O motorista de caminhão que carregava mantimentos para a população de Gaza, Ahmad Nasser Esleem, de 30 anos, foi morto a tiros por um soldado israelense na quarta-feira, 8. Três testemunhas e a Associação de Empresas de Transporte de Gaza descreveram a morte de Ahmad como uma execução sumária.

Pai de dois filhos, o mais novo com dois meses de idade, Ahmad transportava alimentos para a World Central Kitchen (Cozinha Central Mundial, WCK) a caminho de Gaza, em um comboio coordenado, com todas a permissões em dia e identificação oficial necessária aprovada pelas forças israelenses, quando foi baleado na cabeça, nas proximidades do Corredor Filadélfia, em Rafah, na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito.

O comboio de quatro caminhões teve que interromper a viagem porque um dos caminhões apresentou problemas de funcionamento. Foram abordados por soldados israelenses que os obrigaram a passar pela humilhação de serem forçados a se despir, agredidos e forçados a ficarem de pé sob o sol.

As três testemunhas presenciaram a execução de Ahmad: quando este levantou os braços para mostrar rendição, um soldado israelense disparou diretamente contra sua cabeça.

“O soldado que atirou em Ahmad conversou com os três motoristas sobreviventes depois e os ameaçou, dizendo que teriam o mesmo destino que Ahmad. Isso indica claramente que o ataque foi premeditado”, comunicou a Associação de Empresas de Transporte de Gaza.

“Ahmad Nasser Saleem estava fazendo o que muitos de nossos parceiros fazem todos os dias em Gaza, trabalhando para levar comida a pessoas famintas. A WCK espera um relato completo do ocorrido”, comunicou a direção da WCK, dizendo-se devastados com a morte de Ahmad.

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários relatou em de abril de 2026 que foram mortas 593 pessoas que trabalhavam com grupos humanitários em Gaza, oito delas desde que o cessar-fogo entrou em vigor em outubro do ano passado.

Dos que trabalharam com a WCK, Ahmad é o 11º trabalhador morto pelas forças de ocupação de Israel. Em abril de 2024, Israel fez um massacre matando sete trabalhadores voluntários da WCK, quando drones israelenses atingiram um comboio da WCK em três ataques separados. Os veículos da WCK estavam claramente identificados e estavam coordenando seus movimentos com as forças israelenses que mesmo assim executaram os ataques.

José Andrés, o chefe da WCK, disse na época que Israel alvejou seus trabalhadores “sistematicamente, carro por carro”.

Em novembro de 2024, Israel bombardeou outro carro da WCK, matando três trabalhadores e outras duas pessoas.

Em abril de 2026, os israelenses atacaram um comboio da OMS, que, transportava pacientes palestinos para receberem tratamento médico no Egito, matando um motorista. O comboio estava visivelmente identificado e com autorização dos israelenses.

Em maio de 2026, dois motoristas palestinos foram detidos pelos israelenses por dias; quando foram liberados, foram alvejados perto de uma rotatória em Rafah.

No mês passado, os israelenses mataram dois motoristas da UNICEF enquanto abasteciam caminhões em um ponto de distribuição.

Fonte: Hora do Povo

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