Igreja Universal quer se apropriar do auxílio emergencial dos fiéis

O bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Renato Cardoso, genro de Edir Macedo, pediu aos fiéis que doem à instituição o auxílio emergencial recebido pelo governo na pandemia. Em vídeo publicado no YouTube da Universal, ele alega que as contas da igreja foram afetadas pelo isolamento social e ataca governadores. As informações são da Folha de S. Paulo.

Com a pergunta “vocês preferem o auxílio emergencial ou o auxílio providencial?”, o bispo estimula a doação do benefício concedido na pandemia, que parte de R$ 150 e chega até R$ 375, dependendo da família.

Fonte: Brasil 247

CUT denuncia na OIT violações trabalhistas do governo Bolsonaro

Em discurso virtual na 109ª Conferência da Organização Mundial do Trabalho, Antonio Lisboa, secretário de Relações Internacionais da CUT, denunciou o governo brasileiro por violações de direitos

Ao discursar virtualmente nesta quinta-feira (3), no início da 109ª Conferência da Organização Mundial do Trabalho (OIT), que discute as aplicações das normas da entidade no contexto do enfrentamento à pandemia da Covid-19, o secretário de Relações Internacionais da CUT, Antonio Lisboa, enumerou uma série de violações que o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) vem fazendo contra os trabalhadores e as trabalhadoras do Brasil.

De perseguições a sindicalistas ao descaso com a pandemia, às violações aos direitos dos trabalhadores e ao povo indígena brasileiro, Lisboa deu um retrato do que o governo de extrema direita vem fazendo no país.

Lisboa disse aos representantes da OIT, que no Brasil, a pandemia causada pelo Covid 19 resultou na intensificação, nos últimos dois anos, em mais violações das normas da organização, especialmente às convenções 98 e 154, que tratam do fomento às negociações coletivas e ao direito de sindicalização, respectivamente. Ele alertou que as conclusões aprovadas na Comissão de Aplicação de Normas, nos anos de 2018 e 2019, foram absolutamente desrespeitadas.

O dirigente da CUT citou como exemplo o caso da Empresa Brasileira dos Correios, que em setembro de 2020, contestou judicialmente a greve dos trabalhadores, e, como resultado, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) retirou 50 das 79 Cláusulas da Convenção Coletiva, a maioria delas consagradas por anos de livre negociação, o que é uma  grave violação a convenção 98.

As perseguições a dirigentes sindicais, como o que ocorreu com o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelarpunido pelo simples exercício da função para a qual foi eleito, também foram denunciados na OIT.

Lisboa relatou ainda o teor das Medidas Provisórias nºs 927936 e 1045,  que permitiram, sem nenhuma consulta aos sindicatos, que os acordos e convenções coletivas fossem feitos por liberalidade dos empregadores, e que reduções salariais, de jornada e suspensão do contrato de trabalho fossem realizados por acordos individuais. Segundo o dirigente CUTista “não há diálogo social no Brasil”.

Sobre a situação das comunidades indígenas e quilombolas, Lisboa declarou que aumentou a vulnerabilidade com a pandemia. O Governo deixou de cumprir determinação judicial para testagem, vacinação e outras medidas de proteção. O direito à consulta foi ignorado.

A atuação de Bolsonaro na pandemia também foi alvo de crítica do dirigente da CUT. Para Lisboa, o planeta inteiro sabe que no Brasil, a tragédia causada pela pandemia foi agravada pela incompetência e irresponsabilidade de um governo que trocou quatro ministros da Saúde em um ano, e cujo presidente, ao invés de combater o vírus e proteger a população, parece querer combater o povo e proteger o vírus.

Lisboa lembrou que em março do ano passado com mil mortes, o presidente classificou a covid-19 como uma “gripezinha”. Em abril declarou: “E daí, quer que eu faça o que?”. Em junho, com 35.000 mortes, Bolsonaro disse que iria “parar de divulgar números” relativos à pandemia.

