STF marca para 2 de setembro julgamento de Bolsonaro na trama golpista

O ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para 2 de setembro o início do julgamento da ação penal que tem como alvo o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados, todos réus por tentativa de Golpe de Estado. 

O julgamento foi marcado para começar às 9h. Zanin reservou oito sessões para a análise do caso, seis delas extraordinárias, ou seja, realizadas em horários fora do previsto para a Primeira Turma. 

Além do 2 de setembro, com uma sessão pela manhã e outra a tarde, a demais sessões estão previstas para ocorrer nos dias 3, 9, 10 e 12 de setembro, conforme cronograma divulgado pela secretaria da Primeira Turma. 

A ação penal 2668 é a mais avançada relacionada à trama golpista denunciada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e tem como alvo o núcleo 1 da trama, também chamado núcleo “crucial”, grupo formado pelo que seriam as principais cabeças do complô. 

Além do relator, ministro Alexandre de Moraes, vão participar do julgamento os outros quatro ministros que compõem a Primeira Turma – Cristiano Zanin, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Flávio Dino.

Como de costume nas análises de mérito e presenciais, o julgamento deve ser inteiramente transmitido pela TV e Rádio Justiça, bem como pelo canal do Supremo na plataforma YouTube. 

Relembre

A ação penal 2668 é a mais avançada relacionada à trama golpista denunciada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e tem como alvo o núcleo 1 da trama, também chamado núcleo “crucial”, grupo formado pelo que seriam as principais cabeças do complô. 

Pela denúncia do procurador-geral da República, Paulo Gonet, elaborada com base nas investigações da Polícia Federal (PF), Bolsonaro foi o líder de uma trama golpista que tinha como objetivo mantê-lo no poder mesmo com derrota na tentativa de reeleição, em 2022. 

Segundo a narrativa da acusação, o plano golpista começou a ser colocado em prática em meados de 2021, quando Bolsonaro orientou o alto escalão de seu governo a atacar o sistema eletrônico de votação, de modo a desacreditar o processo eleitoral e criar o clima social propício a uma ruptura democrática. 

Ainda segundo o PGR, a tentativa de golpe culminou com o 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Bolsonaro que não aceitavam o resultado das eleições invadiram e depredaram amplamente as sedes dos Três Poderes, em Brasília. 

Entre as provas apresentadas estão, por exemplo, minutas de um decreto golpista encontradas em endereços dos investigados, bem como rascunhos de planos como “Luneta”, “Copa 2022” e “Punhal Verde Amarelo”. 

O PGR enfatizou que tais planos chegaram a prever, inclusive, o sequestro e assassinato de autoridades ainda em 2022, entre as quais o ministro do STF Alexandre de Moraes, o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e o vice eleito, Geraldo Alckmin. 

Todos os oito réus do núcleo 1 foram acusados de cinco crimes: organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Somadas, as penas podem superar os 30 anos de prisão. 

O julgamento final da ação penal contra Bolsonaro foi marcado pouco depois de todas as defesas terem entregado ao Supremo suas alegações finais no caso. O prazo final para isso se encerrou na última quarta (13). 

Defesas

Com a exceção da defesa de Bolsonaro, que chamou a narrativa da PGR de “absurda” e “golpe imaginado”, as demais defesas optaram em geral por não contestar a existência de uma trama golpista em si, mas concentraram esforços em desvincular seus clientes de um eventual complô, mesmo que fique provada a existência deste. 

Todos os advogados pediram a absolvição de todas as acusações. 

* matéria atualizada às 13h20 para acréscimo de informações.

Fonte: Agência Brasil

Cresce mobilização em Israel pelo fim da guerra em Gaza

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, mantém o plano de ocupação da Faixa de Gaza, mas cresce em Israel a mobilização pelo fim do conflito. Várias organizações de mulheres, formadas principalmente por mães de soldados, estão na linha de frente dos protestos.

Netanyahu ignora a pressão internacional provocada por seu plano militar de ocupação da cidade de Gaza e defende a ideia de uma transferência forçada em massa da população civil do enclave. Ele chegou a propor que outros países recebam os palestinos expulsos.

O plano de expansão da guerra também gera temor em Israel, onde a mobilização pelo fim do conflito cresceu com a convocação para um bloqueio nacional no domingo (17), exigindo o fim da guerra.

