Empresa de laranja comanda folha de pagamento secreta na gestão Nunes em SP

A Agência Quarter, registrada em nome de uma laranja, controla uma folha de pagamento secreta na Prefeitura de São Paulo, sob o comando de Ricardo Nunes (MDB), com salários que chegam a R$ 40 mil por mês e mais de R$ 178 milhões em contratos vigentes de terceirização de mão de obra por meio da São Paulo Turismo (SPTuris), conforme informações do colunista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles.

A empresa e a DKS, ligadas aos mesmos donos, receberam ao menos R$ 357 milhões entre 2020 e 2024 para fornecer trabalhadores a secretarias municipais, especialmente Cultura e Turismo, enquanto os dados de 2025 seguem omitidos no Portal da Transparência. Nem a própria SPTuris teria informações completas sobre quem são os profissionais que prestaram os serviços.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) investiga um modelo descrito como “quinterização”, no qual secretarias contratam a SPTuris, que contrata empresas como Quarter e DKS, que por sua vez subcontratam microempresas responsáveis por ceder trabalhadores às pastas, subordinados a servidores públicos. Testemunhas relataram que gestores escolhiam diretamente quem seria contratado.

A Quarter é controlada de fato pelos irmãos Marcelo e Victor Correia Moraes, mas formalmente está no nome de uma mulher que vivia de aluguel em um cortiço na zona norte de São Paulo, apesar de a empresa ter registrado lucro de R$ 16 milhões apenas em 2024. Victor, conhecido como Vitinho, responde pela DKS sem aparecer como sócio.

Intermediação reduz transparência

A intermediação pela SPTuris, sociedade de economia mista, flexibiliza a fiscalização dos contratos. Em contratações diretas, a empresa precisa apresentar holerites e dados dos funcionários; já nos contratos intermediados, apenas notas fiscais com número de acionamentos e valores pagos são entregues, sem identificação de trabalhadores, funções ou comprovação dos serviços.

A prefeitura não informou quantos funcionários da Quarter atuam na Secretaria de Turismo e na SPTuris, nem quanto foi pago à agência entre 2025 e 2026 — até 2024, foram R$ 129 milhões. A gestão Ricardo Nunes afirmou ter solicitado investigação da Controladoria Geral do Município (CGM), enquanto a Quarter defende a legalidade dos processos.

Nepotismo e conflitos de interesse

O modelo permitiu contratações de familiares de gestores públicos por meio das terceirizadas. Há registros da contratação, pela Quarter, da filha e da ex-esposa de Marcelo Alves Ribeiro, coordenador de eventos da Secretaria de Turismo responsável pela gestão do contrato com a empresa.

A agência afirmou que “eventuais prestações de serviço podem ocorrer de forma pontual, especialmente em funções operacionais típicas do setor de eventos, sempre com documentação fiscal regular”, e citou a LGPD para não confirmar vínculos.

Contratos milionários e funções amplas

A Quarter mantém oito contratos com a SPTuris para fornecer profissionais como guias turísticos, recepcionistas e produtores executivos.

Parte das contratações é visível, como guias bilíngues uniformizados em eventos, cuja diária chega a R$ 1.534, com pagamento de R$ 570 ao trabalhador como pessoa jurídica. Só no Carnaval foram 2,9 mil diárias, com custo aproximado de R$ 4,5 milhões aos cofres públicos.

A maior parte dos recursos, porém, refere-se à cessão de “produtores”, com R$ 94 milhões em contratos vigentes para uma função de escopo amplo, que pode incluir desde organização de eventos até trabalho contínuo dentro das secretarias. Em um único dia de pré-Carnaval houve 247 acionamentos desse tipo, sem identificação pública dos profissionais.

Rede de empresas e vínculos trabalhistas ocultos

Depoimentos ao MPT indicam que trabalhadores atuavam diariamente nas secretarias, com jornada fixa, subordinação e férias informais, mas eram pagos como microempreendedores individuais, caracterizando possível vínculo empregatício disfarçado.

Um funcionário relatou ter prestado serviços desde 2021 dentro da Secretaria de Cultura analisando editais e prestações de contas, respondendo a uma diretora da pasta. Outros disseram que a própria secretaria selecionava os contratados, enquanto a empresa intermediária apenas repassava parte dos valores.

