Estudo da Unicamp estima que fim da escala 6×1 pode gerar até 4,5 milhões de empregos

Um estudo da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), divulgado hoje pelo Governo Federal, estima que reduzir a jornada semanal pode abrir espaço para até 4,5 milhões de empregos no Brasil, em meio ao debate sobre o fim da escala 6×1.

O que aconteceu

Levantamento é assinado pela economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho). Ela calculou que a redução de 44 para 36 horas semanais teria potencial de criar até 4,5 milhões de vagas e elevar a produtividade em cerca de 4%.

Estudo integra o chamado ‘Dossiê 6×1’, elaborado por 63 autores e composto por 37 artigos. O material reúne professores, pesquisadores, auditores fiscais do Trabalho e representantes sindicais para discutir impactos econômicos e sociais de mudanças na jornada.

Marilane afirma que país tem condições de reduzir tempo de trabalho sem repetir previsões de queda do PIB ou de quebra de empresas. “Não vai ser agora, com avanços tecnológicos, num contexto de pleno emprego, com crescimento econômico e o nível de tecnologia que temos, que não vai ser possível no Brasil reduzir para 40 horas”, disse a pesquisadora do Cesit/Unicamp.

Dossiê usa dados da Pnad Contínua do IBGE para contestar ideia de que brasileiro trabalha pouco. Segundo o documento, cerca de 21 milhões de pessoas cumprem jornada acima das 44 horas previstas na CLT, e 76,3% dos ocupados trabalham mais de 40 horas por semana.

Pesquisadora também aponta custos de saúde associados à sobrecarga. O dossiê registra que, em 2024, houve meio milhão de afastamentos por doenças psicossociais ligadas a condições desfavoráveis de trabalho, considerando apenas o emprego formal.

Texto estima alcance de diferentes modelos de redução. A adoção de escala 4×3 atingiria diretamente 76 milhões de trabalhadores, enquanto a migração para 40 horas semanais em escala 5×2 beneficiaria cerca de 45 milhões, de acordo com o dossiê.

Governo tenta levar discussão ao Congresso

Tema entrou na agenda do governo e a discussão envolve Congresso, empresários e trabalhadores. Em entrevista no início do mês, o presidente Lula questionou: “Com os avanços tecnológicos que o Brasil teve, acha que é necessário as pessoas trabalharem na mesma jornada que trabalhavam há 40 anos?”.

Lula disse que mudança precisa dialogar com realidade de quem enfrenta longos deslocamentos e rotinas extensas. “Um jovem, uma menina, não quer mais se levantar às 5h da manhã e ficar até 6h da noite dentro de uma fábrica pegando ônibus lotado. Com o avanço tecnológico, a produção aumentou muito.”, afirmou.

Fonte: Uol

Corregedoria Nacional de Justiça suspende levantamento de R$ 331 milhões em Alagoas

A Corregedoria Nacional de Justiça determinou, nesta terça-feira (24/2), o sobrestamento imediato de qualquer levantamento de valores decorrente de decisões proferidas nos Agravos de Instrumento n. 0801912-60.2026.8.02.0000 e n. 0801809-53.2026.8.02.0000, no âmbito do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL). A medida cautelar interrompe a liberação de R$ 331.568.997,90 em favor de herdeiros e advogados do Espólio de João José Pereira de Lyra, após decisão monocrática de desembargador que autorizava o pagamento direto pela secretaria do Tribunal, ignorando o juízo natural da execução.

O ministro corregedor, Mauro Campbell Marques, fundamentou a intervenção excepcional no risco iminente à integridade do patrimônio da massa falida e à ordem processual, visto que o processo tramita há 18 anos e a liberação de vultosa quantia em espécie poderia comprometer o pagamento de credores preferenciais. A decisão destaca a gravidade da substituição de dinheiro vivo pela penhora de equipamentos industriais da Usina Guaxuma, o que demanda cautela extrema para evitar o exaurimento de ativos antes da devida consolidação do quadro de credores.

Além da suspensão dos pagamentos, foi determinada a realização de correição extraordinária imediata no gabinete do Desembargador Carlos Cavalcanti de Albuquerque Filho e na 1ª Vara Cível de Coruripe/AL para auditar a regularidade dos cálculos e a ordem de preferência dos credores. Paralelamente, instaurou-se Pedido de Providências contra o referido desembargador e as magistradas Veridiana Oliveira de Lima e Nathália Silva Viana, visando apurar eventuais irregularidades disciplinares e administrativas na condução do feito, que passará a tramitar sob sigilo.

