Comunidade luta contra fechamento de escola no campo em Alagoas

No dia 06/02, mães de estudantes do Assentamento Nova Esperança, junto com representação do Setor de Educação do MST, estiveram reunidas com a Secretaria de Educação de Olho D’Água do Casado (AL) para denunciar a ameaça de retirada de oferta de aulas do Ensino Fundamental 2 da Escola Municipal Dom Pedro II. Durante a reunião, foi entregue um abaixo-assinado com mais de 150 assinaturas de famílias que serão diretamente afetadas pela retirada das turmas do 6º ao 9º ano.

A medida é ilegal e fere o direito à educação garantido pela Constituição e pela legislação da Educação do Campo, que assegura a oferta de ensino próximo às comunidades rurais. Fechar essas turmas significa impor deslocamentos longos, aumentar a evasão escolar e negar o acesso digno à educação para adolescentes do campo.

As famílias seguem mobilizadas para defender a permanência do Ensino Fundamental 2 no assentamento, onde junto à Secretaria de Educação, constituíram uma agenda de trabalho para seguir monitorando e solucionando a situação a partir das reais demandas da comunidade.

Fonte: MST Alagoas

Famílias separadas, direitos em disputa: o drama dos brasileiros no labirinto da imigração dos EUA

Por Alexandre Rangel


Quando Pedro* e André* atravessaram o Rio Grande, na fronteira entre México e Estados Unidos, carregavam mais do que mochilas leves e documentos improvisados. Levavam a esperança de recomeçar. Em poucas horas, essa expectativa se transformou em uma longa travessia institucional: detenção, separação familiar, audiências migratórias e, por fim, deportação. O caso dos dois irmãos brasileiros — um maior de idade, o outro menor — tornou-se símbolo de um fenômeno maior: o aumento expressivo de deportações de brasileiros e o endurecimento do sistema migratório norte-americano.
Em 2025, os EUA registraram um dos maiores volumes de deportações de brasileiros da série recente. Foram mais de 2,2 mil pessoas removidas oficialmente, com estimativas que ultrapassam 3 mil quando se incluem voos fretados e repatriações humanitárias. O crescimento em relação a anos anteriores foi significativo, acompanhando o fortalecimento de políticas de “tolerância zero” para entradas irregulares e a ampliação de mecanismos como a deportação sumária.
O caminho até a detenção
O roteiro é recorrente. Após cruzar a fronteira, muitos imigrantes se entregam à Patrulha de Fronteira (CBP) na tentativa de iniciar um pedido de asilo. A partir daí, dois caminhos são possíveis. O primeiro é a expedited removal, a deportação acelerada, sem audiência formal com juiz. O segundo, mais longo, envolve o encaminhamento ao tribunal de imigração, administrado pelo Departamento de Justiça.
Pedro e André seguiram esse segundo percurso — mas separados. Por ser menor de idade, André foi enviado a um sistema de acolhimento federal. Pedro, adulto, foi encaminhado a um centro de detenção administrado pelo ICE, a agência responsável por prisões migratórias internas e execução de deportações. Durante meses, os irmãos ficaram sem contato direto.
A separação familiar não é exceção. Ela decorre de protocolos administrativos distintos para adultos e menores, frequentemente criticados por organizações de direitos humanos. “É uma política que fragmenta laços e aprofunda traumas”, afirma uma advogada de imigração em Houston que acompanha casos semelhantes.
Dentro do tribunal de imigração
O processo judicial migratório nos EUA não ocorre no Judiciário tradicional. Ele é administrativo, vinculado ao Executivo. Tudo começa com o Notice to Appear (NTA), documento que acusa formalmente o imigrante de violar leis migratórias.
A primeira audiência, chamada de Master Calendar Hearing, dura poucos minutos. O juiz confirma dados, pergunta se há advogado e identifica quais pedidos legais serão apresentados — como asilo ou cancelamento de deportação. A decisão real ocorre na Individual Hearing, quando o imigrante apresenta provas, testemunhas e seu próprio depoimento.
