A denúncia da BioCubaFarma ocorre em um momento de forte pressão sobre o sistema de saúde cubano

A BioCubaFarma denunciou que os EUA impedem a produção de cerca de 300 medicamentos em Cuba, em meio ao agravamento dos efeitos do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto por Washington há mais de seis décadas. As informações são da Prensa Latina.

A presidente do Grupo Empresarial BioCubaFarma, Mayda Mauri, afirmou em entrevista ao Canal de Notícias Cubano que o setor farmacêutico cubano enfrenta um dos momentos mais severos de sua história recente, com impactos diretos sobre a capacidade de produção de medicamentos e insumos essenciais para o sistema público de saúde.

Prioridade para emergências e pacientes críticos

Segundo Mauri, a BioCubaFarma trabalha em coordenação estreita com o Ministério da Saúde Pública de Cuba para definir prioridades produtivas diante das limitações atuais. A estratégia tem sido concentrar esforços na fabricação de produtos farmacêuticos voltados aos serviços médicos de emergência e ao atendimento de pacientes em estado crítico.

Entre os itens priorizados estão soros e insumos destinados à hemodiálise, considerados essenciais para garantir o funcionamento de áreas sensíveis da assistência médica. A dirigente explicou que, diante das restrições enfrentadas pelo país, a indústria tem buscado assegurar a disponibilidade dos produtos com maior impacto imediato na rede de saúde.

BioCubaFarma busca ampliar receitas no exterior

Além da reorganização interna da produção, a BioCubaFarma também tem reforçado alianças e negócios internacionais como forma de ampliar a receita obtida com a exportação de produtos biotecnológicos desenvolvidos em Cuba. De acordo com Mauri, esses produtos já conquistaram patentes e reconhecimento científico relevante no cenário internacional.

A presidente do grupo ressaltou, no entanto, que a exportação não ocorre em detrimento do abastecimento interno. Segundo ela, a indústria cubana não vende ao exterior medicamentos que estejam em falta no país, buscando preservar o atendimento às necessidades nacionais mesmo em um contexto de restrições econômicas e financeiras.

Cooperação com China, Vietnã e Rússia

Mauri também destacou a importância da cooperação internacional para o desenvolvimento do setor farmacêutico e biotecnológico cubano. A parceria com a China foi apontada como estratégica, ao lado de iniciativas mais recentes com Vietnã e Rússia.

Essas alianças, segundo a dirigente, já começam a gerar empreendimentos conjuntos com benefícios para as partes envolvidas. A ampliação da cooperação externa é vista pela BioCubaFarma como uma ferramenta fundamental para sustentar a produção, fortalecer a inovação e reduzir os efeitos das limitações impostas ao país.

Impacto sobre a saúde pública cubana

A denúncia da BioCubaFarma ocorre em um momento de forte pressão sobre o sistema de saúde cubano, que depende da capacidade da indústria nacional para garantir medicamentos, vacinas, insumos hospitalares e produtos biotecnológicos. Para o governo cubano e suas instituições públicas, o bloqueio imposto pelos EUA segue sendo um dos principais obstáculos ao funcionamento pleno desse setor.

Com a priorização de medicamentos para emergências e pacientes críticos, a BioCubaFarma tenta preservar áreas essenciais da assistência médica enquanto busca alternativas comerciais e científicas no exterior. A estratégia combina reorganização produtiva, exportações biotecnológicas e cooperação internacional para enfrentar as restrições que afetam a produção de cerca de 300 medicamentos no país.

Fonte: Brasil 247

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