Justiça do Reino Unido decidiu não extraditar Assange para os EUA

A Justiça do Reino Unido decidiu não extraditar Julian Assange, fundador do WikiLeaks, para os Estados Unidos. A decisão foi comemorada pelos movimentos sociais em todo o mundo, mas o governo dos EUA continuam fazendo pressão pela sua extradição.

Diante da decisão, o presidente do México Lopez Obrador ofereceu asilo político para Assange. O México tem uma longa tradição de conceder asilo político, como a concedida a Leon Trotsky, líder revolucionário russo.

Em função das perseguições promovidas pelos EUA, Assange foi obrigado a se refugiar na embaixada do Equador em Londres em 2012. Em 2019, ele foi encarcerado numa prisão britânica. Se fosse extraditado para os Estados Unidos, o jornalista poderia ser condenado a prisão perpétua ou a pena de morte.

Assange tornou-se alvo de imenso ódio dos EUA, porque tornou público as ações do governo norte-americano, que deflagraram guerras sem autorização do Congresso e assassinaram civis.

Professores cobram negociação com o prefeito Luciano Barbosa

Os professores de Arapiraca realizaram ontem, mais uma manifestação para cobrar negociação com o prefeito Luciano Barbosa. Dessa vez a categoria se juntou aos trabalhadores de uma fundação de saúde e que estão sem receber salários há meses.

Os professores denunciam que vem buscando negociar com o prefeito há um ano e que ele tem fugido de qualquer diálogo com a categoria.

Os professores cobram também o rateio da sobra de mais de 20 milhões do Fundeb, a realização de concurso público que foi prometido durante a campanha eleitoral, aumento do Piso Salarial, solução para a crise do Fundo Previdenciário e o pagamento dos precatórios.

Como o prefeito não atende as demandas, os professores prometem continuar com as mobilizações e ocupações.

Primeira pesquisa eleitoral de 2022 aponta vitória de Lula no 1º turno

Levantamento da Quaest, o primeiro do ano eleitoral, mostra ainda um crescimento da preocupação com a pandemia

Realizada pela Quaest e pela Genial Investimentos, a primeira pesquisa do ano eleitoral sobre intenções de voto para presidente aponta uma vitória, já no primeiro turno, do ex-presidente Lula.

No levantamento, o petista tem 45% das intenções de voto no cenário simulado, no qual são apresentadas opções ao entrevistado. Em segundo lugar, consta o presidente Jair Bolsonaro, com 23%, seguido por Sergio Moro, com 9%; Ciro Gomes, com 5%; João Doria, com 3%; e Simone Tebet, com 1%. Rodrigo Pacheco aparece com zero.

Na comparação com a última pesquisa, realizada em dezembro de 2021, todos os principais candidatos tiveram queda na intenção de voto dentro da margem de erro, que é de 2 pontos percentuais. Essa foi a redução nas intenções de voto em Lula, Bolsonaro e Ciro Gomes, entre as duas rodadas de perguntas. Já Sergio Moro apresentou diminuição de 1 ponto percentual.

Nos cenários de segundo turno, o ex-presidente Lula vence em todas as simulações. Já Bolsonaro não vence em nenhuma. No caso do atual mandatário, foram testadas as possibilidades de uma segunda volta contra Lula, na qual Bolsonaro teria 30% dos votos contra 54% do petista; Moro (36% para o ex-juiz x 30% para Bolsonaro) e Ciro Gomes (39% para o candidato do PDT x 32% para Bolsonaro).

O cenário preocupante para o atual presidente fica pior quando o entrevistado é questionado se conhece o candidato e se poderia votar nele. Nesse caso, 66% dos entrevistados responderam que conhecem Bolsonaro e não votariam nele. Lula teve 43% de respostas semelhantes e ficou atrás de Doria (60%), Moro (59%) e Ciro Gomes (58%).

A percepção negativa do presidente cresceu até mesmo entre a sua base de apoiadores. Em julho, 28% dos seus eleitores viam um governo pior do que o esperado. Agora, são 36%. Já o percentual daqueles que acham o desempenho de Bolsonaro melhor do que o antecipado caiu de 35% para 29%.

