A relatora da ONU Francesca Albanese afirma que abusos vão além das prisões e atingem toda a população palestina
A relatora especial da Organização das Nações Unidas para a Palestina, Francesca Albanese, denunciou o uso sistemático de tortura por Israel contra detidos palestinos e contra a população dos territórios ocupados. Segundo a HispanTV, a manifestação ocorreu no contexto de um relatório preparado para a 61ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU. No documento, Albanese afirma que a tortura não se restringe a prisões ou salas de interrogatório, mas se expressa também por meio de deslocamentos forçados, cercos, restrições à entrada de ajuda humanitária e alimentos, violência militar e ataques das forças israelenses.https://landing.mailerlite.com/webforms/landing/r9f0h9
De acordo com a relatora, essas práticas criaram do um ambiente voltado a enfraquecer a resistência, a dignidade e a determinação do povo palestino nos territórios ocupados. O relatório sustenta que a tortura sistemática de uma população inteira pode operar como mecanismo de dominação e também como evidência de intenção genocida, nos termos da Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio.Play Video
Relatório “Tortura e Genocídio” examina abusos contra palestinos
Intitulado “Tortura e Genocídio”, o relatório examina a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados e aborda o tratamento imposto por Israel aos palestinos desde 1967. O documento dá atenção especial ao período posterior a 7 de outubro, quando Israel lançou sua ofensiva contra a Faixa de Gaza sitiada.
O texto afirma que a tortura tem sido, há décadas, um elemento central no processo de desapropriação dos palestinos. Segundo o relatório, o regime de Tel Aviv teria empregado essas práticas em uma escala que indicaria retaliação coletiva e intenção destrutiva contra a população palestina.
O documento também menciona o ministro da Segurança Interna de Israel, Itamar Ben-Gvir. Segundo o relatório, ele determinou que prisioneiros palestinos classificados como “terroristas” fossem mantidos algemados em celas escuras e submetidos à reprodução contínua do hino nacional israelense.
Violência sexual e maus-tratos em prisões
A relatora também fez referência a uma investigação publicada em 11 de maio pelo The New York Times, segundo a qual tortura e violência sexual contra prisioneiros palestinos teriam se tornado práticas sistemáticas sob custódia israelense.
Ainda conforme o material citado, há alegações de que soldados israelenses, colonos e guardas prisionais submeteram detentos palestinos a estupro, abuso sexual infantil, tortura física, tratamento degradante e outras formas de maus-tratos.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou na quinta-feira que Israel processaria o jornal americano por causa das alegações publicadas na reportagem.
Organizações de direitos humanos denunciam abusos
Segundo os dados mencionados no texto original, cerca de 9.400 palestinos estão presos em prisões israelenses, entre eles 86 mulheres. Organizações de direitos humanos têm denunciado abusos contra prisioneiros palestinos no sistema prisional israelense, incluindo relatos de violência sexual.
As denúncias reunidas no relatório reforçam a preocupação internacional em torno da situação dos palestinos detidos e da população submetida ao cerco, aos deslocamentos e à violência nos territórios ocupados.
Fonte: Brasil 247






