Saga Crepúsculo: marxismo para adolescentes

Twilight, o título original em inglês da série de livros best sellers, é muito mais significativo que sua tradução para o português. O termo twilight é uma referência a um instante entre a luz e a escuridão em que tudo está indefinido e, portanto, tudo pode acontecer num universo bizarro e efetivamente alternativo.
A história do livro é uma metáfora da forma que ele foi elaborado, pois a autora resolveu por mantê-lo na mesma zona que o encontrou: num sonho.
Formada em literatura inglesa pela Universidade Brigham Young em Provo, Utah.
Não posso deixar de inferir que a estudante de Provo não tenha tido contato com o movimento Provos (provokations) da contracultura na Holanda dos anos 1960. O radicalismo desse movimento incendiou a mente de jovens no mundo todo e Stephenie não deve ter sido imunizada por ele quando estudava literatura. Esse radicalismo denunciava do modo mais subversivo o capitalismo forâneo (em que aquele que esculhamba o sistema colhe os melhores frutos) de então. A Holanda vivia sob o regimento de uma aristocracia que havia admirado o empoderamento nazista que atingira em cheio boa parte da Europa. Tinha patrocinado o casamento de uma de suas princesas com um arrematado oficial nazista alemão.
A teia referencial que essa autora âncora todos os romances é extremamente complexa e adequada. Comecemos pelo primeiro e insuspeito pilar das histórias. O médico Carlisle é claramente inspirado no Fausto de Goethe, mas pela via indireta do livro Tudo que é sólido desmancha no ar (uma dialética do desenvolvimento) de Marshall Berman.
O pacto feito com demônio em nome do bem também inspirou as atitudes do médico em relação aos seus adotados, isso lhe tras uma perpétua melancolia e orienta a sua atividade altruísta na pequena cidade. Todavia pela veia marxista de Berman, o Fausto aparece como gerador do desenvolvimento (des-envolvimento) com todas as contradições que o termo carrega. Outros três elementos serão resgatados ampliando a teia referencial: o primeiro é o livro The Vampire, escrito em 1819 por John William Polidori, que fazia parte do grupo de escritores reunidos no castelo de Lord Byron (Mary Shelley, Claire Clairmont, Percy Shelley) o resultado dessa experiência foi o livro de Mary Shelley, Frankenstein e o livro de Polidori. Em ambos os casos o pior aspecto dessa aristocracia romântica resultou na apropriação do livro Frankenstein por Percy Shelley e o Vampiro por Lord Byron, que resultaria no suicídio de Polidori.

O segundo elemento que marcará preferencialmente o segundo livro da saga, a autora foi buscar no conceito jurídico do Homo Sacer. Um dos autores que melhor trabalhou esse conceito foi Giorgio Agamben. Essa lei consuetudinária (tradição) também nos ajuda a entender o aparecimento das histórias de lobisomem. O homem sagrado (homo sacer) é aquele que comete um crime contra a comunidade e é exilado, passando a viver na floresta. Sua natureza sagrada se refere a sua condição peculiar de ao ser expulso nunca mais voltar ao convívio dos homens, mas se assim o fizer poderá ser morto sem que seu assassino incorra em crime. Então ele se torna um híbrido, um sem paz que ao invadir o território da comunidade se transforma em fera (lobo) e ao retornar para a floresta se transforma em homem.
Três casos notórios merecem ser apresentados aqui:
No folclore turco, os xamãs se transformam num lobo humanoide durante longos e árduos rituais de cura.
Os outros dois são o do alemão Peter Stumpp, o Lobisomem de Bedburg, executado em 1589, e o de Hans, o Lobisomem, levado a júri em 1651, na Estônia.
O terceiro elemento pode ser encontrado no livro Malleus Maleficarum ou Martelo das Feiticeiras que destrói as bruxas e a sua heresia, como uma espada de dois gumes. O Martelo das Feiticeiras é um livro, ou manual inquisitorial, publicado em 1486 pelos dominicanos Heinrich Kraemer e James Sprenger, na Alemanha, em cumprimento à bula papal Summis Desiderantis Affectibus de Inocêncio VIII sobre um manual de combate aos praticantes de heresias e que tornou-se o guia dos inquisidores pelo restante do século XV e seguintes; embora no período existam outros manuais, este é o mais consagrado pela historiografia.
Efetivamente ele visava o poder das mulheres sagradas nas aldeias em que geralmente representavam um papel de elo na sua função de cura, linhagem e sentido. Não se sabe quantas mulheres foram consumidas pelo fogo para que a modernidade fizesse nascer o indivíduo e centralizasse o poder no homem.
Nossa autora apresenta em cascata nos três primeiros volumes da saga crepúsculo essas três figuras metafóricas presentes na ordem social do seu tempo. No primeiro volume a família de vampiros são apresentadas como aristocratas elegantes e fleumáticos, causando admiração e inveja. No segundo volume a tribo dos quileuts é melhor investigada, são os que vivem a margem dessa sociedade, são os excluídos.
O terceiro elemento, as feiticeiras aparecem incidentalmente no segundo filme, com mais incidência no terceiro e no quarto sua evidência é maior, mas em todos eles seu papel é secundário.
O Fausto aristocrático da saga, o médico Carlisle, pela peculiar visão do personagem principal da saga, Edward, encontra no Sol da Meia Noite toda danação de ter gerado filhos aristocráticos. Cada um deles lamenta do seu próprio jeito a herança recebida. Na luta de classes da autora ser rico é tão insuportável quanto a eternidade.
Os romances traduzem uma sociedade desigual pela metáfora das transformações, embora até que toda saga se encerre, o papel teórico que embasa nossa autora não fique explicitado. Isso só vai ficar evidente com a publicação do livro Sol da Meia Noite, porque ali a sua veia marxista escancara as contradições dos vampiros, a subalternidade dos lobos e a inferioridade das mulheres.
É a glorificação da luta de classes, o motor da história de Karl Max.