Contratações por atas e crescimento dos contratos

As contratações ocorrem frequentemente por atas de registro de preço reaproveitadas de contratos anteriores, permitindo formalizar rapidamente novos acordos para centenas de milhares de diárias por valor fixo. Parte desses serviços é visível ao público, mas a maioria não possui descrição clara das atividades.

Desde a abertura do inquérito em abril do ano passado, após denúncias envolvendo a DKS, a prefeitura afirmou que deixou de utilizar serviços da empresa desde setembro de 2025 e prometeu adequar futuros contratos às exigências do MPT.

Mesmo assim, os contratos da Quarter cresceram e continuam concentrando grande volume de recursos públicos.

Fonte: DCM

Líderes bolsonaristas do PL e União Brasil querem boicotar fim da escala 6×1

Valdemar Costa Neto e Antônio Rueda, presidentes do PL e do União Brasil, tentarão barrar a votação do fim da escala 6×1 no Plenário do Congresso por receio de derrota, diante da avaliação de que a proposta tem alta chance de aprovação, conforme informações do Globo.

Os dirigentes admitiram que trabalham para impedir que o tema avance antes das eleições e defendem uma estratégia de atraso nas comissões, especialmente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

Durante jantar promovido pelo grupo Esfera Brasil, em São Paulo, os dois líderes se posicionaram contra o projeto e receberam aplausos de empresários presentes, incluindo representantes de grandes companhias dos setores de tecnologia, varejo e serviços.

Rueda afirmou ter uma “posição pessoal” contrária à proposta, argumentando que ela “vai onerar o setor produtivo e gerar inflação”, mas reconheceu a dificuldade política de barrar o texto.

“É uma posição muito cruel para quem está disputando uma reeleição ou um outro mandato. A gente tem que ter inteligência e segurar que essa votação vá para o Plenário, porque, se ela for a Plenário, vai ser avassaladora (a aprovação). É um assunto muito penoso para o setor produtivo, eu tenho uma posição pessoal que eu vou defender junto à minha bancada. Isso vai ser um desatino, quem vai pagar essa conta são os consumidores. Eu defendo que a gente possa construir uma ‘barrigada’ (protelada) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados). Eu defendo aqui uma posição, junto com o Valdemar, em que a gente possa construir uma unidade dentro das comissões, principalmente na CCJ, para a gente poder ir ‘barrigando’ isso”, afirmou.

Valdemar também destacou o risco eleitoral para parlamentares que votarem contra o fim da escala 6×1 e defendeu mobilização do empresariado para pressionar o Congresso.

“Nós temos que trabalhar para não deixar votar de jeito nenhum, pedir a pressão dos empresários em cima de seus deputados, para a gente segurar isso para não votarmos. Se puser isso em pauta, é muito difícil não passar, eu tenho que ser honesto com vocês”, disse o presidente do PL. “O que nós pretendemos fazer? Trabalhar com o presidente da Câmara e segurar isso aí na CCJ, é onde será a guerra.”

Governo e Câmara pressionam por votação rápida

Enquanto a oposição tenta adiar a análise, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende a votação da proposta o quanto antes e conta com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, que indicou prioridade ao tema. Motta anunciou que o relator da proposta na CCJ será definido nesta semana, abrindo caminho para o início da tramitação.

A proposta em discussão reúne textos apresentados pelos deputados Érika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG), que defendem alterações constitucionais para reduzir a jornada semanal de trabalho e revisar o modelo atual de seis dias de trabalho para um de descanso.

Fonte: DCM

Minha Casa, Minha Vida faz lançamentos e vendas de imóveis baterem recorde em 2025

Setor cresceu em lançamentos, vendas e oferta de imóveis, impulsionado pelo Minha Casa, Minha Vida e pela intenção de compra, mesmo com juros altos; cenário para 2026 tende a melhorar com a perspectiva de cortes na Selic.

O mercado imobiliário brasileiro fechou 2025 com resultados históricos, mesmo em um ambiente de crédito mais caro. Ao longo do ano, foram lançadas 453.005 unidades residenciais, um crescimento de 10,6% em relação a 2024, enquanto as vendas somaram 426.260 unidades, alta de 5,4%.

