Professores temporários são 43% nas redes estaduais, precarização avança em todo o Brasil

Dados analisados pelo Todos pela Educação apontam que 43,6% dos temporários atuam há ao menos 11 anos na profissão. Estratégia garante corpo docente regular com precarização dos contratos de trabalho.

O Brasil nunca teve um número tão baixo de professores concursados atuando nas redes estaduais: eram 505 mil em 2013 (68,4% do total), efetivo que caiu para 321 mil no ano passado (46,5%), aponta levantamento do Todos pela Educação. A queda ocorre paralelamente à consolidação de outro tipo de contratação nos estados, os professores temporários.

“Esse tipo de contratação deveria ser uma exceção, a ser utilizada em casos específicos previstos na legislação, mas o que vemos é que ela tem se tornado a regra nas redes estaduais de ensino”, afirma a Ivan Gontijo, gerente de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação.

Segundo levantamento do Todos, o total de temporários supera o de concursados desde 2022. “Em 2023, as redes contavam com 356 mil temporários (alta de 55% em uma década), contra 321 mil professores efetivos (queda de 36% no mesmo período)”, analisa o levantamento.

Ao longo destes 10 anos, o total de professores em atuação (concursados ou temporários) teve uma redução de 57 mil docentes, o que o Todos pela Educação aponta estar alinhado com a diminuição de matrículas da educação básica, uma consequência da dinâmica demográfica brasileira, do aumento das taxas de aprovação e da redução da evasão escolar.

A quantidade de professores temporário e efetivos também varia bastante de acordo com a Unidade Federativa. O levantamento mostra que, em 2023, 14 estados e o Distrito Federal possuíam mais efetivos do que temporários.

Nesse cenário, Minas Gerais é o estado com maior porcentagem de temporários na rede estadual, com cerca de 80% dos professores sendo contratados nessa modalidade. A porcentagem também supera os 70% em estados como Tocantins, Acre, Espírito Santo e Santa Catarina. (veja no gráfico abaixo)

Já o Rio de Janeiro é o estado com a maior taxa de professores efetivos (96%). Na Bahia, Pará e Rio Grande do Norte, as porcentagens também são elevadas, superando os 90%.

Precarização do trabalho

O modelo de contratação de temporários significa custos menores para estados: na remuneração, há 15 redes em que o salário dos professores temporários, calculados por hora, é menor que o de professores efetivos em início de carreira, chegando a uma diferença de até 140%, no caso de Pernambuco. Nas outras 10 redes analisadas, não há diferença.

💵”Essa diferença pode ser, inclusive, um dos motivos relacionados ao aumento no número de professores temporários, que podem ser menos onerosos para o estado, já que estes docentes não estão dentro da carreira e, ao se aposentar, não entram na previdência estadual. Além disso, em algumas redes, é comum que professores temporários não tenham os mesmos direitos trabalhistas e benefícios dos efetivos“, analisa o estudo do Todos.

A precarização do trabalho aparece ainda no tempo de contrato: em nove redes estaduais, o tempo de contrato de professores temporários é de apenas 24 meses, o que obriga que os professores enfrentem um processo de seleção a cada 2 anos, sem garantia de remuneração no intervalo entre os contratos.

Fonte G1

Diretor interventor de escola estadual agride liderança estudantil

Hoje (24) de abril, estudantes da Escola Estadual Pastor José Tavares no Benedito Bentes, organizaram um ato em frente a escola cobrando conserto dos ventiladores existentes e ar-condicionados, devido ao forte calor que vêm sofrendo nas salas de aula. Muitos destes alunos já passaram mal, desmaiaram ou não conseguem estudar da forma devida.

Em meio ao ato, o diretor da escola chegou de carro, avançando para cima dos estudantes e tentando intimidar, dizendo que não possuíam direito de se manifestar, querendo colocar os estudantes para dentro debaixo de ameaças de suspensão.

