Lula vence no primeiro turno, aponta nova pesquisa

A mais nova pesquisa do Instituto Ipsos, encomenda pelo DEM, aponta vitória de Lula já no primeiro turno. Lula tem mais pontos do que todos os outros candidatos somados: 48% a 35%!

Lula (PT) 48%

Bolsonaro (SP) – 22%

Moro (SP) – 5%

Ciro (PDT) – 4%

Dória (PSDB) – 2%

Boulos (PSOL) – 1%

Mandetta (DEM) – 1%

A pesquisa aponta uma vitória de Lula contra Jair Bolsonaro em um eventual segundo turno em 2022. Os dados mostram que o candidato do PT tem 58% das intenções de voto contra apenas 25% do atual presidente.

A pesquisa divulgada nesta terça-feira 6 foi encomendada pelo DEM e divulgada pela revista Veja. Ainda de acordo com o instituto, votos brancos e nulos somariam 13%.

Outros cenários de segundo turno também foram apurados pelo Ipsos.

Um primeiro com Lula e outros nomes da chamada terceira via e um segundo cenário colocando os mesmos nomes em disputa contra Bolsonaro.

Um primeiro com Lula e outros nomes da chamada terceira via e um segundo cenário colocando os mesmos nomes em disputa contra Bolsonaro.

No primeiro cenário, Lula venceria todos os candidatos apontados pela pesquisa. Contra Sérgio Moro, o petista somaria 57% dos votos contra 20% do ex-ministro. Na disputa com Ciro Gomes, do PDT, Lula venceria por 57% a 14%.

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Tasso Jereissati, do PSDB, também foram pesquisados. Nos dois casos Lula levaria o pleito com 60%. Mandetta teria 12% e Tasso 9%…

Já Bolsonaro venceria um segundo turno apenas contra Mandetta, com 29% contra 24%, e Tasso, com 31% contra 20%. O atual presidente perderia caso a disputa fosse com seu ex-ministro Sérgio Moro ou com o pedetista Ciro Gomes. Moro teria 29% contra 27% de Bolsonaro e Gomes levaria por 30% a 29%.

De acordo com o Ipsos, o atual presidente também é o nome mais rejeitado entre os candidatos. 59% dos entrevistados disseram que não votariam de jeito nenhum em Bolsonaro e 33% disseram que não votariam em Lula.

Fonte: Carta Capital

Governo Bolsonaro desviou recursos do SUS de combate à pandemia

Em relatório encomendado pela CPI da Covid, a procuradora do Ministério Público de Contas de São Paulo Élida Graziane Pinto aponta que R$ 130 milhões de gastos extraordinários que deveriam ter ido ao SUS foram utilizados para irrigar 184 unidades militares, que não tem a ver com hospitais

Recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) de combate à pandemia foram desviados para áreas que não têm relação com o esforço, aponta relatório da procuradora do Ministério Público de Contas de São Paulo Élida Graziane Pinto. As informações são da coluna de Malu Gaspar, no Globo. 

No relatório, que foi encomendado pela CPI da Covid, Élida mostra que, dos R$ 72 bi de gastos extraordinários que deveriam ter ido ao SUS, R$ 140 milhões foram parar no Ministério da Defesa, sem qualquer justificativa.

Destes, R$ 130 milhões foram utilizados para irrigar 184 unidades militares, que não tem a ver com hospitais. 

“A gestão sanitária da calamidade decorrente da pandemia infelizmente não foi orientada para salvar o maior número de vidas possível. A dinâmica da execução orçamentária foi muito suscetível a capturas e desvios”, afirma Élida no relatório.

O levantamento da procuradora mostra que os recursos foram desviados prioritariamente para as comissões aeronáuticas brasileiras em Washington (R$ 55 milhões) e na Europa (R$ 7,8 mihões), para a Comissão do Exército Brasileiro em Washington (R$ 3,113 milhões) e para o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (R$ 1,067 milhão).

A Defesa levou também parte do Orçamento de Guerra, que não seria destinado ao SUS, mas ao combate geral da pandemia. Mais uma vez, a pasta gastou com produtos sem relação alguma com a Covid-19: veículos de tração mecânica (R$ 22 milhões) ou uniformes (R$ 1,2 milhão).

Élida vê os desvios como parte da estratégia de Jair Bolsonaro de aparelhar órgãos militares: “Esses créditos foram criados especificamente para a Covid. Quando se empenhou o dinheiro sem explicar como seria usado, abriu-se espaço para o desvio de recursos da saúde para possível aparelhamento de órgãos militares”, diz Élida.