Fonte: Agência CNJ de Notícias

UM BASTA NO FEMINICÍDEO

Paulo Memória Alli é jornalista, cineasta e escritor

Esta semana tivemos o desfecho do caso que envolveu o assassinato da então Vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL), com quem sempre tive uma relação fraternal nos muitos anos em que militei na política carioca e fluminense. Este é um momento emblemático para falarmos deste delicado assunto, que precisa de políticas específicas e urgentes na sua resolução. Estamos falando da prática nefasta do feminicídio em nosso pais. Passamos por um momento onde podemos observar um aumento significativo da violência contra as mulheres no Brasil.

Segundo O Mapa da Segurança Pública de 2025, divulgado pelo Ministério da Justiça em junho passado, os atentados cometidos contra as mulheres em nosso país em 2024 aumentaram 0,69% em relação a 2023, com o inaceitável número 1.459 feminicídios, o que representa o expressivo número de 4 mortes diárias e um aumento de 16,1% das tentativas de assassinatos de vítimas do sexo feminino, que representaram 8.648 casos no ano passado, ou seja: 23, 6 investidas de homens contra as mulheres por dia. A média nacional de feminicídios no Brasil, portanto, é de 1,34 para cada 100 mil mulheres.

Já os crimes sexuais registraram 83.114 casos de estupros nacionalmente, uma média de 227 agressões diárias, sendo 86% praticadas contra o gênero feminino. Estes dados revelam a prioridade na valorização das mulheres, em relação a um grave problema social, que revela, mais do que uma transgressão, uma deformação que coloca em questionamento o sistema judiciário brasileiro, o aparelho de segurança pública e os programas de saúde mental em nosso país. É premente darmos voz às muitas dessas histórias silenciadas, resultando no sofrimento de milhares de famílias em todo território nacional, que convivem cotidianamente com essa realidade de vidas brutais e covardemente interrompidas pela violência praticadas por homens contra as mulheres, por terem, na maioria as vezes, a certeza da impunidade pelos crimes cometidos.

O feminicídio é uma clara violação contra os direitos das mulheres e em total desacordo, mais amplamente, aos próprios direitos humanos, que afetam não apenas as vítimas que sofrem esta violência, atingindo também as famílias e as comunidade que convivem com este cenário de crueldade e constrangimento. As tratativas para enfrentar este contexto, exige uma abordagem multidisciplinar, promovendo o engajamento da sociedade como um todo, contribuindo para a busca de soluções para este problema, que tem aumentado, significativamente, ao longo dos últimos anos. Só mudaremos esta conjuntura, por intermédio da cultura, educação, conscientização e políticas públicas consistentes.

Entendemos que este é um momento propício para uma reflexão crítica sobre o tema, com as denúncias e divulgação desta realidade de forma permanente, mas que ainda é postergada e negligenciada pelas esferas dos poderes constituídos: o executivo, o legislativo e o judiciário. Precisamos de leis cada vez mais rigorosas contra a prática desses crimes, com um sistema de justiça mais rígido na manutenção das condenações dos que cometerem delitos desta natureza e com um aparato de segurança cada vez mais exclusivo no combate à este tipo de violência.

Um dos aspectos destas políticas públicas a que me refiro, é o de promover a conscientização da sociedade brasileira em relação a esta temática, bem como as traumáticas consequências por ela proporcionada. Necessário se faz a abertura de um espaço de manifestação e ações concretas em relação a este problema que atinge milhões de famílias e lares brasileiros. A atualização sobre a questão do feminicídio deve ser constante, analisando suas causas estruturais, as dimensões das suas sequelas sociais e discutindo as melhores formas de prevenções para contê-las. Aprofundar uma maior meditação e ponderações sobre a urgência desta questão, é uma outra abordagem sobre este tema tão sensível a população brasileira.

É preciso a união de todos os segmentos da sociedade civil organizada nacional, que devem interagir na busca de respostas, com a participação de diversas instituições de defesa da mulher, mobilizando ativistas da causa de defesa das mulheres, que compõem o amplo arco de constituição do movimento feminista nacional, bem como os profissionais das áreas de assistência social, segurança pública e de saúde mental psiquiátrica, em parceria com as vítimas de tentativas desta forma de crime e seus familiares, contando ainda com a colaboração de outros agentes que integram a imensa cadeia de discussão a respeito deste assunto inadiável em nosso país.

