Três nomes disputam comando do PT em Alagoas

Com o Processo de Eleição Direta (PED) marcado para o dia 6 de julho deste ano, o Partido dos Trabalhadores em Alagoas (PT-AL) vive hoje um intenso período de campanha e medição de forças entre as tendências internas que historicamente se organizam na legenda. Este ano, as atenções devem ficar voltadas para a disputa da presidência do diretório estadual, que tem candidatos o deputado estadual Ronaldo Medeiros, a presidente do sindicato dos Urbanitários, Dafne Orion e o Professor Luizinho da UNEAL. Todos os nomes têm origem política no movimento sindical.

Em Alagoas, atualmente, a militância do PT está organizada entre sete tendências. São elas: Construindo um Novo Brasil (CNB), Resistência Socialista, Democracia Socialista (DS), Articulação de Esquerda, O Trabalho, Esquerda Popular Socialista (EPS) e Movimento PT. Além de pessoas ou grupos independentes, como os integrantes da Bancada Negra ou militantes do MST que são filiados ao partido e não estão ligados a nenhuma tendência.

Dafne Orion representa a CNB, que hoje comanda o diretório estadual e tem nomes de peso como o deputado federal Paulão. Ela afirma que não pretende se ater às forças caso seja eleita. “Eu estou me apresentando como candidata a presidente do PT Alagoas, então, a partir do momento que isso acontecer, a minha força está me indicando, mas eu vou ser presidente do PT Alagoas. A gente vai trabalhar com todo mundo que tem compromisso com o partido, independente qual força faça parte, o diálogo a gente vai construir, quer construir coletivamente”.

Reconhecendo que há dificuldades, ela se propõe a ajudar o PT a crescer. “O partido é gigante, mas a gente sabe que tem muito trabalho para fazer aqui em Alagoas. O PT tem muito que crescer aqui no estado e a gente quer assumir esse compromisso e seguir levando essa bandeira do partido, defendendo os pilares de partido, que é a democracia, que é a justiça social, o compromisso com os movimentos sociais e populares, os sindicatos, que são as bases do partido, mas para que o partido avance. Que a gente tenha o tamanho que o partido merece ter aqui no estado também. A gente precisa fazer esse trabalho de que eu chamo um trabalho de volta às bases mesmo do partido. O partido precisa ter uma vida orgânica novamente, não aparecer apenas de 4 em 4 anos, 2 e 2 anos de eleição partidária”.

OPOSIÇÃO

O principal opositor é o deputado estadual Ronaldo Medeiros. Confiante na vitória, o parlamentar que apresenta 40 anos de história no partido diz chegar à disputa com o apoio de quatro tendências [Resistência Socialista, Democracia Socialista (DS), Articulação de Esquerda e Movimento PT] e do grupo do MST. “Eu não tenho dúvida, nós estamos muito fortes, muito organizados, muito unidos. Esse grupo está unido em torno de propostas, em torno de realmente mudar”. Segundo ele, “seria até justo que a CNB se ausentasse dessa disputa, porque são 40 anos no comando. Eu creio que quem tem 40 anos não pode estar propondo mudança, nem propondo coisas novas não, porque já teve muito tempo para fazer, não fez”.

Ronaldo direciona as críticas ao grupo, e mais nominalmente ao deputado federal do partido. “São 40 anos que esse grupo está no poder no PT aqui em Alagoas, o mesmo grupo que é liderado pelo companheiro Paulão, deputado federal Paulão. E esse grupo vem trazendo o partido para longe da sociedade, é um partido hoje que não dialoga com a sociedade. É um partido que tem dificuldades aqui em Alagoas devido a esse grupo ter três, quatro pessoas que governam o PT aqui em Alagoas sozinho. Esse grupo é que decide as coisas e isso causa o distanciamento da militância do partido e causa também o distanciamento do da sociedade”.