“ Ao mesmo tempo em que nega os riscos da pandemia e combate as orientações da OMS, incentiva o povo a ir para as ruas sem proteção e agride países que oferecem ajuda. Em janeiro de 2021, com 198 mil mortes, faltou oxigênio no Estado do Amazonas. O presidente afirmou: “não tem oxigênio, eu não posso fazer nada”. Foi preciso que as centrais sindicais mediassem com o governo da Venezuela o fornecimento de oxigênio para diminuir a tragédia”, contou Lisboa.

Por fim, o secretário de Relações Internacionais da CUT, citou que mais da metade da população brasileira vive em condições de insegurança alimentar. Em primeiro de junho o país ultrapassou os 465 mil mortos pela pandemia.

Fonte: Cut Brasil

Renúncia fiscal aos usineiros gera prejuízo de R$ 132 milhões em Alagoas

Programa de combate à pobreza em Alagoas na pandemia, o Cria vai chegar a 180 mil famílias até o final do ano. Custará, por mês, R$ 18 milhões ou R$ 216 milhões em 1 ano. Cada família recebe R$ 100.

Entre 2018 e 2019, os usineiros alagoanos deixaram de pagar R$ 132 milhões de ICMS em agrotóxicos ou R$ 11 milhões/mês aos cofres estaduais.

Alagoas é o maior produtor de cana de açúcar do Nordeste. E é o terceiro local mais miserável do país.

E as lavouras estão livres para receberem os produtos mais tóxicos à disposição do mercado, com um bom desconto no ICMS. É veneno entrando por todos os poros e, claro, com o silêncio conivente das instituições.

Mortos ou doentes não provocam investigações, não é isso?

Mas, por que deixar de cobrar o ICMS cheio dos donos das maiores fortunas de Alagoas, se eles têm condições de pagar?

Estamos numa pandemia e mergulhados em uma grave crise social e econômica. Não faltam justificativas.

O ICMS “dispensado” seria suficiente para pagar um pouco mais de 6 meses do Cria para as mesmas 180 mil famílias. Ou 720 mil pessoas.

Alagoas tem 3,3 milhões de habitantes.

O passado que sempre estendeu um tapete vermelho para as famílias mais abastadas de Alagoas explica o presente.

A cultura da cana é a maior herança do Brasil escravagista que sobrevive a céu aberto: emprega uma mão de obra de baixíssima qualificação e com pouco tempo de vida aos que estão nas lavouras. Como, aliás, aconteciam com os escravos.

A chance de um trabalhador da cana deixar esta condição é próxima de zero. Os velhos da região canavieira alagoana são cacos de gente perambulando nas ruas. Seus corpos foram sugados até o bagaço. Respiram até quando Deus quiser.

E nas áreas canavieiras, hospitais e postos de saúde – propositadamente- funcionam de maneira precária.

Privilegiados desde sempre, donos de engenho viraram usineiros com todo o apoio do poder público. Safras, lucros e Estado máximo integravam a lista de exigências, sempre atendidas, até hoje.

O Produban, banco estatal, fechou as portas porque o Estado não poderia cobrar as dívidas dos usineiros

O “normal” seria um banco ir atrás dos caloteiros. Mas os usineiros tinham provas de que o Estado era quem devia muito a eles.

Uma patifaria avalizada pela Assembleia Legislativa no final dos anos 90.

Hoje, deputados estaduais nada dizem sobre o ICMS dispensado do agrotóxico.

Nem dirão. A máquina da morte não para.

Fonte: Repórter Nordestes

Rebelião na Colômbia já passa de um mês

Em 21 de maio o Comitê Internacional de Ligação e Intercâmbio nas Américas (CILI) promoveu uma “live” com Ricardo Sánchez e José Arnulfo Bayona, da Red Socialista de Colômbia, que dialogaram com questões levantadas por companheiros e companheiras do México, Venezuela, Equador, Peru e Brasil sobre o “Paro Nacional” iniciado em 28 de abril transbordado como levante de todo o povo contra o governo pró-imperialista de Iván Duque.

