Paulo Memória Alli é jornalista, cineasta e escritor
Eliminada nas Oitavas de Finais, o pior resultado da história na sua vitoriosa trajetória nos mundiais de futebol. Claro que estou me referindo a Seleção Brasileira, se é que podemos assim chamar a nossa querida “canarinha”, que encerra sua participação na Copa do Mundo de 2026 com este desfecho melancólico e previsível ao que podemos chamar de “era Neymar”. Uma medíocre seleção escalada por empresários e pelos interesses sempre escusos desta entidade altamente questionável para conduzir o futebol brasileiro chamada CBF – Confederação Brasileira de futebol.
A manjada CBF transformou o nosso escrete nacional em uma vitrine de negociações espúrias, para dar lucros astronômicos as Bets e aos grandes bancos de apostas em geral, produzindo resultados catastróficos para milhões de famílias brasileiras, que saíram endividadas até a copa de 2030 no mínimo, pelo que perderam agora apostando em uma fraude, cujo símbolo maior foi a convocação do “menino Neymar”, referência adocicada demais dada pela Globo para um sujeito com óbvio desvios de caráter e, não por acaso, garoto propaganda das Bets, única justificativa para a convocação deste jogador aposentado na prática.
Este cidadão encerra sua participação na seleção brasileira, revelando o seu caráter com vocação natural para maloqueiro, com sua conhecida falta de grandeza e nobreza revelada por sua postura na derrota para a Noruega, uma seleção sem tradição na história das copas, que sobrevive da genialidade de um único jogador, que eliminou o patético time de Neymar e sua trupe enganadora. As atitudes do bolsonarista convicto o “garoto Neymar”, poderia ter evoluído para uma briga generalizada ao final da partida, motivada pelas suas provocações sempre infantis e prepotentes.
Nossos jovens continuarão sonhando com o desejado hexa, em serem os heróis dentro dos campos nas próximas copas do mundo. A realidade, entretanto, é bem díspare desta fantasia. A descaracterização do universo que envolve o futebol, não contempla mais aquele jovem bom de bola que era encontrado nos campos de várzeas das periferias das grandes metrópoles. Ser um exímio jogador ja não garante mais o sucesso dentro dos campos oficiais dos grandes clubes futebolísticos do nosso país.
Os “deuses” do futebol andam bastante seletivos de uns tempos para cá, sobretudo nos últimos 24 anos, que agora serão 28 anos, em que o Brasil tem sido uma vergonha atrás da outra, carregando para sempre esta marca, com a goleada de 7 X 1 que levou da Alemanha na copa de 2014 em nossa própria casa. Assim como no mercado de trabalho formal, a meritória do mercado da bola não costuma ser justa, não contemplando, necessariamente, os melhores atletas nas suas posições dentro dos campos.
A meritocracia, assim como a lógica do que chamam de “empreendedorismo”, ao meu ver, não passa de uma grande e perversa falácia no Brasil, vendida como a solução de todos os problemas e mazelas sociais nacionais. Este discurso convence as camadas médias e mais baixas na escala social, em que a pejotização e consequente precarização do trabalho, longe da realidade, tem o poder mágico de fazer com que o trabalhador acredite ser um microempresario no seu setor de atuação, seja como moto-boy ou proprietário de uma carrocinha de churros ou cachorro-quente em frente aos grandes estadios de futebol.
Em tempos de copa, o futebol se reveste em algo ainda maior do que uma paixão, mas em uma idolatria nacional. Por esta razão este esporte sempre foi utilizado a serviço de alguma superestrutura, de um regime ou de um governo. Foi assim na ditadura militar em 1970, quando o Brasil teve, possivelmente, a melhor seleção na história das copas mundiais. Nos porões dos quartéis a tortura contra opositores era uma prática que confrontava o meritório do que era realizado nos estádios mexicanos por Pelé, Jairzinho, Tostão, Gerson, Rivelino e Cia, encantando o mundo com um futebol quase sobrenatural.
O ditador de plantão Emílio Garrasatazu Medici soube tirar muito bem os proveitos deste feito, dando popularidade a um dos mais virulentos regimes de exceção da nossa história recente. A Seleção Brasileira não é mais a “Pátria de Chuteiras”, como diria Nelson Rodrigues, de um saudoso tempo em que o futebol era apenas um esporte e uma paixão nacional. Talvez se a nossa seleção calçar a modesta “Sandália da humildade”, poderemos ter um tênue recomeço para resgatar os seus já remotos tempos de glória.









