Polícia prende técnicos de enfermagem suspeitos de matar pacientes no DF

A Polícia Civil do Distrito Federal está investigando a suspeita de que ex-técnicos de enfermagem de um hospital particular mataram ao menos três pacientes, aplicando-lhes uma substância letal.

Dois suspeitos, um homem e uma mulher, foram detidos no último dia 11, quando a Polícia Civil deflagrou a chamada Operação Anúbis – nome alusivo à divindade egípcia representada por uma criatura com corpo de homem e cabeça de chacal e considerada a guia das almas desencarnadas.

Também investigada, uma mulher foi presa na última quinta-feira (15), ocasião em que os policiais apreenderam dispositivos eletrônicos e outros elementos probatórios que poderão auxiliar os investigadores que apuram a denúncia.

Os três óbitos ocorreram nos dias 19 de novembro e 01 de dezembro de 2025 no Hospital Anchieta, em Taguatinga, região administrativa do DF, mas o caso só veio a público nesta segunda-feira (19). A Polícia Civil trata as mortes como homicídios e como o caso tramita em segredo de Justiça, não divulgou os nomes dos investigados e das três vítimas identificadas. A motivação para os crimes também não foi esclarecida.

Durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta segunda-feira (19), o delegado Wisllei Salomão se limitou a informar que as vítimas são uma professora aposentada, de 75 anos; um servidor público de 63 anos e um homem de 33 anos.

“Eles foram mortos pela ação de quem deveria estar cuidando deles”, declarou o delegado. 

O delegado disse que as provas reunidas indicam que os três técnicos de enfermagem injetaram um medicamento indevido nas três vítimas. “É um medicamento comum, usado nas UTIs, mas que, se aplicado diretamente na veia [do paciente], como foi o caso, provoca parada cardíaca e a morte”.

Ainda de acordo com o delegado, os investigadores analisaram imagens registradas pelo sistema de câmeras instalado na UTI do Hospital Anchieta, um dos mais tradicionais do Distrito Federal; os prontuários dos pacientes e ouviram a outros funcionários do hospital.

“Constatamos que um técnico de enfermagem aproveitou que o sistema estava aberto, logado em nome de médicos, e, em ao menos duas ocasiões, receitou o medicamento [indevido], foi até a farmácia, pegou o medicamento, o preparou, escondeu a seringa no jaleco e a aplicou em três vítimas”, acrescentou o delegado.

Wisllei Salomão assegurou que as duas técnicas de enfermagem já detidas foram coniventes com a ação. “Uma delas o auxiliou a buscar essa medicação na farmácia e também estava presente no momento em que o medicamento foi ministrado.”

Ainda de acordo com Salomão, em uma das vítimas, o técnico de enfermagem injetou desinfetante, além do medicamente indevido. “Quando o medicamento acabou, ele pegou um desinfetante […] o colocou no copinho plástico, sugou o desinfetante numa seringa e injetou [o conteúdo ] por mais de dez vezes em uma das pacientes.

Circunstâncias atípicas

Em nota, o Hospital Anchieta, informou que demitiu os três auxiliares e acionou a Polícia Civil após um comitê interno ter analisado as “circunstâncias atípicas” em que os três pacientes que estavam internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) morreram.

“Em menos de 20 dias, a investigação célere e rigorosa [do comitê] resultou na identificação de evidências envolvendo os ex-técnicos de enfermagem”, acrescentou o hospital, garantindo que, ao registrar queixa contra os ex-funcionários, compartilhou com a Polícia Civil tudo o que os membros do comitê descobriram.

“O hospital, também vítima da ação destes ex-funcionários, se solidariza com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a Justiça”, expressou o Anchieta, garantindo ter entrado em contato com parentes das três vítimas, prestando todos os esclarecimentos necessários, respeitado o segredo de justiça.

Suspeitos

De acordo com a Polícia Civil, após ter sido demitido do Hospital Anchieta, o técnico de enfermagem acusado de injetar o medicamento indevido e desinfetante na veia de ao menos três pacientes, continuou trabalhando em uma UTI infantil. Ele tem 24 anos e também é estudante de fisioterapia. As duas técnicas de enfermagem detidas têm 28 e 22 anos. A primeira também já trabalhou em outros hospitais. A segunda, estava em seu primeiro emprego na área.