A pesquisa entrevistou 2 mil pessoas em 123 municípios localizados em todas as unidades da Federação. O nível de confiança na consulta é de 95%.

Fonte: Metrópoles

ONG de Léo Moura recebeu mais de 40 milhões do governo Bolsonaro

Governo Bolsonaro abre os cofres públicos para a ONG do ex-jogador Léo Moura. Foram liberados ao todo R$ 41,6 milhões por indicação de políticos aliados do presidente. Um terço do valor foi via orçamento secreto

Ex-jogador de destaque no Grêmio e no Flamengo, o hoje empresário Leonardo da Silva Moura, o Léo Moura, se tornou campeão de recursos recebidos da Secretaria Especial do Esporte do governo federal com uma entidade que promove treinamento de futebol para crianças e adolescentes.

Foram liberados ao todo R$ 41,6 milhões para o instituto que leva o nome do ex-atleta nos últimos dois anos, por indicação de políticos aliados do Planalto. Mais de um terço (36,5%) do valor foi enviado via orçamento secreto, prática revelada pelo jornal O Estado de S.Paulo e usada pelo presidente Jair Bolsonaro para destinar bilhões de reais de dinheiro público a um grupo de parlamentares sem critérios claros, em troca de apoio no Congresso.

Os padrinhos dos pagamentos à ONG são, principalmente, o deputado bolsonarista Luiz Lima (PSL-RJ) e o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), ex-presidente do Senado.

A quantia destinada ao Instituto Léo Moura entre 2020 e 2021 é quase o dobro do enviado à Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE), a segunda colocada, com R$ 27,5 milhões. Também supera o que foi enviado a confederações de esportes olímpicos, como a Confederação de Desportos Aquáticos (CBDA) (R$ 9,1 milhões), Ginástica (R$ 8,4 milhões), Vôlei (R$ 8,4 milhões) e Boxe (R$ 7,1 milhões).

O investimento de R$ 41,6 milhões em uma ONG é considerado descomunal por especialistas em gestão esportiva ouvidos pelo Estadão. O Ministério da Cidadania, ao qual a Secretaria Especial do Esporte está vinculada, diz que os recursos foram indicações de parlamentares, com execução obrigatória, ou seja, sem que o governo pudesse escolher para quem enviar.

Questionados, tanto Alcolumbre quanto Luiz Lima defenderam a importância do projeto e negaram irregularidades. Ambos exploram eleitoralmente a iniciativa ao terem suas imagens expostas em banners e em eventos de divulgação das atividades realizadas.

Escolinhas

A principal ação do instituto é um projeto de escolinhas de futebol chamado Passaporte para Vitória, que atende, segundo a entidade, 6,6 mil jovens de 5 a 15 anos no Rio e no Amapá — o plano é expandir para 30 mil. As inscrições são feitas por ordem de chegada, sem critério social.

A verba é usada para a manutenção dos espaços e pagamento de funcionários, além da compra de chuteiras, caneleiras, uniformes e até um tipo de paraquedas especial usado em treinamentos para dar resistência a atletas, a R$ 80 a unidade — na internet é possível encontrar item semelhante por R$ 54. Ao todo, 1,6 mil paraquedas custaram R$ 128 mil.

O Amapá recebeu ano passado 20 escolinhas com os repasses de Alcolumbre, que destinou R$ 15 milhões à entidade via emenda de relator — base do orçamento secreto. Só na capital, Macapá, funcionam quatro unidades. Léo Moura esteve na cidade quando as atividades começaram, em julho, e posou para fotos ao lado do senador, que divulgou as imagens em seu Facebook.

Os repasses para o instituto, no entanto, começaram antes, por meio de emendas do deputado Luiz Lima, ex-nadador olímpico e ex-secretário nacional do Esporte no governo de Michel Temer. Lima enviou, em 2020, R$ 5,2 milhões para bancar 15 núcleos no Rio, cada um com capacidade para atender até 300 crianças. A foto e o nome do deputado aparecem em banner do Passaporte Para Vitória numa rede social.