*Eduardo Bonzatto é professor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) escritor e compositor

Fonte: Pragmatismo Político

Inflação e juros altos deixam brasileiros mais pobres

O brasileiro está saindo do período de dois anos de pandemia mais pobre, atingido pela inflação mais forte em duas décadas e pelos juros mais elevados desde 2017. A cesta básica hoje custa quase 50% mais que em 2020. Bens de consumo duráveis subiram tanto que hoje o carro usado vale mais que quando foi lançado, zero km, há dois anos. O brasileiro está mais pobre porque a renda das famílias não está acompanhando essa carestia. O salário mínimo subiu menos que a inflação. Além disso, os produtos estão subindo muito mais que os índices de preços. Mesmo que o salário acompanhasse a inflação, não seria suficiente para repor o poder da compra. Para piorar, a renda média da população caiu 4,2% desde março de 2020. Então, a tendência é todos ficarem mais pobres por anos. Só quem é promovido, muda de trabalho ou ganha algum prêmio ou herança pode conseguir uma reposição adequada.

Renda não acompanha preços

Antonio Corrêa de Lacerda, coordenador do programa de pós-graduação em Economia Política da PUC-SP e presidente do Conselho Federal de Economia, diz que a perda de poder aquisitivo das famílias será permanente se a renda dos trabalhadores não tiver aumentos reais (acima da inflação).

Isso quer dizer que a simples reposição do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), índice oficial de inflação do governo, não é suficiente para a pessoa recuperar o poder de comprar bens que tiveram os preços reajustados para cima em um certo período.

A cesta básica, por exemplo, custava R$ 626,00 em São Paulo em março do ano passado. Em março de 2022, ficou em R$ 761,19, um aumento de 21,6%, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Se um trabalhador recebeu agora em abril um reajuste de 11,3% (inflação oficial no período), ele terá de comprar menos alimentos. Essa perda de poder de compra fica permanente, mesmo com o reajuste. A pessoa fica mais pobre e não consegue alcançar o nível de consumo que tinha antes. E muitos trabalhadores não têm nem o reajuste pela inflação, o que é pior ainda.

Esse descompasso continua porque a cesta básica segue subindo de preço todo mês, enquanto o salário só vai ser reajustado -se for- ao fim de 12 meses, afirma o economista Guilherme Moreira, coordenador da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, da Universidade de São Paulo).

Fonte:Uol

Trabalho infantil atinge cerca de 6 milhões no Brasil

Uma pesquisa com nova metodologia do World Development Indicators (WDI), que compila estatísticas internacionais do Banco Mundial, estima que o trabalho infantil estava sendo exercido por quase 5,7 milhões de crianças (19,15%) de 7 a 14 anos no Brasil, em 2015. Este número é sete vezes maior do que os dados oficiais da época cuja estimativa era de que 738,6 mil crianças (2,5%) estavam nessa situação.

