EUA: 46 imigrantes mortos são encontrados em caminhão no Texas

Presume-se que os mortos sejam imigrantes do México ou de países da América Central

Um caminhão com pelo menos 46 mortos foi encontrado nesta segunda-feira (27) no Texas, Estados Unidos.

Segundo a imprensa local, o caminhão foi encontrado próximo a uma linha de trem na Zona Sudoeste e, dentro do caminhão abandonado, estavam os mortos.

Além disso, havia pelo menos 16 pessoas que estavam vivas dentro do veículo e foram levadas para hospitais próximos. O número exato de mortos ainda não é conhecido com certeza.

Após o ocorrido, o chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, publicou em sua conta no Twitter que o cônsul do país abordou o assunto e que, até o momento, haveria 46 mortos por asfixia e 16 pessoas transferidas para hospitais. O ministro qualificou esta situação como uma “tragédia” e disse que as nacionalidades ainda não são conhecidas.

“O caminhão tem placas dos Estados Unidos, sobrepostas, para circular sem fiscalização. Muito provável autoria de traficantes. Os feridos foram encaminhados para quatro hospitais: Universitário, Metodista del Centro, Baptiste del Centro e Santa Rosa West Overhills”, descreveu o chanceler .

Fonte: Brasil 247

Datafolha: 63% dos brasileiros afirmam não ganhar o suficiente e ter problemas financeiros

A mesma parcela acredita que a inflação vai aumentar daqui para a frente. Pesquisa ouviu 2.556 brasileiros em 181 cidades.

Pesquisa Datafolha divulgada pelo jornal “Folha de S.Paulo” neste domingo (25) aponta que 63% dos brasileiros afirmam não ganhar o necessário e ter problemas financeiros em casa.

Desse total, 37% declaram que o orçamento familiar não é suficiente e que, às vezes, chega a faltar. Já uma parcela de 26% diz que ganha muito pouco.

Datafolha ouviu 2.556 brasileiros em 181 cidades na quarta-feira (22) e quinta (23). A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou menos.

Segundo a publicação, a pesquisa divulgada neste domingo mostra uma reversão de tendência.

A parcela de brasileiros que declarava ter limitações financeiras vinha recuando desde o seu pico, alcançado em julho de 2016, quando 67% responderam ter problemas com o orçamento. Há um ano, essa parcela havia retraído para 55%.

Veja o resultado:

Você diria que o dinheiro que você e sua família ganham:

  • Não é suficiente, às vezes falta: 37%
  • É exatamente o que precisam para viver: 32%
  • É muito pouco, trazendo muitas dificuldades: 26%
  • Mais do que suficiente: 5%

Daqui pra frente a inflação vai aumentar, vai diminuir ou vai ficar como está?

  • Aumentar: 63%
  • Ficar como está: 19%
  • Diminuir: 13%

Daqui pra frente o desemprego vai aumentar, vai diminuir ou vai ficar como está?

  • Aumentar: 45%
  • Ficar como está: 27%
  • Diminuir: 23%

E o poder de compra dos salários vai aumentar, diminuir ou ficar como está?

  • Diminuir: 34%
  • Ficar como está: 33%
  • Aumentar: 29%

Situação econômica do país – nos últimos meses, como evoluiu?

  • Piorou: 67%
  • Ficou como estava: 17%
  • Melhorou: 15%
  • Não sabe: 1%

Situação econômica do entrevistado – nos últimos meses, como evoluiu?

  • Piorou: 47%
  • Ficou como estava: 32%
  • Melhorou: 20%
  • Não sabe: 0

Nos próximos meses, a situação econômica do país vai melhorar, vai piorar ou vai ficar como está?

  • Piorar: 34%
  • Melhorar: 33%
  • Ficar como está: 29%

Nos próximos meses, a sua situação econômica vai melhorar, vai piorar ou vai ficar como está?

  • Piorar: 34%
  • Melhorar: 33%
  • Ficar como está: 29%
  • Fonte: G1

Ex-presidente da Petrobras diz que poderia incriminar Bolsonaro com celular corporativo

Em conversa com Rubem Novaes, ex-presidente do Banco do Brasil, Roberto Castello Branco classifica Bolsonaro como “psicopata”

O ex-presidente da Petrobras Roberto Castello Branco sugeriu que pode ter elementos desestabilizadores contra Jair Bolsonaro. Em conversa em grupo de economistas no sábado (26), ele disse que no seu celular corporativo, usado enquanto comandava a estatal, havia mensagens que “poderiam incriminá-lo”. Porém, ele acrescentou que devolveu o aparelho “intacto”. A informação foi publicada pelo Metrópoles. A conversa deve naturalmente ampliar a tensão no Planalto, que já é grande por conta do escândalo no MEC.

