Poderoso filme de 1 minuto sobre casamento rende prêmio a cineasta de 20 anos

O curta-metragem iraniano consegue impactar e inspirar mudanças de comportamento em apenas 60 segundos

Não é preciso entender uma única palavra do idioma farsi, ou persa, falado pelo povo iraniano. As legendas em inglês ajudam a apreciar um pouco do poema recitado ao início, mas nem elas são estritamente necessárias para se captar a essência dos valores transmitidos por este belo curta-metragem, escrito e dirigido pelo jovem cineasta iraniano Syed Mohammad Reza Kheradmand, de apenas 20 anos.

A produção foi recentemente premiada no Festival do Cinema Africano de Luxor.

O curta se chama “Encontro das quintas-feiras” – e este título é revelador, mas quem não conhece a cultura iraniana precisará de uma breve explicação (nós o explicaremos ao final deste artigo, mas, antes de ler o último parágrafo, assista ao filme, embutido no texto da matéria).

Poderoso, o curta-metragem apresenta um casal de idosos que, dentro de um carro, se recita mutuamente um poema do persa Hafez, do século XIV. É muito arraigado no cotidiano da cultura persa o hábito de ler e recitar poesia, desde muito antes da tentativa de imposição de radicalismos xiitas pelo regime teocrático que tomou o poder no país a partir da revolução islâmica de 1979.

Quando o carro para no semáforo, os esposos percebem a intensa discussão de outro casal num carro ao lado, apesar da filhinha no banco de trás.

O gesto que o casal então realiza diz muito sobre o seu próprio casamento e sobre como pequenos detalhes que deveriam ser típicos do amor conjugal são capazes de ajudar a reconciliar.

Assista ao filme

Leia daqui em diante só depois de ter visto o filme acima

Reparou que, na última cena, a esposa anciã já não está dentro do carro?

O título do curta-metragem é suficiente para explicar tudo a um iraniano que conhece os costumes do próprio país. As quintas-feiras são o dia em que se costuma visitar o túmulo de entes queridos nos cemitérios. As flores que o marido idoso estava levando eram para a esposa já falecida. Ao longo do trajeto, a “presença” dela no carro era a bela lembrança do viúvo que estava indo levar-lhe flores ao cemitério, enquanto recordava um poema que retratava o amor com que o matrimônio havia sido vivido.

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A partir de matéria de Zoe Romanowsky para Aleteia em inglês

Fonte: Aleteia

Rússia decide diminuir dependência do dólar

O Ministério das Finanças russo reformulará, no prazo de um mês, a estrutura do Fundo de Riqueza Nacional (NWF, na sigla em inglês), com a cota-parte do dólar dos EUA diminuindo para zero e a parte do yuan crescendo para 30%.

A declaração foi feita nesta quinta-feira (3) por Anton Siluanov, ministro das Finanças da Rússia, durante um briefing no âmbito do Fórum Econômico Internacional em São Petersburgo.

Ele detalhou que o Ministério decidiu “abandonar completamente os ativos em dólar, os substituindo por um aumento em euro e em ouro. [A cota-parte do] dólar será zero, do euro – 40%, do yuan – 30%, do ouro – 20%, da libra e iene – 5% cada um”, contou o ministro aos jornalistas.

De acordo com ele, a implementação do novo plano acontecerá “bem rápido, no prazo de um mês”.

Em fevereiro de 2021, a fim de aumentar os retornos e diversificação de riscos de investimento, na estrutura de moedas do Fundo foram incluídos o iene japonês (cota-parte de 5%) e também o yuan chinês (15%). As cotas-partes do dólar e do euro foram reduzidas de 45% para 35% para cada moeda.

No final de 2020, o presidente da Rússia Vladimir Putin aprovou a lei federal que permitiu a colocação de fundos em metais preciosos. Logo depois, em maio, o premiê Mikhail Mishustin assinou o regulamento de acordo com o qual os recursos do Fundo podem ser investidos em ouro.

O NWF, parte dos ativos do orçamento federal da Rússia, foi criado para apoiar o sistema nacional de aposentadorias. Seus fundos podem ser usados para cobrir déficits orçamentários em tempos de crise. Em 1º de novembro de 2020, os ativos do fundo totalizavam mais de US$ 167 bilhões (aproximadamente R$ 916 bilhões), o que representa cerca de 12% do PIB do país.

