Motta adia votação da PEC da impunidade de parlamentares por falta de acordo

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu adiar a votação da PEC da blindagem que poderia barrar as investigações de parlamentares. A proposta de emenda à Constituição estava prevista para ser analisada hoje no plenário da Casa.

O que aconteceu
Motta decidiu adiar a votação após horas de discussão sem chegar a um acordo sobre a proposta. PSD, PT, PDT, PCdoB e PSB foram contra o texto e votar a PEC hoje. A deliberação foi adiada, a princípio, para a próxima semana.

O presidente da Câmara pautou a PEC para esta semana e pediu agilidade ao relator da proposta. O deputado Lafayette de Andrada (Republicanos-MG) levou dois textos para discutir com os líderes na residência oficial da Câmara dos Deputados. O parecer ainda não foi publicado.

A ideia inicial era retomar o texto original da Constituição de 1988. A redação diz que os parlamentares não podem ser processados criminalmente sem prévia autorização de sua Casa, ou seja, Câmara ou Senado. A licença também vale para prisão, com exceção de flagrante de crime inafiançável.

Congresso quer “blindagem”. A autorização para abertura de inquéritos contra parlamentares impediria ações arbitrárias de magistrados, com ou sem o foro privilegiado, segundo alguns parlamentares.

O líder do PT na Câmara afirmou que o texto têm “muitas polêmicas”. Lindbergh Farias (RJ) disse que havia sugestões para mexer no quórum do STF (Supremo Tribunal Federal) e a suspensão de inquérito.

Relator está insatisfeito com o texto que o Centrão quer votar. Lideranças que participaram da reunião disseram ao UOL que Andrada está incomodado com as mudanças que os partidos do Centrão querem fazer, como a autorização para abertura de inquéritos. O deputado é advogado e conhecido por ser um parlamentar moderado.

A PEC entrou na pauta da Casa em acordo pelo fim do motim bolsonarista, após a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O arranjo foi costurado pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e pelo União Brasil.

A PEC da blindagem foi apresentada em 2021. Começou a ser discutida no mesmo ano, durante a gestão de Lira, como reação à prisão do então deputado Daniel Silveira. Na época, o texto chegou a ser levado ao plenário, mas não foi votado.

Fonte: Uol

Escola em Maceió é flagrada sem água potável e sem professores de várias disciplinas

Vista de fora, a Escola Municipal Hermínio Cardoso, no bairro de Fernão Velho, parece organizada: a pintura está em dia e a iluminação ajuda a ressaltar as características do prédio histórico que ocupa; as salas possuem aparelhos de ar-condicionado e há cartazes com várias mensagens de boa convivência e autoestima colados nas paredes. Mas, bastam alguns minutos de fiscalização na parte interna para se constatar que a realidade dos alunos que ali estudam, mais de 100 deles matriculados no programa de Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai), não é assim tão boa.

O local não recebe água potável, e sim água bruta distribuída por uma associação, sem nenhum controle sanitário, e faltam professores para as disciplinas de Geografia, História, Inglês, Educação Física e Artes – esta última está sem professor desde 2021. Essas foram algumas das constatações de uma fiscalização do Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL), realizada na noite dessa segunda-feira (25), na escola que fica no bairro histórico às margens da Lagoa Mundaú, em Maceió.

A iniciativa faz parte de uma força-tarefa composta também pelo Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Defensoria Pública Estadual (DPE), cujo objetivo é fortalecer a Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai). Ao todo, cerca de 40 escolas que oferecem a Ejai devem ser visitadas até o fim da força-tarefa.

Na Escola Municipal Hermínio Cardoso, os alunos, que no momento da chegada da equipe do MP/AL estavam sentados em cadeiras inadequadas para adultos – mas aptas para crianças, visto que nos turnos matutino e vespertino funcionam as séries iniciais do Ensino Fundamental – relataram que o local não dispõe de psicólogo e nem de assistente social. “Também não recebemos livros e nem cadernos ou outros materiais didáticos”, afirmaram.

O cardápio da merenda a ser oferecida ao longo da semana também não fica disponibilizado para que todos vejam e não existe oferta de frutas nessa refeição, que é servida logo na chegada dos alunos à escola, por volta das 19h. Segundo os próprios estudantes, eles nunca foram ouvidos por uma nutricionista da rede pública de ensino para saber sobre a aceitabilidade de cada refeição ou se há algum aluno com restrição alimentar causada por algum problema de saúde.