Os estudos feitos pelo pesquisador brasileiro Guilherme Lichand, da Universidade de Zurique (Suíça), e de Sharon Wolf, da Universidade da Pensilvânia (EUA), seguem os parâmetros de trabalho infantil, de acordo com as definições de organismos internacionais, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), e foi feito com crianças matriculadas em escolas. O modelo considera pontos, como o percentual de crianças trabalhando em atividades de risco em cada país e o número de horas trabalhadas.

Eles se basearam em dados compilados pelo Banco Mundial para 97 países para elaborar uma relação entre os relatos dos pais e o resultado mais próximo da realidade.

Segundo os pesquisadores, as crianças tendem a responder positivamente quando perguntadas se exercem algum trabalho remunerado, enquanto os adultos tendem a negar esse tipo de situação. O exemplo usado pelos pesquisadores é o das plantações de cacau na Costa do Marfim, que apontou que 45,5% das crianças questionadas disseram que trabalhavam, enquanto apenas 16,2% dos adultos relataram que as crianças trabalhavam.

Como no Brasil essa pergunta é feita diretamente às crianças pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), foi possível comparar os resultados obtidos por meio do banco de dados do Banco Mundial com os do levantamento nacional.

A pesquisa do Saeb feita em 2019, entre crianças de 10 e 11 anos, mostrou que 15% delas tinham trabalhado por pelo menos uma hora. Considerando-se as crianças fora da escola, esse percentual pode chegar a 17%, coincidindo com o resultado do estudo.

Setores que mais usam mão de obra infantil no Brasil

No mundo, o setor agrícola é responsável por 70% das crianças e dos adolescentes em situação de trabalho infantil, seguido pelo de serviços (20%) e pela indústria (10%).

No Brasil, a maior parte delas trabalha na agricultura familiar (76%), sobretudo na pecuária e em lavouras temporárias, segundo Observatório da Prevenção e da Erradicação do Trabalho Infantil.

São cerca de 7.000 crianças e adolescentes trabalhando na cadeia do cacau, principalmente na Bahia e no Pará. O mesmo ocorre nas plantações de óleo de palma e fumo, além da produção de gesso. Já nas grandes cidades, o trabalho infantil está em atividades domésticas, no comércio ambulante ou em confecções.

Segundo um relatório de 2021 da Organização Mundial do Trabalho (OIT) e do Unicef, a pandemia deve agravar esse cenário e 8,9 milhões de crianças e adolescentes no mundo correm risco de cair na situação de trabalho infantil até o fim deste ano.

O que configura o trabalho infantil

Se a criança tem menos de 12 anos, qualquer que seja o número de horas trabalhadas, e recebe algum tipo de remuneração por isso, já se configura trabalho infantil. Se ela tem entre 12 e 14 anos, é configurado a partir de 14 horas semanais, desde que não sejam ocupações perigosas. A partir de 15 anos, acima de 41 horas, disse ao jornal Folha de São Paulo o pesquisador brasileiro.

Sucateamento da fiscalização no Brasil

De 2013 a 2018, a verba para as fiscalizações trabalhistas e combate ao trabalho escravo foi, em média, de R$ 55,6 milhões por ano. A partir de 2019, essa média recuou para R$ 29,3 milhões.

No ano passado, uma reportagem da Folha apontou que o governo Bolsonaro passou a recusar recursos arrecadados em decorrência de infrações trabalhistas, usados para equipar grupos de fiscalização do próprio governo, e determinou que esses valores e bens fossem destinados ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD) ou ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

A decisão resultava em um esvaziamento da fiscalização trabalhista, ao alterar o uso de recursos e equipamentos —como caminhonetes usadas por auditores-fiscais do trabalho.

Fonte: CUT

Repórter que denunciou clube de tiro foi esfaqueado

Hipótese é apenas uma das linhas investigadas pela polícia. Vizinhos do estande mostraram à equipe da emissora que balas acertavam lotes rurais e residenciais da região, e exigiam suspensão do estabelecimento

O repórter Gabriel Luiz, editor do DFTV da TV Globo de Brasília, que foi esfaqueado por dois homens no fim da noite de quinta-feira (14) na porta do prédio onde mora, na capital federal, fez uma matéria na última segunda-feira (11) denunciando o funcionamento perigoso de um clube de tiro em Brazlândia, uma região administrativa do Distrito Federal. A Polícia Civil do DF investiga várias linhas como motivação para o crime e, conforme apurado pela reportagem da Fórum, essa é uma delas.

