Ameaça aconteceu dentro da escola e na presença de estudantes. O caso ocorre em meio a denúncias crescentes sobre o aumento da violência nas escolas cívico-militares.
Uma trabalhadora da área de serviços gerais do Colégio Estadual Cívico-Militar Jardim Maracanã, em Toledo (oeste do Paraná), foi ameaçada com uma arma de fogo dentro da escola no dia 17 de março de 2026 por um monitor militar da unidade identificado como Alcebiades Vieira, que também é envolvido em outros casos de ameaças a alunos.
De acordo com o relato da trabalhadora no termo de testemunha, a ameaça foi durante a entrada dos estudantes no colégio, quando os portões ainda estavam trancados. O agressor perguntou sobre o portão fechado e a trabalhadora afirmou não estar com a chave. Nisso, o agressor afirmou que iria estourar o cadeado com um tiro. A trabalhadora tentou mediar a situação e Alcebiades sacou uma arma, apontou para o rosto da funcionária e a ameaçou de morte, além de proferir ofensas como “bruxa” e “velha”. Os estudantes presenciaram toda a ação. A trabalhadora procurou ajuda médica por crise de ansiedade devido à situação traumática, e se afastou de suas funções por recomendação médica.
Após o ocorrido, o Sindicato dos professores e funcionários escolares de Toledo (APP) protocolou à Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED) um pedido de afastamento imediato do monitor e a abertura de procedimento administrativo para apuração dos fatos. Em nota, a SEED afirmou que ao tomar conhecimento da situação, desligou o militar do programa Colégios Cívicos-Militares do Paraná.
Crescem as denúncias em meio à militarização reacionária das escolas
Diante a militarização reacionária das escolas no Paraná, crescem cada vez mais as denúncias sobre todo tipo de abuso cometido pelos militares, que em geral, recebem punições leves como afastamento remunerado, e que raramente são julgados e condenados por seus crimes — e ainda muitos saem impunes. Em Curitiba, 9 alunas de 11 à 13 anos denunciaram um militar por abuso sexual em 2023, o abusador só foi afastado, quase dois anos depois.
Desde a expansão dos colégios cívico-militares no Paraná, professores, alunos e pais têm denunciado o aumento de práticas autoritárias de cunho reacionário, episódios de assédio moral e a presença de agentes armados no ambiente escolar — nesse caso mesmo, diversos comentários foram publicados nas redes sociais de alunos relatando abusos sofridos no colégio por parte dos militares.
Educadores apontam que a presença de militares em funções de gestão ou monitoria fragiliza a autonomia pedagógica dos professores que perdem sua liberdade de cátedra e têm censurados os conteúdos que não agradam aos milicos, incluindo temas comuns ao currículo de ciências humanas, como racismo, luta de classes, história do regime militar fascista, entre outros.
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Fonte: A Nova Democracia