O apelo foi feito por famílias de reféns israelenses que ainda estão detidos e de soldados enviados ao front. Antes do domingo, diversas iniciativas já estavam em andamento.

Nos arredores da Faixa de Gaza, várias organizações de mulheres, formadas principalmente por mães de soldados, montaram acampamentos. Algumas dormem no local e outras se juntam às manifestações no fim do dia.

“Se o chefe do Estado-Maior diz que essa guerra precisa acabar, que ela coloca em risco os reféns e os soldados, então o que devemos pensar, nós, mães?”, questiona Anabel Friedelander, uma das organizadoras.

Ela tem três filhos convocados como reservistas desde o início da guerra e não aceita que seu país continue o conflito. “Acreditamos que devemos tirar nossos filhos de Gaza, tirá-los dessa guerra, agora!”

Ronit Nahmias, avó de um reservista, também integra o movimento que protesta perto da Faixa de Gaza e aposta no sucesso das manifestações. Há quase trinta anos, liderou um movimento semelhante de mães de soldados pedindo o fim da ocupação militar israelense no sul do Líbano.

“Chega, basta, parem! Não queremos enviar nossos filhos; não entendemos qual é o objetivo dessa guerra. Alguns extremistas querem retomar toda a Faixa de Gaza, mas são loucos! Infelizmente, estão no governo neste momento…”

É nesse clima de indignação que se prepara o dia de bloqueio nacional anunciado para domingo. No entanto, o movimento enfrenta resistência, já que o principal sindicato do país, a Histadrut, anunciou que não convocará greve nem apoiará o bloqueio.

Leia mais em:

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/rfi/2025/08/13/cresce-mobilizacao-em-israel-pelo-fim-da-guerra-em-gaza-mulheres-lideram-protestos.htm

Tarifaço de Trump: 75% dos brasileiros veem ataque político ao Brasil

Pesquisa Ipsos-Ipec aponta percepção de que medida é retaliação política, não econômica; desde o início da crise, imagem dos EUA piorou para 38%

Três em cada quatro brasileiros não têm dúvidas: o tarifaço de Donald Trump contra os produtos nacionais é política pura. A pesquisa Ipsos-Ipec, divulgada nesta terça-feira (12), mostra que 75% veem essa motivação na taxa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos. Apenas 12% acreditam que se trata exclusivamente de uma questão comercial, enquanto 5% enxergam as duas razões combinadas. O recado é claro: para a grande maioria, o Brasil está sob um ataque direto à sua soberania econômica e diplomática.

O levantamento, realizado entre 1º e 5 de agosto, um dia antes de a medida entrar em vigor, entrevistou 2 mil pessoas em 132 cidades e tem margem de erro de dois pontos percentuais. A percepção de que se trata de retaliação política é majoritária em todas as regiões, faixas etárias e níveis de renda, alcançando 80% entre pessoas de 45 a 59 anos e 77% no Nordeste e no Sudeste. Entre católicos, 76% compartilham dessa visão; entre evangélicos, o índice é de 74%. 

Leia mais: Governo Lula rebate novas agressões dos EUA à soberania do Brasil

Maioria defende retaliações

Ao mesmo tempo, quase metade da população deseja que o país responda na mesma moeda: 49% são favoráveis à aplicação de tarifas elevadas sobre produtos norte-americanos, enquanto 43% discordam e 7% não têm opinião formada. Entre os que apoiam a retaliação, o grupo mais expressivo é formado por eleitores do presidente Lula (61%), jovens de 16 a 24 anos (55%), moradores do Norte e Centro-Oeste (58%), pessoas com ensino superior (53%) e mulheres (51%). Para esse grupo, reagir é questão de respeito: o Brasil não pode aceitar um papel de coadjuvante no comércio internacional.

Como resposta, Lula conversou por telefone nesta última segunda-feira (11), com Xi Jinping. O presidente chinês afirmou que a China “está pronta para trabalhar com o Brasil para dar o exemplo de unidade e autossuficiência entre os principais países do sul global”. Já Lula declarou que os dois países vão ampliar a cooperação em áreas como saúde, energia, economia digital e tecnologia espacial.