“A investigação continua. Eles [os investigados] estão presos temporariamente, por 30 dias. A gente vai [procurar] identificar se outras pessoas contribuíram para esse crime. E instalar um novo procedimento para identificar, nos hospitais onde essas pessoas trabalharam, se ocorreram mortes com este mesmo padrão […] Também vamos analisar os aparelhos celulares aprendidos, os computadores dos autores, para ver se conseguimos esclarecer melhor o porquê deles terem praticado esses crimes”, concluiu o delegado Wisllei Salomão.

Consultado pela reportagem da Agência Brasil, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios se limitou a informar que, tão logo receba o procedimento apuratório, avaliará as medidas cabíveis.

Fonte: Agência Brasil

Fortuna de 12 bilionários supera a renda de metade da população mundial

Os 12 mais ricos do mundo concentram mais riqueza que os 4 bilhões mais pobres; Brasil lidera desigualdade na América Latina. Segundo a Oxfam aponta que a fortuna dos super-ricos cresceu, em um ano, duas vezes o valor do PIB brasileiro.

O mundo chegou a 2026 com um retrato extremo da desigualdade crescente. Segundo o novo relatório da Oxfam, divulgado neste domingo (19), no marco da abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, os 12 bilionários mais ricos do planeta concentram mais riqueza do que os 4 bilhões de pessoas mais pobres do mundo, o equivalente à metade da população global.

O estudo mostra que 2025 foi um ano recorde para os super-ricos. Pela primeira vez, o número de bilionários ultrapassou a marca de 3 mil pessoas, enquanto a riqueza total desse grupo chegou a cerca de US$ 18,3 trilhões (aproximadamente R$ 91,5 trilhões), o maior patamar já registrado. Apenas no último ano, esse patrimônio cresceu US$ 2,5 trilhões (R$ 12,5 trilhões) – valor que, segundo a própria Oxfam, seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes.

O dado chama ainda mais atenção quando comparado ao Orçamento da União para 2026, sancionado pelo governo federal no valor total de R$ 6,54 trilhões – ou seja, a fortuna dos bilionários cresceu, em um único ano, o dobro de todo o orçamento federal do Brasil.

Esse avanço acelerado da riqueza no topo contrasta com a estagnação e o agravamento das condições de vida da maioria da população mundial. O relatório aponta que uma em cada quatro pessoas no planeta enfrenta insegurança alimentar, enquanto quase metade da humanidade vive abaixo da linha de pobreza ampliada utilizada pelo Banco Mundial.

Para a diretora-executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago, esse cenário não pode ser tratado como um fenômeno natural. Ao Brasil de Fato, ela afirmou que a existência de mais de 3 mil bilionários é, antes de tudo, “a expressão de um mundo profundamente desigual”, construído a partir de decisões políticas. Segundo ela, “essa concentração de renda não caiu do céu, ela é resultado da atuação de governos, de potências e dos próprios bilionários para manter e ampliar esse modelo”.

Viviana também chama atenção para o impacto ambiental desse padrão de riqueza. Ela explica que os super-ricos concentram investimentos justamente nos setores mais poluentes e mantêm estilos de vida com alto consumo de recursos.

“Nos primeiros dias do ano, os super-ricos já haviam esgotado sua cota de carbono. Isso tem a ver com o modo de vida e com os setores em que eles lucram”, afirmou. Para a dirigente, essa combinação transforma a concentração de riqueza em uma ameaça “não só à democracia, mas ao futuro do planeta”.

Brasil lidera ranking de bilionários na América Latina

O relatório da Oxfam também destaca o papel do Brasil nesse cenário global de desigualdade. O país concentra o maior número de bilionários da América Latina e do Caribe, com 66 pessoas que acumulam juntas cerca de US$ 253 bilhões (aproximadamente R$ 1,26 trilhão), a maior fortuna total da região. Esse valor equivale a quase 20% de todo o Orçamento da União para 2026.

Esse volume de riqueza convive, segundo a organização, com um sistema tributário historicamente regressivo. A maior parte da arrecadação no país recai sobre o consumo e sobre a renda do trabalho, o que penaliza de forma desproporcional famílias de baixa renda, mulheres e pessoas negras. Ao mesmo tempo, rendas do capital seguem pouco tributadas.

