Juros do cartão de crédito passam a ser limitados a 100% da dívida

Lei do Desenrola previu limite em caso de falta de acordo com bancos

Sem acordo entre o governo e os bancos, os juros da dívida do rotativo do cartão de crédito e da fatura parcelada passam a ser limitados a 100% da dívida a partir desta quarta-feira (3). Instituído pela lei do Programa Desenrola, sancionada em outubro, o teto foi regulamentado no fim de dezembro pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A Lei do Desenrola havia estabelecido 90 dias para que as negociações entre o governo, o Banco Central, as instituições financeiras, o Congresso Nacional e o Banco Central chegassem a um novo modelo para o rotativo do cartão de crédito. Caso contrário, valeria o modelo em vigor no Reino Unido, que estabelece juros até o teto de 100% do total da dívida, que não poderá mais subir depois de dobrar o valor.

Logo após anunciar a decisão do CMN, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltou que, durante esse período de 90 dias, as instituições financeiras não apresentaram nenhuma proposta. “Se vocês pensarem no Desenrola, esse era um dos grandes problemas do país. As pessoas [que renegociaram os débitos no programa] estavam, muitas vezes, com dívidas dez vezes superior à original”, disse o ministro. “Agora, a dívida não poderá dobrar”, comentou o ministro na ocasião.

Simulação

Com o teto de juros do rotativo e da fatura parcelada, quem não pagar uma fatura de R$ 100, por exemplo, e empurrar a dívida para o rotativo, pagará juros e encargos de no máximo R$ 100. Dessa forma, a dívida não poderá ultrapassar R$ 200, independentemente do prazo.

“Suponha que uma pessoa contrate uma dívida de R$ 1 mil no cartão de crédito e não pague. Ela estaria sujeita a quase 450% ou 500% de juros no ano [pelas regras anteriores]”, disse Haddad ao anunciar o teto das taxas. “Com essa medida, não vai poder exceder 100%.”

Segundo os dados mais recentes do Banco Central, em novembro, os juros do rotativo do cartão de crédito estavam, em média, em 431,6% ao ano. Isso significa que uma pessoa que entre no rotativo em R$ 100 e não quita o débito deve R$ 531,60 após 12 meses.

Portabilidade

Além de oficializar o teto de juros, o CMN instituiu a portabilidade do saldo devedor do cartão de crédito e aumentou a transparência nas faturas, itens que não estavam na lei do Desenrola. Essas exigências, no entanto, só entrarão em vigor em 1º de julho.

Por meio da portabilidade, a dívida com o rotativo e com o parcelamento da fatura poderá ser transferida para outra instituição financeira que oferecer melhores condições de renegociação. A medida também vale para os demais instrumentos de pagamento pós-pagos, modalidades nas quais os recursos são depositados para pagamento de débitos já assumidos.

A proposta da instituição financeira deve ser realizada por meio de uma operação de crédito consolidada (que reestruture a dívida acumulada). Além disso, a portabilidade terá de ser feita de forma gratuita.

Caso a instituição credora original faça uma contraproposta ao devedor, a operação de crédito consolidada deverá ter o mesmo prazo do refinanciamento da instituição proponente. Segundo o Banco Central (BC), a igualdade de prazos permitirá a comparação dos custos.

Transparência

Em relação à transparência, a partir de julho, as faturas dos cartões de crédito deverão trazer uma área de destaque, com as informações essenciais, como valor total da fatura, data de vencimento da fatura do período vigente e limite total de crédito.

As faturas também deverão ter uma área em que sejam oferecidas opções de pagamento. Nessa área deverão estar especificadas apenas as seguintes informações: valor do pagamento mínimo obrigatório; valor dos encargos a ser cobrado no período seguinte no caso de pagamento mínimo; opções de financiamento do saldo devedor da fatura, apresentadas na ordem do menor para o maior valor total a pagar; taxas efetivas de juros mensal e anual; e Custo Efetivo Total (CET) das operações de crédito.

Por fim, as faturas terão uma área com informações complementares. Nesse campo, devem estar as informações como lançamentos na conta de pagamento; identificação das operações de crédito contratadas; juros e encargos cobrados no período vigente; valor total de juros e encargos financeiros cobrados referentes às operações de crédito contratadas; identificação das tarifas cobradas; limites individuais para cada tipo de operação, entre outros dados.