O jornal O Estado de S.Paulo esteve em duas das unidades na última quinta-feira (6), uma em Teresópolis (RJ) e outra em Macapá. Na primeira, as atividades estão suspensas desde novembro e os responsáveis afirmaram que ainda esperam liberação de recursos para retomar as aulas.

No local há apenas um campinho de futebol com menos da metade das dimensões oficiais, sem marcações e grama só nas laterais. Segundo vizinhos que não quiseram se identificar, duas balizas sem rede, também fora do padrão, e um contêiner foram as únicas benfeitorias trazidas pelo projeto ao campo, que já existia.

Em Macapá, por sua vez, um pequeno grupo de crianças participou das atividades na manhã de quinta num campo de grama sintética, bem conservado, com grades novas e iluminação, na orla do bairro Santa Inês, próximo ao centro.

Comparação

A ONG terminou 2021 tendo utilizado apenas R$ 5 milhões das verbas federais que efetivamente já caíram em sua conta. Apesar disso, novos aportes estão a caminho. Em 23 de dezembro, o presidente do Instituto Léo Moura, Adolfo Luiz Costa, enviou ofício ao relator-geral do Orçamento, senador Márcio Bittar (PSL-AC), pedindo a liberação de mais R$ 7,032 milhões, “tendo em vista a importância social e o alcance desse trabalho“. Segundo Léo Moura, o dinheiro adicional, que ainda não foi liberado por questões burocráticas, também foi intermediado por Alcolumbre para o Amapá.

Os R$ 41,6 milhões em repasses ao Instituto Léo Moura representam 11% dos R$ 374,7 milhões destinados pela Secretaria Nacional de Esportes desde 2019 para projetos esportivos. A cifra supera o investimento que 24 Estados e o Distrito Federal fizeram, individualmente, no esporte, em 2020. Apenas Bahia e São Paulo aplicaram mais recursos, segundo dados obtidos pela ONG Contas Abertas a pedido do Estadão.

O volume aplicado na entidade do ex-lateral do Flamengo é “extraordinário”, na opinião de Katia Rúbio, professora da Faculdade de Educação da USP.

É quase um terço da verba pública do Comitê Olímpico Brasileiro, e muito além do que grandes federações recebem. Isso causa estranhamento”, disse a coordenadora do grupo de estudos olímpicos da USP.

Para o ex-ministro do Esporte Ricardo Leyser, a concentração de recursos na ONG faz parte do contexto da extinção do Ministério do Esporte e do enfraquecimento das políticas públicas de esporte e lazer.

Você acaba atribuindo a entidades que não têm uma relevância esportiva significativa no cenário nacional um papel de protagonista”.

Alcolumbre justifica que, além de atender crianças e adolescentes em todos os municípios do Amapá, o projeto gera empregos. O senador disse ainda que as emendas de relator-geral estão previstas nas leis orçamentárias e possuem “total transparência”.

O Legislativo e o Judiciário já chegaram a um consenso no aperfeiçoamento da legislação, garantindo maior controle e participação social”.

O deputado Luiz Lima, por sua vez, afirmou que a sua ligação com o projeto é antiga e que a marca Passaporte Para Vitória, inclusive, foi criada por seu chefe de gabinete e, depois, associada ao Instituto Léo Moura.

O que diz Léo Moura

O ex-jogador Léo Moura disse ao Estadão que realiza projetos sociais desde 2012 com o instituto que leva seu nome e que os investimentos se devem à “credibilidade” do trabalho. Eleitor do presidente Jair Bolsonaro, ele afirmou que o deputado Luiz Lima (PSL-RJ) enviou recursos federais à entidade porque ficou “encantado” com a iniciativa.

Me sinto um cara abençoado por ter sido agraciado com essas verbas e estar podendo ajudar muitas crianças”.

Empresário de jogadores, disse ainda que não agencia atletas que tenham passado por seu projeto social e descarta entrar na política.

Qual é a sua participação no projeto do instituto que leva o seu nome?