Neste momento, Patrik Lira, presidente da UNIÃO DOS ESTUDANTES SECUNDARISTAS DE ALAGOAS – USEA, tentou diálogo, defendendo o direito à livre manifestação e a realização de um ato pacífico e justo dos estudantes. O diretor, policial da reserva e interventor indicado pelo governo Paulo Dantas, primeiro gritou com ele, mandando sair da frente da escola e proibindo o mesmo de entrar. Logo depois, bateu com os punhos no peito de Patrik, empurrando-o com uso da força.

A agressão mostra o despreparo do policial – não eleito pela comunidade – em ocupar um cargo de educador e revela o atraso do projeto educacional do governo de Alagoas.

Escola não é lugar para milico intimidar os estudantes, ameaçando-os de expulsão, quando eles se organizam para defender seus direitos.

Nesse sentido, Patrik Lira, com todo apoio de sua organização, a Unidade Popular, prestou depoimento e registrou um B.O. para que essa agressão não fique impune.

Basta de violência contra quem se levanta para lutar por direitos!

Todo apoio ao camarada Patrík!
FORA DIRETOR AGRESSOR!

Fonte: Ascom/USEA

Moradores do Bom Parto protestam contra a BRK

População reclama da constante falta de água no bairro

Moradores do Bom Parto bloquearam, novamente, na manhã desta quinta-feira (25), a Rua General Hermes, para protestar contra a falta de água no bairro. Ontem à noite, eles também fecharam as ruas para cobrar providências.

Os manifestantes atearam fogo em pneus e madeiras para bloquear a passagem de veículos na região. Eles aguardam a presença de representantes da BRK no local.

Conforme os moradores, caso não sejam atendidos eles vão fechar a Avenida Fernandes Lima, em mais um protesto, ainda sem data definida.

Em nota, a BRK informou que está investigando as causas do desabastecimento na região e que já acionou a Casal para verificar as estruturas que produzem a água para a localidade. Além disso, a empresa está enviando caminhões-pipa aos moradores.

Fonte: Gazeta Web

Zambelli e Delgatti forjaram a soltura de líder do CV condenado a 200 anos de prisão

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou nesta terça-feira (23) ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma denúncia contra a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e o hacker Walter Delgatti Neto.

A PGR destacou que a invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pela qual ambos estão sendo acusados, poderia ter levado à soltura de Sandro Silva Rabelo, conhecido como “Sandro Louco”, líder do Comando Vermelho (CV) no Mato Grosso.

Segundo o colunista Lauro Jardim, do Globo, Rabelo foi preso mais de duas décadas atrás e acumulou penas que superaram os 200 anos por crimes como falsificação, roubo, homicídio, latrocínio, sequestro e cárcere privado, além de porte de arma de fogo.

O episódio, conforme a procuradoria relatou ao ministro Alexandre de Moraes com base em informações da Polícia Federal (PF), ocorreu em 5 de janeiro de 2023.

Na ocasião, o hacker se infiltrou no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP, mantido pelo CNJ) e inseriu um alvará de soltura supostamente autorizado pelo juiz Leonardo de Campos Costa e Silva Pitaluga, da 2ª Vara Criminal de Cuiabá.

O documento era falso e foi descoberto cinco dias após sua emissão. De acordo com a denúncia da PGR, qualquer usuário do BNMP poderia acessar o conteúdo, incluindo no “modo público” da plataforma.

Sendo assim, “o alvará poderia ter alcançado o efeito da soltura de sentenciado a duas centenas de anos de reclusão”.

Diante dessas falsificações, a PGR solicitou a condenação de Zambelli e Delgatti pelos crimes de invasão a dispositivo informático e falsidade ideológica.

Além do alvará falso da Justiça do Mato Grosso, foram identificados pelo menos outros três no Distrito Federal e cinco no Rio Grande do Sul. Também foi expedido um mandado de prisão contra Moraes.