“Brecha para burlar teto”

Élida denuncia ainda que os créditos extraordinários estão sendo utilizados pelo governo para burlar o teto de gastos e cobrir despesas usuais. Segundo ela, a medida serve como um “cheque em branco”.

“É preciso investigar se não se trata de uma brecha para burlar o teto de gastos privilegiando despesas militares”, diz a procuradora. 

Fonte: Brasil 247

Governo Bolsonaro anuncia novos aumentos na gasolina, diesel e gás de cozinha

O governo Bolsonaro vai aumentar de novo o preço da gasolina, do dieesel e do gaás de cozinha. Segundo o comunicado da Petrobras, a gasolina subirá 6,3%, o diesel, 3,7% e o gás de cozinha ficará 5,9% mais caro a partir desta terça-feira (6)

A Petrobrás anunciou nesta segunda-feira (5) novos reajustes nos preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. 

Segundo o comunicado a companhia, a gasolina subirá 6,3%, o diesel, 3,7% e o gás de cozinha ficará 5,9% mais caro a partir desta terça-feira (6). 

Se acordo com a Petrobrás, nas distribuidoras o preço do gás de cozinha subirá R$ 0,20 por quilo, para R$ 3,60. Já gasolina e diesel subirão R$ 0,16 e R$ 0,10 por litro, para R$ 2,69 e R$ 2,81.

É o décimo-quinto aumento consecutivo no preço do gás de cozinha nas refinarias da Petrobras. Desde o início do governo Bolsonaro, o produto vendido pela estatal acumula alta de 66%.

Fonte: Brasil 247

Gravações revelam envolvimento de Bolsonaro com corrupção

O presidente Jair Bolsonaro é acusado de envolvimento no esquema de entrega de salários de assessores no período em que foi deputado federal (entre 1991 e 2018). A revelação foi feita pela ex-cunhada do presidente, Andrea Siqueira Valle.

Gravações divulgadas no site UOL revelam a participação direta do presidente no esquema de rachadinha – também conhecido como crime de peculato, caracterizado pelo mau uso do dinheiro público.

Segundo Andrea, Bolsonaro demitiu o irmão dela justamente porque ele se recusou a devolver a maior parte de seus rendimentos recebidos como assessor. Os registros também apontam Jair Bolsonaro como o mentor dos esquemas de corrupção dentro da família.

Após a divulgação dos registros, o advogado Frederick Wassef, que representa a família Bolsonaro, negou práticas ilegais e que os fatos narrados pela ex-cunhada do presidente são “inexistentes”.

Sempre que questionado a respeito do assunto, Bolsonaro ou reagiu de forma ríspida ou se esquivou de falar a respeito do tema – ao ponto de ameaçar um jornalista de agressão por questionar por que Fabrício Queiroz efetuou depósitos em cheque na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Fonte: GGN

Pesquisa CNT/MDA: Lula dispara e Bolsonaro despenca

Lula tem 30% das intenções de voto

Ex-presidente estaria próximo da vitória no primeiro turno, com 41,3% de intenções de voto, ante 42,3% de seus adversários somados

Pesquisa CNT/MDA divulgada nesta segunda-feira (5) mostra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderando as intenções de voto para a Presidência da República. De acordo com o levantamento, o petista tem 41,3% do total, ante 26,6% de Jair Bolsonaro (sem partido).

Na sequência aparecem Ciro Gomes (PDT) e Sergio Moro (sem partido), ambos com 5,9%, o governador João Doria (PSDB), com 2,1%, e o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM), com 1,8%. Votos brancos e nulos somam 8,6%, e os indecisos são 7,8%.

De acordo com a pesquisa estimulada, Lula estaria próximo de uma vitória já no primeiro turno, pois tem 41,3%, ante 42,3% da soma de seus adversários. Na espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, ele aparece com 27,8%, enquanto Bolsonaro tem com 21,6%. Os indecisos chegam a 38,9%. Ciro tem 1,7% das citações, e Moro e Doria, 0,7% cada.

Em um eventual segundo turno entre Lula e Bolsonaro, o ex-presidente teria 52,6%, ante 33,3% do atual ocupante do Palácio do Planalto. Neste cenário, 11,5% votariam branco ou nulo.

A sondagem confirma a liderança de Lula atestada também pelo Ipec, instituto fundado por ex-executivos do Ibope Inteligência, em pesquisa divulgada em 26 de junho. Ali, ele lidera a preferência do eleitorado com 49%, enquanto Bolsonaro aparece com 23%.

Reprovação a Bolsonaro é recorde

A pesquisa CNT/MDA mostra que o percentual de eleitores que reprova o desempenho pessoal de Bolsonaro subiu de 51%, em fevereiro, para 63% neste mês. Com isso, alcança a maior taxa de reprovação desde o início da gestão.