Viviana Santiago afirma que o Brasil é um exemplo claro de como a desigualdade resulta de escolhas políticas. Para ela, quando poucos concentram tanta riqueza e pagam proporcionalmente menos impostos, “toda a sociedade perde”. A dirigente reconhece que a recente reforma do Imposto de Renda, com isenção para quem ganha até R$ 5 mil, representou um avanço ao ampliar a isenção para rendas mais baixas, mas avalia que o país ainda precisa enfrentar temas estruturais. Segundo ela, medidas como a taxação de lucros e dividendos, grandes fortunas e heranças seriam fundamentais para reduzir desigualdades históricas.

O relatório da Oxfam sustenta que a concentração extrema de riqueza não apenas aprofunda desigualdades sociais, mas também fragiliza a democracia. Ao analisar o cenário global, a organização afirma que, enquanto os super-ricos acumulam patrimônio em ritmo acelerado, governos em diferentes países optam por proteger esses interesses, em vez de investir em redistribuição de renda, garantia de direitos e combate à pobreza.

Fórum de Davos

O documento foi apresentado no Fórum Econômico Mundial, que acontece entre os dias 19 e 23 de janeiro, em Davos, na Suíça. O evento reúne mais de 400 autoridades políticas e empresariais de alto escalão – entre elas, cerca de 65 chefes de Estado e governo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participa do encontro, e o Brasil será representado pela ministra do Planejamento, Simone Tebet. Enquanto o tema oficial do fórum é “Um espírito de diálogo”, o relatório da Oxfam desafia diretamente o ambiente dominante no evento, marcado pela presença dos mesmos setores que, segundo a organização, concentram riqueza, distorcem democracias e bloqueiam reformas estruturais.

Fonte: Brasil de Fato

Mamata no TJ-SP: juízes receberam meio bilhão de reais só em dezembro

Em dezembro, 99,85% dos magistrados receberam valores acima do teto constitucional, definido pelo STF.

O maior holerite em dezembro foi o do desembargador Fábio Monteiro Gouvêa, que recebeu R$ 244.664,06 líquidos em dezembro. A remuneração bruta do magistrado no período chegou a R$ 332.671,04. O ‘abate teto’ – dispositivo de retenção por teto constitucional – no subsídio de Gouvêa foi de R$ 26,2 mil.

A folha de pagamento do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) apresentou, em dezembro de 2025, um volume de recursos que chamou atenção ao totalizar mais de R$546 milhões em remunerações a magistrados, segundo levantamento com base em dados públicos disponíveis no Portal da Transparência, no estado de São Paulo.

Dentre os pagamentos do mês de dezembro, houve casos de contracheques substanciais, com destaque para o desembargador que teve o maior rendimento líquido do período, ultrapassando R$ 244 mil, valor composto por salários, vantagens e outros itens registrados como “vantagens eventuais” ou gratificações, no estado de São Paulo.

Esses valores pagos além do teto constitucional são compostos por diferentes rubricas, como gratificações, vantagens eventuais e outros componentes previstos na legislação trabalhista e em decisões administrativas. 

O abatimento aplicado para ajustar parte desses benefícios foi, em muitos casos, modesto, especialmente no estado de São Paulo.

Em nota oficial, o TJSP informou que os repasses realizados em dezembro incluem parcelas retroativas e diferenças reconhecidas posteriormente, como férias não pagas e plantões trabalhados, e que seguem respaldo de decisões do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), conforme informações do estado de São Paulo.

O volume de recursos desembolsado pelo TJSP no último mês do ano ocorre em um contexto mais amplo de pagamentos elevados no Judiciário estadual brasileiro, especialmente em tribunais de grande porte impulsionados por regras sobre retroativos, gratificações e penduricalhos, que fazem parte da composição das folhas suplementares do estado de São Paulo.

Dados públicos indicam que esses pagamentos extraordinários, muitas vezes discutidos no debate público, decorrem de ajustes legais e fiscais dentro do próprio setor judiciário, e são divulgados regularmente nos portais de transparência dos tribunais do estado de São Paulo.