Segundo a PGR, a deputada bolsonarista teria direcionado a invasão para minar a credibilidade do Judiciário, semelhante à estratégia adotada pelo bolsonarismo à época com o sistema eleitoral brasileiro.

Fonte: DCM

Na Argentina, Milei é encurralado nas ruas por 1 milhão de pessoas

Os organizadores estimam 800 mil manifestantes na Praça de Maio e no Congresso, que atingiu 1 milhão de pessoas, o que forçou a retirada de qualquer repressão e iniciou um marco de resistência na era Milei. 

O presidente argentino Javier Milei foi encurraldo pelas ruas de Buenos Aires, ontem, segundo registro do jornal Página 12.

A Marcha Federal Universitária superou todas as expectativas e projeções dos organizadores, transbordou todas as ruas do Congresso até a Praça de Maio. Reuniu além de professores, estudantes e servidores das instituições de ensino.

De acordo com os relatos, o protesto foi festivo, heterogêneo, transversal. Atravessou gerações, filiações sociais e partidárias. Revelou – já se sabia, mas ontem foi reafirmado com tanta contundência que elevou esta certeza à ordem de manifesto – que a educação pública é um valor identitário fundador da sociedade argentina, inalienável. 

O movimento estudantil 23 de Abril mobilizou uma multidão que os organizadores estimaram em 800 mil pessoas, e que atingiu um milhão de manifestantes contando as marchas nas principais cidades do país, também com público recorde. Tornou-se assim um grande marco político de resistência às políticas neoliberais do governo de Javier Milei, liderado por uma parcela tão significativa da população que não deixa espaço para as habituais desqualificações.

A quantidade de pessoas nas ruas interrompeu a avidez repressiva da ministra Patrícia Bullrich, que no início da tarde trouxe a tropa de choque e viaturas policiais para se exibirem de forma ameaçadora, apenas para logo recuar diante dos rios de gente que começava a chegar.  

As faixas e cartazes não deixaram dúvidas do ânimo dos manifestantes contrários a Milei e à sua política neoliberal: “Não deixe que o privilégio atrapalhe sua empatia.” “Rebelde-se e eduque-se.” “Mais dinheiro para educar, não para reprimir”. “Mais Telam, menos Twitter.” “Você não nos quer livres, você nos quer ignorantes.” “Viva a educação, droga.” “Milei, perceba, Conan está morto e a universidade pública está mais viva do que nunca.” E num lenço branco: “Os lápis continuam escrevendo”. 

O que se projeta na Argentina com essa mobilização é o início da derrocada de Milei e da extrema direita. No entanto, as consequências desta queda também poderão ser sentidas em toda a América Latina e até nos países em que o fundamentalismo político se instalou, a exemplo da Itália e Hungria, e onde pretende retornar, como nos Estados Unidos. Qual seja, a manifestação do 1 milhão na Argentina teve um sentido global nestes tempos de extremismos.

Fonte: Blog do Esmael

Uma criança é morta a cada dez minutos em Gaza, sob ataques israelenses, alerta ONU

Uma criança é morta a cada dez minutos na Faixa de Gaza sitiada, sob ataques israelenses, advertiu Adnan Abu Hasna, assessor de imprensa da Organização das Nações Unidas para a  Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), em entrevista neste domingo  (21).

Abu Hasna reiterou os riscos da situação ao programa Querido Cidadão (Hadrat Al-Muwatin) da emissora por satélite Al-Hadath Al-Youm.

“A cada dez minutos uma criança é morta em Gaza; a cada dia, são 67 mulheres, dentre as quais 37 mães”, estimou Abu Hasna, conforme dados da ONU. “Estamos falando de milhares de órfãos — cerca de 18 mil órfãos que perderam tudo: família, amor e vida”.