Comparando com outros estados, Medeiros diz que Alagoas está destoando do partido. “Veja o seguinte: Bahia tem governador do PT, tem senadores, tem tudo. Lula ganha lá. Em Sergipe Lula, ganha. Tem deputados federais, tem senador, teve governador. Alagoas, Lula perde em Maceió. É a única capital do Nordeste que perde, e não adianta dizer que é porque é conservadora. Maceió já elegeu Katia Born [prefeitura] e Ronaldo Lessa [governo estadual]”, lembra o parlamentar.

Terceira via reforça necessidade de o partido voltar a ser dos militantes

A terceira via que se apresenta neste cenário de disputa pela presidência do PT em Alagoas é o Professor Luizinho, pela tendência “O Trabalho”. O docente da UNEAL reclama da centralização do partido em todo dos mandatos que possui atualmente.

“Nossa candidatura surge da necessidade do partido voltar a ser dos militantes. Os militantes estão cansados dessa disputa insana entre dois gabinetes. Entre o gabinete do Paulão, e o gabinete do Ronaldo [Medeiros], porque a gente quer devolver o partido para a base, o partido para a militância. Um partido que possa reatar com os movimentos sociais. Um partido que rompa com a dependência histórica dos Calheiros. Esse é o sentido da candidatura, a candidatura da base, uma candidatura para virar o partido à esquerda, reatar com os movimentos sociais”, argumenta.

A única tendência que ainda não decidiu o posicionamento foi a Esquerda Popular Socialista. As lideranças afirmam que seguem abertos para dialogar com todos os segmentos internos do partido.

“Ainda não há registros de candidaturas, até mesmo outros nomes podem surgir. Uma das possibilidades, inclusive, é a gente lançar uma candidatura própria da EPS para a presidência do PT Maceió. Estamos avaliando o cenário político com cautela e racionalidade “, disse a jornalista Elida Miranda, dirigente da CUT Nacional.

COLETIVO

A Bancada Negra, que se define como coletivo de pessoas negras que surgiu em 2017, não pretende participar muito ativamente do processo.

“O PED [Processo de Eleição Direta] não está na nossa pauta. Sabemos que podemos contribuir com o debate interno no Partido, a partir das discussões raciais e no debate na formação da nossa militância, mas do ponto de vista da organização interna do PT, não estamos inseridos”, disse Alycia, liderança do coletivo.

No entanto, o grupo não minimiza o processo e já escolheu um lado. “Sabemos da importância do PED-PT. E sabemos que a cultura política do PT é construída a partir do debate de ideias divergentes que ocorrem no PED. Mas para a Bancada Negra, o modelo do PED está distante das nossas condições de disputa. Por isso, a Bancada Negra não disputará o PED, no entanto, particularmente a Bancada Negra observa a candidatura da companheira Dafne Orion com bons olhos”.

Presidente terá 4 anos de mandato

O mandato à frente do Partido dos Trabalhadores em Alagoas é de quatro anos, mas a última vez que aconteceu o Processo de Eleição Direta (PED) foi em 2019, quando houve alguns adiamentos nos últimos anos. Sobre o formato das eleições, que deve ser definido na próxima semana, os grupos defendem diferentes propostas.

Desde 2001, as eleições acontecem com participação de todos os filiados, com voto direto na urna. Mas nas últimas eleições houve um formato híbrido, em que a urna só define os diretórios municipais, e no caso das direções estaduais e nacional são eleitos delegados para um congresso e lá são definidos os nomes.

A candidata Dafne Orion defende que o formato seja nominal nas urnas. “A gente sempre defendeu o voto, historicamente a Construindo um Novo Brasil (CNB) defende o voto direto”.

As outras tendências defendem o formato de congresso. O deputado estadual Ronaldo Medeiros, também avalia a situação. “O meu grupo nacional está querendo que para municipal direto, estadual e nacional seja voto direto, mas congressual. Eu, uma opinião minha, acharia melhor que fosse direto para estadual e direto para municipal e só ficasse congressual a federal”.

Fonte: Tribuna Hoje

Mais de 100 denúncias criminais são apresentadas contra Milei por golpe com criptomoeda

A expectativa é que, nesta segunda-feira (17), os tribunais definam qual instância federal conduzirá o processo das mais de 100 denúncias

O presidente da Argentina, Javier Milei, enfrenta uma onda de acusações na Justiça por seu envolvimento no escândalo da criptomoeda $Libra. Até este domingo, 112 queixas criminais já haviam sido apresentadas, incluindo suspeitas de fraude, negociações ilícitas no cargo público, violação da ética e associação criminosa.