Fonte: Sputnik Brasil

Para favorecer os EUA, Bolsonaro fecha estatal de tecnologia fabricante de chips

Enquanto países como China e Estados Unidos disputam protagonismo no setor, Brasil fechará sua fábrica de chips, a Ceitec, que não só produz, mas também desenvolve e exporta novas tecnologias no segmento

Em meio a uma crise mundial na produção de chips e semicondutores, o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) resolveu extinguir a única fábrica desses componentes do Brasil, o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), inaugurada pelo ex-presidente Lula, em 2010.

Instalada em Porto Alegre (RS), a Ceitec é responsável pelo desenvolvimento de tecnologia e pela fabricação dessas pequenas partes de eletrônicos, utilizadas em larga escala no mundo todo para produção desde  celulares até aviões. O governo Lula investiu muito na Ceitec com o propósito de tornar o Brasil um país autossustentável, a longo prazo, nas demandas por este produto e competir com mercados como o da China e dos Estados Unidos. Em todos os lugares estão faltando chips por causa da pandemia, que paralisou atividades industriais em todo o planeta.

Semicondutores e chips são a base para o desenvolvimento da indústria e são fundamentais, portanto, para o desenvolvimento econômico de um país.

Para o ex-ministro Ricardo Berzoini, a extinção da Ceitec “é um atraso monumental”. Ele explica que, desde a criação, a empresa vem ampliando sua capacidade e já produz o suficiente para abastecer várias demandas no Brasil, uma delas o mercado de etiquetas de sistemas de pagamento automático de pedágios, além de chips de identificação de produtos e de animais.

Em um tempo em que é necessário ter todas as atividades interligadas, com troca de dados e sistema de intercomunicação, o país construiu, a duras penas, de acordo com o ex-ministro, uma base industrial para atender demanda originada pelo avanço da tecnologia.

E enquanto a China a Coreia do Sul, o Vietnã, Taiwan, trabalham pra conseguir avançar ainda mais nessa tecnologia, o governo brasileiro decide abrir mão. O ex-ministro que afirma que Bolsonaro quer transformar o Brasil numa grande fazenda de soja.

Hoje o Brasil caiu do caminhão e está na beira da pista, machucado, por causa dessa visão estúpida de Bolsonaro e do Paulo Guedes [ministro da Economia], de não investir na produção de ciência e tecnologia e ficar só com a base do agronegócio- Ricardo Berzoini


Atualmente, o Brasil depende do setor agropecuário para gerar divisas. Já na parte industrial, o país é deficitário em quase todos os setores da indústria, inclusive com volume de importação maior do que de exportação, ou seja, mais compramos do que vendemos produção industrial.

A alegação do governo é de que a Ceitec dá prejuízo, no entanto, na visão de especialistas, o conceito deveria ser outro.

Adriana Marcolino, técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/Subseção CUT Nacional) explica que o fato de uma empresa deste porte depender de recursos públicos, em nenhum país do mundo é visto como prejuízo.

“É um setor relevante para reduzir dependência tecnológica”, diz a técnica.

Como Bolsonaro não se preocupa com o desenvolvimento, a Ceitec, para ele, é só uma ativo que pode ser extinto alegando necessidade de ajuste fiscal nas contas do governo. O governo ignora a importância do setor como estratégico para a soberania nacional- Adriana Marcolino


Berzoini complementa dizendo que é normal nesse tipo de atividade haver uma certa demora para dar lucro, mas ressalta que não se trata de prejuízo e sim de investimento. “O fundamental é acumular tecnologia para, no futuro, termos uma atividade industrial no país, que dê lucro”.

E cita como exemplo países como a própria China e Taiwan que disputam com os Estados Unidos o mercado de desenvolvimento de tecnologia, atualmente. E alerta: “todo mundo sabe que que quem não tiver tecnologia nessa área, de Tecnologia da Informação, de comunicação, do 5G, será sempre um país de renda média baixa. Não há valor agregado”.