Inaugurado recentemente, o estande de tiro fica às margens da BR-251 e tem deixado moradores da vizinhança desesperados, já que as balas saem do que deveria ser um perímetro de segurança, atingindo lotes residenciais e rurais nos arredores. A população local mostrou dezenas de projéteis de revólveres, pistolas e fuzis, assim como os furos em paredes e árvores dos imóveis.

Um homem que vive num lote vizinho diz na reportagem dirigida por Gabriel que “não vai perder sua vida porque esse pessoal fica aí”, enquanto outro contou a estratégia que usa quando os projéteis cruzam as cabeças de trabalhadores de uma roça instalada atrás do clube. “A gente vê as balas zuando aí e aí só abaixa”, disse o agricultor na matéria.

Gabriel mostra ainda que o fundo do lugar onde ficam colocados os alvos é protegido apenas por um barranco baixo e uma camada de pneus na parte superior, o que não é o suficiente para evitar que as balas atinjam os vizinhos.

Num determinado trecho da reportagem, funcionários do clube de tiro aparecem para discutir com os moradores que davam depoimento à equipa da TV Globo, e Gabriel está presente. Um dos habitantes dos sítios vizinhos chega a perguntar para um dos atiradores “se ele está o ameaçando”.

Fonte: Revista Fórum

Governador em exercício quer transferir prédio da educação para o poder Judiciário

Manobra do governador em exercício e presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas foi publicada no blog do Kleverson Levy:

Está publicado no Diário Oficial do Estado (DOE), assinado pelo presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) e que também está no exercício do cargo de governador do Estado, Kléver Rêgo Loureiro, o pedido de doação do prédio da antiga Secretaria de Estado de Educação (Seduc), no centro de Maceió.

Mensagem de Nº 41, de 11 de Abril de 2022, enviada à Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), foi publicada no DOE na última terça-feira, 12 Abril.

No texto, o governador em exercício solicita à Casa de Tavares Bastos que seja autorizado a doação do imóvel localizado à Rua Barão de Alagoas, nº 141, Centro, Maceió/AL, ao Poder Judiciário do Estado de Alagoas.

De acordo com a mensagem governamental, a justificativa para doação do antigo terreno – que já foi palco de lutas e conquistas na Educação de Alagoas – estar no parágrafo único do art. 8º da Constituição Estadual, onde ‘os bens integrantes do patrimônio imobiliário do Estado não poderão ser objeto de alienação ou aforamento senão em virtude de lei’.

Mensagem de Nº 41, de 11 de Abril de 2022

“Assim, esta proposição tem como objetivo doar imóvel pertencente ao patrimônio imobiliário do Estado de Alagoas para atender às necessidades administrativas do Tribunal de Justiça de Alagoas – TJ/AL, que teve sua estrutura ampliada em razão da ampliação do número de desembargadores do Tribunal. Além do mais, tendo em vista que o imóvel objeto da doação se encontra desocupado e há existência de necessidade de um bem com tais características por parte do TJ/AL, a via adequada é a transferência pela doação”, conclui o pedido de Kléver Loureiro.

Por outro lado, a Mensagem de Nº 41, de 11 de Abril de 2022, enviada à ALE pelo Poder Executivo, se tranformou em Projeto de Lei Ordinária Nº 896 de 2022.

O PL tramita, desde a última quarta-feira (13), na 2ª Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR). O Projeto de Lei está em análise e aguarda emissão do parecer da Comissão.

A CCJR na Assembleia Legislativa de Alagoas é formada por sete deputados estaduais.

Em 2016…

A antiga sede da Seduc foi desocupada em 2012, após apresentar inúmeros problemas estruturais, principalmente, de infiltração. À época, os servidores da administração da Seduc foram transferidos para o Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas (Cepa) e permanecem até os dias de hoje.

Fotos: Agência alagoas/Arquivo

No segundo ano de mandato do ex-governador Renan Filho (MDB), lá em 2016, a ideia era que o prédio da Seduc fosse transformado no Centro de Formação da Educação de Jovens e Adultos (EJA) ligado à Educação Profissional Tecnológica.

Até hoje, nada!