Os dois companheiros, além de expor a situação em seu país (ver vídeo no facebook do DAP-Brasil), afirmaram a sua adesão ao CILI. Abaixo notas enviadas por Bayona sobre o que se passou em Cali ao completar-se um mês do “Paro” em 28 de maio.

Violenta repressão em Cali
“Foi a jornada de mobilização mais apoteótica desde o 28 de abril, especialmente em Bogotá, Cali, Medellín, Popayán e Pasto. Em Cali a repressão foi mais violenta, numa ação combinada da polícia, exército e seus aliados civis armados (paramilitares), que dispararam, até com metralhadoras, contra as mobilizações. Um massacre com 23 mortos ou mais.

Em Tuluá, próxima a Cali, incendiaram o Palácio de Justiça, culpando os supostos vândalos da greve, mas circularam vídeos que evidenciam a responsabilidade de narcotraficantes aliados da polícia, os quais tinham processos penais no referido palácio.

À noite Duque viajou a Cali e reuniu-se no bairro dos ricos com os responsáveis pela agressão aos indígenas do CRIC (conselho regional indígena de Cauca, NdT), anunciando sete mil soldados e mais cinco mil policiais do tenebroso ESMAD (esquadrão móvel anti-distúrbios, NdT) para militarizar a cidade e romper a sangue e fogo os bloqueios e os locais de resistência. Ele editou o decreto 575 ordenando a militarização de 8 departamentos, dentre eles o de Vale do Cauca, Cauca, Nariño, Risaralda e Norte de Santander, na fronteira com a Venezuela, violando nos fatos o pré-acordo de ‘criar condições para garantir o protesto social’ ao que havia chegado com o Comando Nacional do Paro.”

“Trinta dias de greve e a luta continua”
Bayona também nos enviou o seu artigo de 27 de maio com o título acima. Nele podemos ler (ver a íntegra em larosaroja.org):

“A força e contundência da greve (…) encurralaram o governo, que foi obrigado a retirar o seu regressivo projeto de reforma tributária e aceitar que o projeto de lei 010 de contrarreforma da saúde fosse arquivado pelo Congresso. (…) O governo esperava que o ‘paro’ acabasse. Não obstante a luta continuou e desta forma notificou o governo e seus aliados que as causas da rebelião têm raízes mais profundas.

É a luta contra a injustiça, contra a fome e pelo pão, contra a guerra e pela paz, (…), pela recuperação dos direitos trabalhistas, emprego digno, produtivo e formal, pela reforma agrária e direitos de camponeses e trabalhadores do campo, por saúde gratuita e universal, por educação gratuita desde a pré-escola até a universidade, para acabar com o extermínio das comunidades indígenas e defender seus territórios, pelos direitos dos afro-colombianos e contra o racismo, contra o feminicídio e pela igualdade de direitos das mulheres e LGBTI…

Todas essas consignas são agitadas por multidões mobilizadas que, ainda que não sejam conscientes do alcance, constituem um programa político alternativo de luta por radicais transformações democráticas do estado e da sociedade em seu conjunto.”

Toda a solidariedade à luta do povo colombiano!

Fonte: O Trabalho

Animal é que sois

PAULO MEMÓRIA – jornalista e cineasta

Em todos artigos que escrevo neste espaço, faço uma referência a um filme relativo ao assunto sobre o qual estou escrevendo. Foi a forma que encontrei de juntar jornalismo e cinema, até porque assino os artigos como jornalista e Cineasta. Vejo nas atividades jornalísticas e cinematográficas a possibilidade de levar informação, cultura e conhecimento. A imprensa tem a sagrada missão de manter a sociedade informada sobre o que acontece em um país e no mundo. Cumpre a imprensa informar sobre acontecimentos que vão da política aos esportes, da economia a cultura, das questões referentes à cidade aos acontecimentos internacionais, dos classificados ao colunismo social.