Denúncias se multiplicam

Fontes judiciais informaram que 111 dessas denúncias foram registradas digitalmente em diferentes tribunais do país, enquanto uma foi formalizada presencialmente em uma delegacia de Buenos Aires, destaca reportagem da Telesur. O caso foi encaminhado ao promotor Guillermo Marijuan.

As acusações foram feitas tanto por vítimas do golpe quanto por figuras da oposição política, que sustentam que Milei teve participação ativa no esquema. A principal evidência apontada é que o presidente recomendou investimentos na criptomoeda apenas três minutos após seu lançamento público, através de uma postagem nas redes sociais.

Para os denunciantes, a alegação de que Milei teria cometido apenas um “erro” por entusiasmo não convence. Além disso, eles destacam os vínculos diretos entre os desenvolvedores da $Libra e integrantes do grupo político do presidente, La Libertad Avanza.

A expectativa é que, nesta segunda-feira (17), os tribunais realizem um sorteio para definir qual instância federal conduzirá o processo das mais de 100 denúncias.

Ação coletiva na Justiça

O líder da Frente Pátria Grande, Juan Grabois, anunciou que apoiará uma ação coletiva na Justiça Cível contra Milei, buscando indenização para os afetados pelo esquema. Segundo ele, mais de 20 vítimas já aderiram ao processo, que será movido tanto na Argentina quanto nos Estados Unidos.

“O que precisamos demonstrar é que não temos medo”, declarou Grabois. “O medo se espalha, mas a coragem também. Se não enfrentarmos essa situação, eles continuarão cometendo abusos sem fim.”

No mesmo contexto, o deputado Itai Hagman afirmou que também protocolará uma denúncia criminal contra Milei por negociações ilícitas no cargo público, apontando que o presidente interveio diretamente em favor próprio ou de terceiros.

Outro nome de peso na ofensiva judicial contra Milei é Gregorio Dalbón, advogado da ex-presidente Cristina Fernández, que assinou uma das mais de 100 denúncias já registradas. Dalbón rebateu a alegação de Milei de que desconhecia os detalhes do projeto e reforçou que o presidente promoveu publicamente a $Libra no exato momento de seu lançamento.

Pedido de impeachment

O escândalo também ganhou contornos políticos mais amplos. O bloco parlamentar da União pela Pátria (UxP) anunciou que apresentará um pedido formal de impeachment contra Milei. O deputado Esteban Paulon, da província de Santa Fé, confirmou que protocolará a solicitação na próxima segunda-feira, reforçando as acusações contra o presidente pelo mega golpe da criptomoeda $Libra.

A crise gerada pelo caso já abala a gestão de Milei, ampliando a pressão política e jurídica sobre seu governo.

Fonte: Brasil 247

Justiça prorroga o afastamento de juízas acusadas de venderem sentenças na Bahia

Relator da ação, o ministro Og Fernandes, afirmou que o retorno das rés poderia causar instabilidade nas atividades do TJ-BA.

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça prorrogou por mais um ano o afastamento cautelar da desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago e da juíza Marivalda Almeida Moutinho, ambas do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

As magistradas são investigadas no âmbito da Operação Faroeste, deflagrada para apurar esquema de venda de decisões judiciais relacionadas a disputas de terras na região oeste da Bahia.

TJ-BA

Relator da ação, o ministro Og Fernandes, afirmou que o retorno das rés poderia causar instabilidade nas atividades do TJ-BA e que os motivos que resultaram no afastamento seguem válidos.

“A tramitação do feito se apresenta regular, em que pese os incontáveis documentos, diligências e providências imprescindíveis à sua instrução, afastando-se, pois, qualquer suposição de ilegalidade das medidas cautelares por excesso de prazo”, completou.