Abu Hasna relatou que a cidade de Rafah, na fronteira com o Egito, abriga hoje mais de dois milhões de pessoas — de uma população total de 2,4 milhões em Gaza —, muito acima dos 150 mil habitantes antes da deflagração do genocídio israelense em 7 de outubro.

“Gaza vive dias críticos diante das promessas de Israel de lançar uma operação militar contra Rafah”, reafirmou Abu Hasna, ao insistir que não há lugar seguro para transferir as famílias, sobretudo impossibilitadas de retornar ao norte.

A UNRWA tampouco tem acesso ao norte de Gaza, apesar da crise de fome.

Comparado ao período pré-guerra, apenas um terço dos caminhões necessários para suprir a demanda da população carente entra em Gaza, sob impedimento arbitrário da ocupação israelense. O cerco, somado aos bombardeios indiscriminados, resultou em um colapso da saúde física e mental da população.

Israel mantém ataques a Gaza há mais de seis meses, deixando 34 mil mortos, 76 mil feridos e dois milhões de desabrigados. As ações israelenses são crime de guerra e genocídio.

Fonte: Monitor do Oriente

Ativistas de mais de 30 países navegam rumo a Gaza com ajuda humanitária para romper o cerco

Partirá de Istambul na próxima quarta-feira a Flotilha da Liberdade, coalizão de organizações e ativistas de mais de 30 países que há anos realiza expedições marítimas com ajuda humanitária com o objetivo de desafiar o bloqueio ilegal israelense em curso na Faixa de  Gaza e entregar ajuda humanitária à população palestina.

“A fome está sendo utilizada por Israel como uma arma de guerra. Já 27 crianças morreram de fome em Gaza e os índices de catástrofe estão entre os mais graves existentes no mundo. Na história recente, a situação que o povo de  Gaza enfrenta só é comparável à situação que 2 regiões da Somália passaram em 2011 e em partes do Sudão do Sul em 2017, com a diferença de que em Gaza hoje toda a população está sendo submetida a esse crime contra a humanidade”, afirma Thiago Ávila, representante do Brasil na Flotilha da Liberdade

Israel mantém  Gaza sob ocupação militar desde 1967 e sob cerco total desde 2007. Isso significa que qualquer criança de 0 a 17 anos (a maioria da população de Gaza está entre essa faixa etária) nunca viveu um único dia de sua vida em liberdade. As restrições impostas por Israel mesmo antes de outubro de 2023 impediam a entrada de itens essenciais como equipamentos médicos, alimentos (que ultrapassasse um cruel cálculo de calorias para cada pessoa, mas ainda mantendo a insegurança alimentar), materiais escolares e até coisas supérfluas e chocantes como vestidos de noiva, chocolates e óculos de mergulho.

As restrições, que já faziam organizações denunciarem Israel por transformar  Gaza na “maior prisão sem teto do mundo” pioraram muito após outubro de 2023, quando o ministro da Defesa, Yoav Gallant, declarou que os palestinos em  Gaza ficariam sem água, sem comida, medicamentos ou eletricidade como punição coletiva após os ataques de 7 de outubro. “Nós estamos enfrentando animais humanos e agiremos de acordo”, afirmou o ministro quando fechou totalmente as passagens para ajuda humanitária de Israel, além do cerco marítimo e aéreo e o controle que detém sobre a fronteira de Rafah, que separa o Egito do sul de Gaza.

“Antes da intensificação do cerco, 500 caminhões entravam diariamente em  Gaza com ajuda humanitária e já existia insegurança alimentar. Há quase 200 dias Israel restringiu a entrada para 0 a 200 caminhões diários, sendo a média dos últimos dias de 181 caminhões. O que já era um campo de concentração, se tornou um campo de extermínio, com mais de 34 mil pessoas assassinadas, entre elas mais de 14 mil crianças, e com a fome se tornando um risco de morte ainda maior que as bombas de Israel”, afirma o internacionalista Thiago Ávila.

