A Globo preparou o palco, definiu as regras, escalou os palhaços e contava com a ausência de Lula para transformar o último debate presidencial do primeiro turno em uma espécie de tribunal televisivo contra o presidente. O plano, porém, desandou antes de entrar no ar.

O cancelamento do debate que seria realizado nesta quinta-feira (1º), depois que a emissora recebeu duas decisões judiciais, desmontou o circo. Uma decisão judicial da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu a Globo de exibir de forma destacada o púlpito vazio destinado a Lula e suspendeu a possibilidade de os candidatos fazerem perguntas dirigidas ao ausente.

A outra, do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a participação de Renan Santos, do Missão, o que foi decisivo para a fuga do covarde miliciano Flávio Bolsonaro.

A Globo reagiu dizendo que as decisões de última hora produziram “insegurança jurídica” e representaram uma interferência na liberdade da emissora de organizar debates. Pouco depois, anunciou o cancelamento do programa e substituiu o horário por um capítulo inédito da novela “Quem Ama Cuida”.

Lula fez uma jogada de mestre. Foi ao Flow Podcast, denunciou a armação (e ainda bateu no oportunista Luciano Huck, irmão de Vorcaro). “Esses debates da Globo não produzem nada. Começam a fazer gracinha, fazer piada, pegadinha, presidência da República é coisa séria. Não é quem vai lacrar mais. Não dá pra levar quem tá com 45% disputar quem tá com 1%. Então decidir não ir, as pessoas me conhecem bem”, disse a Igor 3k.

Malu Gaspar e Valdo Cruz passaram a explicar o fracasso da operação diretamente de uma garagem da Mansão Wayne, defendendo os patrões e a “importância do cumprimento de contratos” etc etc. Duas crianças mimadas porque choveu na festinha e molhou o brigadeiro. A cara de Valdo, tendo de ouvir a catilinária da colega, é desde já antológica.

O programa que deveria colocar Lula como saco de pancadas acabou não acontecendo — e o presidente pôde saborear a vingança de 1989.

No primeiro debate presidencial após a redemocratização, Lula enfrentou Fernando Collor, que recebeu treinamento dos jornalistas da Globo. Boni contou como cometeu esse crime com orgulho em entrevista na própria casa. A edição exibida no Jornal Nacional, uma farsa completa, tornou-se um dos episódios mais escandalosos da história da TV brasileira.

O que aconteceu nesta quinta-feira não foi apenas o cancelamento de um debate. É um fracasso para uma emissora que construiu sua trajetória apoiando golpes e rupturas institucionais no Brasil e foi deixada com a broxa na mão.

Fonte: DCM

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