É nessa etapa que o sistema revela uma de suas maiores desigualdades: não há defensor público garantido. Quem não pode pagar advogado depende de listas de assistência gratuita. Dados de pesquisas acadêmicas mostram que a chance de sucesso em pedidos de asilo praticamente triplica quando o imigrante está assistido por um profissional.
Pedro compareceu às audiências acompanhado por intérprete, mas sem defesa robusta. Seu pedido de asilo foi negado. Sem novos recursos viáveis, recebeu ordem de remoção. Em um voo fretado, retornou ao Brasil meses depois. André, por ser menor, teve acompanhamento diferenciado, mas também acabou retornando ao país.
Direitos no papel, limites na prática
Mesmo sem documentos, imigrantes detidos possuem direitos básicos garantidos por tratados internacionais e pela Constituição dos EUA. Entre eles:
• saber o motivo da detenção;
• fazer ligações para familiares, advogados e consulados;
• ter acesso a intérprete;
• solicitar asilo ou proteção contra tortura;
• receber atendimento médico básico;
• não ser coagido a assinar deportação voluntária.
Na prática, porém, denúncias de violações são frequentes. Organizações relatam dificuldades de acesso a advogados, barreiras linguísticas, atendimento médico precário e pressão psicológica para que detidos aceitem sair do país rapidamente.
“Existe uma diferença enorme entre o que a lei garante e o que acontece dentro dos centros de detenção”, resume um pesquisador especializado em políticas migratórias.
O perfil dos deportados
Os dados disponíveis indicam que a maioria dos brasileiros deportados está em idade economicamente ativa. Em um voo oficial analisado pelo governo brasileiro, quase 65% dos repatriados tinham entre 21 e 40 anos. Também há presença de adolescentes e crianças, ainda que em menor proporção.
Quanto à origem no Brasil, estados como Minas Gerais, São Paulo e regiões do Norte aparecem com frequência entre os destinos finais após o retorno, refletindo antigas redes migratórias que conectam cidades brasileiras a polos de trabalho nos EUA.
Um sistema sobrecarregado
O sistema de imigração norte-americano opera sob forte pressão. Juízes acumulam milhares de processos em atraso. Audiências por videoconferência tornaram-se rotina, principalmente em centros de detenção afastados dos grandes centros urbanos. Para críticos, a velocidade imposta a certos casos compromete a qualidade das decisões.
Ao mesmo tempo, o discurso político de endurecimento migratório reforça a ideia de que a deportação rápida é um instrumento de controle fronteiriço. O resultado é um paradoxo: enquanto o país depende historicamente da mão de obra imigrante, intensifica mecanismos que produzem instabilidade social e familiar.
O impacto humano
Para além das estatísticas, histórias como a de Pedro e André expõem a face humana do fenômeno. O período de detenção deixou marcas físicas e emocionais. A separação forçada agravou o sofrimento psicológico. No retorno ao Brasil, ambos enfrentaram o desafio de recomeçar sem o dinheiro investido na travessia e com a sensação de derrota.
“Eles não voltam ao ponto de partida. Voltam diferentes”, afirma um assistente social que atua em programas de acolhimento a repatriados.
Um debate que atravessa fronteiras
O caso dos irmãos brasileiros sintetiza uma questão maior: até que ponto a soberania dos Estados pode se sobrepor aos direitos humanos universais? Nos EUA, na Europa e em outras regiões do mundo, o controle migratório tornou-se campo de disputa política, ideológica e ética.
Enquanto governos falam em segurança, organizações humanitárias alertam para o risco de normalizar a desumanização. No meio desse embate, milhares de brasileiros continuam tentando atravessar fronteiras — físicas e burocráticas — em busca de oportunidades.
E, como Pedro e André aprenderam da forma mais dura, o caminho raramente termina na linha do horizonte. Muitas vezes, termina diante de um juiz, dentro de uma sala fria, onde o futuro depende de poucos minutos de audiência.
*Nomes alterados para preservar a identidade dos envolvidos.

