O encontro entre Lula e Trump pode ser adiado devido à escalada do conflito no Oriente Médio. Saiba mais sobre as implicações e a posição do Brasil.

O encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump tende a ser adiado em face da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. Assessores graduados do governo brasileiro avaliam como certo que a reunião será adiada. Informações passada por três conselheiros próximos de Lula à mídia conservadora, na manhã desta segunda-feira, indicam que diplomatas de ambos os lados preferem aguardar “dias ou semanas” antes de marcar uma nova data.

Segundo as fontes, ainda que não tenha sido marcada uma data final para a visita de Estado, o Palácio do Planalto ainda trabalha com o hipótese de a cúpula ocorrer ainda neste mês. Publicamente, o próprio Itamaraty já confirmou que o cenário agora é outro, diante do agravamento das tensões no Oriente Médio. A avaliação interna é de que a agenda poderá ser transferida para o fim de março ou até abril, dependendo da evolução da guerra em curso.

O governo norte-americano também não apresentou, ainda, sugestões formais de datas para o encontro, embora Trump tenha citado, em conversa recente com Lula, a intenção de realizar uma visita de Estado, na Casa Branca. O diálogo entre Brasília e Washington, contudo, permanece ativo segundo os interlocutores, segundo os quais os canal direto de comunicação entre os dois presidentes não foi afetado pelos últimos acontecimentos.

Contexto

O cenário internacional, porém, é outro desde as ações militares que atingiram o Irã. Em retaliação, o país lançou mísseis e drones contra Israel e contra bases norte-americanas em diferentes pontos do Oriente Médio. Os ataques também atingiram o topo da liderança iraniana, resultando na morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, fato confirmado pelo próprio governo iraniano horas depois.

Com o agravamento do conflito, o governo Lula acompanha com cautela a escalada das tensões no Oriente Médio. Na avaliação do Palácio do Planalto, as tensões geopolíticas elevaram os riscos de estabilidade, no Oriente Médio. Interlocutores do presidente consideram que o uso da força contribui para um ambiente “altamente inflamável” e defendem que a saída para o impasse deve ocorrer por meio do diálogo e da negociação diplomática.

Assessores do governo têm dito que as intervenções militares conduzidas pelos Estados Unidos em conflitos anteriores — como no Iraque, Afeganistão e Líbia — são vistas como exemplos de ações que produziram consequências negativas e prolongadas. A posição predominante na administração federal é de que a guerra não constitui solução eficaz para disputas internacionais e de que a diplomacia oferece melhores resultados, inclusive em termos de custo-benefício político e humanitário.

Contenção

Em nota oficial divulgada no sábado, logo após o bombardeio a Teerã, o Ministério das Relações Exteriores condenou os ataques promovidos por EUA e Israel em território iraniano. O governo brasileiro apelou para que os países envolvidos respeitem o Direito Internacional e “exerçam máxima contenção”.

No comunicado, a pasta afirmou que “os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”. A declaração faz referência às tratativas relacionadas ao programa nuclear iraniano, tema que há décadas gera impasse entre Teerã e Washington. A Casa Branca, assim como Israel e outros países ocidentais, sustenta que o Irã busca desenvolver armas nucleares, acusação que é negada pelo governo de Teerã.

Fonte: Correio do Brasil

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