Israel bombardeia funcionários de ONG que transportavam alimento a palestinos em Gaza

Três membros da World Central Kitchen foram assassinados neste sábado (30/11); em abril, forças israelenses também mataram sete trabalhadores do mesmo grupo

elo menos três trabalhadores humanitários da World Central Kitchen (WCK) foram assassinados em ataques aéreos israelenses na Faixa de Gaza neste sábado (30/11). O Exército de Israel teve como alvo o veículo da organização internacional, que transportava suprimentos de alimentos ao longo da estrada Salah al-Din em Khan Younis, no sul do enclave.

De acordo com a emissora catari Al Jazeera, algumas pessoas se locomoveram para tentar ajudar as vítimas. No entanto, outro míssil foi lançado logo em seguida, ferindo dois socorristas. 

“O veículo transportava arroz e outros suprimentos de comida”, relatou uma testemunha ocular ao portal Middle East Eye.

Em abril, sete trabalhadores da WCK também foram assassinados pelas forças israelenses. O incidente ocorrido em Deir Al-Balah, centro de Gaza, foi classificado como um “ataque direcionado” e, logo, condenado pela comunidade internacional. De acordo com a organização, os membros vitimados vinham da Austrália, Palestina, Polônia e Reino Unido. Um deles tinha dupla cidadania dos Estados Unidos e do Canadá.

Na ocasião, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu descreveu o ataque aéreo como “não intencional” e “trágico”.

“Essas coisas acontecem em tempos de guerra”, disse Netanyahu.

De acordo com os relatos da Al Jazeera neste sábado, as forças israelenses, além de atacarem palestinos e organizações de ajuda humanitária, têm alvejado também “cozinhas comunitárias” que tentam evitar o agravamento da fome em Gaza.

Após a morte de seus funcionários, a WCK declarou a suspensão de suas operações na Faixa de Gaza. A organização afirmou que “não tinha conhecimento de que qualquer indivíduo no veículo tivesse alegado ligações com o ataque do Hamas em 7 de outubro”, assim como foi alegado por Israel após o cometimento dos assassinatos.

Fonte: Ópera Mundi

Botafogo faz história e é campeão da Libertadores

Equipe alvinegra teve jogador expulso no primeiro minuto, mas encontrou forças para superar o Galo por 3 a 1 em jogo eletrizante na capital argentina

Após ter um jogador expulso com menos de um minuto de jogo, o Botafogo conseguiu uma vitória histórica contra o Atlético-MG neste sábado (30) e foi campeão da Copa Libertadores, em jogo no Mâs Monumental, em Buenos Aires. Os jogadores Luiz Henrique, Alex Telles (de pênalti) e Júnior Santos marcaram para o Fogão. Vargas descontou para a equipe mineira aos dois minutos do segundo tempo.

Com 30 segundos de jogo, o meio-campista Gregore, do Botafogo, foi expulso da partida após levantar demais o pé e bater com a trava da chuteira na cabeça do jogador Fausto Vera.

Com a vitória, o Botafogo garantiu a última vaga no Mundial de Clubes, que será disputado entre 15 de junho e 13 de julho do ano que vem nos Estados Unidos. Também vai concorrer ao título da Recopa Sul-Americana com o Racing, que conquistou a Copa Sul-Americana. O jogo foi marcado para os dias 19 e 26 de fevereiro.

Fonte: Brasil 247

CNJ afasta juiz citado pela PF em inquérito de tentativa de golpe de Estado

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou nesta quinta-feira (28) o afastamento cautelar do juiz federal Sandro Nunes Vieira, magistrado citado no relatório da Polícia Federal (PF) que indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e 36 acusados pela tentativa de golpe de Estado em 2022.

Vieira foi juiz auxiliar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão que organiza das eleições, entre 2019 e agosto de 2022. Atualmente, ele está lotado na primeira instância da Justiça Federal em Paranaguá (PR).

A decisão foi tomada pelo corregedor-nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, após receber um ofício do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), comunicando a citação do nome do magistrado nas investigações. Sandro Nunes Vieira não chegou a ser investigado no inquérito do golpe.

De acordo com a PF, o juiz teria participado no relatório encomendado pelo PL ao Instituto Voto Legal (IVL), após o resultado do segundo turno das eleições, para alegar supostas fraudes nas urnas eletrônicas.

As suspeitas foram encontradas em mensagens no celular de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, e de Marcelo Câmara, então assessor do ex-presidente.