O relator explicou que, após o encerramento da fase pericial, o caso seguirá para a finalização da instrução criminal, com a realização de interrogatórios e a abertura de oportunidade para apresentação das alegações escritas.

Fonte: Correio do Brasil

Trabalhadores por conta própria trabalham mais horas e recebem menos, aponta IBGE

Os trabalhadores por conta própria dedicam mais horas ao trabalho, mas recebem menos, é o que revela dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número de trabalhadores por conta própria chegou a 26 milhões de pessoas no país, no trimestre encerrado em dezembro de 2024, o que corresponde a uma alta de 2,5% (mais 633 mil pessoas) ante o trimestre imediatamente anterior. Esse contingente de brasileiros representa 25,1% da população ocupada no país, estimada em 103,8 milhões de pessoas.

Como resultado das crises econômicas que assolam o país há décadas, esses brasileiros na sua maioria foram empurrados para a informalidade do trabalho, não por escolha, mas pela falta de opções no mercado formal, que segue sendo sangrado pelo alto nível da Selic (taxa de juros base) do Banco Central (BC) – hoje 13,25%. Com o crédito mais caro, as empresas reduzem investimentos e cortam custos, o que resulta em menos contratações e demissões.

Além disso, as mudanças nas leis trabalhistas nos últimos anos fragilizaram ainda mais o acesso a empregos de qualidade e salários dignos. E, assim, muitos brasileiros acabam sendo atraídos pelo canto da sereia do “empreendedorismo” – onde a dedicação de horas não necessariamente se traduz em melhores condições financeiras.

Na prática, iludidos pela falsa sensação de autonomia ou de enriquecimento, esses profissionais acabam muitas vezes encontrando-se em situações de trabalho precário, de baixa produtividade, que não só acabam por agravar as condições financeiras, mas prejudicam ou agravam a saúde física e mental destes trabalhadores.

No Brasil, ao todo, são quase 40 milhões de brasileiros exercendo algum tipo de atividade de trabalho informal – sem direitos trabalhistas, vivendo dos chamados bicos: pessoas que são condicionadas a jornadas de trabalho exaustivas e remunerações mensais que não chegam a um salário-mínimo (R$1.518).

Conforme uma sondagem feita pela Agência Brasil, com base em dados da Pnad, os trabalhadores por conta própria são os que mais dedicam horas semanais às suas atividades profissionais. Enquanto a média nacional de horas trabalhadas por semana é de 39,1, os profissionais autônomos trabalham, em média, 45,3 horas.

Dentro do trabalho informal, o conta-própria é definido pelo IBGE como aquele que explora seu próprio empreendimento, sozinho ou com sócio, sem empregados, podendo ou não contar com a ajuda de familiares não remunerados.

Segundo o levantamento, os trabalhadores subordinados a empregadores, mediante salário, são a segunda categoria que mais passa horas nas atividades de trabalho, 39,6 por semana. Em seguida, vem os empregadores, com 37,5 horas, e, por último, com 28 horas semanais, está o familiar auxiliar (pessoa que ajuda a atividade econômica de um parente, mas sem qualquer remuneração).

Os contas-próprias em São Paulo são os que mais passam tempo nas atividades, em média 46,9 horas semanais, ficando bem acima das médias de horas semanais dos empregados e empregadores, com 40,7 e 38,7, respectivamente.

Apesar de trabalharem mais, os profissionais por conta própria recebem menos. O rendimento médio mensal desse grupo foi de R$ 2.682, sendo R$ 533 a menos que o rendimento médio mensal dos brasileiros (R$ 3.215).

Fonte: Hora do Povo

CACÁ, COM C

Flávio Show – Funcionário dos Correios

Maceió, 16 de Fevereiro de 2025

Bye bye Brasil, os alagoanos e os brasileiros viram o tempo passar nas telas do cinema nacional, viram a luta dos escravizados no Quilombo dos Palmares, a resistência de um povo que resiste até hoje, algo que minha branquitude não consegue entender, mesmo depois de todo esse tempo, o racismo tem, muitas vezes, sido o protagonista nas tela e nas redes. Resta- me juntar aos tantos e tantas guerreiros(as) Zumbis e Gangas Zumbas e fazer o bom combate.