Fonte: Estadão e Diário do Poder

Na Venezuela, sanções dos EUA contribuíram para colapso econômico

Recessão de 2013 a 2022 consumiu cerca de 75% do PIB do país

Alvo recentemente de ações militares dos Estados Unidos com objetivo de promover mudanças de poder a partir da retirada de Nicolás Maduro da presidência, a Venezuela também sofre há anos os efeitos de sanções econômicas impostas pelo governo norte-americano, chamadas de Medidas Coercitivas Unilaterais.  

Estudos apontam que cercos econômicos prolongados têm sido cada vez mais utilizados como arma de política externa para pressionar ou derrubar determinados governos. O roteiro se repete em outros países, como o Irã.  

Para entender como essas sanções fragilizam as economias e o tecido social desses países, a Agência Brasil conversou com especialistas e analisou estudos científicos e relatórios das Nações Unidas (ONU) sobre o tema. 

A economista e socióloga Juliane Furno, professora adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), destaca que o objetivo das sanções é “asfixiar experiências políticas que fogem ao controle dos países imperialistas” , buscando gerar uma onda de descontentamento social que possa refletir em uma mudança de regime. 

Dona das maiores reservas de petróleo do planeta, a Venezuela é alvo de medidas econômicas dos Estados Unidos sob o argumento de proteção dos direitos humanos, defesa de democracia e combate ao narcotráfico. 

O embargo econômico 

O bloqueio financeiro e comercial contra a Venezuela obstruiu o financiamento da indústria petroleira; impôs restrições para o refinanciamento da dívida do país; dificultou as transações monetárias no mercado mundial; e congelou os ativos venezuelanos no exterior – ou os transferiram para o controle da oposição. 

O bloqueio de ativos da Venezuela também foi adotado por Portugal e Reino Unido. O Banco Central da Inglaterra confiscou 31 toneladas em ouro da Venezuela avaliados em US$ 1,2 bilhões. 

Washington colocou sob suspeita todas as transações vinculadas à Venezuela, o que levou ao bloqueio de canais financeiros com instituições de outras nações. 

Proibiu-se, ainda, o pagamento dos dividendos ao governo venezuelano provenientes da empresa Citgo, principal filial da estatal petroleira PdVSA no exterior. A Citgo foi liquidada pela justiça dos EUA, no final de 2025, para servir de ativo para os credores internacionais da Venezuela. A medida foi classificada por Caracas como “roubo”. 

A crise econômica da Venezuela 

Na Venezuela, a recessão de 2013 a 2022 consumiu cerca de 75% do PIB, impulsionando a imigração de mais de 7,5 milhões de pessoas, o que representa cerca de 20% da população do país. 

Especialistas divergem em relação à responsabilidade dos governos chavistas e das sanções dos EUA para a crise do país sul-americano. 

Enquanto a recessão no país começou no segundo semestre de 2014, na esteira da crise dos preços do petróleo, as primeiras sanções abrangentes contra a Venezuela foram adotadas em agosto de 2017. Era o primeiro governo de Donald Trump, que restringiu o acesso da Venezuela ao mercado financeiro norte-americano. 

Novas sanções foram aplicadas aos comércios de ouro, minérios, petróleo e diesel, entre 2018 a 2020. Além disso, o governo norte-americano aplicou sanções para empresas de outros países que negociavam com a Venezuela, medida chamada de sanções secundárias. 

economista venezuelano Francisco Rodríguez, professor da Universidade de Denver e crítico dos governos chavistas, reconhece o peso da gestão interna para a recessão do país antes de 2017. No entanto, pondera que o embargo econômico teve papel signficativo para o aprofundamento da crise. 

“Dizer que os venezuelanos estão fugindo unicamente por causa do regime de Maduro não passa de uma mera retórica que ignora a questão fundamental: o impacto das sanções nas condições de vida”, diz o especialista. 

As pesquisas do professor apresentam evidências que mostram “decisivamente que as sanções têm sido um dos principais fatores que contribuíram para o colapso econômico da Venezuela”, que levaram ao declínio dos padrões de vida observado desde 2012. 

Para Rodríguez, as sanções influenciaram os padrões migratórios ao interromperem as receitas do petróleo, que na Venezuela são usadas para financiar as importações de outros setores. 

“A reimposição de sanções de pressão máxima levaria a uma emigração estimada em 1 milhão de venezuelanos adicionais nos próximos cinco anos, em comparação com um cenário base sem sanções econômicas”, calculou o economista no final de 2024, diante da expectativa de endurecimento de sanções com o início do segundo governo Trump. 