Em uma conversa que faz parte do inquérito, os ex-assessores de Bolsonaro comentaram que o juiz teria dito que não queria ter seu nome citado no caso. 

No entanto, no dia 19 de novembro de 2022, o presidente do partido, Valdemar de Costa Neto, disse, em uma entrevista ao site de notícias Poder 360, que teria conversado com Sandro Vieira sobre as supostas irregularidades nas urnas eletrônicas.

“Eu conversei com um ex-diretor do TSE, que é um juiz de Direito, o Sandro, e ele me falou, ele tava lá seis meses atrás. Ele me disse, é um homem honesto”, afirmou Valdemar.

Diante da análise das conversas, a PF concluiu que o juiz prestou assessoria ao PL na representação enviada ao TSE para atacar as urnas eletrônicas.

“Os elementos probatórios identificados pela investigação demonstram que Sandro Nunes Vieira atuou de forma ilegal e clandestina ao assessorar o Partido Liberal na representação eleitoral contra as urnas eletrônicas”, afirmam os investigadores.

Representação

No dia 22 de novembro de 2022, após Bolsonaro perder o segundo turno para Lula, o PL entrou com uma representação no TSE para anular votos de cerca de 280 mil urnas eletrônicas usadas no segundo turno das eleições. 

Em seguida, o TSE multou o partido em R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé. Na decisão, o tribunal entendeu que a legenda não incluiu na representação supostas irregularidades no primeiro turno, que levou Bolsonaro para a disputa com Lula. As urnas são utilizadas nos dois turnos. 

Outro lado

Agência Brasil entrou em contato com o gabinete do juiz Sandro Vieira e aguarda retorno. O espaço está aberto para manifestação.

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) informou que vai cumprir as determinações do CNJ e que também abriu um procedimento administrativo contra o magistrado.

A Justiça Federal no Paraná declarou que não vai emitir nota sobre o caso.  

Fonte: Agência Brasil

PM preso por ligação com o PCC era chefe da segurança de Tarcísio de Freitas

A Polícia Federal (PF) prendeu nesta terça-feira (26) um policial militar e um policial civil de São Paulo, suspeitos de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado por meio de fintechs. Um dos detidos, o capitão da PM Diogo Costa Cangerana, atuava na Casa Militar do Palácio dos Bandeirantes e era responsável pela segurança do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ele acompanhou o governador em viagens e recebeu prêmios em reconhecimento pelos serviços prestados.

O outro agente preso foi o policial civil Cyllas Salerno Elia Júnior, que atuava no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) até dezembro de 2022, quando pediu afastamento não remunerado por dois anos. Ambos foram presos no câmbio da Operação Dólar Tai-Pei, deflagrada para investigar as empresas que oferecem serviços financeiros digitais. 

Os suspeitos movimentaram perto de 6 bilhões de reais em transações ao longo dos últimos cinco anos – R$ 800 milhões apenas em 2024. A operação contou com cerca de 200 agentes, que executaram 16 mandados de prisão preventiva e 41 ordens de busca e apreensão, conforme determinação da Justiça Federal.

Cyllas foi citado na delação de Antonio Vinicius Gritzbach, morto no Aeroporto de Guarulhos no dia 8 de novembro.  Gritzbach havia denunciado o agente à Corregedoria da Polícia Civil cerca de uma semana antes de ser executado. Cyllas é dono do 2 GO Bank, e suspeito de ter relação com integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), de acordo com a polícia.

A PF investiga se a instituição faria parte de um sofisticado sistema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As fintechs, aponta a corporação, atuariam na venda de moeda estrangeira em espécie, sem autorização do Banco Central, inclusive usando empresas “laranjas” para abrir contas bancárias para movimentar os recursos.

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (27), Tarcísio minimizou a prisão do capitão Diogo Costa Cangerana. Para ele, ter na sua na equipe de segurança um suspeito de ligação com uma facção criminosa é um fato isolado. “O que você tem são atos isolados de pessoas que desviam conduta, como tem em qualquer outra organização”, justificou. Apesar de prometer punição rigorosa contra o acusado, o governador justificou que “toda instituição tem suas maçãs podres”. 

As declarações foram feitas após a participação do chefe do Palácio dos Bandeirantes na inauguração do novo prédio de uma escola estadual em Mogi Guaçu (SP). 