Diante da intransigência de Israel, alguns países começaram a realizar entregas aéreas, porém com alcance limitado. Esse método é caro, perigoso (pessoas já morreram esmagadas ou afogadas, quando caem no mar) e serve mais para manobras de relações públicas de governos que querem aparecer como solidários à catástrofe humanitária palestina. Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, grande aliado estratégico de Israel e maior fornecedor de armas, segue enviando bilhões de dólares em ajuda militar incondicional, mas faz entregas aéreas de comida para diminuir o impacto sobre a opinião pública estadunidense em período eleitoral.

“Quando os governos falham, as pessoas comuns precisam dar um passo à frente. A Flotilha da Liberdade denuncia a inação dos governos e organismos internacionais para deter o genocídio. O que essas mais de mil pessoas estão fazendo colocando suas vidas em risco era papel dos governos e organismos multilaterais internacionais. Mas, se os governos não fazem, as pessoas comuns terão que deter o genocídio contra o povo palestino através de seus próprios meios”, aponta Thiago Ávila.

Levar ajuda humanitária aos palestinos em  Gaza é urgente, porém a Flotilha da Liberdade afirma que apenas isso não é suficiente. O grupo deseja pôr fim ao bloqueio ilegal e mortal de Israel, bem como ao controle geral de  Gaza por parte de Israel. “Permitir que Israel controle o que e quanta ajuda humanitária pode chegar aos palestinianos em Gaza é como deixar a raposa cuidar do galinheiro. E, no entanto, é isso que a comunidade internacional de Estados está a permitir, ao recusar sancionar Israel e desafiar as suas políticas genocidas, a fim de garantir que ajuda suficiente chegue à população civil encurralada, sitiada e bombardeada”, diz o pronunciamento da Flotilha da Liberdade.

Em 26 de janeiro, o Tribunal Internacional de Justiça decidiu que “o Estado de Israel continua obrigado a cumprir integralmente as suas obrigações ao abrigo da Convenção do Genocídio e da referida Ordem, inclusive garantindo a segurança e a proteção dos palestinos na Faixa de Gaza”. Em 28 de março, o TIJ ordenou medidas preliminares adicionais, que incluíam exigir que as forças israelenses parassem de “impedir, através de qualquer ação, a entrega de assistência humanitária urgentemente necessária” aos palestinos em  Gaza.

Fonte: Brasil 247

CPI da Braskem: senadores vão investigar superfaturamento na aquisição de hospital pela prefeitura de Maceió

O possível superfaturamento na aquisição de um hospital pela prefeitura de Maceió (AL) com dinheiro de indenização da Braskem chamou a atenção dos integrantes da CPI da Braskem nesta terça-feira (23). Ouvido pela comissão, o procurador-geral do município de Maceió, João Luis Lobo Silva, informou que do total de R$ 1,7 bilhão pactuado entre a mineradora e a prefeitura, somente R$ 950 milhões teriam sido pagos até agora. Desse valor, segundo o depoente, a gestão municipal decidiu aplicar cerca de R$ 260 milhões na compra de um hospital de alta complexidade ainda inacabado, o que causou perplexidade entre os senadores.

O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), disse ter experiência na construção de unidades hospitalares e, por isso, sabe quanto custa esse tipo de empreendimento. Na visão do parlamentar, os valores apontados pelo procurador-geral de Maceió são absurdos.

— Está de brincadeira, comprar um hospital por R$ 260 milhões, com cento e poucos leitos. Quero dizer que atenção básica é a responsabilidade do município. [Atendimento de] média e alta complexidade não é função da prefeitura e comprar um hospital de alta complexidade tem custo anual altíssimo. Além disso, um hospital não custa R$ 260 milhões em nenhum lugar, muito menos em Maceió. Em quatro anos, eu construí o maior hospital do Norte-Nordeste, e sei valores de cabeça. Aliás, nós vamos fazer uma visita e vamos conhecer porque é muito dinheiro para um hospital de pouco mais de cem leitos.

