Ataque militar pelo segundo dia consecutivo bloqueia cidade, desloca moradores e destrói infraestrutura

As forças israelenses continuam seu ataque contra a cidade de Qabatiya, ao sul de Jenin na Cisjordânia ocupada, pelo segundo dia consecutivo, impondo um cerco rigoroso acompanhado de interrogatórios em massa a dezenas de moradores, deslocamento forçado, buscas e apreensões generalizadas de residências e destruição massiva de infraestrutura.

Nas últimas 48 horas, foram relatadas cerca de 29 mortes de palestinos, incluindo 25 vítimas não registradas anteriormente, além de oito feridos. Desde o acordo de cessar-fogo de 11 de outubro de 2025, foram registradas 414 mortes e 1.142 feridos; 679 corpos foram recuperados.

Neste sábado (27/12) as tropas de Tel Aviv bloquearam as entradas de Qabatiya enquanto prendiam e interrogavam dezenas de moradores, disseram fontes locais à emissora catariana Al Jazeera. Diversas casas foram transformadas em centros de interrogatório militar, desalojando seus ocupantes, segundo a agência de notícias palestina Wafa.

Os ataques militares israelenses também se estenderam a outras áreas da Cisjordânia ocupada, incluindo várias aldeias nos arredores de Ramallah e Hebron, informou a Wafa. Segundo a agência, as forças israelenses agrediram e prenderam oito pessoas das cidades de Dura, Abda e Imreish, perto de Hebron.

Colonos israelenses invadiram no sábado a comunidade de al-Maleh, no norte do Vale do Jordão, noroeste da Cisjordânia ocupada, e começaram a agredir os moradores. Esses ataques frequentemente ocorrem sob a proteção das forças de ocupação israelenses e fazem parte de esforços mais amplos para tomar terras e expandir os postos avançados coloniais na área.

Nedal Odeh, diretor dos serviços de ambulância e emergência em Tubas, disse que suas equipes receberam um chamado sobre uma criança que ficou ferida após ser espancada por colonos.

A Rádio do Exército de Israel informou a imposição de um “toque de recolher total” na cidade. A repressão ocorre após uma ordem do Ministro da Defesa israelense, Israel Katz, para “agir com força… contra a cidade de Qabatiya”, de onde ele afirma ser originário um palestino acusado de realizar um ataque com faca e atropelamento no norte de Israel.

Em um comunicado divulgado na sexta-feira (26/12), as Forças Armadas de Israel informaram ter enviado tropas de diversas divisões, juntamente com policiais de fronteira e membros do serviço de segurança Shin Bet, para Qabatiya. O comunicado acrescentou que as forças haviam invadido a casa do suspeito do ataque e se preparavam para demoli-la.

Organizações de direitos humanos condenam há muito tempo a prática de Israel de demolir as casas de famílias palestinas acusadas de ataques contra israelenses, descrevendo-a como uma forma ilegal de punição coletiva.

Fonte: Ópera Mundi

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