Fonte: Agência Brasil

Justiça da Argentina suspende reforma trabalhista de Milei

Pedido foi feito por uma entidade sindical contra o “mega decreto” que entrou em vigor no dia 29 de dezembro

A justiça da Argentina suspendeu a reforma trabalhista do presidente Javier Milei, após uma proposta apresentada pelo principal sindicato do país, a Confederação Geral do Trabalho (CGT). A medida fazia parte do “mega decreto” publicado no dia 20 de dezembro pelo presidente argentino.

Entre as medidas consideradas polêmicas estão o aumento do período de experiência para 8 meses, a participação em manifestações como motivo legal para demissões e mudanças no sistema de indenizações dos profissionais que saem de uma empresa.

A decisão é cautelar e ainda há discussões sobre qual é a instância da Justiça adequada para tratar esse tema. O que os juízes do Trabalho disseram é que, até que se resolva a questão do foro apropriado, a medida fica suspensa.

Para Milei a reforma era uma modernização no sistema trabalhista do país, porque os empresários terão mais facilidade e menos custos para demitir empregados.

A reforma trabalhista fazia parte do “decretaço” anunciada pelo presidente no dia 20 de dezembro, que visava reformar ou revogar mais de 350 normas. Entre outros pontos, o decreto desregulamenta o serviço de internet via satélite e a medicina privada, flexibiliza o mercado de trabalho e revoga uma série de leis nacionais.

Fonte: Correio Brasiliense

Ataque terrorista ao Irá deixa mais de 100 mortos, Israel é suspeito

O presidente iraniano, Ebrahim Raisi, discursou nesta quarta-feira (3) aos enlutados iranianos marcando o 4º aniversário do martírio do general Soleimani. Ele mencionou o atentado terrorista que matou mais de 100 pessoas na cidade de Kerman e prometeu vingança, segundo a emissora iraniana PressTV. 

O Eixo da Resistência decidirá o momento e o local da vingança pelo derramamento de sangue, disse Raisi.

“Sem dúvida, os perpetradores e os responsáveis ​​por esta ação covarde serão em breve identificados pelas poderosas forças de segurança e responsabilizados pelo seu ato hediondo. Os inimigos da nação devem saber que tais ações não podem enfraquecer a vontade de aço do povo iraniano na defesa dos seus ideais islâmicos”, disse ainda Raisi.  

Pelo menos uma das explosões teria sido causada por uma bomba, disse a TV estatal. O caso ocorre no quarto aniversário da morte de Soleimani, que foi assassinado em um ataque aéreo dos Estados Unidos ordenado pelo ex-presidente Donald Trump no Aeroporto Internacional de Bagdá, e ameaça aumentar as tensões na região.

A primeira explosão ocorreu a 700 metros do túmulo de Soleimani, e a segunda a um quilômetro de distância, quando peregrinos visitavam o local, acrescentou a rede de notícias IRNA.

O IRINN, outro canal de televisão estatal, informou que a primeira explosão foi causada por uma bomba colocada numa mala dentro de um carro Peugeot 405, e parecia ter sido detonada remotamente.

O ministro do Interior do Irã, Ahmad Vahidi, disse durante uma entrevista ao canal de notícias estatal iraniano IRIB que a primeira explosão aconteceu às 15h, no horário local. Vahidi afirmou que o segundo estouro, mais mortal, ocorreu 20 minutos depois, quando outros peregrinos foram ajudar os feridos.

Nenhum grupo assumiu ainda a responsabilidade pelas explosões. O Irã declarou esta quinta-feira (4) como dia de luto.

Vídeos publicados na imprensa estatal iraniana mostraram multidões correndo na área após a explosão, assim como corpos ensanguentados sendo transportados e ambulâncias saindo do local em meio às pessoas.

Anteriormente um dos homens mais poderosos do Irã, Soleimani era chefe da Força Quds dos Guardas Revolucionários, uma unidade de elite que gere as operações do Irã no exterior e foi considerada uma organização terrorista estrangeira pelos Estados Unidos.

O Pentágono ressalta que Soleimani e as suas tropas foram “responsáveis ​​pela morte de centenas de militares americanos e da coalizão e por ferir milhares de outros”.