Aziz também criticou os documentos referentes à ação da Braskem em Maceió, bem como a atuação dos órgãos fiscalizadores.

— Os laudos feitos até agora, todos eles, são de uma irresponsabilidade total. A Agência Nacional de Mineração [ANM], com irresponsabilidade total; os órgãos fiscalizadores tanto do município como do estado, irresponsabilidade total. Se chegamos nesse caos, o próprio diretor da Braskem admitiu aqui que a responsabilidade era da empresa.

Averiguação

O senador Otto Alencar (PSD-BA) também avaliou como absurdos os valores apresentados pelo procurador-geral de Maceió na aquisição do empreendimento hospitalar e disse ser necessário os parlamentares averiguarem as instalações. Otto ressaltou a experiência dele enquanto médico e ex-secretário de saúde ao considerar superestimado o custo informado.

— Temos um hospital de alta complexidade na Bahia cuja estrutura custou R$ 60 milhões e tem quase 200 leitos. Com os equipamentos, chega a R$ 120 milhões. Para esse [de Maceió] estar custando R$ 266 milhões, a distância é muito grande — avaliou.

Otto também considerou inadmissível a prefeitura ter adquirido um hospital com recursos da indenização da Braskem sem que a comunidade tenha sido consultada, “até porque a prioridade da aplicação dos valores seria resolver os problemas dos desabrigados em virtude do afundamento do solo na região”.

— Daqueles que perderam suas casas, sem sua relocação, inclusive de móveis e utilitários domésticos que foram perdidos. Então, sem consultar, sem fazer audiência pública, receber recursos que são livres e, sem consultar essa comunidade inteira, comprar um hospital. Sem uma audiência com as principais vítimas do desastre ambiental, desse crime ambiental por negligência de todas as partes, não só da Braskem, mas também dos órgãos fiscalizadores.

Segundo João Luis, o hospital teria sido adquirido da iniciativa privada e a gestão estaria sob responsabilidade da prefeitura há cerca de três meses. O depoente alegou que um processo de investigação de superfaturamento aberto pelo Ministério Público foi arquivado e que a íntegra da documentação está disponível na página da prefeitura de Maceió na internet.

Questionamentos

O relator da CPI, senador Rogério Carvalho (PT-SE), quis saber se os moradores de Maceió foram consultados sobre a aquisição do hospital e de que forma a população pôde se manifestar sobre as tratativas da prefeitura junto à Braskem. Carvalho lembrou que a Braskem previu provisionamento de R$ 15,5 bilhões para a cobertura de todos os danos causados pela catástrofe envolvendo a exploração de sal-gema pela empresa. E ressaltou que esse valor inclui, entre outras destinações, indenizações dos moradores, fechamento das minas, obras de mobilidade e o pagamento de prejuízos à prefeitura.

Ao mencionar que a gestão municipal recebeu 1,7 bilhão, dos quais 300 milhões estão destinados ao Fundo de Amparo ao Morador, Rogério Carvalho quis saber onde o restante do recurso estaria sendo aplicado. O parlamentar também pediu que a prefeitura notifique a Braskem, para a mineradora corrigir os dados sobre o cumprimento dos acordos.

João Luis declarou que não teria condições de responder ao relator. Segundo o depoente, a discussão sobre os eventuais acordos, antes de 2021, não teve a participação da prefeitura. Além disso, o procurador afirmou que o acerto sobre a perda tributária e patrimonial fechado com a Braskem não teve audiência pública “por ser algo diretamente ligado ao município”.

Hospital referência

Autor do requerimento para a audiência pública desta terça-feira, o senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL) ressaltou que o hospital adquirido pela prefeitura de Maceió está localizado em área próxima à afetada pelo rompimento da mina da Braskem. Segundo Cunha, o empreendimento é reconhecido como “o melhor da cidade” e a compra foi feita pela gestão municipal devido a uma ineficiência do governo de Alagoas em oferecer atendimento em saúde.