Como podemos constatar, a violência contra o sexo feminino no Brasil tem aumentado significativamente nos últimos anos, sobretudo após a consolidação do discurso da extrema direita, que normalizou a perigosa combinação do machismo com a misoginia, que passaram a ser ações complementares, naturalizando a prática do feminicídio como algo aceitável socialmente, motivado, sobretudo, por questões de gênero, inclusive em relação a homossexualidade, uma vez que constatamos também o aumento de mortes violentas da população LGBTQUIA+ em nosso país.

Resta claro que a vida de Marielle não terá sido em vão. Mesmo que as motivações do seu assassinato sejam relativamente divergentes do feminicídio clássico e esteja muito mais próximo do crime político, a morte dela expressa e desmascara a violência de gênero que se pratica impunemente em nosso país.

A condenação dos executores e mandantes de uma vereadora negra, favelada, lésbica e de esquerda, revela uma mudança de paradigma da impunidade e pode ser recebida como um avanço significativo da quebra de certas normas estabelecidas pelo patriarcado machista que ainda domina o arcabouço do nosso sistema político e ideológico, muito embora, pelo menos para mim, este crime ainda não esteja totalmente elucidado. Existem ainda muitos elementos soltos para encerrá-lo

Evidentemente que ainda temos muito a fazer para diminuir os assassinatos covardes que ocorrem cotidianamente em todo território nacional. Com certeza, no tempo em que escrevo este artigo, algumas mulheres em todos os recantos do Brasil, estão sendo vítimas de abusos morais ou sexuais em seus locais de trabalho ou de convivência, outras estão sofrendo tentativas de estupros dentro dos seus próprios lares, por um homem muito próximo do núcleo familiar da vítima e passando por situações de violência doméstica, quando não, na pior das hipóteses, sendo assassinadas pelos proprios maridos e companheiros em geral, que, em tese, deveriam proteger suas esposas, ao invés de lhes infligir humilhações,sofrimentos e morte. O Brasil precisa de resposta para este cenário e soluções definitivas para este grave problema. É necessário darmos um retundo basta de feminicídio!

PF afasta Eduardo Bolsonaro de cargo por faltas não justificadas

Ex-deputado pode ser demitido ao fim de processo administrativo disciplinar. Eduardo está morando nos EUA desde o início de 2025

A Polícia Federal (PF) determinou, nesta quinta-feira (26/2), o afastamento do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) do cargo de escrivão da corporação até a conclusão de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).

A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) e formalizada por meio de portaria assinada pelo corregedor regional da PF no Rio de Janeiro.

O PAD foi instaurado no fim de janeiro para apurar faltas não justificadas de Eduardo ao posto na delegacia da PF em Angra dos Reis (RJ). A investigação vai analisar se houve abandono de cargo.

A portaria determina que Eduardo entregue a carteira funcional e a arma de fogo institucional ao chefe imediato no prazo de cinco dias úteis, salvo decisão em contrário da autoridade responsável pelo caso.

Mandato cassado e retorno à PF

Réu no STF

O ex-parlamentar está nos Estados Unidos desde março do ano passado e afirma que não retornará ao Brasil por se considerar alvo de perseguição política.

No dia 19 de fevereiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) formalizou ação penal contra Eduardo por obstrução de Justiça e coação, tornando-o réu.

Em novembro do ano passado, a Primeira Turma da Corte aceitou denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Na peça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que Eduardo teria atuado de forma reiterada para submeter interesses da República a objetivos pessoais e familiares.

Com a abertura da ação penal, o ex-deputado deverá apresentar defesa e indicar testemunhas. Ao final do processo, os ministros do STF decidirão pela absolvição ou condenação.

Fonte: Metrópoles

PF combate ação de grupo que abastecia garimpos ilegais na Terra Indígena Sararé

A operação cumpre três mandados de prisão preventiva das lideranças do grupo, além de quatro mandados de busca e apreensão

Cáceres/MT. A Polícia Federal cumpriu, nesta terça-feira (24/2), mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva nos municípios de Pontes e Lacerda/MT, de Vila Bela da Santíssima Trindade/MT e de Aripuanã/MT, com o objetivo de combater a comercialização ilegal de combustíveis que abastecem a cadeia produtiva de garimpos ilegais na Terra Indígena Sararé.