O colapso da indústria petroleira 

A economista Juliane Furno acredita que a crise venezuelana pode ser explicada por dois fatores principais: a queda do preço do barril de petróleo e as sanções internacionais. 

“A Venezuela é um país rentista petroleiro. Mais de 95% das receitas de exportação vêm do petróleo. Em 2014 o barril do petróleo amargou uma redução de quase 70%. Isso explica a queda do PIB e o início do desabastecimento”, afirmou. 

Furno acrescenta que as sanções agravaram o quadro: tanto as diretas, que dificultaram as importações, quanto as indiretas, que desestimularam outros país e empresas a fazerem negócio com a Venezuela. 

De uma retração do setor petrolífero de 11,5% experimentada em 2017, o índice aumentou para 30,1% em 2018 – primeiro ano após a imposição do bloqueio financeiro. A diferença implicou na perda de US$ 8,4 bilhões em divisas necessárias para a manutenção das importações do país, aponta pesquisa do economista Jeffrey Sachs

Inflação 

Publicada pelo Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas (Cepr), sediado em Washington, o estudo considera que a perda bilionária de divisas e receitas em decorrência do bloqueio foi “muito provavelmente” o principal fator que empurrou a economia de sua inflação alta, quando as sanções de agosto de 2017 foram implementadas, para a hiperinflação que se seguiu.  

A hiperinflação na Venezuela se consolidou, oficialmente, em dezembro de 2017. 

A economista Juliane Furno acrescenta que a situação piorou ainda mais a partir de 2019, com o bloqueio das reservas em ouro e com a proibição da Venezuela acessar o principal mercado consumidor do seu petróleo, os Estados Unidos. 

O secretário de Segurança Nacional norte-americano, Jonh Bolton, calculou que a proibição do comércio do petróleo da Venezuela resultaria na perda de mais de US$ 11 bilhões em receitas de exportação em 2020. 

A professora da Uerj ressalta que a prova do peso das sanções é que a economia venezuelana começou a se recuperar a partir de 2022, no governo de Joe Biden, quando foram relaxadas algumas medidas.   

Segundo dados da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), ligada à ONU, a Venezuela apresentou um crescimento de 8,5% do PIB em 2024 e de 6,5% em 2025.

Estados Unidos 

As sanções econômicas contra a Venezuela são adotadas sob o argumento de pressionar Caracas para inibir violações de direitos humanos, levar a democracia para o país ou mesmo combater o narcotráfico internacional. 

A lei que viabilizou o atual bloqueio foi aprovada em dezembro de 2014, ainda sob o governo do democrata Barack Obama, cerca de um mês após o início de uma onda de protestos contra Nicolás Maduro conhecidos como “A Saída”, que pregavam a destituição do presidente. 

Em março de 2015, Obama edita a Ordem Executiva 1.692 que declara “emergência nacional” nos Estados Unidos sob a justificativa de que a Venezuela representa uma ameaça “incomum e extraordinária” para a segurança, autorizando o presidente a impor sanções econômicas contra o país sul-americano. 

Fonte: Agência Brasil

A PAPUDINHA PAPOU

Flávio Show – Funcionário dos Correios

Maceió, 18 de Janeiro/ 2026

Eles conseguiram uma vitória, não se dobraram aos abusos de uma cela, a perseguição durou muitos dias, foi implacável, sem um dia de sossego não importava a hora, a pressão e os abusos se intesificavam. Nas redes sociais, os cliks e os algoritmos bombavam, videos, lives, podcasts mostravam a realidade nua e crua e o sofrimento na Superindencia da Polícia Federal em Brasilia só aumentava, uma verdadeira guerra entre um algoz e um lado inocente pagando uma conta que não lhe cabia, sem sequer poder ser ouvido, mas enfim o dia da redenção chegou, um alívio que deve ser comemorado, Seu Jair enfim foi transferido e o ar condicionado e a cama estão em êxtase, o prédio está em festa, pois o sofrimento durou semanas e agora eles estão livres duma sentença injusta e um hóspede maldito e indesejado. A maior preocupação agora é saber se a Papudinha vai conseguir digerir o novo hóspede.
Deus, patria, familia, ar condicionado, cama e liberdade. Selva!