“No meu celular corporativo tinha mensagens e áudios que poderiam incriminá-lo. Fiz questão de devolver intacto para a Petrobras”, disse Castello Branco, segundo a reportagem do site. Ele não entrou em detalhes sobre eventuais crimes cometidos por Bolsonaro que poderiam estar na memória do celular.

O ex-presidente da estatal conversava com Rubem Novaes, ex-presidente do Banco do Brasil. O tema era a subida do preço dos combustíveis e Novaes disse que Castello Branco ataca o governo federal. “Se eu quisesse atacar o Bolsonaro não foi e não é por falta de oportunidade. Toda vez que ele produz uma crise, com perdas de bilhões de dólares para seus acionistas, sou insistentemente convidado pela mídia para dar minha opinião. Não aceito 90% (dos convites) e quando falo procuro evitar ataques”, escreveu Castello Branco, primeiro presidente da Petrobras sob Bolsonaro.

Um grupo de senadores apresentou requerimento de informação endereçado ao presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Eles querem que a Casa cobre explicações do ministro das Minas e Energia, Adolfo Sachsida, sobre as declarações de Castello Branco. O pedido foi proposto ao plenário pelos senadores Jean Paul Prates (PT-RN), Jaques Wagner (PT-BA) e Zenaide Maia (PROS-RN). Mas ainda precisa ser aprovado pela Mesa Diretora.

“Presidente psicopata”

Em outro trecho, Castello Branco classifica Bolsonaro como “psicopata”. “Já ouvi de seu presidente psicopata que nos vagões dos trens da Vale, dentro da carga de minério de ferro vendido para os chineses, ia um monte de ouro”, afirmou. Castello Branco assumiu a presidência da Petrobras após 15 anos na Vale, exercendo cargos de economista-chefe e diretor de relações com investidores.

A crise da Petrobras parece não ter fim sob o governo Bolsonaro. Na sexta-feira (24), o nome de Caio Mário Paes de Andrade foi aprovado no “comitê de elegibilidade”, para presidir a estatal por 3 votos a favor e 1 contra.

Os requisitos avaliados são quatro: reputação ilibada, notório conhecimento do setor, formação acadêmica e experiência. O voto contrário teria sido por dúvidas a respeito do conhecimento e a experiência de Andrade. O questionamento seria de que ele não tem “notório conhecimento”.

Seja Andrade ou outro, o novo presidente da companhia será o quarto executivo a comandar a estatal com Bolsonaro. O nome só será oficializado na segunda quinzena de julho. O prazo é previsto pela Lei Geral das Estatais.

Fonte: Rede Brasil Atual

Espanha: cerca de 40 imigrantes mortos na fronteira

As imagens são chocantes. Dezenas de imigrantes feridos, e entre 18 e 46 mortos – dependendo das fontes – numa tentativa desesperada de milhares de imigrantes, fugindo da fome, da miséria e da guerra, para atravessar a vedação criminosa de Melilla. Chamam-lhe um “assalto”, para criminalizar as vítimas, as mesmas pessoas que apelam ao livre acolhimento dos refugiados da Ucrânia.

É o resultado da destruição de África, o berço da humanidade, pelas políticas do imperialismo e dos governos que a ele se submetem. Destruição acelerada pela guerra e a fome que ela anuncia. É também o resultado da aliança criminosa entre os governos do reino de Espanha e do reino de Marrocos, recentemente selada pela mudança de posição do Governo espanhol sobre a questão do Sahara Ocidental, que vai na esteira da decisão do seu mestre ianque a esse respeito.

É a barbárie organizada pelos governos espanhol e marroquino

Denunciamos a política do governo espanhol de Pedro Sánchez e Yolanda Díaz, que levanta vedações de mais de 6 metros de altura, com lâminas que rasgam a carne de quem as tenta atravessar, a fim de fechar o caminho àqueles que só querem fugir da destruição dos seus países.