— Saúde é competência do governo estadual, mas também foi a incompetência do governo estadual que levou o prefeito a tomar uma atitude. Não é justo as pessoas sofrerem para serem atendidas e a preocupação de um gestor não é deixar de fazer porque o outro não está fazendo. Mesmo não tendo responsabilidade direta, o faz, porque isso é cuidar das pessoas, cuidar de gente, cuidar de quem está sofrendo. O Hospital da Cidade é o melhor e tem o carimbo de ser municipal e estar em funcionamento. É justo que o pobre seja cuidado como o rico e a gente não pode se deixar se levar por outros comparativos.

Cálculo de perdas

Rogério Carvalho solicitou a João Luis o envio à CPI dos cálculos das perdas de arrecadação pelo município de Maceió, bem como as justificativas referentes a essa diminuição de recursos. O parlamentar lembrou que foram perdidas na cidade 40 escolas, duas unidades de saúde, dois parques, quatro praças, um campo de futebol e um cemitério. E salientou que entre as maiores dificuldades enfrentadas pela população está a falta de uma área para sepultamento de parentes.

— Apesar de o cemitério ter sido indenizado, temos o problema de um caos na área funerária, onde pessoas estão levando até três dias para enterrarem seus mortos. O cemitério Santo Antônio, no bairro de Bebedouro, foi fechado em 2020 devido ao afundamento do solo e reaberto em 2021 apenas para visitação. Há notícias de que a ausência de seu serviço agravou o colapso funerário na capital alagoana, que sofre com a falta de vagas para sepultamento. Há, inclusive, relatos de cidadãos de que as pessoas levam três dias para serem sepultadas atualmente. As obras para a construção do novo cemitério já foram iniciadas? Há um plano para remanejamento dos túmulos? — perguntou o relator.

João Luis alegou limitações funcionais para fazer os detalhamentos e pediu mais prazo para solicitar as informações à secretaria responsável. O depoente observou que a prefeitura ainda não recebeu a totalidade do dinheiro pactuado com a Braskem. Mas apontou algumas ações previstas pelo município com o dinheiro da indenização. Ele se comprometeu em enviar à comissão os documentos e informações solicitados pelos senadores ao longo da reunião.

— Estou sendo questionado sobre vários pontos que fogem muito da minha atribuição. O prejuízo da prefeitura de Maceió girou em torno de 1,4 bilhão ao longo de dois anos e a atual gestão tem linhas para a aplicação do recurso [pactuado com a Braskem], embora ele seja desvinculado: saúde, educação, assistência social e amparo aos moradores. Serão criadas mais de qutro mil vagas em creches, com a previsão de chegada de dez mil vagas até o fim de 2024. São áreas definidas e com aplicação transparente, com rubrica própria — declarou.

Novo vice-presidente

Nesta terça-feira, a comissão aprovou o nome do senador Dr. Hiran (PP-RR) como novo vice-presidente da CPI da Braskem. O ex-vice presidente era o senador Jorge Kajuru (PSB-GO), que precisou renunciar à função por ter assumido a presidência da CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas.

Fonte: Agência Senado

Manifestantes pró-palestinos são presos e manifestações se espalham pelos EUA

Manifestantes bloquearam o tráfego nesta segunda-feira em torno do campus de Yale em New Haven, Connecticut, exigindo que a escola se desvinculasse de fabricantes de armas

Dezenas de pessoas foram levadas sob custódia durante uma manifestação pró-palestinos na Universidade de Yale nesta segunda-feira, horas depois da Universidade de Columbia cancelar aulas presenciais para aliviar as tensões em seu campus de Nova York, onde a polícia reprimiu um acampamento na semana passada.