Não por acaso, minha monografia, nós idos dos anos 90, foi precisamente: “A Imprensa: o Quarto Poder”. O famoso e cultuado jornalista Paulo Henrique Amorim, escreveu um importante livro sobre o papel da imprensa, que tem como título “O 4º Poder: Uma outra historia”. A imprensa funciona, informalmente, como um complemento do executivo, do legislativo e do judiciário, exercendo na prática a função de um dos poderes institucionais constituídos, quase como um órgão fiscalizador dos três poderes oficiais de um país de democracia representativa. O cinema, por sua vez, tem a imensa capacidade de esclarecer as pessoas sobre os mais diversos aspectos da vida humana. Com os mais diversos gêneros cinematográficos existentes, a exemplo do drama, romance, histórico, policial, suspense, aventura, o cinema retrata a evolução da humanidade. A Sétima Arte, como é conhecido o cinema, promove o encantamento dos homens e mulheres desde a primeira exibição comercial de um filme, dos irmãos Lumière, August e Louis, intitulado “A Chegada do Trem na Estação”, cuja sessão ocorreu no dia 06 de janeiro de 1896, com 1 minuto de duração. Desta data até os dias atuais, o cinema evoluiu e se transformou em uma fundamental indústria cultural, fazendo parte das grandes conquistas humanas. O livro que pretendo lançar futuramente sobre a causa animal, uma coletânea de artigos sobre este assunto publicado aqui na Gazeta de Alagoas, deverá ter por título, o mesmo que intitula este artigo. A inspiração para esta intitulação vem do discurso de Charlie Chaplin, no filme “o Grande Ditador”, dirigido pelo próprio Chaplin no ano de 1940, e ganhador de quatro Oscar em 1941, incluindo as estatuetas de melhor filme e melhor ator, também concedido a Chaplin. No filme, ainda em preto e branco, no icônico discurso do ditador, uma clara apologia a ascensão do nazismo, ele afirma em determinado momento que, “não sois máquinas, homens é que sois”. Está frase me despertou a reflexão, de que antes de sermos homens ou máquinas, animais, em essência, é o que somos de fato. Talvez por sermos os únicos animais “racionais”, algo de que tenho sérias dúvidas, visto que somos os únicos seres vivos que destruímos deliberadamente o planeta e os únicos que matam outros seres vivos por esporte e lazer, adotamos uma postura arrogante de acharmos que nossas vidas são mais importantes que outras. Não são, apenas estamos no topo da cadeia animal, por possuirmos habilidades específicas, que as demais espécies não possuem. Ademais disso, somos rigorosamente iguais, biológica e fisiologicamente, a todas as outras vidas animais que habitam a terra. A prova da nossa evolução espiritual será constatada quando tivermos esta consciência. O Mahatmam Ghandi dizia que “a grandeza de um país e seu progresso, pode ser medida pela maneira como trata seus animais”. E nada somos além disso: animais é que somos!

R.R. Soares, que anunciava ‘água milagrosa’, está internado com Covid-19

O missionário R.R Soares, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus, está internado com Covid-19, no Hospital Copa Star, no Rio de Janeiro. A informação foi anunciada nesta sexta-feira 4 pelo jornalista Ancelmo Gois, do O Globo.

Em maio do ano passado, o missionário anunciou em um programa de TV uma ‘água consagrada’ para curar o coronavírus.

Soares também tem tido papel importante como “conselheiro” de figuras do governo de Jair Bolsonaro. O ex-chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social do governo federal, Fabio Wajngarten, disse que Soares era uma figura de consulta.

O mês passado, o missionário esteve ligado a uma ação de despejo de cerca de 200 famílias na zona norte de São Paulo, após a sua igreja reivindicar o terreno que ocupavam. O local, de 12 mil metros quadrados, estava abandonado há mais de 30 anos, segundo ativistas, e foi ocupado no fim de dezembro de 2020.