A maior ponte foi inaugurada essa semana pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois de 26 anos a ponte entre a América Latina e a União Europeia teve seus dois lados ligados. Uma travessia aberta para quase um 800 milhões de pessoas, um mercado gigantesco de produtos, um elo de ligação(elo de ligação foi froid ?), um elo entre dois continentes que prospectam um escambo moderno e redução de tarifas entre diversos produtos. Agora é aguardar e colher os frutos, as frutas, os azeites, os queijos, os carros. Lula fez a verdadeira ponte do futuro, totalmente diferente daquela prometida pelo golpista Michel Temmer. Voces lembram?

Depois da Senadora Damares Alves dizer numa entrevista que grandes pastores e igrejas estavam sendo investigadas na CPMI do INSS, a reação do “pastor” falastrão Silas Malafaia colocou fogo no parquinho. Ele cobrou nomes e os nomes que estão em documentos públicos se tornaram públicos e entre os investigados está o “pastor” André Valadão da Igreja Lagoinha. Todos negam relação com as fraudes do INSS.
Agora fica uma pergunta: Será que o dízimo das “ovelhinhas” ja era descontado em favor das igrejas automaticamente?
“Ouremos”

Pra finalizar; Lula foi convidado por Trump para fazer parte do Conselho de Paz em Gaza.

Reflexões* Flávio Show 2026 , ano 06 – Edição 267

Em onda de perseguição, colonos de Israel ateiam fogo em carros e casa em Jericó

Colonos ilegais israelenses atearam fogo a uma casa palestina nesta quinta-feira (15), na região de al-Murashahat, próxima ao campo de refugiados de Aqabat Jabr, no noroeste de Jericó, na Cisjordânia ocupada. A propriedade foi totalmente destruída.

O ataque coincide com uma nova onda de pogroms realizados por colonos israelenses no início do ano, contra os palestinos nativos, sobretudo comunidades beduínas na região. A organização de direitos humanos al-Baydar notou pânico entre residentes e vizinhos.

A casa pertencia à família Mleihat (Kaabneh).

Para a al-Baydar, os ataques coloniais são parte de uma política sistemática de assédio e intimidação voltada a expulsar os palestinos de suas terras.

A organização reiterou que crimes incendiários se tornaram modus operandi dos colonos contra os nativos e reivindicou proteção imediata de residentes palestinos, assim como a responsabilização, perante a justiça, dos agressores.

Em nota à parte, a Comissão Contra o Muro e os Assentamentos confirmou um aumento drástico de ataques coloniais na Cisjordânia em 2025, com 4.723 incidentes em diversas províncias, em meio a apoio político e securitário aos criminosos israelenses.

Organizações palestinas ressaltam que a agressão — sobretudo no contexto do genocídio em Gaza — buscam compelir o deslocamento das famílias nativas, para substitui-las por colonos ilegais, expandir assentamentos e anexar terras na Cisjordânia.

Fonte: Monitor do Oriente

Israel avança sobre a terra dos palestinos na Cisjordânia ocupada

O governo de Israel concedeu novas licenças nesta quarta-feira (14) para “legalizar” cinco postos coloniais na Cisjordânia ocupada, em iniciativa do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, a fim de enfraquecer prospectos de um Estado palestino.

As informações são da agência de notícias Anadolu.

Smotrich — líder do partido fundamentalista Sionismo Religioso — anunciou a decisão no Twitter (X), ao reportar que seu governo atribuiu “códigos oficiais” a Homesh, no norte da Cisjordânia, e outras quatro estações: Yondif, em Hebron; Jibot, no bloco de Gush Etzion, ao sul de Jerusalém; Betron, no Vale do Jordão; e Kedom Arava, também no norte.

Smotrich vangloriou-se de emitir 20 novos códigos de assentamentos no mês passado, no intuito de concluir a “regularização administrativa” dos postos ilegais. Os códigos servem então para integrar colonos a planejamento e serviços públicos, em contraste ao sistema de apartheid que incide às comunidades palestinas.

Para o ministro israelense, expressamente, a medida constitui a continuidade de esforços “para esmagar a ideia de um Estado palestino”.