A avaliação do governo também piorou: 48% apontam a administração como péssima ou ruim, ante 36% em fevereiro. Os que acham o governo como ótimo ou bom passaram de 30% para 23%. Entre os entrevistados, 28% consideram a gestão regular.

Ao serem perguntados sobre o que é mais importante nas eleições presidenciais de 2022, 45,1% dos entrevistados responderam que é “Bolsonaro não ser reeleito”.

O levantamento ouviu 2.002 pessoas entre quinta-feira (1º) e sábado (3). A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

Fonte: Rede Brasil Atual

Evento debaterá desafios ao desenvolvimento frente ao esvaziamento do Estado

O XI ENCCULT – Encontro Científico Cultural de Alagoas desta edição (2021) traz o tema A Quebra de paradigmas e mudanças sociais: os novos desafios para a ciência. O evento tem como propósito fomentar o debate científico assentado na interdisciplinaridade e congregar pesquisadores de diferentes instituições locais, regionais e nacionais, além de pessoas sem vínculo institucional.

Esta 11ª edição será realizada no modo virtual, entre os dias 14 a 17 de setembro/2021 e entre os 32 GTs, estão os professores da FEAC/UFAL Luciana Caetano, Cid Olival e Roberto Simiqueli, que coordenam o GT 17 – DESAFIOS AO DESENVOLVIMENTO FRENTE AO ESVAZIAMENTO DO ESTADO que tem como objetivo problematizar a crise do capitalismo contemporâneo, apresentando proposições no âmbito das políticas nacionais, capazes de dialogar com a fragmentação do território nacional e os desafios enfrentados pelos estados subnacionais. Nessa perspectiva, reunir pesquisadores das mais diversas áreas, de modo que suas contribuições possam resultar em um produto construído colaborativamente a partir da interdisciplinaridade e do compartilhamento de saberes.

As inscrições para assistir às palestras e exposições é até 13/09/2021. São 32 Grupos de Trabalhos (GTs), além de Conferências, Palestras, Concurso de fotografia e exposição e fotografia. A programação está disponível no sítio www.enccult.org

A História Secreta da Cloroquina

Neste documentário financiado pela comunidade da TV 247, o repórter Joaquim de Carvalho conta como foi construída a farsa da cloroquina e de outros remédios ineficazes contra a covid-19.

Por trás de políticos de extrema direita, médicos e comunicadores, homens de negócios como Carlos Wizard e Luciano Hang se movimentaram para manter o mercado ativo, ainda que à custa de milhares de vidas. Charlatães, às vezes com diploma de medicina, defenderam a cloroquina como remédio para uma doença que só pode ser vencida com medidas como distanciamento social e vacina. Acompanhado pelo cinegrafista Eric Monteiro, Joaquim esteve em Brasília, Manaus e Porto Feliz. Viu o drama das pessoas que perderam entes queridos. Desprezando a ciência e incentivando aglomerações, Bolsonaro foi responsável direto pela morte de milhares de pessoas. Quem vai pagar pela dor do povo brasileiro?

Canadá se revolta com o genocídio de crianças indígenas

Na celebração do chamado ”Dia do Canadá”, a indignação pela descoberta de 751 túmulos traduziu-se na derrubada de estátuas das rainhas Victoria e Isabel II. Um dia antes da data comemorativa foram descobertas outras 182 sepulturas anônimas

Na celebração do chamado “Dia do Canadá”, a indignação pela descoberta de 751 túmulos, ao final de maio, nas proximidades de um internato para crianças indígenas, em Kamloops, no estado da Columbia Britânica (oeste canadense), traduziu-se na derrubada de estátuas das rainhas Victoria e Isabel II. Um dia antes da data comemorativa foram descobertas outras 182 sepulturas anônimas.

Manifestantes derrubaram os monumentos em Winnipeg, ao passo que a revolta aumenta com o descobrimento dos restos mortais de centenas de crianças em valas localizadas nas antigas escolas de “integração”. Crianças indígenas internadas e separadas de seus familiares, obrigadas a permanecer nessas instituições, que as separavam de suas culturas originais. Uma multidão brada revoltada com esse genocídio.

A ação ocorreu na quintaa-feira, no “Dia do Canadá”, quando tradicionalmente acontecem diversas celebrações em todo país. Muitas cidades canadenses evitaram as celebrações e não realizaram atos este ano devido ao escândalo recém revelado. O primeiro ministro, Justin Trudeau, indicou que esse dia deveria ser um momento para reflexão.