Conhecido como o “comandante sombra” do Irã, Soleimani, que liderava a Força Quds desde 1998, foi o cérebro das operações militares iranianas no Iraque e na Síria.

O general Ismail Qaani, tenente de longa data de Soleimani e seu sucessor como líder da Força Quds, observou que os perpetradores estavam “desesperados”, alertando que “a República Islâmica não mudará o método de erradicação do regime sionista”.

Os Estados Unidos disseram que não estão envolvidos nas explosões e que “não temos motivos para acreditar que Israel esteja envolvido”, segundo o porta-voz do Departamento de Estado americano, Matt Miller.

Miller acrescentou em coletiva de imprensa do Departamento de Estado que os EUA não “têm qualquer informação independente” sobre as explosões e, como tal, não ofereceriam uma avaliação sobre quem poderá estar por trás delas.

Explosão ocorre em momento tenso na região

A explosão ocorreu em meio ao aumento das tensões na região, enquanto Israel trava uma guerra de três meses contra o Hamas em Gaza, motivada pelo ataque do grupo armado a Israel em 7 de outubro.

Na terça-feira (2), um importante líder do Hamas foi morto em um subúrbio de Beirute, no Líbano, em uma explosão que uma autoridade dos EUA disse à CNN ter sido realizada por Israel.

Israel não confirmou nem negou o envolvimento no caso, mas o Hamas e o grupo Hezbollah, que controla o subúrbio, culparam o país e juraram vingança.

Em discurso que marcou o aniversário da morte de Soleimani, o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, ressaltou que o assassinato da autoridade do Hamas em Beirute “não ficará impune”.

Fonte: Brasil 247 e CNN Brasil

TJ de Alagoas derruba liminar que obrigava Globo a manter contrato com TV de Collor

O desembargador Paulo Zacarias da Silva, do Tribunal de Justiça de Alagoas, cassou a liminar que obrigava a Globo a renovar o contrato com a TV Gazeta, pertencente à família Collor de Mello. As informações foram divulgadas na manhã desta quarta-feira (3), no Uol.

No dia 4 de dezembro, o juiz Léo Dennisson Bezerra de Almeida, da 10ª Vara Cível de Maceió, havia concedido uma liminar dentro do processo de recuperação judicial da TV Gazeta e demais empresas do grupo de obrigando a Globo a renovar contrato com a empresa de Collor por mais cinco anos. O contrato original entre as partes acabou no dia 31 de dezembro passado, e a Globo alegou a condenação de Collor como motivo para não renovar a parceria de 48 anos.

Cassação da liminar

De acordo com as informações, a cassação da liminar ocorreu em 18 de dezembro, mas como o caso estava em segredo de Justiça, foi conhecida apenas por advogados no processo nesta terça-feira, quando houve um comunicado oficial do TJ ao juiz do caso.

Porém, a decisão do desembargador não tem efeito imediato porque o magistrado entendeu que se trata de uma decisão delicada para tomar sozinho e manteve a relação contratual forçada até o julgamento da 3ª Câmara Cível do TJ, que tem ainda mais dois desembargadores.

Entendendo pela necessidade de cassação da decisão agravada, pelas violações já expostas, vislumbrando o caráter irreversível de eventual concessão total do efeito suspensivo, opto por concedê-lo em parte, suspendendo a decisão agravada, porém mantendo a relação contratual até o julgamento de mérito do presente recurso, oportunidade em que o colegiado se debruçará conjuntamente sobre a questão.

*Com informações do UOL

Fonte: Alagoas Inform

Governo Lula reduz registro de armas de fogo em 82%

De acordo com balanço divulgado pela PF, foram feitos 20.822 novos cadastros para posse de armas no ano passado, representando uma diminuição de 82%, em relação a 2022

A Polícia Federal (PF) divulgou dados coletados em 2023 pelo Sistema Nacional de Armas (SINARM), revelando que, em 2023, houve o menor número de novos registros de armas de fogo para defesa pessoal desde 2004 – foram 20.822 cadastros, cerca de 82% a menos do que os contabilizados em 2022 (114.044).

A redução é resultado de medidas adotadas pelo Governo Federal para restringir a quantidade de armas e munições que poderiam ser acessadas por civis. Em julho de 2023, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, firmou o Decreto Nº 11.366, anunciado em 1º de janeiro, estabelecendo que poderiam ser compradas até duas armas, de uso permitido para defesa pessoal, e tornando obrigatória a comprovação de sua necessidade.

