Pré-candidato ao governo paulista diz que estudará alternativas para a companhia e cita pesquisas que apontam maioria favorável à retomada do controle estatal

O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que poderá estudar a reestatização da Sabesp caso seja eleito, mas reconheceu que a reversão da privatização da companhia envolve dificuldades jurídicas. Segundo ele, existe um forte “clamor” entre os paulistas para que o Estado volte a controlar a empresa de saneamento.

De acordo com o Terra, Haddad citou pesquisas segundo as quais cerca de 54% a 55% da população paulista seria favorável à reestatização. Diante desse cenário, afirmou que pretende analisar cuidadosamente as possibilidades jurídicas e econômicas existentes antes de tomar qualquer decisão.

Haddad promete estudar alternativas

O pré-candidato ressaltou que não pretende ignorar a manifestação da população sobre a Sabesp, mas ponderou que desfazer uma privatização realizada recentemente não é um processo simples.

Caso assuma o Palácio dos Bandeirantes, Haddad afirmou que pretende abrir diálogo com a companhia e discutir garantias relacionadas a temas considerados essenciais para os consumidores, entre eles os reajustes das tarifas e a segurança do abastecimento de água.

A posição indica que uma eventual reestatização será examinada como uma das possibilidades, e não apresentada antecipadamente como uma decisão já tomada.

Concessões não são descartadas

Haddad também afirmou que não é contrário, por princípio, às concessões de serviços públicos. Para ele, o ponto central é avaliar seus resultados para a população, especialmente em relação aos preços cobrados e à qualidade dos serviços prestados.

O petista mencionou como exemplo concessões rodoviárias realizadas durante os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na avaliação apresentada por Haddad, modelos de concessão podem ser utilizados desde que tragam benefícios concretos e não resultem em tarifas maiores ou deterioração dos serviços.

Disputa em São Paulo integra estratégia nacional

Haddad também vinculou sua candidatura ao governo paulista à disputa presidencial. Segundo ele, a entrada na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes integra uma estratégia política mais ampla para fortalecer a campanha pela reeleição de Lula.

O pré-candidato reconheceu as dificuldades da eleição estadual e afirmou que o governador Tarcísio de Freitas parte com uma estrutura política e uma coligação mais amplas. Haddad classificou a disputa como uma “luta de Davi contra Golias”.

Apesar disso, não descartou uma definição da eleição já no primeiro turno. Ao abordar essa possibilidade, lembrou que o PSDB conseguiu vencer diversas eleições paulistas sem necessidade de segundo turno.

Haddad defende aplicação da lei sem distinções

O petista também comentou as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, e defendeu que a legislação seja aplicada independentemente da identidade ou da posição política das pessoas investigadas.

Haddad afirmou que quem tiver cometido irregularidades deve responder por seus atos, independentemente de partido ou religião.

O pré-candidato acrescentou que, durante sua convivência política com Lula, nunca presenciou o presidente interferindo em questões relacionadas a familiares.

A posição acompanha a manifestação do próprio presidente de que Fábio Luís deve prestar os esclarecimentos solicitados pelas autoridades e não receber tratamento especial em razão do vínculo familiar com o chefe do Executivo.

Fonte: Brasil 247

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