Além da água que chega à escola não ter nenhuma comprovação de qualidade, o único bebedouro disponibilizado aos alunos estava em péssimo estado, inclusive com vazamento. “Todo mundo traz sua água de beber de casa em uma garrafinha, se não aqui a gente passa sede”, disseram os estudantes. Os professores, por sua vez, se unem e compram água mineral, que fica em um bebedouro exclusivo na sala deles.

Nos banheiros, a situação é igualmente crítica: portas com defeito, vasos sem assentos, ausência de papel e de sabão para higienização das mãos. Quando chove, a situação piora porque alguns espaços dentro do prédio alagam. A escola também não oferece nenhum curso profissionalizante ao público da Ejai.

Em conversa com a equipe do MP/AL, os professores relataram que a escola não possui computadores e não fornece material de trabalho, como um simples lápis-piloto para uso no quadro branco. Também não há profissionais para acompanhar estudantes portadores de deficiência física. Como a internet ofertada pela Secretaria Municipal de Educação para a escola é precária, os professores contrataram um prestador desse serviço para o prédio e pagam a conta do próprio bolso.

“A situação mais grave dessa escola é a ausência de potabilidade da água. O bairro inteiro não tem água potável e isso é uma questão grave para a saúde pública. Há espaços no pátio que não são cobertos e, quando chove, causam alagamento dentro do prédio; faltam portas nos banheiros; a biblioteca e o refeitório não possuem móveis adequados para adultos”, reforçou a promotora de Justiça Alexandra Beurlen, titular da 61ª Promotoria de Justiça da Capital (Defesa dos Direitos Humanos) e responsável pela fiscalização.

Segundo ela, uma das medidas a serem tomadas a respeito da escola é a expedição de uma Recomendação Administrativa do MP/AL ao município de Maceió para que adote as medidas adequadas para melhoria das deficiências encontradas. Em caso de não cumprimento da Recomendação, poderá ser ajuizada uma Ação Civil Pública (ACP).

Fonte: Ascom MP/AL

Para evitar fuga, Moraes determina vigilância integral de Bolsonaro

Decisão foi tomada após parecer favorável da PGR

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (26) a polícia penal do Distrito Federal a realizar vigilância integral na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

A decisão foi tomada pelo ministro após parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) e ocorre às vésperas do julgamento do ex-presidente pelas acusações da trama golpista, previsto para começar no dia 2 de setembro. Bolsonaro já cumpre prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. 

O parecer favorável da PGR foi enviado nessa segunda-feira (25) ao ministro Moraes. O pedido inicial de monitoramento integral do ex-presidente foi solicitado pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Segundo o parlamentar, o aumento da vigilância é necessária para garantir a “aplicação da lei penal”. 

Apesar de não citar risco de fuga, a procuradoria disse que “é de bom alvitre que se recomende” o aumento do policiamento preventivo.

De acordo com a decisão, o monitoramento do ex-presidente deverá ser feito por equipes da Polícia Penal “sem exposição indevida”.

“O monitoramento realizado pelas equipes da Polícia Penal do Distrito Federal deverá evitar a exposição indevida, abstendo-se de toda e qualquer indiscrição, inclusive midiática, sem adoção de medidas intrusivas da esfera domiciliar do réu ou perturbadoras da vizinhança; ficando ao seu critério a utilização ou não de uniforme e respectivos armamentos necessários à execução da ordem”, decidiu Moraes.

Pedido de asilo

Na decisão, Moraes citou o documento de pedido de asilo político à Argentina encontrado no celular de Bolsonaro no âmbito das investigações sobre o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil. O documento estava salvo no aparelho desde 2024. 

“Assim, considerando a proximidade do julgamento de mérito da AP 2.668/DF [denúncia do golpe] e o fundado quanto à suficiência das medidas cautelares decretadas, verifica-se adequado e necessário o monitoramento do réu e investigado Jair Messias Bolsonaro”, completou o ministro.

Risco de fuga

Moraes disse que monitoramento de Bolsonaro é necessário para garantir o cumprimento de medidas cautelares determinadas contra o ex-presidente, como o monitoramento por tornozeleira e a proibição de se aproximar de embaixadas, onde poderia solicitar asilo político.