Leia mais: Lula: “O governo vai garantir que nossos exportadores não tenham prejuízo”

Tio Sam em baixa

O desgaste na imagem dos Estados Unidos também ficou evidente. Antes da crise, 48% avaliavam positivamente o país; 15% tinham percepção negativa. Depois do tarifaço, 38% dizem que a imagem piorou, 6% consideram que melhorou e 51% afirmam que permaneceu a mesma. No grupo que apoiou Lula nas eleições, mais da metade (52%) passou a ter visão mais negativa; já entre os que votaram em Bolsonaro, a maioria manteve a avaliação anterior

A pesquisa revelou ainda que, para 68% da população, o Brasil deve priorizar acordos com outros parceiros, como China e União Europeia. Esse índice sobe para 75% entre os que votaram em Lula. Mesmo no segmento que preferiu Bolsonaro, a maioria (59%) concorda com a diversificação. Reduzir a dependência de um único mercado é questão de segurança econômica e política.

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Medidas negociáveis. Soberania, não!

Entretanto, parte do empresariado teme os efeitos de uma retaliação ampla, especialmente em setores que dependem de insumos norte-americanos, como o farmacêutico e o de óleo e gás. Por isso, a orientação do presidente Lula é evitar medidas generalizadas e concentrar esforços em ações pontuais e estratégicas. Entre as propostas discutidas, está a suspensão de direitos de propriedade intelectual em áreas sensíveis, como medicamentos e defensivos agrícolas, medida ainda em análise.

Mesmo com divergências sobre a forma e a intensidade da resposta, a leitura da pesquisa é de que, para a maioria dos brasileiros, o tarifaço não é fruto de disputa comercial, mas de uma ação política hostil. Nesse tabuleiro global, preservar a soberania exige firmeza, inteligência e capacidade de construir novos caminhos para o país. 

Fonte: PT

Com entrega das alegações finais, Bolsonaro fica mais perto do julgamento e prisão

Defesas dos réus do núcleo 1 da trama golpista fazem suas últimas manifestações ao STF antes do ministro Alexandre de Moraes proferir seu voto; julgamento deve ser realizado em setembro

O processo contra Jair Bolsonaro, réu por tentativa de golpe de Estado e atualmente em prisão domiciliar por descumprir medidas cautelares, entra na reta final. Nesta quarta-feira (13) vence o prazo para que as defesas do ex-presidente e dos outros sete réus do núcleo central da trama golpista entreguem suas alegações finais ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Essa é a última manifestação antes de o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, apresentar seu voto e liberar o processo para julgamento na Primeira Turma, previsto para setembro.

A acusação

Os acusados respondem por crimes graves: tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado. Somadas, as penas podem ultrapassar 40 anos de prisão.

Além de Bolsonaro, o grupo inclui figuras de alta patente e confiança do ex-presidente. São eles: 

  • Alexandre Ramagem (delegado da PF e deputado federal), ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Almir Garnier (almirante), ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres (delegado da PF), ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
  • Augusto Heleno (general),  ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
  • Paulo Sérgio Nogueira (general), ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto (general), ex-ministro de Bolsonaro e candidato à vice na chapa de 2022;
  • Mauro Cid (tenente-coronel), ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro – fez delação e não ficará preso. 

A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi categórica ao pedir a condenação de todos. Em seu parecer, o PGR Paulo Gonet afirmou que “a liderança [de Bolsonaro] sobre o movimento golpista, o controle exercido sobre os manifestantes e a instrumentalização das instituições estatais, para fins pessoais e ilegais, são elementos que provam, sem sombra de dúvida, a responsabilidade penal do réu nos atos de subversão da ordem democrática”.

Pressão externa e resistência no STF

Enquanto Moraes conduz o processo, o Supremo enfrenta pressões externas. O governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, impôs sanções contra ministros e ameaçou ampliar medidas contra familiares, numa clara tentativa de interferir no julgamento. Moraes já deixou claro que não se curvará.

“O STF irá ignorar as sanções aplicadas. Esse relator vai ignorar as sanções que foram aplicadas e continuar trabalhando como vem fazendo, sempre de forma colegiada”, declarou recentemente. 

Caso sejam condenados, os réus não devem ser encaminhados imediatamente para presídios comuns. Militares e delegados têm direito a prisão especial. A prisão, se confirmada, viria após o julgamento dos recursos.

Com as defesas entregues, Moraes começará a elaborar seu relatório e voto. A data final do julgamento será definida pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma.