Esse projeto começou em 2012 no Rio de Janeiro. Sempre tive um sonho de fazer esses projetos sociais, e daí eu tirei do papel para poder começar esse trabalho no Rio e hoje, graças a Deus, a gente está podendo expandir em nível nacional. Agora, com mais tempo, tenho atuado diretamente, estando mais próximo do projeto.

O deputado Luiz Lima disse que o projeto foi criado por um assessor dele, Welbert Pedro. Procede?

Na verdade, o projeto já existia. O nome Passaporte Para Vitória é que a gente, junto com o Luiz Lima, com o Welbert Pedro, em comum acordo, fizemos esse nome. A gente começou a trabalhar esse nome dentro do meu projeto que já existia.

O instituto é o maior destinatário de verbas da Secretaria Especial do Esporte e está recebendo mais do que muitas confederações desportivas? Por quê?

Acredito que as pessoas veem credibilidade nesse projeto e, a partir daí, viraram nossas parceiras. Eu me sinto um cara abençoado por ter sido agraciado com essas verbas e poder ajudar muitas crianças.

Tem planos de se candidatar a algum cargo?

Jamais. Não tenho pretensão nenhuma, zero, de ser candidato a político.

E se fosse convidado para algum cargo político, como secretário de Esporte?

Não, não, não, porque eu quero estar muito próximo desse projeto. Se eu for para esse lado, eu vou perder todo o foco do meu objetivo, sabe?

Fonte: Pragmatismo Político

Família de ambientalistas é assassinada a tiros no Sul do Pará

A família era conhecida na região pela soltura de quelônios e por atividades de proteção ambiental

Em mais um triste caso de assassinato de ativistas ambientais, três membros de uma família na região de São Félix do Xingu, no Sul do Pará, foram mortos a tiros. Conhecidos na região pela soltura de quelônios e por atividades de proteção ambiental, as vítimas moravam há mais de 20 anos na região. Segundo a polícia, o assassinato pode ter ocorrido há cerca de três dias, devido ao estágio avançado de decomposição dos corpos.

Os três corpos encontrados são de um homem conhecido como “Zé do lago”, sua esposa Márcia, e Joene, a filha menor de idade do casal. 

O corpo de Márcia foi encontrado boiando às margens do Rio Xingu. Os corpos do pai e da filha foram encontrados às proximidades da casa da família. O crime chocou a população local pela crueldade. 

O Brasil é o quarto país do mundo que mais mata ambientalistas, de acordo com relatório da ONG Global Witness. No ano de 2020, foram assassinadas 227 pessoas — uma média de quatro mortes por semana, de ativistas que tentavam defender seus territórios, o direito à terra, seus meios de subsistência e o meio ambiente.

A Polícia Civil do estado do Pará informou, em nota, que está apurando o crime: “A Polícia Civil comunica que uma equipe está realizando diligências na região para localizar os autores do triplo homicídio ocorrido na ilha da Cachoeira do Mucura, às margens do Rio Xingu, no município de São Félix do Xingu. A PC ressalta ainda que qualquer informação que auxilie no esclarecimento do fato, pode ser repassada via Disque-denúncia, 181”. (Com informações do Globo). 

Fonte: Brasil 247

O que se passa no Cazaquistão?

Publicamos abaixo matéria do jornal “Informações Operárias”  nº 688, órgão do POI francês, enviada por seu correspondente na Rússia (intertítulos da redação).

Apresentação
O levante no Cazaquistão, após outras mobilizações populares nas repúblicas da Ásia Central, como no Quirquistão por exemplo, ameaça o equilíbrio nessa região rica em matérias primas e próxima da Rússia, Irã e Afeganistão. A chegada dos talibãs ao poder provocou grande inquietação nos governos da Ásia Central, mas também na Rússia e Irã.

É diante dessa situação e sua repercussão na própria Rússia, que Putin decidiu enviar tropas para restabelecer a ordem no Cazaquistão. A União Européia e os Estados Unidos também estão inquietos com as repercussões em escala regional e mundial.