Os dados, divulgados nesta segunda-feira (23) pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), também apontam que o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV) teve papel central no desempenho do ano passado. O programa respondeu por 52% dos lançamentos e 49% das vendas no quarto trimestre, consolidando-se como o principal motor do setor. (Entenda mais abaixo)

Segundo Celso Petrucci, conselheiro da CBIC e diretor de Economia do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), mesmo com a taxa básica de juros em 15% ao ano, o incorporador continuou percebendo demanda e manteve o ritmo de lançamentos ao longo do período.

“As vendas também atingiram recordes, com a curva apontando para cima, o que mostra a resiliência do mercado imobiliário e a sua saúde do ponto de vista dos negócios”, afirmou.

Junto ao avanço nos lançamentos e nas vendas, a oferta de imóveis — isto é, o estoque disponível para comercialização — cresceu 8% entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, encerrando o ano com 347.013 unidades.

Além disso, o último trimestre de 2025 consolidou a tendência de crescimento ao também registrar recordes trimestrais. Entre outubro e dezembro, os principais indicadores atingiram os seguintes patamares:

  • 📦 Lançamentos: 133.811 unidades, alta de 18,6% em relação ao trimestre anterior;
  • 🏠 Vendas: 109.439 unidades comercializadas no período;
  • 💰 Valor Geral de Vendas (VGV): R$ 67,2 bilhões no trimestre.

“Se fizermos a média diária, chegamos ao número de 1.215 unidades novas vendidas por dia, sendo 312 apenas em São Paulo”, aponta Petrucci.

Minha Casa Minha Vida como pilar do setor

De acordo com a CBIC, foram lançadas 224.842 unidades no MCMV ao longo do ano, alta de 13,5% em relação ao ano anterior, enquanto as vendas somaram 196.876 unidades, avanço de 15,9% no período.

Segundo ele, o orçamento e os desembolsos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) atingiram o maior patamar histórico em 2025, somando R$ 142,3 bilhões, abaixo apenas da dotação prevista para 2026, de R$ 160,5 bilhões.

“O programa Minha Casa, Minha Vida vai indo muito bem, obrigado”, afirmou, ao avaliar que a disponibilidade de recursos permitiu a expansão dos lançamentos e das vendas ao longo do ano.

O impacto foi mais forte nas regiões Sudeste e Norte, onde o programa representou, respectivamente, 55% e 56% das vendas no último trimestre do ano.

A oferta do MCMV também cresceu ao longo de 2025, e, no ritmo atual de vendas, o estoque seria consumido em cerca de 7,9 meses, caso não houvesse novos lançamentos.

Perspectivas para 2026

A pesquisa também apontou que 50% dos entrevistados pretendem comprar um imóvel nos próximos 24 meses. Entre os potenciais compradores, 37% ainda não iniciaram a busca, 8% já pesquisam online e 5% visitam imóveis.

  • 🔎 O tipo mais desejado é apartamento (48%), seguido por casa em rua (34%), casa em condomínio (15%) e terreno (3%).

Os principais motivos da compra são sair do aluguel, buscar mais espaço ou deixar a casa dos pais. Para a CBIC, a intenção de compra elevada reforça a sustentação da demanda.

“A projeção da demanda potencial permanece elevada e cita fatores como o elevado grau de intenção de compra, a expectativa de queda na taxa básica de juros e a melhora nas condições de crédito”, reforça Fernando Guedes Ferreira Filho, presidente-executivo da CBIC.

Para 2026, o cenário tende a ser mais favorável. Apesar dos juros estarem no maior nível em duas décadas, a expectativa é de início do ciclo de cortes a partir de março, o que pode reduzir o custo do crédito imobiliário.

Além disso, a meta do governo de contratar 3 milhões de unidades no Minha Casa, Minha Vida até o fim do ano sinaliza a manutenção de um ritmo elevado de contratações no segmento.

Fonte: G1

Marajá: desembargador do RN recebeu R$ 384 mil como remuneração em janeiro

Rendimento foi pago ao presidente do Tribunal de Justiça do RN, Ibanez Monteiro. Segundo TJRN, salário está dentro do teto constitucional e acréscimos são referentes a verbas eventuais, como férias não gozadas.

O presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, o desembargador Ibanez Monteiro, teve a maior remuneração do país entre os membros dos judiciários estaduais no mês de janeiro.

O contracheque dele apontou um valor bruto recebido de R$ 384.954,59, com cerca de R$ 30 mil de descontos, gerando um valor líquido de R$ 354.558,65.

  • Os valores constam no painel de dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e foram acessados nesta segunda-feira (23) pelo g1.

Esse rendimento é cerca de oito vezes superior ao teto constitucional do funcionalismo público brasileiro, de R$ 46,3 mil, valor pago aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). (Entenda melhor mais abaixo).

Ibanez Monteiro foi empossado em 2022 como presidente do TJRN — Foto: Divulgação/TJRN

Segundo o documento, o subsídio recebido pelo desembargador Ibanez Monteiro neste mês foi de R$ 41.845,49. Os outros valores são de direitos pessoais, direitos eventuais e indenizações.

Veja, abaixo, quanto ele recebeu por cada um:

  • Subsídio: R$ 41.845,49
  • Direitos pessoais: R$ 19.053,58
  • Indenizações: R$ 3.900,00
  • Direitos eventuais: R$ 320.155,52

Em nota, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte informou que o salário do presidente está dentro do teto constitucional.

Segundo o TJ, os acréscimos verificados no mês de janeiro de 2026 são referentes a verbas eventuais, “portanto, não são fixas, e correspondem aos sessenta dias férias não gozadas relativos ao ano de 2025, além de férias atrasadas e plantões cumpridos durante o período do recesso judicial, de acordo com disciplinamento local e nacional do CNJ”.

“Ressalte-se que cargos da alta direção, como presidente do Tribunal, pela inviabilidade de gozo de férias e necessidade de plantão administrativo e jurisdicional permanente, inclusive durante o recesso judiciário, recebe a indenização que ocorre, apenas e excepcionalmente, no mês de janeiro”, reforçou o TJRN.

Ibanez Monteiro foi eleito presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte em novembro de 2024, tomando posse do cargo em janeiro de 2025 para o biênio 2025-2026. Ele é juiz de Direito há 40 anos e está no pleno do TJRN desde 2013.

O ex-presidente do TJRN, Amílcar Maia, também aparece na lista das maiores remunerações do país no mês de janeiro: ele é o sexto no ranking. De acordo com dados do painel do CNJ, o total de rendimentos dele no mês de janeiro foi de R$ 292.055,41, sendo R$ 232 mil de direitos eventuais. Amilcar foi presidente do TJRN entre 2023 e 2024.

Dino quer proibir ‘penduricalhos’

Apesar do teto, pelo menos 53 mil servidores no Brasil ganham acima do valor limite do funcionalismo público. Isso se deve porque há acréscimos como de gratificações, auxílios acumulados e benefícios retroativos.

Em fevereiro deste ano, o Ministro do STF Flávio Dino determinou que os Três Poderes revisem e suspendam os chamados “penduricalhos” – o pagamento de verbas indenizatórias acima do teto constitucional.

Ganhos acima do teto

Apesar das limitações constitucionais às remunerações, na prática é possível que agentes públicos recebam acima do teto.

A brecha para os ganhos acima da remuneração dos ministros do STF envolve a diferença entre o pagamento de verbas remuneratórias e indenizatórias.

As verbas de caráter remuneratório são aquelas pagas por conta do trabalho exercido pelo agente público – estas estão submetidas ao teto constitucional. Se a soma delas ultrapassa o limite, o excedente é cortado (é feito o “abate-teto”). É o caso de salários básicos, gratificações de desempenho, horas extras, adicional noturno.

As verbas de caráter indenizatório são uma exceção ao teto. Elas não representam salário, ou seja, são uma espécie de ressarcimento ou compensação paga pelo Poder Público para devolver ao agente público uma quantia que ele gastou ao exercer sua função. Estes valores não se submetem ao teto – são pagos integralmente, mesmo que isso represente ultrapassar o limite constitucional. Aqui os exemplos são diárias de viagem, ajudas de custo, auxílios-moradia, transporte, alimentação, creche.

Neste contexto, entram em cena os chamados “penduricalhos”, expressão usada para se referir às verbas indenizatórias que se somam aos salários e, na prática, elevam a remuneração acima do teto.

