Nunca na história da organização houve tamanha repulsa a um representante de estado, conhecido hoje, mundialmente, pelo genocídio criminoso e covarde praticado contra os palestinos

A delegação do Brasil abandonou o plenário da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, durante o discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na tarde desta quinta-feira (24). O mesmo gesto de repulsa ao ditador israelense, conhecido em todo mundo pelo genocídio praticado contra o povo palestino, aconteceu na edição do evento no ano passado.

O ditador foi vaiado por muitos dos presentes e a debandada do espaço foi massiva, feita também por diversas outras delegações. O presidente da sessão, Khalilur Rahman, teve de pedir mais de uma vez ordem no espaço. E Netanyahu apelou dizendo que “se outros covardes morais ainda estivessem presentes, poderiam se retirar”, no que foi atendido.

Não há, na história da ONU, registro de tamanha rejeição por parte de inúmeras nações ao mesmo tempo a um representante de um determinado país. Netanyahu conseguiu a façanha de unificar quase todo mundo contra ele, ficando ali, em plenário, apenas os poucos países cujos governos são submissos a Donald Trump, o atual inquilino da Casa Branca, que insiste em dar respaldo e ser conivente com a política criminosa e covarde praticada pelo ditador israelense.

Durante seu discurso nas Nações Unidas na terça (22), quando abriu os debates, o presidente Lula mencionou nominalmente Netanyahu e o acusou de praticar genocídio em Gaza.

“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”, disse Lula, que retornou ao Brasil naquele dia.

A delegação do Brasil no momento do discurso de Netanyahu era composta por funcionários da missão do Brasil na ONU; o chanceler Mauro Vieira, que segue em agenda em Nova York, não estava no momento. Ele participava, justamente, de um evento em apoio à agência da ONU para refugiados palestinos, a UNRWA.

O secretário-geral da ONU, o português António Guterres, também não estava presente, pois participava do mesmo evento que Vieira, que fora organizado por Brasil, Jordânia e Espanha. O português, que está prestes a deixar o cargo, já chegou a ser declarado persona non grata por Israel, devido a suas críticas às agressões promovidas por Netanyahu em Gaza. Lula também recebeu a mesma designação, o que não deixa de ser uma honraria, tratando-se do ditador israelense.

Durante sua participação no evento, Vieira criticou as ações de Tel Aviv. Disse que “há quase três anos, Israel vem conduzindo uma campanha orquestrada contra as operações, instalações e funcionários da UNRWA por meio de ataques militares ilegais, legislação ilícita, desinformação, difamação e perseguição jurídica”.

Referia-se, especificamente, ao fato de as autoridades israelenses terem demolido a sede principal da agência para refugiados palestinos em Jerusalém Oriental em janeiro passado e, mais recentemente, em agosto, terem invadido e confiscado o maior centro de formação profissional da organização, em Qalandiya, na Cisjordânia.

Há um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional contra Netanyahu por crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Como não são signatários do Estatuto de Roma, base jurídica do TPI, os EUA não se veem obrigados a cumprir a ordem em sua jurisdição.

O prefeito de Nova York, o muçulmano Zohran Mamdani, chegou a dizer, há alguns meses, que prenderia Netanyahu caso ele pisasse em Nova York se tivesse autoridade para isso. Na sede da ONU, cidade com alta concentração de judeus, verificaram-se vários protestos contra a presença de Netanyahu no evento mundial.

Mas a polícia de Trump, solidária a Netanyahu, prendeu cerca de cem manifestantes, entre os quais as atrizes Hannah Einbinder (de “Hacks”) e a ganhadora do Oscar Susan Sarandon. Durante a tarde, a concentração foi no Bryant Park, a seis quadras da sede da ONU.

Netanyahu, incomodado, atacou Mamdani em seu discurso, dizendo que ele apoia o Hamas e terroristas, no que o prefeito de Nova York retrucou à altura, afirmando que Netanyahu “repete mentiras” para “encobrir o genocídio de palestinos”.

Coincidentemente, Netanyahu discursou na ONU no mesmo dia do discurso do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Funcionários da própria organização estavam tensos com esse fato, prevendo confusões. Abbas participou por videochamada, dado que a ditadura de Trump negou-lhe conceder um visto para que viajasse a Nova York.

Fonte: Hora do Povo

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