Ou seja: seis anos se passaram da promessa de “fazer algo”, o prédio continua abandonado e foi desocupado desde 2012.

Porém, o interessante é que o antigo imóvel da Seduc, na Rua Barão de Alagoas, no centro de Maceió, está desativado há anos e a ex-gestão do ex-governador Renan Filho nunca que conseguiu fazer nada naquele espaço tão amplo, central e bem localizado na capital alagoana.

Por fim, em 2022 eleitoral, foi preciso o presidente do TJ-AL e governador em exercício, Kléver Rêgo Loureiro, assumir o comando do Estado – em menos de 30 dias – e pedir autorização ao parlamento alagoano para fazer doação do terreno ao Poder Judiciário de Alagoas.

Como assim?

E viva a política em Alagoas!

#VidaQueSegue

Garimpeiros armados invadem aldeia dos indígenas Xipaya no Pará

A cacica Juma Xipaya denunciou na noite desta quinta-feira (14), em vídeo publicado em uma rede social, que a aldeia Karimaa, na Terra Indígena Xipaya, foi invadida por garimpeiros armados. Segundo a liderança, uma balsa de grande porte, com maquinários para a extração de ouro, desceu o Rio Iriri em direção ao território. Seu pai, Francisco Kuruaya, foi agredido com socos e empurrões. O território Xipaya, onde vivem cerca de 200 pessoas, fica distante a 400 quilômetros de Altamira, no sudeste do estado do Pará. 

“A gente nunca tinha visto um maquinário desses por aqui’, declarou Juma, contando temer a destruição ambiental do território Xipaya com o possível incremento da atividade ilegal de garimpo.

De acordo com declarações de Juma, seu pai tentou dialogar com os garimpeiros ilegais, pedindo para que se retirassem da área, por se tratar de uma Terra Indígena. “Meu pai tentou filmar a ação dos garimpeiros, que já chegaram lá operando as dragas, mas foi agredido por oito homens armados que tentaram tomar o celular dele. A sorte foi que ele conseguiu sair e voltar para avisar as outras aldeias”, declarou a líder.

Juma disse que o pai conseguiu retornar para sua aldeia e, utilizando a rede social Whatsapp, convocou outras lideranças para irem atrás dos garimpeiros e impedir a invasão. “Quando chegaram, os garimpeiros, a balsa de três andares, as voadeiras e jet skis – que também faziam parte dos equipamentos dos invasores – já não estavam mais”, contou ela. 

A reportagem apurou que outras lideranças indígenas da região viram a balsa dos garimpeiros navegando no Rio Iriri em direção à Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, divisa com a Terra Indígena Xipaya e a Terra Indígena Cachoeira Seca, do povo Arara. 

Juma afirmou ter denunciado a invasão dos garimpeiros ilegais aos órgão federais, inclusive à Polícia Federal. “Estamos no meio de um feriado, eu já fiz contato com a Funai local, com o Ministério Público […] estamos com muito medo. Pedimos ajuda para que as Forças Armadas [e] a Polícia Federal cheguem no território, que possam nos ajudar, porque é agora, não é amanhã e nem depois. Estão destruindo o nosso território, estão com máquinas pesadas e nós não sabemos os tipos de armas que eles tem”.

“A gente tem medo que eles tenham se escondido nas ilhas próximas ao território e que possam atacar as aldeias durante a noite”, disse Juma em entrevista exclusiva à Amazônia Real, na madrugada desta sexta-feira (15).

A Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas na Câmara dos Deputados, encabeçada pela deputada indígena Joênia Wapichana (REDE/RR), acionou o Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, alertando para para a iminência de um conflito na região e ameaças de morte do líder FranciscoKuruaya.

Mapa: Instituto Socioambiental

O ofício  encaminhado pela deputada, também foi endereçado  ao diretor da Polícia Federal, Márcio Nunes de Oliveira, e ao superintendente da Polícia Federal no Pará, Carlos André da Conceição Costa, pedindo que investigassem o caso e garantissem a proteção das cinco aldeias Xipaya que estão sob ameaça.

À deputada Federal Vivi Reis (PSOL/PA), o superintendente da PF no Pará informou que está acionando a operação Guardiões do Bioma, composta por agentes federais, membros do Ministério da Justiça, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Força Nacional, que devem chegar ao local em breve para combater a invasão e proteger a integridade física dos indígenas do território Xipaya.

