O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, defendeu publicamente a realização de assassinatos direcionados em Gaza para matar entre 30 e 40 pessoas todas as noites.

A declaração foi feita em um podcast apresentado por Rom Braslavski, um ex-refém israelense.

Integrante do gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e líder do partido de extrema direita Otzma Yehudit (Poder Judaico), Ben-Gvir criticou a redução dos ataques aéreos israelenses na Faixa de Gaza.

“Não é segredo que discordo do primeiro-ministro. Acho que assassinatos direcionados deveriam ser realizados em Gaza, eliminando 30 a 40 todas as noites”, afirmou.

Ben-Gvir foi além e defendeu que os alvos não deveriam se limitar a pessoas consideradas ameaças imediatas. “Há pessoas lá que não são dignas de viver. Elas não deveriam viver. Elas nem sequer são pessoas”, declarou.

Declarações semelhantes já foram feitas anteriormente por Ben-Gvir e por outros integrantes do governo israelense. Algumas dessas falas foram apresentadas perante a Corte Internacional de Justiça como evidências utilizadas na discussão sobre alegações de intenção genocida contra os palestinos.

Ben-Gvir ganhou influência sobre a segurança de Israel

Ben-Gvir ocupa o cargo de ministro da Segurança Nacional desde 2022, como parte do acordo de coalizão entre seu partido e o Likud, de Netanyahu.

Embora não tenha autoridade para ordenar diretamente ataques aéreos contra Gaza, Ben-Gvir se tornou uma das figuras mais influentes da extrema direita israelense. O ministro controla áreas importantes do aparato de segurança do país, incluindo a polícia nacional e o sistema penitenciário, onde milhares de palestinos de Gaza e da Cisjordânia estão presos.

O ministro já havia se gabado anteriormente de reduzir as rações alimentares oferecidas a prisioneiros palestinos. Em 2025, a Suprema Corte de Israel determinou que o serviço penitenciário sob sua gestão estava privando palestinos do mínimo necessário para uma alimentação de subsistência.

Mais de 1.250 mortos desde o acordo de trégua

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, os ataques israelenses mataram mais de 1.250 pessoas desde a entrada em vigor de um acordo de trégua em outubro.

O Exército israelense afirma que suas operações têm como alvo integrantes do Hamas. Nos últimos dias, porém, os ataques foram reduzidos, em uma aparente concessão ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, depois que Netanyahu rejeitou a mais recente tentativa do governo americano de avançar nas negociações.

A imprensa israelense informou na semana passada que a autorização para realizar ataques passou a ficar concentrada nas mãos do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, provocando a reação de parlamentares de direita, entre eles Ben-Gvir.

Ministro defende expulsão em massa de palestinos

Durante a mesma entrevista, Ben-Gvir também defendeu a emigração em massa dos palestinos de Gaza e a instalação de assentamentos israelenses no território.

“Vejo toda Gaza como nossa”, afirmou. O ministro defendeu a retomada dos assentamentos não apenas na região de Gush Katif, mas em toda a Faixa de Gaza, além de incentivar “o máximo possível” de emigração de palestinos.

Para os integrantes do Hamas, segundo sua proposta, a alternativa seria diferente: “Para os terroristas, nenhuma emigração, nada, apenas matá-los um por um”.

Israel retirou suas tropas e desmontou os 21 assentamentos judaicos de Gaza, conhecidos como Gush Katif, há 20 anos.

Desde o início do massacre mais recente, Israel passou a controlar entre 60% e 70% da Faixa de Gaza, após estabelecer a chamada “linha amarela” e avançar além de uma fronteira prevista no acordo de cessar-fogo.

A proposta mais recente de Trump prevê que o Hamas entregue gradualmente suas armas enquanto Israel interrompe os ataques e inicia a retirada de suas forças de Gaza.

Fonte: DCM

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