Deus é Brasileiro, muitos afirmam, mesmo assim seus ensinamentos estão sendo atropelados por uma sociedade que repele o comportamento da Tieta, mas tieta com o nazismo, com o fascismo e com preconceito em suas claques e tomadas. Várias Perpétuas perpetuam- se no poder com seus discursos misóginos, homofobicos, falsos cristãos que deixariam o Bafo de Bode com hálito mais refrescante que um pé de tabletes de Halls “preto” original.

Diversos Orfeus tem sofrido na pele por ter a pele preta e suas Eurídices estão muito além de uma simples paixão, Orfeu não teve a mesma “sorte” de Xica da Silva, mas uma coisa é certa, ela abalou a sociedade da época, se fosse nos dias de hoje , ela teria viralisado nas redes, se tornando uma celebridade com milhões de seguidores e haters.
Verdade, pergunte ao português João Fernandes.

Um alagoano conseguiu transitar por todas essas situações e épocas, colocando o holofote direcionado para as questões do racismo e desigualdade em nosso Brasil tupiniquim. Jamais a Academia Brasileira de Letras teria tantas letras pra escrever as obras de gigantesca significância extra terra de Vera Cruz, fazendo até uma Joanna Francesa trocar o rios Sena e o Tietê pelo Rio São Francisco nas Alagoas.
Sua imagem e seu trabalho deixaram claro, mais claro que as canções de Clara, que ele tinha lado e ao lado dela defendia a cultura, a música, o teatro e a democracia.
Quem é ele?

Cacá Diegues com C de cinema revolucionou a sétima arte, rejuvenesceu o velho cinema, o transformando em cinema novo, o Curioso Caso de Benjamin Bunton por trás das telas, deixando sua arte para seus Herdeiros( nós). Para Cacá, Dias Melhores Virão, pelo menos ele, com sua arte, assim desejava, mas sua decepção foi assistir nos últimos anos de sua vida, uma parcela da população viver numa realidade paralela, onde a mentira é absoluta, o ódio é aplaudido de pé e os devaneios são apenas imitações de Maryalvas, que acreditam e conversam com fantasmas e porque não dizer, que para eles o fantasma em questão é o “comunismo” tão enfatizado pelos cidadãos de bem, ” cristãos e de Família.(risos).

Bye bye Cacá.

E o Lula?
Ficará para a próxima Reflexão com todo gás e remédio de graça. Até lá.

Reflexões* Flávio Show 2025 , ano 05 – Edição 218

Mulher escravizada por mais de 70 anos tem vínculo trabalhista reconhecido pela Justiça

O caso é considerado o mais longo de alguém em situação de escravidão contemporânea no Brasil

Uma empregada doméstica de 85 anos mantida em situação análoga à escravidão por mais de sete décadas teve o vínculo empregatício reconhecido pelo juiz do Trabalho Leonardo Campos Mutti, da 30ª vara do Trabalho do Rio de Janeiro.

O juiz sentenciou os empregadores, mãe e filho, a pagar R$ 600 mil por danos morais individuais. Os réus também foram condenados a pagar as verbas trabalhistas devidas entre janeiro de 1967 e maio de 2022, ano em que a denúncia veio à tona, que somam mais de R$ 300 mil.

A vítima começou a ser explorada aos 12 anos. Desde então, não teve direito de receber salários ou qualquer direito trabalhista, além de ser submetida a condições degradantes, como a privação de estudar, ter lazer ou de sair do ambiente de trabalho.

Após denúncias de vizinhos, a idosa foi encontrada em um espaço improvisado dentro da residência da família. Ela dormia em um sofá e era obrigada a cumprir longas jornadas de trabalho.

Fonte: Jornal GGN

Petrobras descobre nova camada de óleo no pré-sal da Bacia de Santos

Novo poço foi localizado em reservatório do campo de Búzios

A Petrobras confirmou nesta sexta-feira (14) nova acumulação de petróleo na zona inferior ao reservatório principal do campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. O volume foi identificado por meio de testes em uma profundidade de 5.600 metros.