Como exemplo disso, o próprio Brasil que aposta muitas fichas na produção de exportação de soja. Não há valor agregado porque demanda somente recursos limitados. Já para exportar produtos industriais, vai embutida a tecnologia aplicada. “Você exporta também o elemento mais importante que é a inteligência, ou seja, a tecnologia desenvolvida e contida no produto. Isso é valor agregado”, explica Berzoini

O Brasil está ficando para trás. Já quase perdemos a Embraer e vamos perder a Ceitec se não houver uma mudança de posição do governo – ou uma mudança de governo mesmo- Ricardo Berzoini


Para o ex-ministro, os impactos econômicos serão sentidos a médio prazo, com a incapacidade de atender à demanda industrial. Exemplo disso é a Volkswagen que já interrompeu linhas de produção de automóveis por falta desses componentes.

Agencia Senado
Berzoini foi minsitro da Previdência e minstro do Trabalho e Emprego, durante o governo Lula; também foi ministro das Comunicações e Ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, no governo de Dilma Rousseff

A situação dos trabalhadores e a liquidação da empresa

A Ceitec possui hoje cerca de 180 funcionários concursados e contratados pelo regime celetista. No mês passado, 34 deles já foram demitidos como parte do processo de liquidação da empresa, comandada pelo oficial da Reserva da Marinha, Abílio Eustáquio de Andrade Neto.

O militar já elaborou um cronograma para executar o trabalho sujo. A demissão dos trabalhadores, por exemplo, faz parte desse cronograma. João Batista Massena, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre, afirma que a empresa nunca procurou, oficialmente, o sindicato para tratar das demissões.

“Por isso, procuramos o Ministério Público do Trabalho, que entrou com uma ação na Justiça pedindo reintegração dos trabalhadores. Mas a decisão foi apenas de suspensão”, afirma o dirigente.

Massena conta que os trabalhadores nesta situação não recebem verbas rescisórias, indenizações, ficam sem salários e sequer podem dar entrada no seguro-desemprego.

O sindicato tenta negociar com a empresa, mas sem sucesso. A decisão da Justiça determinou ainda que fossem realizadas outras rodadas de negociação, medidas pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TR-4). A próxima é dia 11.

Mas o presidente do sindicato afirma que todas as tentativas até agora foram inúteis, já que o ‘liquidante’ alega que “trabalha com decreto debaixo do braço e a ordem é apenas extinguir a empresa, demitindo funcionários”. O decreto de Bolsonaro, que extingue a Ceitec, foi publicado em dezembro do ano passado.

O sindicato tenta inclusive realocar os trabalhadores para outros órgãos. “O corpo técnico é muito avançado, são cientistas. Mas não tem conversa”, diz Massena.

De acordo com o ex-ministro Ricardo Berzoini, o processo de liquidação da Ceitec deverá custar aos cofres públicos, cerca de R$ 300 milhões.

Ele lamenta ainda que o Brasil tenha perdido a característica de formar cientistas e investir em pesquisas para o desenvolvimento. “Tínhamos um ideal de desenvolvimento do Brasil. Bolsonaro faz o contrário”, ele finaliza.

  • Edição: Marize Muniz
  • Fonte: CUT Brasil

Doria demite 130 profissionais do Diário Oficial, em plena pandemia

Trabalhadores protestaram na manhã desta quinta-feira( 3), contra as demissões feitas pelo governador de São Paulo

Em plena pandemia, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) demitiu na quarta-feira (2) cerca de 130 trabalhadores entre gráficos e jornalistas da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

Na manhã desta quinta-feira (3), a categoria protestou em frente à sede da empresa.

Doria fechou o parque gráfico da Imprensa Oficial do Estado  (Imesp) sepultando o trabalho editorial de excelência lá praticado, patrimônios do povo paulista. A Imesp era responsável, anteriormente pela publicação de livros da rede estadual de ensino, repassada a empresa privada a preços superiores. ´

Os jornalistas demitidos eram os responsáveis pelas matérias publicadas nas de páginas editoriais do Diário Oficial, que o governo paulista já havia interrompido anteriormente.

As demissões e a interrupção do serviço são frutos da lei que resultou na incorporação da Imesp pela Prodesp, outra empresa estatal.

