A psicóloga Shaiane Costa denunciou episódios envolvendo o filho de 3 anos na Escola de Educação Tio Chico, em Porto Alegre, mantida pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul. A instituição atende gratuitamente filhos de brigadistas com idades entre 2 e 6 anos. Segundo a mãe, o menino, identificado pelo nome fictício Pedro, passou a acordar de madrugada chorando e a perguntar se teria de ir à escola no dia seguinte.
Shaiane relatou que a criança chorava com frequência no caminho para a escola, voltava para casa dizendo que havia ficado de castigo e pedia desculpas repetidamente por situações simples. Ela também citou episódios de mordida no braço, febre alta e assadura severa sem que a família recebesse explicações satisfatórias. De acordo com a mãe, as tentativas de contato com a escola não tiveram acolhimento, e mensagens enviadas à professora e à coordenação ficaram sem resposta efetiva.
Diante do comportamento do filho, Shaiane colocou um gravador na mochila da criança. Na gravação, a mãe afirma ter ouvido o menino chorando, pedindo a chupeta e chamando por ela. Em um trecho, uma mulher diz: “O que tu tá fazendo? Tu não vais pintar mais”. Depois, quando a criança chora e chama pela mãe, a mulher responde: “Não me vem com mamãe”. Em outro trecho, a voz diz: “Chora, pode chorar, chora bastante, chora com vontade. Senão vou te dar um tiro”.
A Brigada Militar informou que abriu um inquérito para apurar os fatos e afastou a professora durante a investigação, mas ela retornou à escola antes da conclusão do procedimento. A instituição afirmou que a perícia da Corregedoria não encontrou elementos técnicos suficientes para confirmar integralmente o conteúdo nem identificar de forma conclusiva a autoria vocal.
Em depoimentos no processo, duas servidoras reconheceram a voz e identificaram a professora. A Corregedoria pediu o arquivamento na Justiça Militar do Rio Grande do Sul, mas o processo ainda não terminou; Shaiane espera que o Ministério Público do RS faça sua própria investigação.
Fonte: DCM






