As imagens dramáticas dos blackouts de energia em Cuba e da população cubana sendo obrigada a cozinhar usando madeira como combustível expõem a perversidade do bloqueio imposto pelos EUA, agora ampliado pelo presidente Donald Trump e seu secretário Marco Rubio. Hospitais e escolas sem energia, num criminoso certo a ilha que, em 1959 com a revolução vitoriosa, expropriou as máfias oligárquicas associadas aos interesses estadunidenses na ilha. Nesse momento urgente, o Brasil pode fazer a diferença. O presidente Lula, precisa ser fiel ao compromisso histórico do PT de defender a soberania cubana. Lula pode e deve enviar Petróleo para Cuba para evitar uma tragédia humanitária causada pelo bloqueio estadunidense. O Trabalho publica o artigo do companheiro Angel Tubau, originalmente publicado no site do jornal operário espanhol Información Obrera. — Alexandre Linares
Trump ordenou que, a partir de hoje, os secretários de Comércio, Howard Lutnick, e de Estado, Marco Rubio (filho de cubanos exilados), fiscalizem se algum país entrega, por qualquer via, petróleo a Cuba.
Pressionado pela impressionante mobilização em Minnesota, Donald Trump busca novamente uma ação “destacada” na política externa.
Na quinta-feira, 29 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva (equivalente a um decreto) na qual afirma: “Considero que a situação relativa a Cuba constitui uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos, e declaro uma emergência nacional em relação a essa ameaça”.
Esse decreto anuncia que seu governo imporá tarifas adicionais a todos os produtos de “qualquer país que, direta ou indiretamente, venda ou forneça petróleo a Cuba”.
Trump determinou que, a partir de hoje, os secretários de Comércio, Howard Lutnick, e de Estado, Marco Rubio (filho de cubanos exilados), supervisionem se algum país entrega, por qualquer meio, petróleo a Cuba.
Lembremos que, após a agressão militar contra a Venezuela e o sequestro do presidente Maduro e de sua esposa, Trump impôs à presidente “interina”, Delcy Rodríguez, o embargo a todo envio de petróleo a Cuba. A Venezuela era, até então, o principal fornecedor de petróleo da ilha.
Este decreto, portanto, tem um objetivo claro: pressionar o México para que interrompa os envios de combustível (sendo o segundo maior fornecedor até agora).
Trump concluiu dizendo, segundo a agência AP, que não será mais enviado petróleo a Cuba e que o governo cubano cairá. Até o momento, a Secretaria de Energia do México e a diretoria da PEMEX (Petróleos Mexicanos) mantiveram silêncio sobre o assunto; embora a presidente do México, Claudia Sheinbaum, tenha declarado que o México é soberano e decide por si só com quem comercia, a agência Reuters informa que o México já havia suspenso os envios de petróleo.
À beira da asfixia?
Cuba depende do petróleo para o transporte e para o funcionamento de suas usinas termelétricas. Segundo dados oficiais do governo cubano publicados no jornal Granma (órgão oficial do Partido Comunista), o país atualmente consegue atender, por outros meios, a menos da metade da demanda elétrica.
Nestes mesmos dias, o jornal britânico Financial Times afirmava que Cuba dispõe de combustível suficiente para apenas 15 a 20 dias. Antes da intervenção dos EUA, a Venezuela fornecia cerca de 46.500 barris diários à ilha. O México entregava, em média, 17.200 barris por dia, cujos envios foram interrompidos em meados de janeiro. Outros fornecedores de petróleo incluem a Rússia, que enviou seu último navio em outubro, e a Argélia, que não enviou nenhum cargueiro desde fevereiro do ano passado, segundo a mesma fonte. Agora, de acordo com o New York Times, Cuba recebe apenas três mil barris diários. O país necessita de 100 mil barris diários, dos quais aproximadamente metade é destinada à geração elétrica e o restante ao transporte e à atividade industrial. Qualquer pessoa pode imaginar a catástrofe humanitária que o imperialismo estadunidense está organizando.
“Parece que não conseguirá sobreviver. Cuba não poderá sobreviver”, declarou Trump à imprensa na noite de quinta-feira.
63 anos de bloqueio
A vitória da revolução em Cuba em 1959, cujo desenvolvimento posterior implicou a expropriação dos grandes proprietários (muitos deles estadunidenses) e a destruição da ditadura de Batista e de suas instituições, provocou, muito cedo, a intervenção armada estadunidense. Em abril de 1961, a CIA organizou a invasão da Baía dos Porcos, que fracassou graças à mobilização do povo cubano. Desde então, sucessivas administrações estadunidenses impuseram e reforçaram um embargo comercial contra a ilha que, dada a predominância da economia dos EUA e por meio de pressões sobre países terceiros, transformou-se num verdadeiro bloqueio. Esse bloqueio foi condenado pela imensa maioria dos membros da ONU, cuja Assembleia Geral o rejeitou em trinta ocasiões (em 2024, apenas com os votos contrários dos EUA e de Israel).
A difícil situação econômica de Cuba é, em grande parte, resultado desse bloqueio, que impede a ilha de manter comércio normal com todos os países.
A defesa de Cuba frente à agressão imperialista
O jornal mexicano La Jornada conclui seu editorial de 30 de janeiro da seguinte maneira: “Na conjuntura atual, mesmo aqueles governos que nutrem aversão pelo regime político adotado pelos cubanos deveriam estar conscientes de que defender Cuba é, na verdade, defender toda a humanidade contra a arbitrariedade e o imperialismo descarado que o trumpismo sintetiza em seu lema ‘paz pela força’”.
Certamente, todo governo que defenda a democracia (isto é, o direito de cada povo decidir livremente sobre seu futuro sem imposições externas) deveria boicotar a ordem executiva de Trump. Isso inclui o governo de Pedro Sánchez e Yolanda Díaz. Assim como Hitler em 1938, o governo de Trump interpreta cada demonstração de fraqueza como um convite para novas ações. Contudo, não temos garantias de que algum governo venha a defender Cuba diante do império. Tal como ninguém defendeu verdadeiramente a Venezuela.
O que temos plena certeza é que, para todas as organizações do movimento operário e para todas aquelas que se proclamam defensoras dos direitos dos povos, é um dever agir agora em defesa do povo cubano.
Andreu Tubau
Fonte: O Trabalho