O Sindicato e os jornalistas estão, desde de janeiro de 2019, lutando contra essa lei, em unidade com gráficos e outras categorias. 

A categoria também realiza uma assembleia virtual para decidir os rumos do movimento.

Fonte: CUT Brasil

Tenente-coronel CBM Camila Paiva é perseguida por ter ido ao protesto contra Bolsonaro em Maceió

O Conselho Estadual de Segurança Pública de Alagoas (Conseg/AL) abriu no dia 31/05, uma Reclamação Disciplinar contra a tenente-coronel do Corpo de Bombeiros de Alagoas (CB/AL), Camila Paiva, por “possíveis transgressões disciplinares”, para investigar a conduta da oficial. Camila participou de um protesto contra o presidente Bolsonaro no dia 29/05, em Maceió.

Em defesa de Camila Paiva, o Movimento Policiais Antifascismo de Alagoas publicou uma nota acusando o Conseg de perseguição política. Leia abaixo a nota:

NOTA DE APOIO À TENENTE-CORONEL CBM CAMILA PAIVA

O Movimento Policiais Antifascismo-AL se solidariza com Camila Paiva, Tenente Coronel do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas, em decorrência das perseguições políticas que vem sofrendo.

Se as disfunções do militarismo permitem ataques a uma oficial, minimamente imaginamos, para além dos casos que se tornam conhecidos, o quanto sofrem as praças, homens e mulheres dessas instituições, com perseguições, assédio moral, sexual e outros tipos de violências, sem sequer poderem manifestar opinião.

Antes de exercermos nossa profissão somos mulheres e homens, cidadãs e cidadãos, pais, mães, filhas e filhos. Somos seres humanos! E nessa perspectiva, temos direitos que garantem nossa mais legítima e básica condição humana que é a de pensar e expressar nosso pensamento.

É urgente que discutamos a desmilitarização das forças de segurança para o bem da sociedade e dos membros das instituições, que tem cada vez mais adoecido no exercício da profissão. Não há argumento lógico, que vise o interesse coletivo, para manutenção desse modelo.

Hierarquia, comando, são características presentes em qualquer instituição, seja na igreja, numa empresa privada, num partido político e outros. Assim também não é preciso ser militar para apresentar estética militar.

O que se tem vivenciado com essa experiência, é a utilização de regimentos internos para perseguir membros, sob os mais
diversos aspectos. Essa é uma cultura atrasada que não se coaduna com os princípios basilares da democracia.

Acompanhamos caso recente da soldado Jéssica que, após ter tido coragem de denunciar oficial assediador, sofreu dura perseguição, o que culminou com sua exoneração do quadro da Polícia Militar de São Paulo.

Sabemos do histórico patriarcal e machista que está arraigado nas instituições de segurança dado que, inclusive, o acesso a mulheres era negado até recentemente. Fato que contribui para que estas estejam mais sujeitas aos efeitos do militarismo.

Em Alagoas, na ‘terra dos marechais’, o fato de uma mulher chegar a Patente de Tenente-Coronel parece despertar sentimentos negativos em algumas pessoas, em decorrência do machismo e misoginia existentes.

É inadmissível que num estado democrático de direito, uma pessoa seja perseguida políticamente por expressar suas ideias. A utilização desses mecanismos faz parte de um período histórico que não deve se repetir.

O Conselho de Segurança Pública de Alagoas não pode servir a estes objetivos, o que requer imediato arquivamento dessa denúncia incabida, lastreada nas costumeiras perseguições do militarismo.

As instituições públicas não podem servir a estes fins, sobretudo de forma seletiva. Senão onde estavam as instituições quando em seu governo, a presidenta Dilma sofreu diversos ataques de militares? ou quando, em redes sociais, publicamente se sabem de ataques ao governador do estado, advindos de militares estaduais? O CONSEG não pode se submeter ao ‘R-Quero’ militar, cujo viés é notadamente ideológico nesse caso.

Humilhações públicas, perseguições políticas afetam não só a dignidade da pessoa, mas sua família e todas e todos que lutam por uma sociedade mais justa e menos desigual.