Iprev Maceió tem rombo de R$ 299,4 milhões após aplicações no Banco Master, diz Globo

O fundo financeiro do Instituto previdenciário da capital alagoana teve rombo milionário após aplicações no Banco Master, segundo denúncia veiculada pela Globo News

Iprev Maceió (Maceió Previdência) está entre os oito fundos previdenciários estaduais e municipais que operam no vermelho após investimentos em letras financeiras do Banco Master, instituição que entrou em liquidação extrajudicial por determinação do Banco Central em novembro de 2025. A informação consta em levantamento exclusivo da GloboNews, baseado nos balanços mais recentes enviados ao Ministério da Previdência Social.

De acordo com os dados oficiais, o Maceió Previdência registra déficit financeiro de R$ 299.438.030,55, um dos maiores entre os institutos municipais analisados. O estudo considerou os Demonstrativos de Resultados da Avaliação Atuarial (DRAA) de 2025, documentos que apontam a situação financeira atual dos regimes próprios de previdência.

Ao todo, 18 fundos previdenciários públicos — estaduais e municipais — aplicaram R$ 1,86 bilhão no Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. Desse universo, quase metade apresenta déficit, evidenciando o impacto direto de decisões de investimento consideradas de alto risco para recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões.

Para o advogado e professor de Direito Previdenciário Rômulo Saraiva, autor do livro “Fraude nos Fundos de Pensão”, o caso revela falhas graves de governança.

“Mesmo que o regime esteja em superávit financeiro, não se justifica investir recursos de aposentados em papéis de alto risco, emitidos por um banco cuja reputação e lastro já eram questionados pelo mercado. Em muitos casos, a análise técnica foi substituída por ingerência política”, afirma.

Além do Iprev Maceió, figuram na lista de fundos deficitários institutos como o Rioprevidência, com um rombo superior a R$ 16,7 bilhões entre servidores civis, e o Amazonprev, que acumula déficit de R$ 751,1 milhões. Há ainda casos de municípios de menor porte, como Santa Rita do Oeste (SP), cujo déficit chega a R$ 988,4 mil.

Outro fator de alerta é que os valores aplicados no Banco Master não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Com a liquidação, esses recursos passam a integrar a massa de credores, sem garantia de recuperação integral.

Em nota, o Maceió Previdência afirmou que, à época das aplicações, o Banco Master “estava plenamente habilitado no Banco Central e no Ministério da Previdência” e possuía grau de investimento concedido por agência de classificação de risco, além de ter os aportes aprovados pelo Conselho de Administração do instituto.

A reportagem da GloboNews informou que solicitou posicionamento de todos os fundos previdenciários deficitários e que novas atualizações serão publicadas à medida que as respostas forem enviadas. O caso reacende o debate sobre gestão, transparência e responsabilidade na aplicação de recursos que sustentam a aposentadoria de milhares de servidores públicos em todo o país.

Fonte: Redação com 082 Notícias

Lula vence todos os candidatos da direita no 1º turno, diz pesquisa Real Time Big Data

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera todos os cenários de primeiro turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo pesquisa nacional divulgada nesta segunda-feira (9) pelo instituto Real Time Big Data.

O levantamento aponta uma vantagem consistente do petista, enquanto a direita e o centro seguem fragmentados na disputa pelo Palácio do Planalto.

No primeiro cenário, Lula aparece com 39% das intenções de voto, à frente de Flávio Bolsonaro, que soma 30%. Em terceiro lugar surge o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), com 10%.

Na sequência, tecnicamente empatados, aparecem Romeu Zema (3%), Aldo Rebelo (2%) e Renan Santos (1%). Brancos e nulos somam 7%, enquanto 8% não souberam ou preferiram não responder.