Para acessar o Decreto, clique aqui.

A medida faz parte do Programa de Ação na Segurança (PAS), lançado também em julho do ano passado. Até então, civis podiam comprar até quatro armas para a defesa pessoal, sem precisar de comprovação da efetiva necessidade. Com a medida, além da redução dos pedidos de posse de armas, 75% dos novos pedidos de porte foram negados, segundo a PF.

Além da redução de armas e munições acessíveis para civis, o decreto inclui a retomada da distinção entre as armas de uso dos órgãos de segurança, decreta o fim do porte de trânsito municiado para caçadores, atiradores e colecionadores, restrições às entidades de tiro desportivo, redução da validade dos registros de armas de fogo e a migração progressiva de competência referente às atividades de caráter civil envolvendo armas e munições para a PF.

Na ocasião, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou que as novas regras devem prevenir acidentes e episódios de violência provocados pelo uso irresponsável de armas. “Estamos encerrando um capítulo trágico, de trevas na vida brasileira. Hoje, o senhor está assinando um decreto que põe fim, definitivamente, ao armamentismo irresponsável que o extremismo político semeou nos lares brasileiros. Armas nas mãos certas, e não armas nas mãos das pessoas que perpetram feminicídio”, argumentou o ministro.

Antes de ser firmado pelo presidente, em julho, o Decreto anunciado no início da gestão foi avaliado desde fevereiro de 2023, com a criação de um Grupo de Trabalho (GT) para estudar o processo de reestruturação da política de controle de armas no Brasil. O GT contou com representantes do MJSP, Ministério da Defesa, Ministério da Fazenda, PF, Conselho Nacional de Justiça, Conselho Nacional do Ministério Público, Advocacia-Geral da União e de instituições sem fins lucrativos que atuam no tema.

O GT ficou responsável ainda por apresentar uma nova regulamentação para a Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, que dispõe sobre registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição e sobre o Sistema Nacional de Armas, instituído no Ministério da Justiça, no âmbito da Polícia Federal. Trata-se do órgão responsável pelo controle de armas de fogo em poder da população, de acordo com o Estatuto do Desarmamento.

Fonte: AgênciaGov

Irá diz que ação terrorista no Líbano mostra que Israel ameaça todo o Oriente Médio

Chanceler iraniano diz que assassinato de líder do Hamas no Líbano mostra que Israel ameaça todo o Oriente Médio

O ministro das Relações Exteriores do Irã Hossein Amir-Abdollahian condenou em termos veementes o atentado cometido por Israel no Líbano, assassinando um alto dirigente do Hamas. “Uma operação terrorista tão covarde prova que o regime sionista não alcançou nenhum dos seus objetivos após semanas de crimes de guerra, genocídio e destruição em Gaza e na Cisjordânia da Palestina, apesar do apoio direto da Casa Branca”, escreveu ele no X, antigo Twitter.

O chanceler persa afirmou que a “atividade maligna da máquina terrorista” do regime sionista em outros países “é uma ameaça real à paz e à segurança e um grave alarme para a segurança de todos os países da região”.

O ministro manifestou condolências ao Hamas e à família do mártir. ~Pelo martírio do Sr. Xeque Saleh al-Arouri e de alguns dos seus companheiros, apresento as minhas condolências ao Sr. Xeque Ismail Haniyeh, chefe do gabinete político do Hamas, aos membros deste movimento de libertação e à heroica nação da Palestina”.

