Paulo Memória Alli é jornalista, cineasta e escritor

Estamos chegando aos últimos suspiros de 2025. Um ano em que as luzes da ribalta estiveram permanentemente acesas, revelando um espetáculo em relação ao qual não tínhamos expectativas sobre o seu desfecho. Tínhamos sim, algumas perspectivas, mas, ao meu ver, foi um ano que terminou se saindo até bem melhor do que a encomenda. Que as forças progressistas nacionais avançariam sobre alguns aspectos e as forças conservadoras sofreriam retrocessos já me parecia óbvio, desde o início de 2025. Os meses foram passando, confirmando todos os prognósticos esperados.

Após uma década de grandes regressões civilizatórias na vida pública brasileira, que começaram de forma sorrateira em 2013, passando pelo golpe do impeachment da Presidenta Dilma Roussef, a ascensão da quadrilha da Lava Jato, a prisão sem provas contra Lula e que culminaram com a eleição do protofascista Jair Bolsonaro para a presidência da república, finalmente tivemos um ano que chamarei de “ano redentor”, no qual o esfacelamento da nossa tenra democracia e o esgarçamento institucional começa a ser desfazer e ser revertido.

No âmbito internacional me parece que tivemos um processo inverso, com um avanço das forças conservadoras e um enfraquecimento dos setores progressistas mundialmente e, em especial, na América Latina. Iniciamos o ano com o retorno e a posse de Donald Trump no Salão oval da Casa Branca em 20 de janeiro, e todo o atraso que este fato representou para a humanidade. O velho amigo do pedófilo Jeffrey Epstein e atualmente o líder do “mundo livre”, sob forte suspeita de ser um predador sexual, ofereceu uma agenda política ao povo americano bastante indigesta.

O primeiro presidente dos EUA a assumir o poder já condenado criminalmente, Trump tem provocado uma grande fragmentação na sociedade norte americana, com uma insana política anti-imigração, retirando o Estados Unidos da OMS – Organização Mundial da Saúde e do “Acordo de Paris”, tratado internacional que discute a questão climática e ambiental, revogando as leis que combatiam a ideologia de gênero e as sanções contra a colonização israelense na Palestina, legitimando políticas de deportação em massa e outras insanidades ideológicas de extrema direita que não caberiam neste artigo.

Na América Latina tivemos a ascensão e o fortalecimento de governos de ultradireita, a exemplo da eleição do pinochetista José Antônio Kast para a presidência do Chile, a vitória do tresloucado Presidente Javier Milei nas eleições legislativas na Argentina, a reeleição do inexpressivo Daniel Noboa, mesmo com o desastre econômico que assola o Equador e a eleição do candidato trumpista para presidente de Honduras, Nasry Asfura, conhecido como Tito, do ultra direitista Partido Nacional, sendo esta, a derradeira vitória fascista no continente latino americano do ano, ocorrida no último dia 30 de novembro, mas cujo resultado só foi anunciado agora na véspera de Natal, após um renhida e duvidosa apuração dos “votos impressos” naquele país da América Central.

No continente europeu observamos o avanço dos partidos neofascistas em Portugal, na Espanha e outros países, sobretudo na França, uma nação que é considerada um dos berços da civilização ocidental, onde não será nenhuma surpresa, ao menos para mim, uma vitória de Marine Le Pen, declarada simpatizante do nazismo, para a presidência da república, já na sucessão de Emmanuel Mácron. Na Alemanha já tivemos este ano, a retomada do poder pela CDU – União Democrata Cristã, partido altamente reacionário, que nomeou chanceler o seu líder Friedrich Merz, que não faz a mínima questão de esconder sua profunda antipatia pelo Brasil.

Além disso, tivemos em maio, a perda do Papa Francisco, cujo pontificado foi uma lufada de ar no mofo doutrinário e retrógrado predominante na Cúria Romana e no Colégio Cardinalício, que elegeu o cardeal estadunidense Robert Francis Prevost para o trono de Pedro, que adotou o nome de Papa Leão XIV e ainda não disse muito a que veio.

Voltando as nossas questões internas, ocorreram fatos relevantes e marcantes na história do nosso país, a exemplo da prisão em definitivo do ex-presidente Jair Bolsonaro, sobremaneira, pela esdrúxula tentativa de romper a sua tornozeleira eletrônica com um aparelho de solda, bem como tivemos também a condenação e a detenção de militares de alta patente pelo Supremo Tribunal Federal pela tentativa de Golpe de Estado.

A política brasileira também sofreu duas ingerências externas este ano, que foram as taxações tarifárias do Governo Trump contra produtos brasileiros da balança comercial e a aplicação e imposição da Lei Magnitsky contra membros do STF, sobretudo, ao Ministro Alexandre de Moraes, numa tentativa de obrigar e subjugar o judiciário brasileiro a conceder anistia aos golpistas do chamado 8 de Janeiro, o que também beneficiaria o líder do golpe Jair Bolsonaro. Um encontro recente entre Lula e Trump na casa Branca, entretanto, foi o suficiente para o esclarecimento dos fatos distorcidos pelo foragido Eduardo Bolsonaro, tendo o Presidente norte-americano revogado estas duas medidas contra a nossa soberania nacional e restabelecido nossas relações diplomáticas.

Outro fato alvissareiro foi a investigação da Polícia Federal, que desmascarou em definitivo a Lava Jato, defenestrando, de uma vez por toda, o seu falso brilhante ou ouro de tolo, o insignificante Sérgio Moro, que enfrentará um futuro tenebroso, com a sua eminente prisão muito em breve. Finalizamos 2025 com uma fofoca de comadre, com a jornalista “global” Malu Gaspar, antiga aliada de Moro na Lava Jato, tentando criar um factoide midiático para incriminar o Ministro Alexandre de Moraes, utilizando a velha e manjada fórmula de acusar sem uma única prova que justifique e embase as acusações. No demais, o clima já é de festa e estou calçando minhas havaianas para entrar com os dois pés em 2026.

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