Pesquisa Real Time Big Data para presidente da República, publicada em fevereiro de 2026
Pesquisa Real Time Big Data para presidente da República. Foto: Reprodução

Em um cenário com o PSD lançando o governador gaúcho Eduardo Leite, ele aparece com 5%, em empate técnico pelo terceiro lugar com Zema, Rebelo e Santos. Nesse recorte, Lula oscila para 40% e Flávio Bolsonaro chega a 32%.

Pesquisa Real Time Big Data para presidente da República, publicada em fevereiro de 2026
Pesquisa Real Time Big Data para presidente da República. Foto: Reprodução

Com o governador de Goiás Ronaldo Caiado como candidato, o cenário se mantém semelhante: Caiado registra 6% e empata tecnicamente com Zema e Rebelo, enquanto Lula permanece com 40% e Flávio Bolsonaro alcança 32%.

A pesquisa ouviu 2.000 eleitores em municípios de todas as regiões do país entre os dias 6 e 7 de fevereiro de 2026. O nível de confiança é de 95%, com margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-06428/2026.

Pesquisa Real Time Big Data para presidente da República, publicada em fevereiro de 2026
Pesquisa Real Time Big Data para presidente da República. Foto: Reprodução

Fonte: DCM

México envia navios de ajuda humanitária a Cuba em meio à pressão dos EUA

Cuba enfrenta profunda crise desde suspensão de abastecimento de petróleo da Venezuela após intervenção americana

O governo do México informou neste domingo (8) o envio de mais de 814 toneladas de suprimentos destinados à população de Cuba, a bordo de dois navios da Marinha que zarparam do porto de Veracruz.

O envio de ajuda por parte do governo da presidente de esquerda Claudia Sheinbaum ocorre enquanto o México segue negociando uma eventual entrega de petróleo à ilha sem ser sancionado pelos Estados Unidos, que ameaçou com encargos qualquer país que forneça hidrocarbonetos a Havana.

“A ajuda humanitária está sendo enviada para a República de Cuba por meio dos navios de apoio logístico Papaloapan e Isla Holbox”, indicou a Chancelaria em comunicado, no qual detalhou que espera que cheguem a seu destino em quatro dias.

Os suprimentos, que foram embarcados desde cedo no porto de Veracruz (leste), incluem leite líquido e em pó, produtos de carne, biscoitos, feijão, arroz e artigos de higiene pessoal, entre outros, a maior parte deles no navio Papalopan (536 toneladas) e o restante no Isla Holbox.

“Gostaríamos de informar que ainda há mais de 1.500 toneladas de leite em pó e feijão aguardando embarque”, acrescentou a Chancelaria em comunicado.

Cuba enfrenta uma profunda crise que se agravou com a suspensão de abastecimento de petróleo da Venezuela, após a queda do mandatário desse país, Nicolás Maduro, em uma intervenção militar americana em 3 de janeiro.

As vendas de petróleo e derivados do México para Cuba somaram 496 milhões de dólares em 2025 (R$ 2,6 bilhões, na cotação atual), menos de 1% da produção da petrolífera estatal mexicana Pemex, informou a própria empresa na semana passada.

Estes envios de hidrocarbonetos respondem a razões humanitárias, argumentou a Pemex.

Fonte: Revista Fórum

Abuso: Aneel autoriza que a Equatorial cobre mais caro por energia distribuida a noite

Aneel aprovou a execução de um projeto-piloto que autoriza a distribuidora Equatorial a implementar uma tarifa de energia elétrica diferenciada. O teste consiste em elevar o custo da energia consumida durante a noite.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deu um passo significativo para penalizar os consumidores e aumentar o lucro das empresas distribuidora de energia elétrica no Brasil, aprovando um projeto-piloto. Segundo, a Aneel, a iniciativa visa combater os riscos de sobreoferta gerados pelo crescente volume de fontes renováveis, como a energia solar e eólica, na rede nacional.

Em um teste com a distribuidora Equatorial, a agência permitirá a cobrança de tarifas mais elevadas durante a noite. O objetivo principal é incentivar os consumidores a deslocar parte de seu consumo para os períodos diurnos, quando a produção de eletricidade proveniente do sol e do vento é abundante e subutilizada. Ou seja, aumentar os lucros da Equatorial, empresa privada, que se apropriou a preço de banana do sistema estatal Eletrobrás.