Fonte: G1

Governo revoga decreto sobre concessão de hidrovias na Amazônia

Decisão atende reivindicação de povos indígenas contrários ao projeto

O governo federal anunciou nesta segunda-feira (23) que vai revogar o Decreto 12.600, editado no ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que previa estudos para a concessão à iniciativa privada da hidrovia do Rio Tapajós e de outros dois rios amazônicos – o Madeira e o Tocantins.

A decisão foi comunicada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e pela ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, após reunião no Palácio do Planalto, em Brasília.

A revogação da norma era a principal reivindicação de povos indígenas, especialmente das comunidades que vivem na região do Baixo Tapajós, próximo a Santarém, no Oeste do Pará.

Há mais de um mês, os indígenas organizam protestos contra o Decreto. Eles chegaram a ocupar o escritório da multinacional do agronegócio Cargill no Porto de Santarém, às margens do Tapajós, e lideravam protestos também em São Paulo e na capital federal, com um grupo de indígenas acampado em Brasília. 

“Os povos indígenas vêm de uma manifestação de mais de 30 dias questionando o decreto, apontando os efeitos que poderiam ter para suas comunidades, também para quilombolas e ribeirinhos. A Secretaria-Geral da Presidência e o Ministério dos Povos Indígenas têm feito o diálogo nesse período e, após um processo de discussão dentro do governo, que ouviu várias posições, hoje se firmou a decisão pela revogação do Decreto 12.600”, disse Boulos.

“Esse é um governo que tem compromisso com a escuta do povo, com a escuta dos trabalhadores, com a escuta dos povos indígenas. Esse é um governo, inclusive, que leva a escuta ao ponto de recuar de uma decisão própria, por entender, compreender a posição desses povos. Esse não é o governo que passa a boiada, esse não é o governo que passa por cima da floresta, que passa por cima dos povos originários”, acrescentou o ministro, em declaração a jornalistas.

Comemoração

Nas redes sociais, as organizações indígenas que lideravam os protestos comemoraram a decisão. 
Hidrovias

O modal aquaviário é considerado um importante corredor logístico para escoar produtos do agronegócio, especialmente oriundos do Mato Grosso e que usam portos do Pará para a exportação. O modelo, no entanto, enfrenta resistência das comunidades instaladas nas áreas ribeirinhas.

Estima-se que cerca de 7 mil indígenas de 14 etnias diferentes vivam no Baixo Tapajós, segundo o Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA), que representa os povos da região.

Histórico

No ano passado, após o protesto de indígenas Muduruku que interditou a entrada da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, o governo chegou a se comprometer com a realização da consulta prévia aos povos do Rio Tapajós sobre o projeto de hidrovia na região, seguindo uma determinação da Convenção nº 169 da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Para nós, é considerar o direito à consulta, livre, plena e informada, o direito de escuta, como foi anunciado em novembro na COP30, em diálogo com eles. Então, aqui, hoje, a gente vem reafirmar esse nosso compromisso com o respeito à Convenção 169 e o direito de escuta dos povos”, afirmou a ministra Sônia Guajajara.

No início de fevereiro, o governo já havia decidido suspender o processo de contratação de uma empresa para realizar a dragagem do leito do Rio Tapajós, obra que permitira a passagem de embarcações mesmo em períodos de maior seca do rio.

As entidades indígenas da região criticam a falta de estudos ambientais adequados e o impacto da concessão da hidrovia e da dragagem do rio sobre territórios tradicionais, modos de vida e espiritualidade do povos.

Eles também alertam para riscos ambientais e sociais associados à pesca, erosão das margens, ressuspensão de substâncias contaminantes depositadas no fundo do rio e danos que podem ser irreversíveis em um dos principais corredores ecológicos da Amazônia.

Fonte: Agência Brasil

Folha de S.Paulo e a desonestidade intelectual a serviço da escravização moderna

Cadu Amaral – Jornalista

Às vésperas do início do debate sobre o fim da escala 6×1 no Congresso, a Folha de S.Paulo, neste domingo (22), publica reportagem obtusa, enviesada e repleta de buracos factuais para atacar a redução da jornada de trabalho.