“Autos do Inq. 4.995/DF [tarifaço], bem como o envio aos autos, pelo diretor-geral da Polícia Federal, de manifestação noticiando o renovado risco de fuga de Jair Messias Bolsonaro, revelam-se absolutamente necessárias e adequadas as medidas de monitoramento pleiteadas, sem que haja qualquer agravamento da situação do réu”, justificou Moraes.

Fonte: Agência Brasil

Itamaraty condena ‘ofensas inaceitáveis’ e pede apuração sobre morte de jornalistas em Gaza

Brasil cobra responsabilidade de Israel por ataque a hospital em Gaza

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) classificou, nesta terça-feira (26), como “ofensas, inverdades e grosserias inaceitáveis” as declarações do ministro da Defesa e ex-chanceler israelense, Israel Katz, com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em publicação nas redes sociais, Katz disse que Lula é “antissemita declarado” e “apoiador do Hamas”, grupo palestino que controla a Faixa de Gaza.

“Como ministro da Defesa, o senhor Katz não pode se eximir de sua responsabilidade, cabendo-lhe assegurar que seu país não apenas previna, mas também impeça a prática de genocídio contra os palestinos”, diz o Itamaraty.

O governo brasileiro lembrou que as operações militares israelenses em Gaza já resultaram na morte de 63 mil palestinos, dos quais um terço são mulheres e crianças, com uma política de fome como arma de guerra imposta à população do enclave.

Nesta segunda-feira (25), o Itamaraty condenou os bombardeios de Israel contra o hospital Nasser, em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, que provocaram a morte de ao menos 20 palestinos, incluindo jornalistas e trabalhadores humanitários, e deixaram dezenas de pessoas feridas.

“Espera-se do sr. Katz, em vez de habituais mentiras e agressões, que assuma responsabilidade e apure a verdade sobre o ataque de ontem contra o hospital Nasser, em Gaza”, rebate o MRE.

O ministério acrescentou que o país está sob investigação da Corte Internacional de Justiça por suspeita de violação da Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio.

No dia 7 de outubro de 2023, o Hamas lançou um ataque surpresa de mísseis contra Israel, com incursão de combatentes armados por terra, matando 1,2 mil civis e militares e fazendo centenas de reféns israelenses e estrangeiros. Em resposta, desde então, Israel vem bombardeando Gaza e impôs cerco total ao território.

A guerra entre Israel e Hamas tem origem na disputa por territórios que já foram ocupados por diversos povos, como hebreus e filisteus, dos quais descendem israelenses e palestinos.

Rebaixamento

Em fevereiro de 2024, Israel declarou Lula “persona non grata” pelo país após o presidente brasileiro classificar as mortes de civis em Gaza como genocídio. Na ocasião, o presidente retirou de Israel o embaixador Frederico Meyer, que ocupava o principal posto da representação brasileira em Tel Aviv e, em um gesto político, ninguém foi indicado para ocupar a embaixada na capital israelense.

De acordo com informações do jornal The Times of Israel, desta segunda-feira (25), o governo israelense também vai “rebaixar” as relações com o Brasil após o Itamaraty ter ignorado a indicação do novo embaixador do país para atuar em Brasília.

Segundo a reportagem, o diplomata Gali Dagan foi indicado em janeiro e aguardava a concessão do agrément, que é a autorização de praxe para um estrangeiro atuar no país. A falta de resposta do governo brasileiro é vista como uma recusa e Israel teria retirado a indicação de Dagan.

Nesta terça-feira, o presidente Lula, mais uma vez, criticou o genocídio praticado por Israel na Faixa de Gaza e afirmou que crianças são assassinadas no território palestino “como se estivessem em guerra”.

“Nós temos a continuidade do genocídio na Faixa de Gaza, que não para. Todo dia tem uma novidade, todo dia mais gente morre, todo dia crianças estão com fome, aparece na mídia crianças totalmente esqueléticas atrás de comida e são assassinadas como se estivessem em guerra. São assassinadas como se fossem do Hamas”, disse, em referência ao grupo que comanda o enclave palestino.

Lula comandou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, e voltou a defender a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), com a inclusão de países do Sul Global como membros plenos.