Palestinos pedem há décadas que a comunidade internacional pressione Israel a cessar a expansão dos assentamentos em terras ocupadas, ilegais sob o direito internacional. Em julho, o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), de Haia, admitiu a ilegalidade da ocupação, ao instar evacuação de colonos e soldados; sem ações até então.

No contexto do genocídio em Gaza, Israel escalou ações para anexar a Cisjordânia, com ataques a campos de refugiados, destruição de casas, deslocamento forçado, expansão dos assentamentos e mesmo pogroms conduzidos por colonos ilegais.

Estima-se ao menos 500 mil colonos israelenses radicados em assentamentos por toda a Cisjordânia, além de 250 mil em Jerusalém Oriental ocupada.

Desde outubro de 2023 — em paralelo à crise em Gaza —, soldados e colonos israelenses mataram ao menos 1.103 palestinos nativos em Jerusalém e Cisjordânia, além de 11 mil feridos e 21 mil detidos arbitrariamente.

Fonte: Monitor do Oriente

Governo Federal anuncia assentamento de 2 mil famílias rurais no Paraná

data era 17 de abril de 1996. Naquela madrugada, a ocupação da Fazenda Giacometti-Marodin (pertencente à empresa Araupel), em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, foi registrada pelas lentes do fotógrafo Sebastião Salgado, levando ao mundo imagens de conflitos fundiários que marcavam o Centro-Sul do estado. Quase 30 anos depois, a luta por terras na região voltou a ganhar destaque. Mas, desta vez, a notícia é o acordo que permitirá criar e regularizar assentamentos, contemplando cerca de três mil famílias.

União, Incra e Araupel S/A e Rio das Cobras Ltda. chegaram ao entendimento que destina áreas, em definitivo, à reforma agrária, nos municípios de Espigão Alto do Iguaçu, Nova Laranjeiras, Quedas do Iguaçu e Rio Bonito do Iguaçu. No total, são 34 mil hectares. Os termos foram assinados nesta quinta-feira (16/1).

Está prevista a desapropriação indireta e judicial dos imóveis localizados na Gleba Pinhal Ralo, e a regularização dos assentamentos Dez de Maio e Celso Furtado, já implantados. A Gleba Rio das Cobras também passa a ser considerada terra pública, e todas as ações judiciais relacionadas às áreas discutidas serão extintas.

Apontado como um dos mais significativos acordos fundiários nacionais recentes, a resolução se soma a outros casos emblemáticos, como os da Fazenda Brasileira – nos municípios paranaenses de Faxinal e Ortigueira -, do Horto Florestal, em Cruz Alta (RS), e da Fazenda Ariadnópolis, em Campo do Meio (MG), consolidando uma estratégia de resolução negociada de conflitos agrários.

“O Ministério do Desenvolvimento Agrário, a AGU e o Ministério da Fazenda foram centrais na discussão, nos possibilitando entrar numa mesa de negociação e chegar a esse resultado, importantíssimo para a história do Incra, para a história da reforma agrária no Brasil”, afirma o presidente da autarquia, César Aldrighi.

Conforme a diretora de Obtenção de Terras do Incra, Maíra Coraci Diniz, a decisão coloca mais uma vez em evidência a região que atualmente já concentra o maior complexo de assentamentos no estado. “Isso representa produzir mais alimentos saudáveis e dinamizar a economia de um território que foi recentemente castigado pelas mudanças climáticas, como o tornado na cidade de Rio Bonito do Iguaçu”, lembra.

“O Incra no Paraná teve um papel essencial na elaboração dos trabalhos técnico e de medição para alcançar esse feito. Isso beneficiará duas mil famílias e proporcionará a regularização de 25 mil hectares dos assentamentos Celso Furtado e Dez de Maio”, enfatiza o superintendente regional do instituto, Nilton Bezerra Guedes. Segundo o gestor, a área tem potencial para se consolidar como um espaço onde produção, preservação ambiental e cooperação estarão aliadas.

O acordo envolveu a participação das famílias acampadas nas localidades, da Procuradoria-Geral do Estado do Paraná; da Superintendência Geral do Diálogo e Interação Social do estado; do Instituto Água e Terra (IAT); do Ministério Público estadual; da Defensoria Pública do Paraná; do município de Rio Bonito do Iguaçu; do Tribunal de Justiça paranaense; do Ministério Público Federal e da Procuradoria Regional da 4ª Região.