Embora Cangerana ocupasse, segundo o próprio governo, o cargo de “Chefe de Equipe da Divisão de Segurança de Dignitários do Departamento de Segurança Institucional”, Tarcísio negou que o policial exercesse a função de chefe de sua segurança e acrescentou que ele foi desligado da Casa Militar em setembro. Na ocasião, Cangerana foi transferido para o 13.º Batalhão da PM, responsável pelo patrulhamento da Cracolândia.

“Ele prestava serviço na Casa Militar, estava lá há 14 anos e foi mandado embora”, afirmou o governador. “Trabalhou durante 14 anos (na Casa Militar), com vários governadores. Quando eu cheguei, ele foi embora. Nós tiramos ele em setembro deste ano. Se a gente soubesse de alguma coisa, obviamente ele teria saído há muito mais tempo”, alegou Tarcísio.

Por ter cargo considerado de confiança pelo governador enquanto atuava na Casa Militar, o capitão Diogo recebia gratificações. As investigações apontam sua participação na abertura de contas nessas instituições financeiras.

Apesar de Tarcísio tratar o caso de forma irrelevante e se esforçar para se distanciar da figura do homem apontado como um dos articuladores do esquema financeiro criminoso, Cangerana foi visto ao lado do governador em diversas agendas públicas. 

Em publicações no perfil oficial do governo no Instagram, ele aparece acompanhando Tarcísio em um ato de campanha com o prefeito Ricardo Nunes (MDB) no Mercado Municipal de São Paulo, em agosto. Em uma viagem a Balneário Camboriú (SC) para a Conferência Política de Ação Conservadora (CPAC) Brasil, organizada pela extrema direita brasileira, o acusado também estava presente.

Fonte: Hora do Povo

Israel nega roupa e comida a mulheres palestinas nas cadeias da ocupação

A Comissão de Prisioneiros Palestinos — organização que monitora a questão dos presos políticos em custódia de Israel — confirmou nesta quinta-feira (28) que as condições das mulheres palestinas no presídio colonial de Damon se degradaram a níveis alarmantes de abuso e negligência.

Conforme um advogado da comissão, a administração carcerária insiste em negar roupas de inverno e cobertores às prisioneiras, à medida que se aproxima o inverno. Seu acesso a itens de higiene é severamente restrito, salvo um pouco de xampu, notou o relato.

O documento reiterou ainda a falta e má qualidade dos alimentos fornecidos às mulheres pelas autoridades da ocupação, com “pouco mais que legumes” cedidos a sua dieta em um período de mais de sete meses, levando a problemas de saúde.

A comissão destacou relatos perturbadores de prisioneiras em Damon, que sofrem quase diariamente com a invasão de guardas a suas celas, seja como punição coletiva ou tática de intimidação, incluindo apreensão de pertences inofensivos, como artesanato.

O relatório corroborou que o vice-diretor da penitenciária de Damon agrediu fisicamente diversas prisioneiras, para além de abuso verbal como incidência cotidiana.

A comissão alertou que muitas prisioneiras mesmo evitam buscar tratamento médico na clínica da penitenciária, por receio de maus tratos. Em vez de cuidados, notificou o relato, muitas são submetidas a interrogatórios violentos durante as visitas.

A maioria das prisioneiras em questão foram abduzidas por forças ocupantes no contexto do genocídio em Gaza, desde outubro de 2023, mantidas sob detenção administrativa — sem julgamento ou sequer acusação; reféns, por definição.

A Autoridade Palestina estima que, neste período, forças israelenses detiveram ao menos 11.500 palestinos da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, além de número desconhecido de sequestrados em Gaza, desaparecidos em campos de concentração.

Fonte: Monitor do Oriente

Manifestação cobra realização de concurso público para a Uneal

Uma manifestação organizada pelo Diretório Central dos Estudantes da Uneal (DCE-UNEAL), nessa quinta-feira, 28/11, reuniu alunos, professores e técnicos para protestar contra o abandono da Universidade Estadual de Alagoas por parte do governo Paulo Dantas.

Entre as reivindicações dos estudantes, está a publicação do edital do concurso público para professores e técnicos ainda em 2024, a construção e funcionamento do restaurante universitário, a implantação do programa de bolsas para os alunos, entre outros.

Os estudantes denunciaram as péssimas condições estruturais da Uneal, onde falta até água para beber e a internet no campus de Arapiraca não funciona.

Para o DCE, além das precárias condições de funcionamento, o governo quer cortar a verba de custeio da Universidade, o que pode significar a paralisação de serviços essenciais.