Fonte: Revista Fórum

Motta deixa anistia e fim de foro de fora das prioridades da Câmara no 2º semestre

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta terça-feira (12) a lista de projetos prioritários para o segundo semestre legislativo. Durante o discurso, ele não mencionou propostas defendidas pela oposição, como a PEC do fim do foro privilegiado e o PL da Anistia para os envolvidos nos atos de 8 de Janeiro.

Entre as propostas que terão prioridade na Câmara, segundo Hugo Motta, estão:

  • PEC da Segurança Pública
  • Plano Nacional de Educação
  • Reforma Administrativa
  • Ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil
  • Regulamentação da Inteligência Artificial
  • Regulamentação do trabalho por aplicativo
  • Combate a fraudes no INSS

Outro ponto destacado por ele foi a proteção de crianças e adolescentes frente à exposição inadequada em conteúdos produzidos por influenciadores digitais.

“Essa iniciativa é muito válida porque todas as famílias estão inseridas nesse ambiente. É uma realidade que não só o país, mas o mundo enfrenta. A principal preocupação é a segurança das nossas crianças e adolescentes”, afirmou o presidente da Câmara.

Hugo Motta também indicou que outras propostas poderão ser discutidas por meio do Colégio de Líderes: “As pautas listadas serão tratadas ao lado de tantas outras que esta Presidência entende serem fundamentais para o país, bem como das prioridades que serão trazidas pelas lideranças partidárias no foro adequado, que é o Colégio de Líderes”.

O discurso aconteceu na primeira sessão plenária após o bloqueio das atividades legislativas nos dias 5 e 6 de agosto. Deputados e senadores da oposição obstruíram fisicamente a Mesa Diretora da Câmara em protesto à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL) e exigiram a inclusão de projetos de interesse do ex-presidente na pauta legislativa.

A oposição pressiona pela votação da PEC 333/2017, que trata do fim do foro privilegiado. O foro por prerrogativa de função define quais autoridades devem ser julgadas diretamente pelo STF (Supremo Tribunal Federal). A proposta tem ganhado força diante das críticas ao Supremo por manter processos de Bolsonaro sob sua análise, mesmo após o fim do seu mandato.

Desde 2018, o STF entende que o foro só se aplica a crimes cometidos durante e relacionados ao cargo. Em 11 de março de 2025, no entanto, a Corte mudou seu entendimento, permitindo que investigações iniciadas no STF continuem no Tribunal mesmo após o fim do mandato do investigado. Essa decisão foi duramente criticada por parlamentares da oposição, que a veem como um mecanismo de blindagem política.

Outro projeto defendido pela oposição é o PL 2.858/2022, conhecido como PL da Anistia, que propõe perdão judicial a todos os acusados — condenados ou não — por tentativa de golpe de Estado em 2022 e 2023.

Fonte: DCM

TCE suspende programa de Zema de expansão de escolas cívico-militares em MG

Decisão atende a denúncia da deputada Beatriz Cerqueira e barra adesão de até 721 unidades escolares

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) suspendeu, por decisão monocrática publicada na segunda-feira (11), a expansão do modelo cívico-militar para até 721 escolas da rede estadual de ensino. A medida será analisada pelo pleno do tribunal na quarta-feira (13), podendo ser confirmada ou revertida pela maioria dos conselheiros.

“É uma vitória de toda a educação por todas as irregularidades que nós já identificamos e todos os problemas já constatados”, comemorou a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), autora da representação que questionou a legalidade do programa.

A proposta havia sido lançada em 30 de junho pela Subsecretaria de Desenvolvimento da Educação Básica, vinculada à Secretaria de Estado de Educação (SEE-MG), que deu prazo até 18 de julho para que as escolas manifestassem interesse na adesão.

A representação aponta que a gestão compartilhada entre a SEE-MG e o Corpo de Bombeiros Militar fere princípios constitucionais, invade competência privativa da União e contraria instrumentos como o Plano Plurianual de Ação Governamental (2024–2027) e a Lei Orçamentária Anual de 2025.

Zema previa 721 escolas no modelo cívico-militar em Minas Gerais

Nove escolas em Minas Gerais já funcionam no modelo cívico-militar

Atualmente, nove escolas estaduais em Minas Gerais funcionam sob esse modelo. A decisão do TCE também determina que o governo mineiro não avance na política de gestão compartilhada nessas unidades.