Abaixo artigo de Anton Pustovoy, nosso correspondente na Rússia


Desde a independência do Cazaquistão, há trinta anos, a economia dessa república é uma das mais eficientes da Ásia Central. Ela é baseada na venda de minerais, cerca de 40% das reservas mundiais de urânio estão no país, e a principal razão do seu crescimento econômico é a venda de petróleo. Contudo, apesar do dinheiro fácil, ele é desigualmente repartido na sociedade e a maioria da população é pobre.

Além da desigualdade social, a corrupção e o nepotismo florescem na república. Hoje, os 162 cazaques mais ricos detém mais de 55% da riqueza nacional. Isso no contexto de um regime político que se mantém com o mesmo rosto desde a ditadura da “nomenclatura” dos partidos soviéticos.

O início das manifestações
As manifestações começaram em 2 de janeiro no centro operário de Zhanaozen, no oeste do país. Os trabalhadores saíram às ruas contra a duplicação do preço do gás líquido, utilizado na maioria dos veículos na Ásia Central. Essas manifestações pacíficas se propagaram rapidamente a todas as regiões do país.

Com o início da violenta repressão policial, os manifestantes também reagiram. O seu número aumentou, muito mais que o de policiais, os quais foram desarmados e tiveram munições tomadas. Pilhagens de imóveis de escritório e lojas de armas começaram. Os manifestantes passaram a ter armas e teriam se juntado a eles também oficiais da polícia e do exército.

Do desprezo ao apelo a tropas externas
As autoridades da república, longe de compreender o que se passava, agiram com desprezo. Sua primeira reação foi responder às demandas econômicas do povo, mas elas já tinham se tornado fortemente políticas : a demissão do governo e a destituição do partido no poder Nur Otan (Luz da Pátria).

A mobilização continuou e a segunda ação das autoridades foi fazer apelo a uma intervenção militar externa da Rússia e dos países da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), ao qual o Kremlin (sede do governo russo, NdT) respondeu rapidamente enviando tropas para reprimir as manifestações.

O bloco militar da OTSC inclui a Federação Russa, a Bielorrússia (Belarus), Armênia, Tadjiquistão, Quirquistão e o próprio Cazaquistão e nunca havia sido acionado até esse momento. Só uma vez, em 2010, o presidente deposto do Quirquistão, Kurmanbek Bakiev, tinha apelado ao bloco para reprimir agitações étnicas no sul do país, mas sem sucesso.

Após a chegada das tropas da OTSC, o presidente do Cazaquistão mudou radicalmente o seu discurso, passando a qualificar os manifestantes de “terroristas” com os quais não se discute, mas se atira para matar. As tropas começaram a entrar no país em 5 de janeiro, mas até a data deste artigo, 8 de janeiro, os combates continuavam entre o exército e os rebeldes.

É importante dizer que, ao longo da existência do Cazaquistão, toda oposição e livre expressão de opinião foram duramente reprimidas. O velho partido comunista, mesmo desmoronado, é proibido no Cazaquistão.

Em consequência, hoje não existe qualquer força legalizada que possa representar ao menos uma parte das amplas massas que protestam. Ao invés disso, temos um forte e amplo protesto, correspondente à mentalidade “quente” do povo cazaque, mas de caráter completamente selvagem. Os manifestantes tiveram a força de tomar de assalto os prédios administrativos, as cadeias de televisão e rádio, mas lhes falta unidade e disciplina. Se as tivessem, o poder estaria nas mãos dessa força unificadora.

Traços comuns das ex-repúblicas soviéticas
O que unifica os países do bloco militar da OTCS ? Todos eles tem regimes políticos com as mesmas derivas e características : corrupção, nepotismo, autoritarismo de tipo “monárquico”, restrição das associações da sociedade civil, inclusive dos sindicatos de trabalhadores.

Assim, toda manifestação é ilegal, mas, por outro lado, é contagiosa. Uma sociedade que não tem a possibilidade de protestar, recorre rapidamente a métodos agressivos, pois não conhece outra coisa.

Com a manutenção desses regimes, após a repressão ao levante cazaque, a perseguição aos militantes vai se agravar nas antigas repúblicas soviéticas e a reação “czarista” poderá reinar por anos.

