Na Cúpula da OTAN de 7 e 8 de julho, em Ancara, na Turquia, o presidente dos Estados Unidos foi evacuado pelos serviços de segurança, após uma ameaça atribuída ao Irã. Soube-se, agora, que o líder da maior potência imperialista do mundo saiu escondido em um contêiner do serviço de alimentação.
O que é isto, senão um símbolo da incapacidade dos Estados Unidos de manter a “ordem” desde a guerra no Irã, que eles iniciaram e que continua?
Um recente choque com o Secretário da Guerra, Peter Hegseth, gerou crise na cúpula trumpista. Trump questionou o secretário sobre por que ele foi enganado a respeito da escassez de munições.
A incapacidade também traz consequências para toda a economia americana.
A inflação atingiu 5%, um número muito grande para os EUA. Embora Trump tenha sido eleito com a promessa de baixar os preços, uma pesquisa da CNN indica que 77% dos americanos acreditam que as políticas de Trump aumentaram o custo de vida.
Mas a Cúpula de Ancara também será lembrada pelo maior engajamento de Trump na Ucrânia, com o Senado americano votando novas sanções contra a Rússia. Enquanto os imperialismos europeus anunciam novos gastos militares, como Trump cobra.
E sem qualquer autorização, uma empresa petrolífera próxima a Trump trouxe equipamentos de perfuração à Groenlândia, território da Dinamarca, membro da União Europeia, mas isso não provocou reação importante dos líderes europeus.
Após novas sanções contra a China, esta retaliou com restrições às exportações de peças de drones para os Estados Unidos…
Isso numa semana que iniciou com um vídeo do Departamento do Estado, de Marco Rubio, dizendo que o domínio americano sobre o Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionado”, onde enumera ações na região, entre elas a prisão de Nicolás Maduro, como exemplo da aplicação da doutrina.
Tudo isso integra a curso frenético do imperialismo americano para apropriar-se a todo custo de recursos, na tentativa de superar sua crise interna.
No imediato, as eleições de meio de mandato daqui a três meses não estão nada fáceis para Trump, mas também não estão fáceis para o establishment Democrata. Afinal, toda alta cúpula do imperialismo americano está afetada pela crise e instabilidade global.
Em diversas primárias democratas, que designam os candidatos para governadores ou para o Congresso, os candidatos dos Socialistas Democráticos da América (DSA) ou apoiados pelo DAS, obtiveram vitórias importantes, como em Michigan, além de Nova York.
O AIPAC, o lobby sionista dedicado a apoiar o Estado de Israel nos Estados Unidos, gastou dezenas de milhões de dólares para tentar derrotar candidatos do DSA que denunciam o genocídio na Palestina. Mas isso já não tem o mesmo efeito de antes, e o socialismo não é mais um bicho-papão para milhões de estadunidenses. É a “ordem” em crise. Fuga cinematográfica do Air Force One, falta de munição e crescimento dos socialistas dentro de seu território, mostram que Trump e seu império decadente não podem tudo.
Por Marcelo Carlini, Diretório Estadual do RS
Fonte: petista.org.br