De acordo com nota divulgada pela empresa, na inspeção foram usados perfis elétricos gerados por sonda introduzida em nova perfuração, para identificar caraterísticas geológicas e hidrológicas. O material gerado ainda está em análise pelos laboratórios da Petrobras.

A nota esclarece que “o Consórcio da Jazida Compartilhada de Búzios, formado pela Petrobras como operadora (participação de 88,98%), em parceria com a CNOOC (7,34%) e a CNPC (3,67%), tendo a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) como gestora, dará continuidade às análises dos resultados para continuidade das atividades na área”.

Produção média anual

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção média anual de petróleo e gás natural foi, em 2024, de 4,322 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d). Desses, foram produzidos 3,358 milhões de barris por dia (bbl/d) de petróleo.

Cerca de 78% desta produção foi proveniente de reservatórios da camada pré-sal, uma formação localizada entre mil e 6 mil metros de profundidade abaixo do nível do mar. O campo de Búzios é considerado o maior do mundo em águas ultraprofundas e fica localizado no Rio de Janeiro, a 189 quilômetros da costa. Opera com produção em larga escala desde março de 2015, e no último ano ultrapassou a marca de 1 bilhão de barris de petróleo produzidos, no mês de março.

De acordo com o Boletim da Produção de Petróleo e Gás Natural da ANP, em 2024, a produção do campo de Búzios aumentou 2,40% em relação ao ano de 2023, representando 19,53% da produção marítima.

Fonte: Agência Brasil

Juiz de Fora avança em proposta de transporte gratuito para estudantes

Segundo o órgão, todos os estudantes da rede pública serão contemplados. Com isso, a cidade espera atender cerca de 85 mil alunos da educação infantil ao ensino superior, se a proposta for aprovada no parlamento. 

A prefeitura Municipal de Juiz de Fora (PJF), em Minas Gerais, sob o comando de Margarida Salomão (PT), encaminhou à Câmara Municipal da cidade na segunda-feira, um projeto que tem o objetivo de criar um passe livre estudantil para a população da cidade. 

Segundo o órgão, todos os estudantes da rede pública serão contemplados. Com isso, a cidade espera atender cerca de 85 mil alunos da educação infantil ao ensino superior, se a proposta for aprovada no parlamento. 

– Transporte escolar gratuito para todos os estudantes da rede pública do município. É isso que estamos topando fazer: passe livre para ir e voltar da aula, com recurso da prefeitura, uma grande mudança de patamar. O direito à cidade é, em primeiro lugar, o direito físico à cidade. Neste caso, o direito de se mover, para estudar. É um investimento de aproximadamente R$ 3 milhões por mês – afirmou a prefeita Margarida Salomão, em nota publicada no portal da Prefeitura.

Atualmente, segundo a PJF, a política de passe livre favorece 1.585 usuários, destinado a estudantes da rede municipal inscritos no CadÚnico que residam a uma distância igual ou superior a um quilômetro da escola. 

Estudantes da rede pública

Se aprovada, a nova proposta atenderá estudantes da rede pública independentemente da distância entre a residência do estudante e a instituição, algo que também se estenderá aos acompanhantes de alunos com deficiência.

Nas redes sociais, a proposta foi amplamente comemorada, com avaliações que chamam a atenção para uma luta histórica da população do município. 

– Um sonho sendo realizado. Lembro de todas as vezes que nós, estudantes, ocupamos a Câmara dos Vereadores reivindicando o Passe Livre Estudantil – destacou o ator e pesquisador Phelipe Britto. 

– Com certeza fará uma diferença enorme no acesso ao ensino. Essa atitude demonstra o compromisso com a população de nossa cidade e ainda enfatiza a importância da educação, permitindo que todos possam estudar, sem se preocupar com a locomoção – ressaltou o sindicalista Robson Marques.

A discussão, agora, passa a ocorrer no legislativo. A medida, se aprovada, contemplará alunos de instituições públicas de Juiz de Fora, da educação infantil; ensino fundamental; ensino médio; educação profissional técnica de nível médio; educação de jovens e adultos; estudantes matriculados na educação profissional e tecnológica; e estudantes matriculados na Educação Superior.