Antissemitismo

As críticas de Katz estão também relacionadas à saída do Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA). A organização intergovernamental foi fundada em 1998 para promover a educação, pesquisa e memória do Holocausto e combater o antissemitismo, que é o ódio, preconceito ou discriminação contra o povo judeu.

“Agora, ele [Lula] revelou sua verdadeira face como antissemita declarado e apoiador do Hamas ao retirar o Brasil da IHRA […] colocando o país ao lado de regimes como o Irã, que nega abertamente o Holocausto e ameaça destruir o Estado de Israel”, escreveu Katz.

Brasil aderiu à IHRA como membro observador em 2021, mas retirou-se formalmente em julho de 2025, após a adesão à ação judicial contra Israel na Corte Internacional de Justiça.

Fonte: Agência Brasil

Bolsonaristas e Centrão se unem para proteger altas rendas em projeto de isenção do IR

Menos de uma semana após a Câmara aprovar urgência para o projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda (IR) até R$ 5 mil, a articulação política no Congresso se intensificou. Lideranças do Centrão e da oposição defendem a retirada das medidas compensatórias, que preveem cobrança de tributos sobre altas rendas e dividendos. Com informações do Globo.

O relator do texto, deputado Arthur Lira (PP-AL), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), devem discutir o tema com líderes partidários. A reunião acontece em meio à pressão de parlamentares que pedem cortes de despesas no lugar de novos impostos para bancar a revisão da tabela.

O governo estima impacto fiscal próximo de R$ 100 bilhões com a mudança e incluiu mecanismos de compensação para neutralizar o efeito sobre as contas públicas. Entre eles estão a tributação de lucros e dividendos acima de R$ 50 mil e alíquotas para remessas enviadas ao exterior.

A oposição, especialmente o PL e parte do União Brasil, articula a derrubada desses pontos. Segundo deputados desses partidos, a prioridade é aprovar a faixa de isenção sem impor novos encargos a setores empresariais, o que aumenta a resistência às compensações.

Integrantes do Centrão ainda divergem sobre o caminho a seguir. Enquanto líderes como Gilberto Abramo (Republicanos-MG) defendem retirar as taxações, outros parlamentares alertam que o projeto não pode avançar sem uma fonte de custeio definida para evitar acusações de irresponsabilidade fiscal.

No Planalto, a orientação é manter a versão atual do texto. O vice-líder do governo, Rubens Pereira Júnior (PT-MA), afirmou que a neutralidade fiscal é “inegociável” e que a proposta só poderá ser votada com mecanismos de equilíbrio orçamentário. A expectativa é de que a definição saia ainda nesta semana.

Fonte: DCM

Pastor é apontado como líder de esquema de roubo de terras públicas no Pará

Um pastor da Assembleia de Deus de Mojuí dos Campos (PA) é apontado como um dos articuladores de um esquema de roubo de terras públicas — a grilagem — na gleba Pacoval, entre os municípios paraenses de Prainha, Uruará e Santarém.

Murilo Dias Pereira, o Pastor Murilo, é presidente da Associação de Moradores e Produtores Rurais do Assentamento Terra Prometida da Gleba Pacoval (ATPGLEPAC), uma entidade de fachada usada para a prática criminosa, segundo as investigações. Em 2016, Pereira foi candidato a vereador em Mojuí dos Campos.

Além da atuação religiosa e da breve experiência política, ele é um dos réus na ação de reintegração de posse movida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que denuncia a invasão da reserva legal de uma área coletiva, o Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Vila Nova.

Em visitas à área, funcionários do Incra, com suporte da Polícia Federal (PF), identificaram o esquema de grilagem. O relatório da investigação aponta sete responsáveis pelas invasões da reserva. O grupo, organizado pelo pastor, usa a associação rural na tentativa de legitimar a invasão das terras que deveriam ser protegidas.

O relatório ressalta que a presença de um líder de associação entre os principais invasores sugere que a entidade pode estar sendo usada para orquestrar ou dar suporte a essas ações.

“Na prática, isso tem sido muito comum no Oeste do Pará”, alerta o procurador da república Vitor Vieira Alves, que assina a manifestação do Ministério Público. “Em geral, os grileiros cooptam, por diversos meios, um grupo de pessoas para invadir a reserva legal de assentamentos coletivos para permitir, posteriormente, a unificação dos lotes e a regularização fundiária em seu nome”, informa o procurador.