Com 179 mil hectares, a Terra Indígena Xipaya foi homologada em 2012. Juma Xipaya luta há uma década pelos direitos dos indígenas impactados pela construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Em 2021, ela participou da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 26), em Glasgow, na Escócia.

Fonte: Amazônia Real

Israel invade mesquita e deixa mais de 150 palestinos feridos

As forças israelenses invadiram o complexo da Mesquita de al-Aqsa na Cidade Velha ocupada de al-Quds, ferindo mais de 150 fiéis em violência intensificada no mês sagrado do Ramadã.

A agência de notícias palestina Ma’an disse que a violência eclodiu na madrugada de sexta-feira, quando as forças de ocupação invadiram a mesquita de al-Aqsa através do Portão Marroquino, também conhecido como Portão Mughrabi, disparando bombas sonoras e balas de borracha contra os fiéis aleatoriamente.

“Confrontos violentos eclodiram entre as forças de ocupação e centenas de jovens que foram mobilizados nos pátios de al-Aqsa”, disse a agência, acrescentando que as forças israelenses estavam obstruindo o trabalho das ambulâncias que chegam aos portões de entrada da mesquita.

Relatos da mídia disseram que as forças de ocupação também atacaram paramédicos e equipes de imprensa, perseguiram-nos nos pátios da mesquita de al-Aqsa e espancaram vários deles.

A Sociedade Palestina do Crescente Vermelho (PRSC) informou que 152 palestinos em jejum foram transferidos para hospitais em al-Quds ocupados por ferimentos como resultado do ataque.

O regime intensificou seus atos mortais de agressão nos territórios palestinos desde o início do Ramadã, como resultado do qual os palestinos resistiram mais forte para combater a agressão.

Cerca de duas dúzias de palestinos foram mortos pelo fogo israelense desde 22 de março, enquanto o primeiro-ministro israelense, Naftali Bennett, já deu às forças israelenses carta branca para “derrotar” o que chamou de “terror” na Cisjordânia.

O movimento de resistência islâmica Hamas condenou fortemente os recentes assassinatos em toda a Cisjordânia ocupada, afirmando que eles expuseram a natureza terrível do regime de Tel Aviv.

Adolescente palestino sucumbe aos ferimentos em Jenin

Os confrontos na sexta-feira ocorreram poucas horas depois que outro palestino foi morto pelas forças do regime na cidade ocupada de Jenin, na Cisjordânia.

A agência de notícias oficial da Palestina, Wafa, disse que o palestino de 17 anos Shawkat Kamal Abed sucumbiu aos ferimentos um dia depois de ser baleado durante um ataque conduzido por forças israelenses na vila de Kafr Dan, a noroeste de Jenin.

O adolescente palestino foi transferido para o Hospital Ibn Sina em Jenin para tratamento antes de sucumbir aos ferimentos.

Ao anunciar a morte de Kamal Abed, o Ministério da Saúde palestino disse que a última fatalidade elevou para sete o número de palestinos mortos em todo o território ocupado em menos de 48 horas.

Fawaz Hamayel, da cidade de Beita, no sul de Nablus, sucumbiu a tiros das forças de ocupação israelenses na quarta-feira. Shas Kammaji, irmão do prisioneiro palestino Ayham Kammaji, foi morto em confrontos na cidade de Kafr Dan, a oeste de Jenin, e Mustafa Faisal Abu al-Rub foi morto a tiros por soldados israelenses na entrada oeste de Jenin.

As tensões aumentaram na terra ocupada desde a última quinta-feira, quando os palestinos lançaram um ataque de retaliação no coração de Israel, Tel Aviv, como parte de sua resistência à intensificação da repressão israelense. Desde então, as forças israelenses realizam ataques em diferentes cidades, especialmente em Jenin.

O ataque foi realizado quando um jovem palestino, identificado como Raad Fathi Hazem, entrou em um pub em uma movimentada rua principal de Tel Aviv e começou a disparar sua arma.

O jovem de 28 anos, morador do campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia, foi morto por forças israelenses em um tiroteio antes do amanhecer perto de uma mesquita na primeira sexta-feira do Ramadã.

Grupos de resistência palestinos e o movimento de resistência libanesa do Hezbollah saudaram a ação de Hazem como uma “operação heroica”.

Hamas elogia defesa palestina da mesquita de al-Aqsa

Fawzi Barhoum, porta-voz do movimento de resistência palestino Hamas, saudou o povo palestino por sua defesa da sagrada mesquita al-Aqsa em meio à escalada da agressão israelense no Ramadã.