Brasil flagra mais de 3 mil escravizados em 2023, maior número desde 2009

O Brasil encontrou 3.151 trabalhadores em condições análogas às de escravo em 2023. O número é o maior desde os 3.765 resgatados em 2009. Foram 582 operações de fiscalização e R$ 12,5 milhões de verbas trabalhistas pagas nos resgates, dois recordes no período de um ano, segundo dados da Coordenação-Geral de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Análogo ao de Escravizado e Tráfico de Pessoas (CGTRAE) do Ministério do Trabalho e Emprego.Com isso, o país ultrapassou 63,4 mil trabalhadores flagrados desde a criação dos grupos especiais de fiscalização móvel, base do sistema de combate à escravidão no país, em maio de 1995. A totalização está passando por revisão e pode oscilar para cima.A atividade de onde mais trabalhadores foram resgatados foi o cultivo de café (300 pessoas), seguida pelo plantio de cana-de-açúcar (258), a limpeza e preparação da terra (249) e o cultivo de uva (210).Mas considerando a quantidade de operações de resgate, a atividade econômica campeã foi a criação de bovinos de corte (62 operações), seguida por serviços domésticos (59), o cultivo de café (54) e a construção civil (34).Levando em conta esses números parciais, Goiás foi o estado com o maior número de resgatados (735), acompanhado por Minas Gerais (643), São Paulo (387) e Rio Grande do Sul (333).

As operações são coordenadas pela Inspeção do Trabalho em parceria com o Ministério Público do Trabalho, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União, entre outras instituições. Ou por equipes ligadas às Superintendências Regionais do Trabalho nos estados, que também contam com o apoio das Polícias Civil, Militar e Ambiental.

‘Escravizados do vinho’ narraram tortura com choque e spray de pimenta

O resgate de 207 pessoas que atuavam na colheita e carga e descarga de uvas em Bento Gonçalves (RS), em fevereiro de 2023, repercutiu dentro e fora do país.

Os trabalhadores denunciaram que foram vítimas de ameaças e maus tratos, incluindo o uso de choques elétricos e spray de pimenta. Eles trabalhavam para a empresa prestadora de serviço Fênix Serviços de Apoio Administrativo contratada pelas vinícolas Aurora, Salton e Cooperativa Garibaldi.

A operação teve início após um grupo fugir de um alojamento sem condições de higiene onde, segundo relataram, sofriam agressões. Vigilância armada era usada para garantir que tudo permanecesse do jeito que o patrão queria.

Eles já chegavam com dívidas de alimentação e transporte e, no alojamento, tinham que comprar produtos a preços muito acima do valor de mercado. Tudo isso era anotado como dívida, o que prendia os trabalhadores aos patrões.

Dos 207 trabalhadores resgatados, 56% têm entre 18 e 29 anos, 93% nasceram na Bahia, 95% se declaram negros (64% pardos e 31%, pretos) e 61% não concluíram o ensino fundamental ou são analfabetos. Todos são homens. Os dados são do Ministério do Trabalho e Emprego.

Na época, as vinícolas Aurora, Salton e Cooperativa Garibaldi informaram a imprensa que não tinham conhecimento do ocorrido, que não compactuam com a situação trabalhista encontrada e que os contratos com a empresa Fênix eram apenas para carga e descarga de uvas.

Maior resgate ocorreu na produção de cana em Goiás

A operação em Bento Gonçalves permaneceu pouco tempo como a que resgatou a maior quantidade de escravizados. Em março, 212 foram encontrados no plantio de cana-de-açúcar em Goiás. Eles estavam alojados em Itumbiara e Porteirão (GO) e Araporã (MG) e atuavam para a mesma prestadora de serviços que fornecia mão de obra a quatro fazendas e uma usina.

A prestadora de serviços terceirizados SS Nascimento Serviços e Transporte e cinco tomadores – quatro fazendas de cana e a unidade de Edéia (GO) da usina BP Bunge Bionergia (uma das maiores processadoras de cana do país) – assumiram a responsabilidade e se dividiram para pagar os trabalhadores.

Elas eram arregimentados no Piauí, no Maranhão e no Rio Grande do Norte através de “gatos” (contratadores de mão de obra) e transportados de forma clandestina para atuar na produção de cana em Goiás. “Quem tinha um pouco de dinheiro, comprava um colchão. Quem não tinha, dormia no chão, em cima de panos ou de papelão”, explicou à coluna o auditor fiscal Roberto Mendes, coordenador da operação.

Na época, a SS Nascimento Serviços e Transporte disse que “todos os fatos alegados serão devidamente esclarecidos no bojo dos processos administrativos e judiciais”. Já a BP Bunge Bioenergia disse, também em nota, que a empresa “agiu rapidamente em defesa dos trabalhadores para garantir as prioridades sociais e humanas e arcou prontamente com os pagamentos indenizatórios”.

