O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu adiar a votação da PEC da blindagem que poderia barrar as investigações de parlamentares. A proposta de emenda à Constituição estava prevista para ser analisada hoje no plenário da Casa.

O que aconteceu
Motta decidiu adiar a votação após horas de discussão sem chegar a um acordo sobre a proposta. PSD, PT, PDT, PCdoB e PSB foram contra o texto e votar a PEC hoje. A deliberação foi adiada, a princípio, para a próxima semana.

O presidente da Câmara pautou a PEC para esta semana e pediu agilidade ao relator da proposta. O deputado Lafayette de Andrada (Republicanos-MG) levou dois textos para discutir com os líderes na residência oficial da Câmara dos Deputados. O parecer ainda não foi publicado.

A ideia inicial era retomar o texto original da Constituição de 1988. A redação diz que os parlamentares não podem ser processados criminalmente sem prévia autorização de sua Casa, ou seja, Câmara ou Senado. A licença também vale para prisão, com exceção de flagrante de crime inafiançável.

Congresso quer “blindagem”. A autorização para abertura de inquéritos contra parlamentares impediria ações arbitrárias de magistrados, com ou sem o foro privilegiado, segundo alguns parlamentares.

O líder do PT na Câmara afirmou que o texto têm “muitas polêmicas”. Lindbergh Farias (RJ) disse que havia sugestões para mexer no quórum do STF (Supremo Tribunal Federal) e a suspensão de inquérito.

Relator está insatisfeito com o texto que o Centrão quer votar. Lideranças que participaram da reunião disseram ao UOL que Andrada está incomodado com as mudanças que os partidos do Centrão querem fazer, como a autorização para abertura de inquéritos. O deputado é advogado e conhecido por ser um parlamentar moderado.

A PEC entrou na pauta da Casa em acordo pelo fim do motim bolsonarista, após a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O arranjo foi costurado pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e pelo União Brasil.

A PEC da blindagem foi apresentada em 2021. Começou a ser discutida no mesmo ano, durante a gestão de Lira, como reação à prisão do então deputado Daniel Silveira. Na época, o texto chegou a ser levado ao plenário, mas não foi votado.

Fonte: Uol

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