“Saudamos nosso povo na cidade ocupada de al-Quds e os palestinos na mesquita de al-Aqsa por defender este local sagrado e por seu confronto heroico com as forças de ocupação sionistas”, disse Barhoum.

O porta-voz do Hamas disse que “as imagens heroicas dos fiéis e jovens ao enfrentar os soldados da ocupação lembram as imagens heroicas da resistência e do fracasso do projeto dos portões eletrônicos que nossa nação enfrentou nos territórios ocupados de al-Quds e de 1948”.

“Nossa nação se levantará para ajudar a mesquita de al-Aqsa e seus fiéis, e assim como eles venceram todas as suas lutas contra este regime, eles também derrotarão os ocupantes nesta batalha”, enfatizou Barhoum. “E [nossa nação] tem poder suficiente para cumprir sua vontade e impedir a implementação das equações impostas pelo regime sionista ocupante ao povo palestino em al-Quds e na mesquita de al-Aqsa”.

O funcionário do Hamas também disse: “Nosso povo em al-Quds não está sozinho em sua batalha na mesquita de al-Aqsa, mas toda a nação palestina e os heroicos grupos de resistência, bem como suas forças vigilantes e filhos da busca pela liberdade. nação, estão ao seu lado”.

Fonte: Brasil 247

Forças armadas compram viagra, próteses penianas, botox e remédio para calvície

Após sucessivos escândalos de compras de alimentos de luxo e bebidas, início desta semana, foi revelado que as Forças Armadas, que reúne no Exército, Marinha e Aeronáutica 360.000 soldados ativos, compraram, com dinheiro público Viagra, próteses penianas de até 25 centímetros e remédio para calvície. A denúncia foi feita pelo deputado federal Elias Vaz (PSB-GO).

Mais licitação do Ministério da Defesa levanta questionamentos: foram aprovados aquisição de mais de 35 mil comprimidos de Viagra, medicamento usado para tratar disfunção erétil, 60 próteses penianas infláveis para unidades ligadas ao Exército e Minoxidil e a Finasterida, dois principais medicamentos usados para combater a calvície masculina.

Os dados das compras são do portal da Transparência e do painel de preços do governo e foram compilados e denunciados pelo deputado Elias Vaz (PSB-GO).

Sobre a compra do Viagra, o deputado pediu explicações ao Ministério da Defesa, chefiado pelo general do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, que substituiu o também general Walter Braga Netto, que deve ser o candidato a vice na chapa do presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição.

De acordo com o deputado, 8 processos de compra de Viagra foram aprovados desde 2020, e ainda estão em vigor neste ano. Nos processos, o medicamento aparece com o nome genérico Sildenafila, nas dosagens de 25 mg e 50 mg. A maior parte dos medicamentos é destinado à Marinha, com 28.320 comprimidos. Outros 5 mil comprimidos são para o Exército e 2 mil para a Aeronáutica.

Por meio de nota, a Marinha disse que o Viagra seria usado para o tratamento de pacientes com hipertensão arterial pulmonar, “doença grave e progressiva que pode levar à morte“. O Exército também apresentou a mesma justificativa, dizendo que os hospitais da corporação, que atendem os militares e seus dependentes, devem ter o medicamento para tratar a condição.

A alegação foi desmentida por especialistas. A pneumologista que coordena a Comissão de Circulação Pulmonar da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Verônica Amado, disse ao Uol que a dosagem de 25 mg como a do Viagra, não é a prevista na literatura médica para tratar hipertensão arterial pulmonar.

No caso da compra das próteses penianas, o deputado Elias Vaz, e o senador Jorge Kajuru (Podemos-GO) vão pedir ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Ministério Público Federal (MPF) para investigar e determinar o por quê da compra.

O Portal da Transparência e o Painel de Preços do governo federal apontam que foram feitos três pregões eletrônicos no ano passado para comprar os produtos, cujo comprimento varia entre 10 e 25 centímetros.

O primeiro pregão teve a compra de dez próteses, autorizada no dia 2 de março de 2021, no valor de R$ 50.149.72 cada, para o Hospital Militar de Área de São Paulo. O fornecedor foi a empresa Boston Scientific do Brasil LTDA.

