29) e atendeu ao pedido do MPT em uma ação civil pública elaborada por grupo integrado por quatro procuradores do Trabalho. Uma das audiências foi realizada em maio, quando a Justiça ouviu testemunhas.

Jornada exaustivas e violência

Segundo o MPT, cerca de mil trabalhadores teriam sido submetidos a jornadas exaustivas, alojamentos degradantes, falta de acesso à água potável e vigilância armada. Os relatos também apontam para a prática de escravidão por dívida e violência física.

O caso chegou ao conhecimento do Ministério Público do Trabalho em 2019, quando o órgão recebeu documentação reunida por um padre que, à época, era coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) para a região do Araguaia e Tocantins da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Os documentos reunidos ao longo de anos indica que os trabalhadores eram recrutados em cidades distantes e transportados para a fazenda, onde atuavam principalmente na derrubada da mata nativa para abertura de pastos.

Entre os depoentes ouvidos ao longo do processo estava um trabalhador rural detalhou as condições enfrentadas na fazenda:

“Nós ficávamos num barracão de lona, fazíamos nossa comida, bebíamos água do córrego, com chuva e nós ficamos só lá no mato mesmo, no serviço. Não podíamos sair, nem comunicar com nossa família”, afirmou.

Antes do processo, o órgão tentou acordo com a empresa em cinco audiências entre 2022 e 2023, mas a Volkswagen se retirou das negociações em março de 2023. O MPT processou a empresa em dezembro de 2024.

O que diz a empresa

“A Volkswagen do Brasil informa que tomou conhecimento da decisão em primeira instância relacionada à investigação da Fazenda Vale do Rio Cristalino, mas seguirá sua defesa em busca de justiça e segurança jurídica nas instâncias superiores. Com um legado de 72 anos, a empresa defende consistentemente os princípios da dignidade humana e cumpre rigorosamente todas as leis e regulamentos trabalhistas aplicáveis. A Volkswagen reafirma seu compromisso inabalável com a responsabilidade social, que está intrinsecamente ligada à sua conduta como pessoa jurídica e empregadora”.

Fonte: G1

STF mantém proibida desocupação em região de interesse da família Caiado

A 2ª Turma do STF foi unânime ao considerar que as desocupações na Antinha de Baixo, no Entorno do DF, devem ser proibidas

2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) foi unânime em manter proibida a desocupação das casas da fazenda Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto (GO). Em votação concluída nesta sexta-feira (29/8), os quatro ministros da turma acompanharam o relator Edson Fachin.

Em 5 de agosto deste ano, Fachin, em seu voto, levou em conta o fato de a Fundação Cultural Palmares ter acatado a autodeclaração dos moradores da Antinha de Baixo como região quilombola — a população do local aponta que cidadãos escravizados ocupavam aquelas terras cerca de 400 anos atrás.

A decisão responde a uma reclamação impetrada pelos moradores da Antinha de Baixo, que usaram como justificativa a autodeclaração como região quilombola.

Votaram acompanhando o relator Fachin os ministros Dias Toffoli, Nunes Marques, Gilmar Mendes e André Mendonça. O mérito da questão deve ser votado posteriormente, sem data prevista.

Conforme revelou o Metrópoles, dezenas de famílias chegaram a perder seus lares para que a propriedade da região fosse destinada a herdeiros da família do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil).

  • Em 28 de julho deste ano, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) expediu mandado de desocupação compulsória de 32 imóveis localizados na fazenda Antinha de Baixo, na zona rural de Santo Antônio do Descoberto (GO).
  • A medida, assinada pela juíza Ailime Virgínia Martins, da 1ª Vara Cível da comarca de Santo Antônio do Descoberto, desapropriava os atuais moradores e dava posse das terras a três pessoas: Luiz Soares de Araújo, Raul Alves de Andrade Coelho e Maria Paulina Boss. Como esses dois últimos já faleceram, os herdeiros deles são os reais beneficiados com a decisão. Em 4 de agosto, a ordem começou a ser cumprida.
  • Um dos herdeiros de Maria Paulina Boss é o desembargador do Tribunal de Justiça (TJGO) Breno Caiado, primo do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Ele atuou como advogado no processo até 2023.
  • Outro herdeiro é o empresário Murilo Caiado, irmão de Breno e primo de Ronaldo. Murilo esteve na Antinha de Baixo acompanhando as desocupações no dia 4 de agosto.
  • No dia seguinte, 5 de agosto, houve uma reviravolta no caso, e os moradores da região tiveram três decisões judiciais de âmbito federal favoráveis: o STF, a Justiça Federal de Anápolis e o próprio TJGO determinaram a suspensão das derrubadas para que se apure a autodeclaração da população que diz que a Antinha de Baixo é uma região quilombola.
  • A determinação do STF, a mais recente, torna a Justiça Federal competente pela comunidade Antinha de Baixo. Assim, o TJGO não tem mais condições de emitir novas ordens de despejo para outras casas.
  • Entretanto, a decisão do STF não invalida medidas anteriores. Por isso, as 32 casas desocupadas em 4 de agosto graças à ordem anterior do TJGO seguem sob posse dos herdeiros de Luiz Soares de Araújo e dos herdeiros de Raul Alves de Andrade Coelho e Maria Paulina Boss.
  • A entrega da competência do caso à Justiça Federal vem após o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) pedir à Advocacia-Geral da União (AGU) para atuar no processo como assistente. O pedido do Incra ocorreu após os moradores da Antinha de Baixo declararem ao órgão que aquela região foi ocupada por comunidade tradicional quilombola há cerca de 400 anos.
  • Caso fique comprovado que a região foi habitada por cidadãos escravizados em séculos passados, seguirá cabendo somente à Justiça Federal definições jurídicas sobre a área, como estabeleceu o Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2014.