Desembargador levou resgatada da escravidão de volta para casa

Sônia Maria de Jesus, resgatada de trabalho escravo doméstico por uma equipe de fiscalização na casa de um desembargador de Santa Catarina, em junho, foi levada de volta por ele para sua residência com anuência do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, em setembro.

A Procuradoria-Geral da República denunciou Jorge Luiz de Borba e sua esposa, Ana Cristina Gayotto, pelo crime de submissão de alguém à condição análoga à de escravo previsto no artigo 149 do Código Penal. E endossou pedido da Defensoria Pública da União (DPU) para que ela seja novamente retirada da casa.

Com aval do ministro Mauro Campbell, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina Jorge Luiz de Borba levou Sônia de volta para a casa dele em 6 de setembro. Negra e surda, ela estava em um abrigo desde que havia sido resgatada.

Diante da operação de resgate, o casal negou todas as acusações, disse que Sônia foi criada como uma filha e entrou com um ação para ser restituída ao seu convívio familiar.

Logo após a decisão de Campbell, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, negou um habeas corpus impetrado pela DPU contra a decisão do STJ. Ambos autorizaram o desembargador e sua esposa a visitarem Sônia no abrigo e a levarem de volta para a residência deles, em Florianópolis (SC), caso ela demonstrasse “vontade clara e inequívoca”

Em seu parecer, a PGR afirma que há laudos técnicos que atestam a vulnerabilidade da mulher e a impossibilidade de sua manifestação de vontade de forma livre e inequívoca. E que há oito depoimentos prestados por ex-funcionários do casal confirmando que ela trabalhava cotidianamente sem o recebimento de salários.

Sônia tem deficiência auditiva, mas nunca havia sido ensinada a ela a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Com isso, ela se comunicava principalmente por gestos com a família. Ela começou a aprender Libras e português no abrigo onde ficou após resgatada. Ela está há quase 40 anos com a família.

Segundo a fiscalização, na casa do desembargador, ela fazia refeições com as demais empregadas e realizava tarefas domésticas necessárias à rotina da residência, como arrumar camas, passar roupas e lavar louças sem o devido registro em carteira, sem receber salário, sem jornada de trabalho, férias e descansos semanais definidos. Não tinha acesso a atendimento de saúde, tendo perdido dentes.

Jorge Luiz de Borba afirmou que ela é sua filha afetiva, prometendo adotá-la. Contudo, uma postagem no Instagram de sua esposa mostra Sônia relacionada em uma lista de “funcionárias” do casal, conforme esta coluna revelou ainda em junho. Questionada pelo UOL, na época da publicação do resgate sobre as postagens no Instagram, a família Borba afirmou, através de sua assessoria, que “em respeito às decisões da Justiça, não haverá manifestação enquanto perdurar o sigilo”.

Trabalho escravo contemporâneo no Brasil

A Lei Áurea aboliu a escravidão formal em maio de 1888, o que significou que o Estado brasileiro não mais reconhece que alguém seja dono de outra pessoa. Persistiram, contudo, situações que transformam pessoas em instrumentos descartáveis de trabalho, negando a elas sua liberdade e dignidade.

Desde a década de 1940, a legislação brasileira prevê a punição a esse crime. A essas formas dá-se o nome de trabalho escravo contemporâneo, escravidão contemporânea, condições análogas às de escravo.

De acordo com o artigo 149 do Código Penal, quatro elementos podem definir escravidão contemporânea por aqui: trabalho forçado (que envolve cerceamento do direito de ir e vir), servidão por dívida (um cativeiro atrelado a dívidas, muitas vezes fraudulentas), condições degradantes (trabalho que nega a dignidade humana, colocando em risco a saúde e a vida) ou jornada exaustiva (levar ao trabalhador ao completo esgotamento dado à intensidade da exploração, também colocando em risco sua saúde e vida).

Os trabalhadores resgatados, desde 1995, estavam em fazendas de gado, soja, algodão, café, frutas, erva-mate, batatas, cebola, sisal, na derrubada de mata nativa, na produção de carvão para a siderurgia, na extração de caulim e de minérios, na construção civil, em oficinas de costura, em bordéis, no serviço doméstico, entre outras atividades.