A operação cumpre três mandados de prisão preventiva das lideranças do grupo, além de quatro mandados de busca e apreensão nas residências dos investigados. As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Cáceres/MT.

A investigação teve início com fiscalização realizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), contando com o apoio logístico e de segurança da Polícia Federal e da Funai aos agentes de fiscalização. A ação abrangeu postos de abastecimento legalizados nos municípios de Conquista d’Oeste e de Pontes e Lacerda, além de fazendas que possuíam reservatórios de combustíveis.

Durante a ação, foi flagrado o armazenamento e a venda ilegal de óleo diesel, combustível normalmente utilizado em maquinários de grande porte, em fazenda localizada a poucos quilômetros de garimpo ilegal. Na ocasião, foram apreendidos 15 mil litros de óleo diesel e um reservatório de 15 m³.

Em continuidade ao inquérito instaurado, a ANP, na condição de órgão fiscalizador, forneceu elementos que subsidiaram o aprofundamento das investigações. Apurou-se que o grupo criminoso adquiriu mais de 4 milhões de litros de diesel no período de 21 meses.

Após o cumprimento das ordens judiciais, os elementos de informação colhidos serão analisados, a fim de corroborar os indícios iniciais e identificar outros envolvidos nessa atividade ilegal.

Fonte: Gov

Desembargador do TJGO é aposentado pelo CNJ por assédio sexual

Um desembargador do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) foi aposentado compulsoriamente por assediar uma colaboradora do órgão. As acusações foram julgadas procedentes por unanimidade pelos conselheiros e pelas conselheiras do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), durante sua 2ª Sessão Ordinária de 2026, realizada nesta terça-feira (24/2).

Em abril de 2021, o desembargador Orloff Neves Rocha, às vésperas de sua aposentadoria voluntária, solicitou atendimento técnico para a formatação de computador de seu gabinete. A demanda foi atendida por uma colaboradora terceirizada do tribunal. Entre os atos de assédio, ele propôs um encontro fora do tribunal e tentou beijá-la.

A colaboradora voltou ao seu setor e relatou o fato a seus superiores, que ofereceram apoio e acolhimento à vítima. Ela registrou uma denúncia na delegacia, sob o crime de importunação sexual, que prevê pena de um a cinco anos de detenção.

Para o relator do Processo Administrativo Disciplinar 0002264-14.2023.2.00.0000, conselheiro João Paulo Schoucair, a conduta violou os deveres impostos à magistratura, com afronta aos deveres de integridade, dignidade, honra e decoro, configurando a prática de assédio sexual. Ele também reafirmou a importância da palavra da vítima, apesar de o fato ter ocorrido em ambiente reservado.

Em seu voto, Schoucair indicou que a aposentadoria voluntária deve ser transformada em aposentadoria compulsória, o que foi acompanhado pela maioria. A decisão será encaminhada ao Ministério Público do Goiás e à Procuradoria do Estado para que promovam ação cabível e, se for procedente, que o desembargador perca a aposentadoria.

Os conselheiros e as conselheiras comentaram a decisão. A conselheira Jaceguara Dantas, supervisora da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres do CNJ, afirmou que a decisão é uma resposta institucional firme e inequívoca ao combate ao assédio, como prevê a Resolução CNJ 351/2020, que visa um trabalho seguro no Judiciário, pautado na alteridade e no respeito à integridade humana. “Estamos em 2026 e ainda vemos situações como essa, assim como a violação da vida, da integridade física e psíquica das mulheres”, destacou.

Já o conselheiro Fábio Esteves, que é o supervisor da Política de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Moral e Sexual no âmbito do Poder Judiciário, reforçou que a decisão fortalece a reflexão e a atuação do CNJ nesse tema. Ele informou ainda que as comissões de assédio instituídas pelos tribunais de justiça serão revitalizadas por meio de formação para os membros desses colegiados. Os canais de denúncia também serão consolidados, garantindo que não haja revitimização e que sejam alcançados resultados, com punição dos agressores. “A resolução foi recentemente atualizada e há uma preocupação com a interseccionalidade em relação às lentes que serão utilizadas para essas questões”, afirmou.

Fonte: CNJ

STF condena irmãos Brazão por assassinato de Marielle

Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, além da tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves.

Votaram a favor da condenação o relator, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. A pena dos criminosos será definida ao final do julgamento.