Uma última questão importante que se coloca é: qual o preço que o presidente Tokaev pagou para conservar o seu poder e qual será o preço a ser pago pelo povo cazaque ao Kremlin ?

Fonte: O Trabalho

Governo Bolsonaro sobe preço da gasolina e do diesel a partir de quarta-feira

Preço médio de venda da gasolina passará de R$ 3,09 para R$ 3,24 por litro; valor do diesel vai subir de R$ 3,34 para R$ 3,61 por litro.

O governo Bolsonaro, através da Petrobras comunicou nesta terça-feira (11) que os preços da gasolina e do diesel às distribuidoras serão reajustados a partir de quarta.

Segundo a estatal, o preço médio de venda da gasolina da Petrobras para as distribuidoras passará de R$ 3,09 para R$ 3,24 por litro, o que representa um aumento de 4,85%.

O valor do diesel vai subir de R$ 3,34 para R$ 3,61 por litro, alta de 8,08%.

O último ajuste nos preços foi realizado em dezembro do ano passado, quando a Petrobras promoveu uma redução no valor da gasolina de 3,13%. Foi a primeira queda desde 12 de junho.

Já o último aumento foi anunciado em outubro do ano passado

No comunicado, a estatal também disse que “reitera seu compromisso com a prática de preços competitivos e em equilíbrio com o mercado, acompanhando as variações para cima e para baixo, ao mesmo tempo em que evita o repasse imediato para os preços internos, das volatilidades externas e da taxa de câmbio causadas por eventos conjunturais.”

Nesta terça, o IBGE divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2021 em 10,06%, a maior desde 2015. O resultado foi impulsionado pelos combustíveis. O etanol ficou 62,23% mais caro, a gasolina subiu 47,49% e o óleo diesel teve alta de 46,04%.

Preços nos postos

Na primeira semana de 2022, os preços da gasolina e do etanol recuaram nos postos, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Já o diesel teve alta.

Fonte: G1

Abandono da ciência e falta de investimento tiram o Brasil do século 21

Sem reajustes nas bolsas de pesquisas, pós-graduandos enfrentam dificuldades para manter estudos

Diante da escassez de investimentos em ciência e tecnologia no Brasil, a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) elaborou abaixo-assinado com mais de 51 mil assinaturas pedindo reajuste no valor das bolsas de pós-graduação. O documento foi entregue ao presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Evaldo Vilela, que se comprometeu a levar a reivindicação ao Congresso Nacional.

O Brasil possui, segundo a Unesco, 888 pesquisadores por milhão de habitantes. No topo do ranking estão Coreia do Sul, com 7.980, Nova Zelândia, com 5.578, e Alemanha, com 5.212 pesquisadores por milhão de habitantes. Esses dados, que estão no novo relatório de Ciência da Unesco de 2021, mostram como o investimento na ciência não tem sido prioridade.

De acordo com Flávia Calé, presidenta da ANPG, a falta de investimentos em ciência faz com que o país não tenha autonomia tecnológica e seja dependente de outras nações. “O mundo, cada vez mais, se divide entre países que produzem ciência e tecnologia e aqueles que só consomem. O Brasil, deixando de investir em ciência, abre mão de ter autonomia tecnológica. Essa autonomia depende de termos cérebros, ou seja, profissionais altamente especializados e infraestrutura”, afirmou, em entrevista à repórter Larissa Bohrer, da Rádio Brasil Atual.

Reajuste nas bolsas

Sem reajustes nas bolsas de pesquisas para pós-graduandos desde 2013, mestrandos e doutorandos enfrentam inúmeras dificuldades para manter suas pesquisas. É o caso de Daniel Valle, doutorando de Geologia pela USP. Segundo o pós-graduando, que se mudou para a capital paulista com o objetivo de ficar mais perto da universidade, metade do valor mensal da bolsa serve apenas para pagar o aluguel. O restante vai para alimentação e INSS. Os trabalhos extras para complementar a renda, que também não são frequentes, servem para itens de necessidade secundária, como comprar roupas.