A decisão pela reintegração de posse, emitida em 12 de agosto, responde a um pedido do MPF, em caráter de urgência, e estabelece 30 dias para a retirada dos invasores da área.

A ordem foi proferida após a Justiça reconsiderar uma decisão anterior que havia negado o pedido de urgência. A mudança de entendimento ocorreu depois que o MPF recorreu da primeira decisão e apresentou uma nova manifestação com provas do agravamento do conflito na região, com episódios de violência, ameaças a lideranças e danos ambientais.

Ameaças ao meio ambiente e à vida

As investigações indicam que “há diversos ocupantes na área e intenso processo de ocupação ilegal, mediante sucessivas alienações irregulares, com caracterização de diferentes grupos que atuam de forma ilícita sobre o perímetro e indutores de conflitos”.

Outro homem apontado como réu no processo, Luiz Carlos Muniz, o Luizão, é acusado de ameaças, registradas pelos moradores do PAE em boletim de ocorrência. Ele é apontado pela Justiça como um dos líderes do grupo de invasores da área do assentamento.

“Sempre vivemos nesse transtorno por causa do interesse de venda, de tirar de madeira, especulação comercial por parte dos gananciosos”, diz o agricultor Raimundo José Rodrigues dos Santos, morador da comunidade de Vila Nova.

O MPF alerta que a ocupação ilegal da área da reserva representa um risco não apenas ao patrimônio público e ao meio ambiente, mas também à segurança dos beneficiários da reforma agrária.

“O agravamento progressivo do conflito fundiário constitui, por si só, fato novo juridicamente relevante, apto a ensejar a revisão da decisão anterior”, pontua o MPF na manifestação. “Nesse contexto, torna-se imperativa a intervenção judicial célere e eficaz, para interromper a escalada do conflito, resguardar a paz social e garantir a proteção dos assentados da reforma agrária e de defensores e defensoras de direitos humanos”, conclui.

A decisão judicial determina a expedição de mandado de reintegração de posse em favor do Incra e autoriza o auxílio de força policial, se necessário. Também foi fixada multa diária de R$ 5 mil para qualquer pessoa que impedir, por qualquer meio, o cumprimento da decisão. A multa será dobrada a cada ato de impedimento repetido, bem como para o caso de qualquer nova ocupação irregular.

A gleba Pacoval fica numa região conhecida como Chapadão, marcada pelo avanço do desmatamento, da pecuária e do plantio de grãos.

Brasil de Fato tentou contato com o Pastor Murilo, mas, até o momento, não houve retorno. O espaço segue aberto à manifestação.

Editado por: Maria Teresa Cruz

Fonte: Brasil de Fato

PF vai apurar aporte de R$ 18 mi de condenado a 56 anos de prisão em empresa de Malafaia

PF vai investigar aporte de ao menos R$ 18 milhões feito pelo Francisley Valdevino da Silva em sociedade com pastorA Justiça Federal do Paraná determinou que a PF (Polícia Federal) abra um inquérito para investigar um aporte de ao menos R$ 18 milhõse feito pelo Francisley Valdevino da Silva –o Sheik dos Bitcoins, acusado de movimentar bilhões em um esquema de pirâmide financeira– em uma sociedade com o pastor Silas Malafaia.

A decisão da 23ª Vara Federal de Curitiba, de outubro de 2024, condenou o Sheik dos Bitcoins a mais de 56 anos de prisão. Depoimentos de várias testemunhas ligadas a Francisley trataram da sociedade com Malafaia.

Na sentença, o juiz federal Nivaldo Brunoni ordenou que a PF investigue as supostas denúncias relacionando o envio de recursos de Francisley para a sociedade com o pastor Silas Malafaia.

“Oficie-se à Autoridade Policial, independentemente do trânsito em julgado, para que instaure os respectivos inquéritos policiais visando à apurar as circunstâncias dos seguintes fatos noticiados nos autos do presente processo”, ordena o magistrado, antes de citar as informações sobre Malafaia.