Um segundo certame estabeleceu, no dia 21 de maio de 2021, a aquisição de 20 próteses, ao custo de R$ 57.647,65 cada, para o Hospital Militar de Área de Campo Grande (MS). A empresa fornecedora foi a Quality Comercial de Produtos Médicos Hospitalares LTDA.

O terceiro pregão determinou, no dia 8 de outubro de 2021, a compra de 30 próteses, cada uma orçada em R$ 60.716,57, para o Hospital Militar de Área de São Paulo. A empresa Lotus Medical Distribuidora e Comércio de Produtos Médicos Eireli foi encarregada de fornecer as unidades.

O Centro de Comunicação Social do Exército emitiu uma nota sobre o caso afirmando que que apenas três próteses penianas foram compradas pelo Exército, no ano de 2021, para cirurgias de usuários do Fundo de Saúde do Exército (FUSEx). “Cabe destacar que os processos de licitação atenderam a todas as exigências legais vigentes, bem como às recomendações médicas“, diz a nota.

Informamos que o Sistema de Saúde do Exército, que atende cerca de 700 mil pessoas, tem como receita recursos do Fundo de Saúde do Exército, composto por contribuição mensal de todos os beneficiários do Sistema e da coparticipação para o pagamento dos procedimentos realizados. Por fim, é atribuição do Sistema de Saúde do Exército atender a pacientes do sexo masculino vítimas de diversos tipos de enfermidades que possam requerer a cirurgia para implantação da prótese citada“, disse.

Fonte: Pragmatismo Político

Guerra na Ucrânia eleva a pobreza e a fome

Em pouco mais de um mês, a guerra na Ucrânia já causou mortes e destruição de infraestruturas em níveis gigantescos. Além do horror atual, os reflexos da ofensiva russa sobre a vida das populações poderão se estender por muitos anos.

De acordo com estimativas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), 90% dos ucranianos poderão ir para baixo da linha da pobreza se o conflito se mantiver. O país sofreria um atraso de décadas, “deixando profundas cicatrizes sociais e econômicas para as gerações futuras”, segundo o organismo (UOL, 16/3).

No pior cenário projetado pelo PNUD, a queda do produto interno bruto (PIB) ucraniano em decorrência da guerra pode ser comparada à registrada na Líbia, onde a intervenção imperialista (disfarçada de combate de “rebeldes” contra o regime de Kadafi) levou ao virtual esfacelamento do país.

A guerra já causou o fechamento de pelo menos metade das empresas ucranianas, com a outra metade tendo de trabalhar bem abaixo de sua capacidade. O fim dos combates é uma necessidade para a própria sobrevivência, em condições dignas, da população.

Deslocamentos forçados
Um efeito bem visível do conflito é a fuga de pessoas para outros pontos da Ucrânia ou para países vizinhos. Em um mês, 3,7 milhões de ucranianos foram para outras nações, naquela que é considerada a maior onda de migração na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Os deslocados internos são mais de 6 milhões.

Se os deslocamentos forçados já trazem em si vários riscos, a situação afeta particularmente as crianças. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) calcula que 4,3 milhões de crianças, mais da metade da população infantil de 7,5 milhões na Ucrânia, teve de se deslocar (Estadão, 27/3). Os que saíram de seus locais de moradia se dividiram entre outros pontos do país (2,5 milhões) e países vizinhos (1,8 milhão). Para muitas dessas crianças, os traumas são de difícil recuperação.
A essas consequências sociais graves soma-se o custo econômico para a recuperação da situação, que será gigantesco.

Efeitos das sanções
Na Rússia, as sanções decididas pelas potências ocidentais levaram à queda da cotação da moeda (rublo) e à alta das taxas de juros. Os produtos provenientes do exterior que ainda estão disponíveis são vendidos até 40% mais caros. É o caso do material médico, por exemplo. Além disso, grandes empresas estrangeiras fecharam as portas no país, o que causou dezenas de milhares de demissões e o agravamento de problemas sociais.

As sanções poderão causar também, em médio prazo, uma crise global, com o aumento da fome, em razão do abalo nas vendas de grãos. Rússia e Ucrânia responderam, nos últimos cinco anos, por 30% das exportações mundiais de trigo e 75% das exportações de óleo de girassol, para ficar em dois exemplos. Com a guerra, essas vendas estão comprometidas, o que provoca escassez dos alimentos e alta de preços.

Cláudio Soares

Fonte: O Trabalho

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