O projeto-piloto da Equatorial: detalhes e objetivos
Nesse cenário estratégico, a Aneel aprovou a execução de um projeto-piloto inovador que autoriza a distribuidora Equatorial a implementar uma tarifa de energia elétrica diferenciada. O teste consiste em elevar o custo da energia consumida durante a noite, em contrapartida, de forma implícita, a incentivar o consumo diurno, quando a geração de energia solar e eólica é mais robusta e abundante. O principal objetivo é induzir uma mudança no padrão de consumo dos usuários, estimulando-os a realizar atividades que demandam eletricidade – como usar máquinas de lavar roupa, carregar veículos elétricos, ligar bombas d’água ou programar outros eletrodomésticos de alto consumo – nos períodos em que a oferta de energia renovável é mais abundante e, consequentemente, o custo marginal de geração é menor para o sistema.

Ainda que os detalhes específicos da implementação para os consumidores da Equatorial devam ser comunicados diretamente pela própria distribuidora aos seus clientes afetados, o conceito por trás da medida é a aplicação de um modelo de tarifação horo-sazonal. A expectativa é que, ao tornar a energia noturna significativamente mais cara, os clientes sejam motivados a programar seus aparelhos ou adaptar seus hábitos para aproveitar as tarifas potencialmente mais baixas (ou, pelo menos, evitar as mais altas) durante o dia. O projeto será monitorado pela Aneel, em parceria com a Equatorial.

E para debochar ainda mais da população a Aneel orienta que os consumidores se adaptem a essa nova tarifa, que segundo a Aneel, para se adaptar, os consumidores podem reajustar seus hábitos de consumo, deslocando atividades que demandam muita energia – como usar eletrodomésticos de alto consumo, carregar carros elétricos ou aquecer água – para os períodos diurnos, quando as tarifas podem ser mais vantajosas. O uso de temporizadores e a programação de aparelhos são estratégias eficazes para aproveitar a mudança.

Fonte: Redação com Uol

Foto: Divulgação Equatorial

Socialista António Seguro derrota extrema-direita e é o novo presidente de Portugal

Neste domingo (08), António José Seguro, do Partido Socialista, foi eleito no segundo turno presidente de Portugal. Seguro bateu André Ventura, do Chega, partido da extrema-direita portuguesa. Ventura nunca escondeu o intuito de ser visto como o “Bolsonaro português”.

Seguro, assim como Ventura, surpreenderam no primeiro turno. O extremista de direita teve 23,5% na primeira volta – 4% acima das previsões das pesquisas. Já Seguro teve 8% mais ante as previsões das sondagens eleitorais.

Ele quase não foi candidato – o PS cogitou apoiar um nome de outro partido para evitar a vitória de Luís Mendes (PSD), candidato do premiê Luís Montenegro. As candidaturas de Cotrim Figueiredo (IL), numa legenda semelhante ao Partido Novo e do militar Henrique Gouveia Melo (Independente) embaralharam a disputa e recolocaram o PS no jogo.

Mendes acabou em quinto lugar, com apenas 11% num melancólico vislumbre para o PSD sobre a próxima eleição legislativa – os sociais-democratas, de centro-direita, devem perder o cargo de primeiro-ministro. Bons desempenhos de Cotrim e Melo também atrapalharam Ventura.

Juventude socialista

O socialista chegou lá com apoios inusitados. A primeira batalha vencida foi dentro do próprio partido, explica Guilherme Karl, cientista político da UERJ. “Os cabeças brancas do partido não o viam como competitivo num pleito com cinco candidaturas fortes. Mas o apoio da juventude socialista o reabilitou no partido”, diz. Seguro mesmo começou na política como presidente da JS.