Como denunciar

Denúncias de trabalho escravo podem ser feitas de forma sigilosa no Sistema Ipê, sistema lançado em 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em 2022, 1.654 foram enviadas pelo sistema. Denúncias também podem ser feitas através do Ministério Público do Trabalho, unidades da Polícia Federal, sindicatos de trabalhadores, escritórios da Comissão Pastoral da Terra, entre outros locais.

Fonte: Uol

Nuvem tóxica assusta moradores de Maceió

Depois do desastre ambiental provocado pela Braskem, moradores se assustaram com o aparecimento de uma nuvem tóxica que pairou sobre Maceió

Para o professor Dilson Ferreira, o lixão em Cruz das Almas, foco do incêndio que provocou a névoa, é uma “bomba-relógio”.

A nuvem de fumaça que pairou sobre vários bairros de Maceió nessa segunda (1º) e terça-feira (2) é tóxica, por ter origem no antigo Lixão de Cruz das Almas, e é fruto de um grande crime ambiental. A névoa também revela a insegurança e os riscos à saúde das pessoas que moram, trabalham ou passam por aquele bairro. O alerta foi feito ao 082 Notícias pelo professor, arquiteto e urbanista Dilson Ferreira (assista ao vídeo no final da matéria).

“Fumaça tóxica, fumaça de lixo, fumaça de matéria orgânica, fumaça de deposição de resíduos de décadas. Lá tem gás, lá tem chorume, mas tem muita matéria orgânica. Então, querendo ou não, é crime”, explicou.

Segundo ele, o equipamento, que é administrado por uma empresa privada, deveria merecer maior atenção da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) e do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), devido ao risco que representa para a população em uma das áreas que mais crescem na capital alagoana.

O professor Dilson Ferreira denuncia que o antigo Lixão é uma verdadeira “bomba-relógio” plantada naquele local. “Na Avenida Josefa de Melo tem o Atacadão, alguns prédios que estão sendo construídos e tem shopping center. Gente, por lei, um raio de 500 metros deveria ser preservado [para edificações]e nada disso foi feito”, alertou.

De acordo com o arquiteto e urbanista, existem inquéritos e processo no Ministério Público, que não avançaram e a cidade vai crescendo ao redor do antigo Lixão de maneira desorganizada. “Ali tem risco de desabamento, que já ocorreu em 2015. Também tem risco de fumaça como ocorreu de ontem para hoje e tem risco de vazamento de chorume como já ocorreu indo para o riacho das Águas Férreas”, lembrou.

Dilson sugere que os órgãos ambientais deveriam “colocar uma lupa naquilo e fazer sim programa de mitigação, programa de monitoramento e ter que publicizar esses dados para a universidade, para a sociedade, para os investidores que estão ali”, ao citar hospitais que estão investindo lá, como a Unimed.

O setor imobiliário também pode ser prejudicado. “Como é que as pessoas vão investir na região se não têm segurança? Então, gente, dessa vez foi fumaça, mas pode ser que seja pior da próxima vez”, afirmou.

Redação com 082 Notícias

Uneal oferta 1.115 vagas para cursos de graduação pelo SiSU 2024

Podem concorrer os candidatos que tenham participado da edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), referente ao ano de 2023

A Universidade Estadual de Alagoas vai ofertar 1.115 vagas no Sistema de Seleção Unificada (SiSU), distribuídas em 33 cursos de graduação nos campi de Arapiraca, Santana do Ipanema, Palmeira dos Índios, São Miguel dos Campos, União dos Palmares e Maceió. O termo de adesão e o edital de abertura estão disponíveis no site da Universidade.

Os candidatos poderão escolher entre os cursos de Administração, Ciências Biológicas, Ciências Contábeis, Direito, Geografia, História, Letras – Português e Francês, Letras – Inglês e suas respectivas literaturas, Letras – Português e respectivas literaturas, Letras – Português e Espanhol, Matemática, Pedagogia, Administração, Física, Zootecnia e Química.

As inscrições para os cursos cujas vagas serão ofertadas por meio Sisu/Uneal 2024.1 deverão ser realizadas no período de 22 de janeiro de 2024 até às 23h59min do dia 25 janeiro de 2024, observado o horário oficial de Brasília-DF, exclusivamente pela internet, por meio do portal do SISU, no endereço eletrônico www.sisu.mec.gov.br. Podem concorrer os candidatos que tenham participado da edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), referente ao ano de 2023.

Fonte: Ascom Uneal

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