Fonte: Correio do Brasil

Palestinos transferidos para tratamento médico temem nunca mais voltar para Gaza

Israel dizimou o sistema de saúde no enclave sitiado, forçando os palestinos a buscar tratamento no exterior sempre que possível. Agora, aqueles que foram autorizados a sair temem que os esforços de Tel Aviv para limpar Gaza etnicamente possam significar que eles não terão permissão para retornar. As entrevistas neste artigo foram realizadas antes do cessar-fogo entrar em vigor em 19 de janeiro de 2025.

A crise humanitária em Gaza atingiu níveis críticos, impulsionada pelas ações deliberadas das forças de ocupação israelenses que obstruem o fluxo de ajuda para comunidades vulneráveis. As ativistas de base Hala Sabbah e Lena Dajani do Sameer Project expuseram como o bloqueio e as políticas militares de Israel interrompem sistematicamente a entrega de suprimentos essenciais, o que não apenas impede que a assistência vital chegue aos mais necessitados, mas também cria um ambiente de exploração e lucro, piorando as dificuldades enfrentadas pelos moradores comuns de Gaza.

Sabbah e Dajani relatam casos angustiantes de ajuda sendo interceptada, roubada e vendida a preços exorbitantes, com as políticas israelenses facilitando diretamente esse lucro de guerra. “Caminhões que transportam ajuda são frequentemente interceptados por gangues armadas”, explica Sabbah. Os esforços para desafiar esse saque são frequentemente recebidos com retaliação mortal, incluindo ataques de drones. Até mesmo organizações internacionais de ajuda têm enfrentado escrutínio por ineficiências; por exemplo, caminhões de farinha foram armazenados por semanas antes de serem distribuídos, deixando famílias famintas em apuros.

A exploração se estende além de suprimentos básicos para evacuações médicas para as crianças de Gaza. O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) da ONU revelou que apenas 446 pacientes, incluindo 266 crianças, foram evacuados para tratamento médico fora de Gaza desde que as forças israelenses ocuparam a passagem de Rafah em maio do ano passado. Desde que o ataque militar em andamento de Israel em Gaza começou em outubro de 2023, pouco mais de 5.000 pessoas foram evacuadas.

Os críticos argumentam que esse número ressalta o domínio de Israel sobre a ajuda humanitária vital. Com cerca de 12.000 palestinos precisando urgentemente de evacuação médica no exterior, grupos de ajuda alertam sobre consequências catastróficas, pois os hospitais lutam para funcionar em meio a bombardeios implacáveis ​​e quase nenhum recurso.

Dajani expõe ainda como algumas organizações médicas priorizam evacuações não com base na necessidade, mas em seu potencial de arrecadação de fundos, revelando os compromissos éticos dentro do sistema. “Talvez fossem boas intenções no início, mas se tornou uma questão de escolher a criança que vai ganhar mais dinheiro”, explica ela. “Traga-os para fora, tire o máximo de dinheiro deles, negligencie o tratamento deles e depois passe para a próxima criança.”

A competição entre ONGs por casos “virais” agrava esse problema. De acordo com Dajani, as organizações competem por casos de alto perfil para impulsionar sua presença online e esforços de arrecadação de fundos. Em alguns casos, as ONGs foram acusadas de tentar minar os esforços umas das outras e “reivindicar” crianças para reforçar seu próprio status e poder de arrecadação de fundos. Essa rivalidade resultou em situações em que as famílias, já em profunda angústia, são pegas no drama de qual organização levará o crédito pela evacuação de seus filhos doentes.

Um exemplo de partir o coração desse sistema quebrado é a história de Batul, de oito anos, uma criança gravemente doente cuja vida poderia ter sido salva se seu caso tivesse recebido a atenção necessária, diz Sabbah. Batul, que vivia no Refaat Alareer Camp fundado pelo Sameer Project, sofria de graves problemas de saúde, incluindo doença celíaca e provavelmente doença de Crohn.