É preciso tornar as trabalhadoras e trabalhadores militares da segurança pública, pessoas partícipes da democracia brasileira, com atuação em sindicatos, para que discutam condições de trabalho; que possam participar de partidos políticos, livremente, e que de fato se reconheçam não como robôs, máquinas, mas como pessoas pensantes, seres humanos que são! O policial e o bombeiro devem se reconhecer como trabalhador, com direitos e deveres.

Nos solidarizamos a todas irmãs e irmãos que sentem-se tolhidos pelo militarismo, em especial à Camila Paiva, Tenente-Coronel do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas!

Movimento Policiais Antifascismo AL

Castillo acena com tributação de mineradoras para investir em saúde, educação e redução da pobreza

José Pedro Castillo, favorito na disputa do segundo turno nas eleições presidenciais do Perú, que ocorrerá no dia 6 de junho por uma margem pequena contra a candidata de direita Keiko Fujimori, propõe novos royalties sobre as vendas das mineradoras e modificações nos contratos de estabilidade tributária firmados por governos anteriores.

O professor do ensino primário e ex-líder sindical acusa as grandes multinacionais de “saquearem” as riquezas do país e quer virar o jogo e reter 70% dos lucros das mineração no Peru para usar estes fundos em investimentos em saúde, educação e redução da pobreza.

A mineração concentra 60% das exportações peruanas.

Fonte: Redação com Portal Terra

Luana Araújo: imunidade de rebanho é imputar morte à população

Na CPI, infectologista que não assumiu cargo na Saúde por ser pró-ciência demoliu tese de Bolsonaro que prega imunidade natural pelo vírus e condenou tratamento precoce para covid: “vanguarda da estupidez”

Um disparo da ciência contra o obscurantismo, a ignorância e a desinformação propagadas pelo desgoverno Bolsonaro. O depoimento da médica infectologista Luana Araújo à CPI da Covid, nesta quarta-feira (2), provou que Jair Bolsonaro nunca quis cerca-se de colaboradores técnicos que se baseiam na prática científica para defender a vida. Impedida por Bolsonaro de assumir o cargo de secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, na gestão de Marcelo Queiroga na Saúde, Araújo deu uma aula sobre a pandemia, demolindo, entre outras teorias negacionistas, a tese da imunidade natural de rebanho e condenando o chamado “tratamento precoce”.

Ela classificou defensores do uso cloroquina contra a Covid-19 como a “vanguarda da estupidez”. “Essa é uma discussão delirante, esdrúxula, anacrônica e contraproducente”, criticou a infectologista. “Quando eu disse que um ano atrás nós estávamos na vanguarda da estupidez mundial, eu, infelizmente, ainda mantenho isso, nós ainda estamos aqui discutindo uma coisa que não tem cabimento. É como se a gente estivesse escolhendo de que lado da borda da terra plana a gente vai pular”, declarou Araújo, expondo o motivo pelo qual Bolsonaro vetou o nome da profissional.

Respondendo a uma pergunta do senador Humberto Costa (PT-PE) sobre imunidade de rebanho, a infectologista destruiu a tese governista de que a pandemia seria superada por uma imunização natural gerada pela contaminação de pelo menos 70% população pelo vírus da Covid-19.

“O vírus Sars-Cov-2 é de RNA, que é um tipo de material genético que tem tendências a sofrer mutações com muita facilidade. É e sempre será esperado que sofra mutações claras ao longo do tempo”, explicou a infectologista, adicionando que “a imunidade de rebanho natural dentro da Covid-19, do Sars-Cov-2, é impossível de ser atingida e não é uma estratégia inteligente”.

“Não posso imputar sofrimento e morte a uma população simplesmente pensando em atingir uma imunidade de rebanho”, esclareceu a infectologista. Ela também deixou claro que o uso de máscaras e o distanciamento social são fundamentais no enfrentamento ao surto, aliados à necessidade de vacinação em massa. Para Araújo, as vacinas disponíveis contra a Covid-19 atendem requisitos de segurança de agências reguladoras internacionais e outras instituições científicas.

Equívoco

Em sua intervenção, Humberto Costa ressaltou que a médica foi equivocada ao considerar que o governo Bolsonaro se renderia à ciência para salvar vidas.