Criado em 2019 pelo governo Bolsonaro (PL), o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim) foi revogado pelo governo Lula (PT) em julho de 2023 após recomendação do Ministério da Educação (MEC), que apontou conflitos com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e com o Plano Nacional de Educação (PNE).

Mesmo após a revogação federal, o governo de Romeu Zema (Novo) manteve as escolas militarizadas e, em janeiro de 2024, instituiu a “Política Educacional de Gestão Compartilhada” por meio de resolução conjunta da SEE-MG e do Corpo de Bombeiros.

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) denuncia que o processo de adesão é conduzido de forma autoritária, sem debate real com a comunidade escolar, e que a militarização atende a interesses eleitorais e ideológicos do governo.

Fonte: ICL

Eduardo Bolsonaro é pago com dinheiro público para conspirar nos EUA contra o Brasil

Eduardo Bolsonaro leva dossiê a Trump para manter sanções e isolar Moraes no STF

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) inicia nesta quarta-feira (13) uma série de reuniões em Washington D.C. com integrantes do governo dos Estados Unidos para entregar um dossiê sobre os efeitos políticos da aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, conforme informações da colunista Malu Gaspar, do Globo.

A estratégia é convencer auxiliares de Donald Trump a manter as sanções, argumentando que elas já provocaram impacto no STF e no Congresso e fortaleceram a oposição.

Objetivo do dossiê e articulação política

O documento, elaborado em conjunto com o ex-apresentador da Jovem Pan Paulo Figueiredo, busca demonstrar que a medida de Trump — que incluiu Moraes na lista da Lei Magnitsky — tensionou o Supremo, estimulou movimentações parlamentares e impulsionou a pressão pela anistia a Jair Bolsonaro (PL) e aliados.

Segundo eles, mesmo que a prisão domiciliar decretada por Moraes contra o ex-presidente não tenha sido revertida, a retaliação americana forçou um reposicionamento interno e precisa ser mantida.

O relatório sustenta que a decisão de Moraes foi tomada sem consulta ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e sem diálogo com ministros próximos, como Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso, o que indicaria um isolamento estratégico.

Eduardo e Figueiredo pretendem usar essa narrativa para defender que o “sistema” político e jurídico brasileiro estaria “digerindo” a ofensiva americana, abrindo espaço para novas ações contra outros magistrados.

Clima no Supremo e riscos a outros ministros

O material cita reportagens sobre um desconforto nos bastidores do STF com a postura de Moraes. Barroso e Gilmar, embora mantenham defesa pública do colega, teriam recomendado moderação nas decisões.

Para os articuladores, a melhor estratégia de Trump seria manter a pressão até que Moraes ficasse isolado, antes de avançar contra outros ministros já afetados por restrições de visto.

O documento destaca que Barroso, que tem vínculo familiar e patrimonial em Miami, estaria apreensivo com novas sanções, enquanto Gilmar buscou contato com aliados de Bolsonaro antes da prisão domiciliar e chegou a se reunir com banqueiros para avaliar riscos sobre as finanças de sancionados.

Anistia e fim do foro privilegiado

Outro eixo do dossiê é a defesa de um acordo articulado pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) com a oposição e fechado à revelia do atual dirigente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), para votar a anistia aos golpistas do 8 de Janeiro e ao próprio Bolsonaro, além do fim do foro privilegiado.

A proposta prevê que investigações contra parlamentares só possam ser abertas com autorização do Congresso, submetendo-os à primeira instância. Para os bolsonaristas, isso diminuiria a “pressão” do STF e aumentaria o apoio à anistia.

O documento cita ainda o apoio de 41 senadores ao impeachment de Moraes — suficiente para iniciar o processo caso o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, aceite o pedido, mas ainda distante dos 54 votos necessários para a cassação.

O relatório busca convencer o governo Trump de que as chances de aprovação da anistia no Congresso aumentaram desde as sanções contra Moraes, embora os presidentes da Câmara e do Senado ainda resistam à pauta bolsonarista.

Pesquisas e cenário eleitoral

O dossiê inclui levantamentos do Instituto de Planejamento Estratégico (Ibespe), alinhados ao discurso bolsonarista. Os dados mostram que 42,6% dos entrevistados apoiam as sanções contra Moraes, enquanto 43,5% são contrários, sugerindo uma divisão da opinião pública.

Também traz pesquisas estimuladas em que Bolsonaro, inelegível até 2030, aparece liderando com 37,6% contra 28,4% de Lula. O “bananinha” usará esses números para reforçar a narrativa de “perseguição política” contra o pai.