Aporte de R$ 18 milhões

Contadora das empresas de Francisley, Alessandra Morais Bach afirmou que o Sheik dos Bitcoins investiu R$ 18 milhões “em um malfadado negócio com o pastor Silas Mafalaia, no ramo de venda de artigos religiosos, via marketplace”. Segundo o portal Metropoles, o pastor confirnou que o aporte foi ainda maior, de R$ 30 milhões.

O negócio em questão é a empresa Alvox, fundada em 2021. Na prática, era uma união entre o Sheik dos Bitcoins com a Editora Central Gospel, principal empresa de Malafaia. A editora enfrentava um processo de recuperação judicial na época e corria sério risco de ir à falência.

A Alvox vendia, por meio da modalidade de marketing multinível, livros e bíblias produzidas pela Editora Central Gospel, além de roupas, perfumes e outros produtos fornecidos por empresas também ligadas a Francisley.

Uso da imagem de Malafaia

Em suas redes sociais, Malafaia chegou a anunciar produtos vendidos pela Alvox.

De acordo com Tassio Gil Maia Viana, ex diretor da Intergalaxy, uma das principais empresas do Sheik dos Bitcoins, o empresário usava a imagem de Malafaia para trazer novas vítimas para sua pirâmide financeira –publicamente tratada por ele como um investimento baseado no aluguel de criptomoedas.

“FRANCISLEY e as franquias usavam a imagem de SILAS MALAFAIA para vender planos de aluguel de criptoativos Após Francisley ser alvo de uma operação da Polícia Federal, Malafaia foi a público se desvincular”, diz a sentença, em referência ao depoimento de Viana.

O documento não esclarece, entretanto, se o uso da imagem de Silas Malafaia tinha a anuência do pastor.

Império Malafaia

A recuperação judicial da Editora Central Gospel foi detalhada com documentos exclusivos em Império Malafaia, primeira temporada de No Alvo, o podcast investigativo do ICL. A série analisou mais de 60 mil páginas de documentos para trazer detalhes inéditos sobre a vida financeira e as relações políticas do pastor.

Durante o processo de recuperação judicial, iniciado em 2019 e finalizado apenas em 2024, a Central Gospel declarou dívidas de mais de R$ 30 milhões na praça –entre passivos trabalhistas, com fornecedores, instituições financeiras e impostos.

O processo tramitou em uma vara empresarial do Rio de Janeiro. Na ação, Malafaia declarou uma renda de mais de R$ 1,35 milhão no ano de 2018 — dos quais R$ 962 mil vieram da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, igreja evangélica da qual Malafaia é dono.

A coluna enviou perguntas sobre as informações contidas na sentença para o pastor Silas Malafaia e para o advogado dele, Jorge Vacite Neto. Não houve retorno até o momento.

Fonte: ICL

Brasil ignora nomeação de embaixador de Israel, Estado Sionista reaje desesperado

O Ministério das Relações Exteriores de Israel anunciou nesta segunda-feira (25) que irá “rebaixar” as relações diplomáticas com o Brasil, informou o jornal The Times of Israel.

A decisão está ligada ao pedido de agrément para o diplomata Gali Dagan, indicado em janeiro para assumir a embaixada em Brasília, que permanece em análise.

“Após o Brasil, excepcionalmente, se abster de responder ao pedido de agrément do embaixador Dagan, Israel retirou o pedido, e as relações entre os países agora são conduzidas em um nível diplomático inferior”, diz um comunicado do ministério israelense.

O assessor especial da presidência da República, Celso Amorim, disse, em entrevista ao portal G1, que não houve um veto formal: o Itamaraty apenas deixou o pedido sem resposta, em reação ao tratamento dado ao embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer, no ano passado.

“Não houve veto. Pediram um agreement e não demos. Não respondemos. Eles entenderam e desistiram. Eles humilharam nosso embaixador lá, uma humilhação pública. Depois daquilo, o que eles queriam?”, disse Amorim.

Diplomatas brasileiros avaliam que o embaixador Meyer foi alvo de uma “emboscada” por parte do governo israelense após ter sido convocado para prestar explicações sobre a declaração em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou o massacre de civis palestinos ao Holocausto. Em uma tentativa de intimidação, expuseram Meyer ao chanceler israelense falando em hebraico, sendo que Meyer não fala o idioma.

O Itamaraty decidiu, em maio de 2024, retirar o embaixador Meyer de Tel Aviv.