“A senhora fez uma opção que continha um engano, o de que seria possível, diante de um governo que tem uma política da morte, da fome, de impingir sofrimento à população, poder fazer um trabalho como esse”, discursou o senador.

“Existe a boa e a má política”, frisou Costa. “A política que é praticada no Brasil por esse cidadão que está sentado no Palácio do Planalto, é a pior política que pode existir, é a política da morte. A senhora se enganou em achar que, chegando lá, poderia fazer a política da vida”, concluiu.

Falta de coordenação federal

A infectologista também criticou a falta de coordenação do governo Bolsonaro na integração de estados e municípios no enfrentamento da pandemia, apontando para a falta de uma “mensagem única” a ser direcionada à população.

“É uma estratégia quase que militar”, comparou. “Você tem um inimigo importante, e aí você começa a dispersar seus soldados, cada um faz uma coisa. Como é que a gente tem força para lidar com aquilo? Não tem, então é uma questão até de bom senso”, criticou a infectologista. Para Luana Araújo, sua nomeação serviria para construir essa integração.

Copa América e Conselho Federal de medicina

Em resposta a Humberto Costa, Luana também se posicionou contra a realização da Copa América no país, desaconselhando a competição. “O momento não é oportuno para esse tipo de evento”, alertou a médica.

Sobre a autonomia médica para o tratamento de pacientes com Covid-19, definida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), a infectologista avaliou que a medida deixou a classe médica “muito exposta”.

“Considero que é bastante temerário você colocar nas costas dos médicos ao redor do país, principalmente aqueles que estão em locais com muito pouca condição técnica, de exercício de trabalho, a responsabilidade de usar uma medicação que não tem eficácia”, destacou.

Ameaças

Luana Araújo disse não saber o motivo do veto à sua indicação ao cargo, após dez dias de trabalho. Afirmou apenas que viu “carga política” no episódio. A médica, que tem mestrado na Universidade John Hopkins, disse que identificou falhas no programa de testagem do governo mas não houve tempo de corrigir os rumo da política pública do ministério.

Ela confirmou que sofreu ameaças à sua integridade física após a recusa de sua integração ao governo e que bolsonaristas tentaram divulgar seu endereço na internet.

“Eu, como vários infectos [infectologistas] desde o começo da pandemia, sofremos diversas ameaças. ‘Não saiam de casa’, ‘tomara que você e sua mãe morram’”, relatou a profissional. “Isso é lamentável. Não pela minha segurança ou pelos colegas, mas pela perda de oportunidade de educação do nosso povo, de alteração dessa dor em crescimento”, observou.

Governo Bolsonaro vai provocar racionamento e tarifaço nas contas de luz

Além da bandeira vermelha que aumenta o valor das contas de luz, governo diz que seca pode provocar racionamento de energia. Engenheiro da Eletrobras diz que culpa é da má gestão desde o golpe de 2016

A ameaça de racionamento de energia, medida típica de governos incompetentes na gestão dos bens públicos, e o tarifaço de preços que podem inviabilizar o consumo tanto nos domicílios residenciais como para empresas deixaram de ser segredo dos corredores do poder e passaram a ocupar as capas dos jornais. Esses problemas também são típicos de governos que promovem o desmonte das empresas, como o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) vem fazendo, para vender estatais como a Eletrobras, a preço de banana.

Os acontecimentos de hoje são um “revival” dos anos 1990, que levaram ao racionamento de 2001, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), outro que não fez planejamento nem investiu no sistema elétrico brasileiro, denuncia o diretor da Associação dos Engenheiros e Técnicos do Sistema Eletrobras (Aesel), o engenheiro elétrico, Ikaro Chaves. 

Naquele período, diz ele, a Eletrobras também estava na mira da privatização e estava proibida de investir, como ocorre hoje. O apagão da era tucana que fez a população brasileira sofrer, assim como os possíveis racionamentos da era bolsonarista têm o mesmo DNA: falta de planejamento e de investimentos. Em 2001, enquanto os brasileiros reduziam o consumo de energia em suas casas, o País sofria um prejuízo econômico de R$ 42,5 bilhões.

“Naquela época se esperava que o mercado privado investisse no sistema elétrico. Não investiram, como não vão investir agora também. Toda crise hídrica é sazonal, de tempos em tempos e o setor não está preparado para responder”, afirma.

