Gilles Michaud relata “tratamento sem precedentes” e que nunca havia enfrentado conduta semelhante em nenhum país por onde passou

Desdenhando as autoridades e atropelando normas e legislações internacionais, o governo facínora de Netanyahu deteve ilegalmente nesta quarta-feira (13) em Israel o subsecretário-geral das Nações Unidas para a Segurança e Proteção, Gilles Michaud, devido à sua visita à Faixa de Gaza.

Conforme relatos da mídia israelense, o diplomata e oficial de segurança canadense, subsecretário-geral da ONU, foi barrado e teve seu passaporte confiscado no Aeroporto Ben Gurion, próximo de Tel Aviv, para “verificações de segurança”. Durante cerca de uma hora, agentes da repressão o levaram para uma área de espera, antes de interrogá-lo sobre uma inspeção oficial que realizou a Gaza em agosto do ano passado.

Segundo informações do jornal israelense Yedioth Ahronoth, o questionamento feito pelos membros do “serviço de segurança interna”, o Shin Bet, foi ainda mais absurdo já que a presença do diplomata a Gaza na época foi algo previamente coordenado com as tropas invasoras e suas autoridades.

Nomeado pelo secretário-geral da ONU em julho de 2019, Michaud, descreveu o incidente como um “tratamento sem precedentes” para um alto funcionário da ONU, afirmando que nunca havia enfrentado conduta semelhante em nenhum outro país que visitou.

Após o ocorrido, o funcionário das Nações Unidas cancelou todas as suas reuniões agendadas em Israel, em uma ação que reflete a crescente frustração com as medidas do governo sionista. Os protestos ocorrem em meio a críticas internacionais cada vez maiores ao tratamento dado às instituições internacionais que operam na Palestina, particularmente em vista da crescente pressão relacionada ao genocídio praticado contra a população de Gaza.

Na contramão dos fatos, o governo fascista disse que houve um “caso de identidade equivocada” e que o diplomata foi liberado sem acusações formais.

AGRESSÃO REACENDE O DEBATE SOBRE ATROPELOS DE ISRAEL CONTRA AS NAÇÕES UNIDAS

A detenção do diplomata reacendeu o debate sobre confrontos anteriores envolvendo o conjunto do pessoal da ONU na região.

No dia 7 de abril, um soldado espanhol de manutenção da paz – a serviço das Nações Unidas – foi capturado por tropas israelenses após um comboio logístico da ONU ter sido interceptado no sul do Líbano. O soldado teria ficado retido por mais de uma hora antes de ser libertado.

Em um incidente separado, em 2024, o exército israelense interceptou um comboio da ONU que seguia para o norte de Gaza, apesar da coordenação prévia com a organização. O comboio transportava vacinas contra a poliomielite destinadas a crianças em Gaza. Conforme as Nações Unidas, as tropas de Netanyahu interceptaram o comboio à mão armada e ameaçaram deter toda a equipe antes de finalmente libertarem os funcionários.

ATAQUES E ASSASSINATOS DE SIONISTAS A ATIVISTAS HUMANITÁRIOS SE MULTIPLICAM

A ONU e inúmeras agências e organizações têm denunciado as limitações e impedimentos do governo sionista à entrada de qualquer ajuda, a multiplicação de ataques e assassinatos de trabalhadores humanitários e barreiras impostas a missões internacionais que atuam no território palestino. Entre os casos mais recentes e flagrantes está a prisão e sequestro de ativistas da Flotilha Global Sumud, que levavam alimentos e remédios, bem como os milhares de caminhões que permanecem impedidos de entrar por terra via o Egito.

Diante da continuidade do banho de sangue perpetrado pelas tropas israelenses, em completo desrespeito ao “cessar-fogo” – em vigor desde outubro de 2025 – autoridades palestinas e organizações humanitárias denunciam os reiterados massacres praticados pelo estado sionista, que já custaram – oficialmente – a vida de dezenas de milhares de palestinos.

Especialistas e funcionários da ONU, incluindo o secretário-Geral António Guterres, condenaram os sucessivos bombardeios a escolas, centros médicos e locais de ajuda humanitária em Gaza como “violações do direito internacional” e “crimes de guerra”.

Fonte: Hora do Povo

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