O governador Paulo Dantas que tinha visita agendada na Uneal, hoje pela manhã, terminou por cancelar a visita por causa do protesto.

Ainda segundo o DCE, o movimento vem ganhando força desde o início da semana, contando com atividades diárias nas redes sociais do governador, onde os estudantes cobram a realização do concurso público através da hashtag #concursoUNEALjá.

Para o professor Luizinho, presidente do Sindicato dos Docentes da Uneal, o governado Paulo Dantas anunciou nas redes sociais e em eventos realizados na Uneal, a realização do concurso público. Entretanto, “até agora o edital não foi publicado e o que nós queremos é a publicação do edital ainda em 2024 para evitar a perda do ano letivo de 2025 para muitos alunos”, desabou o professor Luizinho.

Antes do cessar-fogo, um vendaval de bombardeios sobre Beirute

Israel fez das últimas horas de conflito as mais violentas, lançando um verdadeiro tapete de bombas contra a capital libanesa

Sob o som incessante de drones e caças israelenses, mais de 30 alertas de bombardeiros foram disparados a partir da conta do X de Avichay Adraee, porta-voz das Forças de Defesa de Israel para a mídia árabe, nesta terça-feira (26/11), por volta das 18h (horário local de Beirute).

A maioria dos ataques aéreos anunciados se direcionava aos subúrbios do sul de Beirute, região controlada pelo grupo xiita libanês Hezbollah. Quatro desses alertas indicaram alvos no centro da capital libanesa, incluindo o bairro muçulmano sunita de Hamra, polo acadêmico e cultural da cidade, onde está localizada a Universidade Americana de Beirute (AUB).

Alguns dos alvos dos ataques de terça-feira são edifícios ocupados por pessoas que já haviam sido deslocadas de outras regiões do país e dos próprios subúrbios ao sul da capital. 

Os alertas causaram um clima de pânico e fuga: filas de carros engarrafados tentaram deixar o centro de Beirute enquanto a cidade se preparava para o que poderia ser a noite mais difícil desde a retomada do conflito entre Hezbollah e Israel, em outubro de 2023. 

A estratégia israelense de, mediante a iminência de um cessar-fogo, intensificar sua punição coletiva da população libanesa foi ativada. As negociações, iniciadas no Líbano na semana passada, tiveram Amos Hochstein, enviado especial dos Estados Unidos a Beirute, como figura central.

Mesmo com um cessar-fogo, anunciada pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em uma conferência de imprensa na noite desta terça-feira, não implicou o término imediato dos ataques.

Enquanto líderes ocidentais congratulam o Estado sionista pelo acordo de cessar-fogo, Israel fez das últimas horas de conflito as mais violentas, lançando um verdadeiro tapete de bombas sobre Beirute. 

A intensificação das operações militares israelenses em solo libanês nas últimas horas sugere que Israel ainda recorre à chamada doutrina Dahiyeh, estratégia militar batizada em 2006 a partir do nome do subúrbio sul de Beirute, reduto do Hezbollah e uma das áreas mais afetadas tanto na guerra de 2006 quanto no atual conflito de 2023/2024. 

A doutrina Dahiyeh consiste em uma tática de ataques desproporcionais, com o objetivo de causar danos significativos a áreas civis, buscando impactar o inimigo de forma psicológica e material, e enfraquecendo seu apoio popular.

De acordo com o Ministério de Saúde libanês, ao menos 3.823 pessoas foram mortas e 15.859 ficaram feridas em ataques israelenses ao Líbano desde 7 de outubro de 2023. Somente nas últimas 24 horas, 55 mortes e 160 feridos foram registrados.

O Líbano ainda não vive o cessar-fogo. 

Fonte: Ópera Mundi

Haddad anuncia isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil

O governo enviará, combinado ao pacote de corte de gastos obrigatórios, a proposta para isentar de Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil por mês, disse em pronunciamento nesta noite o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele esclareceu que a medida não terá impacto sobre as contas públicas porque será bancada com a taxação extra de quem ganha mais de R$ 50 mil mensais.

“É o Brasil justo, com menos imposto e mais dinheiro no bolso para investir no seu pequeno negócio, impulsionar o comércio no seu bairro e ajudar a sua cidade a crescer. A nova medida não trará impacto fiscal, ou seja, não aumentará os gastos do governo. Porque quem tem renda superior a R$ 50 mil por mês pagará um pouco mais. Tudo sem excessos e respeitando padrões internacionais consagrados”, disse o ministro em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e de televisão.