Existe a possibilidade real de racionamento, por falta de planejamento, monitoramento e investimento do governo federal desde o governo de Michel Temer, e Bolsonaro segue na mesma linha- Ikaro Chaves

O problema volta a atingir o Brasil. O Ministério das Minas e Energia já anunciou que poderá haver um racionamento, alegando que isso ocorrerá devido ao longo período de estiagem. Só não disse que esse evento climático é previsível e que acontece com frequência no país. Segundo os técnicos do ministério, pode não haver água suficiente nas hidrelétricas para gerar energia. 

Já a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também avisou no último dia 28 de maio que, por causa da seca, vai acionar a partir de junho, a bandeira vermelha 2, a mais cara das tarifas extras, que representa  uma cobrança adicional de R$ 6,24 para cada 100 kWh consumidos.

Aplicar um racionamento e aumentar exorbitantemente o preço da energia, o chamado “tarifaço”, por causa da chuva é mais uma desculpa do governo Bolsonaro que não fez investimentos necessários, mesmo sabendo que uma crise hídrica poderia ocorrer, afirma o engenheiro da Eletrobras.

Segundo ele, os períodos de seca, como os de dezembro passado a maio deste ano, são previsíveis, e o que falta ao governo atual é investir em energias renováveis como a eólica e a solar, bem como construir hidrelétricas reversíveis, comuns na Europa e Estados Unidos, nas quais são armazenadas energia para eventuais períodos de escassez.

Ikaro Chaves explica que a energia eólica é responsável por apenas 10% do consumo no país e a solar, no Brasil, de clima tropical, corresponde a menos de 2%. Já as termoelétricas, que o governo prefere utilizar, têm custo mais caro porque precisam de gás natural e diesel para funcionarem.

“Era preciso construir usinas termoelétricas, era, mas se não fossem os investimentos feitos pelos governos Lula e Dilma, o Brasil nem teria energias renováveis, nem a construção de diversas hidrelétricas no país”, conta Ikaro.

Os governos do PT investiram R$ 100 bilhões na construção de novas hidrelétricas, nas energias renováveis e na ligação de todo o sistema brasileiro. O Brasil acrescentou 70% à sua capacidade energética. Foram esses investimentos que evitaram um apagão como o que ocorreu em 1999, e o racionamento de energia entre 2001 e 2002, no governo de FHC- Ikaro Chaves

A responsabilidade dos órgãos de controle

O dirigente explica ainda que a possibilidade do racionamento não pode ser colocada apenas nas costas da Eletrobras, mas de todo um sistema que não previu, nem se preveniu, para o que está ocorrendo atualmente.

De acordo com ele, o setor elétrico brasileiro tem uma série de agentes, o Ministério das Minas e Energia e comitês de monitoramento, como a Empresa de Pesquisa Energética (EPE); a Aneel e diversas empresas do setor de energia, não só a Eletrobras, que é a mais importante, mas não é a única. Para ele, esses órgãos falharam no monitoramento dos níveis de água das hidrelétricas.

“Se o país já tivesse acionado as usinas térmicas anteriormente e utilizado mais as energias solar e eólica, que não podem ser ‘reservadas’, a água das hidrelétricas poderia ter sido economizada.  Todos esses agentes falharam em não se programarem para a estiagem, que é um período que passamos todos os anos. Alguns com maior gravidade, outros não. Na verdade, a falha do governo federal é sistêmica”, diz Ikaro.

Somente na última semana é que o Sistema Nacional de Meteorologia (SNM) emitiu o primeiro Alerta de Emergência Hídrica para o período de junho a setembro, na região da Bacia do Paraná, que abrange os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná.

Mas, o engenheiro da Eletrobras diz que todos os estados serão afetados pelo racionamento com a falta de chuva, porque as bacias do Rio Tocantins, que percorre Goiás, Tocantins, Maranhão e Pará, bem como a do Rio São Francisco, que  passa por Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas, e o Rio Grande, que banha Minas e São Paulo e é um dos formadores do Rio Paraná; nascem entre os estados de Minas Gerais, Goiás e São Paulo.

