Em Londres, quase 90 manifestantes foram presos. Na França, uma ativista foi condenada a 15 meses de prisão

Cerca de 90 pessoas foram presas em Londres após invadirem uma prisão durante uma manifestação em apoio a um ativista preso do movimento pró-Palestina Palestine Action, atualmente banido, informou a Polícia Metropolitana no domingo (25).

“ATUALIZAÇÃO: 86 pessoas foram presas sob suspeita de invasão agravada após o incidente ocorrido na noite passada na prisão HMP Wormwood Scrubs”, afirmou a polícia em comunicado.

Segundo a nota, os agentes chegaram ao local depois que manifestantes conseguiram acessar o perímetro da prisão. O texto acrescenta que os protestantes bloquearam pontos de entrada e saída utilizados por funcionários, ameaçaram policiais e que alguns chegaram a entrar na área de acesso restrito aos funcionários dentro da unidade.

A manifestação foi realizada em apoio a um ativista do Palestine Action que havia iniciado uma greve de fome na prisão, informou a polícia. A emissora Sky News relatou que o ativista é Umer Khalid, um dos participantes detidos em um protesto de grande repercussão na maior base da Força Aérea Real do Reino Unido (RAF), no verão de 2025.

O movimento Palestine Action foi banido após ativistas invadirem a base aérea RAF Brize Norton, em Oxfordshire, danificando duas aeronaves de reabastecimento Airbus Voyager com pés de cabra e pintando de vermelho as turbinas. O grupo afirmou que o protesto foi uma resposta aos voos diários da RAF entre Brize Norton e a base de Akrotiri, no Chipre, envolvida em operações militares em Gaza.

Atualmente, apoiar o movimento no Reino Unido é considerado crime, com pena que pode chegar a até 14 anos de prisão. Integrantes da organização Defend Our Juries continuam promovendo manifestações com o objetivo de realizar grandes mobilizações em apoio ao Palestine Action, tentando ultrapassar a capacidade da polícia e do sistema judicial de aplicar de forma eficaz a proibição.

França

Um tribunal criminal de Nice condenou a ativista pró-Palestina e mãe Amira Zaiter a 15 meses de prisão por publicações em redes sociais denunciando a guerra genocida de Israel em Gaza, como parte de um esforço mais amplo para reprimir discursos contra o genocídio e silenciar vozes de apoio à Palestina.

A decisão, proferida na sexta-feira pelo tribunal criminal de Nice, figura entre as punições mais severas impostas na França nos últimos anos por expressão política online.

Defensores de direitos humanos alertam que a sentença reflete uma mudança perigosa no sentido de criminalizar a dissidência quando ela questiona as políticas de Israel.

Zaiter compareceu ao tribunal em 23 de janeiro após passar quase dois meses em prisão preventiva, período durante o qual as autoridades a separaram de sua filha pequena e restringiram severamente seu contato com o mundo exterior.

O Ministério Público apresentou acusações relacionadas a postagens publicadas nas redes sociais X e Instagram entre 26 de junho e 13 de outubro de 2025.

O caso se concentrou na republicação de material antissionista, na descrição das ações de Israel em Gaza como genocidas e em manifestações de solidariedade ao movimento de resistência palestino Hamas em meio à agressão contínua de Israel.

A promotoria pediu uma pena de dois anos de prisão, manutenção da detenção, inclusão no banco de dados francês de autores de crimes relacionados ao terrorismo (FIJAIT), proibição de ocupar cargos públicos por dez anos e sanções financeiras.

Observadores do julgamento relataram que os juízes consideraram Zaiter culpada de 12 infrações. O tribunal impôs uma pena de 15 meses de prisão com encarceramento imediato, determinou sua inclusão no cadastro FIJAIT e a proibiu de exercer cargos públicos por uma década.

Além disso, a Justiça ordenou que Zaiter pagasse 6.200 euros em indenizações a várias organizações sionistas, incluindo a LICRA e o CRIF Sud-Est.

O veredicto marca a segunda condenação de Zaiter relacionada ao seu apoio público à Palestina e ao Hamas.

Em novembro de 2024, ela havia recebido uma sentença de três anos de prisão, com dois anos suspensos. Essa decisão foi posteriormente reduzida pela Corte de Apelação de Aix-en-Provence para 18 meses, sendo 12 meses com pena suspensa e regime de liberdade condicional.

Zaiter, na faixa dos 30 anos e sem antecedentes criminais antes desses casos, é cofundadora da associação Nice à Gaza.

O processo atual também fez referência a uma postagem sobre Illan Choukroune, um reservista francês que serve no Exército israelense, a quem Zaiter descreveu como genocida. Ela manteve suas declarações e afirmou estar chocada com o fato de esse tipo de discurso político ter sido tratado como discurso de ódio.

O advogado de defesa, Kada Sadouni, condenou a decisão como profundamente injusta e alertou que o caso levanta sérias preocupações sobre a liberdade de expressão, o debate público e o silenciamento sistemático de opiniões consideradas politicamente inconvenientes.

Segundo ele, o tribunal pareceu determinado a fazer de Zaiter um exemplo, e confirmou que a possibilidade de recurso segue em análise. (Com agências).

Fonte: Brasil 247

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