Fonte: Carta Capital

Avança a luta para derrotar o governo genocida de Bolsonaro

Luiz Gomes – Historiador e professor da Uneal

As manifestações do dia 29 de maio foram tão significativas que o Estadão, jornal da elite paulistana reagiu: “O mais importante, contudo, é constatar que os protestos da oposição tendem a marcar um inflexão na atmosfera política” (Estadão, 1 de junho).

A inflexão que o Estadão se refere é o medo das manifestações crescerem e encurralarem o governo genocida de Bolsonaro. E motivos para isso não falta!.


O 29 de maio marcou um salto de qualidade, um acúmulo nas manifestações, pois romper definitivamente com a linha do fique em casa, que trocava as ruas pelas atividades virtuais e derrotou o boicote dos setores contrários às mobilizações.

Neste dia, as manifestações levaram às ruas mais de 400 mil pessoas. Manifestações aconteceram em todas as capitais e mais de 200 cidades do país e até no exterior, onde o grito de Fora Genocida foi a tônica das agitações.


Com palavras de ordem “se o povo se unir, Bolsonaro vai cair”, “Por direito, emprego, comida e vacina”, os movimentos sociais se uniram e coloriram as manifestações de norte a sul do Brasil.


O dia 29 impôs uma derrota nas ruas à Bolsonaro e seus generais e foi uma vitória da independência política dos trabalhadores. Foi com base em reivindicações concretas os trabalhadores e a juventude reocuparam as ruas.

Agora, com mais força, os movimentos sociais organizam para o dia 19 de junho mais um dia nacional de manifestações contra a política do governo genocida de Bolsonaro.

Diante do impacto da ação por baixo, que abalou as relações por cima, Bolsonaro não tem outra alternativa a não ser cada vez mais ficar refém dos mercenários do Centrão e dos generais empaturrados de leite condensado e de mamatas orçamentárias.

O povo rompeu o cerco, nenhum dia a mais para Bolsonaro! Fora Bolsonaro genocida!

Vereador do PT que sofre perseguição tem prisão política em Curitiba

O vereador de Curitiba Renato Freita (PT), vem sofrendo ameaças de bolsonaristas por se opor ao chamado “tratamento precoce” da Covid-19, com internamento de adolescentes dos bairros periféricos que incluí repasse de recursos públicos para comunidades “terapêuticas” religiosas e ter questionado a aprovação do regime de urgência para projeto do prefeito Rafael Greca (DEM) com multa a quem distribuir alimentos a moradores de rua.

O vereador Renato Freitas Junior foi preso pela polícia na tarde desta sexta-feira (4). O petista é advogado, mestre em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e estava com uma caixa de som em uma praça da cidade, jogando basquete, quando foi abordado pelos policiais militares, que logo anunciaram a sua prisão e a de seus amigos. 

O vereador relatou que policiais militares quebraram a caixa de som na qual ouvia música. “Essa é a cara de Curitiba. A cara do racismo“, disse Freitas. 

Após ser imobilizado por três policiais e arrastado, ele questionou o motivo da prisão e ouviu de um dos agentes: “Não sei”. Segundo a Polícia Militar, o parlamentar foi detido por “perturbação do sossego”.

Freitas foi conduzido para a 1ª Companhia do 12º Batalhão da PM para assinar um termo circunstanciado. 

Fonte: Brasil 247

Juiz Marcelo Bretas é acusado de negociar penas e combinar com MP, diz Veja

Revista publicou trecho de delação. Juiz teria orientado advogados, diz Veja

O advogado criminalista Nythalmar Dias Ferreira Filho, de 31 anos, afirma que o juiz federal Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro, é responsável por negociar penas, orientar advogados, combinar com o Ministério Público e influenciar a eleição de 2018. A informação consta em reportagem publicada nesta 6ª feira (4.jun.2021) pela revista Veja. Segundo a publicação, o advogado fez um acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria Geral da República), mas que ainda precisa ser homologado pela Justiça.