Seleções

Os lotes nos futuros assentamentos serão preenchidos a partir de processos de seleção realizados pelo Incra. Os editais lançados são disponibilizados na Plataforma de Governança Territorial (PGT) da autarquia. Neles constam todos os requisitos necessários, etapas, ordem de preferência e os critérios de classificação.

Para fazer parte, é obrigatório ter inscrição ativa no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).

“Que as fotografias do Sebastião Salgado que imortalizaram essa luta agora também sejam símbolo de uma renovação de esperança, de vida para todas as pessoas da região”, diz Maíra.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Incra

BRK é multada em R$100 mil por lançamento irregular de esgoto no mar da Ponta Verde

O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL) divulgou, nesta sexta-feira (16), as análises laboratoriais das coletas realizadas no dia 9 deste mês no ponto de lançamento de uma galeria localizada em paralelo à Avenida Sandoval Arroxelas, no bairro da Ponta Verde, em Maceió. Os resultados apontam indícios de lançamento irregular de esgoto no mar, em uma área bastante frequentada por moradores e turistas.

As coletas foram realizadas após denúncia encaminhada ao órgão ambiental. As análises laboratoriais foram conduzidas com celeridade e tiveram como base os parâmetros estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

De acordo com o laudo, a qualidade da água foi reprovada em quatro parâmetros analisados. Foram identificados materiais flutuantes, como espuma, graxa, resíduos de sabão e lixo visível boiando. Também foram constatados níveis elevados de sulfeto total, substância produzida na decomposição da matéria orgânica, que libera gás tóxico de odor desagradável e é prejudicial à vida aquática. Em altas concentrações, pode representar riscos à saúde humana. Os resultados indicaram níveis quase quatro vezes acima do permitido.

Outro parâmetro analisado foi a Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), que corresponde à quantidade de oxigênio consumida por micro-organismos durante a decomposição da matéria orgânica na água. Esse indicador é fundamental para avaliar a poluição orgânica. Os valores encontrados ficaram bem acima do ideal, apontando para o esgotamento do oxigênio dissolvido, o que pode provocar a mortandade de peixes e outros organismos marinhos

Também foram registrados níveis elevados de coliformes. As análises identificaram 4,8 milhões de coliformes em apenas 100 mililitros de água — volume equivalente a meio copo. Esse resultado indica contaminação fecal e aponta para a presença de bactérias, principalmente Escherichia coli, além de microrganismos dos gêneros Klebsiella, Enterobacter e Citrobacter. O contato com a água contaminada, seja por banho ou ingestão, pode causar infecções. No Brasil, as infecções de veiculação hídrica são consideradas um dos principais problemas de saúde pública.

Segundo o IMA, a conclusão do relatório técnico demonstra que os resultados das amostras apontam para a presença de efluente sanitário, caracterizando esgoto doméstico. A partir dos dados obtidos em campo e das análises laboratoriais, foram identificadas situações que demandam a adoção de medidas corretivas imediatas.

Com base nas análises técnicas e laboratoriais, os fiscais do IMA/AL lavraram Auto de Infração fundamentado na legislação ambiental vigente, que trata da política ambiental do estado de Alagoas. Após a avaliação prevista em lei, a infração foi classificada como grave, resultando na aplicação de multa no valor de R$ 100 mil à empresa BRK Ambiental, concessionária responsável pelos serviços de saneamento, além da adoção das providências administrativas cabíveis.

De acordo com o diretor-presidente do IMA/AL, Gustavo Lopes, a divulgação das análises reforça o compromisso do órgão com a transparência e a atuação preventiva. “O IMA tem intensificado o monitoramento ambiental em áreas sensíveis do litoral, espaços utilizados tanto pelos moradores de Maceió quanto por turistas que visitam nosso estado. As análises realizadas na Ponta Verde são fundamentais para embasar tecnicamente as ações de fiscalização e garantir respostas efetivas diante de irregularidades que afetam o meio ambiente, a balneabilidade das praias e a saúde pública”, destacou.

O instituto informou que seguirá monitorando a área e adotando as medidas administrativas cabíveis para coibir novas ocorrências, proteger o meio ambiente e garantir a saúde da população.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da BRK Ambiental, e aguarda um retorno para incluir na matéria.

Fonte: TNH1

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