Ao destacar que “brasileiros trabalham menos que a média mundial” em sua manchete, a Folha, através do economista Daniel Duque, da FGV Ibre, constroem uma narrativa de que os brasileiros trabalham pouco e que se produz pouco no Brasil. Repetindo sempre a mesma ladainha quando se discute alguma medida pró-trabalhadores.

Na versão impressa do material, o gráfico – que não foi replicado no portal – desmonta a narrativa de forma fácil para qualquer pessoa, já mostra que em países como Estados Unidos, França, Dinamarca, Noruega e até o Japão, tão propagado com símbolo de dedicação ao trabalho, as pessoas trabalham menos que o Brasil.

A reportagem da Folha desinforma ao afirmar que o Brasil trabalha menos que a “média mundial” em sua manchete porque o próprio texto aponta que somente 44 países foram pesquisados. A Terra tem 195 países.

Além do que, a reportagem e a pesquisa elaborada pelo Banco Mundial não possuem detalhamento metodológico consistente. Semioticamente, o suo do termo “mundial” sugere que somos atrasados e deficientes, tanto em força de trabalho quando em capacidade produtiva para além do debate sério sobre investimentos públicos e privados – e todas as nuances da atual configuração econômica brasileira, extremamente financeirizada de juros exorbitantes, deixando mais atrativo investir no rentismo do que na produção.

A narrativa da Folha de S.Paulo compara países sem qualquer contextualização estrutural, ignorando informalidade, desemprego estrutural ou subocupação, os populares “bicos”. 

A reportagem da Folha de S. Paulo omite que em países altamente produtivos, as pessoas trabalham menos. A França, por exemplo, aparece com jornada média menor e altíssimo padrão de renda. Ou seja, trabalhar menos pode ser compatível com desenvolvimento, mas a lógica do capitalismo brasileiro que nunca largou mão da cultura escravagista não deixa explorar esse tipo de mudança.

Todo o subtexto da reportagem aponta que os brasileiros são preguiçosos, que preferimos o lazer ao trabalho, num construção moderna dos escravagistas ao se referirem aos indígenas séculos atrás, moldando um problema estrutural do país em uma questão moral.

Não foi a toa a publicação desse material agora, na semana em que o Congresso Nacional deve começar a debater o fim da escala 6×1. Aliás, enquanto escrevo este texto, todos os jornalões trazem reportagens em tons semelhantes ao da Folha deste domingo (22).

Ao centralizar a discussão no número bruto de horas, a Folha ignora a intensidade do trabalho, o tempo de deslocamento nas grandes cidades, a dupla jornada feminina, o avanço da informatização que leva o trabalho para dentro de casa e a informalidade. Ou seja, reduz complexidade social a um ranking descontextualizado para virar instrumento de pressão política.

Trabalhar seis dias consecutivos para um único dia de descanso implica desgaste físico e mental profundo nos trabalhadores, especialmente em setores de baixa remuneração. Este não deveria ser debate não é ideológico, mas, sim, civilizatório. Países desenvolvidos avançaram na redução de jornada justamente para ampliar qualidade de vida e, consequentemente, a produtividade.

A impressão que tive foi faltou quase nada para a Folha e o tal Daniel Duque defenderem a volta da escravidão clássica, com chibatadas e tudo.

Desembargador Eustáquio de Castro mantém no ar fake news de Flávio Bolsonaro contra o PT 

A Justiça do Distrito Federal suspendeu a decisão que obrigava a plataforma X a remover uma publicação, mentirosa para variar, do senador Flávio Bolsonaro na qual ele se refere ao PT como “Partido dos Traficantes”. A nova determinação foi assinada pelo desembargador Eustáquio de Castro, relator do caso no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).

O magistrado entendeu que, neste momento, não estão presentes os requisitos para manutenção da tutela de urgência que determinava a exclusão do conteúdo. Assim, as publicações permanecem no ar até que o mérito da ação seja analisado pelo colegiado da Corte.

Em uma das postagens questionadas, o senador escreveu: “PT Partido dos Traficantes”, em meio à repercussão de uma operação policial no Rio de Janeiro que resultou em 122 mortes. O Partido dos Trabalhadores acionou a Justiça alegando caráter ofensivo da manifestação.

