Paulo Memória Alli é jornalista, cineasta e escritor
O ano que se inicia será fundamental para a consolidação da democracia brasileira, o que não significa que não haverá resquícios do discurso do totalitarismo que marcou a última década em nosso país. O ano de 2026 trará algumas definições sobre qual o projeto de país que a sociedade brasileira irá optar. As pesquisas de opinião pública revelam que o Brasil está dividido dentro do conceito histórico e ideológico, desde a Revolução Francesa, que contrapõe as forças políticas entre esquerda e direita. Apesar de termos retomado a normalidade democrática nas últimas eleições de 2022, o que observamos é um rigoroso equilíbrio entre os segmentos progressistas e conservadores no nosso país e no mundo.
Não resta dúvida que o debate predominante nacionalmente em 2026, serão as eleições presidenciais e também para os governos estaduais, senadores, deputados federais e estaduais. E mais uma vez o embate será entre o campo popular, identificado com a candidatura a reeleição do Presidente Luis Inácio Lula da Silva, unindo do centro a Centro esquerda e esquerda e uma candidatura que representará menos o centro e mais o centro direita, capitaneada, entretanto, por um candidato aliado à extrema direita bolsonarista, até o presente momento tendo como candidato indicado pelo próprio Bolsonaro, o seu filho Flávio, que poderá ser substituída eventualmente pela candidatura do atual governador de São Paulo Tarcísio de Freitas.
Esta indefinição ocorre em razão da cisão dos setores direitista, que não conseguem identificar uma candidatura que consiga costurar sua unificação. Com a prisão de Jair Bolsonaro, pelos diversos crimes cometidos contra o Estado Democrático de Direito e as instituições, desaparece do cenário político o candidato natural deste segmento doutrinário. Particularmente não acredito na candidatura colocada pela extrema direita, que receberá o apoio da centro direita e menos de centro no espectro político nacional. No caso a candidatura de Flávio Bolsonaro, um político extremamente vulnerável moralmente e extremamente limitado intelectual e culturalmente.
Outro epicentro que provavelmente tambem dominará a narrativa política em 2026, que começou a se delinear no ano passado, é a possibilidade concreta da prisão do ex-juiz da 13a Vara Federal de Curitiba e atual Senador Sérgio Moro (União Brasil/PR), em razão das graves denúncias, concretamente embasadas em sólidas provas, da sua atuação criminosa quando esteve a frente da malfadada e de triste lembrança Operação Lava Jato, a maior fraude da história judiciária e política do Brasil e possivelmente do mundo. Será muito difícil o ex-Ministro da Justiça do governo Bolsonaro, que condenou Lula a prisão prolatando a frágil sentença do que classificou de “atos de ofício indeterminados”, escapar da cassação e posterior encaminhamento ao presídio já em meados deste ano que está apenas começando.
É realmente inacreditável como um inexpressivo e mediocre juiz de primeira instância conseguiu acumular tanto poder a partir da Vara Federal em que atuava na cidade de Curitiba, para, em conluio com a força-tarefa do Ministério Público do Paraná, liderada pelo evangélico promotor Deltan Dallagnol, cúmplice de Moro nas dezenas de crimes cometidos pela organização criminosa da Lava Jato ao longo de anos, simplesmente colocar em cheque a democracia brasileira, além de destruir a economia nacional, particularmente a nossa Construção Civil, levando ao desemprego centenas de milhares de pessoas que trabalhavam nos setores atingidos pelas garras dos promotores estelionatários do MP paranaense. Dito isto, a tese de que a operação Lava Jato começou realmente em Washington tem lógica.
Um terceiro cenário dominante que também começou a se descortinar para este ano, não por acaso ano eleitoral, se dará a partir da gravíssima “denuncia” feita pela jornalista lajavatista Malu Gaspar, na sua coluna assinada no jornal O Globo, no último dia 22/12, alicerçada em depoimentos de seis “fontes anônimas”, na qual afirmam que o Ministro Alexandre de Moraes teria se prevalecido do seu cargo e poder e prevaricado, a partir da sua toga no Supremo Tribunal Federal, para fazer lobby junto ao presidente do Banco Central Gabriel Galípolo, na questão da liquidação do Banco Master, que contratou os serviços do escritório de advogados da esposa de Moraes por R$ 129 milhões.
Por enquanto essas acusações feitas pela jornalista Malu Gaspar, não passa de um factoide midiático, nome pomposo para as velhas e manjada fake news. Fofoca mesmo. A jornalista de O Globo até o presente momento não apresentou uma única prova, por menor que seja, das acusações contra o ministro do STF. Ela diz não poder revelar as fontes que lhe informaram o possivel envolvimento de Alexandre de Moraes em irregularidades funcionais, alegando o estabelecido no artigo 5o, inciso XIV da Constituição Federal, que estabelece “que é assegurado a todos o acesso a informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”.
A senhora Malu Gaspar, uma entusiasta das difamações e calunias da Lava Jato, porém, esquece de dizer, ao que parece propositadamente, de que tanto no Art. 373 do Código de Processo Civil (CPC), como no Art. 156 do Código de Processo Penal (CPP), que o ônus da prova cabe à quem acusa, assegurando assim o “princípio de presunção de inocência”. A tal jornalista já é personagem “useira e vezeira” de que não precisa-se de provas para incriminar alguém, bastando ter apenas e tão somente, “convicções” pessoais e ao sabor dos seus interesses. Desta vez não vai colar. Que falta faz um PowerPoint fajuto. Este ano estaremos de olhos bem abertos!
PS 1: após a conclusão deste artigo, a PGR arquivou a denúncia da jornalista “fofoqueira” Malu Gaspar, sob a justificativa de que as reportagens sobre o assunto “não apresentaram elementos concretos ou indícios materiais que corroborem a tese de intimidação, permanecendo a narrativa no campo das suposições”. Eis que agora chega ao nosso conhecimento pelo site 247 de que o tal contrato de R$ 129 sequer existe, posto que já se sabe que não existem assinaturas firmadas entre o escritório advocatício de Viviane de Moraes e o Banco Master. O silêncio do Xandão sobre o tema é exatamente pela fragilidade probatória diante de denúncias vazias, sem documentos que comprovem e corroborem as mesmas para dar-lhes sustentação. A extrema direita precisa entender que o STF não é mais o puxadinho da Lava Jato do hoje indiciado Sérgio Moro. Vão ter que se esforçar muito mais!
PS 2: Dia 31.12.25 a tal jornalista Malu Gaspar recuou da sua acusação contra o Ministro Alexandre de Moraes. Pois é, o buraco agora é mais embaixo!