Sem qualquer solidariedade ou compaixão para com os mortos e feridos, Pedro Sánchez elogiou a “cooperação” da Polícia marroquina, declarando que se tratou de “um assalto violento, bem organizado e bem resolvido pelas duas forças de segurança”. Bem resolvido… quando há mais de 100 feridos e dezenas de mortos!

O presidente de Melilla – o enclave colonial de Espanha em Marrocos – Eduardo de Castro, declarou que a NATO deveria estar envolvida na defesa de Ceuta e de Melilla. Fazendo eco das suas palavras, o Secretário-Geral da NATO, Jens Stoltenberg, declarou – em relação a Ceuta e Melilla – que estava “absolutamente convencido de que os aliados da NATO ficariam ao lado da Espanha se esta enfrentar ameaças e desafios”. E o Governo espanhol pede, à Cimeira da NATO, um maior envolvimento deste aparelho militar no Norte de África.

As forças de segurança herdadas do Franquismo estão a pedir “mão dura”. A Imprensa declarações dos guardas civis de Melilla, queixando-se de que “só nos permitem utilizar gás lacrimogéneo e com isso não podemos travá-los”. O Secretário-geral da pseudo-união SUCIL, o sindicato maioritário da Guardia Civil, Ernesto Vilariño, declarou que “como o número de guardas civis é escasso, pedimos mais uma vez a intervenção de unidades do Exército”.

Repugnam-nos estes acontecimentos. Exigimos o livre acolhimento de todos os imigrantes, o fim da pilhagem de África pelas multinacionais, o reconhecimento de todos os direitos dos trabalhadores imigrantes que vivem em Espanha – incluindo o milhão de trabalhadores marroquinos – a demolição das famosas vedações de Ceuta e de Melilla e o regresso a Marrocos de todos os enclaves coloniais. E justiça para as vítimas do massacre de Melilla.

Fonte: Pous4

Moradores de São Sebastião organizam comitê popular de luta para enfrentar a política genocida de Bolsonaro

Neste domingo, 26 de junho, ocorreu um debate na Associação dos Moradores e das Moradoras do bairro São José, em São Sebastião, Alagoas,  sobre conjuntura política nacional com o Professor Luizinho – dirigente histórico do PT Alagoas e pré-candidato a deputado estadual.

Em sua análise, o professor relatou que o Brasil vive uma grave crise política e econômica provocada pelo governo desastroso de Bolsonaro que massacra os trabalhadores com reformas que tiram direitos, como a reforma da previdência, e leva a população para a miséria com a carestia que consome a renda das famílias; além de ser responsável pelas mais de 600 mil mortes de pessoas vítimas da covid 19 com seu negacionismo as vacinas. Ainda segundo o professor Luizinho, a única saída para o Brasil é eleger Lula presidente e revogar as reformas do governo Bolsonaro através de uma CONSTITUINTE SOBERANA. 

Ao final do debate, foi proposto e aprovado por unanimidade a criação do Comitê Popular de Luta do Bairro São José que terá a função de realizar ações junto a comunidade de apoio a luta contra o governo genocida de Bolsonaro. e candidatura do Presidente Lula. 

O evento foi organizado pelo presidente Manoel Avelino e teve a presença de várias lideranças e moradores do bairro.

Após o debate, foi proposto e aprovado por unanimidade a criação do Comitê Popular de Luta do Bairro São José que terá a função de realizar ações junto a comunidade contra a política genocida do governo Bolsonaro. 

Redação com https://associacaodosmoradoresbairrosaojose.blogspot.com/

Prefeito JHC contratou influencer por R$ 25.902,00 e revoltou professores que lutam por reposição salarial

A Prefeitura de Maceió contratou duas palestras da influencer Larissa Brushinelli por R$ 25.902,00. O objetivo oficial era estimular os servidores. Mas, a ideia teve efeito contrário, muitos servidores se sentiram revoltados, pois diante da falta de negociação salarial o prefeito JHC torrou dinheiro público inutilmente.

“se o prefeito queria estimular os servidores, que negociasse nossas perdas salariais”, disse uma servidora da educação. Outra disse que a influencer só falou potocas.

Em uma palestra financiada pela prefeitura de Pedereira-SP a influencer disse que “Não existe emprego perfeito, mas um bom emprego é aquele que combina com quem realmente você é”, coisa tão banal que em nada justifica os altos cachês cobrados.

