Paulo Memória Alli é jornalista, cineasta e escritor

O mundo em que estamos vivendo tem passado por momentos extremamente difíceis no campo da política internacional. O cenário geopolítico está sofrendo profundas transformações com as ações cada vez mais bélicas e catastróficas das milícias globais, representadas pelos Estados Unidos e Israel, que estão transmutando cada vez mais as suas forças armadas em organizações paramilitares globais. Esta militarização preserva as formas precípuas de organização dos exércitos, mas as estratégias operacionais e logísticas adotadas até o presente momento, revelam uma perigosa escalada miliciana das forças armadas desses dois países para atingir objetivos que não parecem ser os de natureza geopolíticas.

É precisamente neste desvio de conduta e função por parte de poderosos onde mora o perigo iminente. Tanto o presidente norte-americano Donald Trump, quanto o primeiro-ministro sionista de Israel Benjamim Netanyahu, estão utilizando todo o seu poderio militar, sem uma única justificativa plausível, para os ataques israelenses à Gaza, na Palestina, e, mais recentemente, para os ataques e bombardeios americanos e, mais uma vez, do governo judeu, ao Irã, motivados por razões muito alheias as questões de segurança nacional. O fato é que ambos os chefes de Estado e de governo de seus respectivos países parecem querer transformar, literalmente, a guerra em uma cortina de fumaça, para desviar a atenção dos problemas de ordem pessoal que enfrentam internamente em seus países.

O Presidente Trump já responde e foi até condenado em dezenas de ações pela corte americana, pelos mais variados motivos: falsificação de registros comerciais, omissão de pagamento a ex-atriz pornô, retenção ilegal de documentos de segurança nacional, tentativa de reversão de resultados eleitorais (Invasão do capitólio), pressão por adulteração de votos na Geórgia, dentre outros e pelos quais já está condenado em 34 processos. O principal motivo dentre todos os que motivam Trump para desviar a atenção, fomentando essas guerras e invasões, no entanto, é, indiscutivelmente, o famigerado arquivo Epstein, no qual está envolvido muito além do pescoço…

Já o primeiro-ministro Netanyahu, responsável pelo massacre cometido pelo seu governo criminoso na faixa de Gaza, vem sendo acusado, com robustas provas, da prática de corrupção, suborno e fraude pela Suprema Corte de Israel. A possibilidade deste contumaz genocida sofrer um impeachment é algo muito concreto. Além disso, Netanyahu tem um mandado de prisão emitido pelo TPI – Tribunal Penal Internacional, por crimes de guerra. Ele tem plena consciência de que quando deixar o governo, terá que enfrentar todas as consequências de suas intervenções e sanha assassina psicopata contra os palestinos.

Ao que parece, a maneira que ambos encontraram para prorrogar as suas sobrevivências políticas, foi promovendo grandes operações militares em causa própria, agindo como meros e reles pmilicianos globais e não como líderes de seus povos. Tanto um, quanto o outro, enfrentam altos índices de impopularidade e rejeição, segundo pesquisa de opinião pública. A tática não está dando lá grandes resultados e o bombardeio americanos ao Irã foi condenado por 56% do povo estadunidense. O mesmo ocorre com o belicista Netanyahu em Israel. Ambos também terão sérios problemas após deixarem o poder.

O preço que a humanidade está pagando pela insanidade destas duas figuras carimbadas no cenário político internacional, está sendo extremamente elevado, tanto em perdas humanas, quanto na instabilidade econômica que essas atabalhoadas intervenções bélicas têm gerado. Estas recentes investidas bélicas intituladas “Operação Fúria Épica” (EUA) e “O Rugido do Leão” (Israel) no Irã, tem um grande potencial para a desestabilização do equilíbrio de forças no concerto das nações.

A verdade é que estes dois párias mundiais não imaginavam o tamanho da capacidade de reação do governo iraniano às agressões por eles iniciadas, que levou a morte de lideranças do governo persa, com especial atenção para a autoridade máxima do país, o Aiatolá Ali Khamenei. E certamente virá chumbo grosso da nova e muito mais radical e fanática nova liderança dos clérigos da “Assembleia dos Peritos”, instância política com maior autoridade no país, que elegeu, precisamente, o filho do Aiatolá Kahmenei como seu sucessor.

Trump e Netanyahu estão criando uma nova diplomacia internacional, antes denominada pelos Estados Unidos de “Diplomacia do Porrete”, e que agora podemos chamar de “Diplomacia de Milícia”. Se a comunidade diplomática internacional se mantiver em silêncio durante desta escalada de violência destes dois países que se acham proprietários da ordem política mundial, estará se abrindo um perigosíssimo precedente de salvo conduto para impor ao mundo a sua visão unilateralista e imperialista universal. Trump, sobretudo, já está se achando o próprio dono do mundo, de uma nova ordem onde ele é o senhor absoluto do destino da humanidade.

Ao meu ver, o povo americano e israelense irá pagar um preço muito alto pela prepotência desses dois homens sem um mínimo de escrúpulos humanitários, princípios morais e responsabilidades governamentais. São figuras nocivas e perigosas, em relação às quais não existe sequer a possibilidade de um pequeno aceno de paz e preservação da ordem democrática mundial. Israel já começa a sentir o peso dos mísseis iranianos sob a cabeça do seu povo e os aliados dos americanos também, que terminaram entrando de gaiato no navio, ou melhor, no porta avião norte-americano, de um conflito que não lhes pertence.

Esta guerra está apenas nos seus primórdios e Trump já está planejando invadir a pequena Cuba, mandando todos os imigrantes cubanos em Miami de volta para a ilha Caribenha, e, não duvido, já pretendendo colocar seu Secretário de Estado Marco Rubio na presidência. Os Estados Unidos sempre precisaram disseminar guerras mundo afora, para justificar o vultoso orçamento destinado a indústria bélica americana, a maior do planeta em termos de faturamento. O governo brasileiro tem feito pequenos comunicados condenando estas invasões, mas o Presidente Lula tem que ser mais incisivo nos seus pronunciamentos, a exemplo da Presidenta do México Claudia Sheinbaum, que já conseguiu se impor ante a arrogância imperialista do seu vizinho de fronteira.

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