“Esses rios são a ‘caixa d’água’ do Brasil. Engana-se quem acha que apenas esses estados serão afetados. O sistema elétrico brasileiro é todo interligado. Nos anos 1990 sobrava energia no sul e faltava no norte e centro-oeste, mas com o sistema todo conectado, a crise vai ser nacional”, acredita Ikaro.

Racionamento de energia impede a retomada da economia

O engenheiro da Eletrobras defende que a energia elétrica não é um bem qualquer, que seu consumo possa ser dispensado. Segundo Ikaro, na pós- pandemia qualquer possibilidade de melhora na atividade econômica, com o país racionando energia, será prejudicada. As indústrias e empresas não darão conta da demanda. Se as hidrelétricas pararem, o sistema cai imediatamente.

“Imagine ficar duas, três horas sem energia por dia, a produção para. Se faltar cerveja da marca que a gente gosta, a gente compra outra. Se não tiver no país, pode-se importar. Se não tiver no mundo, a gente passa sem, ninguém vai morrer, mas energia não dá para importar. Produção de energia precisa ser planejada com antecedência porque não pode faltar um minuto”, diz Ikaro.

Preço da energia contribui para aumento da inflação

Nesta segunda-feira (31), a Comissão de Direitos Humanos (CDH) no Senado debateu os efeitos da privatização da Eletrobras. Especialistas apontaram que a desestatização pode gerar aumento na conta de luz e racionamento energético.

Na audiência, Ikaro Chaves destacou que quase R$ 600 bilhões, R$ 20 bilhões anuais, serão retirados dos consumidores nos 30 anos de concessão que estão sendo destinados à iniciativa privada na MP. Ainda segundo ele, o governo ao garantir que “o racionamento é uma possibilidade cada vez maior, mas uma elevação substancial da tarifa é uma certeza”, as estimativas para os reajustes devem ser superiores a 10%.

Economistas, ouvidos pelo jornal Valor Econômico, preveem que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação de um salário mínimo (R$ 1.100) a 40 salários (R$44.000) deve chegar em 12 meses, a  8%, com a bandeira 2 na tarifa de energia.

Em maio, a alta da energia elétrica dentro do grupo habitação foi de 2,31%, o que puxou a prévia da inflação para 0,44%, acima da taxa de 0,6% registrada em abril. Esse é o maior resultado para um mês de maio desde 2016, ano do golpe contra a ex-presidenta Dilma, quando o índice chegou a 0,86%.

Este índice deve ser ainda maior a partir de junho com a implantação da bandeira vermelha patamar 2. Até agora está sendo utilizada a bandeira tarifária vermelha patamar 1, que acrescenta R$ 4,169 na conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos.

Mesmo com lucro bilionário, Bolsonaro quer vender Eletrobras

A falta de lucro não serve mais de desculpa para o governo federal para promover a entrega ao mercado financeiro de um sistema estratégico do país como o energético.

O balanço financeiro, divulgado em março da Eletrobras na mira de privatizações, demostrou que a estatal de energia obteve um lucro de R$ 6,387 bilhões em 2020. No ano anterior (2019), os resultados foram ainda maiores, totalizando R$ 11,133 bilhões.

Apesar de todo este lucro da Eletrobras avança no Congresso Nacional a Medida Provisória (MP) 1.031/2021, da privatização da estatal. O governo Bolsonaro quer vender suas ações para aumentar a participação do capital privado. A MP, publicada em 23 de fevereiro, foi aprovada na Câmara dos Deputados, no dia 20 de maio, e agora precisa ser aprovada no Senado.

Fonte: CUT Brasil

Greve dos petroleiros chega ao terceiro dia em Alagoas

A greve dos petroleiros chega ao terceiro dia em Alagoas e Petrobras continua sem querer negociar com a categoria.

Segundo o sindicato da categoria, “os trabalhadores petroleiros seguem lutando pela revogação das punições, contra os assédios, contra os desmandos, as perseguições, a precarização das condições de trabalho e a falta de segurança operacional”.

Ainda segundo o Sindpetro, “a empresa segue intransigente e caçando desesperadamente fura-greves em todo território nacional”.

Fonte: Assessoria do Sindpetro

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