Segundo Haddad, a medida faz parte da segunda etapa da reforma tributária, que prevê a reforma do Imposto de Renda. No pronunciamento, o ministro lembrou da reforma tributária do consumo, promulgada no ano passado e em regulamentação pelo Congresso, que trará outros benefícios às classes baixa e média.

A medida deve custar R$ 45,8 bilhões por ano aos cofres públicos e isentar 36 milhões de contribuintes, segundo especialistas — ou seja, 78,2% dos 46 milhões de contribuintes do país.

“Essa medida, combinada à histórica Reforma Tributária, fará com que grande parte do povo brasileiro não pague nem Imposto de Renda e nem imposto sobre produtos da cesta básica, inclusive a carne. Corrigindo grande parte da inaceitável injustiça tributária, que aprofundava a desigualdade social em nosso país”, acrescentou o ministro.

Fonte: DCM

JHC provoca colapso funerário para privatizar cemitérios de Maceió

Colapso funerário faz crescer nº de sepultamentos em covas rasas. Espaços destinados ao passeio público se tornam corredores de caixões, que ficam a apenas 50 cm da superfície.

Todos têm direito a funeral e sepultamento dignos, conforme suas crenças e vontades, como garantido pela Constituição Federal Brasileira. Em Maceió, no entanto, para muitas famílias, esse direito tem sido violado, fazendo com que elas enterrem seus parentes nos corredores de cemitérios, em covas rasas, que ficam a apenas 50 cm do chão.

Ao cruzar os muros desses locais, é preciso ter cuidado para não tropeçar em um dos caixões expostos após ação do vento e das chuvas, que acabam tirando a fina camada de areia que os separa da superfície. E nem é preciso ir longe para constatar esse fato. No Cemitério São José, no bairro do Trapiche da Barra, isso se tornou uma constante.

Há algum tempo, a capital alagoana vive um cenário de colapso funerário. Com oito cemitérios públicos, dos quais um está interditado para sepultamentos por ficar localizado em uma região afetada pelas atividades da Braskem, não há mais vagas disponíveis para quem não tem um jazigo garantido e nem recursos para pagar pelo espaço em uma gaveta. A Prefeitura de Maceió já anunciou um projeto para ampliar um desses cemitérios, inclusive com a aquisição de um terreno, mas até agora, a ideia não saiu do papel.

Somente em 2023, conforme dados da Autarquia Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Limpeza Urbana (Alurb), foram realizados 1.855 sepultamentos em covas rasas nos cemitérios públicos de Maceió, uma média de 5 por dia. Os dados de 2024 não foram divulgados pelo município, mas esse tipo de situação acontece diariamente.

Na última quinta-feira (21), por exemplo, o motorista por aplicativo Márcio Vieira, assassinado enquanto trabalhava, foi sepultado em uma dessas covas rasas abertas no Cemitério São José. Já em agosto deste ano, a bióloga Neirevane Nunes sentiu na pele a dor de sepultar um parente em cova rasa neste mesmo local. Ela teve um primo, Maycon Nilo Cavalcanti de Moraes, enterrado nessas condições e não esconde a revolta pelo ocorrido.

“Além da dor de perder o parente, estamos nos deparando com uma violação de direito, com o constrangimento de não ter como sepultar os nossos familiares de forma digna, que é um direito de todos, garantido na Constituição. Os cemitérios públicos estão superlotados e os sepultamentos são feitos, em sua maioria, de forma precária, em covas rasas, cobertos por areia em meio à área que era destinada ao passeio público. Meu primo Maycon estava desaparecido, foi encontrado morto e sepultado em cova rasa. Vocês sabem o que é isso? Essa superlotação é também uma questão de saúde pública e sanitária. Isso é revoltante”, afirma.

Ela demonstra indignação, também, com a existência de uma fila de espera para que os sepultamentos aconteçam, o que prolonga ainda mais a dor e o sofrimento das famílias. Em alguns casos, os sepultamentos chegam a ocorrer três ou quatro dias após a morte. “Hoje tem até fila para sepultamento e isso não deveria existir. Eu tenho acompanhado o sofrimento de muitas famílias. É um absurdo o que tem ocorrido em Maceió”, completa.

Junto com Neirevane, o também biólogo e professor José Balbino tem liderado um movimento pelas melhorias das condições de sepultamento na capital, desde que o Cemitério Santo Antônio, no bairro de Bebedouro, foi interditado. Ele conta que o problema é bastante antigo e revela que, em 1910, há 114 anos, o Cemitério de Nossa Senhora da Piedade, no Trapiche da Barra, enviou um documento à administração municipal relatando não ter mais espaço para novos corpos.