Ao reavaliar o caso, o desembargador apontou que não identificou elementos suficientes para justificar a retirada imediata do conteúdo. “Em análise sumária, não vislumbro a presença de risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação apto ao deferimento da tutela de urgência para retirada das publicações, haja vista ainda não estarmos em período eleitoral, além de o Agravo de Instrumento ser recurso de rápida tramitação perante esta relatoria”, registrou.

Na decisão, o magistrado acrescentou: “Assim, deve-se prestigiar o contraditório, submetendo-se a questão à apreciação do Colegiado”. Ele destacou que a análise definitiva sobre eventual abuso deve ocorrer no julgamento final da ação.

Eustáquio de Castro também ponderou que o episódio ocorre em contexto de disputa política, no qual manifestações mais contundentes são recorrentes. Segundo ele, a controvérsia “parece mais se enquadrar no âmbito do aborrecimento que permeia o debate digital, não atingindo a gravidade ou a irreversibilidade que justifiquem a manutenção da tutela de urgência”.

A manutenção da publicação no ar, mesmo diante do conteúdo sabidamente ofensivo e desinformativo, escancara um padrão que se repete há anos: acusações genéricas, associação leviana ao crime e uso estratégico das redes para tensionar o ambiente político. Ao relativizar esse tipo de conduta como mero “aborrecimento” do debate digital, abre-se espaço para a normalização da mentira como ferramenta de disputa. O histórico recente mostra que a disseminação sistemática de ataques e distorções não é episódica, mas parte de uma engrenagem de desgaste institucional. Diante disso, cabe às autoridades agir com firmeza para coibir esse modus operandi, que transforma a desinformação em método e aposta na instabilidade permanente como estratégia política.

Fonte: DCM

Igreja evangélica era fachada para o tráfico de drogas no Amazonas

Esquema envolvia igrejas, empresas de fachada e movimentações financeiras milionárias no Amazonas e em outros estados.

Apontado como liderança do tráfico ligada ao Comando Vermelho, Allan Kleber Bezerra Lima está foragido após uma operação policial que revelou o uso de igrejas evangélicas como esconderijo de drogas e apoio logístico ao crime. A investigação aponta um esquema estruturado de tráfico em larga escala, lavagem de dinheiro e possível envolvimento de agentes públicos, com movimentações financeiras milionárias e atuação em diferentes estados do país.

Allan Kleber Bezerra Lima, apontado pela polícia como líder do Comando Vermelho no Amazonas, está foragido. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (20/02) pelo delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia. Segundo as investigações, o suspeito se apresentava como evangélico e frequentava uma igreja no bairro Zumbi dos Palmares, na zona Leste de Manaus, estratégia usada para despistar a atuação policial.

Uso de templos religiosos no esquema criminoso
A polícia apura que igrejas evangélicas eram utilizadas como pontos de apoio pelo grupo criminoso. Em uma das ocorrências, Allan teria escondido drogas dentro de um templo religioso. Outro alvo da operação também morava em uma igreja, reforçando a suspeita de que os locais eram usados como camuflagem para as atividades ilegais.

Leia também: Servidores, policial militar e ex-assessores são alvos de operação contra tráfico e corrupção no AM; veja lista completa

Fuga em São Paulo e prisão da esposa
De acordo com o delegado, Allan conseguiu fugir por volta das 3h da manhã do endereço onde estava, em São Paulo. Durante o cumprimento das ordens judiciais, a esposa do investigado foi presa. Ela é apontada como responsável por empresas usadas para movimentar dinheiro do esquema.

Tráfico estruturado e apreensões milionárias
As apurações começaram após uma ação da Polícia Militar no Centro de Manaus, quando criminosos foram flagrados transferindo drogas entre embarcações e um veículo. Houve troca de tiros e a polícia apreendeu 523 tabletes de skunk, sete fuzis, duas lanchas e um carro. Um suspeito foi preso e revelou ligações diretas com Allan.

Lavagem de dinheiro e envolvimento de agentes públicos
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontam movimentações de cerca de R$ 73 milhões em transações atípicas. As drogas saíam de Tabatinga e eram distribuídas para outros estados, incluindo o Pará. A investigação também indica possível participação de servidores e ex-servidores públicos de diferentes poderes e órgãos de segurança.