Fonte: Brasil 247

Ataques israelenses já mataram 188 profissionais de imprensa em quase 2 anos em Gaza

Ao menos 188 profissionais de imprensa morreram em Gaza desde o início da guerra entre Israel e Hamas, em 7 de outubro de 2023.

Pelo menos 188 profissionais de imprensa foram mortos em Gaza em menos de dois anos. Foram 23 mulheres e 165 homens. Até o dia 12 de agosto, o número de vítimas contabilizado pelo CPJ (Comitê para a Proteção dos Jornalistas) era de 184, mas aumentou após quatro jornalistas morreram nesta segunda-feira (25) em um ataque israelense a um hospital de Khan Yunis, na Faixa de Gaza.

Número de jornalistas mortos em Gaza é maior do que o registrado nas duas Guerras Mundiais. Os dois conflitos duraram dez anos, com 67 profissionais de imprensa mortos na Segunda Guerra Mundial e dois na Primeira. Os registros dos óbitos são divulgados pela Freedom Forum, organização dedicada à defesa da livre expressão nos Estados Unidos. No site da instituição é possível acessar um memorial com os nomes e as circunstâncias das mortes.

Mais de 180 dos profissionais mortos em Gaza foram vítimas de ataques israelenses, segundo o CPJ. Apesar disso, Israel nega que tenha como alvos deliberados jornalistas. Sem provas, o governo de Benjamin Netanyahu acusa um dos jornalistas mortos, Anas al-Sharif, repórter da Al Jazeera, de ser terrorista.

Além das mortes, 90 jornalistas foram presos por Israel desde o início da guerra. Desses, 55 foram libertados, enquanto 35 continuam detidos. Segundo o CPJ, pelo menos 12 dos jornalistas presos por Israel estão sob detenção administrativa, uma política segundo a qual um comandante militar pode deter um indivíduo sem acusação, normalmente por seis meses, sob a justificativa de impedi-lo de cometer um crime futuro.

Israel lançou sua ofensiva em resposta ao ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Na ocasião, cerca de 1,2 mil pessoas foram mortas e outras 251 foram levadas como reféns. Mais de 61 mil pessoas foram mortas em Gaza desde o início da operação militar israelense, de acordo com o Ministério da Saúde do território, administrado pelo grupo extremista.

Mais jornalistas foram mortos em 2024 do que em qualquer outro ano desde que o CPJ começou a coletar dados, há mais de três décadas. Pelo menos 124 jornalistas e profissionais da mídia foram mortos no ano passado, quase dois terços deles palestinos mortos por Israel. O número supera o recorde de 113 mortes em 2007, quando a

MAIS QUATRO JORNALISTAS FORAM MORTOS

Profissionais estão entre as 15 pessoas assassinadas em dois ataques na manhã desta segunda-feira (25). O ataque atingiu o hospital Naser e também matou um membro da Defesa Civil, segundo as autoridades palestinas.

Todos os jornalistas mortos foram identificados e trabalhavam reportando a guerra em Gaza para jornais internacionais. Eles são Hossam al-Masri, da agência Reuters; Mohammed Salama, do canal Al Jazeera, Miriam Abu Daqa, freelancer que trabalhava com a Associated Press, e Moz Abu Taha, do canal americano NBC.

Outro repórter da Reuters também ficou ferido e agência afirmou que busca “urgentemente” mais informações. Em comunicado, a Reuters disse que está “devastada” com o acontecimento e que pediu ajuda de Israel e das autoridades palestinas para retirar Hatem Khaled, repórter ferido, do enclave.

Exército de Israel não comentou sobre o ataque até o momento. Ao jornal Times of Israel, uma fonte militar disse que o bombardeio não foi cometido pela Força Aérea.

Mortes acontecem duas semanas após cinco repórteres da Al Jazeera serem mortos em um ataque na Cidade de Gaza. Na ocasião, o governo de Israel alegou que um deles era “membro do Hamas”.

A Associação da Imprensa Estrangeira exigiu uma explicação imediata do Exército israelense e do gabinete do primeiro-ministro. “Exigimos que Israel cesse de uma vez por todas sua prática abominável de atacar jornalistas”, afirmou o grupo em um comunicado.

Fonte: MSN

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