Isso aconteceu porque Seguro acabou proscrito dentro do PS. Apesar da trajetória como deputado federal (1991-1995), secretário-adjunto no governo António Guterres, eurodeputado entre 1999 e 2001, ele foi considerado responsável pela apertada vitória obtida pelos socialistas em 2014 nas eleições para o parlamento europeu.

Uma “vitória por poucochinho”, como disseram os jornais portugueses à época. Esse cenário levou o PS a plenárias internas, fazendo António Costa, então presidente da Câmara de Lisboa e futuro primeiro-ministro (2015-2024), como novo líder do partido.

Como os socialistas haviam perdido o governo para o PSD em 2024, o PS reabilitou Seguro. O partido precisava das bases e da juventude – ninguém melhor que um ex-presidente da JS para acender a militância e retomar o governo.

Durante as eleições para o parlamento europeu em 2024, havia a preocupação com um possível crescimento do Chega, do extremista André Ventura. O Chega realmente cresceu 8,3%, batendo 9,8% do total. Mas o PS foi o mais bem-sucedido dos partidos portugueses na disputa para as cadeiras em Estrasburgo.

Cordão sanitário

Essa subida do PS, novamente sob a batuta de Seguro, levou a legenda a pensar se não seria possível vencer as eleições presidenciais. A aposta do PS em Seguro mostrou-se correta. No primeiro turno, o resultado foi 8% acima do esperado.

Além disso, diferentemente do Brasil, dos EUA e de vários países europeus onde há o mesmo fenômeno do crescimento da direita fascista, a classe política portuguesa mostrou-se atenta e não cedeu ao populismo. As sondagens mostraram Seguro com 63% a 66% dos votos.

O primeiro apoio veio de Gouveia Melo, o militar independente. Segundo Melo, apesar das diferenças com o PS, jamais votaria em André Ventura. Cotrim Figueiredo sinalizou um apoio indireto.

Já o premiê Luís Montenegro teve uma postura vergonhosa. Declarou neutralidade entre Seguro e Ventura. Mas os correligionários tiveram mais decência. Vereadores, deputados distritais, deputados federais e outros políticos do PSD declararam apoio em Seguro.

Samer Beloni, geógrafo e especialista em geopolítica dá sua visão: “Portugal conseguiu fazer um cordão sanitário em relação à Europa. Os 30% de Ventura são uma mostra que Portugal está lidando melhor com o fascismo do que o resto da Europa”.

Fonte: DCM

ONU: Israel não tem autoridade legal para impor suas leis aos palestinos que vivem sob ocupação

A Relatora Especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados desde 1967, Francesca Albanese, afirmou na quarta-feira que Israel não tem autoridade legal para impor suas leis aos palestinos que vivem sob ocupação.

Em uma publicação na plataforma X, Albanese questionou a conduta de Israel em relação aos palestinos, perguntando: “Como então pode torturá-los até a morte por enforcamento?!”

Ela pediu aos Estados-membros da ONU que tomem medidas decisivas para acabar com a “cultura de impunidade” liderada por Israel, alertando que a inação contínua coloca em risco o sistema jurídico internacional.

Desde outubro de 2023, as forças de ocupação israelenses cometeram crimes de genocídio, cerco e fome na Faixa de Gaza, resultando na morte de 71.824 civis palestinos — a maioria mulheres e crianças — e em ferimentos em outros 171.608, segundo dados disponíveis. O número de vítimas permanece provisório, com milhares de pessoas que se acredita estarem presas sob escombros ou em áreas inacessíveis a ambulâncias e equipes de resgate.

Fonte: Monitor do Oriente

Governo Lula rejeita proposta dos EUA em terras raras

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva não irá aceitar a proposta dos EUA no setor de terras raras para a criação de uma reserva de mercado aos americanos. A avaliação é de que o projeto submetido nesta semana limita a autonomia do país na administração e destino dos minérios e perpetua uma assimetria no setor considerado como estratégico.

Nesta semana, o governo Trump apresentou a cerca de 50 países a ideia do lançamento de uma aliança para conter o peso da China no setor de terras raras e criar um mercado preferencial entre fornecedores e o mercado americano.