Nas redes sociais a influencer destacava “Mais um sonho se tornando realidade, indo palestrar em outro Estado… Estou chegando MACEIÓ”. O sonho foi realizado com dinheiro público do povo de Maceió.

Enquanto isso, os professores continuam esperando a negociação para repor suas perdas salariais e trabalhando até em escolas sem banheiro para professores. Enquanto os servidores da educação estão jogados em péssimas condições de trabalho, o prefeito JHC torra o dinheiro publico financiando sonho de faladoras de potocas.

Equador: 12 dias de luta popular sob forte repressão

Custo de vida é o principal motor dos protestos. Nesta quinta, 23, mais um manifestante foi morto

Povos indígenas e movimentos sociais do Equador estão há 12 dias realizando protestos, em um paro, um levante nacional iniciado em 13 de junho, convocado pela CONAIE (Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador) e outras organizações, que se confirmou como uma greve geral no país. Neste período, bloquearam estradas, realizaram grandes marchas e ocuparam sedes de governos de pelo menos três províncias do país. O epicentro dos atos ocorre na capital, Quito, onde os serviços de transporte chegaram a ser totalmente suspensos, mas também foram registradas grandes marchas em cidades importantes, como Guayaquil. Em todo o país, manifestantes enfrentam forte repressão, com decretação de estado de sítio, quatro mortos e dezenas de feridos.

A jornada teve início após quatro encontros com o novo governo do Equador, presidido pelo banqueiro Guilherme Lasso, ao longo de um ano, sem resultados. As reivindicações foram sistematizadas em 10 pontos, em um documento entregue ao governo e assinado também por organizações da cidade, operárias e de trabalhadores da saúde.

O principal motivo é a grave crise social que atinge o país, com aumento dos preços, volta da inflação, após um período de deflação, crescimento do desemprego e da miséria, explosão da violência urbana e uma nova onda migratória. Atualmente, 32,2% dos equatorianos vivem na pobreza, com quase metade na extrema pobreza. Cenário que contrasta com o aumento dos lucros das mineradoras, que ocupam 8% do território do país, e principalmente do capital financeiro, a partir das políticas de austeridade do novo governo. Apenas em maio, os 24 bancos privados do país aumentaram seus lucros em quase 70%.

A principal reivindicação diz respeito a redução dos preços dos combustíveis. O diesel subiu 90% e a gasolina, 46% em quase um ano, o que impacta no custo de vida e na cadeia de distribuição dos pequenos produtores. A mobilização nacional pede o congelamento do litro do diesel em 1,50 dólar e o da gasolina em 2,10 dólares, com subsídios para os setores vulneráveis – a moeda oficial do Equador é, desde 2000, o dólar americano.

O movimento social exige ainda: congelamento dos itens da cesta básica; Moratória da dívida pública e perdão das dívidas dos pequenos e médios agricultores e proteção para estes diante da ação grandes empresas estrangeiras, através do TLC (Tratado de Livre Comércio); Geração de empregos e garantia de direitos trabalhistas; Defesa do meio ambiente, com restrições a atividade mineradora e revogação de decretos; respeito aos direitos e autodeterminação dos povos indígenas; garantia do direito a educação e saúde, com abastecimento dos hospitais, e combate à violência e ao crime organizado, sem repressão aos movimentos sociais.

Repressão e quatro mortes

O governo do banqueiro Guilherme Lasso, eleito em maio de 2021, respondeu com repressão e provocações. No primeiro dia dos protestos, prendeu Leônidas Iza Salazar, presidente da CONAIE, que passou 24 horas detido ilegalmente, sendo 15 completamente incomunicável, e, em seguida, foi processado. Depois, demorou sete dias para responder oficialmente a pauta de reivindicações, cujos pontos já haviam sido apresentados diversas vezes. Ao invés de negociar a pauta de reivindicações, emitiu um decreto que criminaliza as manifestações, com estado de exceção em seis províncias para atuar com as forças policiais e militares. A resposta foi a radicalização das mobilizações.

Após o decreto, forças policiais chegaram a ocupar a Casa da Cultura de Quito e a Escola Politécnica, locais que historicamente servem como espaço de acolhimento para as marchas indígenas e como ponto de apoio para as mobilizações. Depois de batalhas, os espaços foram retomados. Na Casa de Cultura, as entidades estão instalando no local uma Assembleia Popular, para decisão da condução dos protestos.