Em contrapartida, levantamentos como o da Quaest, que aponta que 72% dos brasileiros desaprovam as tarifas de 50% impostas por Trump, não serão destacados.

Contexto diplomático

A entrega do dossiê ocorre em um momento de tensão nas relações bilaterais. Uma reunião entre Fernando Haddad e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, foi cancelada.

Fora encontros pontuais, como o do chanceler Mauro Vieira com Marco Rubio e do vice-presidente Geraldo Alckmin com o secretário do Comércio, Howard Lutnick, o diálogo entre Brasília e Washington permanece restrito.

Fonte: DCM

Dono da Ultrafarma e diretor da Fast Shop são presos por desvio de 1 bilhão de reais

Dois auditores fiscais tributários da Secretaria de Estado da Fazenda também foram presos. Operação mira um esquema de corrupção de mais de R$ 1 bilhão.

O dono e fundador da Ultrafarma, Sidney OIiveira, foi preso temporariamente na manhã desta terça-feira (12) em uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para desarticular um esquema de corrupção envolvendo auditores fiscais tributários da Secretaria de Estado da Fazenda.

Além dele, outras três pessoas também foram presas:

  • Artur Gomes da Silva Neto, auditor da Diretoria de Fiscalização (DIFIS) da Fazenda estadual paulista;
  • Marcelo de Almeida Gouveia, auditor fiscal;
  • Mario Otávio Gomes, diretor estatutário do grupo Fast Shop.

Oliveira foi encontrado em casa, uma chácara em Santa Isabel, na Grande São Paulo. Enquanto, o executivo da Fast Shop foi encontrado em um apartamento na Zona Norte de São Paulo.

O g1 e a TV Globo procuraram a Ultrafarma, mas não haviam obtido retorno até a última atualização deste texto. A reportagem também tenta localizar a defesa do empresário.

Já a Fast Shop informou que “ainda não teve acesso ao conteúdo da investigação, e está colaborando com o fornecimento de informações às autoridades competentes”.

Segundo a investigação, Artur é um auditor fiscal estadual de alto escalão e era o “cérebro” de um esquema de fraudes em créditos tributários que teria arrecadado cerca de R$ 1 bilhão em propinas desde 2021.

O auditor coletava a documentação necessária da Fast Shop e da Ultrafarma para pedir o ressarcimento de créditos de ICMS junto à Secretaria da Fazenda. Toda empresa contribuinte varejista tem direito ao ressarcimento, porém o procedimento é complexo, segundo os promotores, por isso Artur facilitava esse processo por meio de propinas.

Além de acompanhar o processo, o próprio auditor aprovava os pedidos e garantia que não seriam revisados internamente. Em alguns casos, liberavam valores superiores aos que as empresas tinham direito e em prazos mais curtos.

Em nota, a Secretaria de Estado da Fazenda informou que acabou “de instaurar processo administrativo para apurar, com rigor, a conduta do servidor envolvido” e que solicitou formalmente ao MP compartilhamento das informações. (Leia a íntegra ao final.)

Além dos mandados de prisão temporária, os agentes também cumpriram 19 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais dos alvos, nas sedes das empresas investigadas e também na casa de outros investigados.

O auditor Artur fiscal tinha um parceiro, responsável por lavar o dinheiro, que também é alvo da investigação. Na residência dele, em Alphaville, foram encontrados dois pacotes com esmeraldas, R$ 1 milhão e US$ 10 mil (cerca de R$ 54.200), além de 600 euros, dentro de um cofre.

Segundo os promotores, o investigado não é servidor público e também já foi processado pelo crime de estelionato no Mato Grosso do Sul. A identidade dele não foi divulgada.

Durante a operação, a Justiça de São Paulo também decretou a prisão do dono da casa de Alphaville e da esposa dele. Até a última atualização da reportagem, eles não haviam sido presos.

Como era o esquema

De acordo com a investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (GEDEC), o auditor preso manipulava processos administrativos para facilitar a quitação de créditos tributários às empresas.

Em contrapartida, ele recebia pagamentos mensais de propina por meio de uma empresa registrada em nome de sua mãe.

No caso da Fast Shop, segundo o MP, o auditor preso prestava “assessoria tributária” criminosa, indicando os documentos que deveriam ser apresentados à secretaria acelerar o deferimento dos créditos de ressarcimento de ICMS da gigante do varejo eletrônico.

