Apuração investiga possível contratação coordenada de perfis digitais para atacar o Banco Central após liquidação do banco

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou ao ICL Notícias a abertura de inquérito para investigar a atuação de influenciadores digitais que passaram a defender o Banco Master e a atacar o Banco Central após a liquidação da instituição financeira. A apuração busca esclarecer se houve contratação organizada para impulsionar conteúdos nas redes sociais com o objetivo de deslegitimar a decisão do regulador e pressionar autoridades públicas.

O caso começou a ser analisado de forma preliminar no início do mês após a identificação de um padrão atípico de publicações nas redes sociais. Segundo informações levantadas pela Polícia Federal, diversos perfis passaram a divulgar mensagens com argumentos semelhantes, linguagem alinhada e ataques direcionados ao Banco Central e a integrantes da cúpula do sistema financeiro, logo após a decretação da liquidação do banco, em novembro de 2025.

A análise inicial levou ao mapeamento de dezenas de perfis, com alcance relevante, que atuaram de forma simultânea. A partir desse levantamento, a PF decidiu formalizar a investigação por meio da instauração de inquérito, agora sob responsabilidade da área especializada da corporação. O procedimento tramita sob sigilo.

Entre os pontos que estão no centro da investigação estão a eventual existência de pagamentos a influenciadores, a intermediação por agências de comunicação ou marketing digital, a celebração de contratos com cláusulas de confidencialidade e a definição prévia de narrativas e alvos. A PF também pretende rastrear transferências financeiras, notas fiscais e trocas de mensagens que possam comprovar a articulação da campanha.

A investigação não se limita aos produtores de conteúdo. O inquérito busca identificar quem teria financiado ou encomendado a ação, bem como eventuais conexões entre os influenciadores e interesses ligados ao Banco Master ou a seus controladores.

Até o momento, não há informações sobre quais crimes que serão investigados. A Polícia Federal trabalha com a hipótese de uma ação organizada para interferir no debate público em torno de uma decisão regulatória sensível, o que pode ter implicações penais a depender do que for comprovado no curso da apuração.

Fonte: ICL

Deixe uma resposta