Nesta quinta-feira, 23, um novo confronto se deu no local. Uma marcha pacífica que saiu do Parque del Arbolito (em frente a Casa da Cultura de Quito) até a Assembleia Nacional, foi duramente reprimida, com bombas de gás sendo lançadas do alto sobre a concentração de pessoas. Na sequência, ocorreram batalhas campais no centro da cidade.

Com a repressão, mais um manifestante foi morto. Henry Quezada Espinoza, 39, faleceu atingido no peito e na barriga, por balas de borracha e perdigones, pequenas esferas de metal, utilizados por forças de segurança para cegar manifestantes. Segundo a imprensa, outros dois manifestantes morreram. Na segunda, 20, um jovem caiu em uma encosta, de cerca de 100 metros, após forças policiais lançarem bombas de gás contra uma marcha na estrada, a caminho de Quito. No mesmo dia, outro manifestante faleceu, por conta da violência e do gás. No dia seguinte, em Puyo, capital da província de Pastaza, um jovem morreu, com o impacto de uma bomba de gás em sua cabeça, lançada a curta distância. Nesta sexta, o chefe de Polícia chamou as mortes de “danos colaterais”.

Na manhã desta sexta-feira, a região do Parque del Arbolito segue novamente com repressão aos protestos e com bombas sendo lançadas pela polícia, enquanto manifestantes realizam a primeira sessão da Assembleia Popular na Casa de Cultura. Mais do que nunca, é preciso dar máxima divulgação aos protestos e a repressão no Equador, como garantia do fim da violência policial e atendimento das reivindicações e a derrota das políticas de fome do governo Lasso.

Em uma carta divulgada no dia 22, organizações de defesa dos direitos humanos e do meio ambiente exigem o respeito ao direito de manifestação no Equador: “O tratamento que o atual governo do Equador dá aos protestos sociais em curso e a resolução do caso judicial contra Leonidas Iza enviaram uma clara mensagem aos territórios, ao país e ao mundo se o Equador é um país onde se reprimem os direitos dos povos indígenas e do movimento social ou se existe independência judicial e se respeitam seus direitos de exigir políticas mais justas e inclusivas que assegurem o bem estar se sua gente e seus territórios”. O PSOL também se pronunciou, repudiando a prisão do presidente da Conaie e a repressão.

Fonte: Esquerda Oline

Fazendeiros aliados de Bolsonaro atacam indígenas no MS deixa feridos e desaparecidos

Apib e Cimi denunciam violência de fazendeiros e jagunços contra 30 indígenas Kaiowá e Guarani, que retomaram território ancestral em Naviraí (MS), na noite desta quinta-feira

Fazendeiros e jagunços armados atacam desde a madrugada desta sexta-feira (24) cerca de 30 indígenas Kaiowá e Guarani no território ancestral denominado Kurupi/São Lucas, localizado no território Dourados-Amambai Pegua II, em Naviraí (MS). Os ataques começaram depois que os indígenas retomaram a terra, na noite de ontem. Lideranças da comunidade denunciam que há muitos feridos, inclusive mulheres e crianças e que três pessoas estão desaparecidas. Os relatos são do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Ativistas chegaram a mencionar mortes, mas a informação não foi confirmada até o fechamento desta matéria.

Segundo o g1 Mato Grosso do Sul, a polícia confirma que seis indígenas feridos por tiros foram encaminhados para o Hospital Regional de Amambai. Entre as vítimas estão dois menores de idade, um de 14 e outro de 15 anos. E que pelo menos três policiais que atenderam a ocorrência foram encaminhados para o mesmo hospital com ferimentos a bala nas pernas e pés. Os indígenas identificaram entre seus agressores fazendeiros locais e seguranças.

Segundo os relatos o objetivo do ataque é forçá-los a deixar a sede da fazenda e retornar para a beira da rodovia, no acampamento Kurupi. A comunidade indígena esta confinada próxima àquela estrada há décadas, aguardando a conclusão dos estudos que já identificaram a área como de posse tradicional dos Guarani e Kaiowá.

Cerco

Na noite passada, eles haviam avançado até uma área de pastagem, vizinha à faixa de mata que já ocupavam. E decidiram ocupar a sede de uma fazenda que se encontra dentro de seu território. Segundo o Cimi, os indígenas relatam que a retomada se justifica pelas diversas ameaças que voltaram a sofrer dos fazendeiros na região. E, ao mesmo tempo, por medo de retrocessos nas demarcações diante do atual cenário político.