A ferida do genocídio cultural está aberta não somente porque o último dos centros de internamento encerrou suas atividades há apenas duas décadas, mas também porque os efeitos da desterritorialização, o roubo da identidade, o deslocamento forçado e a doutrinação violenta atingem todos que sofreram diretamente, assim como todas as comunidades tocadas por tais atrocidades.

A estátua da rainha Victoria, que reinou entre 1901 e 1937, foi coberta de tinta vermelha, assim como de marcas de mãos, homenageando as vítimas internadas nas escolas, que os britânicos organizaram na sua antiga colônia com a ideia de “reeducar” os nativos.

Durante 165 anos até 1998, as escolas separavam à força as crianças indígenas de suas famílias, submetendo-as à desnutrição e ao abuso físico e sexual, o que a Comissão da Verdade e Reconciliação qualificou como genocídio cultural em 2015. Em Winnipeg, uma multidão aplaudiu a queda da estátua da rainha Victoria que fica em frente à câmara legislativa provincial de Manitoba.

Outros protestos aconteceram na quinta-feira em Toronto, centro financeiro do Canadá, enquanto uma manifestação com o lema #CancelCanadaDay (#Cancele o Dia do Canadá) na capital, Ottawa, atraiu milhares de pessoas em apoio às vítimas e sobreviventes do sistema escolar de integração de indígenas. Houve vigílias e reuniões em outras partes do país. Muitos dos participantes vestiram roupas laranjas, o que se tornou um símbolo do movimento.

Trudeau, primeiro-ministro e católico, condenou os incêndios e atos de vandalismo nas igrejas situadas nos arredores dos colégios, locais do descobrimento das valas comuns. Disse que compreende a fúria que muitas pessoas sentem em relação à igreja e ao governo federal, além disso, fez um tímido pedido de desculpas pelo extermínio ocorrido. Trudeau também pediu ao Papa Francisco que fosse realizado um pedido formal de retratação. “É real e completamente compreensível dada a história vergonhosa que todos sabemos, principalmente nesse momento”, disse o primeiro-ministro, sobre as manifestações.

Racismo colonial e nos dias de hoje

O Canadá e os Estados Unidos se encontram imersos numa revisão obrigatória do racismo e do colonialismo sobre o qual suas sociedades foram construídas. “Não celebraremos terras indígenas roubadas, nem as vidas indígenas tiradas. Pelo contrário, faremos manifestações para honrar todas as vidas perdidas pelo Estado canadense”, declarou o movimento social Idle no More (Inação Nunca Mais), que convocou a mobilização em solidariedade aos povos originários.

Faz um ano que assassinato do afro-estadunidense George Floyd, pelo policial branco Derek Chauvin, reuniu a maior mobilização social que os Estados Unidos já havia visto em mais de meio século. O descobrimento de três locais de sepultamento clandestino de crianças tem comovido à sociedade canadense e a obrigado a olhar um dos aspectos mais obscuros do seu passado: a política de assimilação cultural forçada dos povos ameríndios e inuit.

No dia 29 de maio, foi comunicado o descobrimento de uma fossa com os restos mortais de 215 crianças, alguns de apenas 3 anos de idade, na comunidade de Kamloops. Menos de um mês depois, 750 sepulturas anônimas foram descobertas na província de Saskachetwan (centro-oeste do Canadá) e, somente na quarta-feira passada, confirmou-se a presença de outras 182 próximas à cidade de Cranbrook (localizada na província de Colúmbia Britânica).

Nessas regiões funcionaram os centros de internamento forçado para menores indígenas, os quais eram financiados pelo Estado e administrados pelas organizações religiosas com o propósito de forçar as crianças a aprender o idioma e os costumes ocidentais. Entre 1863 e 1998, mais de 150 mil crianças foram reclusas nessas instituições nas quais era proibido que falassem seu idioma nativo.

Ali, de acordo com os resultados apresentados em 2015 por uma Comissão da Verdade e Reconciliação e segundo o parlamento canadense, sofreram de má nutrição, agressões verbais, assim como abusos físicos e sexuais praticados por parte dos diretores e professores.

Aproximadamente 3.200 crianças morreram por abuso e negligência nos 139 centros que existiram, dirigidos pela Igreja Católica. Outras organizações estimam, no entanto, que são 6.000 as mortes ocorridas, o que o chefe da Federação das Nações Aborígenes Soberanas de Saskatchewan, Bobby Cameron, chamou de campos de concentração.

A exumação dos corpos reavivou a indignação pelas sistemáticas violações sexuais contra menores ocorridas nessas instituições. Seis igrejas foram incendiadas em distintas localidades de maioria indígena, porém a ira social não tem se limitado à instituição católica: há um mês, um grupo de manifestantes derrubou a estátua de Egerton Ryerson, um dos criadores desse sistema de internamento.