De acordo com a Veja, Nythalmar teria apresentado uma gravação, de uma conversa feita em 2017, na qual ele, o juiz e um procurador da República conversavam sobre uma estratégia para convencer o empresário Fernando Cavendish (ex-dono da construtora Delta, preso durante a Lava Jato) a confessar seus crimes mediante o oferecimento de vantagens judiciais. Na conversa, Bretas disse “para deixar com ele que iria aliviar”.

No anexo da delação, o advogado afirma que a conversa “demonstra de forma inequívoca a forma que o juiz responsável, juntamente com os membros da Força-Tarefa, montou um esquema paraestatal, ilegal de investigação, acusação e condenação”.

Leia outros trechos da reportagem:

  • audiência com Gilmar – em outubro de 2020, Nythalmar Dias Ferreira telefonou para o STF depois de ser alvo de mandados de busca e ter celulares e computadores apreendidos pela Polícia Federal. Tentou uma audiência com o ministro Gilmar Mendes. Em troca de benefícios, se propunha a testemunhar e apresentar provas de “graves ilegalidades”. Não teve sucesso. Cinco meses depois, assinou um acordo com a PGR. A delação tem 8 anexos;
  • áudio de Bretas – em conversa gravada, o juiz disse que atenuaria a sentença de Fernando Cavendish. “Você pode falar que conversei com ele, com o Leo, que fizemos uma  videoconferência lá, e o procurador me garantiu que aqui mantém o interesse, aqui não vai embarreirar […] Não vou botar 43 anos no cara”. Leo seria o procurador Leonardo Cardoso de Freitas, então coordenador da Lava Jato no Rio. Os “43 anos” se referem à decisão que condenou o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear;
  • delação com o MP – em sequência aos acontecimentos, Cavendish começou a falar seus crimes e assinou um acordo de delação premiada com o MP. Confessou o pagamento de milhões em propina a políticos, e por isso ganhou o direito de responder o processo em liberdade.
  • acordo com Cabral – Nythalmar diz que o juiz intermediou um acordo informal com o ex-governador Sérgio Cabral em que a troca seria poupar a primeira-dama Adriana Ancelmo das investigações. O pedido teria sido feito em 2018 pelo filho de Cabral a Bretas. A revista diz que o juiz concordou, ajustou os detalhes com o procurador Eduardo El Hage, então chefe da operação no Estado, e deu orientações para que Cabral e a Adriana escrevessem uma carta abrindo mão de todo patrimônio. Para dissimular o combinado, Nythalmar afirma que o MP recorreu da decisão.
  • eleições de 2018 – o ex-governador do Rio Wilson Witzel e o prefeito da capital, Eduardo Paes, também aparecem nos anexos do acordo de delação. Nythalmar diz que Bretas influenciou o resultado das eleições para que Witzel fosse eleito em 2018. Bretas teria “vazado”o depoimento de um ex-assessor Paes, então líder nas pesquisas eleitorais, o causando de envolvimento em grude de licitações e recebimento de propina
  • vazamento nas eleições – no 2º turno, ainda de acordo com o documento, Eduardo Paes teria se comprometido a nomear a irmã de Bretas para uma secretaria caso eleito. De acordo com o advogado, depois de ser derrotado por Witzel, Paes fez um acordo informal, garantindo que abandonaria a política em troca de não ser perseguido. Witzel, em paralelo, nomeou Marcilene Cristina Bretas, irmã do juiz, para um cargo no Estado.

OUTRO LADO

Em seu perfil no Instagram, o juiz disse que os fatos relatados no texto estão distorcidos e a reportagem contém falas “mentirosas”. “A reunião referida pelo advogado de defesa (e por ele gravada) foi feita a pedido do próprio advogado e com a participação do representante do MPF, na 7ª Vara Federal Criminal do RJ”, afirmou.

Em conversa com a Veja, Bretas disse que qualquer advogado por falar o que quiser. “Já há algum tempo querem achar alguma coisa para indicar [contra mim], mas vamos esperar que alguém demonstre alguma coisa, porque falar realmente é realmente muito fácil”.

Fonte: Poder 360

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