No apagar das luzes, o “paladino da moralidade”, passadas 24 horas da denúncia, já se vê nas cordas do ringue que ele próprio ajudou a montar
Por Geraldo de Majella*
A expressão “homem de bem” é usada, em sentido geral, para designar alguém visto como honesto, correto e de boa conduta moral. No debate público, especialmente no Brasil, o termo foi apropriado pela extrema-direita — tanto no campo parlamentar quanto fora dele — como uma marca identitária e um discurso recorrente, quase um mantra.
O deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI do INSS, foi denunciado à Polícia Federal pelos parlamentares Soraya Thronicke (Podemos-MS) e Lindbergh Farias (PT-RJ), sob suspeita de prática de estupro de vulnerável e tentativa de compra de silêncio.
Gaspar se apresenta como um “homem de bem”, mas sua atuação recente revela outra face. Pré-candidato ao Senado, ele transformou a CPMI em um palanque, fez acusações sem provas, pré-julgou adversários e buscou destruir reputações, tudo em meio à obsessão de produzir vídeos para sua campanha eleitoral. Para ele, vale tudo para atingir objetivos desprovidos de ética e de compostura.
No apagar das luzes, o “paladino da moralidade”, passadas 24 horas da denúncia, já se vê nas cordas do ringue que ele próprio ajudou a montar, agora sob forte pressão diante da repercussão do caso.
A senadora Soraya Thronicke e o deputado Lindbergh Farias desferiram um “jab” — o golpe fundamental no boxe: não foi um nocaute, mas suficiente para deixá-lo desnorteado e em posição defensiva no centro da disputa política. A essa altura, não basta invocar a condição de “homem de bem”; o momento exige respostas claras diante das acusações.
O mantra do “homem de bem”, ou a máscara do moralista que se arvora como defensor da família e da moral, não resiste à luz do sol.
A luta continua, e resta saber se ele vai aguentar os próximos rounds. O sangramento não será estancado; mesmo com os cuidados da equipe técnica, tende a persistir até o último round.
No boxe profissional, a regra prevê 12 rounds. No round final da CPMI, Alfredo Gaspar sentiu o primeiro “jab” — mas, como essa luta terá 13 rounds, ainda vêm muitas pancadas pela frente; o número 13 é o que ele tanto odeia. Resta agora ao juiz da luta dizer: “soa o gongo final”.
Fonte: 082 Notícias