Agora Winnipeg viu cair as efígies tanto da rainha Victoria – reinado em que se criaram os centros – como de Isabel II, atual monarca e chefe do Estado do Canadá.

Obviamente é positivo que o Estado canadense reconheça essa política genocida e peça desculpas a suas vítimas, porém ainda é necessário um enorme trabalho de reivindicação e reconciliação para sanar a ferida causada aos povos originários em um país que se anuncia respeitoso aos direitos humanos e à diversidade.

Mirko C. Trudeau é membro do Observatório de Estudos Macroeconômicos (Nova Iorque). Analista de temas da América do Norte e Europa, associado ao Centro Latinoamericano de Análises Estratégicas. (CLAE, estrategia.la)

*Publicado originalmente por Centro Latinoamericano de Análisis Estratégico | Traduzido por Caio Cursini

Fonte: Carta Maior

Reservatórios de hidrelétricas foram esvaziados para elevar lucros das empresas de energia

Entidade denuncia que escassez foi provocada para elevar tarifas das empresas de energia que foram privatizadas

O volume de água que entrou nos reservatórios das usinas hidrelétricas brasileiras durante o último ano é o quarto melhor ano da última década, equivalente a 51.550 MW médios. No entanto, o volume de energia produzida por hidrelétricas ficou em 47.300 MW médios, ou seja, 4.250 MW médios abaixo da quantidade de água que entrou nos reservatórios no mesmo período, o equivalente a uma usina de Belo Monte.

“O fato é que entrou mais água nos reservatórios (energia natural afluente) do que saiu pelas turbinas para gerar energia (vazão turbinada)”, denuncia a Coordenação Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), com base em dados oficiais do Operador Nacional do Sistema (ONS).

“É falso alegar que os reservatórios estão vazios por uma suposta seca no Sudeste brasileiro”, explica o MAB em artigo. Para a entidade, o esvaziamento dos reservatórios das usinas ocorreu em plena pandemia, quando houve uma queda média de 10% no consumo nacional de eletricidade.

“Os reservatórios foram esvaziados sem que houvesse necessidade de atender a um aumento na demanda, uma vez que ela diminuiu.” Segundo o MAB, em diversas usinas, como Itaipu, a operação foi realizada “com evidente interesse de gerar escassez para explodir as tarifas. Toda essa água vertida poderia ter sido armazenada ou transformada em energia, sem aumento dos custos”.

Se algumas usinas jogaram água fora, outras foram acionadas para produzir acima da média, “principalmente as privadas, o que também levou ao esvaziamento”. “Aqui, predomina a lógica de que quanto mais vazios os lagos, mais alto é o preço”, acusa o MAB.

Sem hidreletricidade, acionam-se as termelétricas, muito mais caras. “E sabemos que, em geral, os donos das hidrelétricas também são donos das termelétricas.” Enquanto várias hidrelétricas estatais vendem energia a R$ 65/MWh, térmicas cobram acima de R$ 1 mi. A usina William Arjona (MS) foi autorizada pela Aneel a cobrar R$ 1.520,87/MWh, denuncia a entidade.

Chance de racionamento é de 3%

“Teremos racionamento de energia? Risco é menor do que 3%”, calculam Victor Bruke e Maira Maldonado, analistas da XP. Em relatório divulgado nesta sexta-feira, eles afirmam que, no cenário base, não veem necessidade de racionamento de energia nos próximos 12 meses.

“Embora, estimamos que os reservatórios atinjam níveis historicamente baixos (18% em novembro/2021 para o SIN consolidado), há capacidade térmica suficiente para ser utilizada e evitar medidas mais dramáticas.”

“De acordo com nossas estimativas, a probabilidade de a energia natural afluente (ENA) ficar abaixo de 50% (e portanto de termos racionamento) é de 3%”, concluem.

Matheus Albergaria, professor de Economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), acredita que uma possível crise hídrica causada pela seca dos reservatórios pode vir a aumentar o preço da energia.

“Se acontecer a seca dos reservatórios, poderá ocorrer um aumento no preço da energia, devido ao choque adverso de oferta. Mas esse aumento pode não ser tão pronunciado, caso ocorra maior abertura da economia. De fato, o próprio processo de abertura ao comércio internacional dependerá dos cenários político e econômico domésticos, ainda atrelados às campanhas de vacinação contra a Covid-19 nos estados e municípios brasileiros”, finaliza Albergaria.

Fonte: Monitor Mercantil

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

MAIS LIDAS