Fonte: Metrópoles

Estadão mostra a ligação entre governo Tarcísio e o PCC

O jornal Estado de S.Paulo publicou uma matéria em que mostra a ligação entre o governo Tarcísio (Republicanos-RJ) com a organização criminosa PCC. A ligação é o capitão Diogo Costa Cangerana, preso nesta terça-feira, 26, durante uma operação da Polícia Federal que investiga fintechs da Faria Lima, ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Para se ter uma ideia, Diogo aparece em fotos de campanha (acima) e esteve em ao menos 25 comitivas do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nos últimos dois anos, entre elas viagens para se reunir com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Câmara dos Deputados e no ministério da Fazenda.

A reportagem ressalta que Cangerana é suspeito de atuar na abertura de contas que seriam usadas para lavar dinheiro do crime por meio de instituições financeiras. Ele trabalhou na Casa Militar do Palácio dos
Bandeirantes como chefe de equipe de segurança do governador até o dia 3 de setembro, quando foi transferido para o 13.º Batalhão da Polícia Militar (PM), responsável pelo patrulhamento, veja só, da Cracolândia.

Apesar de aparecer ao lado do governador em campanha e ações do governo, Tarcísio também negou que o militar exercesse a função de chefe de sua segurança. Mas as fotos e uma visita em Brasília, quando foi ao Ministério da Fazenda, parecem desmentir Tarcísio.

Segundo interlocutores de Haddad, Cangerana foi ao prédio do ministério no dia anterior ao encontro, ensaiou o caminho que o governador faria e conversou com os seguranças do local, procedimentos de praxe. No dia seguinte, 5 de julho de 2023, o policial militar entrou novamente no ministério, desta vez
acompanhando Tarcísio, mas aguardou do lado de fora da sala e não participou da reunião. Ele saiu do local junto com o governador. (veja reportagem)

O governador prometeu punição ao policial e classificou o caso como um ato isolado, afirmando que “toda instituição tem suas maçãs podres”. Mas a situação de Tarcísio com o PCC não começa com essa maçã. “PF investiga doadora de campanha de Tarcísio por suspeita de lavagem de dinheiro do PCC”. Essa foi a manchete da Folha, em reportagem publicada no dia 29 de julho. Era a primeira vez que a imprensa relacionava a pecuarista Maribel Schmittz Golin a Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ela foi a sexta maior doadora da campanha do ex-ministro de Bolsonaro ao Palácio do Bandeirantes: transferiu R$ 500 mil para o governador paulista, em 2022. (link)

Mas há um outro fato curioso. Na última eleição para prefeito de São Paulo, Tarcísio de Freitas divulgou uma fake news de que o PCC estaria comemorando a vitória de Guilherme Boulos (PSOL), sendo que um integrante do PCC estava ao lado de Tarcísio. O governador foi inocentado dessa divulgação falsa.

O juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Antonio Maria Patiño Zorz, julgou improcedente Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) proposta pelo candidato a prefeito nas últimas eleições Guilherme Boulos e pela Coligação Amor por São Paulo e PDT contra o prefeito Ricardo Nunes, seu vice, Mello Araújo, e o governador Tarcísio de Freitas. A ação apurava se houve abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação social em razão das declarações de Tarcísio em entrevista coletiva.

Para Boulos, Tarcísio utilizou-se do cargo com a finalidade de interferir no resultado da eleição. No dia da votação em segundo turno, confirmando que obteve informações de uma “ação de inteligência” de que teria havido um “Salve” do PCC (Primeiro Comando da Capital – organização criminosa) orientando o voto em Guilherme Boulos. A declaração foi dada em resposta a jornalistas no colégio Miguel Cervantes, na zona sul, local de votação do governador.

Seria Diogo Costa Cangerana, preso nesta terça-feira por ligação com o PCC, a “inteligência’ que deu as informações ao Tarcísio no dia das eleições?

Fonte: Carta Campinas

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