Documentos do Congresso dos Estados Unidos e do governo Donald Trump relacionados a uma iniciativa de US$ 1 milhão destinada a financiar ações contra o que seus formuladores classificam como “ativismo judicial excessivo e censura no Brasil” mencionam diretamente a atuação o ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro nos EUA em busca de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os registros, segundo a coluna da jornalista Mariana Sanches, do UOL, descrevem o fundo como uma ferramenta para “apoiar a sociedade civil para combater o ativismo judicial excessivo e a censura no Brasil” e indicam que o projeto teria como um de seus focos o Supremo. 

De acordo com um dos documentos, “o prêmio visa mirar o Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF) e a percepção de que a Corte está atacando a liberdade de expressão nos EUA”. Os papéis citam ainda decisões para “remoção de uma publicação sobre Trump” em plataformas digitais, numa possível referência a determinações expedidas no âmbito do inquérito das fake news, relatado por Moraes, que alcançaram residentes dos Estados Unidos.

Lobby de Eduardo Bolsonaro aparece nos documentos

Ao detalhar o ambiente político relacionado à iniciativa, o material menciona nominalmente Eduardo Bolsonaro e sua ofensiva junto ao governo estadunidense contra Moraes.

“O deputado brasileiro Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, está fazendo lobby junto ao governo dos EUA para que sanções sejam impostas ao ministro Moraes”, afirma o documento.

Os registros consultados pela reportagem, contudo, não apresentam evidências de que Eduardo Bolsonaro tenha recebido recursos do fundo de US$ 1 milhão. Após a publicação da reportagem, ele enviou uma manifestação por intermédio do comentarista Paulo Figueiredo e negou ter recebido dinheiro.

“Não recebi, não poderia receber e não tenho ONG para receber”, afirmou Eduardo, de acordo com a reportagem.

Campanha nos Estados Unidos

Eduardo Bolsonaro mudou-se para o Texas em fevereiro de 2025 e passou a atuar nos Estados Unidos em defesa da imposição de medidas contra autoridades brasileiras, tendo Alexandre de Moraes como um dos principais alvos.

A ofensiva buscava pressionar autoridades brasileiras e favorecer algum tipo de anistia ao ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL), condenado a mais de 27 anos de prisão no processo relacionado à trama golpista.

A movimentação política ocorreu em paralelo a medidas adotadas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra integrantes do Judiciário brasileiro.

Moraes foi atingido por sanções com base na Lei Global Magnitsky, enquanto outros ministros do STF foram incluídos em restrições de vistos impostas pelo governo estadunidense.

Condenação no STF

A atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos também teve consequências judiciais no Brasil. Ele foi condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo.

Fonte: Brasil 247

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