De um lado, a Funai desmontada e a serviço dos ruralistas. E de outro, a retirada de pauta do julgamento do Recurso Extraordinário do Marco Temporal

Pela vulnerabilidade do local onde os indígenas se encontram, que permite o acesso tanto pela rodovia quanto pela mata próxima à fazenda, a comunidade de Kurupi teme por ataques ao longo dos próximos dias. O território é palco de um longo histórico de violência e violações, como queima deliberada de barracas de indígenas e até mesmo casos de tortura.

Fonte: Rede Brasil Atual

Cassação de Renato Freitas é a cara do ódio racista contra luta da população negra

Defesa do vereador segue batalha para anular processo, cujas irregularidades incluem até mesmo um email racista contra Renato com origem na Câmara

A maioria branca e racista da Câmara Municipal de Curitiba, em rápida e atropelada sessão especial na terça-feira (21), votou para cassar o mandato do vereador negro Renato Freitas (PT). Foram 25 votos favoráveis à cassação, apenas 7 votos contrários e uma abstenção, votação novamente confirmada na quarta-feira (22).

Os vereadores negros que integram o parlamento curitibano votaram em bloco contra a cassação, o que realçou mais ainda o aspecto racista da decisão da maioria.

A sanção de perda do mandato, confirmada na sessão desta quarta-feira, interrompe a trajetória parlamentar do ativista e militante negro Renato Freitas, uma voz que destacou nos últimos anos na defesa da população jovem, negra e periférica da cidade. O falso pretexto da quebra de decoro parlamentar, é risível para uma Câmara que já tolerou até parlamentares condenados e presos por corrupção.

O processo para cassar o mandato legítimo e representativo de Renato foi baseado na falsa narrativa de invasão da Igreja do Rosário, durante a realização de um ato antirracista de denúncia da morte do congolês Moïse Kabagambe, no mês de fevereiro — o petista foi alvo de cinco representações por quebra de decoro parlamentar.

O vereador do PT é acusado de liderar a manifestação – em frente e no interior da Igreja do Rosário –, perturbar e interromper a prática de culto religioso, realizar ato político no interior da Igreja e entrar de forma não autorizada no templo católico.

A própria Arquidiocese de Curitiba divulgou uma nota em que reconhece que não há motivo para a cassação do mandato do parlamentar curitibano.

A defesa jurídica de Renato Freitas prossegue na batalha pela anulação do conjunto do processo e enumerou várias irregularidades na condução do mesmo, inclusive o vazamento de áudio sobre uma ação articulada de pressão para obter os votos dos integrantes da comissão de ética e a divulgação de um email racista contra Renato com origem em computador da Câmara – o que chegou a ser objeto de uma precária investigação, mas que não descobriu o autor do ato criminoso.

Racismo estrutural e classista

O processo em curso, que culmina com a perda do mandato de Renato nesta quarta-feira (22), é um indicativo da resistência de setores reacionários contra o protagonismo da população negra na luta secular por seus direitos. É, sem dúvida, mais uma manifestação antidemocrática e reacionária do racismo estrutural.

A mentalidade política e ideológica da maioria branca da Câmara Municipal de Curitiba quer apagar e desconstruir a resistência secular da majoritária população negra e mestiça do Brasil, que luta e resiste para romper com os grilhões da brutal discriminação racial e classista. O mandato de Renato Freitas, obtido por expressiva votação, é um símbolo vivo dessa luta.

Nos últimos anos, a política de criminalização da pobreza, impulsionada pelo governo bolsonarista, tem um inegável corte racial e adquiriu uma dimensão de genocídio, com o avanço das atividades de milícias, somada ao habitual modus operandi, praticamente naturalizado, da violência das Polícias Militares (PMs) nos territórios de periferias –, habitados, majoritariamente, por populações negras.

O mandato de Renato Freitas tem sido também um ponto de apoio e de referência na luta contra violência do aparato policial, que atinge principalmente a juventude negra e pobre.

Portanto, é urgente a defesa do mandato de Renato! É um gesto democrático — contra a intolerância e o racismo. Renato Fica!

 Milton Alves é ativista político e social. Autor dos livros ‘A Política Além da Notícia e a Guerra Declarada contra Lula e o PT’ (2019) e ‘A Saída é pela Esquerda’ (2020).

Fonte: Brasil de Fato

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