Os ministros também votaram pela condenação do ex-PM major Ronald Paulo Alves Pereira e do ex-assessor Robson Calixto Fonseca pelos mesmos crimes atribuídos aos irmãos Brazão: duplo homicídio e tentativa de homicídio, além de organização criminosa.

Em seu voto, Moraes sustentou que não há dúvidas sobre o papel dos irmãos como mandantes do crime. Segundo ele, a atuação de Marielle contra loteamentos irregulares em áreas dominadas por milícias atingiu interesses econômicos e políticos ligados ao grupo.

O ministro afirmou que os réus utilizavam a estrutura desses territórios como base de poder e que o assassinato teve relação direta com a preservação dessas atividades.

“Se juntou a questão política com a misoginia, com o racismo, com a discriminação. Marielle Franco era uma mulher preta, pobre, que estava, diremos, no popular, peitando os interesses de milicianos. Qual o recado mais forte que poderia ser feito? E na cabeça misógina, preconceituosa de mandantes e executores, quem iria ligar para isso? Uma cabeça de cem anos, 50 anos atrás: ‘vamos eliminá-la e isso não terá grande repercussão’. E na própria delação, citarei trechos aqui, o colaborador Ronnie Lessa diz da preocupação dos mandantes com a repercussão, eles não esperavam tamanha repercussão, e a partir disso uma série de queimas de arquivos”, declarou o relator.

Moraes também afirmou não haver “dúvidas” sobre a ligação dos réus com milícias que atuam na zona oeste do Rio. “Eles não tinham só contato com a milícia, eles eram a milícia, eles participavam da milícia”, disse. De acordo com o ministro, a organização continuaria operando em Jacarepaguá, mantendo influência territorial e política.

No caso do ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, a maioria votou pela absolvição quanto aos homicídios, por ausência de provas suficientes para confirmar a participação direta no atentado. O relator, porém, entendeu que ficaram comprovados crimes de obstrução de Justiça e corrupção passiva durante sua gestão.

A ministra Cármen Lúcia também fez considerações sobre o impacto do crime. “Este processo, como eu já comentei com alguns, tem me feito muito mal. Muito mal espiritualmente, muito mal psicologicamente, muito mal até fisicamente nessas últimas semanas que eu leio e releio e assisto documentos e assisto vídeos sobre tudo que se passou […] Mas eu quero deixar claro que, neste caso, se alvejou uma mulher, se baleou um trabalhador, pai de família, feriu-se outra mulher e essa rajada de submetralhadora que riscou à noite, estilhaçou não apenas os corpos dessas pessoas, feriu o Brasil inteiro.”

Familiares dos réus e das vítimas acompanharam a sessão. De um lado, parentes dos irmãos Brazão; de outro, a ministra da Igualdade Racial Anielle Franco, irmã de Marielle, além dos pais da vereadora, sua filha e a viúva Mônica Benício.

A esposa de Anderson Gomes também esteve presente. Na etapa anterior do julgamento, o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, defendeu a condenação dos cinco réus, enquanto as defesas questionaram a delação de Ronnie Lessa e sustentaram falta de provas.

Fonte: DCM

MP-RJ reabre investigação sobre rachadinha de Carlos Bolsonaro

Procuradoria rejeita arquivamento e envia caso a nova Promotoria para avaliar diligências sobre suposta devolução de salários no gabinete

A Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro decidiu retomar a investigação sobre a suposta prática de “rachadinha” no antigo gabinete do ex-vereador Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio. O órgão rejeitou o arquivamento do caso e determinou o envio do procedimento a outra Promotoria, que avaliará a necessidade de novas diligências para apurar o possível envolvimento do ex-parlamentar no recolhimento de parte dos salários de assessores, informa a Folha de São Paulo.

A medida ocorre após a Justiça do Rio de Janeiro devolver a investigação ao Ministério Público estadual. O promotor Alexandre Graça havia apresentado denúncia contra ex-funcionários do gabinete, mas não incluiu Carlos Bolsonaro entre os acusados, ao concluir que não foram identificadas irregularidades na movimentação financeira do filho de Jair Bolsonaro (PL).

Em decisão proferida no último dia 9, o subprocurador-geral de Justiça de Atribuição Originária, Marcelo Pereira Marques, avaliou que o arquivamento em relação ao ex-vereador foi prematuro. Por isso, determinou o encaminhamento do caso a outra Promotoria para nova análise e eventual aprofundamento das investigações.