O ICL Notícias revelou com exclusividade o rascunho da proposta apresentada por Washington e que foi enviada ao Brasil.

Em resumo, a Casa Branca queria um compromisso dos governos para que as reservas no Brasil e em outros locais sejam preservadas para o consumo dos EUA.

Um segundo aspecto é a garantia de que esses países, inclusive o Brasil, não privilegiem o comércio com a China.

A Argentina aceitou, assim como outros 13 países. Mas, para o governo brasileiro, tal proposta “não faz sentido”. O que Brasília quer saber é o que os EUA têm a oferecer e insiste que “não está desesperado”.

O governo considera que é o Brasil que tem os minerais cobiçados pelos EUA e que quer evitar uma relação assimétrica na qual o país se limitaria a ser um vendedor de matéria prima.

Para o Palácio do Planalto, a aposta é que o setor de minérios será tão estratégico que os investidores vão buscar um equilíbrio para também atender às demandas do país onde estão as reservas.

Entre os pontos centrais do pacto está a criação de um sistema de controle de preços, a garantia de que barreiras não serão estabelecidas e que um acesso seja estabelecido às reservas do país que aceite o entendimento com a Casa Branca.

Segundo o pacto:

Os participantes comprometem-se a intensificar os esforços de cooperação para acelerar o abastecimento seguro de minerais críticos necessários para apoiar a fabricação de tecnologias de defesa e avançadas e suas respectivas bases industriais. Isso inclui o aproveitamento de instrumentos políticos existentes, como a infraestrutura de demanda e estocagem industrial dos Estados Unidos e as reservas estratégicas do [País X].

Há ainda o compromisso de que haja um licenciamento acelerado das zonas de exploração:

Os participantes estão tomando medidas para acelerar, simplificar ou desregulamentar os prazos e processos de licenciamento, incluindo a obtenção de licenças para mineração, separação e processamento de minerais críticos e terras raras dentro de seus respectivos sistemas regulatórios nacionais, em conformidade com a legislação aplicável.

Um dos trechos ainda revela o compromisso dos governos “parceiros” em mapear suas reservas e fornecer os dados aos EUA.

“Participantes pretendem cooperar para auxiliar no mapeamento de recursos minerais no [País X], nos Estados Unidos e em outros locais mutuamente determinados para apoiar cadeias de suprimentos diversificadas de minerais críticos”, afirma o acordo.

Opção bilateral

O governo brasileiro admite que, durante o encontro entre Lula e Trump em março na Casa Branca, o tema será colocado sobre a mesa pelos EUA. O Brasil já indicou que está disposto a dialogar. Mas desde que não seja nessas bases. O governo ainda não quer que esse tema seja usado como barganha para a retirada de tarifas contra produtos brasileiros que o Itamaraty consideram que são injustificadas.

Além disso, o Brasil quer garantias de que haja um fluxo de investimentos no país para evitar que a economia nacional seja apenas fornecedora de matéria-prima para a produção de alta tecnologia dos EUA.

Sem a possibilidade de aceitar o pacote apresentado nesta semana, o Itamaraty quer apostar num acordo bilateral.

Nesse aspecto, a ideia é a de criar uma situação na qual os americanos poderiam investir, processar e comprar os frutos do processamento. E não apenas levar os minérios e, depois, revender ao Brasil tecnologia.

O Brasil ainda quer manter seu direito de colocar barreiras para impedir a exportação de minérios.

No acordo comercial entre o Mercosul e a UE, por exemplo, o bloco sul-americano se reservou o direito de impor taxas para evitar o fluxo para fora do país, caso considere necessário e estratégico para a política industrial.

Acordo com Índia

Enquanto negocia com os EUA, o governo brasileiro costura um acordo no setor de terras raras com a Índia. O pacto pode ser assinado durante a visita do presidente Lula ao país asiático, na próxima semana.

Fonte: ICL

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