Manifestantes bloquearam o tráfego nesta segunda-feira em torno do campus de Yale em New Haven, Connecticut, exigindo que a escola se desvinculasse de fabricantes de armas militares, o que levou a polícia a conduzir as prisões, segundo imagens compartilhadas nas redes sociais.

Mais de 40 pessoas foram detidas pela polícia, segundo o Yale Daily News, um site de notícias tocado por estudantes. Autoridades da Universidade de Yale não puderam ser contatadas para comentários.

Protestos em Yale, Columbia e outras universidades ao redor dos EUA começaram em resposta à mais recente escalada do conflito entre israelenses e palestinos, que começou em 7 de outubro com um ataque entre fronteiras dos militantes do Hamas e a forte resposta de Israel no enclave de Gaza, controlado pelo Hamas.

Ativistas dos direitos humanos destacaram um crescimento geral em preconceito e ódio contra judeus, árabes e muçulmanos desde 7 de outubro. Houve uma preocupação especial nos últimos dias, com o feriado judaico do Pessach começando na segunda-feira.

Em um comunicado nesta segunda-feira, a presidente da Columbia, Nemat Minouche Shafik, afirmou que a universidade cancelou aulas presenciais e novamente denunciou linguagem antissemita e comportamento intimidador e agressivo que, segundo ela, aconteceram no campus recentemente.

A decisão de cancelar aulas no campus de Nova York foi tomada após a prisão de mais de 100 manifestantes. Alguns deles armaram dezenas de barracas no que a universidade afirmou ter sido um protesto não autorizado que atrapalhou as atividades universitárias.

“Essas tensões têm sido exploradas e amplificadas por indivíduos que não são afiliados à Columbia que vieram ao campus para buscar suas próprias agendas”, disse Shafik, que, na semana passada, prestou depoimento a um comitê da Câmara dos EUA, defendendo a resposta da universidade ao suposto antissemitismo de manifestantes. “Precisamos de um reset.”

O Departamento de Polícia de Nova York enviou dezenas de agentes para as movimentadas ruas de Manhattan ao redor do campus da Universidade de Columbia, onde se registraram confrontos entre grupos pró-palestinianos e pró-Israel.

“Recebemos relatos de que estudantes israelenses que caminhavam no campus viram as suas bandeiras serem-lhes retiradas, arrancadas das suas mãos”, disse Tarik Shappard, porta-voz do chefe da polícia, numa conferência de imprensa realizada nesta segunda-feira no exterior do campus. “Mas não recebemos quaisquer relatos de danos físicos contra qualquer estudante.”

Os estudantes manifestantes passaram várias noites dormindo ao relento no relvado e, desde então, voltaram a montar barracas. Os estudantes organizaram orações muçulmanas e judaicas no acampamento e alguns proferiram discursos condenando Israel e o sionismo e elogiando a resistência armada palestina

Acampamentos pró-palestinos similares também foram organizados no Emerson College, de Boston, e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, na vizinha Cambridge.

O presidente Joe Biden disse em um comunicado no domingo que sua administração usará toda a força do governo federal para proteger a comunidade judaica. “Mesmo nos últimos dias, nós vimos os assédios e chamadas de violência contra judeus. Esse antissemitismo flagrante é repreensível e perigoso — e absolutamente não tem um lugar em campus universitários ou em qualquer lugar do país”, disse.

Estudantes organizadores do acampamento da Universidade de Columbia responderam às alegações de antissemitismo da Casa Branca nos protestos pró-palestinos no campus. Eles afirmaram que eles estavam sendo identificados equivocadamente e que alguns “indivíduos inflamatórios” não representam o movimento.

A presidente da Universidade de Columbia escreveu no seu e-mail para todo o campus que os manifestantes devem estar abertos a um compromisso. “Não podemos deixar que um grupo dite os termos e tente perturbar marcos importantes… para fazer avançar o seu ponto de vista”, afirmou Shafik.

Fonte: Brasil 247

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