Paulo Memória Alli é jornalista, cineasta e escritor
Maceió recebeu a visita do Prefeito de Maricá e Vice-Presidente Nacional do PT Washington Quaquá, que veio lançar, no dia 09 de janeiro, no Cine Arte-Pajuçara, o seu livro, que tem o sugestivo título de “Diálogos Com a Utopia”, no qual faz um inventário da sua trajetória política e partidária. No seu livro anterior, “Da Favela ao Poder”, ele discorre sobre momentos de sua vida; as dificuldades e desafios de alguém que nasceu em uma favela, no caso do Quaquá, na favela do Caramujo, em Niterói. Superou os inúmeros obstáculos e desafios dos que vieram do andar de baixo, até vencer na vida e se tornar uma das mais importantes lideranças nacionais do maior partido da América Latina, que é o Partido dos Trabalhadores. Neste livro que está lançando, ele revela sua visão do momento político, externando de forma corajosa, inclusive, as idiossincrasias do seu próprio partido, se posicionando com firmeza e independência.
A sua ascensão política tem como base as suas sugestivas, modernas e competentes gestões a frente da prefeitura da 4a cidade mais rica do Brasil, o município de Maricá (RJ), que possui uma grande reserva em petróleo e gás natural, com uma importante arrecadação baseada nos royalties inerentes a essas duas grandes riquezas nacionais. Maricá possui oficialmente, segundo o censo realizado pelo IBGE no ano de 2022, uma população de 197.277 habitantes, registrando um aumento populacional de 54,87% desde o ano de 2010, o maior do Rio de Janeiro e um dos maiores do Brasil.
Uma explicação pertinente para a evolução da sua densidade demográfica, são as políticas públicas praticadas há quase duas décadas no município, iniciadas quando Quaquá assumiu a prefeitura do município pela primeira vez, no ano de 2009, sendo reeleito na eleição seguinte, fazendo ainda seu sucessor Fabiano Horta em 2016 e retornando agora a prefeitura no ano de 2024. A sua visão social, provavelmente em função das suas origens proletárias, conhecendo a face dura e triste da pobreza, fez com que a prioridade das gestões petistas na cidade, atendessem exatamente as áreas periféricas e mais empobrecidas, melhorando significativamente a qualidade de vida das pessoas mais carentes.
Estas políticas democráticas de administração pública aumentaram o êxodo populacional para Maricá, projetando a estimativa de que a população municipal chegue a mais de 212 mil habitantes até o final de 2025, que são aqueles cidadãos em busca de novas oportunidades, que signifiquem novas perspectivas para suas vidas. Esta realidade transforma Maricá em uma espécie de vitrine do que seja uma cidade que pratica um socialismo com características brasileiras. O verdadeiro “Socialismo moreno” preconizado por Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, que se apaixonou pela cidade e morou em Maricá até o final de sua vertiginosa e profícua vida.
A casa onde morou Darcy, um dos maiores pensadores do século XX, foi transformado no Museu Casa Darcy Ribeiro, localizado na Praia de Cordeirinho, inaugurado pelo sucessor de Quaquá, Prefeito Fabiano Horta, em 2024, passando a ser um importante espaço cultural e um convite a visitação e a reflexão sobre os grandes temas universais. Além deste, foram realizados muitos outros grandes investimentos na cultura do município nos governos petistas maricaenses, a exemplo do Cinema Henfil e a recente criação da empresa MARÉ – Maricá, Arte, Roteiro e Experiências, presidida pelo experiente ator e gestor cultural Antônio Grassi, que atuará nos segmentos da gastronomia, audiovisual, artes plásticas, edição de livros, música e turismo.
Para transformar os projetos destas áreas culturais e turísticas em realidade, a prefeitura já aprovou e alocou na MARÉ, um orçamento para investimentos e custeio no valor de R$ 100 milhões de reais, fazendo de Maricá, sem dúvida alguma, uma das cidades mais comprometidas com o desenvolvimento e o crescimento da cultura no Brasil. Isto só é possível porque em quase duas décadas de gestões eficientes dos governos petistas, Maricá evoluiu de uma situação na qual a primeira posse do Prefeito Quaquá, em 2009, foi realizada a luz de vela, em razão da falta de pagamento pelo prefeito anterior, da conta de energia elétrica da prefeitura, para um PIB municipal de R$ 134 bilhões de reais, o que representa 1,23% do PIB nacional, que faz de Maricá a quarta cidade mais rica do Brasil, como dito anteriormente, segundo dados do IBGE.
Com uma gestão inovadora, Maricá se destaca no cenário nacional, dentre outros motivos, pelo fato de ser o único município brasileiro que oferece a tarifa zero em transporte público a sua população, com os ônibus conhecidos como “vermelhinhos”, com uma excelente prestação de serviços, melhorando a facilitando a vida do seu povo. Outra grande novidade que vem deste modelo de gestão socialista, é a moeda própria que circula apenas na cidade de Maricá. Esta moeda municipal se chama Mumbuca, que atende as famílias em situações de vulnerabilidades sociais, atendendo às necessidades dos moradores que residam no município há três anos e cuja renda familiar não ultrapassem a três salários mínimos.
Certamente a origem social do atual prefeito de Maricá, o Cientista Social Washington Luiz Cardoso Siqueira, formado pela UFF – Universidade Federal Fluminense, conhecido popularmente como Quaquá, que também responde pela primeira vice-presidência nacional do PT, foi fundamental para que esteja fazendo um governo com grande sensibilidade social. Com certeza a empatia de Quaquá pelos mais necessitados guarda correspondência com o fato de ser um ex-favelado que conseguiu burlar a injusta relação de classes em nosso país, com uma história de vida muito parecida com a vida de outro petista histórico, o próprio Presidente Lula, um retirante nordestino sobrevivente das desigualdades socioeconômicas em nosso país.
O Prefeito e articulado Quaquá tem se revelado um pragmático na política, que chegou à conclusão de que “não se ganha uma guerra no isolamento”, pois, muitas das vezes, existe uma grande distância entre o discurso “estético” de esquerda e a prática de esquerda, que eventualmente obriga as alianças com setores conservadores, porém, sob a hegemonia das forças progressistas. É como ele diz, “o discurso bonito é bem mais simples do que mudar a vida das pessoas para melhor”. Este é o Quaqua, que comanda o laboratório socialista no litoral do Rio de Janeiro que está dando certo, talvez pelo fato de que, como diria o grande revolucionário Ernesto “Che” Guevara, outro ídolo de Quaquá, que não por acaso empresta o nome ao Hospital Público de Maricá, “Lutam Melhor os que têm Belos Sonhos”.