“O freelance que eu consigo não é constante. Quando entra esse dinheiro, vai embora tão rápido quanto entra. Optei por morar perto da universidade, o que torna o aluguel mais caro e metade da bolsa é usada nele. Está difícil morar aqui no Brasil e não está valendo a pena fazer pós-graduação no país”, relatou o estudante.

Bolsas de mestrado e de doutorado da Capes ou do CNPq, órgãos ligados ao Ministério da Educação e ao da Ciência e Tecnologia, que custeiam a pesquisa, equivalem hoje a R$ 1.500 e R$ 2.200 ao mês. Desde o último reajuste, em março de 2013, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do IBGE acumula 63,47% de alta. Isso significa que, caso as bolsas apenas fossem reajustadas para corrigir a inflação do período, os valores seriam de R$ 2.452,10 para mestrandos e R$ 3.596,41 para doutorandos.

Porém, as agências já anunciaram que o aumento feito pode ser apenas de 20% a 30%. A presidenta da ANPG, explica que embora este valor não seja o ideal, já é um marco importante. “Na semana da nossa paralisação, em outubro do ano passado, algumas agências anunciaram o reajuste. Está aquém do valor ideal, mas é uma medida importante, tirando o valor rebaixado que tínhamos no valor das bolsas”, acrescentou.

Valorização da ciência

Daniel comenta que as pesquisas nunca antes foram tão valorizadas, levando-se em conta a atual situação pandêmica no mundo. E enfatiza que em sua área de ciências naturais as pesquisas são importantes, por exemplo, para serem aplicadas no cotidiano e evitarem os desabamentos ou inundações.

“Todo dia vemos a importância de tomar vacina e ela foi criada a partir de pesquisas. Na minha área de ciências naturais, as pesquisas do meu instituto podem ser aplicadas em outras ocasiões, como para evitar as enchentes na Bahia. A pesquisa é importante e precisa estar casada com a gestão pública, o que não tem sido feito”, explicou.

Para Calé, as eleições gerais deste ano são fundamentais para que haja uma recolocação da ciência como protagonista no Brasil. “A eleição é oportunidade de discutirmos um projeto. É preciso reconstruir o país com a ciência ao centro. No Chile, o candidato vencedor colocou essa questão na centralidade de seu projeto, o mesmo foi feito nos Estados Unidos e em outros países. O Brasil não pode se afastar dessa realidade e essas eleições precisam ser a construção de uma nova rota.”

Fonte: Rede Brasil Atual

Bolsonaro ameaça recuo sobre reajuste e polícias falam em “traição” e “golpe”

Com o aumento de casos de Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem sido pressionado tanto por auxiliares diretos como por parlamentares governistas a recuar da previsão de reajuste neste ano a policiais federais.

O argumento é de que, além de a iniciativa estar estimulando greves no setor público, ela ocorre em um momento no qual o governo federal poderá ser obrigado a aumentar os repasses para estados e municípios no combate à variante Ômicron.

Bolsonaro pediu no fim de semana “sensibilidade” ao funcionalismo e argumentou que não há espaço no Orçamento para dar aumento para todos. “Pode ser que não tenha reajuste para ninguém”, disse o presidente no sábado (08).

Policiais se sentem traídos por Bolsonaro

Nesta segunda-feira (10), policiais federais e rodoviários demonstraram preocupação com o possível recuo. Membros dos órgãos já falam em “traição” e “golpe” do presidente, caso ele descumpra o compromisso firmado no fim de 2021.

Policiais federais, policiais rodoviários federais e líderes de associações que representam a categoria afirmaram reservadamente que um possível recuo de Bolsonaro pode fazer milhares de policiais irem às ruas criticar uma “falta de compromisso” do presidente para com o órgão.

O presidente da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF) e um dos líderes da União de Policiais do Brasil, Dovercino Neto, afirmou que Bolsonaro “trairá” novamente a categoria caso recue e não conceda reajuste aos policiais. “As falas do fim de semana são muito preocupantes. Caso o presidente recue, vai ser mais uma traição, um golpe na nossa carreira”, disse.

Fonte: DCM

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