Segundo o Ministério Público, a operação é fruto de meses de trabalho investigativo, com análise de documentos, quebras de sigilo e interceptações autorizadas pela Justiça.

Os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Dinheiro apreendido em operação do MP — Foto: Reprodução/TV Globo

Dinheiro apreendido em operação do MP — Foto: Reprodução/TV Globo

O que diz a Secretaria da Fazenda

Abaixo, leia a íntegra da nota da Secretaria da Fazenda:

“A Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) está à disposição das autoridades e colaborará com os desdobramentos da investigação do Ministério Público por meio da sua Corregedoria da Fiscalização Tributária (Corfisp).

Enquanto integrante do CIRA-SP – Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos – e diversos grupos especiais de apuração, a Sefaz-SP tem atuado em diversas frentes e operações no combate à sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e ilícitos contra a ordem tributária, em conjunto com os órgãos que deflagraram operação na data de hoje.

Além disso, a Sefaz-SP informa que acaba de instaurar processo administrativo para apurar, com rigor, a conduta do servidor envolvido e que solicitou formalmente ao Ministério Público do Estado de São Paulo o compartilhamento de todas as informações pertinentes ao caso.

A administração fazendária reitera seu compromisso com os valores éticos e justiça fiscal, repudiando qualquer ato ou conduta ilícita, comprometendo-se com a apuração de desvios eventualmente praticados, nos estritos termos da lei, promovendo uma ampla revisão de processos, protocolos e normatização relacionadas ao tema.”

Fonte: G1

Mamata: TST compra carro de R$ 346,5 mil para cada um dos 27 ministros

TST também contratou uma sala VIP no aeroporto de Brasília para seus ministros, ao custo de R$ 1,5 milhão

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) adquiriu 30 veículos de luxo da marca Lexus para transportar os ministros da Corte em seus afazeres em Brasília. Cada um deles saiu a R$ 346,5 mil, totalizando R$ 10,39 milhões. O TST tem 27 ministros.

O modelo escolhido pela Corte é o Lexus ES 300H, um carro híbrido. Considerado um sedã de luxo, o veículo combina um motor 2.5 a combustão com um outro, elétrico, resultando numa potência de 211 cavalos.

Na semana passada, o TST se tornou objeto de críticas nas redes sociais após a divulgação de que a Corte contratou uma sala VIP no aeroporto de Brasília para seus ministros, ao custo de R$ 1,5 milhão durante dois anos.

Desde 2022, o TST se apresenta institucionalmente como “o tribunal da Justiça Social”.

Num documento datado de 25 de agosto passado, o diretor-geral da Secretaria do Tribunal, Gustavo Caribé de Carvalho, amplia a compra dos Lexus em mais três unidades – de 27 para 30 veículos. Os veículos foram adquiridos em uma concessionária de Brasília.

A coluna questionou o TST sobre a ampliação da compra, uma vez que os veículos se destinam, a princípio, a atender os ministros da Corte trabalhista. O espaço segue aberto.

TST escolheu a opção mais cara

Na página do Tribunal Superior do Trabalho, é possível consultar um “estudo técnico preliminar” sobre a renovação da frota de veículos do tribunal.

Num dos itens, os técnicos responsáveis pelo estudo elencam opções de veículos que atenderiam aos requisitos do tribunal. São mencionados o Honda Accord (R$ 332,4 mil); o elétrico BYD Seal (R$ 310,7 mil); o Toyota Camry (R$ 344,1 mil); e o Lexus – orçado, pelos técnicos, em R$ 396 mil. O preço final do Lexus acabou ficando a abaixo dessa alternativa.

Os autores do estudo amparam-se numa resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e numa norma interna do próprio tribunal para considerar que os veículos da Corte passam a ser “inservíveis” e “antieconômicos” após sete anos de uso.

TST orçou modelos de carros elétricos e terminou com o mais caro
TST orçou modelos de carros elétricos e terminou com o mais caro

No estudo, os técnicos dizem ainda que a renovação da frota está “alinhada ao Plano Estratégico Institucional” da Corte para o período de 2021 a 2026. Inclusive, segundo eles, para o objetivo de “promover ações que reforcem a imagem do TST perante a sociedade”.

Fonte: Metrópoles

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