Seu sistema imunológico enfraquecido a deixou constantemente doente e ela pesava apenas 11 quilos. No início de dezembro, Batul entrou em coma. Quando Sabbah questionou por que Batul, que estava na lista de evacuação de uma organização há sete meses, ainda não havia sido priorizada, ela foi informada: “Ela não é um dos nossos casos mais críticos”. Apesar da insistência de Sabbah de que Batul estava à beira da morte, suas preocupações foram descartadas. Tragicamente, apenas três dias depois, Batul faleceu.

Sabbah ficou de coração partido e frustrada. “Se Batul tivesse viralizado e todo mundo estivesse postando sobre ela, ela estaria viva agora. É com isso que estamos lidando — quem tem mais influência, quem recebe mais fundos, qual criança é a galinha dos ovos de ouro”, ela explica. As circunstâncias da morte de Batul destacam as prioridades falhas de algumas organizações de ajuda, onde o foco na visibilidade e arrecadação de fundos ofusca o compromisso de salvar vidas. “É horrível porque você literalmente tem que ter um tumor enorme saindo do seu rosto para receber alguma atenção”, lamenta Sabbah. “Quanto mais doente a criança parece, maior a probabilidade de ela obter ajuda.”

Acrescentando à tragédia, a mãe de Batul foi culpada pelo sofrimento de sua filha, acusada de “prestar um desserviço à filha” ao buscar ajuda de várias organizações. Essa culpabilização da vítima ressalta a disfunção e as falhas morais de um sistema que deveria priorizar o bem-estar dos mais vulneráveis, mas, em vez disso, sucumbe à política interna e à competição.

As falhas do sistema vão além do caso de Batul. Um bebê evacuado do Egito para a Itália morreu no meio do voo porque a organização que supervisionava o caso não conseguiu garantir que o bebê estivesse clinicamente estável para a viagem. “Nossos bebês estão morrendo por causa dessas organizações”, diz Sabbah sem rodeios. O trauma não termina aí. Para muitas famílias, o alívio de escapar de Gaza dura pouco, substituído pelas duras realidades da vida em países estrangeiros sem sistemas de apoio, comunidade ou mesmo uma língua compartilhada. “Essas são pessoas que viveram sitiadas por 17 anos. De repente, elas se encontram em um quarto de hospital em Doha, lidando com pessoas que não falam uma palavra de árabe”, explica Sabbah. Um pai na Itália tornou-se suicida após lutar contra o isolamento. “Ele disse: ‘Se você não me levar de volta para Gaza agora, eu vou me matar’”, relata Sabbah.

Adicionando à devastação está a separação permanente que muitas famílias enfrentam. “Há uma grande chance de que, quando o genocídio terminar e eles abrirem as fronteiras, essas pessoas não consigam voltar”, alerta Sabbah. Advogados e juízes de asilo ecoaram essa preocupação, observando que famílias evacuadas podem permanecer separadas por décadas, presas no limbo e incapazes de retornar para casa.

Essa realidade sombria, em última análise, serve ao objetivo de limpeza étnica de Israel, argumentam Sabbah e Dajani. “De alguma forma doentia, essas evacuações médicas estão trabalhando a favor de Israel”, diz Sabbah. “Eles se convencem: ‘Oh, olha, estamos permitindo que essas crianças doentes saiam’, mas que benefício estamos fazendo quando uma criança só precisa de uma pequena cirurgia que leva duas horas? Nós as tiramos de suas vidas, de suas comunidades, dos braços de suas mães e pais, e as colocamos em um país estranho.”

O custo mental e emocional dos evacuados palestinos muitas vezes passa despercebido. “A vida em Gaza é completamente diferente de todas as partes do mundo”, explica Dajani. “É como aprender a viver novamente para essas pessoas.” No entanto, muitas organizações não consideram isso. De equipes médicas despreparadas a festas de aeroportos surdas que recebem crianças traumatizadas, a falta de sensibilidade cultural e planejamento de longo prazo só piora o sofrimento. Como Sabbah conclui: “Deveríamos ter os mesmos padrões que outras zonas de guerra aplicam. Fazer o mínimo não é suficiente.”

Fonte: Monitor do Oriente

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