Fonte: AM POST

A relação entre Epstein e o serviço secreto de Israel, o Mossad

Documentos desclassificados do FBI revelam que Jeffrey Epstein, o traficante sexual falecido, colaborou com o Mossad e era próximo do ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak.

“Epstein era próximo do ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak e foi treinado como espião sob sua tutela ”, revela um memorando desclassificado do FBI (Departamento Federal de Investigação dos EUA), divulgado na sexta-feira.

O memorando indica que Epstein trabalhou com serviços de inteligência americanos e estrangeiros, incluindo o serviço de espionagem israelense, o Mossad.

Epstein e Barak mantiveram um relacionamento de dez anos. Barak, que também ocupou um alto cargo na inteligência militar israelense durante sua carreira, visitou a casa de Epstein em Nova York mais de 30 vezes entre 2013 e 2017.

Em uma troca de e-mails, Epstein escreveu para Barak: “Você precisa deixar claro que eu não trabalho para o Mossad. :)” Barak respondeu: “Você ou eu?” e Epstein respondeu: “Que eu não quero :)”.

Epstein aconselhou Ehud Barak a cooperar com a Palantir.

Além disso, um dos arquivos recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA revelou que o financista desonrado aconselhou Barak a cooperar com a controversa empresa americana de vigilância por inteligência artificial Palantir.

De acordo com uma gravação de áudio divulgada, Epstein, durante uma conversa com Barak em fevereiro de 2013, mencionou um terceiro não identificado e sugeriu que havia “duas empresas de cibersegurança” que valiam a pena “investigar”. “Nunca conheci Peter Thiel. E todo mundo diz que ele fica pulando e agindo de forma muito estranha, como se estivesse drogado”, disse Epstein a Barak sobre o cofundador da Palantir.

Ele explicou que Thiel “tem uma empresa chamada Palantir […]. Então ele achou que Peter poderia te colocar no conselho administrativo da Palantir […]. Ele vem aqui na semana que vem, então eu queria conversar com ele, se eu tiver a oportunidade de conversar com você.”

Epstein, que tinha ligações com diversas figuras poderosas, incluindo o presidente dos EUA, Donald Trump, o príncipe Andrew do Reino Unido e o ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, foi preso em 2019 sob acusações federais de tráfico sexual de menores.

Dois meses depois, ele foi encontrado morto em uma cela de prisão em Nova York. Sua morte foi oficialmente considerada suicídio, embora as circunstâncias tenham alimentado anos de especulação sobre seus associados de alto escalão e possíveis esforços para ocultar a verdadeira extensão de seus crimes.

Após Epstein ter sido condenado pela primeira vez como agressor sexual em 2008, Barak fez uma parceria com ele em 2015 para financiar a startup de tecnologia de segurança “Reporty Homeland Security”, presidida por Barak e agora conhecida como Carbyne.

Barak minimizou sua relação com Epstein, mas uma busca nos arquivos de Epstein retorna 4078 resultados que mencionam seu nome.

Israel utilizou tecnologias da gigante tecnológica Palantir durante múltiplas ofensivas nos territórios palestinos ocupados e em outros países.

Investigações revelaram que a Palantir, apoiada pela Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA), apoiou o genocídio israelense na Faixa de Gaza com inteligência artificial e vigilância, facilitando ataques de precisão e o extermínio de palestinos.

  • Um novo livro do jornalista do New York Times , Michael Steinberger, também revelou que Israel usou tecnologia da Palantir em seus ataques terroristas mortais com pagers e walkie-talkies no Líbano em 2024. Pelo menos 42 pessoas, incluindo duas crianças, foram mortas e mais de 3.400 ficaram feridas nas explosões de 18 e 19 de setembro de 2024.

ISRAEL PROTEGIA PRÉDIO DE EPSTEIN EM NOVA YORK

Missão israelense na ONU instalou e controlou segurança em prédio do criminoso sexual utilizado por ex-premiê

Israel forneceu estrutura de segurança para Jeffrey Epstein em Nova York, onde o ex-premiê Ehud Barak se hospedava. Emails revelam coordenação entre agentes israelenses e a equipe de Epstein, mas o Departamento de Justiça dos EUA não investiga os envolvidos.

Fonte: HispanTV

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