A apuração sobre Carlos foi encerrada sem a realização de diligências semelhantes às adotadas no caso do senador Flávio Bolsonaro (PL). Na investigação envolvendo o parlamentar, posteriormente arquivada após a anulação de provas, foram analisadas transações imobiliárias e pagamentos de boletos de planos de saúde, elementos considerados centrais para a identificação de parte do suposto esquema de lavagem de dinheiro.

No caso de Carlos, o Ministério Público não examinou operações imobiliárias nem questionou operadoras de saúde sobre a quitação de boletos. A investigação apontou, contudo, que ele e o irmão apresentavam padrões distintos de movimentação financeira. O ex-vereador teria sacado quase 90% dos salários recebidos, enquanto o senador realizou poucas retiradas em espécie. Essa prática, segundo o relato, dificultaria a identificação de eventuais desvios, uma vez que Carlos dispunha de recursos em dinheiro para realizar transações.

Responsável pelo procedimento, o promotor Alexandre Graça afirmou que “as diligências que se fizeram necessárias foram realizadas”. Ele acrescentou que “o questionamento feito é fruto do desconhecimento da investigação”.

Procurada pela Folha de São Paulo, a defesa de Carlos Bolsonaro não se manifestou até a publicação da matéria. Em ocasião anterior, quando o arquivamento foi anunciado, o ex-vereador declarou receber a decisão com tranquilidade e demonstrou insatisfação com a denúncia apresentada contra integrantes de seu gabinete. À época, afirmou: “Confio em todos os meus funcionários e tenho absoluta certeza que todos os envolvidos demonstrarão a fragilidade da acusação e suas inocências”.

Fonte: Brasil 247

Lula determina mobilização federal em socorro às vítimas das chuvas em Minas Gerais

“Nosso foco é garantir assistência humanitária, restabelecimento dos serviços básicos, auxílio às pessoas desabrigadas e suporte à reconstrução”, afirmou

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou a mobilização imediata do governo federal para apoiar as cidades da Zona da Mata mineira atingidas por fortes chuvas, que já deixaram 22 mortos em Juiz de Fora e Ubá. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (24), após o agravamento da situação provocada por enchentes, deslizamentos e desabamentos na região.https://landing.mailerlite.com/webforms/landing/r9f0h9

Em publicação feita durante escala de viagem em Abu Dhabi, Lula informou que tomou conhecimento da gravidade do cenário e acionou órgãos federais para atuar no socorro às vítimas. “Durante escala de viagem em Abu Dhabi, tomei conhecimento da situação das famílias da Zona da Mata Mineira após as fortes chuvas das últimas horas. E determinei pronta mobilização do Governo do Brasil para auxiliar a população da região”, declarou.Play Video

De acordo com o presidente, uma equipe de coordenação da Força Nacional do SUS já está a caminho da região. Ele também destacou que a Defesa Civil Nacional enviou profissionais à Zona da Mata e atua em regime de alerta máximo, mantendo contato permanente com a Defesa Civil de Minas Gerais.

Lula anunciou ainda o reconhecimento federal do estado de calamidade pública em Juiz de Fora. “Já reconhecemos o estado de calamidade em Juiz de Fora – que será publicado em Diário Oficial ainda hoje. Nas próximas horas – e dias – seguiremos de prontidão para agir com a velocidade e a força que o momento exige”, afirmou.

Ao detalhar as prioridades da atuação federal, o presidente ressaltou: “Nosso foco é garantir a assistência humanitária, o restabelecimento dos serviços básicos, o auxílio às pessoas desabrigadas e o suporte à reconstrução”.

O chefe do Executivo também relatou que entrou em contato com a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT). “Ainda durante a escala de viagem, liguei para a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, prestando minha solidariedade e oferecendo o apoio federal”, disse.

Por fim, Lula manifestou pesar pelas perdas registradas na tragédia. “Quero enviar meus profundos sentimentos às famílias que perderam seus lares e, o que é pior, os seus entes queridos. E me solidarizar com as autoridades e forças de segurança mineiras que estão trabalhando no resgate e no atendimento imediato à população prejudicada pela chuva”.

As chuvas intensas atingiram principalmente Juiz de Fora, onde bairros como Parque Burnier e Cerâmica registraram desabamentos e soterramentos, além de Ubá, onde o transbordamento do Ribeirão Ubá provocou alagamentos extensos. Equipes de resgate seguem mobilizadas na busca por desaparecidos e no atendimento às famílias afetadas.

Fonte: Brasil 247

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