O mais recente cemitério de Maceió, o de Ipioca, tem cerca de seis décadas de construído, e foi feito para um público específico, que é a comunidade pesqueira da região. De lá para cá, além da falta de investimentos e da não criação de novos espaços, muitas coisas aconteceram para agravar a crise funerária, como a pandemia da Covid-19, que fez crescer consideravelmente o número de mortes na capital, deixando o que já era ruim, ainda pior.

O Cemitério São José, por exemplo, é descrito pelo professor como “campo de guerra”. Um local que oferece diversos riscos à saúde de quem passa ou trabalha por lá. Diante disso, até visitar um parente sepultado tem virado motivo de preocupação.

“Todas as famílias que não têm jazigo particular no cemitério público e também quem não tem vaga em cemitério particular, não encontram espaço para sepultamento. Maceió vive um colapso do serviço funerário há muitos anos, e isso se exacerbou ainda mais diante da pandemia. Começaram a destruir todos os acessos dos cemitérios, e a enterrar umas pessoas sob as outras, a 50 cm da superfície. É um campo de guerra e se tornou perigoso ir a esses locais. Um problema de saúde pública”, fala o professor Balbino.

Ele conta também que não tem ocorrido um diálogo com a prefeitura no sentido de se buscar uma solução definitiva para o problema. Em 2021, por exemplo, o professor, juntamente com outras pessoas da comunidade, encontraram um local, na região do Conjunto Eustáquio Gomes, na parte alta da cidade, para a construção de um novo cemitério, para abertura de mais vagas. O espaço estava sendo vendido por R$ 7 milhões.

“Apresentamos a proposta, mas eles nem sentaram para discutir. Se o município tivesse comprado a área, hoje estaríamos numa posição tranquila, sem precisar vivenciar um sepultamento no São José, pois é deprimente perder o ente querido e enfrentar, além da dor da morte, o constrangimento de não poder mais velar o corpo, de homenagear o parente e de vê-lo ser enterrado vários dias após a morte. Isso não é enterro, é se livrar de um corpo”, desabafa.

Solução temporária

No primeiro semestre deste ano, o município de Maceió anunciou a aquisição de um terreno na Santa Amélia, para ampliar o Cemitério São Luís, garantindo 1.100 novas vagas. A área para expansão foi desapropriada, porém, até o presente momento, a prefeitura ainda não efetuou o pagamento necessário para o início das obras. Caso isso não aconteça nos próximos dias, a Defensoria Pública Estadual (DPE) diz que vai ingressar com uma ação judicial para exigir que o município adote as medidas necessárias para iniciar a expansão do cemitério.

Para o defensor público Lucas Monteiro Valença, do Núcleo de Tutela Coletiva, a expansão do Cemitério São Luís é uma solução de médio prazo, pois, para resolver o problema de forma definitiva, será necessária a construção de um novo cemitério em Maceió. Ele destaca que outra medida importante seria a aprovação, pelo Município, de uma lei que permita a construção de cemitérios verticais.

“Isso dobraria a capacidade de sepultamento em áreas já existentes, como no caso do São Luís. Portanto, a solução definitiva passa pela construção de novos cemitérios, pela aprovação da legislação que permita o uso de modelos verticais e pela implementação dessas medidas no planejamento das obras de expansão do Cemitério São Luís”, fala.

Conforme a Alurb, para ampliar as vagas nos cemitérios, também está sendo realizada a desapropriação de jazigos inadimplentes ou que estejam em estado de abandono, conforme as disposições legais e regulamentos aplicáveis para se ter a concessão.

Para DPE, a situação dos cemitérios públicos de Maceió é altamente precária e muito aquém do necessário para atender a população. “Há uma necessidade urgente de criação de novos equipamentos públicos para ampliar a oferta de vagas. Atualmente, as famílias enfrentam uma lista de espera para sepultamento, precisando aguardar a liberação de uma vaga, o que muitas vezes não ocorre de forma imediata”, diz.

“A Defensoria tem acompanhado a questão e enfatiza a necessidade de acelerar o início das obras de expansão do Cemitério São Luís como medida emergencial. Atualmente, sem a criação de novas vagas, é impossível atender à demanda de sepultamentos de forma digna e eficiente”, completa.

Fonte: Gazeta Web

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